A surda desgarrada entre Esequiel, o desmancha-prazeres, e Augusto, o homem dos grandes planos, teve já o condão de furar o muro do silêncio e dar a conhecer aos leitores do «Raio de Luz» aquilo que o jornal, no seu número de Outubro, deliberada e descaradamente omitira: a aprovação, pela Assembleia Municipal, de uma moção de censura à Câmara Municipal. Para que conste: o senhor Xavier não brinca em serviço, nem que, para isso, tenha de mostrar que é mais papista que o Papa. Nada que nos deva espantar, tão certo é o emérito plumitivo ter recentemente destinado às penas do inferno meia dúzia de hereges, que presumivelmente não tecem loas ao seu genial projecto. O problema é que, neste caso, o Papa é outro e não veste de branco.
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
domingo, 23 de setembro de 2007
Indignidade
O senhor director do «Raio de LUZ», no editorial da mais recente edição do mensário, decide clamar aos quatro ventos contra “os soberbos e avarentos” que “têm mostrado insensibilidade na partilha dos seus bens para benefício dos demais”. O benefício que aqui está em causa, acrescente-se para ilustração do leitor, é o dessa obra faraónica a que o CECAS Raio de Luz um dia meteu braços, e que o Estado português resolveu caucionar com o precioso dinheiro dos nossos impostos.
Convenhamos que este novo escrito representa um progresso assinalável. Desta vez, o senhor director do «Raio de Luz», ao contrário do que sucedia há uns meses, já não ameaça abertamente com as agruras do Inferno, território inóspito cuja senhoria lhe parece inteiramente caber, a avaliar pela desenvoltura com que dele fala. Mas não deixa o plumitivo de ora sugerir que a ausência de donativos à sua magnífica obra “é um sinal negativo que terá reflexos pela vida fora”. Para assim discorrer, este homem deve ser “tu cá, tu lá” com Deus e com o Diabo. Sabe do que fala e não se coíbe de citar o Evangelho de Lucas, para lembrar que “alguns ricos avarentos, cavam para si um abismo intransponível”. Na verdade, conclui, de modo fulminante, o senhor director, este “é um grande problema de consciência que não pode deixar ninguém descansado”.
Houve já um tempo em que ninguém podia realmente ficar descansado em Portugal. A mais leve denúncia poderia conduzir ao peso das chamas na carne viva. Foi entre o século XVI e o século XVIII, quando a Inquisição assentou arraiais neste desgraçado país e aqui cometeu os mais hediondos crimes que imaginar se possa. Tristemente célebre ficou então a rapacidade com que os inquisidores se locupletavam com a fazenda dos mártires supliciados. Entretanto, para desgosto de uns quantos, os tempos mudaram.
Não sei se o senhor bispo de Setúbal lê o nosso blogue. Mas seria bom que ele, ou alguém em seu lugar, explicasse caridosamente ao senhor director do «Raio de Luz» que é uma possível indignidade invectivar com preceitos bíblicos tremendos a legítima opção de, num estado laico, qualquer cidadão se abster de contribuir para a erecção de um projecto ao qual se não conhece, de resto, quaisquer provas dadas. Mais preocupante será ainda o Estado português financiar uma obra cujo principal mentor parece lançar intoleráveis ameaças de natureza religiosa com o presumível propósito de arrancar estipêndios às bolsas alheias.
Entretanto, espero que, nos outros jornais da terra, alguns bravos colunistas da mais fina estirpe socialista, republicana e laica façam brevemente sentir a sua indignação. Já que a patrocinadora Câmara marxista de Augusto parece não querer fazê-lo.
Convenhamos que este novo escrito representa um progresso assinalável. Desta vez, o senhor director do «Raio de Luz», ao contrário do que sucedia há uns meses, já não ameaça abertamente com as agruras do Inferno, território inóspito cuja senhoria lhe parece inteiramente caber, a avaliar pela desenvoltura com que dele fala. Mas não deixa o plumitivo de ora sugerir que a ausência de donativos à sua magnífica obra “é um sinal negativo que terá reflexos pela vida fora”. Para assim discorrer, este homem deve ser “tu cá, tu lá” com Deus e com o Diabo. Sabe do que fala e não se coíbe de citar o Evangelho de Lucas, para lembrar que “alguns ricos avarentos, cavam para si um abismo intransponível”. Na verdade, conclui, de modo fulminante, o senhor director, este “é um grande problema de consciência que não pode deixar ninguém descansado”.
Houve já um tempo em que ninguém podia realmente ficar descansado em Portugal. A mais leve denúncia poderia conduzir ao peso das chamas na carne viva. Foi entre o século XVI e o século XVIII, quando a Inquisição assentou arraiais neste desgraçado país e aqui cometeu os mais hediondos crimes que imaginar se possa. Tristemente célebre ficou então a rapacidade com que os inquisidores se locupletavam com a fazenda dos mártires supliciados. Entretanto, para desgosto de uns quantos, os tempos mudaram.
Não sei se o senhor bispo de Setúbal lê o nosso blogue. Mas seria bom que ele, ou alguém em seu lugar, explicasse caridosamente ao senhor director do «Raio de Luz» que é uma possível indignidade invectivar com preceitos bíblicos tremendos a legítima opção de, num estado laico, qualquer cidadão se abster de contribuir para a erecção de um projecto ao qual se não conhece, de resto, quaisquer provas dadas. Mais preocupante será ainda o Estado português financiar uma obra cujo principal mentor parece lançar intoleráveis ameaças de natureza religiosa com o presumível propósito de arrancar estipêndios às bolsas alheias.
Entretanto, espero que, nos outros jornais da terra, alguns bravos colunistas da mais fina estirpe socialista, republicana e laica façam brevemente sentir a sua indignação. Já que a patrocinadora Câmara marxista de Augusto parece não querer fazê-lo.
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Pudicícia
Depois do “Notícias da Zona” e do “Nova Morada”, o opinante Fernando Patrício chegou à freguesia do Castelo e às páginas do “Raio de Luz”. O assalto final à freguesia de Santiago fica, por ora, dependente de uma correcta localização da mata do Desportivo na planta da vila.
Manda a verdade dizer que o entendimento tácito entre amplos sectores da Igreja Católica e o Partido Comunista está longe de ser daqui, ou de agora, e dá, por certo, muito que pensar. O concerto não é, de resto, tão contra-natura quanto se possa julgar.
O positivismo de Comte silenciou a metafísica para criar a religião da Humanidade. O marxismo é um messianismo sem Deus: a redenção há-de chegar pelo proletariado. Há na Igreja os milionários da fé, que não consentem a salvação fora do redil, à margem do rebanho. Ora isto lembra terrivelmente o centralismo democrático. Ter Deus na barriga é tê-lo perdido já, paredes-meias com a superioridade moral dos comunistas. Estão bem uns para os outros. E, por isso, entendem-se.
Mas o caso do “Raio de Luz” é diferente. Passa todas as marcas. Mesmo as da pudicícia.
Manda a verdade dizer que o entendimento tácito entre amplos sectores da Igreja Católica e o Partido Comunista está longe de ser daqui, ou de agora, e dá, por certo, muito que pensar. O concerto não é, de resto, tão contra-natura quanto se possa julgar.
O positivismo de Comte silenciou a metafísica para criar a religião da Humanidade. O marxismo é um messianismo sem Deus: a redenção há-de chegar pelo proletariado. Há na Igreja os milionários da fé, que não consentem a salvação fora do redil, à margem do rebanho. Ora isto lembra terrivelmente o centralismo democrático. Ter Deus na barriga é tê-lo perdido já, paredes-meias com a superioridade moral dos comunistas. Estão bem uns para os outros. E, por isso, entendem-se.
Mas o caso do “Raio de Luz” é diferente. Passa todas as marcas. Mesmo as da pudicícia.
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sábado, 21 de abril de 2007
Prémio Sequerra (1)
O prémio Sequerra é um galardão recentemente instituído pelo conselho de redacção da «Magra Carta», e tem por objectivo distinguir a isenção, a objectividade e o pluralismo da nossa imprensa local.
O prémio deste mês vai direitinho, por deliberação tomada por unanimidade, com louvor e aclamação e tudo, para a notícia com que o «Raio de Luz» de 25 de Abril próximo, entretanto já saído a 21 de Abril, ou seja, hoje, dá a conhecer a inauguração do Cineteatro Municipal João Mota, ocorrida há uma semana. Particularmente notável é o último parágrafo desta peça informativa – sim, informativa –, que reza assim: “Estão de parabéns o Município e designadamente a Senhora Dr.ª Felícia Costa, Mui ilustre Vereadora do Pelouro Cultural e Social, pelo seu grande empenho e serviço na dedicação a Sesimbra”.
Contactada pelo «Magra Carta», a Dr.ª Felícia Costa congratulou-se com a atribuição deste prémio ao jornal de Santana. Para a vereadora, cuja acção se tem pautado por uma extraordinária originalidade, trata-se apenas de um acto de justiça para com um órgão informativo que tantos e tão bons serviços tem prestado à causa. A vereadora escusou-se, porém, a especificar de que causa se trata. “O meu amigo já está a querer saber de mais, não acha?”, acrescentou a autarca.
O prémio agora atribuído, para além de consistir num donativo monetário, que, neste caso, será destinado a promover a reabertura da creche “on-line” do CECAS-RL, que, há algumas semanas, foi compulsivamente encerrada, por falta de memória RAM, e por indicação da Rede Social, pelo administrador do “site” da Segurança Social, confere ainda ao jornal premiado o direito a publicar, na edição do mês seguinte ao da sua atribuição, em primeira página, o Estatuto Editorial, de forma a poder reafirmar a sua isenção e a sua independência perante o poder autárquico. Não perca, pois, no próximo dia 28 de Maio, data santa, o «Raio de Luz».
O prémio deste mês vai direitinho, por deliberação tomada por unanimidade, com louvor e aclamação e tudo, para a notícia com que o «Raio de Luz» de 25 de Abril próximo, entretanto já saído a 21 de Abril, ou seja, hoje, dá a conhecer a inauguração do Cineteatro Municipal João Mota, ocorrida há uma semana. Particularmente notável é o último parágrafo desta peça informativa – sim, informativa –, que reza assim: “Estão de parabéns o Município e designadamente a Senhora Dr.ª Felícia Costa, Mui ilustre Vereadora do Pelouro Cultural e Social, pelo seu grande empenho e serviço na dedicação a Sesimbra”.
Contactada pelo «Magra Carta», a Dr.ª Felícia Costa congratulou-se com a atribuição deste prémio ao jornal de Santana. Para a vereadora, cuja acção se tem pautado por uma extraordinária originalidade, trata-se apenas de um acto de justiça para com um órgão informativo que tantos e tão bons serviços tem prestado à causa. A vereadora escusou-se, porém, a especificar de que causa se trata. “O meu amigo já está a querer saber de mais, não acha?”, acrescentou a autarca.
O prémio agora atribuído, para além de consistir num donativo monetário, que, neste caso, será destinado a promover a reabertura da creche “on-line” do CECAS-RL, que, há algumas semanas, foi compulsivamente encerrada, por falta de memória RAM, e por indicação da Rede Social, pelo administrador do “site” da Segurança Social, confere ainda ao jornal premiado o direito a publicar, na edição do mês seguinte ao da sua atribuição, em primeira página, o Estatuto Editorial, de forma a poder reafirmar a sua isenção e a sua independência perante o poder autárquico. Não perca, pois, no próximo dia 28 de Maio, data santa, o «Raio de Luz».
segunda-feira, 26 de março de 2007
O pior cego
O director do RAIO DE LUZ, na mais recente edição do mensário, dedica metade do seu editorial à inveja. Claro que não evitou um erro ortográfico de palmatória, pois escreveu “propícia” quando queria escrever “propicia”. Porém, a coisa não é muito grave, pois há por aí gente mais letrada - e com outras responsabilidades - que consegue confundir “perpétua” com “perpetua”, e a verdade é que “propícia” rima com… Bom, vocês sabem, mas vamos ao que interessa.
No auge da erudição, o plumitivo chega mesmo a citar o Catecismo da Igreja Católica e a autoridade de Santo Agostinho em abono da sua cruzada, que tem por alvo todos – e são “muitos” – “os que mergulham neste abismo porque não desejam o bem dos outros”. É tudo gente réproba: “São raivosos, cinzentos e medíocres os que se acobardam e só funcionam na sombra ou nos bastidores, para não referir outros exemplos negativos próprios de filhos das trevas”. Para nossa edificação, ficamos, por fim, a saber que “dignidade, trabalho e transparência devem ser sempre, a melhor reposta aos invejosos”.
Confesso ao leitor que não me deixo intimidar com a autoridade de Santo Agostinho, mas consigo compreender que o Bispo de Hipona, terror dos heréticos, diga alguma coisa ao director do RAIO DE LUZ. Acontece, aliás, que também tenho cá as minhas ideias sobre a inveja e aproveito para lembrar que o grande Goethe a definiu como o mal radical. Sucede que Goethe, para glória da sua Ordem e da Humanidade, era maçon, e maçons, já o sabemos há muito, são gente que o director do RAIO DE LUZ não quer ver à frente nem pintada.
Quem prestar atenção à etimologia da palavra inveja: in – veja, percebe logo que quem a tem não pode ver, não é capaz de ver. Neste momento, confesso a minha culpa: eu nunca fui capaz de ver a acção cultural desenvolvida pelo Centro Raio de Luz nos últimos 30 anos; nem fui capaz de ver a creche da instituição dada como existente, nos últimos meses, no site da Segurança Social. Agora mesmo, já não sou capaz de a encontrar nesse mesmo site, porque já lá não consta. Foi retirada. Terá fechado as suas portas? Que vai ser das crianças?
Eu não fui capaz de ver. Eu não sou capaz de ver. Mas não é má vontade minha. É apenas a natureza das coisas, que simplesmente não existem. A nova sede do Centro Cultural Raio de Luz já absorveu dezenas de milhares de contos dos contribuintes, mas a associação, em três décadas de existência, não deu sequer sinais de vida, quanto mais provas de mérito. Não é mais do que uma pura incógnita, um ponto de interrogação desenhado num cheque em branco. O problema é que o cheque é chorudo e, nisto, como em tudo na vida, o pior cego não é aquele que não pode, mas aquele que não quer ver.
No auge da erudição, o plumitivo chega mesmo a citar o Catecismo da Igreja Católica e a autoridade de Santo Agostinho em abono da sua cruzada, que tem por alvo todos – e são “muitos” – “os que mergulham neste abismo porque não desejam o bem dos outros”. É tudo gente réproba: “São raivosos, cinzentos e medíocres os que se acobardam e só funcionam na sombra ou nos bastidores, para não referir outros exemplos negativos próprios de filhos das trevas”. Para nossa edificação, ficamos, por fim, a saber que “dignidade, trabalho e transparência devem ser sempre, a melhor reposta aos invejosos”.
Confesso ao leitor que não me deixo intimidar com a autoridade de Santo Agostinho, mas consigo compreender que o Bispo de Hipona, terror dos heréticos, diga alguma coisa ao director do RAIO DE LUZ. Acontece, aliás, que também tenho cá as minhas ideias sobre a inveja e aproveito para lembrar que o grande Goethe a definiu como o mal radical. Sucede que Goethe, para glória da sua Ordem e da Humanidade, era maçon, e maçons, já o sabemos há muito, são gente que o director do RAIO DE LUZ não quer ver à frente nem pintada.
Quem prestar atenção à etimologia da palavra inveja: in – veja, percebe logo que quem a tem não pode ver, não é capaz de ver. Neste momento, confesso a minha culpa: eu nunca fui capaz de ver a acção cultural desenvolvida pelo Centro Raio de Luz nos últimos 30 anos; nem fui capaz de ver a creche da instituição dada como existente, nos últimos meses, no site da Segurança Social. Agora mesmo, já não sou capaz de a encontrar nesse mesmo site, porque já lá não consta. Foi retirada. Terá fechado as suas portas? Que vai ser das crianças?
Eu não fui capaz de ver. Eu não sou capaz de ver. Mas não é má vontade minha. É apenas a natureza das coisas, que simplesmente não existem. A nova sede do Centro Cultural Raio de Luz já absorveu dezenas de milhares de contos dos contribuintes, mas a associação, em três décadas de existência, não deu sequer sinais de vida, quanto mais provas de mérito. Não é mais do que uma pura incógnita, um ponto de interrogação desenhado num cheque em branco. O problema é que o cheque é chorudo e, nisto, como em tudo na vida, o pior cego não é aquele que não pode, mas aquele que não quer ver.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Ainda a creche do "Raio de Luz"
Nos últimos minutos, foram várias as leitoras que, entre grávidas de oito meses e mães de recém-nascidos, nos contactaram, solicitando informações sobre a creche do “Raio de Luz”. O que podemos dizer é que ela é uma realidade. Pelo menos, o “site” da Segurança Social – que reputamos de fidedigno – inclui-a entre os três equipamentos do género existentes na freguesia de Santiago (os outros são as duas creches do Externato Santa Joana). Em http://www.seg-social.pt/, basta explorar a "Carta Social", e, dentro desta, a Rede de Serviços e Equipamentos. Os leitores terão a bondade de reparar que não estamos perante o caso de um equipamento com autorização provisória de funcionamento, pois esses, como se pode ler, devem estar assinalados com um asterisco, o que, visivelmente, aqui não sucede. Supõe-se, pois, que foram feitas as necessárias vistorias, emitidas as competentes licenças, passados os correspondentes alvarás. Confessamos, porém, ter alguma curiosidade quanto à solução que foi encontrada para se poder conciliar, em escassíssimos metros quadrados, o funcionamento de uma biblioteca pública, a laboração da redacção de um jornal e um berçário com capacidade para 33 bebés. Mas, depois de – segundo dizem os entendidos – o homem ter ido à Lua, tudo é possível.
O país das maravilhas
Disseram-me e eu fui ver. É verdade, está lá. Conhecem a creche do “Raio de Luz”? Fica em Santana, freguesia de Santiago, na cave do edifício de Santa Maria, e tem capacidade para 33 utentes. Parece que já não há vagas. Não é grupo, está no portal da Segurança Social. Para mais informações, podem clicar aqui.
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