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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Infâmia

Amanhã não haverá surpresas na Assembleia Municipal. Na bancada do PSD, Francisco Luís e os seus pares irão afinar o diapasão pela cantilena vermelha e permitir, de mão beijada, a entrega dos recursos hídricos do concelho de Sesimbra a terceiros.

O notável trabalho e o investimento avultado que a gestão de Amadeu Penim realizou durante oito anos serão desbaratados num ápice. Sesimbra alienará absurdamente os seus recursos próprios, com a admirável contrapartida de os sesimbrenses passarem a pagar a água mais cara. Os desígnios eleitorais de um partido político e os interesses pessoais de uns quantos sobrepõem-se, assim, miseravelmente aos interesses do concelho e dos munícipes.

Entretanto, nos seus editoriais entediados, a olímpica Peneque continuará a discretear sobre gerais banalidades, enquanto o pequeno Torquemada do burgo alimenta a caldeira de Pêro Botelho com um risinho sinistro. Cá estarei para ver se, pelo menos, o novo dinamismo ferroviário aflora na imprensa restante, ou se, pelo contrário, o muro continua a crescer. Ou muito me engano, ou os cento e poucos que nos levaram a este ponto persistirão, mudos e quedos, na urdidura imperturbável da sua teia de silêncio. Mas tanta água metida valia bem um pingo de vergonha…

domingo, 2 de dezembro de 2007

Perder a eternidade

Um leitor, em comentário deixado à entrada “121”, regista com estranheza, mas também com correcção, o presente silêncio desta Magra Carta sobre a actualidade política local. O Carteiro, que assinou aquela entrada, já lhe respondeu mui acertadamente, como é seu timbre (em francês – é curioso – timbre quer dizer selo). Confesso que, mais tarde ou mais cedo, esperava o surgimento de observações como as que foram feitas por aquele leitor. E, sendo eu o principal responsável pelo silêncio que nelas é apontado, procurarei, pela minha parte, dar-lhe uma satisfação, dizendo-lhe algo mais.

Quem se der ao trabalho de percorrer os ficheiros deste blogue, poderá verificar como, de semana para semana, e de mês para mês, os erros da governação de Augusto e Felícia se repetem amiúde, reflectindo a tipologia óbvia que os caracteriza: arrogância, e até pesporrência; um indisfarçável desnorteio levando fatalmente à improvisação e ao desastre; a ignorância e a incultura de mãos dadas, desembocando tristemente na boçalidade; e um despesismo atroz e saloio, que tenderá a agravar-se com a partida do programador Carlos Dionísio, que teve mau feitio quanto baste para dizer algumas verdades à senhora da “asneira perpétua”, e mostrar que o rei e a rainha iam nus, tal qual Deus Nosso Senhor os pôs ao mundo; mas também o mérito de incluir quartetos de Haydn e Schubert e sonatas de Debussy e Beethoven no palco do João Mota, para geral edificação e contentamento só de alguns.

(A propósito de tudo isto, não valerá, sequer, a pena falar da mentira e de mentiras, pois o comunismo, sabemo-lo há muito, é todo ele uma mentira pegada. Não a única. Mas a maior, e a mais trágica.)

Claro está que o desastre presentemente em curso não passa despercebido entre os netos mais velhos de Estaline; e tem mesmo dado azo a acendradas barafundas nos aposentos vítreos da Tia. O plumitivo Esequiel não hesita em fritar em lume brando o seu ex-futuro delfim. A prudente Odete, que pessoalmente estimo, tem o bom senso e o bom gosto necessários para se manter à margem da frenesia tresloucada com que a bisneta do Outubro vermelho dá ao mundo pérolas freudianas como o glorioso concurso escolar do dia das mentiras.

Entretanto, a imprensa mais antiga – e nem sequer perderei tempo com delíquios inquisitoriais – vai acolitando o miserável cortejo. “O Sesimbrense”, ao mais leve aceno da madeixa, queima sem pudor os pergaminhos vetustos que soube granjear durante o Estado Novo. O desvelo serventuário do nobre título, entretanto reduzido a folheca, não consente quaisquer dúvidas. Da conjectura à evidência bastou um só passo; e da evidência à ciência das coisas factuais, um passo mais. O caso é hoje história contada.

Sucede que tudo isto é já por de mais sabido. Tudo isto é velho e relho. Pessoalmente, não irei gastar um pingo de cera com tão ruins defuntos só por dá cá aquela palha.

Acresce que aquele que é presentemente, a nível local, o maior partido da oposição se manifesta, há alguns anos, e com honrosas excepções, num ror inominável de aviltamentos, deslealdades e traições, que faria corar de vergonha os corifeus da ética siciliana. Nele não faltam, sequer, ambientalistas recauchutados, como os que outrora defenderam o implante, não de um, mas de dois cais de embarque da pedra no perímetro do porto de abrigo de Sesimbra; fantásticas e prodigiosas locomotivas do progresso a quem o mundo, desatento e ingrato, teima em não dar ouvidos; e feministas iluminadas que haurem a mística inspiração à mesa da dr.ª Maria Augusto, personagem devidamente reduzida às suas ínfimas proporções, na passada sexta-feira, pela pena inclemente de Vasco Pulido Valente.

Confesso, caro leitor, que nada disto me entusiasma particularmente; e, por isso, já não pego na caneta como antes o fazia. Estou, de resto, pouco dado a democracias: só acredito na aristocracia do espírito, na nobreza de alma e coração. Entretanto, espero que Augusto continue a ter à perna quem por certo lhe ignorou a mão. Pela minha parte, irei andar por aí, feito espectro vagabundo, como o Pedro. Aqui confesso o problema: tenho mais que fazer. Não se trata sequer de perder tempo. Trata-se, isso sim, como dizia o amigo de um amigo meu, de perder a eternidade.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Profissionalismo

A surda desgarrada entre Esequiel, o desmancha-prazeres, e Augusto, o homem dos grandes planos, teve já o condão de furar o muro do silêncio e dar a conhecer aos leitores do «Raio de Luz» aquilo que o jornal, no seu número de Outubro, deliberada e descaradamente omitira: a aprovação, pela Assembleia Municipal, de uma moção de censura à Câmara Municipal. Para que conste: o senhor Xavier não brinca em serviço, nem que, para isso, tenha de mostrar que é mais papista que o Papa. Nada que nos deva espantar, tão certo é o emérito plumitivo ter recentemente destinado às penas do inferno meia dúzia de hereges, que presumivelmente não tecem loas ao seu genial projecto. O problema é que, neste caso, o Papa é outro e não veste de branco.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

É um suponhamos...

Imaginem que a Assembleia da República aprovava uma moção de censura ao Governo e que o “Diário de Notícias” trazia uma extensa reportagem sobre a respectiva reunião sem, porém, mencionar o assunto. Achavam isto normal?

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Escandaloso!

Depois de ler isto na Sopa de Pelim, começo a ficar esclarecido. Na Rua da República, pelos vistos, não há um pingo de vergonha. E agora, Dr.ª Peneque? E agora, Dr.ª Mayer? E agora, históricos da Liga?

Um pingo de vergonha

Curioso será observar o tratamento informativo daquilo que se passou no último sábado na reunião da Assembleia Municipal, onde, segundo parece, apenas a estagiária de “O Sesimbrense” marcou presença. O modo como a imprensa local vai lidar com este episódio da moção de censura não constitui sequer, ao menos em certos casos, um teste à sua credibilidade. Trata-se, apenas, de saber se, nalgumas paragens, uma moção de censura é algo que possa ser olimpicamente escamoteado. Quer dizer, trata-se de apurar se a desfaçatez atingiu o último dos limites ou se, ao invés, ainda há um pingo de vergonha.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Epidemia

Isto deve ser uma epidemia. “O Sesimbrense” também voltou aos anos 40 e parece mostrar o mais profundo alheamento relativamente ao concelho, como se pode constatar pela análise da capa do último número. Na metade esquerda, de alto a baixo, há um editorial da Dr.ª Peneque, laudatório e lisonjeiro quanto baste para o Dr. Sequerra, assinalando a sua primeira colaboração no jornal, em 1947 - um poema cuja reprodução ilustra o editorial. No quarto superior direito, temos a notícia insólita da participação portuguesa no mundial de rugby. As chamadas para o noticiário local aparecem de forma insípida no quarto inferior direito. Quanto mais remoto no tempo, quanto mais distante no espaço, tanto melhor - é o que se pode inferir.

De duas, uma: ou a Dr.ª Peneque não faz a mínima ideia do que é fazer um jornal; ou, pelo contrário, sabe muitíssimo bem o que está a fazer. Dir-se-ia que parece apostada em fazer esquecer que Sesimbra existe e que em Sesimbra acontecem coisas, porventura desagradáveis para o poder instalado. De modo que a senhora, que veio agora elogiar quem, há alguns meses, a criticou abertamente em público, perante o Presidente da Câmara, por um erro de palmatória (lembram-se da “nossa” Telma?!), não se livra de um raciocínio em alternativa: ou padece da mais inexplicável inépcia jornalística; ou põe na inércia patenteada um zelo cujos motivos serão, por certo, inconfessáveis. Ele que venha e que escolha.

domingo, 23 de setembro de 2007

Indignidade

O senhor director do «Raio de LUZ», no editorial da mais recente edição do mensário, decide clamar aos quatro ventos contra “os soberbos e avarentos” que “têm mostrado insensibilidade na partilha dos seus bens para benefício dos demais”. O benefício que aqui está em causa, acrescente-se para ilustração do leitor, é o dessa obra faraónica a que o CECAS Raio de Luz um dia meteu braços, e que o Estado português resolveu caucionar com o precioso dinheiro dos nossos impostos.

Convenhamos que este novo escrito representa um progresso assinalável. Desta vez, o senhor director do «Raio de Luz», ao contrário do que sucedia há uns meses, já não ameaça abertamente com as agruras do Inferno, território inóspito cuja senhoria lhe parece inteiramente caber, a avaliar pela desenvoltura com que dele fala. Mas não deixa o plumitivo de ora sugerir que a ausência de donativos à sua magnífica obra “é um sinal negativo que terá reflexos pela vida fora”. Para assim discorrer, este homem deve ser “tu cá, tu lá” com Deus e com o Diabo. Sabe do que fala e não se coíbe de citar o Evangelho de Lucas, para lembrar que “alguns ricos avarentos, cavam para si um abismo intransponível”. Na verdade, conclui, de modo fulminante, o senhor director, este “é um grande problema de consciência que não pode deixar ninguém descansado”.

Houve já um tempo em que ninguém podia realmente ficar descansado em Portugal. A mais leve denúncia poderia conduzir ao peso das chamas na carne viva. Foi entre o século XVI e o século XVIII, quando a Inquisição assentou arraiais neste desgraçado país e aqui cometeu os mais hediondos crimes que imaginar se possa. Tristemente célebre ficou então a rapacidade com que os inquisidores se locupletavam com a fazenda dos mártires supliciados. Entretanto, para desgosto de uns quantos, os tempos mudaram.

Não sei se o senhor bispo de Setúbal lê o nosso blogue. Mas seria bom que ele, ou alguém em seu lugar, explicasse caridosamente ao senhor director do «Raio de Luz» que é uma possível indignidade invectivar com preceitos bíblicos tremendos a legítima opção de, num estado laico, qualquer cidadão se abster de contribuir para a erecção de um projecto ao qual se não conhece, de resto, quaisquer provas dadas. Mais preocupante será ainda o Estado português financiar uma obra cujo principal mentor parece lançar intoleráveis ameaças de natureza religiosa com o presumível propósito de arrancar estipêndios às bolsas alheias.

Entretanto, espero que, nos outros jornais da terra, alguns bravos colunistas da mais fina estirpe socialista, republicana e laica façam brevemente sentir a sua indignação. Já que a patrocinadora Câmara marxista de Augusto parece não querer fazê-lo.

sábado, 1 de setembro de 2007

Soldados mortos

Joaquim Letria, que vai ser o Provedor do Leitor do jornal NOVA MORADA, afirma, numa entrevista concedida a este quinzenário, e ontem publicada, que “a imprensa regional vai ser a última trincheira do jornalismo”. Joaquim Letria, está bem de ver, não conhece alguns jornais que se publicam no concelho de Sesimbra. E não sei se passará a conhecê-los no exercício das suas novas funções. Melhor fora que não. É sempre tão triste e desolador ver um buraco cheio de soldados mortos…

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Perguntar não ofende...

Há quantos números é que "O Sesimbrense" não traz uma reportagem sobre as reuniões da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal?

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Flato

(actualizado)

O editorial do último número de “O Sesimbrense” é um hino à costumada balbúrdia de Agosto. Claro que, para a Dr.ª Peneque, não há balbúrdia como a de Agosto, e não há Agosto como o de Augusto. Logo, não há balbúrdia como a de Augusto. Está lá tudo para o fim da prosa, posto em letra de forma, com a devoção de uma Santa Teresinha (não, não é a senhora da Liga). Não há nisto nada com que me deva surpreender. Desde os tempos do Dr. Sequerra que o jornal da terra está transformado numa folheca sectária e imprestável.

O que agora me causa espanto é o bom gosto revelado pela senhora logo nos primeiros parágrafos da composição. No arsenal literário da Dr.ª Peneque há de tudo: uma praia que “parece um tabuleiro onde se entornou uma caixa de punaises”; “camionetas de carreira” que “despejam ondas incessantes de crianças”; “mães carregando sacos gordos”; filas que “à porta dos restaurantes engrossam à medida que os estômagos vão reivindicando reforços”; e à noite, na "marginal, agora mais comprida, um mar de gente deambulando para facilitar a digestão". Logo depois, a senhora doutora, do alto da sua pesporrência, emite o ralhete correctivo a uma cambada de maledicentes que para aí anda, meia dúzia de “naturais da terra que não gostam desta “confusão”, que não sabem dar o devido valor a este caos abençoado que “deixa euros que engrossam os nossos bolsos”.

Só um psicólogo poderá, ao certo, dizer, que bizarro estado de alma terá assolado a Dr.ª Peneque no momento sublime em que se afoitou a destilar semelhante prosápia. Só um psicólogo saberá desvendar o segredo inconfessável cifrado nesta inaudita sucessão de punaises entornados, de ondas de crianças despejadas, de mães carregando sacos gordos, de estômagos reivindicando reforços que engrossam filas à porta dos restaurantes, barrigas esfaimadas que, já dentro dos restaurantes, deixam euros que engrossam os nossos bolsos, ventres enfim deambulando para facilitarem a digestão.

No meio disto tudo, sempre ficámos sem saber se os reforços chegaram aos estômagos a tempo. Esperemos que sim, por causa do flato. Por vezes, entre o engrossar e o despejar, entre o engordar e o entornar, a equação torna-se difícil. Alguém que puxe o autoclismo, se faz favor. Rapidamente e em força.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Pudicícia

Depois do “Notícias da Zona” e do “Nova Morada”, o opinante Fernando Patrício chegou à freguesia do Castelo e às páginas do “Raio de Luz”. O assalto final à freguesia de Santiago fica, por ora, dependente de uma correcta localização da mata do Desportivo na planta da vila.

Manda a verdade dizer que o entendimento tácito entre amplos sectores da Igreja Católica e o Partido Comunista está longe de ser daqui, ou de agora, e dá, por certo, muito que pensar. O concerto não é, de resto, tão contra-natura quanto se possa julgar.

O positivismo de Comte silenciou a metafísica para criar a religião da Humanidade. O marxismo é um messianismo sem Deus: a redenção há-de chegar pelo proletariado. Há na Igreja os milionários da fé, que não consentem a salvação fora do redil, à margem do rebanho. Ora isto lembra terrivelmente o centralismo democrático. Ter Deus na barriga é tê-lo perdido já, paredes-meias com a superioridade moral dos comunistas. Estão bem uns para os outros. E, por isso, entendem-se.

Mas o caso do “Raio de Luz” é diferente. Passa todas as marcas. Mesmo as da pudicícia.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Alguma razão deve haver

Certamente inspirado pelos queixumes que as exigências de exame prévio do vereador Polido motivaram, recentemente, ao congénere NOTÍCIAS DA ZONA, o director do NOVA MORADA dedica o editorial do último número à distinção entre entrevista e inquérito (trocando a coisa por miúdos: perguntas previamente colocadas por escrito), e termina o seu escrito com uma garantia aos leitores: a de que sempre que o jornal que dirige “publique um inquérito por entrevista os informa da forma e do método utilizado”. Parece-me bem.

Por coincidência, o último NOVA MORADA traz uma extensa entrevista com o vereador Polido, conduzida pelo director do quinzenário e pela jornalista Vanda Pinto. Ao leitor, não é dito tratar-se de um inquérito, pelo que, fazendo fé nas palavras do seu director, estamos mesmo perante uma entrevista (conversa oral).

Resumindo e concluindo: ao que parece, o vereador Polido não terá confiado o suficiente nos jornalistas do NOTÍCIAS DA ZONA para lhes conceder uma entrevista no verdadeiro sentido do termo (aliás, deixou-os a falar sozinhos). Mas não deixou de a conceder ao NOVA MORADA, como se pode ver pela peça assinada pela jornalista Vanda Pinto. Alguma razão deve haver…

À vontade do freguês?

Ao que parece, a Junta de Freguesia do Castelo e a Sesimbra FM estabeleceram uma parceria inédita e insólita. Agora, com efeito, a Junta do Castelo passou a integrar a lista de “contribuidores” (a expressão é catita!) do blogue da Sesimbra FM, e até ali publicou mais do que uma entrada. Realmente, o mundo é muito pequeno. Tão pequeno, que já nos começa a faltar o ar.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Estão bem uns para os outros

Parece que o vereador Polido andou um mês a encanar a perna à rã com uma entrevista prometida ao auto-intitulado jornal de referência cá da zona. Segundo reza a agora inconsolável folha quinzenária, o discreto, mas cauteloso, autarca fez um grande finca-pé e exigiu que as perguntas da entrevista lhe fossem previamente apresentadas por escrito, para que, presumo eu, também por escrito lhes pudesse responder.

Nisso, permitam-me os parênteses, está, naturalmente, o nosso vereador no seu direito, pois cada um analisa previamente o que quiser, seja o questionário de uma entrevista, sejam os comentários feitos às entradas publicadas num blogue como este, por exemplo. Espero que, doravante, os camaradas do vereador Polido que, com ou sem vassoura, por aqui pululam quase todos os dias, metam, para sempre, no saco a viola com que habitualmente acompanham o fadinho da alegada censura, um dos poucos que, até hoje, conseguiram decorar.

Mas, voltando à vaca fria, parece que o nosso vereador, mesmo tendo visto satisfeitas as suas exigências quanto ao exame prévio, acabou por roer a corda e deixou o auto-intitulado jornal de referência a falar sozinho. Na Quinta do Conde, calculo eu, deve ter havido mosquitos por cordas.

Estão bem uns para os outros, convenhamos. Se o navio de Augusto mete água por todos os lados, os seus imediatos mostram à puridade que não beberam chá em pequenos. Já os plumitivos, sempre lestos a sondar os ventos, vão adivinhando a borrasca, e, mandando às malvas a solicitude de outrora, fazem por tratar da vidinha, bem acomodados nos botes salva-vidas. Entretanto, o concelho resvala a pique, pelo convés inclinado. Convés? Há quem lhe chame “plantaforma”…

sábado, 16 de junho de 2007

Sem limites

Por maior boa vontade que eu queira ter, “O Sesimbrense” não me dá tréguas. No número que saiu ontem, há um novo erro de palmatória, que deveria fazer corar de vergonha a sua directora. Na peça alusiva à sessão nocturna de 31 de Maio, que teve lugar na Biblioteca Municipal por ocasião do Dia do Pescador, afirma-se, a dado passo, a propósito do tríptico da pintora Maria Helena Leite, tratar-se de obra que foi agora adquirida pela Câmara Municipal. Por razões evidentes, o lapso pode e deve ser desculpado ao jornalista estagiário que assina a peça. Mas sempre terá de ser imputado à directora do vetusto jornal, que, sendo natural de Sesimbra - e não sendo nenhuma criança -, tinha a obrigação de saber que esta pintura foi adquirida pela edilidade nos anos 60, para decorar a primitiva Biblioteca Municipal, então instalada na Capela do Espírito Santo, quando António Telmo era o director da instituição. Ou será que a directora do jornal não lê o que nele é publicado?

Claro que a Dr.ª Peneque, que se permitiu falar de cátedra sobre a cultura no concelho no festival autárquico de 2 de Junho, não deve fazer a mínima ideia de quem seja o filósofo António Telmo, ou então paira muito acima dele. Com a mesma ligeireza com que agora deixou passar esta calinada, ignorou também, enquanto directora de “O Sesimbrense”, a homenagem que Sesimbra prestou ao escritor, e antigo colaborador do jornal da terra, no passado dia 26 de Maio. A ignorância é muito atrevida. E, pelos vistos, ilimitada…

quinta-feira, 14 de junho de 2007

E coisa e tal

No seu último número, o “Notícias da Zona”, jornal de referência, e coisa e tal, dá-nos conta do lamentável espectáculo oferecido por Esequiel Lino na sessão consagrada aos 30 anos do poder local democrático, que se realizou no passado dia 2. Nada que nos surpreenda. Neste artigo indignado, e assinado pela própria direcção do periódico, fica-se ainda a saber que a preparação do evento e a sua condução por parte de Odete Graça não terão ficado isentas de críticas. Verdadeiramente surpreendente é a gente ler no jornal de referência, e coisa e tal, que tudo isto se passou na magnífica sala “Carlos Sargedas”. Há sempre um Portugal desconhecido…

segunda-feira, 11 de junho de 2007

De encontro

O “Notícias da Zona”, que hoje voltou a dar à costa, apresenta-se, na sua contracapa, como um jornal de referência em termos de actualidade e informação plural, isenta e rigorosa. Não duvido que assim seja, mas faz-me espécie que, segundo o quinzenário, Augusto tenha declarado que o novo site camarário é “um site moderno que vai de encontro às necessidades dos munícipes”.

Os leitores mais benévolos estarão em crer que um dos dois, a jornalista ou o autarca, foi inadvertidamente de encontro à língua portuguesa. A mim, depois de ter lido alguns conteúdos (como agora se diz) do novo site, ninguém me tira que Augusto quis mesmo dizer, preto no branco, o que veio publicado, tantos foram os atropelos verificados com a estreia do portal.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

A acta

O Secretário do Presidente da Câmara, que é também o chefe da redacção do “Raio de Luz”, assina, no último número deste mensário, um pormenorizado relato sobre a cerimónia de imposição das condecorações municipais. Admiram-se de quê? Não é ao Secretário que cabe redigir a acta?

Prémio Sequerra (2)

Pelo segundo mês consecutivo, o Prémio Sequerra, destinado a premiar a independência, a isenção e a objectividade da nossa imprensa local, vai direitinho para o “Raio de Luz”. No número de Maio, António Marques assina a prosa agora laureada, que é sobre o novo Espaço Zambujal. Segue o excerto decisivo: Com este projecto agora materializado e colocado ao serviço das populações e colectividades da freguesia e do concelho o executivo e o Presidente da Junta de Freguesia do Castelo, o Dr. Francisco de Jesus merecem os nossos parabéns já que era, aliás, uma ideia que a Junta de Freguesia vinha há alguns anos a tentar dinamizar. É sempre assim, o pensar e falar é uma coisa, o fazer é outra completamente diferente.

De repente, não me perguntem porquê, lembrei-me do estatuto editorial do “Raio de Luz”…