Um leitor, em comentário deixado à entrada “121”, regista com estranheza, mas também com correcção, o presente silêncio desta Magra Carta sobre a actualidade política local. O Carteiro, que assinou aquela entrada, já lhe respondeu mui acertadamente, como é seu timbre (em francês – é curioso – timbre quer dizer selo). Confesso que, mais tarde ou mais cedo, esperava o surgimento de observações como as que foram feitas por aquele leitor. E, sendo eu o principal responsável pelo silêncio que nelas é apontado, procurarei, pela minha parte, dar-lhe uma satisfação, dizendo-lhe algo mais.
Quem se der ao trabalho de percorrer os ficheiros deste blogue, poderá verificar como, de semana para semana, e de mês para mês, os erros da governação de Augusto e Felícia se repetem amiúde, reflectindo a tipologia óbvia que os caracteriza: arrogância, e até pesporrência; um indisfarçável desnorteio levando fatalmente à improvisação e ao desastre; a ignorância e a incultura de mãos dadas, desembocando tristemente na boçalidade; e um despesismo atroz e saloio, que tenderá a agravar-se com a partida do programador Carlos Dionísio, que teve mau feitio quanto baste para dizer algumas verdades à senhora da “asneira perpétua”, e mostrar que o rei e a rainha iam nus, tal qual Deus Nosso Senhor os pôs ao mundo; mas também o mérito de incluir quartetos de Haydn e Schubert e sonatas de Debussy e Beethoven no palco do João Mota, para geral edificação e contentamento só de alguns.
(A propósito de tudo isto, não valerá, sequer, a pena falar da mentira e de mentiras, pois o comunismo, sabemo-lo há muito, é todo ele uma mentira pegada. Não a única. Mas a maior, e a mais trágica.)
Claro está que o desastre presentemente em curso não passa despercebido entre os netos mais velhos de Estaline; e tem mesmo dado azo a acendradas barafundas nos aposentos vítreos da Tia. O plumitivo Esequiel não hesita em fritar em lume brando o seu ex-futuro delfim. A prudente Odete, que pessoalmente estimo, tem o bom senso e o bom gosto necessários para se manter à margem da frenesia tresloucada com que a bisneta do Outubro vermelho dá ao mundo pérolas freudianas como o glorioso concurso escolar do dia das mentiras.
Entretanto, a imprensa mais antiga – e nem sequer perderei tempo com delíquios inquisitoriais – vai acolitando o miserável cortejo. “O Sesimbrense”, ao mais leve aceno da madeixa, queima sem pudor os pergaminhos vetustos que soube granjear durante o Estado Novo. O desvelo serventuário do nobre título, entretanto reduzido a folheca, não consente quaisquer dúvidas. Da conjectura à evidência bastou um só passo; e da evidência à ciência das coisas factuais, um passo mais. O caso é hoje história contada.
Sucede que tudo isto é já por de mais sabido. Tudo isto é velho e relho. Pessoalmente, não irei gastar um pingo de cera com tão ruins defuntos só por dá cá aquela palha.
Acresce que aquele que é presentemente, a nível local, o maior partido da oposição se manifesta, há alguns anos, e com honrosas excepções, num ror inominável de aviltamentos, deslealdades e traições, que faria corar de vergonha os corifeus da ética siciliana. Nele não faltam, sequer, ambientalistas recauchutados, como os que outrora defenderam o implante, não de um, mas de dois cais de embarque da pedra no perímetro do porto de abrigo de Sesimbra; fantásticas e prodigiosas locomotivas do progresso a quem o mundo, desatento e ingrato, teima em não dar ouvidos; e feministas iluminadas que haurem a mística inspiração à mesa da dr.ª Maria Augusto, personagem devidamente reduzida às suas ínfimas proporções, na passada sexta-feira, pela pena inclemente de Vasco Pulido Valente.
Confesso, caro leitor, que nada disto me entusiasma particularmente; e, por isso, já não pego na caneta como antes o fazia. Estou, de resto, pouco dado a democracias: só acredito na aristocracia do espírito, na nobreza de alma e coração. Entretanto, espero que Augusto continue a ter à perna quem por certo lhe ignorou a mão. Pela minha parte, irei andar por aí, feito espectro vagabundo, como o Pedro. Aqui confesso o problema: tenho mais que fazer. Não se trata sequer de perder tempo. Trata-se, isso sim, como dizia o amigo de um amigo meu, de perder a eternidade.
Quem se der ao trabalho de percorrer os ficheiros deste blogue, poderá verificar como, de semana para semana, e de mês para mês, os erros da governação de Augusto e Felícia se repetem amiúde, reflectindo a tipologia óbvia que os caracteriza: arrogância, e até pesporrência; um indisfarçável desnorteio levando fatalmente à improvisação e ao desastre; a ignorância e a incultura de mãos dadas, desembocando tristemente na boçalidade; e um despesismo atroz e saloio, que tenderá a agravar-se com a partida do programador Carlos Dionísio, que teve mau feitio quanto baste para dizer algumas verdades à senhora da “asneira perpétua”, e mostrar que o rei e a rainha iam nus, tal qual Deus Nosso Senhor os pôs ao mundo; mas também o mérito de incluir quartetos de Haydn e Schubert e sonatas de Debussy e Beethoven no palco do João Mota, para geral edificação e contentamento só de alguns.
(A propósito de tudo isto, não valerá, sequer, a pena falar da mentira e de mentiras, pois o comunismo, sabemo-lo há muito, é todo ele uma mentira pegada. Não a única. Mas a maior, e a mais trágica.)
Claro está que o desastre presentemente em curso não passa despercebido entre os netos mais velhos de Estaline; e tem mesmo dado azo a acendradas barafundas nos aposentos vítreos da Tia. O plumitivo Esequiel não hesita em fritar em lume brando o seu ex-futuro delfim. A prudente Odete, que pessoalmente estimo, tem o bom senso e o bom gosto necessários para se manter à margem da frenesia tresloucada com que a bisneta do Outubro vermelho dá ao mundo pérolas freudianas como o glorioso concurso escolar do dia das mentiras.
Entretanto, a imprensa mais antiga – e nem sequer perderei tempo com delíquios inquisitoriais – vai acolitando o miserável cortejo. “O Sesimbrense”, ao mais leve aceno da madeixa, queima sem pudor os pergaminhos vetustos que soube granjear durante o Estado Novo. O desvelo serventuário do nobre título, entretanto reduzido a folheca, não consente quaisquer dúvidas. Da conjectura à evidência bastou um só passo; e da evidência à ciência das coisas factuais, um passo mais. O caso é hoje história contada.
Sucede que tudo isto é já por de mais sabido. Tudo isto é velho e relho. Pessoalmente, não irei gastar um pingo de cera com tão ruins defuntos só por dá cá aquela palha.
Acresce que aquele que é presentemente, a nível local, o maior partido da oposição se manifesta, há alguns anos, e com honrosas excepções, num ror inominável de aviltamentos, deslealdades e traições, que faria corar de vergonha os corifeus da ética siciliana. Nele não faltam, sequer, ambientalistas recauchutados, como os que outrora defenderam o implante, não de um, mas de dois cais de embarque da pedra no perímetro do porto de abrigo de Sesimbra; fantásticas e prodigiosas locomotivas do progresso a quem o mundo, desatento e ingrato, teima em não dar ouvidos; e feministas iluminadas que haurem a mística inspiração à mesa da dr.ª Maria Augusto, personagem devidamente reduzida às suas ínfimas proporções, na passada sexta-feira, pela pena inclemente de Vasco Pulido Valente.
Confesso, caro leitor, que nada disto me entusiasma particularmente; e, por isso, já não pego na caneta como antes o fazia. Estou, de resto, pouco dado a democracias: só acredito na aristocracia do espírito, na nobreza de alma e coração. Entretanto, espero que Augusto continue a ter à perna quem por certo lhe ignorou a mão. Pela minha parte, irei andar por aí, feito espectro vagabundo, como o Pedro. Aqui confesso o problema: tenho mais que fazer. Não se trata sequer de perder tempo. Trata-se, isso sim, como dizia o amigo de um amigo meu, de perder a eternidade.