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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Augusto agradece

O mensageiro não oficial (tal qual o blogue da Sesimbra FM) e pouco anónimo da Comissão Política Concelhia socialista afirma, num comentário à entrada Memória de Elefante, que coisas de pelouros é lá entre os vereadores e Augusto, o todo-poderoso. Nisso, a CPC não deve meter prego nem estopa. Só no sentido do voto que os mesmos vereadores manifestam nas tomadas de deliberação camarária. A doutrina é peregrina e deixa por explicar o silêncio dessa CPC relativamente à abstenção da Dr.ª Guilhermina na magna questão da água. Ou o facto de a mesma CPC, perante a votação favorável do vereador Gameiro na questão do IMI, aos costumes ter dito nada. Pior que tudo isto, a insólita doutrina expendida pelo mensageiro não oficial e pouco anónimo retira qualquer legitimidade ao PS para, daqui a ano e meio, reclamar os louros do trabalho desenvolvido pelos seus vereadores. O mérito será todo de Augusto, que é quem pensa e quem mais ordena.
Dois dedos de testa nunca fizeram mal a ninguém. E pensar, nem que seja só um bocadinho, pode ajudar muito. Infelizmente, foi a este nível confrangedor que chegou a política concelhia. Augusto agradece.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Uma imensa mascarada

Vindo da voz do dono, o primeiro comentário à entrada anterior demonstra à puridade que Augusto anda completamente desorientado. Primeiro, disse que queria falar a solo, para explicar a “coisa” à população. Depois, ou se arrependeu, ou foi a Tia que lhe puxou as orelhas, e ontem já queria um debate, ao arrepio das suas exigências iniciais. É bom que ele, e a tropa fandanga que o acompanha, ganhem um pouco de juízo, antes que alguém – nem que seja com uma acareação – ponha termo a esta imensa mascarada dos netos de Estaline. Seria, aliás, precioso, que a Sesimbra FM esclarecesse todo este processo, para que não restassem dúvidas. Parecendo que não, tudo tem limites.

Argumentos

A prestação radiofónica de Augusto foi evidentemente defensiva. O edil pôs a tónica na constituição da associação, e não na criação da empresa, que seria o passo seguinte, caso este processo sinistro fosse por diante. Prisioneiro de um erro tremendo, Augusto é hoje um político acossado. E por isso, perante o microfone da rádio, voltou agora a jogar a carta do medo, profetizando, no que a Sesimbra diz respeito, uma situação crítica em matéria de abastecimento de água. Porém, não justificou com argumentos audíveis a catástrofe que afirma entrever. Já não deve tardar muito que alguém os apresente, mas para o desmentir.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Augusto não gosta

Todos sabemos que Augusto não gosta. Como bom neto de Estaline, não gosta de debates, nem de perguntas incómodas. Nada de dúvidas ou reticências. A coisa está-lhe no sangue, mas a escola política apurou-lhe o instinto.

Agora, na próxima sexta-feira, pelas 11h30, na Sesimbra FM, como Rui Viana já aqui avançou em comentário (e disso nos dá pormenorizada conta no seu blogue), Augusto terá, com ou sem lençóis freáticos, de explicar à população o que pretende afinal com a criação da indesejável empresa intermunicipal que se propõe gerir os recursos aquíferos do concelho. Pelas 15h00, será também ouvido Amadeu Penim, que, desde o primeiro momento, se mostrou contrário ao projecto, talvez por saber bem quanto custou ao erário municipal o investimento realizado em oito anos, e com o qual resolveu o problema de abastecimento de água ao concelho. Por fim, às 18h00, na mesma antena, serão os líderes de bancada na Assembleia Municipal a debater a questão.

Acredito que Augusto não goste. Ele teria certamente preferido que a coisa tivesse passado pianinho e sem levantar ondas. Mas as contas saíram-lhe furadas. O vergonhoso e escandaloso muro de silêncio que alguma imprensa local, verdadeiramente indigna desse nome, vem criando nesta terra há alguns anos começa, enfim, a ser quebrado. Pela minha parte, não tenho a pretensão de julgar que a acção da blogosfera tenha sido decisiva. Basta-me a certeza de que Augusto não gosta.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Trapalhadas

Ainda não foi ontem. Deo gratia: enquanto há vida há esperança. A “coisa” foi adiada para o ano que vem. Na Assembleia Municipal, Augusto, o homem dos grandes planos, o arquitecto de todos os projectos, a personificação da ciência ilimitada, acabou por ter de reconhecer que não foram feitos estudos que sustentem a criação da empresa intermunicipal que se propõe sugar os nossos lençóis freáticos. Segundo ele, os estudos serão elaborados pela associação da qual há-de sair a dita empresa. Sucede que, neste processo sinistro, a associação é apenas o primeiro passo a dar, e a dita empresa o segundo. Criar a associação sem estudos ad hoc é dar um passo em falso, passar um cheque em branco. Esta última frase feita vem, aliás, bem a propósito: as verbas com que os municípios pretendem dotar a associação a criar são irrisórias, não dão sequer para mandar cantar um cego, quanto mais para mandar fazer um estudo. Custa a crer que Augusto, o homem dos grandes planos, o arquitecto de todos os projectos, a personificação da ciência ilimitada, não se tenha dado conta de nada disto. Ou talvez sim, mas passando por cima do que, em tempos, a Associação de Municípios do Distrito de Setúbal já tinha averiguado. Afinal, enquanto houver papalvos, os netos de Estaline julgam poder medrar…

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A canção do bandido

Durante anos, Augusto e a deprimente tropa fandanga que o acompanha nas oportunistas procissões laicas jogaram habilidosamente com as obediências – supostas ou reais – dos autarcas socialistas ao poder central. Agora, virou-se o feitiço contra o feiticeiro. A partir de amanhã, sob a batuta do maestro Jerónimo, bem pode a canção do bandido ser interpretada em dueto, que o disco, esse, fica irremediavelmente riscado…

Desespero

Eu compreendo o desespero de Augusto. Esta brincadeira de dar de barato a nossa água aos camaradas da cintura vermelha ainda lhe pode vir a sair muito cara, mas com a Tia ninguém brinca e há facturas que têm de ser pagas, dê lá por onde der. Agora – por amor de Deus! -, enviar o abnegado sindicalista Carlos Soromenho aos serviços camarários, como esta tarde sucedeu, para explicar aos trabalhadores o injustificável – a criação da empresa intermunicipal que se propõe sugar os nossos lençóis freáticos – com a ameaça de que o Governo quer levar por diante a privatização da água é de um despudor asinino! Sem desprimor para os jumentos, claro está…

Infâmia

Amanhã não haverá surpresas na Assembleia Municipal. Na bancada do PSD, Francisco Luís e os seus pares irão afinar o diapasão pela cantilena vermelha e permitir, de mão beijada, a entrega dos recursos hídricos do concelho de Sesimbra a terceiros.

O notável trabalho e o investimento avultado que a gestão de Amadeu Penim realizou durante oito anos serão desbaratados num ápice. Sesimbra alienará absurdamente os seus recursos próprios, com a admirável contrapartida de os sesimbrenses passarem a pagar a água mais cara. Os desígnios eleitorais de um partido político e os interesses pessoais de uns quantos sobrepõem-se, assim, miseravelmente aos interesses do concelho e dos munícipes.

Entretanto, nos seus editoriais entediados, a olímpica Peneque continuará a discretear sobre gerais banalidades, enquanto o pequeno Torquemada do burgo alimenta a caldeira de Pêro Botelho com um risinho sinistro. Cá estarei para ver se, pelo menos, o novo dinamismo ferroviário aflora na imprensa restante, ou se, pelo contrário, o muro continua a crescer. Ou muito me engano, ou os cento e poucos que nos levaram a este ponto persistirão, mudos e quedos, na urdidura imperturbável da sua teia de silêncio. Mas tanta água metida valia bem um pingo de vergonha…

domingo, 2 de dezembro de 2007

Perder a eternidade

Um leitor, em comentário deixado à entrada “121”, regista com estranheza, mas também com correcção, o presente silêncio desta Magra Carta sobre a actualidade política local. O Carteiro, que assinou aquela entrada, já lhe respondeu mui acertadamente, como é seu timbre (em francês – é curioso – timbre quer dizer selo). Confesso que, mais tarde ou mais cedo, esperava o surgimento de observações como as que foram feitas por aquele leitor. E, sendo eu o principal responsável pelo silêncio que nelas é apontado, procurarei, pela minha parte, dar-lhe uma satisfação, dizendo-lhe algo mais.

Quem se der ao trabalho de percorrer os ficheiros deste blogue, poderá verificar como, de semana para semana, e de mês para mês, os erros da governação de Augusto e Felícia se repetem amiúde, reflectindo a tipologia óbvia que os caracteriza: arrogância, e até pesporrência; um indisfarçável desnorteio levando fatalmente à improvisação e ao desastre; a ignorância e a incultura de mãos dadas, desembocando tristemente na boçalidade; e um despesismo atroz e saloio, que tenderá a agravar-se com a partida do programador Carlos Dionísio, que teve mau feitio quanto baste para dizer algumas verdades à senhora da “asneira perpétua”, e mostrar que o rei e a rainha iam nus, tal qual Deus Nosso Senhor os pôs ao mundo; mas também o mérito de incluir quartetos de Haydn e Schubert e sonatas de Debussy e Beethoven no palco do João Mota, para geral edificação e contentamento só de alguns.

(A propósito de tudo isto, não valerá, sequer, a pena falar da mentira e de mentiras, pois o comunismo, sabemo-lo há muito, é todo ele uma mentira pegada. Não a única. Mas a maior, e a mais trágica.)

Claro está que o desastre presentemente em curso não passa despercebido entre os netos mais velhos de Estaline; e tem mesmo dado azo a acendradas barafundas nos aposentos vítreos da Tia. O plumitivo Esequiel não hesita em fritar em lume brando o seu ex-futuro delfim. A prudente Odete, que pessoalmente estimo, tem o bom senso e o bom gosto necessários para se manter à margem da frenesia tresloucada com que a bisneta do Outubro vermelho dá ao mundo pérolas freudianas como o glorioso concurso escolar do dia das mentiras.

Entretanto, a imprensa mais antiga – e nem sequer perderei tempo com delíquios inquisitoriais – vai acolitando o miserável cortejo. “O Sesimbrense”, ao mais leve aceno da madeixa, queima sem pudor os pergaminhos vetustos que soube granjear durante o Estado Novo. O desvelo serventuário do nobre título, entretanto reduzido a folheca, não consente quaisquer dúvidas. Da conjectura à evidência bastou um só passo; e da evidência à ciência das coisas factuais, um passo mais. O caso é hoje história contada.

Sucede que tudo isto é já por de mais sabido. Tudo isto é velho e relho. Pessoalmente, não irei gastar um pingo de cera com tão ruins defuntos só por dá cá aquela palha.

Acresce que aquele que é presentemente, a nível local, o maior partido da oposição se manifesta, há alguns anos, e com honrosas excepções, num ror inominável de aviltamentos, deslealdades e traições, que faria corar de vergonha os corifeus da ética siciliana. Nele não faltam, sequer, ambientalistas recauchutados, como os que outrora defenderam o implante, não de um, mas de dois cais de embarque da pedra no perímetro do porto de abrigo de Sesimbra; fantásticas e prodigiosas locomotivas do progresso a quem o mundo, desatento e ingrato, teima em não dar ouvidos; e feministas iluminadas que haurem a mística inspiração à mesa da dr.ª Maria Augusto, personagem devidamente reduzida às suas ínfimas proporções, na passada sexta-feira, pela pena inclemente de Vasco Pulido Valente.

Confesso, caro leitor, que nada disto me entusiasma particularmente; e, por isso, já não pego na caneta como antes o fazia. Estou, de resto, pouco dado a democracias: só acredito na aristocracia do espírito, na nobreza de alma e coração. Entretanto, espero que Augusto continue a ter à perna quem por certo lhe ignorou a mão. Pela minha parte, irei andar por aí, feito espectro vagabundo, como o Pedro. Aqui confesso o problema: tenho mais que fazer. Não se trata sequer de perder tempo. Trata-se, isso sim, como dizia o amigo de um amigo meu, de perder a eternidade.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Profissionalismo

A surda desgarrada entre Esequiel, o desmancha-prazeres, e Augusto, o homem dos grandes planos, teve já o condão de furar o muro do silêncio e dar a conhecer aos leitores do «Raio de Luz» aquilo que o jornal, no seu número de Outubro, deliberada e descaradamente omitira: a aprovação, pela Assembleia Municipal, de uma moção de censura à Câmara Municipal. Para que conste: o senhor Xavier não brinca em serviço, nem que, para isso, tenha de mostrar que é mais papista que o Papa. Nada que nos deva espantar, tão certo é o emérito plumitivo ter recentemente destinado às penas do inferno meia dúzia de hereges, que presumivelmente não tecem loas ao seu genial projecto. O problema é que, neste caso, o Papa é outro e não veste de branco.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Paredes de vidro

Inesperadamente, o mais recente número do venerador «Raio de Luz» proporciona-nos aliciante espectáculo: enquanto Augusto, na sua habitual coluna de opinião, aborda sobranceiramente a moção de censura com que a Assembleia Municipal o pôs em cheque, ao mesmo tempo que procura minimizar as dissonâncias, recentemente verificadas, na votação de algumas importantes deliberações camarárias, para concluir ironicamente pela ausência de oposição, Esequiel, na sua não menos habitual coluna de opinião, manifesta evidente apreensão perante a dita moção de censura, lembra que Augusto não tem maioria absoluta, adverte para a efemeridade do poder, recorda que não é com vinagre que se apanham moscas, que a situação política mudou, que cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, e por aí fora, numa ladainha sombria que não pôde deixar de me divertir. O abrangente excesso de zelo do senhor Xavier já deu nisto: pela amostra, agora descuidadamente revelada, ficamos todos a saber que há mosquitos por cordas entre os netos de Estaline. Não era nada que já não se soubesse, mas agora, simplesmente, transparece. Não deixa de ser sumamente patético ouvir Augusto dizer que não se passa nada, que tudo corre no melhor dos mundos; e, ao mesmo tempo, na página que fica ao lado, aparecer o desmancha-prazeres Esequiel a lançar um aviso aflito à navegação e a tirar o tapete ao homens dos grandes planos. Deve ser da idade, mas a Tia está a perder qualidades.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O vereador da Farinha Amparo

Na minha ausência – olá, Carteiro! – Augusto já teve uma “de cabo de esquadra”, e quer agora levar outra avante, que é simplesmente de “bradar aos céus”.

O pretenso desagravo camarário – não sei bem como chamar a tão estrambótica deliberação – à moção de censura da Assembleia Municipal é algo mais do que um patético sinal de desnorte, mas não chega a ser um tique estalinista, pois mostra à puridade que Augusto já não se mexe sem a adjacente bengala laranja, muleta que lastimosamente o ampara em seu penar arrastado , e com a qual, lazarento, há-de chegar às urnas no dia do Juízo Final. Em suma, um caso de anedotário.

Enredado em semelhantes puerícias, esquece-se o furioso Augusto de que, brevemente, terá de submeter à sanção da Assembleia revoltosa a pródiga pantomina com que pretende entregar os recursos aquíferos do concelho de Sesimbra ao sovkoze da Margem Sul. Dar aquilo que se tem para depois o ir comprar a uma empresa intermunicipal, em não se tratando de senilidade precoce, revela uma desfaçatez atroz. Esperemos que, neste caso, os membros do PSD na Assembleia Municipal não sigam o exemplo nada recomendável do seu vereador, que, uma vez mais, nutriu com o voto da Farinha Amparo a indigência política deste lamentável edil. Não nos obriguem a ir para a rua gritar!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Dar o bico por não bico...

Por mais voltas que dê ao bestunto, há coisas que não me entram na cachimónia.

Acabei agora de ler o editorial do último número de “O Condense” e ainda estou boquiaberto de estupefacção. Nele, José Anselmo, patrono da publicação, discreteia esperançadamente sobre os amanhãs que vão cantar na Quinta do Conde. Por atacado, a coisa resume-se à execução do Nó Desnivelado na Nacional 10, cujo processo há muito foi iniciado; a um parque urbano que a Câmara vai realizar a expensas do LIDL; e à repavimentação da Avenida Principal, à custa de uma grande superfície, a Feira Nova. Pelo meio, José Anselmo põe mais uma ou outra peça pífia neste modesto cabaz obreiro. Ufano, o plumitivo condense assevera-nos consoladamente: Finalmente começamos a ser “lembrados”.

Há aqui, com efeito, um problema de memória. Ou, melhor dizendo, vários. Mas são do próprio Anselmo. Ora vamos por partes.

Não ocorreu a Anselmo que a Câmara quase não vai gastar um tostão nas anunciadas obras memoráveis. Uma – a do nó desnivelado – corre sobretudo por conta do Estado. As outras resultam das parcerias que Augusto virtuosamente estabelece com a iniciativa privada. O mesmo Augusto que em Santiago dá ralhetes implícitos aos lojistas forretas, não hesita em piscar o olho aos grupos económicos activos na Quinta do Conde, licenciando novas áreas que se antevêem potencialmente ruinosas para o pequeno comércio local, a troco de uns tostões que dão para os alfinetes.

Num passado recente, a Câmara, com fundos próprios, investiu milhões de contos na Quinta do Conde: construiu o Cemitério; acabou um Mercado Municipal que já rivalizava com as obras de Santa Engrácia; ergueu um Pavilhão Gimno-Desportivo, despendeu 600 mil contos numa Escola Básica exemplar; executou a rede de saneamento; e asfaltou parte significativa da rede viária. Mas disto, que não tem realmente importância nenhuma, não se lembrou Anselmo.

No editorial que agora assina, lembrou-se, porém, e com razão, de admoestar vigorosamente a gestão de Esequiel Lino pelo descalabro que foi a construção da ETAR da freguesia. Pois claro! A rede de saneamento não existia. Outros a fizeram depois. Mas, ao correr da pena, nada disto fez soar campainhas na consciência do desmemoriado Anselmo.

Outra coisa estranha: enaltecendo a anunciada repavimentação da Avenida Principal, Anselmo teve uma branca que nos dá que pensar. Não lhe ocorreu que o projectista desta artéria foi Augusto, ao tempo fortemente criticado por… José Anselmo, ele mesmo, pela deficiente ligação das ruas transversais àquela Avenida, com evidente transtorno para os automobilistas. A tal ponto assim foi, que as vozes mais notáveis da terra cognominaram então Augusto como o “arquitecto dos bicos de pato”. Nos entrementes, as vozes calaram-se, os bicos fecharam-se. E a expressão caiu em desuso. Para mais, Augusto é hoje, reconhecidamente, o autarca dos carrinhos de compras, e esses não transitam nas insólitas perpendiculares da Avenida Principal. Bem pode, por isso, Anselmo dar o bico por não bico.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A síndrome Calimero

"Havia a expectativa de que pudéssemos ter um financiamento mais elevado e uma das condições essenciais seria a adesão dos comerciantes da vila, mas quando chegámos ao fim do processo o número de estabelecimentos aderentes foi pouco significativo, cerca de 15, e isso fez logo cair por terra a hipótese de um financiamento mais significativo nestas obras".

Augusto Pólvora, em declarações à imprensa local, a propósito do URBCOM.
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Decididamente, os comerciantes não querem nada com Augusto. Sujam-lhe as ruas e, como se isso não bastasse, não se entusiasmam, nem sequer se interessam, perante os magníficos planos do edil arquitecto. Tal qual os professores com a azáfama prodigiosa de Felícia. Incompreendido, Augusto solta queixumes inconsoláveis. Decididamente, esta gente não merece os autarcas que tem.
Merecia melhor, aliás.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Um comentário em destaque

Por se tratar de um texto notável, transcrevemos, com a devida vénia, e na íntegra, o comentário há pouco deixado pelo nosso leitor I. Videira, na entrada “À deriva”, que hoje aqui publiquei.
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De facto a Câmara Municipal, nomeadamente o seu Presidente, merece nota negativa por parte da Assembleia Municipal e de grande parte da população.
Já sabemos de antemão que, quando chegar a hora de se fazer o balanço do trabalho autárquico, nos vão dizer que foi mais um ano positivo; e até é muito provável que nos venham afirmar que as expectativas foram ultrapassadas… blá, blá, enfim, mais retórica. Mas como nos diz o título deste post, realmente o executivo tem andado à deriva. Ainda que se tomem, aqui e ali, umas medidas avulsas, a verdade é que não existe uma estratégia para o concelho!
E no passado sábado isso ficou bem demonstrado; não só "pelo homem do leme, mas também pela sua vice". - Imaginámo-los então enclausurados numa acanhada cabina, depois de chapelinho à marujo a dizer que estava tudo certinho, e que não haviam razões para os crucificar naquela Sessão histórica da Assembleia Municipal de Sesimbra.
Para mim, lembrou-me sinceramente a história do Titanic. Era à partida, segundo a propaganda, um barco notável. Muita gente se apercebeu do fim que se avizinhava (a começar pelos ratos que fugiam desesperados) e tratou de se esconder da realidade.
- Em suma, em minha opinião, é necessário mais debate! E com quantos mais, melhor!

À deriva

Os acontecimentos da última semana põem decididamente Augusto na vertigem do plano inclinado. A arrogância e a prepotência, o desprezo pelos procedimentos e o culto do irremediável, acolitados pelo autismo deliberado e pela conspiração silenciosa de quem vergonhosamente faz tábua rasa de um património histórico de oito décadas, demonstram bem o ponto a que se chegou. Quando, há dois meses, aqui se tocou na questão do logradouro da Casa do Bispo, já se batia na mesma tecla. O facto então consumado - havia meses - foi apresentado a uma vereação onde só alguns sabiam do que se tinha passado: a realização de obras particulares num terreno público sem qualquer título jurídico. Os demais tiveram de lidar com uma imposição demagógica que Augusto não hesitou em estimular, com um apelo implícito ao primarismo das doenças clubísticas. O mais que isto é o desnorte de quem voga ao sabor de impulsos e caprichos. Sucede que o barco se chama Sesimbra e, quer queiramos, quer não, estamos todos nele.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O ponto da situação

Bom seria que o PS arrumasse a casa sem demoras, que os seus militantes se entendessem de uma vez por todas, e que se começasse, desde já, a forjar uma alternativa credível para o concelho. A verdade, verdadinha, é que, no estado em que as coisas estão, Odete Graça é, neste momento, a líder da oposição. Não tem medo de desagradar a Augusto, diz-lhe na cara o que tem a dizer. Não consta que outras mulheres com responsabilidades políticas o tenham feito nos últimos anos…

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Uma lenta agonia

(actualizado)

Li os comentários e fui investigar. Na verdade, foi aprovada na Assembleia Municipal uma moção hostil à Câmara de Augusto. Boa parte dos seus camaradas eleitos naquele órgão debandou para evitar dilemas cruciantes na hora da votação. A presidente, Odete Graça, sempre estimável, respeitou a disciplina partidária e votou contra, mas disse o que lhe ia na alma, afirmando concordar com o teor da moção. Vem tudo explicado aqui.

Os azeites vieram depois ao de cima. Augusto, que, após o final de cada sessão, costuma fazer sala, entretendo-se com os demais circunstantes em dois dedos de conversa, desta vez saiu disparado, com cara de poucos amigos. Aposto que da próxima trará Carlos Soromenho. Entretanto, o concelho definha, numa lenta agonia…

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Não-te-irrites

Decididamente, eles estão com os azeites.

Conforme se lê na fumegante “Sopa de Pelim”, a Dr.ª Felícia verberou há dias, ao de leve, os professores do concelho por estes não lhe passarem cartão. Sempre que a senhora lhes destina alguma das geniais iniciativas com que imortalizou o seu repertório, os docentes não ligam peva. São uns ingratos. Não se faz.

Na sua cátedra do “Raio de Luz”, o olímpico Augusto apela este mês às memórias que guarda de antanho para puxar as orelhas aos comerciantes locais que não deitam o lixo no lixo. São uns porcos. Não se faz.

Por este andar, o edil, no auge didáctico do seu zelo higiénico, ainda acaba a dar-nos explicações sobre o modo de usar o ecoponto, citando Goethe e a sua “Teoria dos Cores”. Melhor seria, no entanto, que começasse por dar uma valente barrela na alfurja em que a Fortaleza está transformada; e convencesse, depois, os seus activos camaradas a removerem o inútil lixo propagandístico com que infestaram esta terra desgraçada. Será que não tem espelhos em casa?

Quase simultâneos, os dois episódios são um sintoma precioso. Revelam bem a que ponto chegou o desnorte desta dupla desorientada que nos desgoverna há dois anos. Os sesimbrenses, porcos e madraços, não os merecem. São, aliás, os grandes culpados da estagnação a que se chegou.

O olímpico Augusto e a Dr.ª Felícia bem gostariam agora de criar o homem novo; ou, não podendo ser, de mudar o povo do concelho, seguindo a velha máxima do camarada Brecht. Mas não têm sorte nenhuma. Resta-lhes, assim, como exercício espiritual, umas boas jogatanas de “não-te-irrites”.

domingo, 23 de setembro de 2007

Berbiganjas

Parece que a reconstituição da antiga lota na praia meteu couves e varinas. Não me parece mal, não senhora, mas para o ano devem esforçar-se um pouco mais nos adereços. Tudo o que fique aquém das célebres berbiganjas* – que uma das personagens criadas por Herman José imortalizou há uns bons vinte anos – será sempre uma derrota para a imaginosa mente festiva da Dr.ª Felícia.
* Se bem me lembro, tratava-se de uma enxertia de berbigão e laranja, espécie híbrida que então medrava numa dada praia portuguesa.
ET - Na sexta-feira passada, o olímpico Augusto pôde ser ouvido numa extensa emissão radiofónica muito lá de casa, autêntica conversa em família, tipo "estamos entre a nossa gente". Decididamente, não há um pingo de vergonha. Ficámos então a saber que a reconstituição da antiga lota era uma ideia que "lavrava (sic!) na cabeça de muitos sesimbrenses". A imagem agrícola é bem sugestiva, mas algo deslocada num contexto piscatório, e duvido que alguém goste de ter o quer que seja a lavrar-lhe na cabeça. A menos, claro está, que a meta do edil sejam as almejadas berbiganjas. Aposto que sim.