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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Dar o bico por não bico...

Por mais voltas que dê ao bestunto, há coisas que não me entram na cachimónia.

Acabei agora de ler o editorial do último número de “O Condense” e ainda estou boquiaberto de estupefacção. Nele, José Anselmo, patrono da publicação, discreteia esperançadamente sobre os amanhãs que vão cantar na Quinta do Conde. Por atacado, a coisa resume-se à execução do Nó Desnivelado na Nacional 10, cujo processo há muito foi iniciado; a um parque urbano que a Câmara vai realizar a expensas do LIDL; e à repavimentação da Avenida Principal, à custa de uma grande superfície, a Feira Nova. Pelo meio, José Anselmo põe mais uma ou outra peça pífia neste modesto cabaz obreiro. Ufano, o plumitivo condense assevera-nos consoladamente: Finalmente começamos a ser “lembrados”.

Há aqui, com efeito, um problema de memória. Ou, melhor dizendo, vários. Mas são do próprio Anselmo. Ora vamos por partes.

Não ocorreu a Anselmo que a Câmara quase não vai gastar um tostão nas anunciadas obras memoráveis. Uma – a do nó desnivelado – corre sobretudo por conta do Estado. As outras resultam das parcerias que Augusto virtuosamente estabelece com a iniciativa privada. O mesmo Augusto que em Santiago dá ralhetes implícitos aos lojistas forretas, não hesita em piscar o olho aos grupos económicos activos na Quinta do Conde, licenciando novas áreas que se antevêem potencialmente ruinosas para o pequeno comércio local, a troco de uns tostões que dão para os alfinetes.

Num passado recente, a Câmara, com fundos próprios, investiu milhões de contos na Quinta do Conde: construiu o Cemitério; acabou um Mercado Municipal que já rivalizava com as obras de Santa Engrácia; ergueu um Pavilhão Gimno-Desportivo, despendeu 600 mil contos numa Escola Básica exemplar; executou a rede de saneamento; e asfaltou parte significativa da rede viária. Mas disto, que não tem realmente importância nenhuma, não se lembrou Anselmo.

No editorial que agora assina, lembrou-se, porém, e com razão, de admoestar vigorosamente a gestão de Esequiel Lino pelo descalabro que foi a construção da ETAR da freguesia. Pois claro! A rede de saneamento não existia. Outros a fizeram depois. Mas, ao correr da pena, nada disto fez soar campainhas na consciência do desmemoriado Anselmo.

Outra coisa estranha: enaltecendo a anunciada repavimentação da Avenida Principal, Anselmo teve uma branca que nos dá que pensar. Não lhe ocorreu que o projectista desta artéria foi Augusto, ao tempo fortemente criticado por… José Anselmo, ele mesmo, pela deficiente ligação das ruas transversais àquela Avenida, com evidente transtorno para os automobilistas. A tal ponto assim foi, que as vozes mais notáveis da terra cognominaram então Augusto como o “arquitecto dos bicos de pato”. Nos entrementes, as vozes calaram-se, os bicos fecharam-se. E a expressão caiu em desuso. Para mais, Augusto é hoje, reconhecidamente, o autarca dos carrinhos de compras, e esses não transitam nas insólitas perpendiculares da Avenida Principal. Bem pode, por isso, Anselmo dar o bico por não bico.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A síndrome Calimero

"Havia a expectativa de que pudéssemos ter um financiamento mais elevado e uma das condições essenciais seria a adesão dos comerciantes da vila, mas quando chegámos ao fim do processo o número de estabelecimentos aderentes foi pouco significativo, cerca de 15, e isso fez logo cair por terra a hipótese de um financiamento mais significativo nestas obras".

Augusto Pólvora, em declarações à imprensa local, a propósito do URBCOM.
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Decididamente, os comerciantes não querem nada com Augusto. Sujam-lhe as ruas e, como se isso não bastasse, não se entusiasmam, nem sequer se interessam, perante os magníficos planos do edil arquitecto. Tal qual os professores com a azáfama prodigiosa de Felícia. Incompreendido, Augusto solta queixumes inconsoláveis. Decididamente, esta gente não merece os autarcas que tem.
Merecia melhor, aliás.