segunda-feira, 30 de abril de 2007

O efeito Ségolène

A política é feita de tempos, de modos e de modas.
As coincidências (as tais que não há) ditam que, no próximo domingo, ocorram duas eleições, uma para a Presidência da França e outra para a Região da Madeira.

De um lado, uma espécie de velho régulo que, regular e infalivelmente, tem ganho todas as votações, Jardim das delícias num ilhéu de bananas e compadres.

Do outro, dois jovens pretendentes à sucessão do ícone De Gaulle. Um de cada sexo, de cada margem do Sena, esquerda e direita, iguais na ambição, diferentes na sedução.

Ela, Ségolène, subiu para a prancha e cavalgou a onda da novidade, feminina, iluminada, mais Juliette Greco do que Joana d'Arc, muito "charme", muito "glamour", pouca consistência nas ideias e nos projectos.
Mas, se Deus criou a mulher, por que não deixá-la ir até ao Eliseu?

Hilary Clinton joga no mesmo campo da sedução, embora pareça mais madura e coerente.
Por cá, saída das cinzas camarárias de Lisboa, talvez surja Paula Teixeira da Cruz, destemida, clarividente e determinada.
Talvez seja a melhor (se não a única) hipótese do PSD.

E, como a moda está para durar, o Arquitecto Augusto bem faria em estar atento aos "frufrus" das saias que se movimentam nas suas costas.
Mas sem descurar as calças compridas pois há muito que elas (as calças) deixaram de ser prerrogativa de machos.

Ele até há quem não resista a uma burra de saias!

Ás de cópulas

O ilustre Professor Marcelo, na sua conversa de ontem, usou o termo credível antes de observar que, dantes, se dizia crível.
Ora, acontece que ambos têm idêntico significado, isto é, "digno de crédito". Enfim, é apenas uma curiosidade.

Mais interessante, porém, foi o destaque que o Professor entendeu conferir a um anúncio que, em Angola, promove os produtos portugueses com a expressão "A selection of Portugal".

Num país de língua oficial portuguesa, o uso do inglês revela-se, no mínimo, despropositado, pelo que teve razão o Professor, embora não haja nisto o menor motivo de espanto, uma vez que neste Portugal saloio abundam as expressões inglesas que só muito raramente são acompanhadas das suas equivalências na nossa pobre língua.

Ainda há minutos vi um cartaz publicitário da TAP com a fórmula "Esqueça as conference calls, venha a Nova Iorque".

O Português é um idioma rico e sugestivo, embora traiçoeiro, por vezes.
Lembrei-me agora, vá lá saber-se porquê, de uma expressão usada frequentemente e cujo sentido pode ser mais malicioso do que se julga.
Quando dizemos "coitada da rapariga" não nos lembramos que coito significa cópula carnal, pois não?

domingo, 29 de abril de 2007

À espera do insólito

Acreditem, arranjar uma ideia para um destes insignificantes textos não é coisa fácil, se queremos fugir à banalidade, ao trivial ou ao expectável (linda palavra).

Sinceramente, valerá a pena bater mais no ceguinho da licenciatura estranha?

Qual o interesse de sublinhar a esperteza saloia e a boçalidade do Alberto João?

Acaso alguém aprova a OPA que Portas lançou sobre Ribeiro e Castro?

Alguém tem paciência para esperar que Marques Mendes cresça?

Quem pergunta a Jerónimo por que não impõe JÁ a demissão da presidente da Câmara de
Setúbal?

Novidade, novidade seria ver cinco trabalhadores da Câmara de Sesimbra em acção e um único a vigiar.

Surpresa seria a Câmara deixar de ir buscar e levar os trabalhadores a casa, de autocarro, luxo asiático.

Milagre seria uma das funcionárias (Manuela qualquer coisa) do atendimento da Secção de Obras passar a ser correcta e simpática.

Notícia seria uma velhota sem dentes morder um Rottweiler.

Enquanto tal não acontece, temos de ir brincando aos comentadores...

De cabeça perdida

Um dos meus amigos, antigo praticante, tem uma teoria curiosa segundo a qual se deveria proibir o jogo de cabeça no futebol, medida que tornaria o espectáculo mais bonito, menos violento e mais limpo.

Com efeito, as jogadas de confusão, barafunda, cargas duras e ressaltos fortuitos estão associados a lances por alto, bolas para o barulho, exactamente o oposto ao que o futebol deveria ser, bola rasteira, à flor da relva, técnica, arte, jogo corrido e leal.
Foot significa , e não cabeça. Respeitemos o étimo, defendamos a ética.

Por último, mas não menos grave, o facto de alguns jogadores serem verdadeiros perigos para os seus adversários.
Quem viu ontem o Boavista-Porto, certamente concluiu que disputar uma bola alta com Bruno Alves é o mesmo que chocar com uma locomotiva. O homem é demolidor, cada entrada é um pequeno terramoto.
Há uns anos, agrediu (sem bola) Nuno Gomes à cabeçada, monstruosidade castigada com dois banais jogos de suspensão.

Quando vejo aquele gladiador em acção, só posso concordar com o meu amigo.

Acabem com o jogo de cabeça,antes que alguém perca a dita, literal e desgraçadamente...

sábado, 28 de abril de 2007

Gregos e troianos

A Dr.ª Isabel Peneque mostra o que lhe vai na alma quando, no editorial do último “O Sesimbrense”, confessa que não é possível, na feitura do jornal, agradar a gregos e a troianos. Já calculávamos. Convenhamos que a senhora roça o despudor. Só assim se percebe, aliás, que, a avaliar pelas edições “on-line” do jornal, a actividade da Biblioteca Municipal de Sesimbra tenha sido, pura e simplesmente, ignorada, nos últimos dois meses, mesmo quando ali, entre muitas outras actividades meritórias, está em curso um ciclo de colóquios de dimensão nacional, comemorativo dos 150 anos da Filosofia Portuguesa, onde já participaram nomes marcantes da nossa cultura como António Telmo, António Carlos Carvalho e Pinharanda Gomes, e se evocaram escritores e filósofos tão importantes como Sampaio Bruno, Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra, Álvaro Ribeiro ou Orlando Vitorino. Claro que nada disto tem importância perante a ciência chocolateira da Eng.ª Baioneta, ou as conferências da Caixa Geral de Depósitos, onde pontificou essa grande figura do regime que é o inefável Armando Vara. No meio disto tudo, fica-se a saber de onde vem o cavalo de Tróia. E calculo que alguns de nós se continuem a ver gregos.

Dois dedos de testa, um pingo de vergonha, um pouco de memória...

A Dr.ª Isabel Peneque passa o editorial do mais recente número de “O Sesimbrense” a clamar avinagradamente contra aqueles que têm vindo a apontar erros ao percurso do jornal. A desconsolada directora do quinzenário refere, no plural, os críticos inominados. Os leitores assíduos do “Magra Carta” imaginam as causas próximas dos queixumes da Dr.ª Peneque, a saber:

1.º - a galegada que levou o jornal da terra a “naturalizar” sesimbrense uma venturosa judoca nascida em Lisboa e que compete por um clube almadense (à nossa pequena escala, será, talvez, assim a modos que – mal comparado - confundir Jorge Nuno Pinto da Costa com o presidente do Benfica);

2.º - a subsequente, e altruística, divulgação e amplificação do erro que o Dr. Sequerra andou a fazer em lugares públicos, devotando especial atenção, nessa sua benfazeja caminhada, à pessoa do Presidente da Câmara;

3.º - a nota que, de tudo isso, aqui demos.

Dito isto, fica claro que o editorial de “O Sesimbrense” parece prestar-se à lavagem da roupa suja do corpo redactorial. Não sei se é legítimo, aprazível, ou sequer interessante. Mas, no fundo, toda a gente sabe que a Liga é um saco de gatos…

Já parece mais estranho que a directora do jornal reaja tão biliar, desdenhosa e sobranceiramente às críticas que lhe são feitas. Bem sei que, há quase um ano, ela começou esta aventura jornalística no insólito posto de subdirectora de si própria, herdando o legado mais pesado que alguém pode imaginar: um título desacreditado pelas aventuras e desventuras do irrequieto Dr. Sequerra. Daí que eu seja levado a compreender a insegurança originada por tamanho desconforto...

Mas, depois disso, começou por se tornar notório – pelo teor dos editoriais – o progressivo desfasamento existente entre a directora do jornal e a vida sesimbrense. O erro com a judoca é a insofismável prova dos nove. Claro que todos erramos e errar é humano; claro que devemos ser complacentes com os erros alheios, sobretudo se eles resultam, em primeira linha, da inexperiência de um jornalista estagiário, recém-chegado à publicação. Mas já vai sendo tempo de a Dr.ª Peneque perceber que, assim como não se pode ser sub-directora de um jornal sem director, directora-estagiária é cargo que não existe, nem nunca existiu, na nossa imprensa.

Isto já não seria pouco, mas não é tudo. A Dr.ª Peneque, diz ela, só aceita críticas construtivas. Pois muito bem…

Qual foi o critério jornalístico que a levou, no mais recente número do jornal, a dedicar quase toda a capa, à guisa de manchete, e quatro páginas interiores – as quatro centrais (ao todo, mais de 25% do espaço do jornal) –, a uma singela visita de estudo de jovens de Sesimbra ao Parlamento Europeu? Terá sido o facto de o convite ter partido de um Deputado do Grupo Parlamentar do PCP? Será que, entretanto, não se passou nada de mais importante no concelho? Dr.ª Peneque: tome isto como uma crítica construtiva!

Qual foi o critério para não dar qualquer outra atenção que não a do mero apontamento ao debate subordinado ao tema “Ordenamento do Território e Mais-Valias Urbanísticas”, promovido pelo “Jornal de Sesimbra” e pela Sesimbra FM, quando, num passado recente, “O Sesimbrense” afinava o seu diapasão com aqueles órgãos e com o “Raio de Luz”, para promover autênticos julgamentos públicos do Presidente Amadeu Penim, sob o título generoso de “Repensar Sesimbra”? Qual o critério, Dr.ª Peneque? Será que estes assuntos deixaram de interessar a “O Sesimbrense”, agora que o Vereador dos planos passou a ser Augusto, o todo-poderoso Presidente do Ordenamento? Haverá aí algum receio de melindre, Dr.ª Isabel? Não quero crer! Mas, tome tudo isto como uma crítica construtiva…

Qual foi o critério que, há coisa de um mês, erigiu os últimos Jogos Desportivos Escolares às alturas da manchete e fez com que um mero depoimento sobre o tema subalternizasse, na paginação, a peça jornalística de Susana Berjano? Terá sido o facto de a autora desse depoimento ter sido a Professora Maria do Carmo Serrote, assessora para a Educação da Vereadora Felícia Costa? Não quero crer! Mas, tome tudo isto como uma crítica construtiva…

Qual é o critério para “O Sesimbrense” ignorar sistemática e olimpicamente as sessões da Assembleia Municipal e as reuniões de Câmara, quando, num passado recente, mais do que uma obrigação, a presença do jornal era uma verdadeira devoção? Qual o critério? Será que a vida e o debate políticos concelhios não têm interesse para os leitores do jornal, numa perspectiva cívica que a Dr.ª Isabel tanto gosta de apregoar, do alto da sua proclamada virtude?

E por que não abre o jornal as suas portas à opinião dos diferentes quadrantes políticos? Dr.ª Isabel, tome isto como uma crítica construtiva, hein?! Já agora, duas últimas críticas construtivas: na notícia da página 4, sobre a inauguração do Espaço Zambujal, teria sido melhor escrever “intervieram” em vez de “interviram”, e no intróito ao “diário de bordo” da página 12, “cronologicamente” seria um pouco mais certeiro do que “cronológicamente”.

Na expectativa das prezadas notícias da senhora Directora,

Atenciosamente,

Subscrevo-me

Escriba

sexta-feira, 27 de abril de 2007

O homem da boina

Há um bom par de décadas, o nosso impagável Carlos José Gomes Albano (mais conhecido por Carlinhos da Rã) ainda não sonhava com as profundezas do oceano que viria a visitar, vezes sem conta, em mergulhos intermináveis, nem coleccionava bilhetes postais de Sesimbra.

Certa tarde, o belo Carlos, com a sua característica boina bem enterrada na cabeça sisuda, entrou no Café Central e olhou os presentes de forma esquisita, sem palavra dizer.
Após um curto silêncio, perguntou:
- Vocês não deram pela minha falta?

Perante a surpresa e a incompreensão da rapaziada, o Carlos apressou-se a esclarecer:
-É que eu hoje fui a Lisboa.
Ninguém foi maldoso ao ponto de lhe perguntar em que é que isso poderia interessar a colectividade. Mas não. Houve apenas uns sorrisos e a brincadeira prosseguiu...

Eu sei que não uso boina, nunca usei, nem mergulho em águas do mar dos Ursos, mas quase me senti tentado a perguntar-vos se não deram pela minha falta, nestes longos dias em que o computador me deixou a remar em seco.
Como dizem? Estão-se nas tintas? Não se aperceberam? Quem é que me encomendou o sermão? Vou falar com o Camões?
Pronto, está bem, já percebi.

Estás a ver, Carlinhos, é assim, a ingratidão humana. Nós, por vezes, temos a ilusão de que fazemos falta, mas não, é só isso mesmo, ilusão, pueril esperança.

Por isso, Carlinhos, se mais alguma vez fores a Lisboa e, no regresso, passares por nós no Central, não perguntes se demos pela tua falta.
Eu seguirei o teu lúcido exemplo, ainda que esta cartinha que aqui te deixo pareça sugerir o contrário. Sabes, é que, agora que o computador voltou (até quando?) a ir de vento em popa, eu tinha de te informar.
Foi o que me saiu desta cabeça sem boina...

sábado, 21 de abril de 2007

Prémio Sequerra (1)

O prémio Sequerra é um galardão recentemente instituído pelo conselho de redacção da «Magra Carta», e tem por objectivo distinguir a isenção, a objectividade e o pluralismo da nossa imprensa local.

O prémio deste mês vai direitinho, por deliberação tomada por unanimidade, com louvor e aclamação e tudo, para a notícia com que o «Raio de Luz» de 25 de Abril próximo, entretanto já saído a 21 de Abril, ou seja, hoje, dá a conhecer a inauguração do Cineteatro Municipal João Mota, ocorrida há uma semana. Particularmente notável é o último parágrafo desta peça informativa – sim, informativa –, que reza assim: “Estão de parabéns o Município e designadamente a Senhora Dr.ª Felícia Costa, Mui ilustre Vereadora do Pelouro Cultural e Social, pelo seu grande empenho e serviço na dedicação a Sesimbra”.

Contactada pelo «Magra Carta», a Dr.ª Felícia Costa congratulou-se com a atribuição deste prémio ao jornal de Santana. Para a vereadora, cuja acção se tem pautado por uma extraordinária originalidade, trata-se apenas de um acto de justiça para com um órgão informativo que tantos e tão bons serviços tem prestado à causa. A vereadora escusou-se, porém, a especificar de que causa se trata. “O meu amigo já está a querer saber de mais, não acha?”, acrescentou a autarca.

O prémio agora atribuído, para além de consistir num donativo monetário, que, neste caso, será destinado a promover a reabertura da creche “on-line” do CECAS-RL, que, há algumas semanas, foi compulsivamente encerrada, por falta de memória RAM, e por indicação da Rede Social, pelo administrador do “site” da Segurança Social, confere ainda ao jornal premiado o direito a publicar, na edição do mês seguinte ao da sua atribuição, em primeira página, o Estatuto Editorial, de forma a poder reafirmar a sua isenção e a sua independência perante o poder autárquico. Não perca, pois, no próximo dia 28 de Maio, data santa, o «Raio de Luz».

Drama

Confesso que estou altamente deprimido.
Claro, há a atrocidade terrível do massacre cometido pelo asiático nos USA; há a quotidiana carnificiana no Iraque; há as incertezas sobre o futuro da França em vésperas de eleições; há a ameaça nuclear crescente do Irão; há o aquecimento global e as directas no CDA-PP.
Mas o que me rala é que o Simão não joga com o Marítimo nem (que horror) com o Sporting...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Missão difícil

Numa atitude corajosa, transparente e imparcial, o impetuoso Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, mandou realizar um inquérito que, infelizmente, acabou por concluir que os registos biográficos do Primeiro Ministro foram destruídos pelos serviços administrativos do Parlamento. Que maçada, que maçada!

Não há dúvida de que José Sócrates anda em maré de azar. Com tantas coisas estranhas à sua volta, agora ainda mais esta contrariedade.
Não é bem, mas faz lembrar a mensagem do início da "Missão Impossível" que se destrói ( por sua alta recriação) passados cinco segundos.
É assim, acontece, os serviços fazem coisas destas, não é por mal, foi sem intenção.

Ninguém duvida, a começar por Jaime Gama...

Vara a pau

Segundo o "Público" de hoje, Armando Vara recorreu ao director-geral do GEPI e a engenheiros que dele dependiam para projectar a moradia que mandou construir em Montemor-o-Novo.

O GEPI é o Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do Ministério da Administração Interna.

Sabe-se ainda que o pai de José Sócrates fiscalizou dez obras do GEPI.

Ontem à noite, José Sócrates, num discurso pungente, afirmava a sua vontade de construir (não uma moradia, mas) uma democracia de valores e de decência.

Ninguém duvida, a começar por Mário Soares...

Sai meia de bola

O futebol, para quem gosta, continua a ser, pelo menos, um tema curioso de conversa. Para os conhecedores, o golo de Messi é uma verdadeira obra prima, um lance de puro génio.
Para os coleccionadores de coisas raras e surrealistas, fica a notícia de que o senhor Akram Ahmed Salman deixou de ser o seleccionador do... (pasme-se) Iraque.
Eu bem sei que no futebol há barreiras, bandeiras, tiros, petardos, ataques, contra-ataques, mas imaginar que, no Iraque, entre dois atentados suicidas, há lugar para se jogar a bola, é inacreditável. Felizmente, há (será possível?) futebol...
Quero felicitar o árbitro que ontem assinalou aquela grande penalidade contra o Braga, já no prolongamento. Eu não vi razão para tal, mas aquele senhor não só viu como não teve a menor hesitação em tomar uma decisão de tão graves consequências. O País precisa de homens destes, seguros das suas opiniões, firmes nas suas convicções. É espantoso!
Já agora, uma reflexão ingénua. Quando um jogador, junto da sua baliza, mete a mão à bola para evitar um golo, o árbitro expulsa-o e ordena penalidade máxima.
Em contrapartida, se um jogador, junto da baliza adversária, usa a mão para tentar marcar um golo, o seu castigo é apenas um cartão amarelo.
Alguém me explica esta diferença de critérios?
Pronto, já aqui têm assunto para acompanhar a bica e a aveleda...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

A gente a mangar...

O cavaleiro queria entrar no torneio e pediu uma boa espada e uma armadura. Mas interroga-se: será que a arma é dura? Será que a arma dura?

Se comparação é cotejo, tecido gasto será cosado?

Se primaveril é bucólica, prima viril será lésbica?

Após três horas na bicha das Finanças, ficou o cidadanado.

Engenheiros UNIdos são títulos falidos. Nem à Ordem (dos ditos) são chamados.

Até a ordem UNIda está a ser contestada pelos recrutas.

Pavarotti recusa-se a cantar FUNIculi FUNIculá.

Ninguém já quer dar trabalho a fUNIleiros.

E ainda dizem que a UNIão faz a força.


Quem quiser participar com maluqueiras deste tipo, habilita-se a receber um diploma passado em dia feriado, com a nota que mais desejar.
Aproveitem, eu sou cUNIvente...

Querem apostar ?

Acto 1 : Dona UNI entra em cena, esbracejando, batendo no amplo peito e prometendo, alto e bom som, que vai fazer revelações explosivas, bombásticas, etc.

Acto 2 : Dona UNI adia por 24 horas o lavar da roupa íntima do senhor (quase) engenheiro.

Acto 3 : Dona UNI, afinal, foi uma montanha que nem um rato pariu.
Nem explosivos nem bombas.
Nem sequer uma bicha de rabiar, apenas e só um dobrar de espinha, um branqueamento total do percurso académico do senhor Sócrates.

Estivemos perante uma verdadeira ópera-bufa cheia de reviravoltas surpreendentes ou nem por isso.

Talvez errada e injusta, a ideia que fica é que o adiamento das declarações e o fiasco das mesmas se fiquem a dever a pressões de última hora exercidas sobre a UNI.
A não ser que, mais sorrateiramente, tenha havido alguma promessa de indulgência como paga pelo (quase) silêncio.

Querem apostar que a UNI, lavada das suspeitas, vai reabrir?

quarta-feira, 18 de abril de 2007

(Nem quero ver) o mar ao bote...

O Lourenço, ao passear nos corredores do hospital de Almada, ouviu, mais de uma vez, pessoas que se queixavam da forma como certos médicos tratam os doentes.
Começam por marcar consultas a uma certa hora e só aparecem muito, muito tempo depois.
Em seguida, alguns olham o doente como um objecto, um impecilho, sem o menor respeito nem cordialidade, o que é particularmente chocante quando se trata de pessoas idosas, indefesas, em posição de manifesta inferioridade, por estarem doentes, por precisarem de ajuda e por não terem os conhecimentos técnicos dos médicos.

É inadmissível que alguns destes senhores (e senhoras) usem de arrogância e desprezo para com pessoas diminuídas.
Um nome chamou a atenção do Lourenço, uma tal Dra. Antónia Bote que, segundo ouviu, é competente mas de péssimo trato.
Seria bom que a Administração do Garcia de Orta se inteirasse destas situações deploráveis e revoltantes.
Sendo visita antiga de Sesimbra, o Lourenço bem conhece uma expressão que encontra pleno cabimento no que toca à tal doutora.
Realmente, ninguém parece amar a Bote...

Terapias

O Daniel está reformado há cerca de dois anos e tem tido dificuldade em encontrar um novo ritmo de vida.
Por isso, resolveu recorrer aos serviços de um psiquiatra, experiência de que resolveu dar conta ao amigo Lourenço, igualmente aposentado, que teve uma reacção surpreendente.
- Sabes, Daniel, eu não te censuro pela decisão que tomaste. Contudo, tenho as minhas dúvidas quanto aos resultados. Olha, eu também atravessei um período de certa depressão, mas acabei por encontrar, sozinho, a solução.
- Ah, sim? Mas como?
- Muito simples. Vou, de seis em seis meses, ao hospital Garcia de Orta.
- Mas... fazer o quê? À consulta?
- Não. Vou apenas passear nos corredores durante duas horas, olhar, ouvir, escutar, reflectir, carregar as baterias. Sim, carregar as baterias. Depois de presenciar o terrível espectáculo da doença, da degradação física, dos efeitos devastadores da velhice, depressa chego à conclusão de que sou um homem cheio de sorte.
- É curioso, nunca tinha pensado nisso. Mas voltas seis meses depois...
- Sim, volto, porque nós esquecemos rapidamente o lado bom das coisas, deixamo-nos cair num desalento piegas e nem sempre justificado. Por isso volto.
- Olha, da próxima vez vou contigo.

Augusto e Orfeu

Desta vez, Augusto cortou cerce com o passado e não convidou Esequiel Lino a estar presente na inaugurança de sábado. De nada serviu ao antigo autarca a sua condição de destacado militante do PCP, a circunstância de ter sido presidente da edilidade durante duas décadas ou o facto de o processo tendente à construção do edifício se ter iniciado no seu último mandato.

A verdade é que Augusto, qual Orfeu perseguido por Eurídice, já não consegue olhar para trás. Destarte, arredadas da passadeira vermelha do Cine-Teatro João Mota ficaram também figuras históricas da vida autárquica como o Sr. Melo ou Aurélio de Sousa. Sim, Aurélio, o ex-provedor autárquico que Augusto tanto preza publicamente (e a quem, num jornal local, pediu recentemente desculpas pelo facto de não ter sido reconduzido no cargo, devido à votação da Assembleia Municipal), também não foi convidado para a inaugurança.

Compreendo que Augusto não goste de olhar para trás. Oito anos de trabalho continuado fazem sombra a qualquer um. Sobejam ainda duas décadas em que se andou a encanar a perna à rã. Não é por Augusto ignorar agora o Vice-Presidente da Região de Turismo da Costa Azul que deixará de ser lembrado como o delfim que um dia, em pleno esequielinismo, caiu em desgraça.

Assino por baixo

Hoje a "Rede da Xixa" traz o balde cheio.

terça-feira, 17 de abril de 2007

O fungágá da bicharada

A camarária Dr.ª Felícia propõe-nos para breve uma “Conversa na Capela” (do Espírito Santo) subordinada ao tema “Avifauna selvagem da nossa terra – um património vivo”. Pela parte que me toca, confesso ser pouco dado a aventuras ornitológicas, mas sei que o palestrante, Dr. José Rodrigues, é pessoa de reconhecido mérito, e sou até capaz de admitir que o tema se revele excitante para uns quantos bem-aventurados.

Não obstante, faz-me muita espécie ver que um museu de arte antiga (e sacra) possa dar guarida, na sua programação, a uma temática que não deixa de se afigurar assustadoramente extravagante a quem considerar a natureza das colecções que são conservadas no núcleo da Rua Cândido dos Reis. Mandaria o bom senso que a conferência se realizasse num outro espaço, mais adequado, como é, por exemplo, o caso do Auditório Municipal Conde de Ferreira.

Não sei se a Dr.ª Felícia preserva alguma noção do que sejam a arte antiga e os museus em que ela se guarda. Como calculo que ande, por ora, muito afadigada na concepção de novas e trepidantes aventuras sócio-culturais, e não se possa deslocar às Janelas Verdes (não, não é a sede do Sporting), recomendo-lhe que, pelo menos, visite o “site” do MNAA, para ficar com uma pequena ideia do que está em causa.

Também não sei qual é a arrevesada teoria museológica em que se estriba tão peregrina ideia feliciana, mas não há universidade que possa justificar a demência. O mais é a confirmação do que há muito se sabia: neste imenso fungágá da bicharada em que a Dr.ª Felícia logrou transformar o concelho, e depois de os Corvos aterrarem na Fortaleza, só já nos faltava que o resto dos pássaros poisasse na Capela.

O hábito...

Eu bem sei que o fato de treino não faz o monge, mas a atitude de um líder tem importância fundamental. Quer se goste ou não, José Sócrates respira confiança, segurança, optimismo, dinamismo, arrogância até, bastante ao estilo do outro José, o especial, o do Chelsea.

Ora, quem tem a (in) felicidade de assistir às inúmeras conferências de imprensa do Benfica, já notou, certamente, que Fernando Santos é a imagem da resignação, do fatalismo, da acomodação, do distanciamento, alguém que carrega às costas uma cruz pesada, pesada de mais para os seus ombros.

Fernando Santos é um excelente homem, católico, honesto, competente (imagino, não conheço) mas não tem a aura de conquistador, falta-lhe ambição, é um funcionário público num mercado altamente competitivo onde é indispensável agilidade, vivacidade, golpe de asa, crista levantada e olhar de águia.
O treinador do Benfica, mesmo quando ganha, é tristonho, quase pede desculpa.

Será que estou a ser injusto? Estarei a ser mauzinho? Talvez, não sei.
A verdade é que, vistas as coisas de longe, através da televisão, é o que parece.

E, em futebol, como na política, o que parece é...