sexta-feira, 17 de agosto de 2007

A Leste do Paraíso

Além do enorme processo Apito Dourado e dos recentes dossiês anónimos, a Procuradoria Geral da República vai investigar mais quatro denúncias (com assinatura).
Não há fome que não dê em fartura...

Durante anos ninguém tocou no futebol porque não havia provas.
Agora sobram as provas ou, pelo menos, as pistas que permitem chamar os bois pelos nomes.
As escutas apenas confirmam que o rei vai nu, nudez essa que é do conhecimento geral há décadas.
O que interessa nas escutas não é a sua legalidade, mas sim o seu conteúdo. E esse ninguém conseguiu negar.

O pior é que, se em futebol tudo é possível, na Justiça passa-se o mesmo.
Já houve um juiz que deu como provado que as férias no Brasil foram pagas por um certo clube. Mas,como era ingénuo, o senhor juiz não viu maldade no gesto, não tendo dado como provado que a gentileza do clube (que, por acaso, era o Porto) visasse obter favores do árbitro.

Com juízes destes, nunca haveria apitos, tudo acabaria em silêncio, no aconchego de tribunais cordatos.
Este senhor juíz deve ter andado na escola do outro que absolveu o homem que pagou aos russos para lhe matarem a mulher. Como eles não cumpriram o combinado, a mulher não morreu e o senhor saiu em liberdade.
E, se calhar, até foi de férias ao Brasil que é onde costumam ir veranear os árbitros desta terra tão singular onde há clubes que lhes oferecem viagens, estada e fruta.

Sem esperar contrapartidas...

SS : Sem Solução

No Afeganistão, um bombista suicida provocou a explosão que causou a morte do governador de Kandahar e de três filhos, quando saíam de casa.
Como classificar este acto?

No tempo de Estaline, Mao e Hitler não havia bombistas suicidas, mas o horror era o mesmo, só a forma era diferente.
Os carrascos de então preservavam as suas vidas, ao passo que os carrascos de hoje se consideram vítimas e desprezam a vida, a sua e a dos outros.

Nestas condições, a escalada da morte é imparável.

Sendo Bush o que sabemos, a verdade é que o tango da carnificina não se dança sozinho...

A escola da macaca

Amadeu, o mau da fita, o vilão, não quis limpar a Casa do Bispo, sugerem eles.

Augusto, o herói, o rapaz, coitado, não tem meios para o fazer, dizem agora.

De um mandato para o outro, por um passe de mágica, num abrir e fechar de olhos, os meios desapareceram e deixaram o nosso Augusto, o herói, o rapaz, de mãos atadas. Ele bem queria, coitado, mas não pode.

Na era dos DVD, ainda há cassetes com subtilezas destas.

Eles andaram, por certo, na escola da macaca. E pensam que os outros também.

Uma questão de tempo

Estas coisas notam-se. Aos poucos, o tempo passa, o desespero cresce e eles vão perdendo a cabeça, como ontem à noite aconteceu, na caixa de comentários da entrada sobre a novela da Casa do Bispo.

A verdade é que eles subiram ao poder com a ajuda preciosa, mais ou menos velada, de alguma imprensa regional. A cobertura da campanha eleitoral das últimas autárquicas foi, em certas páginas da imprensa sesimbrense, uma mistificação pegada. A descrição das diversas acções de campanha realizadas durante a festa do Cabo, feita n’O Sesimbrense em Setembro de 2005, é uma anedota rasca, mas hilariante. Merecia ser estudada nas escolas de comunicação social. Ali nos é dito que todas as forças políticas se misturaram no arraial, com excepção de uma, que teria ficado respeitosamente à margem. Na realidade, esse partido, tido por venerador e bem-educado, quase só faltou integrar-se na procissão, o que, aliás, motivou protestos dos fiéis. Meses depois, a autora que assinou a prosa chegava onde se sabe.

Mas esta gente lida mal com a realidade. É só haver alguma coisa que lhes desagrade. Desatam, então, a chamar nomes feios aos jornais. Há semanas atrás, ao que parece, foi o “Notícias da Zona” a ser admoestado por um alto dignitário da corte. Ontem, foi o “Jornal de Sesimbra”, aqui apelidado de “pasquim local teleguiado pela cambada do costume”. Neste último título, é bem capaz de haver algum filho de boa gente, que se sinta. No "Notícias da Zona" houve.

De resto, acredito que isto não vá ficar por aqui. Começou com os blogues, onde a sua influência sinistra não consegue pôr a pata, e há-de chegar ao núcleo duro da imprensa dilecta. Como dizia o outro: é preciso estar atento aos sinais. É só uma questão de tempo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Pouco judicioso

Este estranho caso da pequena Madeleine mais parece um filme policial, e já não sabemos como classificar o envolvimento mediático materializado na presença de inúmeros jornalistas, assessores de imprensa e polícias que dão tantas entrevistas como os jogadores de futebol.

Agora coube a vez ao Director da PJ que declarou estar optimista quanto ao apuramento da verdade, sem, no entanto, deixar de lembrar que, apesar de tudo, "a morte está sobre a mesa".

Eu não sei quais são as regras neste tipo de situações.
Provavelmente não há um regulamento que cubra a multiplicidade de casos possíveis, pelo que o bom senso deveria prevalecer.
A Polícia Judiciária bem poderia adoptar o célebre "No comments", no interesse da investigação, para evitar cacofonia e limitar as especulações.

Afinal, aquilo a que assistimos é uma espécie de macabra desgarrada entre jornalistas ávidos de sensação e polícias indiscretos.
O senhor Director da PJ deveria usar outro tipo de linguagem quando trata um assunto desta delicadeza.
Eu sei que muita gente usa e abusa dos chavões, mas declarar que a morte está em cima da mesa é de um mau gosto atroz.

Já que não resistem ao chamamento dos microfones e das câmaras, ao menos não armem em comentadores de baixo nível...

E as sentinas, Augusto?

O Núcleo do Sporting de Sesimbra, agora promovido a Casa, vem dizer, no último “Jornal de Sesimbra”, que a Câmara Municipal não tem capacidade para efectuar a limpeza ou a reabilitação do logradouro da Casa do Bispo, espaço que, por deliberação camarária, está presentemente a utilizar. Mais dizem os sportinguistas que querem recuperar o investimento de dez mil euros que já ali fizeram.

Esta última afirmação dos adeptos leoninos pressupõe, naturalmente, a exploração comercial daquele espaço. Ora, ao que julgo saber, o Núcleo do Sporting ainda não é uma firma comercial. Aliás, segundo creio, o Núcleo funciona em instalações cedidas, para o efeito, pelo comerciante detentor do estabelecimento que confina com o logradouro da Casa do Bispo. Daí que eu seja levado a perguntar: a quem é que a Câmara cedeu realmente aquele espaço? Que pensarão os outros comerciantes disto? E a nova esplanada, irá pagar taxas?

Outra coisa que me enche de perplexidade é a alegada falta de meios para a limpeza do logradouro. Não deve ser verdade. Afinal, o que é a Câmara de Augusto está em condições de limpar? As praias? As ruas? Os contentores? E as sentinas, Augusto?

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Cruzes, credo!


Ao entrar no "Combustões", dei de caras com esta "troika". Tudo bons rapazes...

Antes pelo contrário

Quem não é fanático da praia é bem capaz de achar que estamos a ter um Verão ameno.

Os outros resmungam que se trata é de um Verão a menos...

Transferência relâmpago

Este Governo tem um estilo estranho, nunca se sabe como reage aos acontecimentos.
No caso da Ota, foi uma reviravolta assombrosa, mas lenta; com Charrua foi uma suspensão imediata, à semelhança do que sucedeu com Dalila Rodrigues, no Museu de Arte Antiga.

Agora, fugiram seis detidos da prisão de Guimarães. Como é natural, foi instaurado um inquérito.O que é menos natural é que a directora do estabelecimento prisional já tenha sido transferida para Viana do Castelo, antes de terem sido conhecidas as conclusões do inquérito.

Não deveria a directora permanecer no seu posto pelo menos durante o desenrolar das investigações?
Porquê este afastamento precipitado do local do crime de fuga?

Se esta transferência não é uma antecipação aos resultados, parece.
Se não é uma sentença precoce, o que será? Uma promoção?

Ou será que saiu a custo zero?

Segundos

Terminou a 69ª Volta a Portugal em bicicleta e, mais uma vez, Cândido Barbosa morreu na praia.
Parece sina do simpático ciclista que brilha, promete, sonha, faz sonhar e, no fim, não ganha.

Há muitos anos, em França, um outro ciclista teve um percurso parecido, foi o eterno segundo.
O campeão, o menino bonito, chamava-se Jacques Anquetil e ganhou o Tour por cinco vezes consecutivas.

Raymond Poulidor levou a vida a correr atrás dele, sem conseguir batê-lo, perdeu sempre. Menos na simpatia dos franceses que o adoravam.
Anquetil era admirado, "Poupou" ( a sua simpática alcunha) era amado, ainda é.

Ser sempre segundo exige mérito, abnegação, perseverança e talento, não é obra do acaso. Além disso, Poulidor correu durante muitos anos, talvez por nunca se ter deixado tentar por substâncias que dão vitórias mas encurtam a vida.
Anquetil morreu cedo e dele ficou apenas a imagem de um belo atleta e um vencedor.
Está no livro de oiro dos resultados, mas no coração dos franceses só mora Raymond Poulidor.

Uma Volta ganha-se e perde-se, às vezes, por segundos.
De outros segundos raramente reza a História.
Poulidor é excepção...

Patetas a bordo

O senhor Alcides Freire faz hoje no jornal "O Jogo" (on line) um sentido elogio a Quaresma. Imagine-se que o senhor Alcides descobriu agora que o senhor Quaresma faz uma coisa genial, do outro mundo, que consiste em centrar com o pé direito depois deste passar por trás do esquerdo.
E o senhor Alcides revela isto como se tivesse descoberto a vacina contra a gripe das aves.

Qualquer jogador de décimo nível é capaz de executar este gesto, tão velho como aquilo a que chamam trivela.

Que queiram vender jornais, eu percebo. Que queiram agradar aos craques, é lá com eles.
Agora não brinquem connosco que vemos futebol há uns anitos.

O senhor Alcides nunca terá (provavelmente) visto jogar o José Augusto, o Simões ou aquele diabo do Jacinto João.

Não sei o que é mais lamentável, se a ignorância, a patetice ou a bajulação...

Forte Pinhão

Em entrevista ao "Correio da Manhã", Leonor Pinhão afirma que Pinto da Costa é um tigre de papel.
Num universo de águias, leões e dragões, surge agora um tigre... de papel.
Pergunta-se: qual é o papel do tigre que todos julgavam ser dragão?

Se bem se recordam, durante muito tempo, houve quem insistisse no nome de Pinto da Costa para o novo estádio do FC Porto.
Acabou por ficar "Estádio do Dragão", escolha que, no espírito de alguns, poderá ser uma alusão ou homenagem ao senhor Jorge Costa, também conhecido por Nuno e Pinto.

Mas esta do "tigre de papel", associado à declaração de que não tem medo do senhor, é como se Pinhão esvaziasse o dragão.

Para quem goste de trocadilhos, faça favor de observar: dragão, gradão, grade, grades...
Dragão exige "gradão", é forte, é poderoso.

Mas para tigre, e de papel, bastam grades. Será?

Suspeitas

O "Correio da Manhã" é um dos meus fornecedores de pistas para textos ligeirinhos como este.
Aliás, é compreensível esta cumplicidade entre Correio e Carteiro...
Hoje, o simpático Correio diz-nos o seguinte:
"Al-Qaeda suspeita de atentados no Iraque".

É um daqueles títulos "fracturantes" com que se pretende resumir e catalogar um assunto.
Ora, a língua portuguesa é muito traiçoeira, como sabemos. E, neste caso, um leitor ingénuo como eu ou o Cândido (Barbosa), tanto pode ficar a pensar que a inocente AL-Qaeda desconfia da existência de atentados como pode inferir que a mesma Al-Qaeda é suspeita de atentados no Iraque.

Esta moda dos títulos sintéticos, incisivos, de choque, é antiga.
Em geral o texto é truncado, reduzido a expressões tão simples que, às vezes, dão nisto.
Por acaso, não há lugar a dúvidas pois ninguém imagina a Al-Qaeda a ter suspeitas, mas fica o registo da curiosidade.

Noutros casos, a ambiguidade pode ser mais delicada e perigosa.
Por exemplo, se um jornal escrever "Ana Salgado suspeita de Morgado", a coisa é mais melindrosa pois tanto se pode deduzir que a jovem (e insuspeita) gémea desconfia de Maria José Morgado como se pode depreender que Ana é uma das pessoas de quem Morgado suspeita.

Eu sei que hoje é feriado e não convém puxar muito pelo bestunto, mas o Correio é assim, chama por mim e eu, feriado ou não, respondo presente. Lema de Carteiro...

Larga o velho

Há muitos anos, era frequente ouvir-se, no campo do Desportivo ou em outros locais concorridos, um grito alarmante "Larga o velho!".

A reacção geral era imediata e vibrante, com toda a gente a procurar identificar a cena que se adivinhava revoltante, ou seja, um jovem a agredir um homem idoso.
No final, era apenas brincadeira, ficção colorida, malandrice divertida.
Mas a frase ficou e dela me lembrei ao ler que, ontem, foi o veterano Rui Costa a salvar o Benfica.

Estiveram em campo as grandes contratações Óscar Cardozo e Bergessio, mas foi o velho maestro a resolver o jogo e a adiar a esperança.

Os escandinavos devem ter ouvido contar a chalaça do "Larga o velho" (talvez alguma dinamarquesa que tenha passado férias em Sesimbra, quem sabe?), e não acreditaram que o Rui Costa ainda tivesse força para rematar de longe. Tramaram-se.

Afinal, na noite de ontem, o reforço dourado ainda foi o velho...

Barbosa & Barbosa

O espanhol Eladio Jimenez, da equipa Karpin, ganhou a etapa e roubou a camisola amarela ao nosso Cândido Barbosa.

Este Karpin é o mesmo que causou amargos de boca ao Benfica quando o Celta de Vigo bateu os encarnados por 7-0. As voltas que a vida dá, com o russo a surgir agora na nossa Volta como patrão de uma equipa de ciclismo...

Resta agora ao inocente Cândido o contra-relógio para ganhar a Volta e oxalá tenha mais sorte do que outro Barbosa, o Alves, há uns bons 50 anos.

Com efeito, a perspectiva de uma decisão empolgante na ponta final lembra-me a última etapa de uma Volta, talvez em 57, não sei, em que Alves Barbosa partia com 28 segundos de vantagem sobre Ribeiro da Silva. A chegada era ao Porto.

Ora, o popular Tó não conseguiu vencer porque foi atacado, nos Carvalhos, por alguns valentões anónimos (como o dossiê) que o derrubaram, tirando-lhe a vitória.

Há uns meses, tive a ocasião de conversar com Alves Barbosa e ele confirmou o que já me constara. É que a agressão não visava beneficiar Ribeiro da Silva (que ganhou a Volta), mas sim um outro ciclista, Artur Coelho, que representava...adivinhem... o FC Porto.
Isto é como a fama do brandy Constantino, já vem de longe.

Nota de reportagem: não consta que o chefe do departamento de ciclismo se chamasse Pinto da Costa.

Os cientistas

O Verão mais quente dos últimos 150 anos, diziam eles. De onde se prova que os cientistas não sabem realmente nada, ou estão ao serviço de algo muito obscuro.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

A ENORME SURPRESA

A Procuradoria Geral da República recebeu um dossiê que visa pôr em causa Luís Filipe Vieira e Maria José Morgado.

Mais se sabe que o dito dossiê foi enviado por anónimos e que cópias foram igualmente dirigidas para outras entidades como a Liga de Clubes e o Futebol Clube do Porto.

Imagine-se, pois, a surpresa, a enorme surpresa que terá sido para o Senhor Jorge Nuno ao receber o dossiê anónimo.

No mínimo, terá dito OH, carago! o que será isto?

Obviamente, ele desconhece em absoluto o dossiê que, repito, é anónimo...

Estatística

Ontem, o senhor Vladimir Loukine deu uma conferência de imprensa.
Não, não é jogador de futebol.

O senhor Loukine foi nomeado pelo Parlamento russo e é delegado aos Direitos do Homem, coisa que só existe há poucos anos na Rússia e a que, aliás, o senhor Putin não liga muito.
Pois o senhor Loukine pediu ao Governo russo que se exprima oficialmente sobre as atrocidades cometidas pelo regime estalinista entre 1936 e 1938, crimes que classifica como "terrorismo de Estado".

Segundo Vladimir Loukine, há provas documentais da morte de mais de 2 milhões de pessoas, 725.000 das quais executadas.
Mais garante que a assinatura de Staline figura na ordem de execução de, pelo menos, 40.000 pessoas.

É bom lembrar. Por todas as razões e para memória futura...

Os figurantes

Nas filmagens de "Corrupção", a partir do livro de Carolina Salgado, há cerca de quatrocentos figurantes.
Ou seja, para meia dúzia de actores principais há uma legião de subalternos, o que não é de estranhar.
O interesse desta observação reside no paralelo que é possível estabelecer com o que se passa no mundo do futebol.

É verdade que há muitos jogadores e treinadores milionários. Mas são uma minoria, uma minoria dourada que semeia a ilusão ao ponto de pais sacrificarem a meninice e a mocidade dos filhos, crianças de poucos anos, deslumbrados com a miragem dos modelos Nani e Ronaldo, seduzidos pelos sonhos de glória e pela fortuna na ponta da bota.

Só raros lá chegarão. Os outros farão umas flores e, depois, espera-os a miséria ou a penumbra da frustração. São os figurantes.
Mesmo nas jogadas proibidas, nas maroscas douradas, só alguns tiram proveito, aquilo não pode dar para todos.
Os eternos prejudicados esbracejam, mas ninguém lhes liga, não lhes dão microfone nem câmara, deixam-nos a gritar no deserto desse Portugal profundo onde uns são menos iguais do que outros.
São os figurantes.

É assim no cinema, é assim na vida, há vedetas, figurantes e figurões...

Hora essa

Na China, na província de Jiangsu, um relâmpago atingiu uma cabana onde estava a ser velado o corpo de uma mulher.
Daí resultou a morte de cinco pessoas.

Só não percebo como é que o jornal O SOL diz que as pessoas que morreram estavam num funeral. Será que não sabem chinês neste SOL nascente?

Mais dizem que três das vítimas faleceram na hora e duas no hospital.
Daí a minha viva recomendação de que não se deve olhar muitas vezes para o relógio.
Como fica demonstrado pelo SOL, e a ancestral sabedoria chinesa confirma, é fugir de gatos pretos, não passar por baixo de escadas, escadotes ou escavadeiras, não entornar sal, em especial quando ele já está no prato da caldeirada. E, sobretudo, evitar as horas.
As de ponta são as piores.
Mas, bem vistas as coisas, o rigor da notícia do SOL é de elogiar.
É natural que as pessoas tenham morrido na hora. Morrer por morrer, sempre se poupa a maçada de ir para o hospital. E a hora é uma antecâmara da morte como qualquer outra.

O ideal é morrer não na hora mas no quarto da hora, sempre tem a cama a jeito.
De resto, a notícia é correcta já que morre gente a toda a hora. Ora bolas!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Eu xou aquele

O mundo do espectáculo está cada vez mais cruel e impiedoso, com as vedetas a competirem de forma feroz, reagindo à menor suspeita ou indício de iniciativa da concorrência.

Soube-se agora que o versátil e ecléctico don Saramago vai participar num disco de Jordi Savall, intitulado "As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz", de Haydn.

Não sei em que qualidade nem de que forma don Saramago surge no disco, talvez seja porta-voz, não sei.
O autor do"Evangelho Segundo Jesus Cristo" talvez conheça as últimas palavras do Mestre, não faço ideia.

O certo é que ele aí está, em mais um ensaio. Será que vai recitar? Será que vai narrar com um comboio? Ou será que vai cantar como o bardo do Astérix?

Ora, quer acreditem quer não, ao saber-se que don José se vai lançar no mundo da música, Michael Jackson tremeu, Jenifer Lopez amuou, Madona mordeu os beicinhos, Tony Carreira ameaçou cancelar o seu xou em Sesimbra e, espanto dos espantos, os fãs de Elvis resolveram, à última da hora e em sobressalto, organizar uma vigília, em Graceland, Memphis, mansão onde o King morreu e está sepultado.

Faz agora, na próxima 5ª feira, 30 anos que Elvis faleceu, mas isso foi apenas o pretexto.
Fontes bem informadas garantem que o objectivo é reacender a chama do rei do rock, ao sentirem que a sua estrela pode empalidecer agora que don Saramago vai avançar.

Nada tenho contra don José, hombre, por Diós y por supuesto, mas acho de mau gosto a escolha do nome artístico que doña Pilar del Rio acaba de anunciar em conferência de imprensa.
Calcule-se que, para a sua vertente discográfica, don Saramago optou por ser chamado Nobelvis, el niño de Azinhaga.

A fotografia oficial mostra o artista com um cavaquinho na mão direita e um "Diário de Notícias" na esquerda, a sua melhor mão.

Doña Pilar del Rio está a seu lado com um Lanzarote no cabelo...


Os pequenos

Que o Tony Carreira venha cantar no sábado à Vila Amália, ainda vá que não vá... Agora que o carro de som promocional quase me tenha acordado os pequenos há pedaço, é que não.

Polvo que (não) levas do Rio

O Benfica vai poder contar com uma dupla de pontas-de-lança (Nuno Gomes e Óscar Cardozo) capaz de dar dores de cabeça a muitas defesas, em particular à do Porto que vai recordar com emoção e certa nostalgia Nuno Cardoso, um homem que deixou saudades nas Antas, tão compreensivo se mostrou à frente da autarquia que mais parecia uma sucursal do FCP.
A Câmara tinha o seu PDM, Plano Director Municipal, mas para os amigos das Antas havia o PDN, Plano Do Nuno.

Bons tempos, foi o fim de uma bela amizade, já que este Rio teima em não correr para a foz do Dragão...

Fidel idade

O mundo livre, tão livre como Cuba, deve estar em festa.
El Comandante faz hoje 81 anos.

Por toda a parte se vai ouvir "Guantanamera", mas o que todos os cubanos gostariam de poder cantar era "Quando sali de Cuba", mas isso, enquanto Fidel for fazendo anos, é melhor esquecer.

Aqueles cubanos são mesmo loucos. Porquê abandonar o paraíso?

KITactivo

Uma das notícias do dia é a regulamentação da distribuição de seringas a reclusos toxicodependentes, por despacho dos senhores ministros da Justiça e da Saúde.

Assim, os reclusos inscritos no Programa irão receber um kit (estojo? caixa? conjunto? embalagem?) que contém duas seringas, um toalhete desinfectante, uma carica, uma carteira de ácido cítrico (para cozer a heroína), uma ampola de água destilada e um preservativo.

Pergunta-se: e quem fornece a heroína?
É uma crueldade darem botas, meias, calções, camisola, campo e balizas, e não fornecerem a bola.

E que faz ali o preservativo? Será que o sexo também é droga?

Estranho e curioso é que a posse e o consumo de estupefacientes constituem actos ilícitos.
Quem é que entende isto?
Mas a natureza humana é surpreendente. Se não, veja-se.

Nas prisões há televisão, cinema, cama, mesa e roupa lavada, ginásio, biblioteca, pátio de recreio, estojo com o necessário para injectar heroína, preservativo e toalhete desinfectante.

Pois, apesar de todas estas prestações em condomínio fechado, ainda há descontentes.
Seis deles abandonaram ontem o resort carceral de Guimarães.

Que mais querem eles? TV Cabo com a Sport TV?

Ele há coisas fantásticas, não há?

Pudicícia

Depois do “Notícias da Zona” e do “Nova Morada”, o opinante Fernando Patrício chegou à freguesia do Castelo e às páginas do “Raio de Luz”. O assalto final à freguesia de Santiago fica, por ora, dependente de uma correcta localização da mata do Desportivo na planta da vila.

Manda a verdade dizer que o entendimento tácito entre amplos sectores da Igreja Católica e o Partido Comunista está longe de ser daqui, ou de agora, e dá, por certo, muito que pensar. O concerto não é, de resto, tão contra-natura quanto se possa julgar.

O positivismo de Comte silenciou a metafísica para criar a religião da Humanidade. O marxismo é um messianismo sem Deus: a redenção há-de chegar pelo proletariado. Há na Igreja os milionários da fé, que não consentem a salvação fora do redil, à margem do rebanho. Ora isto lembra terrivelmente o centralismo democrático. Ter Deus na barriga é tê-lo perdido já, paredes-meias com a superioridade moral dos comunistas. Estão bem uns para os outros. E, por isso, entendem-se.

Mas o caso do “Raio de Luz” é diferente. Passa todas as marcas. Mesmo as da pudicícia.

Em foco

O texto sobre "Frases Feitas" deu lugar a alguns comentários interessantes dos quais gostaria de destacar o do atento e erudito A. Teixeira que me desafia amigavelmente com as suas considerações sobre o neologismo focar.

Observa ele, e bem, que está na moda utilizar o verbo focar no sentido de dar atenção a, concentrar-se em, em vez de salientar ou pôr em destaque.
E lembra que o verbo não deve ser conjugado reflexivamente.

Uma primeira consequência desta moda, é, daqui a pouco, começarmos a ouvir os jogadores de futebol dizer que estão muito focados em vez do clássico muito concentrados.
Mas a coisa pode ir mais longe.

Toda a gente tem ouvido a "elegante" exclamação "Fogo", mas muitos (dos que dizem e dos que ouvem) não percebem que se trata de um sucedâneo ou genérico do grosseiro "F... -se".
Outros, mais imaginativos (mas não menos rascas) cultivam o "Fónix".

Daí que, contrariando o nosso A. Teixeira, me atreva a prever que o verbo focar venha a ser usado na forma reflexiva, precisamente sob forma de exclamação, isto é, "Foooca-se".

Há quem defenda intransigentemente que tudo isto é natural, que a língua é viva, tão viva como dinheiro. Talvez...

domingo, 12 de agosto de 2007

Bomtempo

Neste Verão ameno, um título assim é quase ambíguo. Mas não se trata aqui do boletim meteorológico. E a junção inadvertida não é gralha.

Há, talvez, umas três ou quatro semanas, um leitor – ou seria uma leitora? – desta “Magra Carta” dirigia-nos palavras mui elogiosas, que devidamente saboreámos. Pedia-nos, também, que aqui fôssemos dando sugestões de âmbito cultural e artístico. O Carteiro não demorou muito a despachar o requerimento. Só eu, retardatário, fui protelando o silêncio. Aqui e agora me desincumbo da tarefa, para recomendar a audição integral dos quatro concertos para piano e orquestra de João Domingos Bomtempo (1775-1842), recentemente reeditados pela Numérica. A interpretação é de Nella Maissa, ao piano, acompanhada pela Orquestra Sinfónica de Nuremberga, sob a direcção de Klauspeter Seibel.

Maçon, romântico e patriota, Bomtempo não tem a dimensão de Mozart e de Beethoven, que, de resto, evoca. Mas falta-lhe pouco para lá chegar, o que é muito.

Torga

Algumas boas almas do meu país andam hoje, por aí, numa ladainha de incensos à figura de Miguel Torga, por mor do centenário do escritor. O coro laudatório não me parece mal. Também nutro certo carinho pelo poeta andarilho. De resto, foi nas laudas do seu Diário que aprendi a amar cada bocadinho desta terra em que me foi dado viver. Estou-lhe grato por isso, por alguns dos seus poemas, por muitos dos seus contos. Mas devo confessar que, no conjunto, a obra do médico do Largo da Portagem já não me entusiasma como há dez ou doze anos, quando, na verdade, a descobri deslumbrado. Algo frágil no pensamento que a sustenta, falta-lhe a grandeza das de Pascoaes, Pessoa ou Régio.

Como é evidente, isso não belisca minimamente o patriotismo medular do escritor, que tanto o nobilita. Porém, mete dó ver a esquerda austera sublinhar a sua ausência para dizer que Miguel Torga faz falta ao país de hoje. Nada de mais disparatado. Cada homem tem o seu tempo, e o poeta teve o dele, que soube, aliás, aproveitar como poucos. A candura costumada dos netos de Robespierre é que os não deixa ver para além do nariz de palmo. Acaso não leram o Diário XVI? À sua maneira, é um pequeno Apocalipse da Pátria. Nele, Torga invectiva o europeísmo do Tratado de Maastricht, que “há-de ser uma nódoa indelével na memória da Europa”, o “pragmatismo político” que “teima na monótona concepção da uniformização do mundo” e “a visita fúnebre de dois administradores do banco”, “senhorio do consultório” onde trabalhou quase até ao fim. E, em 30 de Setembro de 1991, também escreveu isto, para que não ficassem dúvidas: “Desmereceu hoje, como voz da nação, o aval que lhe dei ontem para o ser. Quer esquartejá-la, e pedia-me que o ajudasse na peregrina cruzada. Confunde a descentralização, o regresso ao nosso municipalismo administrativo tradicional, o povo realmente soberano, a governar-se em vez de ser governado, com a regionalização que advoga”. No seu testamento espiritual, com a dignidade trágica que só a ciência da morte próxima chega a conferir, o poeta aproximou-se sobremaneira da filosofia derrotada e, com semelhante gesto, de todos aqueles que nem sempre soube, pôde ou quis compreender. Mais vale tarde do que nunca.

As boas almas, essas, continuam a tomar partido por Afonso Costa, mesmo que este tenha esmurrado, numa rua da baixa portuense, o indefeso e doente Sampaio Bruno, com aquela cobardia desenganadora que dá a medida inteira de um homem. Persistem também as boas almas em ler pela cartilha de António Sérgio, que polemizou com Teixeira de Pascoaes o destino português. Néscia e irresponsável, a velha esquerda republicana, socialista e laica ainda não enxergou que, com o seu ateísmo materialista e o seu positivismo cosmopolita, andou um ror de décadas a alimentar os monstros ferozes que, vindos da cave, lhe invadem a casa presentemente. Agora é tarde.

Talvez por isso, as boas almas mostram-se hoje melindradas com a ausência de membros do Governo nas comemorações oficiais do centenário do escritor. Elas lá saberão. Pela minha parte, estou em crer que a gerência da sociedade anónima em que vivemos teve, por uma vez, um gesto decente, mantendo impoluta a memória do poeta e do patriota, que menospreza, despreza ou ignora. Só as boas almas persistem, beatificamente, na sua ficção dramática. Se porventura despertarem do pesadelo, resta-lhes sair para a rua e bater com a porta, que os monstros, esses, não cabem na ombreira.

A ponte

Regressei ontem por Badajoz, inevitavelmente. Atravessei a fronteira do Caia, passando pela ponte José Saramago. E dei comigo a pensar que o novo Miguel de Vasconcelos fez por merecer a placa.

Pequenez

No futebol, como em tantas coisas da vida, a grandeza, a nobreza ou a verdadeira classe são recortes de um estatuto terrivelmente difícil de alcançar.

Ontem o Porto perdeu como podia ter ganho, não houve superioridade do Sporting, houve apenas (e bastou) um golo, um grande golo que fez a diferença.
O trivial trivela fez duas ou três tentativas desastradas enquanto que Izmailov foi perfeito na execução.

Agora é confrangedor ver Jesualdo Ferreira a queixar-se de que o árbitro não viu a mão de Tonel.
É patético. Eu acredito que houve mão, mas essa mão não impediu a bola de entrar, não cortou qualquer passe, foi perfeitamente inócua, não roubou um golo ao Porto.

A pequenez de Jesualdo impede-o de reconhecer que o Porto não ganhou porque foi incapaz de marcar.
E, se o árbitro tivesse assinalado a grande penalidade, nada garante que esta teria sido concretizada ou que o Sporting não marcasse outro golo.
E nunca teria sido um golo conquistado com mérito como foi o do Sporting.

Grandeza é admitir que as coisas não correram bem, felicitar o adversário e seguir o seu caminho.
Mas talvez Jesualdo ainda não tenha afastado por completo o espectro da condição de adjunto...

Novo ídolo?

Saiu tudo furado ao Porto.
Vinha todo inchado, com o peito carregado de medalhas de latão de dois torneios de vão-de-escada enquanto o Sporting perdera com o Benfica nas margens do Guadiana.

Jesualdo já adquiriu a pose senatorial ou catedrática, como se cada jogo fosse mera formalidade e o ar de enfado lhe ficasse bem.

O meigo Bruno Alves prometia que o Porto fará-o, mas afinal nem fará-o nem farou-o.
Furou-o sim o Izmailov, com aquele petardo do meio da estepe.

Os dragões (Helton incluído) denotaram intranquilidade e infraqualidade.
Pepe faz muita falta enquanto os caceteiros Emanuel e Bruno fazem muitas faltas...

O Sporting não foi muito melhor e só destaco o regresso de Derlei que jogou à antiga, a dar luta, a rasgar, a criar espaços. Bom jogo.

Depois, há aquele relâmpago do russo, um momento de antologia, mas com a bola a fazer um arco que só a sua insustentável leveza explica.

O jovem russo (é russo, não é?) pode tornar-se uma referência do Sporting e não me custa imaginar as fãs com grandes cartazes "Izmailov is my love"...

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

SaraMaga

Aqui na Gran Vía, de onde vos escrevo num teclado sem tis (terao os madrilenos estagiado na Acontece?), registo, comovido, a declaraçao saudosa da Maga no comentário que fez à minha entrada de terça-feira passada sobre os seus camaradas chineses. Ela tem toda a razao. Os espanhóis têm muito a aprender com Sesimbra. Entao nao é que no Prado - estive lá há coisa de duas horas - nao agendaram para este Verao um único concerto? Nem Rock, nem Jazz, nem clássica, nem sequer uma zarzuela. Deviam pôr os olhos no que a Dra. Felícia fez com a Capela. E é como a Maga sugere. O melhor que a Espanha tem a fazer é integrar-se no concelho de Sesimbra. Olé!

Uma vez sem exemplo

A chefia da Redacção do prestigiado e insuspeito jornal diário "Vinte e tal Horas" cumpre o doloroso dever de participar a todos os seus fiéis e devotos leitores que, hoje, excepcionalmente, e por razões totalmente alheias à sua vontade, não é possível dar a conhecer qualquer nova namorada do musculoso futebolista Cristiano Ronaldo.

Mais lamentam comunicar que, apesar das buscas incessantes e entusiásticas, não conseguiram apurar se a mana do musculoso gravou um disco, abriu uma loja ou arranjou novo bóifrente.

E que, não obstante todos os apelos lançados, não tiveram até agora conhecimento da existência de um qualquer parente (mesmo afastado) do malabarista que sofra de cólicas ou artrite nas unhas dos polegares.

Em conclusão, melhores dias virão, porque o Cristiano é notícia todo o ano...

Três aBES de arrivação

Um amigo muito atento e interveniente neste jogo de cabra (ou magra)-cega que é o blogue, acaba de me enviar um saboroso e-mail a que anexou uma fotografia.

O cenário sugere o Alentejo, não sei, e vê-se uma agência do BES situada no que tem todo o ar de ser uma capela a que não falta o campanário e o respectivo sino.
No topo, imperial, um ninho e três cegonhas.

A minha fibra herética não me leva ao extremo indesculpável de falar de trindade, mas não posso deixar de exprimir a minha incredulidade perante as cegonhas, habituado que estou a ver o Espírito Santo representado por uma pomba.

Mas como parece que todos os pombos escolheram fazer férias na Praça do Império (conforme observei in loco ontem), à falta de melhor, uma cegonha pode fazer uma perninha, alta, pernalta, venha ela...

Frases feitas

O homem deu um salto qualitativo, nadou até à margem de progressão, abriu uma janela de oportunidade, entrou (com pompa) num concurso de circunstâncias, lançou no pano verde o dado adquirido, correu atrás do prejuízo e, por fim, achou que mais valia não pensar em valor acrescentado. Desde logo...

O tiro pela culatra

A ideia não é nova, já o compadre Valentim tinha vindo com o desejo de um julgamento na televisão. Ninguém lhe ligou.
Agora a SIC abriu as portas a Pinto da Costa, concedendo-lhe a palavra durante mais de uma hora.

À primeira vista, parece um gesto não só de amizade como de cumplicidade, ao fornecer a um arguido famoso a possibilidade de se defender e de se explicar perante milhões de espectadores.

Não sei se houve maquiavelismo, mas a gentileza acabou por se transformar num presente envenenado, uma vez que o velho dragão nunca foi capaz de vomitar as chamas do sarcasmo, da arrogância e da provocação que o caracterizavam.

Ele bem tentou atingir Vieira, Carolina, Saldanha, Morgado, defender o outro Pinto, mas foi tudo tão fraquinho, tão patético, magras espadeiradas nas águas de um Rio que nunca lhe ligou importância.

Nem do seu inimigo de estimação (Scolari) foi capaz de dizer o que pensa, ficando-se por um elogio postiço (inteligente) a que faltou a ironia de outrora.

O Bimbo da Costa, do Contra-Informação, é mais credível que este...

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

BEStial

O BES é aquele banco que faz publicidade com o burro, o Zé Pedro e a dona Euribor, afiançando que não mexe ou nos apêndices do bicho ou na taxa de juro, já não sei bem.

Ora, o inefável BES acaba de recusar a concessão de um crédito, precisamente à habitação, porque os pretendentes são homossexuais.

São pruridos estranhos, por várias razões, e porque negócio é negócio, o essencial deveria ser a garantia de o casal ter ou não meios para honrar os seus compromissos para com o banco.
É esta uma péssima publicidade para quem faz tantos anúncios.

Perante isto, só podemos deduzir que o burro, afinal, não é o que aparece ao lado do Zé Pedro.
A menos que haja pressões retrógradas da Igreja sobre um banco que não esconde ser Espírito Santo...

Em directo, mas pouco live

Tudo o que é de mais enjoa e este caso do desaparecimento da menina inglesa já provoca náuseas, pelo comportamento dos pais e dos vampiros das televisões, inglesas e portuguesas.

A Aldeia da Luz, o Ocean Club, tudo aquilo mais parece um cenário de um filme lamentável em que o casal Mac Cann desempenha os principais papéis, ao mesmo tempo que realiza a fita.
Só lhes falta as cadeiras típicas dos mestre do cinema...

No meio de assessores de imprensa que programam entrevistas, de cães que farejam, de jornalistas de língua de fora à procura de declarações, quase esquecemos que uma criança foi (muito provavelmente) morta.

Os três telejornais das 20 horas disputam o troféu da notícia de última hora, da imagem de choque, todos ao mesmo tempo a tratar o assunto de forma exasperante.

A repórter da SIC queixava-se de não terem tido direito à entrevista que os Mc Cann deram a canais ingleses. A SIC considera-se ofendida, discriminada, coitada.

Isto é simplesmente vergonhoso porque as televisões não estão ali para ajudar mas apenas para encher horas de programação à borla, para satisfazer a curiosidade mórbida dos espectadores, numa atitude indecente e hipócrita.

Mas, se as televisões são culpadas, maior responsabilidade têm os pais da menina, pela estranha frieza com que orquestram esta interminável campanha mediática.

E talvez porque isto se arrasta para além do aceitável, a repórter da SIC, Maria João Ruela, disse, há minutos, que vai fazer cem anos que Madeleine desapareceu.
Cem anos que poderiam ser de solidão e de dor, mas que estão a ser de transmissão, em directo, live, de um ALLgarve que está a abarrotar de turistas.

Vale tudo e tudo serve em nome de uma pretensa informação e de um suposto serviço público...

Agosto em Belém

Belém, hora de almoço.
As esplanadas estão cheias, o vasto jardim tem cada sombra aproveitada por pequenos grupos de pessoas de todas as idades, piqueniques ordeiros, o Tejo corre lento para o mar.

Muitos estrangeiros e alguns portugueses estrangeirados ocupam o imenso triângulo cujos vértices são o Centro Cultural, os Jerónimos e a casa dos pastéis de nata com bicha no passeio.

Um senhor de certa idade distribui migalhas de pão aos pombos que se debatem por algo que parece ser uma batata frita do Mac Donald's, seca e inquebrável.
Os pombos bem a debicam, mas em vão. Um pardal ronda e, ligeiro, na primeira aberta, abala com a batata no bico.

Não lhe gabo a sorte. Nem eu nem o senhor idoso que goza a sombra e continua a dar de comer às antipáticas aves que agitam vertiginosamente as cabeça, num movimento ameaçador que faz (remotamente) lembrar os acenos dos crentes diante do Muro das Lamentações, não longe de outra Belém...

Três casais atravessam o jardim.
À frente, os homens, jovens, inegavelmente portugueses, falando a nossa língua com um ligeiro acento estranho e vestindo t-shirts berrantes; as mulheres seguem em segunda fila, disciplinadas, um tanto alheias, difícil sendo adivinhar quantas seriam portuguesas; na terceira coluna, lá atrás, os filhos, rapazes e raparigas, todos falando francês.

Estamos em Agosto, é tempo de férias...


No topo da iliteracia

Eu não ando à caça, garanto, apenas me saltam os olhos para estas coisas.
Há pouco, na avenida Infante Santo, vi um cartaz publicitário do jornal "24 Horas" que rezava assim:

Ganhe um carro de luxo,
para a sua família
topo de gama.

A pergunta que deixo é tímida e ingénua: o que será uma família topo de gama?

Por estas e por outras, só posso ter saudades do tempo em que os publicitários eram pessoas que tinham feito a 4ª classe e sabiam Português.

Tempo em que Ary dos Santos concebeu "Minha lã, meu amor"...

Pavarotti

Luciano Pavarotti foi internado ontem à tarde numa clínica de Módena, com um princípio de pneumonia.

Não sou grande conhecedor de ópera, apenas gosto de alguns trecho e de algumas vozes.
E Pavarotti é uma delas, embora prefira ouvi-lo nas canções napolitanas.

Há um bom par de anos
, fui assistir a um concerto de Luciano Pavarotti.
Eu e mais 14999 pessoas.

O primeiro trecho foi de ópera. Com o lenço branco na mão, o nosso imponente Luciano cantou e, no final, saiu do palco.
Logo a orquestra atacou com outra ária clássica, após o que Pavarotti regressou para mais um pedaço de ópera.

E assim iam as coisa, o homem cantava, a orquestra retomava, e a música a tocar.
Eu confesso que já começava a achar pouca graça à coisa. E, como se verá, não era o único.

A certa altura, no silêncio feito entre duas actuações, no meio de 15000 pessoas, na penumbra da assistência, ouviu-se um berro retumbante, atrevido, mas cheio de uma razão que lhe vinha do fundo da alma:
-" Nós viemos aqui foi para ouvir as canções napolitanas".

E, imediatamente, como se houvesse entendimento prévio, o gigantesco recinto ia vindo abaixo com os aplausos, a euforia e o alívio de toda uma multidão a que aquele homem sem rosto, soube dar voz.

E, como diria o bom João Vilaret (encostado ao piano do irmão), Luciano Pavarotti não teve outro remédio a não ser voltar, de lenço branco na mão, para nosso deslumbramento e nossa felicidade.

E a noite prosseguiu, uma noite napolitana. Coisas assim só nos acontecem uma vez na vida.

Mais parecia Natal, mas foi, por acaso, no dia dos meus anos...

A meta e o percurso

A presente troca de argumentos acerca da expressão "dinheiro vivo" ilustra na perfeição aquilo que, para mim, é a vocação deste blogue, ou seja, trazer à colação assuntos variados, deitar sobre eles um outro olhar, fazer uma leitura diferente e (se possível) original, suscitar temas de debate, para opinião aberta, mas nunca para chegar forçosamente a um resultado, a uma conclusão, a uma sentença.

O nosso intuito não é determinar nem decidir quem tem razão, quem fez mal ou quem é culpado.

Ao fazer o paralelo entre as atitudes de Carlos Cruz, Pinto da Costa e Kate Mc Cann, a ideia não é sugerir pistas de inocência ou de culpa.

O que fiz foi apenas um exercício de reflexão, uma análise que me pareceu curiosa e capaz de despertar reacções.
Foi olhar para três casos diferentes e colocá-los sob uma luz diversa, recordando gestos que podem dar lugar a interpretações várias.

O mesmo sucedeu com o dinheiro vivo. Para mim é apenas uma nota algo insólita e um pretexto para polémica benigna.

Porque, repito, não é o resultado final, a sentença sem apelo que buscamos para afirmar uma qualquer autoridade moral, filosófica ou legal, pretensão que seria despropositada e ridícula.

Não é a meta que nos interessa, não é chegar que queremos.
O que nos delicia é o percurso, o caminho a percorrer, as curvas dos argumentos, as nuvens das incertezas, as indefinições das distâncias, o prazer diletante de viajar.

Esse, sim, é um prazer vivo...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Ridículo

Há muitos anos, os ciclistas portugueses eram (muitos deles) homens rudes que se exprimiam numa linguagem pouco académica.
Por isso, o jornal satírico "Os Ridículos" sugeria que os ciclistas pudessem ser mostrados na televisão, mas que não os deixassem falar.

Lembrei-me desta rábula ao ouvir, há momentos, o jogador Bruno Alves botar discurso na televisão.
A certa altura, o ciclista, perdão, o futebolista disse algo parecido com "o Porto fará-o".

Para quem não estiver recordado, este Bruno Alves é o mesmo que, não há muito tempo, agrediu à cabeçada o benfiquista Nuno Gomes, sem bola, com o jogo parado.
O castigo foi vergonhosamente leve, dois jogos de suspensão.

Agora, com a saída de Pepe, o violento jogador está a ser promovido e até já o deixam dizer coisas aos microfones.
Indivíduos como este deveriam ser severa e exemplarmente punidos sempre que têm atitudes de arruaceiros.
É inadmissível que se agrida alguém à cabeçada. É porco, é reles.
Mais reles é quem determina que dois jogos constituam castigo suficiente para tão nojenta acção.

Não sei se o senhor Bruno Alves queria dizer faraó. De certeza que fá-lo-á não foi. Isso é linguagem improvável em quem só usa a cabeça para dar na bola e nos adversários.

Um medida cautelar (sem providência) seria manterem um olho atento às entradas do homem.

Uma medida profiláctica seria deixá-lo longe dos microfones. Podem mostrá-lo, não o deixem é falar.

Acredito que o Porto fará-o. Para ridículo já basta...

Greves inofensivas

Na Alemanha, uma greve em grande escala, nos caminhos-de-ferro, estava marcada para amanhã, mas o Tribunal proibiu a sua concretização tendo em conta os gravosos efeitos que teria no transporte de carga e de passageiros.
A greve tinha sido decidida pelos sindicatos de maquinistas.

Entretanto, por cá, a Transtejo e a Soflusa têm nova (mais uma) greve marcada para 23 próximo.
A Comunicação Social fala de negociações mas, até agora, ninguém explicou aos utentes, aos muitos milhares de utentes, as razões invocadas pelas partes, Administração e Sindicatos.

É esta uma forma habitual de (não) fazer jornalismo.
Não se averigua, não se investiga, apenas interessa a rama dos assuntos, o sim ou não sobre a greve. Basta-lhes saber a data, não se dão ao trabalho de analisar e informar.
É o jornalismo que temos, moços de recados, caçadores de frases soltas, coleccionadores de boatos.

Pelos vistos, e ao contrário do que sucede na Alemanha, estas inúmeras greves da Soflusa e da Transtejo não incomodam nem causam prejuízos...


Todas eram minhas filhas

Pinto da Costa acaba de pedir ao Tribunal a junção dos dois processos, ou seja, que o depoimento de Ana fique a par do de Carolina.

Contrariamente ao que alguns insinuam, não é a última tentativa de PC para desacreditar Carolina, mas sim um gesto de invulgar humanidade, tocante bondade e pungente caridade, não tendo o insigne e imortal dirigente outra intenção que não seja reaproximar as irmãs gémeas.

O bondoso senhor Pinto, no fundo, é um sentimental...

Vivo?

O jornal SOL diz-nos que partidos políticos receberam, em 2005, para as suas campanhas eleitorais, dinheiro vivo.

Em verdade, já nada me admira, mas confesso que nunca vi nem tive na mão dinheiro morto. Dinheiro falso, sim, mas vivo só conheço o olho.
Também já estive em carne viva, já ouvi coisas de viva voz e conheci as forças vivas da terra que gostam de se impor à viva força.

E, claro, há ainda a sardinha, viva, vivinha da costa, até.

Agora dinheiro vivo, sinceramente...

Mas talvez eu não esteja a par das inovações que acontecem em tempo real...

O gesto a mais

Perante os inúmeros acontecimentos que chegam ao nosso conhecimento, é natural que algumas pessoas reflictam sobre o que fariam nesta ou naquela circunstância.
Ou o que acham que seria a atitude mais adequada.
E isto porque, por vezes, há reacções que nos surpreendem. Pelo excesso.

1 - Há alguns anos,
um ex-casapiano acusou Carlos Cruz de envolvimento em casos de abusos sexuais.
Imediatamente, o apresentador foi a correr a todos os canais de televisão esbracejar, chorar, clamar a sua inocência.
Há quem pense que uma pessoa de consciência tranquila teria ficado, tranquilamente, em casa, à disposição da justiça, naturalmente mas sem agitar ainda mais as águas.
Por isso, aquelas aparições sucessivas e empoladas na televisão poderão ter sido um gesto escusado.
Dias depois, o tal antigo casapiano deu o dito por não dito e, para surpresa geral, Carlos Cruz recebeu-o em sua casa. Estranho e excessivo, foi o que pareceu.


2 - O dr. Dias da Cunha foi a primeira pessoa a denunciar frontalmente o chamado "sistema" e apontou a dedo os dois rostos da engrenagem, Valentim Loureiro e Pinto da Costa.
A reacção deste último resumiu-se a uma palavra (Provem) que, no entender de muitos, revela ironia, arrogância, provocação e, porventura, uma implícita admissão de culpa.
Poderá ter sido uma atitude excessiva, talvez decorrente da sua convicção de impunidade.
Ao tempo, não sonhava com a existência de Maria José Morgado...

3 - A mãe de Madeleine Mc Cann, desde o início, escolheu aparecer diante da Comunicação Social com um boneco de peluche que pertence (pertencia?) à filha.
O que foi interpretado por uns como um gesto de ternura e uma demonstração de esperança e confiança, acaba por deixar transparecer, à luz de factos recentes, alguma teatralidade suspeita.
Uma mãe não precisa de provar que gosta da sua filha nem de se exibir em demonstrações de um afecto tão natural como inquestionável, em princípio.
Porquê então aquilo que (agora) parece excessivo?

Será que, nestes três casos, houve gestos a mais? E que haverá a inferir?

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Esgoto, um luxo inesperado...

A existência de seis grandes contentores de lixo em frente do Palácio de Belém não é o único sinal de que Portugal está longe de ser um país moderno e civilizado.

Uma Câmara Municipal anuncia hoje, com grande pompa (sem circunstância) e orgulho que arrancaram já as obras de ampliação da rede de abastecimento de água e esgotos domésticos.
Esta empreitada deverá estar concluída daqui por 300 dias e vai beneficiar 1500 fogos.
Mais informa a dita Câmara que se trata de um dos mais simbólicos compromissos do executivo PS.
Não, não é algures no interior do Portugal profundo.

Esta imensa obra da mais moderna tecnologia, expoente grandioso da modernidade que Sócrates está a construir, vai ser realizada em Faro, sim, senhores, em Faro, a capital desse ALLgarve que é o símbolo da excelência, o nec plus ultra do turismo nacional.

É preciso não ter pingo de vergonha para virem, com trombeta e tambor, fazer este anúncio que é, afinal, a confissão e o reconhecimento do atraso lamentável que caracteriza tantas e insuspeitas regiões deste país.

Mesmo Lisboa padece de muitos males, alguns deles bem piores do que o lixo em Belém...

A brincar, a brincar...

Os autores da série "Donas de Casa Desesperadas" estão a tentar convencer David Beckham e Robbie Williams a interpretarem os papéis de um casal de gays.

A escolha deve-se ao facto de ambos serem bonitos, excêntricos e ingleses.

Parece que Beckham preferiria contracenar com Tom Cruise, o problema é que este é baixo.

Vamos todos aguardar, mordidos de inveja e de ansiedade, na esperança de vermos em cena uma vedeta do futebol e outra da canção.

Eu escrevi uma e outra ? Por que terá sido?

Parque de merendas

Ó Escriba, a propósito de Deus, lembrei-me do papa. Sim, do papa, não do Papa porque esse não se mete em futebóis.
Se alguém duvidava que Pinto da Costa já não goza dos privilégios que tinha, a prova aí está.

Imaginem que a TAP, só para chatear o dragão (quase) moribundo, resolveu fazer escala em Lisboa, terra de lampiões e mouros, num voo que devia ter ido direitinho ao Porto.

Pior. Ao que consta, ninguém ligou pevide aos tripeiros que, ironicamente, perderam o norte quando aterraram na Portela +1, sendo esse 1 o furor cego de quem se sente maltratado e ignorado.

No fundo, minhas senhoras e meus senhores, amigos ouvintes, o que sucedeu à comitiva do Porto (proveniente de Roterdão) foi o trivial com bananas em qualquer parte do mundo, desvio de rota por razões técnicas ou outras, tudo banal para quem anda de avião e está sujeito a estas irregularidades.
Em especial, nesta época de verão, com mais voos no ar do que fazia o saudoso Vítor Baía antes de dar os frangos.

A novidade é que os senhores dragões se julgavam acima destas contingências e queriam (exigiam?) um tratamento especial, top dos topes, estão a topar?

E a TAP fez o que lhe compete. Bem ou mal, com mais ou menos punhos de renda, reduziu os senhores do Porto à sua prosaica condição de passageiros. Simples passageiros.

As Rádios e televisões têm levado o dia a falar do assunto.
O porta-voz da TAP é vedeta inglória, entalado entre o comercialmente adequado e o futebolisticamente conveniente, neste rocambolesco episódio que rouba a vedeta aos pais da pequena Madeleine.

Triste país este sobre o qual pesa ainda a fulminante ameaça do FC Porto em não voltar a voar com a TAP. Céus! Venha o Dalai Lama (se o governo chinês autorizar) e modere a disputa.

Razão tinha o dr. Sampaio, há mais vida para lá do lixo amontoados em frente ao Palácio Presidencial.
Isto é mesmo um país de mer...endas, bifanas, coiratos e coirões...

Quem julga Deus que é?

O Governo chinês emitiu um decreto proibindo o Dalai Lama de reencarnar, informa o PÚBLICO de hoje na página 13. E o jornal acrescenta que “o chamado Buda vivo reencarnado é ilegal e inválido sem a aprovação governamental”, de acordo com o texto, assinado pela Administração para os Assuntos Religiosos.

Já sabíamos que a China é um país onde dá gosto viver. Tirante as execuções em barda, as condições laborais quase esclavagistas e a mordaça permanente, a China é o exemplo acabado das delícias do comunismo. Mas quem pudesse ainda duvidar da generosidade do regime vermelho de Beijing (eles não gostam que se diga Pequim, e são muitos) tem, aqui e agora, a prova dos nove: os prosélitos do camarada Mao, ao contrário de tanto esquerdista que para aí anda, não decretaram a morte de Deus no plano filosófico. Limitam-se a resolver a coisa juridicamente, com uma espécie de prisão domiciliária. Se Buda julga que pode reencarnar, está muito enganado. A reencarnação fica ferida de invalidade. A Buda restará, então, o recurso aos tribunais administrativos chineses, que dão, por certo, as melhores garantias.

Se a moda por cá pegasse e Jerónimo chegasse ao poder, teríamos, provavelmente – quem sabe? – um decreto-lei a revogar retroactivamente a divindade de Jesus, declarando nula, e de nenhum efeito, a ressurreição. O lado bom da coisa era uma associação que eu cá sei passar à história. E daí talvez não. Bastava mudarem o objecto social. E lá capazes disso eram eles.


P. S. – Não fico à espera sentado. Vou ali ao lado e já volto. O Carteiro assegura o giro. Com ele, continuarão a chegar as cartas. E ele chega para as encomendas. Boas férias! Até já.

Love U, Tony

Ao deitar um olho às edições digitais dos jornais, apanhei um tremendo susto quando li que Tony Carreira vai interromper os seus espectáculos por oito meses.

Com o coração aos pulos, precipitei-me sobre o desenvolvimento da notícia, angustiado perante a hipótese de o nosso Tony ter cancelado a sua performance em Sesimbra.

Mas não. Os deuses todos do Olimpo sejam louvados, o cantor romântico só vai parar depois de actuar na Arruda dos Vinhos, em Setembro.
Alegrem-se, pois, os céus e nossa terra que vai receber o Tony no próximo dia 18, conforme anunciado por mil cartazes que ornamentam a estrada de Cacilhas há mais meses do que o mega-painel da festa do Avante.

Aliás, há por aí uns senhores que criticam a rapaziada do PC por causa desse simples autedór e nunca disseram nada do Tony Carreira que abusa da estrada há uma eternidade. Fica dito.

Pois bem, o nosso Tony vai actuar no estádio da Vila Amália, circunstância que certamente permitirá o regresso à actividade do célebre terceiro anel que é a eira do Valada.

Como aquilo é mais para ouvir do que para ver (apesar do palminho de cara do Tony), aquela encosta vai encher que é uma beleza.
Por mim, conto lá estar, com um isqueiro na mão e os braços a ondular, naquele amplo e meigo trejeito que aprendi com a Ágata, aperfeiçoei com o Toy, refinei com a Ana Malhoa e apurei com a Ruth Marlene.

E em Setembro, não faltarei ao adeus do Tony, na Arruda dos Vinhos.

Eu vou, seja lá como for, a pé, de bicicleta, de moto, já que não posso ir no carro de Carreira...

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Azar o meu!

Não julgue o Carteiro que, pela parte que me toca, é tudo um mar de rosas. (Que raio de expressão esta! Que irão eles pensar?).
Não julgue o Carteiro que a profissão de Escriba não tem espinhas. Tem, sim senhor, a ponto de se poder falar, sem rebuço, em ossos do ofício, quais sejam o sacro, como ponto de aplicação, e o fémur, a tíbia e o peróneo, palavras cruzadas na imagem que as pessoas, desde tempos remotos e ancestrais, desde o Egipto hieroglífico dos faraós, se habituaram a formar da minha excelsa personagem.
Fiquei mal na fotografia, bem sei, é uma ideia feita, uma imagem acabada, não há volta a dar-lhe. E, de cada vez que faço um pedido, que peço um favor, que rogo uma mercê, a resposta, costumada, vem logo a seguir, sempre pronta e na ponta da língua: “Bem podes esperar sentado, ó Escriba!”. E posso.

Azar

Esta profissão de Carteiro acaba por me causar certos traumatismos e condicionar alguns reflexos.

Por exemplo, há anos que não como peixe às postas quando há vários comensais, porque me pregam sempre a partida, cada um abarbata a sua e a mim calha sempre a última, a posta restante...

Processo verbal

Estas anedotas sobre a língua portuguesa são apenas interlúdios como a velha RTP punha no ar enquanto o programa não seguia dali por momentos.
Não passam disso, de mero entretenimento, pelo menos para mim, e não lhes resisto.

Ontem ouvi, na televisão, uma jovem técnica (psicóloga ou algo parecido) botar faladura acerca de alguém que, a certa altura, terá dito qualquer coisa, já não sei o quê.
Porém, a nossa psicóloga usou uma forma muito mais fina e profunda. Segundo ela, o tal alguém não disse, verbalizou. Uma banalidade, mas verbalizou!

É engraçado como estas pessoas armam ao pingarelho utilizando palavras difíceis.
Como os GNR que descrevem um acidente em termos que nenhum de nós usaria, rigorosos e estranhos, tirados do livro dos relatórios de serviço.

Ou então como aquela jornalista que, há dias, dizia, tranquilamente, que o cachalote chegou à praia já cadáver.

E pespegou-nos por várias vezes com o cadáver do cachalote que, entretanto, rebolava na areia, indiferente à eloquência da jornalista.

Eu, cá por mim, se não virdes inconveniente de maior, verbalizo a opinião de que, dentro de pouco tempo, a nossa língua vai chegar às escolas já cadáver.

E em avançado estado de decomposição, se ninguém correr atrás do prejuízo...

Deus nos livre

A notícia : Quatro quadros (entre os quais um Monet) foram roubados de um museu de Nice, em francês "musée niçois".

A garantia : Apesar do fraquinho que o Escriba tem por pintura, garanto que não fomos nós.

A moral da história : Hon niçois qui mal y pense...

Contas são contas

A imprensa diz que a Ponte 25 de Abril faz hoje 41 anos.

Não sendo minha intenção suscitar a menor polémica, nem por isso deixo de observar que a Ponte 25 de Abril faz hoje 33 e não 41 anos.

Os outros oito aninhos pertencem para todo o sempre à Ponte Salazar.

Assim é que está certo. Ou não?

Bola parada

O jogo de ontem entre Benfica e Sporting foi muito mauzinho, em tudo e, em particular, na violência, nas picardias, na incorrecção.

O árbitro teve erros grosseiros fechando os olhos a faltas flagrantes. Começa mal o apito...

O resultado acabou por ser feito através de um lance de bola parada, aquilo a que o futebol está reduzido, livres, cantos, lances para o barulho, para a lotaria.

Saiu a taluda ao Benfica,e resta a Paulo Bento explicar (e exigir) aos seus jogadores que não cometam faltas desnecessárias que podem custar caro, com sucedeu ontem.

O problema é que todos eles, estão viciados na falta. Em vez de emendarem erros de posição, de domínio de bola ou de movimentação, recorrem à falta, rasteira, puxão, empurrão, uma vergonha.
Petit já mostrou que está em forma, pelo menos a distribuir "lenha".

Triste espectáculo, apenas uma boa nota para o novo guardião sportinguista...

Ou há (Ti) moralidade ou ...

Dantes era Coimbra, mas agora Timor é que é uma lição, um tratado, um modelo original de democracia.

Como se sabe, a Fretilin venceu as eleições legislativas, embora sem maioria absoluta.

Porém, num golpe de asa (delta), o nóvel (e Nobel) presidente Ramos-Horta ignora a Fretilin e convida o ex-presidente Xanana Gusmão para formar um Governo saído de uma Aliança de última hora. Bem visto!

É assim a modos como o Benfica ganhar ao Porto por 1-0 e a Liga decidir atribuir a vitória aos "dragões" por a margem ser escassa e os do norte terem chutado mais vezes à baliza.

Já agora, só falta o Xanana convidar o Represas para ministro da Cultura...

domingo, 5 de agosto de 2007

Ai quando a Tia souber!

É voz corrente na vila e no campo, e não sei se a novidade já não terá chegado à Quinta! A Dr.ª Felícia entrou em ruptura com o actual programador do Cine-Teatro João Mota e entregou-lhe uma guia de marcha que se vence até ao final do ano. Segundo consta, isto até terá sido um alívio para Carlos Dionísio, que, quatro meses depois da nova sala ter aberto as suas portas, já não estava pelos ajustes com as constantes oscilações de vontade da vereadora da Cultura, e tê-lo-á feito saber, alto e bom som. Tudo isto me traz à memória o caso recentíssimo da Dr.ª Dalila que dirigia o Museu de Arte Antiga. Terá havido sanção da Dr.ª Felícia? Então o homem não é competente? Com que critérios o escolheram? Consta que é um profissional com créditos firmados, oriundo do Teatro Nacional de São Carlos via Seixal…

Claro que tudo isto é de lamentar e revela bem o ponto miserável e sem retorno a que chegámos. E aqui, de duas, uma. Se o mal da coisa são os alegados caprichos humorais da Dr.ª Felícia, então fica tudo dito quanto à política cultural que (não) temos e à sua principal fautora. Se, pelo contrário, foi apenas um erro na escolha da pessoa responsável pelo Cine-Teatro, será caso para a senhora limpar as mãos à parede. Para se poder definir, e aplicar, uma política cultural coerente e eficaz não basta ter à disposição um saco cheio de notas gordas, prontas a esbanjar na primeira ocasião, em programas faustosos. É sobretudo necessário ter bom senso, bom gosto, um pouquinho de savoir faire e outro tanto de know-how, tudo aquilo que manifestamente falta a esta gente.

Vazio

Dizem os jornais que o Benfica anda à procura de substituto para José Veiga e que as atenções se viram para o estrangeiro. É estranho.
Quando toda a gente considera importante reacender e fortalecer a mística das águias, surpreende esta admissão de vazio no âmbito nacional.

É evidente que Chalana pouco mais pode ser do que uma imagem para colocar na parede, ninguém percebendo que tipo de valia ele pode trazer como adjunto.

Rui Águas voltou, para ser elo de ligação entre os jogadores e a Direcção, papel vago e ingrato.

E há nomes que, pelos vistos, já não suscitam consideração.
Toni já foi treinador e director-desportivo. Foi.

Simões foi chefe do departamento de futebol. Saiu. Foi.

Humberto Coelho anda há muitos anos a tentar ser treinador, director-desportivo, candidato a candidato a presidente, qualquer coisa, tudo. Nada.

Quem são hoje as referências do Benfica?

IMPACIENTE

Esta coisa da blogosfera é fascinante, espécie de cabra-cega aliciante, o gato e o rato (do teclado) em sortidas deliciosas.
E quando menos se espera, a surpresa assalta-nos à boca da noite...

Tínhamos combinado ir jantar com um casal amigo quando recebemos a contra-fé para mudança de rumo e de companhia. Resumindo: alguém fazia anos e eis-nos, do pé para a mão, a festejar o aniversário de um amigo de amigos que nosso amigo passou a ser.

Foi uma noite extremamente bem passada, num ambiente informal, caloroso, familiar, mesmo.
O dono da casa, o aniversariante, foi amável, encantador e...falador.

O "Esporão" talvez tenha contribuído para soltar as línguas e diluir algumas vagas inibições, é verdade.
Às tantas alguém falou de blogues e o nosso anfitrião mostrou-se entusiasmado, revelando que, todos os dias, dá umas voltas e deposita comentários aqui e ali, tendo destacado a alta qualidade (é dele o juízo) do Magra Carta.

Eu fiquei no meu canto, discretamente, e não me dei a conhecer como Carteiro.
Deixei que o filme se desenrolasse até perceber que o homem é, nem mais nem menos que o Impaciente, porventura o nosso mais assíduo interlocutor.

As coisas ficaram por aqui, após o que o amigo comum nos explicou quem é o "Impaciente".
Eu não sou homem de entrega fácil, mas, depois do que me contaram e do que pude verificar, resta-me revelar a honra que é ter um tal parceiro a intervir neste blogue.

É raro encontrarmos alguém desta dimensão, de quem apetece ser amigo, com quem é bom estar, para ouvir as suas experiências de vida, para escutar os poemas que escreve e traz dentro de si, para comungar do silêncio quando Vilaret nos subjuga com a "Toada de Portalegre", para mergulhar na nostalgia de Léo Férré naquele pungente "Avec le Temps".

Além disso, o homem tem mãos mágicas, herdou do pai a arte de carpinteirar, pintar, consertar, afinar, riscar, desenhar, um deslumbramento que me entontece, por tão inapto me sentir ao pé dele. Não há máquina que desconheça, construção que o assuste, tudo faz, tudo sabe, como se fosse fácil.
Tem ainda a fortuna de ter uma mulher admirável, sensível, dotada artisticamente, um encanto.

Saímos maravilhados por uma tal descoberta numa bela noite de Verão.
Não sabemos se nem quando nos voltaremos a ver.
Deus queira que sim e que seja em breve. Talvez então lhe revele quem é o Carteiro.

Agora, o Impaciente sou eu...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Fase terminal

Ainda ontem escrevi acerca da inutilidade de tanta publicidade e eis que volto ao assunto.

É do conhecimento geral que o Aeroporto da Portela tem agora um segundo terminal. Muito bem.
Há minutos vi, na traseira de um autocarro da Carris, dizeres publicitários sobre o Terminal 2.

Na primeira linha diz-se algo parecido com isto:
Se é para Portugal saiba que há um novo terminal.
Ou seja, trata-se de uma informação dirigida a quem vem para Portugal, e foi colocada num autocarro da Carris.

Não me recordo já, mas creio que há outra frase engraçada. Ao certo, sei que terminam dizendo que o Aeroporto de Lisboa está mais aeroporto.

O que será aeroporto mais aeroporto? Mais branco que branco?

Como é possível gastar-se assim dinheiro em campanhas inúteis, estúpidas e mal dirigidas?

O lixo em Belém

O grau de desenvolvimento e de civilização de um país não se mede através de estatísticas habilidosas, estudos encomendados ou campanhas de marketing feitas à medida da ilusão a criar.

Os portugueses que estão a presidir à União Europeia são os mesmos de sempre, cospem para o chão e deixam o lixo para quem vem a seguir.

Estive há minutos em Belém, na Praça Afonso de Albuquerque, em frente ao Palácio da Presidência da República.
Ali ao lado, há vários restaurantes com esplanadas e todos eles despejam o lixo em seis contentores que se encontram diante de um ecoponto.

Não é na Cova da Moura nem na Pedreira dos Húngaros, é ali, à porta do Palácio de Belém que se encontra e
sta imensa imundice a céu aberto.

Não é de hoje nem de ontem. Pergunta-se: como é isto possível?

Em circunstâncias como esta, só podemos ter vergonha de ser portugueses.

Hipocrisia caviar

Como se sabe, a Líbia, após contactos e acções diplomáticas levados a cabo pelo Governo francês, libertou as enfermeiras búlgaras que haviam sido condenadas à morte.
Agora, é público que a França vai assinar com Kadafi dois contratos de vulto que envolvem armamento.

Indignado e ofendido, o puritano Partido Socialista francês arrepanha os cabelos, rasga as vestes imaculadas e pede explicações, apontando o dedo indicador, tremente e ameaçador a Sarkosy.

Ingénuos e bem intencionados, os herdeiros do impoluto Mitterrand, coitadinhos, ignoravam que, na grande cena política internacional, ninguém dá ponto sem nó.
E desconheciam que não há almoços grátis nem libertações filantrópicas.

Felizmente que os nossos socialistas, à portuguesa, nunca fariam tristes figuras assim. Jamé!

Ventos

No mês de Julho, publicámos 125 entradas, o que dá uma média de 4 por dia.
Nestes três dias de Agosto, a média diária já é superior a cinco.

Feitas estas verificações, gostaríamos de precisar que nunca tivemos a preocupação da produção em massa. Calha assim, o que se passa à nossa volta inspira-nos e os textos surgem com a naturalidade das coisas que são feitas com prazer, às vezes, com puro gozo.

Naturalmente, agrada-nos que algumas pessoas manifestem o seu apreço pelo que escrevemos, mas a grande verdade é que este exercício é profundamente egoísta, embora não seja um prazer solitário.
Pelo contrário, pressupõe ecos e cumplicidades, códigos e ligações, sintonias e entendimentos, a certeza necessária de que não estamos sozinhos na rede.

É evidente que esta produtividade é excessiva e só poderá descer, sem o que, qualquer dia, lançam sobre esta pobre e Magra Carta uma OPA hostil.

Entretanto, como não somos ingratos, temos de agradecer a todos quantos, involuntariamente, nos ajudam, com as suas bizarrias e dislates, a manter a faca afiada e o cacete a jeito, instrumentos virtuais que, para maior segurança, envolvemos em paninhos de ironia e fronhas de desprendimento.

Não corremos atrás de lucros, tachos, benesses nem mordomias, só corremos por gosto.

Com grande pena de muitos, somos livres como os ventos. Corremos bem só os dois.
E não queremos correr com ninguém...


A farsa

Hoje, na Suiça, volta a aldrabice a que chamam sorteios. É a hipocrisia do futebol em todo o seu esplendor sem que alguém conteste.

Na arbitragem, anda-se há anos a discutir se devem os senhores do apito ser escolhidos ou sorteados. Como se fosse essa a questão!
A verdadeira e única questão é saber se temos árbitros honestos e competentes.
Porque se forem corruptos tanto faz serem sorteados como escolhidos a dedo, já se sabe quem ganha.

Hoje, Benfica e União de Leiria são cabeças-de-série, estatuto confortável que lhes garante, à partida, evitar os adversários mais fortes.

Há muito que estes "sorteios" mais não são do que arranjinhos, percursos programados, esquemas onde há tudo menos sorte, acaso, jogo, em suma.

Rufem os tambores, a farsa está de volta...


Manoel, sempre

Ontem vi algumas imagens de filmes portugueses bem velhinhos, entre os quais o célebre "Aniki Bóbó", realizado por Manuel de Oliveira.
Sim, leram bem, Manuel, com u, simploriamente Manuel.

Como se adivinha, levei a noite às voltas na cama, em parte por causa do calor, mas também à procura da explicação para a metamorfose daquele u que, fechando o círculo se tornou num o rechonchudo e pretensamente aristocrático.

Claro, pensei nos Currêas, nos Mellos, nas Annas, nos Sampayos e tantos outros que fizeram plásticas aos apelidos, cortando aqui, esticando ali, em busca de uma qualquer amostra de nobreza ou distinção.

É curioso que o vulgar Correia tenha dado, em certos casos mais finos, Currêa, ou seja, o o a passar a u.

No caso do grande realizador, foi o contrário, o u a dar em o, talvez como consequência directa e óbvia de quem passa da curta para a longa metragem.

Ou talvez seja apenas uma questão de presonçãu du raiu du velhu...

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Plantaforma de entendimento

Não sei ao certo que bicho que lhe mordeu, mas não posso deixar de louvar publicamente o esforço infrene que a Dr.ª Felícia parece começar a desenvolver no sentido de aplacar a verrinosa veia crítica da “Magra Carta”. Já aqui verberámos, eu e o Carteiro, a realização de concertos de jazz e rock no museu da Capela do Espírito Santo. Nós somos assim, gente da velha guarda, irremediáveis botas-de-elástico, não há nada a fazer.
Mas, há minutos, por pouco não me comovi até às lágrimas, ao constatar que o Trio Índigo vai actuar na Capela, já amanhã, pelas 22h00, interpretando um repertório clássico com obras de Mozart, Beethoven, Vivaldi, Bach e Rossini. Estava prestes a deitar o primeiro foguete quando igualmente verifiquei que o alinhamento do recital contempla adaptações de temas dos Queen e dos Beatles para esta formação de violino, viola e violoncelo. Está visto: a síndrome roqueira é avassaladora e não consente melhoras. Fico apenas sem perceber se a Dr.ª Felícia tenta agora estabelecer connosco uma “plantaforma” de entendimento ou se, ao invés, procura usar a táctica do cavalo de Tróia. Pela minha parte, pode tirar o dito cavalo da chuva.

Bizarria infeliz

Não sei se sou eu que vejo o mal onde ele não existe, mas parece-me que o Dr. Sequerra teve mais uma inspiração muito pouco feliz.

No jornal "O Sesimbrense", num apontamento sobre futebol, dá a notícia da atribuição do "Prémio Carlos Santos" ao júnior Filipe Rodrigues que, no cabeçalho, aparece designado por Filipe "Carocho".
Mais explica o senhor doutor que o jovem Filipe é amigavelmente conhecido por "Carocho".

Ó dr. Sequerra, importa-se de repetir? Amigavelmente?
Será que o dr. Sequerra ignora o significado da palavra carocho no universo da juventude?

Mas, mesmo que ignore, é pouco simpático dar destaque a uma alcunha que (independentemente de outro sentido) já por si é pejorativa.
O moço merecia mais carinho, sobretudo depois de se ter distinguido.

É que, dr. Sequerra, há alcunhas e alcunhas. Fragata, por exemplo, é alcunha, mas não possui qualquer conotação negativa. Percebe a diferença?
O jovem chama-se Filipe Rodrigues. Rodrigues, dr. Sequerra.

Por desconhecimento, quero acreditar, perdeu uma boa oportunidade de valorizar um jovem atleta. Mas ainda está a tempo de emendar a mão quando
o apresentar melhor na próxima edição do jornal.
Isto, claro, se alguém o alertar para o lapso...

Um aniversário e pêra

Eu sei que não foi por mal, mas alguém pregou uma partida à senhora Directora do jornal "O Sesimbrense". E logo em tempo de celebração de mais um aniversário, o 81º.

Quem olhar para a primeira página do número 1097, de 30 de Julho, depara com uma fotografia de umas pessoas sentadas à mesa, com ar divertido e uma enfiada de copos na frente.

Por baixo (que é o lugar das legendas) surge a frase "Greve de fome à porta da Câmara".
Desconcertado, perguntava a mim mesmo o que levaria aquelas senhoras bem humoradas a fazer uma greve de fome sentadas à mesa.
Foi então que descobri que as legendas foram colocadas por cima e não, como é hábito, por baixo das fotografias. Acontece...

Nessa mesma página, destaque teve o desconhecido Manuel Adelino, sentado à porta da Câmara.
Igual relevo foi dado a São José Lapa, actriz bem conhecida.

Azar teve o nosso Reinaldo, o talentoso mentor dos "Nova Galé". Deram-lhe honras de legenda, mas nada de fotografia.
Por acaso, conheço bem e admiro o Reinaldo. Caso contrário, teria pensado que ele agora usa óculos, pêra e bigode.

O que "O Sesimbrense" faz à gente. Há coisas fantásticas, não há?


Golpada

Em 1971, o jornalista Clifford Irving publicou uma biografia de Howard Hughes, supostamente ditada pelo excêntrico multimilionário.

Para além da simples (nem tanto) golpada, há toda uma trama política que envolve o presidente Nixon, e um clássico triângulo amoroso.
O filme, que estreou hoje, embora aqui e ali algo confuso, é interessante graças a (e apesar de) uma intriga que assenta predominantemente na imprevisibilidade do comportamento de Howard Hughes, espécie de homem invisível, hábil manipulador, capaz de tudo e do seu contrário.

O actor principal, Richard Gere, já não é o príncipe encantado da "Pretty Woman", tem uns quilitos a mais e luta para não ser infiel à mulher, fazendo o que pode para resistir aos apelos de uma antiga amante.

No final, a verdade vem ao de cima, o embuste é descoberto, mas ainda há tempo e conveniência alargada para uns compromissos oportunos, a que Nixon não é alheio.

Resumindo, temos um livro que surge como uma bomba, com revelações concretas, havendo até um filme dele tirado.
Eis quanto basta para fazer soar um apito no comboio da minha imaginação.

Um final feito de compromissos, entendimentos e contrapartidas é o receio de muitos portugueses já habituados a verem os influentes safarem-se.

Embora reste uma fraca esperança de ver a Justiça funcionar. Afinal, Nixon acabou por vergar...

Cinema Nostalgia

O mundo do cinema prolonga o seu período de luto.
Desta vez não é um realizador, mas um actor, um grande actor que desaparece.

Michel Serrault ficou na memória de muita gente, particularmente em França, como o principal intérprete da impagável comédia "A Gaiola das Malucas".

Antes de ser filme, "La Cage aux Folles" foi um êxito interminável no teatro, graças ao talento e à capacidade de improvisação de Michel Serrault e do seu comparsa de sempre, Jean Poiret.

Mas Serrault foi muito mais do que um cómico. Como alguns outros, foi capaz de subir vários degraus na escala da representação dramática e no estatuto de comediante.

A França perde mais um dos seus grandes vultos da sétima arte.
Não há muito tempo, fora Philippe Noiret (o inolvidável
Pablo Neruda) a partir, levando consigo não só as metáforas que fizeram as delícias do Carteiro como os sonhos do Cinema Paraíso.

Estas pessoas, embora alguns o possam negar, fazem parte das nossas vidas, em graus diversos, naturalmente.

Quando se vão, só não ficamos mais sós porque os filmes (como as canções) permanecem.

Quando se vão, pode não ser um drama pessoal para nós, mas é, muitas vezes, o fim de um tempo...

O erro de Mantorras

Pedro Mantorras foi extremamente ingénuo ao permitir que o jornalista que lhe escreveu o livro fizesse certas acusações cuja prova se revelará da maior dificuldade ou mesmo impossível.

Pode ser que tudo acabe como é costume acabar em futebol, ou seja, em águas de bacalhau. Mas pode vir a ser muito desagradável para um Mantorras que cedeu à tentação da fama e escolheu um mau palco, uma tribuna traiçoeira para gritar as suas verdades.

O livro agarra, fixa, eterniza as palavras, não as solta como ele larga a bola.
As palavras do livro não as leva o vento, mas sim um advogado até à barra do tribunal.
Era escusado, não foi uma escolha feliz. É pena...

Em 1968, Eusébio foi operado a um joelho.
Algumas vezes, nesse Verão, ele foi com o Hilário e o Coluna, numa barca, até ao Calhau da Mijona. E o joelho era um trambolho, inchado, deformado. E Eusébio coxeava.

Passadas duas ou três semanas, o Benfica levou (obrigou?) Eusébio e o joelho magoado para uma digressão na América do Sul, por dinheiro maior graças à presença do Pantera, mesmo diminuído.
O resultado foi uma época desgraçada para o jogador. Quem quiser saber como conseguiu ele jogar domingo após domingo, pergunte-lhe.

Há verdades delicadas, tão melindrosas como operações aos joelhos e recuperações problemáticas.

Há ainda uma montanha de livros a escrever sobre futebol.

Sobre verdades, alguns. Sobre mentiras, uma biblioteca a encher...

Como ontem...

O editor de Economia do "Diário de Notícias", João d'Espiney, acaba de ser despedido, facto que deu origem a uma reacção de 30 jornalistas perante o Conselho de Redacção (CR), por acharem que este não defendeu o colega.

A mudança na direcção do DN é, ao que parece, a causa remota do despedimento, mas não deixa de ser irónica esta referência a um CR, sigla que nos remete para outro tempo, o do Conselho da Revolução.

E que nos traz à memória outros despedimentos (ou saneamentos) no mesmo DN, por acção diligente e exemplar do grande democrata Saramago.

Será que os tempos se mudam? Os tempos sim, os homens é que não...

Eu sou aquele

Nos anos 60, um jovem espanhol chamado Rafael cantou "Yo soy aquel", melodia que deu lugar a uma versão portuguesa muito bem interpretada por Nicolau Breyner, senhor de uma bela voz.

Essa mesma canção é hoje o tema principal da novela "Vingança", da SIC, num estilo diferente, esganiçado e irritante, por culpa dos "Anjos".

Nessa novela, Nicolau Breyner é Alberto, o mau da fita, um mafioso requintado.
Fora da novela e dos filmes, Nicolau frequenta o ginásio onde costumo ir fazer um bocadinho de exercício entre dois turnos de distribuição de cartas.

Esta manhã, lá consegui vencer a minha irremediável timidez e fui falar-lhe.
Pousou os pesos, sentou-se e teve a paciência simpática de trocar impressões sobre a novela, a canção, os filmes e o futebol que é o cenário da película que está, neste momento, a rodar, a partir do livro da Carolina.

Considero Nicolau Breyner a figura maior do cinema e da televisão em Portugal, é um actor admirável, em tudo e na naturalidade, na autenticidade que confere às personagens.
Disse-lhe isso, que acho que ele não "representa", ao que retorquiu, sorrindo, que finge não representar.

Falámos um bom bocado, foi muito agradável, é uma pessoa como eu imaginava.
Não tenho a pretensão de ter ali um amigo para o Inverno, mas não julgo que a sua bonomia seja fingida.

O que me disse fica aqui no meu saco de fiel carteiro, um túmulo de discrição.

E, a partir de agora, todas as cartas que tiver para lhe entregar, levo-as para o ginásio.
É um serviço pessoal, um extra que me dá prazer, agora que ousei entrar em cena e dialogar com o actor.

De resto, somos parceiros de treino, ele é o Nicolau e eu sou aquele...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Mais uma?

A Directora do Museu Nacional de Arte Antiga , Dalila Rodrigues, acaba de ser liminarmente despedida pelo presidente do Instituto Português de Museus.

Sendo
a competência e o trabalho da Dra. Dalila Rodrigues reconhecidos pelo presidente do IPM, a razão do seu afastamento deve-se, segundo ex-Directora do MNAA, a uma questão ideológica.

Será que nem as férias acalmam a sanha perseguidora?

O outro José

Em Março último, o advogado José Maria Martins denunciou à Procuradoria Geral da República um crime de falsificação envolvendo a licenciatura de José Sócrates.

Ora, a mesma Procuradoria acaba de arquivar o processo por não se ter provado a prática de falsificação.
Perante este despacho, poderemos nós concluir que, de uma vez por todas, não há a menor dúvida sobre a transparência da licenciatura de Sócrates?

Pergunta-se: assim sendo, será que José Sócrates vai processar o outro José (Maria Martins) por difamação?

Se, acaso, o não fizer, que poderemos nós deduzir? Receio? Magnanimidade? Indiferença? Desprezo?

Em tempos, Sá Pinto deu dois valentes murros em Artur Jorge que se ficou, não tendo sequer processado o agressor como ameaçou vezes sem conta. Magnânimo, o Artur? Talvez.

Ou talvez a velha fórmula tenha aqui também cabimento.

Se calhar não há mesmo rapazes maus...


A equipa do Tó

Claro, já cá faltava o futebol.
Não se pode tratar um assunto sério, há sempre um diabinho vermelho a puxar para a bola parada.
Vejam bem.

O Dr. José Sá Fernandes acaba de mostrar que não se importa de jogar na equipa do Dr. António Costa que é o dono da bola na Câmara de Lisboa.

Apesar de ser menino rico e ter uma bola "Ardidas",
o Tó chateia-se de jogar sozinho e precisa de dois elementos para completar a equipa.

Vai saí, o Zé dispôs-se a fazer o jeito a troco de um rebuçado que é o "peloiro" do Ambiente.
O Tó prometeu ao Zé que ele vai poder brincar em todos os espaços verdes, só não tendo esclarecido se os relvados da Luz e Alvalade estão incluídos.

Claro, outros meninos lá do bairro, ranhosos e invejosos, já andam a querer estragar o Ambiente entre o Tó e o Zé, dizendo que este é um vendido, que quis foi tacho, que já deu bota com a birra do túnel, enfim, coisas de catraios.

Será difícil o Tó conseguir arranjar outro menino para brincar no quintal dele.
Ele bem sussurra "PS,PS,PS", como se chamasse um criado de café.
Mas eles não ligam, nem a miúda Roseta.

Mas, como todos gostam da bola, há-de aparecer sempre mais um para a equipa ficar completa e os desafios se realizarem que é, afinal, o que conta.

Até o refilão do Ruben se mostra cooperativo, estando sempre a dizer que, se for preciso, traz outro amigo também.
E que, em situação mais grave, venham mais cinco.

No fundo, não há rapazes maus...

A sete chaves

A legalização de emigrantes é uma tentação para muito boa gente.
Que o diga uma advogada de Barcelos, Elisabete Chaves, que se viu acusada de 700 crimes, no âmbito de um processo que, no essencial, anda à volta da "falsificação de documento autêntico", é a fórmula.

Acontece que o número de crimes (700) de que era acusada baixou para 252.
Com efeito, a juíza Lígia Trovão achou por bem retirar da acusação crimes de lenocínio, extorsão, descaminho e falsificação de documentos simples.
Como diz o provérbio chinês, Trovão nunca apaga sem razão.

A outro arguido, José Bessa, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, foram deixados de lado crimes de violação e auxílio a criminosos. Pouca coisa.
Lá diz outro provérbio chinês, Bessa que não maça.

Resta acrescentar que a advogada de Barcelos, Elisabete Chaves, se entregou nas mãos de Artur Marques que é quem assegura a defesa da carismática e fotogénica Fátima Felgueiras.
É certamente um homem corajoso, vocacionado para causas difíceis.

Um autêntico defensor de Chaves...

Antes de ser, já ...

A Confederação Portuguesa da Indústria (CPI) mandou fazer um estudo que demonstra que Alcochete é 70% mais barato do que a Ota.

Não sei quantos portugueses ficarão surpreendidos com esta revelação.
Não fiz qualquer sondagem, mas, assim a olho, calculo que poucos, só fazendo as contas, como dizia o decidido António Guterres, homem que (se não tivesse levantado voo) já teria resolvido este folhetim do novo aeroporto.

Com que então, Alcochete mais barato?!! Olha a novidade!

A Ota fica lá nas berças, por trás do sol-posto, no Portugal profundo onde ainda reina o comércio tradicional.
Ao passo que Alcochete, antes do estudo da CPI já era uma referência emblemática no reino do preço em conta, do saldo, do poupadinhamente correcto.

Ou não fosse Alcochete o local escolhido para a implantação (polémica, aliás) do freeport ou outlet ou lá o que é.

Por isso, nem era preciso gastar dinheiro em estudos, bastava fazer contas, como aconselhava o tio António dos consensos...

Prolífico e prolixo

É verdade que os Portugueses estão no bom caminho, separando melhor o lixo e colocando as coisas no contentor apropriado.
Não sei nem me interessa se lançamos fora mais ou menos garrafas vazias do que os dinamarqueses, não era esse o alvo do que escrevi.

Hoje, gostaria de abordar o tema do gigantesco desperdício de papel que a publicidade provoca graças a rapazolas que algumas vezes colocam os folhetos nas caixas do correio mas, com muita frequência, despejam montes deles onde calha.

Há minutos, vi um desses jovens (certamente pouco motivado para o insípido trabalho), enfiar sob uma porta uma mão cheia de prospectos.

A primeira dúvida que tenho é sobre a eficácia dessa publicidade. Será que alguém lê aquilo?
Posso estar enganado, mas não acredito que aquelas montanhas de papel despertem o desejo de consumir.
Tal como não creio que o burro da Euribor carregue no lombo mais clientes para o BES.

Mas da eficácia ou da inutilidade destas acções porta-a-porta os gestores das empresas lá saberão.
Contudo, é tempo de alguém olhar para o incómodo que estas vagas de lixo publicitário provocam nos cidadãos e para as toneladas de papel que é preciso reciclar.

O mesmo se aplica aos folhetos de propaganda política.
Se os grandes cartazes (porquê outdoors?) ou painéis de nada servem, menos ainda os desdobráveis, impressos, folhetos e prospectos com que os candidatos tentam captar a nossa atenção, disputando o espaço aos vendedores de pizzas, computadores, férias no Pólo Sul ou bonecas insufláveis.

Tudo isto representa pirâmides de lixo, pelo menos em Lisboa.

Espero que o António e o seu recente aliado Zé olhem para isto.

Parecendo que não, é uma questão lixada...