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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

É um suponhamos...

Imaginem que a Assembleia da República aprovava uma moção de censura ao Governo e que o “Diário de Notícias” trazia uma extensa reportagem sobre a respectiva reunião sem, porém, mencionar o assunto. Achavam isto normal?

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Escandaloso!

Depois de ler isto na Sopa de Pelim, começo a ficar esclarecido. Na Rua da República, pelos vistos, não há um pingo de vergonha. E agora, Dr.ª Peneque? E agora, Dr.ª Mayer? E agora, históricos da Liga?

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Epidemia

Isto deve ser uma epidemia. “O Sesimbrense” também voltou aos anos 40 e parece mostrar o mais profundo alheamento relativamente ao concelho, como se pode constatar pela análise da capa do último número. Na metade esquerda, de alto a baixo, há um editorial da Dr.ª Peneque, laudatório e lisonjeiro quanto baste para o Dr. Sequerra, assinalando a sua primeira colaboração no jornal, em 1947 - um poema cuja reprodução ilustra o editorial. No quarto superior direito, temos a notícia insólita da participação portuguesa no mundial de rugby. As chamadas para o noticiário local aparecem de forma insípida no quarto inferior direito. Quanto mais remoto no tempo, quanto mais distante no espaço, tanto melhor - é o que se pode inferir.

De duas, uma: ou a Dr.ª Peneque não faz a mínima ideia do que é fazer um jornal; ou, pelo contrário, sabe muitíssimo bem o que está a fazer. Dir-se-ia que parece apostada em fazer esquecer que Sesimbra existe e que em Sesimbra acontecem coisas, porventura desagradáveis para o poder instalado. De modo que a senhora, que veio agora elogiar quem, há alguns meses, a criticou abertamente em público, perante o Presidente da Câmara, por um erro de palmatória (lembram-se da “nossa” Telma?!), não se livra de um raciocínio em alternativa: ou padece da mais inexplicável inépcia jornalística; ou põe na inércia patenteada um zelo cujos motivos serão, por certo, inconfessáveis. Ele que venha e que escolha.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Perguntar não ofende...

Há quantos números é que "O Sesimbrense" não traz uma reportagem sobre as reuniões da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal?

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Flato

(actualizado)

O editorial do último número de “O Sesimbrense” é um hino à costumada balbúrdia de Agosto. Claro que, para a Dr.ª Peneque, não há balbúrdia como a de Agosto, e não há Agosto como o de Augusto. Logo, não há balbúrdia como a de Augusto. Está lá tudo para o fim da prosa, posto em letra de forma, com a devoção de uma Santa Teresinha (não, não é a senhora da Liga). Não há nisto nada com que me deva surpreender. Desde os tempos do Dr. Sequerra que o jornal da terra está transformado numa folheca sectária e imprestável.

O que agora me causa espanto é o bom gosto revelado pela senhora logo nos primeiros parágrafos da composição. No arsenal literário da Dr.ª Peneque há de tudo: uma praia que “parece um tabuleiro onde se entornou uma caixa de punaises”; “camionetas de carreira” que “despejam ondas incessantes de crianças”; “mães carregando sacos gordos”; filas que “à porta dos restaurantes engrossam à medida que os estômagos vão reivindicando reforços”; e à noite, na "marginal, agora mais comprida, um mar de gente deambulando para facilitar a digestão". Logo depois, a senhora doutora, do alto da sua pesporrência, emite o ralhete correctivo a uma cambada de maledicentes que para aí anda, meia dúzia de “naturais da terra que não gostam desta “confusão”, que não sabem dar o devido valor a este caos abençoado que “deixa euros que engrossam os nossos bolsos”.

Só um psicólogo poderá, ao certo, dizer, que bizarro estado de alma terá assolado a Dr.ª Peneque no momento sublime em que se afoitou a destilar semelhante prosápia. Só um psicólogo saberá desvendar o segredo inconfessável cifrado nesta inaudita sucessão de punaises entornados, de ondas de crianças despejadas, de mães carregando sacos gordos, de estômagos reivindicando reforços que engrossam filas à porta dos restaurantes, barrigas esfaimadas que, já dentro dos restaurantes, deixam euros que engrossam os nossos bolsos, ventres enfim deambulando para facilitarem a digestão.

No meio disto tudo, sempre ficámos sem saber se os reforços chegaram aos estômagos a tempo. Esperemos que sim, por causa do flato. Por vezes, entre o engrossar e o despejar, entre o engordar e o entornar, a equação torna-se difícil. Alguém que puxe o autoclismo, se faz favor. Rapidamente e em força.

sábado, 16 de junho de 2007

Sem limites

Por maior boa vontade que eu queira ter, “O Sesimbrense” não me dá tréguas. No número que saiu ontem, há um novo erro de palmatória, que deveria fazer corar de vergonha a sua directora. Na peça alusiva à sessão nocturna de 31 de Maio, que teve lugar na Biblioteca Municipal por ocasião do Dia do Pescador, afirma-se, a dado passo, a propósito do tríptico da pintora Maria Helena Leite, tratar-se de obra que foi agora adquirida pela Câmara Municipal. Por razões evidentes, o lapso pode e deve ser desculpado ao jornalista estagiário que assina a peça. Mas sempre terá de ser imputado à directora do vetusto jornal, que, sendo natural de Sesimbra - e não sendo nenhuma criança -, tinha a obrigação de saber que esta pintura foi adquirida pela edilidade nos anos 60, para decorar a primitiva Biblioteca Municipal, então instalada na Capela do Espírito Santo, quando António Telmo era o director da instituição. Ou será que a directora do jornal não lê o que nele é publicado?

Claro que a Dr.ª Peneque, que se permitiu falar de cátedra sobre a cultura no concelho no festival autárquico de 2 de Junho, não deve fazer a mínima ideia de quem seja o filósofo António Telmo, ou então paira muito acima dele. Com a mesma ligeireza com que agora deixou passar esta calinada, ignorou também, enquanto directora de “O Sesimbrense”, a homenagem que Sesimbra prestou ao escritor, e antigo colaborador do jornal da terra, no passado dia 26 de Maio. A ignorância é muito atrevida. E, pelos vistos, ilimitada…

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Prazos de validade

“O Sesimbrense” está prestes a bater no fundo. Pelo segundo número consecutivo, o editorial do jornal, assinado pela sua directora, presta-se a uma lavagem de roupa suja, tão evidente quanto insólita. Desta vez, a Dr.ª Peneque tem, pelo menos, o mérito de ser explícita. Diz ela que há dois anos, a então Direcção da Liga dos Amigos de Sesimbra, errou ao conceder uma licença sem vencimento, por quatro anos, à jornalista efectiva d’O SESIMBRENSE”. Por conseguinte, como o lugar da dita jornalista ficou em aberto, o jornal, dada a sua débil condição financeira não pode contratar agora um jornalista e sujeitar-se a, daqui a dois anos (será este o prazo de validade de Augusto?), ter de arcar com o vencimento de dois funcionários, em vez de um, para o mesmo lugar. Por isso, “O Sesimbrense” tem aberto as portas a estagiários que, por estarem nessa mesma condição, estão a aprender e não têm, portanto, os conhecimentos da profissão que um profissional encartado terá.

Confesso que se me tornou penoso ler isto. Mais penoso será ainda dissecá-lo. Mas, indo por partes, tentarei fazê-lo.

1.º Para meu espanto, a Dr.ª Peneque, num passo de mágica, parece continuar a esquecer-se de que é directora de “O Sesimbrense”; e de que, como tal, tem a responsabilidade de coordenar, orientar e superintender a acção do estagiário – que, naturalmente, faz o seu melhor –, suprindo as lacunas ou as deficiências que o trabalho deste possa apresentar. Volto a dizê-lo à Dr.ª Peneque: não há, nunca houve, o lugar de director estagiário.

2.º É notável que o problema do quinzenário seja hoje o de haver, ou não haver, dinheiro para pagar a jornalistas. Que me lembre, Carlos Batista foi, durante décadas, e abnegadamente, o redactor-principal (e, depois, o director) de “O Sesimbrense”, assegurando, com pontualidade, a saída de um jornal que, ao tempo, ainda dizia alguma coisa aos seus leitores. Não consta que Carlos Batista tenha, alguma vez, ganho qualquer salário. Pode a sua actuação não ter estado isenta de críticas. Pode o homem não ter sido perfeito. Mas foi afastado, de forma injusta, vergonhosa e muito pouco clara, do jornal que, durante tantos anos, ajudou a fazer.

3.º Veio depois o Dr. Sequerra e foi o regabofe que se viu. Não vale a pena escrever, aqui e agora, no molhado das lágrimas de riso que ele então nos suscitou. “O Sesimbrense” deixou de prosseguir a defesa dos interesses regionais, e, subordinado a motivações pessoais e movimentações político-partidárias, passou a servir de poleiro e trampolim a várias espécies de aves canoras e de arribação. Arma de arremesso até Outubro de 2005, o jornal transformou-se, a partir de então, na voz do dono. Ó Dr.ª Peneque! Francamente! Claro que a rapariga pediu a licença por quatro anos! Como podia alguém esperar que ela a tivesse pedido só por dois anos, quando os mandatos autárquicos duram o dobro, e o Dr. Sequerra, certamente consultado pela Liga, apôs no papel, preto no branco, da transferência, um nihil obstat? Afinal de contas, tratava-se de constituir a equipa da sempre dinâmica Dr.ª Felícia, a heroína que, segundo o Dr. Sequerra, nos devolveu, ao cabo de muitos anos, as bandeiras azuis!

4.º Se eu pensasse que a Dr.ª Peneque viveu em Marte até Julho do ano passado, estava capaz de a compreender. Afinal, “O Sesimbrense” ainda não é distribuído naquele planeta. Sucede que, nos anos mais recentes, a Dr.ª Peneque não foi vista a descolar em qualquer foguetão. Daí ser agora levado a pensar que ela, antes de ter aceitado ser subdirectora de um jornal sem director, já era leitora do mesmo. Estava, por certo, a par, do que ia encontrar em matéria de redacção. Tinha, também, a obrigação de saber quão venerador, atento e obrigado se encontrava o jornal perante os poderes constituídos quando o Dr. Sequerra lhe entregou o facho. E aqui é que bate o ponto. A Dr.ª Peneque ainda não mexeu uma palha para devolver “O Sesimbrense” ao seu estatuto de jornal isento e inconformado. Antes pelo contrário, por tudo aquilo que aqui foi sendo dito. E este problema é que, seguramente, não diz respeito ao estagiário. É um problema do Director do jornal e da Direcção da Liga. Depois deste último número, a situação tornou-se patética, e mesmo desesperada. Mas há uma luz de esperança. Valha-nos a fé ilimitada que a Dr.ª Peneque aparenta demonstrar no regresso a casa da jornalista efectiva, já daqui a dois anos… Afinal, a fé move montanhas, mesmo as que são capazes de parir um rato.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Descubra as diferenças...

Foi uma das coisas que aprendi nos bancos do liceu, na disciplina de Jornalismo: conhecer a imprensa escrita é sobretudo pegar nos jornais, pô-los lado a lado e comparar a importância relativa que dedicam às matérias que tratam. No nosso concelho, o exercício reveste-se de grande interesse. Confronte-se, por exemplo, a última edição de “O Sesimbrense”, já aqui ampla e suficientemente glosada, com o mais recente número do “Jornal de Sesimbra”. Estou à vontade para o fazer, pois não morro de amores por nenhum dos títulos. Aponto cinco casos, que considero flagrantes:

1. No JS, a visita dos jovens ao Parlamento Europeu, a convite do PCP, mereceu 3/5 de uma página par. N’“O Sesimbrense”, foi o que se viu: manchete e as quatro centrais. Uma alegria! Um fartar vilanagem!

2. A inauguração do Espaço Zambujal teve uma chamada, breve e discreta, na capa do “Jornal de Sesimbra”, e uma reportagem concisa, na contracapa. Desta vez, Augusto e Odete não nos são apresentados como autarcas embevecidos, ao contrário do que “O Sesimbrense” afirmava na sua primeira página, em legenda à fotografia que o JS agora repete.

3. O JS destina a melhor e a maior parte da sua página 9 – note-se: uma central ímpar – ao debate sobre o Ordenamento do Território e Mais Valias Urbanísticas, dedicando-lhe uma reportagem circunstanciada. “O Sesimbrense”, assobiando para o lado, limitou-se a passar pela coisa como quem não a quer.

4. O JS dá notícia da sessão ordinária da Assembleia Municipal de 13 de Abril. “O Sesimbrense”, aos costumes, disse nada.

5. O JS esforçou-se por dar conta da aprovação do Relatório de Contas de 2006, na reunião da Câmara Municipal realizada em 29 de Março (mesmo tratando-se de uma reunião a que, segundo o jornal, a comunicação social não pôde assistir). A “O Sesimbrense”, o assunto não motivou uma única linha.

Esperando que a Dr.ª Peneque tome estes reparos por críticas construtivas, relembro-lhe que as árvores se conhecem pelos frutos.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

A ver vamos, como dizia o cego...

Hélas! O repórter de “O Sesimbrense” foi visto na última reunião camarária, realizada ontem. Depois de quanto aqui tenho escrito sobre o rumo lastimoso da publicação, e após ter chamado a atenção dos leitores para a ausência metódica do quinzenário em todas as reuniões dos órgãos municipais, o facto de que agora vos dou conta representa um progresso notável. Folgo em saber que a indisposta Dr.ª Peneque já começou a dar a mão à palmatória. Resta-nos esperar para ver o que vai sair dali, se é que alguma coisa vai sair, pois nada nos garante que o relato da sessão não seja preterido pela notícia de uma excursão à Moita do Ribatejo ou pela cobertura de uma imperdível mostra de colheres. A ver vamos, como dizia o cego…

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Pois...

Para ilustração do pagode, transcrevo, sem comentários, um excerto da entrevista feita por “O Sesimbrense” aos jovens do concelho que visitaram o Parlamento Europeu a convite de um Deputado do Grupo Parlamentar do P. C. P.

"O Sesimbrense" - Sentem que deixaram alguma marca vossa nas pessoas com quem falaram? Deixaram algum contributo com a vossa visita?

JorgeSim, claro. Além do nosso grupo aqui do concelho de Sesimbra havia um grupo da Juventude Comunista de Lisboa, e outro do ISCTE, Universidade de Economia… eram pessoas muito sociáveis e aprendemos muito com eles, principalmente com o pessoal da J.C.P., que estava mais perto de nós no autocarro.”

terça-feira, 1 de maio de 2007

Embevecidos

A capa do último “O Sesimbrense”, não obstante a atenção avassaladora que dispensa à ditosa viagem juvenil lá pelas Franças, concede algum espaço, no seu canto inferior direito, à inauguração do Espaço Zambujal, em resultado da obra de requalificação da Biblioteca da Junta de Freguesia do Castelo. Na primeira página, a fotografia concomitante é a do descerramento da lápide que assinala o acto. Além de Francisco Jesus, Presidente da Junta, ficaram no boneco Odete Graça e Augusto Pólvora. É visível que os dois aparentam boa disposição, estão sorridentes, denotam contentamento. Mas a legenda de “O Sesimbrense” vai mais longe: garante-nos, sem pestanejar, que o seu olhar (deles, autarcas Augusto e Odete) é embevecido. De uma quinzena para a outra, o mesmo jornal que imprecisa e displicentemente tornara “pexita” a judoca lisboeta, e campeã europeia, Telma Monteiro, tomou-se de brios, arregaçou as mangas e não deixa agora escapar o mínimo pormenor. Sim, Augusto e Odete – eram mesmo eles – estiveram lá, mas não de uma maneira qualquer. Estavam embevecidos. Estas minúcias psicológicas, estes indícios fisiognómicos é que não escapam ao atento, atencioso e, por que não dizê-lo, embevecido “O Sesimbrense”. Para que conste.

sábado, 28 de abril de 2007

Gregos e troianos

A Dr.ª Isabel Peneque mostra o que lhe vai na alma quando, no editorial do último “O Sesimbrense”, confessa que não é possível, na feitura do jornal, agradar a gregos e a troianos. Já calculávamos. Convenhamos que a senhora roça o despudor. Só assim se percebe, aliás, que, a avaliar pelas edições “on-line” do jornal, a actividade da Biblioteca Municipal de Sesimbra tenha sido, pura e simplesmente, ignorada, nos últimos dois meses, mesmo quando ali, entre muitas outras actividades meritórias, está em curso um ciclo de colóquios de dimensão nacional, comemorativo dos 150 anos da Filosofia Portuguesa, onde já participaram nomes marcantes da nossa cultura como António Telmo, António Carlos Carvalho e Pinharanda Gomes, e se evocaram escritores e filósofos tão importantes como Sampaio Bruno, Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra, Álvaro Ribeiro ou Orlando Vitorino. Claro que nada disto tem importância perante a ciência chocolateira da Eng.ª Baioneta, ou as conferências da Caixa Geral de Depósitos, onde pontificou essa grande figura do regime que é o inefável Armando Vara. No meio disto tudo, fica-se a saber de onde vem o cavalo de Tróia. E calculo que alguns de nós se continuem a ver gregos.

Dois dedos de testa, um pingo de vergonha, um pouco de memória...

A Dr.ª Isabel Peneque passa o editorial do mais recente número de “O Sesimbrense” a clamar avinagradamente contra aqueles que têm vindo a apontar erros ao percurso do jornal. A desconsolada directora do quinzenário refere, no plural, os críticos inominados. Os leitores assíduos do “Magra Carta” imaginam as causas próximas dos queixumes da Dr.ª Peneque, a saber:

1.º - a galegada que levou o jornal da terra a “naturalizar” sesimbrense uma venturosa judoca nascida em Lisboa e que compete por um clube almadense (à nossa pequena escala, será, talvez, assim a modos que – mal comparado - confundir Jorge Nuno Pinto da Costa com o presidente do Benfica);

2.º - a subsequente, e altruística, divulgação e amplificação do erro que o Dr. Sequerra andou a fazer em lugares públicos, devotando especial atenção, nessa sua benfazeja caminhada, à pessoa do Presidente da Câmara;

3.º - a nota que, de tudo isso, aqui demos.

Dito isto, fica claro que o editorial de “O Sesimbrense” parece prestar-se à lavagem da roupa suja do corpo redactorial. Não sei se é legítimo, aprazível, ou sequer interessante. Mas, no fundo, toda a gente sabe que a Liga é um saco de gatos…

Já parece mais estranho que a directora do jornal reaja tão biliar, desdenhosa e sobranceiramente às críticas que lhe são feitas. Bem sei que, há quase um ano, ela começou esta aventura jornalística no insólito posto de subdirectora de si própria, herdando o legado mais pesado que alguém pode imaginar: um título desacreditado pelas aventuras e desventuras do irrequieto Dr. Sequerra. Daí que eu seja levado a compreender a insegurança originada por tamanho desconforto...

Mas, depois disso, começou por se tornar notório – pelo teor dos editoriais – o progressivo desfasamento existente entre a directora do jornal e a vida sesimbrense. O erro com a judoca é a insofismável prova dos nove. Claro que todos erramos e errar é humano; claro que devemos ser complacentes com os erros alheios, sobretudo se eles resultam, em primeira linha, da inexperiência de um jornalista estagiário, recém-chegado à publicação. Mas já vai sendo tempo de a Dr.ª Peneque perceber que, assim como não se pode ser sub-directora de um jornal sem director, directora-estagiária é cargo que não existe, nem nunca existiu, na nossa imprensa.

Isto já não seria pouco, mas não é tudo. A Dr.ª Peneque, diz ela, só aceita críticas construtivas. Pois muito bem…

Qual foi o critério jornalístico que a levou, no mais recente número do jornal, a dedicar quase toda a capa, à guisa de manchete, e quatro páginas interiores – as quatro centrais (ao todo, mais de 25% do espaço do jornal) –, a uma singela visita de estudo de jovens de Sesimbra ao Parlamento Europeu? Terá sido o facto de o convite ter partido de um Deputado do Grupo Parlamentar do PCP? Será que, entretanto, não se passou nada de mais importante no concelho? Dr.ª Peneque: tome isto como uma crítica construtiva!

Qual foi o critério para não dar qualquer outra atenção que não a do mero apontamento ao debate subordinado ao tema “Ordenamento do Território e Mais-Valias Urbanísticas”, promovido pelo “Jornal de Sesimbra” e pela Sesimbra FM, quando, num passado recente, “O Sesimbrense” afinava o seu diapasão com aqueles órgãos e com o “Raio de Luz”, para promover autênticos julgamentos públicos do Presidente Amadeu Penim, sob o título generoso de “Repensar Sesimbra”? Qual o critério, Dr.ª Peneque? Será que estes assuntos deixaram de interessar a “O Sesimbrense”, agora que o Vereador dos planos passou a ser Augusto, o todo-poderoso Presidente do Ordenamento? Haverá aí algum receio de melindre, Dr.ª Isabel? Não quero crer! Mas, tome tudo isto como uma crítica construtiva…

Qual foi o critério que, há coisa de um mês, erigiu os últimos Jogos Desportivos Escolares às alturas da manchete e fez com que um mero depoimento sobre o tema subalternizasse, na paginação, a peça jornalística de Susana Berjano? Terá sido o facto de a autora desse depoimento ter sido a Professora Maria do Carmo Serrote, assessora para a Educação da Vereadora Felícia Costa? Não quero crer! Mas, tome tudo isto como uma crítica construtiva…

Qual é o critério para “O Sesimbrense” ignorar sistemática e olimpicamente as sessões da Assembleia Municipal e as reuniões de Câmara, quando, num passado recente, mais do que uma obrigação, a presença do jornal era uma verdadeira devoção? Qual o critério? Será que a vida e o debate políticos concelhios não têm interesse para os leitores do jornal, numa perspectiva cívica que a Dr.ª Isabel tanto gosta de apregoar, do alto da sua proclamada virtude?

E por que não abre o jornal as suas portas à opinião dos diferentes quadrantes políticos? Dr.ª Isabel, tome isto como uma crítica construtiva, hein?! Já agora, duas últimas críticas construtivas: na notícia da página 4, sobre a inauguração do Espaço Zambujal, teria sido melhor escrever “intervieram” em vez de “interviram”, e no intróito ao “diário de bordo” da página 12, “cronologicamente” seria um pouco mais certeiro do que “cronológicamente”.

Na expectativa das prezadas notícias da senhora Directora,

Atenciosamente,

Subscrevo-me

Escriba

domingo, 15 de abril de 2007

“O Sesimbrense”, ainda “O Sesimbrense”, sempre “O Sesimbrense” (o que é que a gente há-de fazer?)

(1) Descubra as diferenças

Comparar a capa de “O Sesimbrense” que, em 2005, deu a notícia da inauguração da Biblioteca Municipal, com a primeira página da mais recente edição do quinzenário, reportada, quase exclusivamente, à abertura de portas do Cine-Teatro, pode ser um exercício estimulante. Com efeito, sabemos que a memória é curta e há sempre quem conte com isso. Mas, por favor, não nos tomem por parvos.

(2) Amor à camisola

A capa do último “O Sesimbrense” distingue-se ainda pela galegada do ano, ao anunciar que uma “Judoca sesimbrense renova título europeu”. A páginas 4, narra-se que Telma Monteiro, do Grupo Desportivo de Sesimbra, se sagrou bicampeã europeia. Sucede que esta jovem de 21 anos nem é sesimbrense, nem sequer atleta do Grupo Desportivo de Sesimbra. No fundo, nada disto surpreende, sabendo-se o que a casa gasta.

Notável, notabílissimo, foi, na verdade, o concomitante aprumo corrector do Dr. Sequerra. Foi um regalo para a vista topá-lo, na última sexta-feira, à noite, num intervalo da sessão da Assembleia Municipal, a esclarecer, qual errata humana, por sua livre iniciativa, o lapso informativo junto do Presidente da Câmara, Augusto Pólvora.

De jornal em riste, e denotando um zelo inexcedível, o Dr. Sequerra teve ainda o ensejo de, em pleno Auditório Conde de Ferreira, chamar a atenção de outros circunstantes para a falácia que o crivo da directora deixou passar. Visivelmente, tamanho fervor comove uma cordilheira. Fico agora na expectativa de saber se o Dr. Sequerra irá, ao longo da próxima quinzena, deslocar-se ao domicílio dos demais assinantes do jornal, com o propósito de desfazer o equívoco. Calculo que a Dr.ª Peneque esteja encantada com a abnegação do seu antecessor.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

A última tentação de Isabel

De frete em frete, o espectro do velho O SESIMBRENSE prossegue, com proba virtude, a ladainha laudatória à gestão camarária de Augusto e Felícia. Veja-se, a páginas 5 da última assombração, a peça dedicada à Ond@ Jovem. Ao pé desta desaçaimada vergonha propagandística, os anúncios do TIDE passam por ser tratados de neutralíssima isenção.

São cinco linhas apenas, em tipo de letra a negrito, e pouco menos do que garrafal. O sermão aos pexitos termina com esta pérola: “Comemore esta Época Pascal de uma forma mais activa. Participe!”. Seguem-se três fotografias acrobáticas, alusivas à prática do Yoga, do Skate e do Skimming.

O leitor desprevenido poderia esperar que o jornal se limitasse serenamente a dar-lhe conta da iniciativa, divulgando porventura o programa respectivo, que é, de resto, a lástima que se conhece. Mas não: o fervor posto no novo credo levou o quinzenário da Dr.ª Peneque a vender o peixe umas boas oitavas acima da vozearia da lota. Como a asneira não deu para menos, toca de alvitrar a comemoração da época pascal de uma forma mais activa.

Eu bem sei que a nova ordem vigente tem uma visão peculiar do fenómeno religioso. Ele é jazz na Capela e rap em Dia de Reis. Mesmo a Ond@ Jovem não prescinde da sua Queima do Judas privativa. Faltava-nos agora a procissão da Via Sacra transformada em corrida de patins. Claro que até ao Calvário é a subir, mas descer a Calçada sempre dá algum balanço e às vezes há milagres.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

O regresso do Dr. Sequerra

Por um insondável desígnio, o Dr. Sequerra deixou o amanho remansoso do quintalinho desportivo que presentemente cultiva nas páginas de O SESIMBRENSE e, na mais recente edição deste jornal, subscreve uma crónica em que considera estar a “Biblioteca de parabéns!”. O Dr. Sequerra começa o seu escrito lembrando-nos que quem se considere verdadeiramente sesimbrense, por nascimento ou convicta adopção, não pode nem deve desperdiçar o mínimo ensejo de dizer bem de Sesimbra, seja por que motivo for. Mais opina o notável plumitivo que um vasto leque de incorrigíveis maldizentes, entre mal informados e, também, mal formados, carece de uma forte contra-partida dos que querem e podem dizer bem da “Piscosa”.

A gente lê, pasma e não acredita. Quando o Dr. Sequerra alude a inominadas pessoas que reputa de “mal informadas”, será, talvez, conveniente lembrar-lhe essa sua extraordinária galegada, peça de antologia, que foi o episódio das bandeiras azuis, no ano que passou. E também fazer-lhe ver que, só neste seu curto escrito de agora, incorre em duas inexactidões clamorosas. Nem a biblioteca funciona seis dias por semana como ele assevera (a menos que contabilize a segunda-feira, em que se encontra fechada ao público); nem Anabela Santos, que distingue a par de Rui Costa Marques, trabalhou, alguma vez, na Biblioteca Municipal. Quero, aliás, acreditar que o Dr. Sequerra confundiu a Dr.ª Maria José Albuquerque com a Dr.ª Anabela Santos, pois não encontro outra explicação para o facto insólito de nunca nomear a primeira destas funcionárias da Câmara, que tão brilhantemente tem dirigido a Biblioteca Municipal.

Mas, no inalcançável juízo sequerriano, os incorrigíveis maldizentes, além de “mal informados”, são também pessoas “mal formadas”. Mesmo que o anterior director de O SESIMBRENSE tenha, quase por sistema, atropelado os direitos de resposta dos leitores (a começar pelos do Presidente Amadeu Penim) ou deturpado a verdadeira história do opúsculo de António Reis Marques sobre a história do jornal, ou que, ainda enquanto mero colaborador, se tenha permitido verberar nas colunas do periódico, por “delito de opinião”, esse outro colaborador do jornal da terra que foi o ancião António João Fernandes, e que lamentavelmente viria a falecer, em Agosto de 2001, poucos dias depois do correctivo verbal aplicado pelo Dr. Sequerra.

Mas agora o antigo director é um homem novo e não permite que ninguém diga mal da sua Sesimbra. Sequerra não deixa que ninguém toque na sua menina, nem sequer com uma flor. Sim, para má-língua bastaram os anos em que o Dr. Sequerra disse da gestão de Amadeu Penim o que Maomé não ousou dizer do toucinho, e, logo depois, os meses em que louvou Augusto e Felícia como um islamita não louva Alá.

Agora, o mesmo Dr. Sequerra que, enquanto director de O SESIMBRENSE, quase ignorou a inauguração da Biblioteca Municipal, acontecimento então relegado, na capa do jornal, para um plano secundário, em detrimento da colossal façanha que foi a recepção ao professor de 2005, vem confessar-nos, no seu plural majestático de presumido senador, que enaltecendo a Biblioteca, sentimo-nos bem connosco próprio. Eu quase estaria tentado a acreditar num acto de contrição, se não conhecesse de ginjeira esta criatura. E, ou muito me engano, ou anda medalha de mérito municipal na costa.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

No pasa nada

A Dr.ª Isabel Peneque, sendo, há largos meses, directora de O SESIMBRENSE (como se lembrarão, começou por ser sub-directora de si própria), conseguiu a proeza de não ter ainda escrito um único editorial sobre a situação política do concelho. De resto, o jornal que dirige revela-se, consabidamente, uma folha veneradora, atenta e obrigada. Em Sesimbra “no pasa nada”. Fazer grande manchete com uma prova de corta-mato escolar, como sucedeu com o último número do quinzenário, diz-nos logo ao que vamos. Mas a senhora permitiu-se agora, do alto do seu esfíngico porte, consignar esta pérola, a propósito do referendo do próximo dia 11, dando-nos a todos uma lição de moral, plena de virtude democrática: “A questão a que teremos de responder é demasiado séria para que nos fechemos no nosso comodismo e deixemos que outros decidam por nós. A abstenção é um inqualificável acto de desinteresse (eu diria mesmo, de cobardia) por uma questão de tal gravidade que o próprio Governo não se atreveu a decidir sem ouvir a vontade dos portugueses”. Quem julga esta senhora que é? Quem lhe encomendou o sermão?