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sexta-feira, 11 de maio de 2007

Descubra as diferenças...

Foi uma das coisas que aprendi nos bancos do liceu, na disciplina de Jornalismo: conhecer a imprensa escrita é sobretudo pegar nos jornais, pô-los lado a lado e comparar a importância relativa que dedicam às matérias que tratam. No nosso concelho, o exercício reveste-se de grande interesse. Confronte-se, por exemplo, a última edição de “O Sesimbrense”, já aqui ampla e suficientemente glosada, com o mais recente número do “Jornal de Sesimbra”. Estou à vontade para o fazer, pois não morro de amores por nenhum dos títulos. Aponto cinco casos, que considero flagrantes:

1. No JS, a visita dos jovens ao Parlamento Europeu, a convite do PCP, mereceu 3/5 de uma página par. N’“O Sesimbrense”, foi o que se viu: manchete e as quatro centrais. Uma alegria! Um fartar vilanagem!

2. A inauguração do Espaço Zambujal teve uma chamada, breve e discreta, na capa do “Jornal de Sesimbra”, e uma reportagem concisa, na contracapa. Desta vez, Augusto e Odete não nos são apresentados como autarcas embevecidos, ao contrário do que “O Sesimbrense” afirmava na sua primeira página, em legenda à fotografia que o JS agora repete.

3. O JS destina a melhor e a maior parte da sua página 9 – note-se: uma central ímpar – ao debate sobre o Ordenamento do Território e Mais Valias Urbanísticas, dedicando-lhe uma reportagem circunstanciada. “O Sesimbrense”, assobiando para o lado, limitou-se a passar pela coisa como quem não a quer.

4. O JS dá notícia da sessão ordinária da Assembleia Municipal de 13 de Abril. “O Sesimbrense”, aos costumes, disse nada.

5. O JS esforçou-se por dar conta da aprovação do Relatório de Contas de 2006, na reunião da Câmara Municipal realizada em 29 de Março (mesmo tratando-se de uma reunião a que, segundo o jornal, a comunicação social não pôde assistir). A “O Sesimbrense”, o assunto não motivou uma única linha.

Esperando que a Dr.ª Peneque tome estes reparos por críticas construtivas, relembro-lhe que as árvores se conhecem pelos frutos.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

A acrimónia de Raul Augusto

Presumivelmente, Raul Augusto Pinto Rodrigues não gostou do que aqui escrevi no passado dia 22 de Fevereiro. Pelo menos, é o que agora depreendo da leitura do post-scriptum que apôs ao artigo de opinião publicado no número de Março do “Jornal de Sesimbra”. Para cabal juízo dos leitores, transcrevo integralmente essas suas considerações extravagantes:

“P. S. – Embora a minha independência relativamente aos partidos políticos seja total não abdico de exercer os meus direitos e deveres de cidadania.
As minhas sugestões e críticas que considero construtivas, são apenas de ordem política. Todas as conclusões e aproveitamentos partidários ou outros que se façam fora desse contexto, considero-os completamente abusivos.
Estou abertamente em desacordo com algumas das políticas seguidas tanto pelo actual como pelo anterior Presidente da Câmara, mas só isso. Não me escondo atrás do anonimato para o fazer, e eles sabem que os considero homens íntegros e de grande honestidade com quem tenho mantido desde há muitos anos sólidas relações de amizade que não quero ver desbaratadas.”


Esta é a tese. Agora vem a antítese, para que o leitor faça a síntese:

1 – Tal como Raul Augusto, também não estou filiado em qualquer partido político, nem dependo de nenhum.

2 – Tal como ele, também não abdico de exercer os meus direitos. Escrever num blogue, sob pseudónimo (o que é diferente do anonimato que Raul Augusto sugere), é um deles. Lembro-me de ler, no “Jornal de Sesimbra”, algumas colaborações sob pseudónimo, quando Raul Augusto era o director da publicação. Eram colaborações notórias, porventura notáveis. Mal comparado, como diz o povo, a história da literatura está cheia de pseudónimos: de Miguel Torga a Eugénio de Andrade, de José Régio a Manuel Tiago. E a do jornalismo local também: de Dirceu Arranca a Romualdo Santanás.

3 – Calculo que Raul Augusto não leia este blogue com frequência. Caso contrário, ter-se-ia apercebido da importância que, quer este pobre Escriba, quer o ilustre Carteiro, dão à imprensa local, que regularmente comentam.

4 – Raul Augusto diz estar abertamente em desacordo com algumas das políticas seguidas pelo actual executivo. É verdade. Sucede que, tratando-se de Raul Augusto, esta é uma verdade relevante. Espero sinceramente que ele tome as minhas palavras como um elogio, sem falsas lisonjas.

5 – Isto é tanto mais assim quanto Raul Augusto, no seu anterior artigo, falou em nome de muitos sesimbrenses que, disse ele, “estão francamente desiludidos” com a actual gestão.

6 – Não percebo, pois, a acrimónia que, aparentemente, me é dispensada por Raul Augusto. Limitei-me a citar o que escreveu, mas com uma diferença: ao contrário de Raul Augusto, eu não dou o benefício da dúvida a Augusto; ao contrário de Raul Augusto, creio que a virtude teologal da esperança é mal empregada com a actual gestão camarária. Trata-se, afinal, do mesmíssimo partido – já se sabe que eles não mudam – que, durante duas décadas, sustentou no poder Esequiel Lino, cuja gestão Raul Augusto tão asperamente criticou no passado. Daí que lhe tenha sugerido, numa nota de humor (que, vá lá alguém saber porquê, lhe não terá caído bem), que continue a esperar, mas sentado. Continuo, porém, a apreciar Raul Augusto, a sua escrita e a sua frontalidade, e não me coibirei de aqui o citar. Até porque não é proibido.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Augusto, Raul Augusto e o Dia de Reis

Raul Augusto Pinto Rodrigues não gostou do que viu em Janeiro, no sábado, dia 6, Dia de Reis, no Jardim de Sesimbra. Raul Augusto é um homem frontal – que o diga Esequiel – e, para que Augusto saiba, disse agora o que lhe vai na alma, no JORNAL DE SESIMBRA do mês passado.

Bem pode Raul Augusto dirigir a sua prédica às oito ou nove pessoas que estavam em cima do palco, que nem por isso os destinatários deixam de ser apenas dois: Augusto, o homem do leme, o timoneiro da nau, o rei do concelho, centro das atenções no augusto e régio Dia de Reis que resolveu comemorar para sua maior glória, e a inevitável Felícia, contra-almirante, lugar-tenente deste navio que deu à costa.

Não sei se Raul Augusto chegou verdadeiramente a apoiar Augusto. Mas sei que terá dado ao seu projecto político o crédito suficiente para ter aceitado participar, como convidado, numa sessão pública pré-eleitoral em que a CDU se propôs debater assuntos culturais.

Sei também que Raul Augusto parece estar desencantado com a gestão de Augusto. E dá conta de que muitos sesimbrenses já estão “francamente desiludidos”. Os recursos, quer humanos, quer outros, opina Raul Augusto, continuam “escandalosamente a ser desbaratados”.

Mais diz Raul Augusto que “não bastam as aprovações de cada vez mais blocos de cimento armado, de urbanizações por tudo quanto é sítio, de campanhas de limpeza que por falta de mão firme são ridicularizadas, de grande publicidade a todo o tipo de festas, festinhas, festarolas e outros eventos, com o respectivo aproveitamento político e direito a fotografia no boletim municipal.” E, prossegue Raul Augusto, “sem rodeios digo que certamente fizeram algumas coisas boas, mas também mal seria que não. Foi o que prometeram ao povo na campanha eleitoral e é para isso que vos pagam e a todo o enorme staff que vos aconselha, ou não.”

Raul Augusto não fica por aqui. E, muito oportunamente, pergunta: “Então e os espaços verdes na vila; e os parques de convívio e lazer; e o estado lastimoso dos caminhos e estradas municipais; e a vergonha dos acessos ao mercado da Lagoa; e a desadequação e falta de manutenção das pontes e pontões, alguns em muito mau estado; e o escombramento, taludagem e consolidação das rochas que ladeiam pela direita a perigosa estrada de acesso ao porto de abrigo…??? Não é por falta de queixas que não continuamos este extenso rol, tal facto deve-se unicamente à falta de espaço.”

Raul Augusto exorta ainda: “Façam um profundo exame de consciência, uma autocrítica honesta e concluirão, tal como uma boa parte da população, que o vosso desempenho até agora tem tido um saldo negativo.”

Raul Augusto escreve tudo isto num artigo que intitula “Vamos esperar…”, e, na verdade, os dois últimos parágrafos do escrito revelam alguma esperança, que é a virtude de quem espera. Eu creio, todavia, que Raul Augusto vai precisar de uma cadeira…