(actualizado)
O editorial do último número de “O Sesimbrense” é um hino à costumada balbúrdia de Agosto. Claro que, para a Dr.ª Peneque, não há balbúrdia como a de Agosto, e não há Agosto como o de Augusto. Logo, não há balbúrdia como a de Augusto. Está lá tudo para o fim da prosa, posto em letra de forma, com a devoção de uma Santa Teresinha (não, não é a senhora da Liga). Não há nisto nada com que me deva surpreender. Desde os tempos do Dr. Sequerra que o jornal da terra está transformado numa folheca sectária e imprestável.
O que agora me causa espanto é o bom gosto revelado pela senhora logo nos primeiros parágrafos da composição. No arsenal literário da Dr.ª Peneque há de tudo: uma praia que “parece um tabuleiro onde se entornou uma caixa de punaises”; “camionetas de carreira” que “despejam ondas incessantes de crianças”; “mães carregando sacos gordos”; filas que “à porta dos restaurantes engrossam à medida que os estômagos vão reivindicando reforços”; e à noite, na "marginal, agora mais comprida, um mar de gente deambulando para facilitar a digestão". Logo depois, a senhora doutora, do alto da sua pesporrência, emite o ralhete correctivo a uma cambada de maledicentes que para aí anda, meia dúzia de “naturais da terra que não gostam desta “confusão”, que não sabem dar o devido valor a este caos abençoado que “deixa euros que engrossam os nossos bolsos”.
Só um psicólogo poderá, ao certo, dizer, que bizarro estado de alma terá assolado a Dr.ª Peneque no momento sublime em que se afoitou a destilar semelhante prosápia. Só um psicólogo saberá desvendar o segredo inconfessável cifrado nesta inaudita sucessão de punaises entornados, de ondas de crianças despejadas, de mães carregando sacos gordos, de estômagos reivindicando reforços que engrossam filas à porta dos restaurantes, barrigas esfaimadas que, já dentro dos restaurantes, deixam euros que engrossam os nossos bolsos, ventres enfim deambulando para facilitarem a digestão.
No meio disto tudo, sempre ficámos sem saber se os reforços chegaram aos estômagos a tempo. Esperemos que sim, por causa do flato. Por vezes, entre o engrossar e o despejar, entre o engordar e o entornar, a equação torna-se difícil. Alguém que puxe o autoclismo, se faz favor. Rapidamente e em força.
O que agora me causa espanto é o bom gosto revelado pela senhora logo nos primeiros parágrafos da composição. No arsenal literário da Dr.ª Peneque há de tudo: uma praia que “parece um tabuleiro onde se entornou uma caixa de punaises”; “camionetas de carreira” que “despejam ondas incessantes de crianças”; “mães carregando sacos gordos”; filas que “à porta dos restaurantes engrossam à medida que os estômagos vão reivindicando reforços”; e à noite, na "marginal, agora mais comprida, um mar de gente deambulando para facilitar a digestão". Logo depois, a senhora doutora, do alto da sua pesporrência, emite o ralhete correctivo a uma cambada de maledicentes que para aí anda, meia dúzia de “naturais da terra que não gostam desta “confusão”, que não sabem dar o devido valor a este caos abençoado que “deixa euros que engrossam os nossos bolsos”.
Só um psicólogo poderá, ao certo, dizer, que bizarro estado de alma terá assolado a Dr.ª Peneque no momento sublime em que se afoitou a destilar semelhante prosápia. Só um psicólogo saberá desvendar o segredo inconfessável cifrado nesta inaudita sucessão de punaises entornados, de ondas de crianças despejadas, de mães carregando sacos gordos, de estômagos reivindicando reforços que engrossam filas à porta dos restaurantes, barrigas esfaimadas que, já dentro dos restaurantes, deixam euros que engrossam os nossos bolsos, ventres enfim deambulando para facilitarem a digestão.
No meio disto tudo, sempre ficámos sem saber se os reforços chegaram aos estômagos a tempo. Esperemos que sim, por causa do flato. Por vezes, entre o engrossar e o despejar, entre o engordar e o entornar, a equação torna-se difícil. Alguém que puxe o autoclismo, se faz favor. Rapidamente e em força.