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domingo, 2 de dezembro de 2007

Perder a eternidade

Um leitor, em comentário deixado à entrada “121”, regista com estranheza, mas também com correcção, o presente silêncio desta Magra Carta sobre a actualidade política local. O Carteiro, que assinou aquela entrada, já lhe respondeu mui acertadamente, como é seu timbre (em francês – é curioso – timbre quer dizer selo). Confesso que, mais tarde ou mais cedo, esperava o surgimento de observações como as que foram feitas por aquele leitor. E, sendo eu o principal responsável pelo silêncio que nelas é apontado, procurarei, pela minha parte, dar-lhe uma satisfação, dizendo-lhe algo mais.

Quem se der ao trabalho de percorrer os ficheiros deste blogue, poderá verificar como, de semana para semana, e de mês para mês, os erros da governação de Augusto e Felícia se repetem amiúde, reflectindo a tipologia óbvia que os caracteriza: arrogância, e até pesporrência; um indisfarçável desnorteio levando fatalmente à improvisação e ao desastre; a ignorância e a incultura de mãos dadas, desembocando tristemente na boçalidade; e um despesismo atroz e saloio, que tenderá a agravar-se com a partida do programador Carlos Dionísio, que teve mau feitio quanto baste para dizer algumas verdades à senhora da “asneira perpétua”, e mostrar que o rei e a rainha iam nus, tal qual Deus Nosso Senhor os pôs ao mundo; mas também o mérito de incluir quartetos de Haydn e Schubert e sonatas de Debussy e Beethoven no palco do João Mota, para geral edificação e contentamento só de alguns.

(A propósito de tudo isto, não valerá, sequer, a pena falar da mentira e de mentiras, pois o comunismo, sabemo-lo há muito, é todo ele uma mentira pegada. Não a única. Mas a maior, e a mais trágica.)

Claro está que o desastre presentemente em curso não passa despercebido entre os netos mais velhos de Estaline; e tem mesmo dado azo a acendradas barafundas nos aposentos vítreos da Tia. O plumitivo Esequiel não hesita em fritar em lume brando o seu ex-futuro delfim. A prudente Odete, que pessoalmente estimo, tem o bom senso e o bom gosto necessários para se manter à margem da frenesia tresloucada com que a bisneta do Outubro vermelho dá ao mundo pérolas freudianas como o glorioso concurso escolar do dia das mentiras.

Entretanto, a imprensa mais antiga – e nem sequer perderei tempo com delíquios inquisitoriais – vai acolitando o miserável cortejo. “O Sesimbrense”, ao mais leve aceno da madeixa, queima sem pudor os pergaminhos vetustos que soube granjear durante o Estado Novo. O desvelo serventuário do nobre título, entretanto reduzido a folheca, não consente quaisquer dúvidas. Da conjectura à evidência bastou um só passo; e da evidência à ciência das coisas factuais, um passo mais. O caso é hoje história contada.

Sucede que tudo isto é já por de mais sabido. Tudo isto é velho e relho. Pessoalmente, não irei gastar um pingo de cera com tão ruins defuntos só por dá cá aquela palha.

Acresce que aquele que é presentemente, a nível local, o maior partido da oposição se manifesta, há alguns anos, e com honrosas excepções, num ror inominável de aviltamentos, deslealdades e traições, que faria corar de vergonha os corifeus da ética siciliana. Nele não faltam, sequer, ambientalistas recauchutados, como os que outrora defenderam o implante, não de um, mas de dois cais de embarque da pedra no perímetro do porto de abrigo de Sesimbra; fantásticas e prodigiosas locomotivas do progresso a quem o mundo, desatento e ingrato, teima em não dar ouvidos; e feministas iluminadas que haurem a mística inspiração à mesa da dr.ª Maria Augusto, personagem devidamente reduzida às suas ínfimas proporções, na passada sexta-feira, pela pena inclemente de Vasco Pulido Valente.

Confesso, caro leitor, que nada disto me entusiasma particularmente; e, por isso, já não pego na caneta como antes o fazia. Estou, de resto, pouco dado a democracias: só acredito na aristocracia do espírito, na nobreza de alma e coração. Entretanto, espero que Augusto continue a ter à perna quem por certo lhe ignorou a mão. Pela minha parte, irei andar por aí, feito espectro vagabundo, como o Pedro. Aqui confesso o problema: tenho mais que fazer. Não se trata sequer de perder tempo. Trata-se, isso sim, como dizia o amigo de um amigo meu, de perder a eternidade.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A síndrome Calimero

"Havia a expectativa de que pudéssemos ter um financiamento mais elevado e uma das condições essenciais seria a adesão dos comerciantes da vila, mas quando chegámos ao fim do processo o número de estabelecimentos aderentes foi pouco significativo, cerca de 15, e isso fez logo cair por terra a hipótese de um financiamento mais significativo nestas obras".

Augusto Pólvora, em declarações à imprensa local, a propósito do URBCOM.
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Decididamente, os comerciantes não querem nada com Augusto. Sujam-lhe as ruas e, como se isso não bastasse, não se entusiasmam, nem sequer se interessam, perante os magníficos planos do edil arquitecto. Tal qual os professores com a azáfama prodigiosa de Felícia. Incompreendido, Augusto solta queixumes inconsoláveis. Decididamente, esta gente não merece os autarcas que tem.
Merecia melhor, aliás.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Um comentário em destaque

Por se tratar de um texto notável, transcrevemos, com a devida vénia, e na íntegra, o comentário há pouco deixado pelo nosso leitor I. Videira, na entrada “À deriva”, que hoje aqui publiquei.
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De facto a Câmara Municipal, nomeadamente o seu Presidente, merece nota negativa por parte da Assembleia Municipal e de grande parte da população.
Já sabemos de antemão que, quando chegar a hora de se fazer o balanço do trabalho autárquico, nos vão dizer que foi mais um ano positivo; e até é muito provável que nos venham afirmar que as expectativas foram ultrapassadas… blá, blá, enfim, mais retórica. Mas como nos diz o título deste post, realmente o executivo tem andado à deriva. Ainda que se tomem, aqui e ali, umas medidas avulsas, a verdade é que não existe uma estratégia para o concelho!
E no passado sábado isso ficou bem demonstrado; não só "pelo homem do leme, mas também pela sua vice". - Imaginámo-los então enclausurados numa acanhada cabina, depois de chapelinho à marujo a dizer que estava tudo certinho, e que não haviam razões para os crucificar naquela Sessão histórica da Assembleia Municipal de Sesimbra.
Para mim, lembrou-me sinceramente a história do Titanic. Era à partida, segundo a propaganda, um barco notável. Muita gente se apercebeu do fim que se avizinhava (a começar pelos ratos que fugiam desesperados) e tratou de se esconder da realidade.
- Em suma, em minha opinião, é necessário mais debate! E com quantos mais, melhor!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Não-te-irrites

Decididamente, eles estão com os azeites.

Conforme se lê na fumegante “Sopa de Pelim”, a Dr.ª Felícia verberou há dias, ao de leve, os professores do concelho por estes não lhe passarem cartão. Sempre que a senhora lhes destina alguma das geniais iniciativas com que imortalizou o seu repertório, os docentes não ligam peva. São uns ingratos. Não se faz.

Na sua cátedra do “Raio de Luz”, o olímpico Augusto apela este mês às memórias que guarda de antanho para puxar as orelhas aos comerciantes locais que não deitam o lixo no lixo. São uns porcos. Não se faz.

Por este andar, o edil, no auge didáctico do seu zelo higiénico, ainda acaba a dar-nos explicações sobre o modo de usar o ecoponto, citando Goethe e a sua “Teoria dos Cores”. Melhor seria, no entanto, que começasse por dar uma valente barrela na alfurja em que a Fortaleza está transformada; e convencesse, depois, os seus activos camaradas a removerem o inútil lixo propagandístico com que infestaram esta terra desgraçada. Será que não tem espelhos em casa?

Quase simultâneos, os dois episódios são um sintoma precioso. Revelam bem a que ponto chegou o desnorte desta dupla desorientada que nos desgoverna há dois anos. Os sesimbrenses, porcos e madraços, não os merecem. São, aliás, os grandes culpados da estagnação a que se chegou.

O olímpico Augusto e a Dr.ª Felícia bem gostariam agora de criar o homem novo; ou, não podendo ser, de mudar o povo do concelho, seguindo a velha máxima do camarada Brecht. Mas não têm sorte nenhuma. Resta-lhes, assim, como exercício espiritual, umas boas jogatanas de “não-te-irrites”.

domingo, 23 de setembro de 2007

Berbiganjas

Parece que a reconstituição da antiga lota na praia meteu couves e varinas. Não me parece mal, não senhora, mas para o ano devem esforçar-se um pouco mais nos adereços. Tudo o que fique aquém das célebres berbiganjas* – que uma das personagens criadas por Herman José imortalizou há uns bons vinte anos – será sempre uma derrota para a imaginosa mente festiva da Dr.ª Felícia.
* Se bem me lembro, tratava-se de uma enxertia de berbigão e laranja, espécie híbrida que então medrava numa dada praia portuguesa.
ET - Na sexta-feira passada, o olímpico Augusto pôde ser ouvido numa extensa emissão radiofónica muito lá de casa, autêntica conversa em família, tipo "estamos entre a nossa gente". Decididamente, não há um pingo de vergonha. Ficámos então a saber que a reconstituição da antiga lota era uma ideia que "lavrava (sic!) na cabeça de muitos sesimbrenses". A imagem agrícola é bem sugestiva, mas algo deslocada num contexto piscatório, e duvido que alguém goste de ter o quer que seja a lavrar-lhe na cabeça. A menos, claro está, que a meta do edil sejam as almejadas berbiganjas. Aposto que sim.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Sushialismo científico

Na sexta-feira passada, houve amargos de boca e esgares faciais quando as primeiras entradas de sushi foram servidas. Decididamente, os professores e os auxiliares têm mau feitio: não gostam de peixe cru.

A exótica Felícia é uma incompreendida. Ela bem se esforça. Quer proporcionar novas sensações à rapaziada, e a paga é reprovarem-lhe tão singular ementa. Pior que isto, só as resmungadelas da comunidade educativa pelo facto de o café e a sobremesa terem ficado para depois das homenagens, que é como quem diz, para além da meia-noite. Não há almoços grátis. Nem jantares.

Código genético

Desengane-se quem julgava que algo de essencial tinha mudado na recepção à comunidade educativa, este ano realizada na Quinta do Conde. A verdade é que continuou a ser oferecido um jantar a largas centenas de comensais, que não deve ter ficado nada barato aos cofres da autarquia. E, tal como no ano passado, a coisa correu muito mal. Foi – pode dizer-se – uma barraca. O olímpico Augusto fez-se esperar, chegou a desoras: as primeiras entradas só foram servidas depois das nove da noite. Às onze, ainda havia gente à espera de víveres. Para ajudar à festa, a refeição era de faca e garfo, mas os convidados não tinham onde abancar. Diz quem viu que os malabarismos com os pratos foram a grande atracção da noite. Muita fomeca passou aquela gente. É para aprenderem.

Não há volta a dar-lhe: a incompetência, o esbanjamento e a falta de respeito são o código genético de quem nos desgoverna.

Toda poderosa

O convite para a recepção à comunidade educativa, que se realizou na passada sexta-feira, só hoje chegou às mãos de alguns (muitos?) dos seus destinatários. À parte o atraso fatal, o convite é uma verdadeira pérola: exorta os contemplados a levarem consigo um livro de banda desenhada, para oferta aos estabelecimentos de ensino, “em substituição do tradicional traje”.

Ficamos sem saber se, em anos anteriores, as máscaras e os disfarces levados para o banquete eram oferecidos à Câmara ou às escolas do concelho. Esperemos que sim. Em regime de Carnaval todo o ano, poderão ser úteis a qualquer momento.

Certo parece apenas ser que a Dr.ª Felícia já não se contenta em valorizar tradições mortas, como a da lota na praia. Pelos vistos, três ou quatro anos de indecorosa reincidência na asneira e no disparate foram o bastante para a senhora se arrogar a demiúrgica condição de criadora de tradições. Se fosse a ela, punha ainda um pouco mais de fervura na água, para ver se a tampa saltava da panela. E de vez.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Fervura na água

Soube-se agora que a reconstituição da lota antiga foi decidida pela Câmara Municipal em cima do joelho. E que está a ser organizada às três pancadas. Não será outra, pelo menos, a conclusão a retirar do facto de a Dr.ª Felícia e o Vereador Polido terem, há pouquíssimos dias, reunido com o movimento associativo, para, enfim, se deitar mãos à obra.

Surpresos, logo os representantes das agremiações fizeram saber que pouco mais de duas semanas poderia ser muito pouco para se preparar qualquer coisa com jeito quanto baste. Com a conversa a acalorar-se, a Dr.ª Felícia declarou aos animados circunstantes que ia pôr um pouco de fervura na água. Fugiu-lhe a boca para a verdade. E, tratando-se da lota, piedoso será lembrar-lhe que pela boca morre o peixe. Há momentos assim, que valem a eternidade.

O que se me antolha algo bizarro é que a Dr.ª Felícia, depois da asneira perpétua e da plantaforma, ainda queira pôr mais fervura na água. Bem sei que é o que melhor sabe fazer. É lá com ela. Mas um dia, de tanto a água ferver na panela, a tampa salta.

Conviria, assim, que Augusto, moderados que foram os ímpetos no tocante à recepção da comunidade educativa (é, pelo menos, o que parece), voltasse a pôr alguma água na fervura. O problema é que a ementa que já se prepara para dia 22 aponta noutro sentido.

Com efeito, no meio do alarido, alguém, na dita reunião, se lembrou de que o peixe usado na encenação fosse dado às associações, que estas armassem as proverbiais barraquinhas na Fortaleza e que, com os assadores bem escondidinhos da ASAE, o servissem aos turistas, ou aos estrangeiros, ou lá o que era. Resta agora saber se a Dr.ª Felícia lhes fornece o carvão…

domingo, 5 de agosto de 2007

Ai quando a Tia souber!

É voz corrente na vila e no campo, e não sei se a novidade já não terá chegado à Quinta! A Dr.ª Felícia entrou em ruptura com o actual programador do Cine-Teatro João Mota e entregou-lhe uma guia de marcha que se vence até ao final do ano. Segundo consta, isto até terá sido um alívio para Carlos Dionísio, que, quatro meses depois da nova sala ter aberto as suas portas, já não estava pelos ajustes com as constantes oscilações de vontade da vereadora da Cultura, e tê-lo-á feito saber, alto e bom som. Tudo isto me traz à memória o caso recentíssimo da Dr.ª Dalila que dirigia o Museu de Arte Antiga. Terá havido sanção da Dr.ª Felícia? Então o homem não é competente? Com que critérios o escolheram? Consta que é um profissional com créditos firmados, oriundo do Teatro Nacional de São Carlos via Seixal…

Claro que tudo isto é de lamentar e revela bem o ponto miserável e sem retorno a que chegámos. E aqui, de duas, uma. Se o mal da coisa são os alegados caprichos humorais da Dr.ª Felícia, então fica tudo dito quanto à política cultural que (não) temos e à sua principal fautora. Se, pelo contrário, foi apenas um erro na escolha da pessoa responsável pelo Cine-Teatro, será caso para a senhora limpar as mãos à parede. Para se poder definir, e aplicar, uma política cultural coerente e eficaz não basta ter à disposição um saco cheio de notas gordas, prontas a esbanjar na primeira ocasião, em programas faustosos. É sobretudo necessário ter bom senso, bom gosto, um pouquinho de savoir faire e outro tanto de know-how, tudo aquilo que manifestamente falta a esta gente.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Plantaforma de entendimento

Não sei ao certo que bicho que lhe mordeu, mas não posso deixar de louvar publicamente o esforço infrene que a Dr.ª Felícia parece começar a desenvolver no sentido de aplacar a verrinosa veia crítica da “Magra Carta”. Já aqui verberámos, eu e o Carteiro, a realização de concertos de jazz e rock no museu da Capela do Espírito Santo. Nós somos assim, gente da velha guarda, irremediáveis botas-de-elástico, não há nada a fazer.
Mas, há minutos, por pouco não me comovi até às lágrimas, ao constatar que o Trio Índigo vai actuar na Capela, já amanhã, pelas 22h00, interpretando um repertório clássico com obras de Mozart, Beethoven, Vivaldi, Bach e Rossini. Estava prestes a deitar o primeiro foguete quando igualmente verifiquei que o alinhamento do recital contempla adaptações de temas dos Queen e dos Beatles para esta formação de violino, viola e violoncelo. Está visto: a síndrome roqueira é avassaladora e não consente melhoras. Fico apenas sem perceber se a Dr.ª Felícia tenta agora estabelecer connosco uma “plantaforma” de entendimento ou se, ao invés, procura usar a táctica do cavalo de Tróia. Pela minha parte, pode tirar o dito cavalo da chuva.

sábado, 7 de julho de 2007

As 7 maravilhas dela

1 – O concurso do Dia das Mentiras
Em 2006, a vereadora dava mostras do seu génio imparável: associado à Onda Jovem, um concurso de âmbito escolar destinado a estimular e premiar a criatividade na arte de mentir, motivou 60 comentários numa entrada do saudoso blogue Sesimbra e Ventos. O vencedor ainda não foi anunciado.

2 – “Os aventureiros e o mapa secreto”
Um livro de aventuras para os mais novos em que dois dos protagonistas são Felícia e David Sequerra. Cesse tudo o que a musa antiga canta…

3 – A palavra “perpétua”
Eis como duas ou três palavras reinventadas podem valorizar sobremaneira um livrinho com belas imagens fotográficas do Castelo de Sesimbra. Capatazes mais ou menos capazes e uma conjuntura mais ou menos propícia a Felícia propicia e perpetua a palavra perpétua que faltava dizer.

4 – Os mil rostos
Quem vê caras, não vê corações…

5 – Rock e Jazz na Capela do Espírito Santo
Consta que o mártir São Sebastião deu um pé de dança. O único que lhe resta.

6 – Será que se bebeu de mais no Carnaval?
Com certeza que sim. E a prova provada está no facto de ninguém se ter dignado a comparecer neste evento de suma importância para o futuro próximo do concelho. Com o Auditório Conde de Ferreira às moscas, a ressaca deve ter sido grande…

7 – Sete samurais e duas pessoas mais
Em Sesimbra não há cinéfilos… Ingratos, é o que é. Mude-se o povo, já!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Há gente para tudo

Sobre o editorial, intitulado “Preservar e valorizar o património”, que a Dr.ª Felícia assina na última “Acontece”, já muito foi dito na “Sopa de Pelim”. Mas a vereadora revela-se musa tão inspiradora que não sei como me hei-de furtar a tecer algumas considerações nesta “Magra Carta”. E não me furto.

A Dr. Felícia opina que, durante muitos anos, se criou a ideia de que os museus eram lugares para investigadores e eruditos. Hoje, diz a senhora, ultrapassou-se tal dimensão artística e elitista, para se entrar numa dimensão de cultura viva, assente na abertura dos espaços à comunidade e na criação de novos estímulos para atrair visitantes. Logo a seguir vêm os exemplos, que são dois: o Museu de Serralves e o Museu Nacional de Arte Antiga.

Manda a verdade dizer que o Museu de Serralves fica longe; e eu, pessoalmente, estou muito distante da arte contemporânea. Mas as colecções e exposições do museu portuense, que não têm qualquer paralelo com as colecções sesimbrenses, dão azo a rambóias que a Dr.ª Felícia não desdenharia. Já o Museu de Arte Antiga deveria servir de exemplo para o que (não) se faz em Sesimbra, e é isso que torna insólita a sua invocação por parte da vereadora.

Que me lembre, não consta que alguma vez uma sala das Janelas Verdes tenha sido palco de espectáculos de jazz ou de rock, como insolitamente vem acontecendo na Capela do Espírito Santo. Em que é que isto contribui para um conhecimento efectivo das colecções? Ou o Museu é uma mera sala de espectáculos? Se são estes estímulos que a Dr.ª Felícia tem em mente, mais valia chamar-lhes choques eléctricos.

No MNAA, festas animadas só uma ou duas vezes por ano, mas confinadas ao jardim, e para angariar receitas para a casa, que ainda há gente a quem custa ganhar o dinheiro, e que depois o procura gastar com parcimónia e ponderação. No mais, a programação é atraente, porém cuidada e rigorosa. Há coisas que, por natureza, são difíceis de apreender; e não podem ser banalizadas ou vulgarizadas, sob pena de ninguém ficar a ganhar com isso. Conviria, aliás, que a Dr.ª Felícia explicasse o que entende por “cultura viva”. Ao contrapô-la à “dimensão artística e elitista”, está implicitamente a desvalorizar a essência de um museu como o da Capela, e a revelar que a sua concepção de cultura tende a resumir-se ao vazio do espectáculo e à agitação permanente.

No fundo, nada disto me surpreende. O que me espanta é que a senhora tenha vindo agora falar da necessidade de preservar e valorizar o património (que fez ela nesse domínio até hoje?). Logo agora, poucos dias passados sobre a notícia da esplanada que o Núcleo do Sporting vai instalar na Casa do Bispo, monumento já com projecto aprovado para a sua recuperação, mas cuja ruína eminente não parece preocupar a nossa doutora. Há gente para tudo.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Cá vamos, cantando e rindo!

Metodicamente, sistematicamente, a Dr.ª Felícia parece apostada em perverter tudo o que é festividade religiosa, tradicional e popular. Os festejos dos Santos Populares não escapam a esta regra sem excepção. O ano passado já tivemos a inovação insólita do Karaoke. Este ano, junta-se-lhe o Hip-Hop, mailas Sevilhanas. Para o ano, quem sabe, virá o techno, o acid, o house!?

Mas o que mais me intriga e desgosta é o facto de as marchas na vila de Sesimbra – infelizmente só uma persiste – saírem este ano, ao contrário do que é habitual, na noite de 24 de Junho, e já não na noite de São João. Se eu fosse uma pessoa mal intencionada, até era capaz de ficar a pensar que a inusitada deslocação no calendário se ficou a dever a razões de oportunidade, uma vez que o recital de Luís Taklin no Cine-Teatro está precisamente agendado para a noite de 23. Mas não, não pode ser. Seria vergonhoso…

Aliás, música é o que não falta a estes Santos. Como princípio, a coisa aceita-se, mas tantos nomes juntos num só programa, nem no festival da Eurovisão. E já nem falo nos “cachets”. O que na verdade mais me preocupa - e nisto não estarei sozinho - são as horas extraordinárias dos trabalhadores da Câmara, que no último trimestre simplesmente dispararam…

sábado, 16 de junho de 2007

Hara-kiri

A Augusto e a Felícia, não há santo que lhes valha. Ontem, no Cine-Teatro João Mota, passou o filme “Os Sete Samurais”. Durante a primeira parte, a casa esteve “meia cheia”. Depois do intervalo, apenas um resistente espectador se manteve na sala. Como o povo é ingrato! Logo ontem, que a Câmara Municipal lhes proporcionava uma sessão de cinema com a duração de 208 minutos, mais um intervalinho pelo meio. Era banzai! pela certa até à uma e meia da manhã. Felizmente, as horas extraordinárias estão controladas...

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Um Óscar para O Delfim

Ontem à noite estavam duas – duas! – pessoas no Cine-Teatro João Mota para assistirem à projecção do filme “O Delfim”, de Fernando Lopes. A bem da Nação, desistiram. Na mesma semana em que o “Jornal de Sesimbra” nos revela uma Dr.ª Felícia muito entusiasmada – sem que ninguém perceba bem porquê – com a excelência mirífica da informação camarária, a divulgação das actividades do Cine-Teatro já deu nisto: um Óscar para o maior fiasco.

Ao que a “Magra Carta” soube, outras sessões têm estado às moscas, ou quase. Depois do esbanjamento insustentável de muitos milhares de euros com o programa inaugural, segue-se a inevitável dieta, que, lamentavelmente, parece não incluir o teatro...

Ou talvez sim... O drama de Augusto e Felícia vai começar no dia em que perceberem que o caso de ontem é exemplar: toda a gente tem este filme em casa. Compraram-no há uns poucos de anos, em DVD, juntamente com um jornal diário de grande circulação. Mas ao drama há-de seguir-se a tragédia, quando nos prestarem contas da gestão da sala.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

A coisa está preta

Augusto e Felícia vão acabar o mês, que ainda corre, tal e qual como o começaram: mal, muito mal - como quem está de saída.

As corridas do primeiro de Maio e as medalhas das Chagas estiveram às moscas. O arranque do Orçamento Participativo, que ontem se revelou o fiasco dos fiascos, demonstra à puridade que o PC já nem sequer consegue mobilizar os seus.

O novo site camarário, parido ao fim de quase um ano, e zurzido em dois tempos, é uma lástima sob diversos pontos de vista. O “Sesimbra Município” veio com um chorrilho de asneiras. A “Sesimbr’Acontece”, à parte os tiques estalinistas, mostra ser um título de inspiração coimbrã.

Os militantes que escrevem nos jornais encetaram a via arrogante do autismo político. Pretendem fazer-nos crer que os comunistas sesimbrenses, ungidos de uma superioridade moral que ainda ninguém vislumbrou, são diferentes, cumprem as suas promessas e fazem obra incomparável. Ontem mesmo, Fernando Patrício, num acabado exercício de humor, escreveu, no “Notícias da Zona”, que “há obras por todo o concelho”. Talvez se estivesse a referir à instalação de marquises ou à construção de barbecues. Ao consultar o novo site da Câmara, apenas vejo assinaladas três obras no terreno, pois as do Vereador Gameiro não contam. Assinaladas com três pontos negros, acrescente-se. De facto, a coisa está preta.

KO ao primeiro round

O Orçamento Participativo ficou KO logo ao primeiro round. Aconteceu ontem, no Auditório Conde de Ferreira, sala onde marcaram presença 31 pessoas, boa parte das quais afecta ao poder comunista, para escolherem os 7 delegados que cabem à freguesia de Santiago. Sob qualquer ponto de vista, o luminoso fiasco fere de morte, per omnia seculum seculorum, a legitimidade da coisa. A Augusto e Felícia nem sequer valeram as diligências do carro de som que, nos últimos dias, percorreu a vila num frenesim. Mas, diga-se em abono da verdade, este notável expediente soviético que dá pelo nome de Orçamento Participativo já serviu para alguma coisa: a contratação, ad hoc, de mais um assessor, um destacado militante comunista vindo de fora.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Felícia no país dos sovietes

Vai para uma semana, Augusto fez aprovar à tira, em sessão de Câmara, a proposta de procedimento e calendarização do Orçamento Participativo de 2007. Digo à tira, pois, na ausência de Polido, teve de usar o voto de qualidade. Não fora o voto favorável do vereador do PSD, Carlos Filipe de Oliveira, e a proposta teria chumbado perante o voto contrário dos três vereadores do PS.

Verdade se diga que Augusto não morre de amores pela ideia. A luminária entusiasta chama-se Felícia Costa, como está bem de ver pelo intenso folclorismo de que a medida passa a revestir-se.

A ideia agora definida, sendo um hino à burocracia e ao entorpecimento, reveste-se, aliás, de um descaramento soviético. Vou tentar resumi-la, mas peço ao leitor que tome algum fôlego para me seguir nesta epopeia.

Para distribuir 100 mil contos – o dinheiro não dá para mandar cantar um cego – por três freguesias, Augusto criou 13 “fóruns territoriais”, numa relação o mais próxima possível com as assembleias de voto existentes, devendo aquela verba ser distribuída proporcionalmente ao número de eleitores.

Contas feitas, às Pedreiras cabem, por exemplo, pouco mais de 1200 contos de reis. Claro que esta verba não chega para a cova de um dente, e calculo que não seja difícil apurar o que, sendo prioritário para aquela aldeia, possa ser feito com 1200 contos. Mas, convenhamos, ir para o terreno, passar logo à acção, não tinha a mínima piada. O Carnaval tem de durar todo o ano.

Por isso, a seguir, em Maio e Junho, vem a eleição de um “colégio de delegados”, escolhidos em cada fórum territorial com o seguinte critério: “1 delegado por cada 1000 eleitores com arredondamento por excesso, ou seja, caso o fórum territorial tenha um número inferior a 1000 eleitores, elegerá na mesma um delegado". Pelos cálculos de Augusto, a coisa, que é suposto distribuir 100 mil contos, vai ter 41 delegados!

Segue-se uma Assembleia de Delegados “para discussão da metodologia de elaboração da proposta para o orçamento participativo e respectiva calendarização”, até 6 de Julho de 2007.

Durante os meses de Julho e Agosto, os Delegados devem preparar as respectivas propostas, a apresentar em nova Assembleia a realizar no início de Setembro, devendo a proposta final a aprovar pela Assembleia de Delegados estar concluída até 30 de Setembro de 2007.

A coroar esta organização piramidal, está o Gabinete de Apoio ao Orçamento Participativo – o GAOP –, que integra o Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, o Vereador do Pelouro Administrativo e Financeiro, o Director do Departamento Administrativo e Financeiro e um Assessor para o Orçamento Participativo. Entre outras funções, o GAOP tem a missão misteriosa – et voilà! – de dar acompanhamento e apoio político a todo o processo do Orçamento Participativo. Apoio político? Em teoria, até compreendo que o GAOP dê apoio administrativo e logístico ao processo de elaboração do Orçamento. Agora, apoio político? Não seria melhor chamar-lhe apoio partidário?

terça-feira, 8 de maio de 2007

Os netos de Estaline

A mais recente proeza da esmerada Dr.ª Felícia vem na última “Acontece”, acabadinha de sair – chegou hoje, sem remetente nem destinatário, à minha caixa de correio, e sem que eu a tivesse pedido – e é digna de José Estaline. Consiste a façanha em ali se ter feito uma circunstanciada resenha histórica do Museu Municipal de Sesimbra, sem que a criação do Núcleo Museológico da Capela do Espírito Santo, em Dezembro de 2004, tenha merecido qualquer atenção à luminária de serviço. Estamos mesmo a ver, numa próxima sessão de Câmara, a Dr.ª Felícia, perante o olhar de soslaio do embaraçado Augusto, a fazer o pino sobre a quadratura do círculo e a jurar a pés juntos que vai ver o que é se passou, que foi certamente um lapso, um erro, uma desatenção. Assim se justifica o injustificável. Assim se omite e escamoteia, clamorosamente, e com despudor, o mais importante investimento museológico alguma vez feito – de longe, e sob todos os pontos de vista – na nossa terra. Assim a Dr.ª Felícia, que tem mostrado profunda indiferença no que diz respeito ao processo de recuperação da Casa do Bispo, se permite dar mais um salto oportuno na história recente do concelho, passando da criação do Museu do Mar, em 1983, para o regresso do Museu Arqueológico ao Castelo, em 2006. É claro que, no final do texto, a contra-gosto, e como quem não quer a coisa, para ver se ela passa despercebida com o barulho das luzes, lá se admite que o Núcleo da Capela integra o Museu Municipal. É na última linha, a tal que talvez ninguém venha a ler. Vê-se que a coisa lhes custa, mas tem de ser, pois ignorá-la absolutamente seria o mesmo que tentar fazer crer ao pagode que o sol não nasce todos os dias. Ora, como toda a gente sabe que ele se levanta manhã após manhã, resta-nos aceitar que, quando nasce, não é para todos…