Mostrar mensagens com a etiqueta Música. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Música. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O último dos grandes
























Boémio na Áustria; austríaco entre alemães; judeu por esse mundo fora. Assim se definia o homem que um dia afirmou a Jean Sibelius que a sinfonia tem de ser como o mundo, abarcar tudo. Quer dizer, reflectir tudo o que existe: o bem e o mal, o alto e o baixo, o exaltante e o banal. Gustav Mahler, que foi o último dos grandes, fê-lo como nenhum outro.

Sabe bem ouvi-lo de novo por estes dias minguantes, no tempo em que o mosto respira na espuma e as folhas soltas caem leve, levemente aos nossos pés. Sabe bem ler o livro magnífico que Stephen Johnson dedicou à sua vida e à sua obra, agora traduzido entre nós, e acabado de sair com a chancela da Bizâncio. Vem com dois cd’s aperitivos que têm o sortilégio das amostras trazidas às lojas de fazendas pelos caixeiros-viajantes. Nada mau para quem quiser descobrir a música trágica e sublime deste judeu errante.

domingo, 12 de agosto de 2007

Bomtempo

Neste Verão ameno, um título assim é quase ambíguo. Mas não se trata aqui do boletim meteorológico. E a junção inadvertida não é gralha.

Há, talvez, umas três ou quatro semanas, um leitor – ou seria uma leitora? – desta “Magra Carta” dirigia-nos palavras mui elogiosas, que devidamente saboreámos. Pedia-nos, também, que aqui fôssemos dando sugestões de âmbito cultural e artístico. O Carteiro não demorou muito a despachar o requerimento. Só eu, retardatário, fui protelando o silêncio. Aqui e agora me desincumbo da tarefa, para recomendar a audição integral dos quatro concertos para piano e orquestra de João Domingos Bomtempo (1775-1842), recentemente reeditados pela Numérica. A interpretação é de Nella Maissa, ao piano, acompanhada pela Orquestra Sinfónica de Nuremberga, sob a direcção de Klauspeter Seibel.

Maçon, romântico e patriota, Bomtempo não tem a dimensão de Mozart e de Beethoven, que, de resto, evoca. Mas falta-lhe pouco para lá chegar, o que é muito.