segunda-feira, 22 de outubro de 2007
A mão no saco
Em meu nome e da corporação, faço questão de erguer a minha voz contra esta suspeita divulgada pelo semanário SOL.
Se há gente honrada neste país é a classe dos carteiros, homens íntegros que levam a vossas casas cartas de amor, lembranças das Finanças, cumprimentos da PT, o IMI, o IRS, as continhas da água e da luz, os extractos do banco, enfim, as pequenas coisas que são o sal da vida.
No fundo (do saco), pode acontecer um esquecimento. Pensando bem, 336 cheques, nem chega a dar um por dia, uma gota de água, afinal.
Esquecimento ou lapso foi o que aconteceu no Jardim do senhor Gonçalves.
Aí sim, o carteiro esqueceu-se de entregar uma carta onde o filho do tio Jardim se prontificava a restituir os 12 milhões que a loja do pai lhe emprestou.
Vejam só azar do Jardinzinho que, por culpa de um carteiro amnésico, se viu impedido de saldar a sua dívida.
E agora anda aí nas bocas do mundo, coitado, ele e o pai que nem sabia de nada.
Agora, por uns míseros 118 mil euros, vá de lançar o opróbrio sobre toda uma corporação.
Eu conhecia o filme do Clooney e do Pitt, o "Ocean 13". Gota de água, mar...estão a ver?
Sei que nós tocamos sempre duas vezes, mas não acredito que o meu confrade tenha metido a mão ao saco, em Gaia.
Se fosse em Felgueiras, não digo. Podia ser um saco azul...
Todos os nomes
Contudo, há que reconhecer que alguns nomes inspiram muito pouca confiança.
Veja-se o caso do Benfica.
Quem conheceu homens com nomes de gente, como Costa Pereira, Germano, Torres, Eusébio, Coluna e outros, pode reconhecer-se em Rui Costa ou Nuno Gomes.
Mas como podem os benfiquistas identificar-se com Dabao, Zoro, Coentrão, Luisão, EdCarlos, Adu, Quim, Leo, Petit, Di Maria, Berggesio ou Binya ?
E quando a coisa corre mal, nunca se sabe se a culpa EdCarlos ou Di Maria...
Será mau olhado?
Recordo uma das mais graves, proferida no decorrer de uma recepção, sem que as suas declarações fossem obrigatórias.
Falou porque lhe puseram o microfone à frente e, a propósito da Casa Pia, Souto Moura disse que era preciso cautela porque as crianças, muitas vezes, são mentirosas.
Foi mais que infeliz, foi impróprio, foi lamentável, foi indigno. E falso.
Não sabemos se Pinto Monteiro está a ser escutado ou não. O País é que fica preocupado quando o Procurador-Geral da República diz uma palermice destas.
Mesmo que pense, não pode dizer.
E nem sequer tem a atenuante da precipitação do directo, pois a afirmação foi feita numa entrevista escrita.
Não sei que espécie de vertigem provoca estes descarrilamentos, mas é a credibilidade das pessoas e das instituições que fica abalada...
Mar novo
Por um lado, é interessante observar que há mais pessoas a intervir, mas o mais importante é o aparecimento de uma figura que parece querer abanar o marasmo e a sonolência da política em Sesimbra.
Não sei se Rui Viana tem hipóteses ou condições para chegar a um lugar no pódio, mas é salutar que alguém dê a cara, se levante e assuma as ideias ou as intenções que o animam.
Porque a ideia generalizada é ser a Câmara a grande sopa popular, com gamelas e tachos que vão sendo distribuídos a uns e a outros, uns com mais carne, outros com mais caldo, mas contentando todos, na certeza de que o lugarzinho está garantido.
À imagem do que acontece nos corredores da Assembleia da República onde os deputados são todos compinchas que fazem as rábulas da irritação, da invectiva e, até, do insulto, mas tudo precedido de um "Vossa Excelência, senhor Deputado" que engana o Zé Povinho.
Por isso, saúdo a atitude frontal do Rui Viana e gostaria de conhecer a sua opinião sobre este segredo mal guardado do transporte dos funcionários da Câmara.
Democracia é isto mesmo, transparência, clareza e franqueza...
domingo, 21 de outubro de 2007
Soberanos ou Sopranos?
Porém, nem tudo vale em nome desses belos princípios.
Alguns partidos andam por aí com afrontamentos e palpitações porque tudo indica que a ratificação do Tratado vai ser feita pelo Parlamento e não através de referendo. Mon Dieu!
Argumentos: houve uma promessa de Sócrates e o Tratado é mau para Portugal, tira-nos (calculem) soberania.
Ora bem, ponto nº1, as promessas de Sócrates são como as sondagens desfavoráveis a Mário Soares, valem o que valem.
Ponto 2, quanto à soberania, dá vontade de sorrir. Com que cara podemos nós exigir à União Europeia que conserve o nosso estatuto de país soberano?
Desde a nossa adesão, a CEE, primeiro, e, agora, a União Europeia foram mais do que nossas mães.
Nós recebemos milhões atrás de milhões com que comprámos jipes, fingimos dar formação, metemos ao bolso fortunas em projectos da tanga, pintámos a manta.
E fizemos algumas estradas.
Portugal tornou-se um país a duas velocidades.
De um lado, os que apostaram nos bons cavalos europeus, tiveram boas dicas para negócios chorudos e souberam burlar o fisco.
Do outro, os tansos que só ficaram a perder com a passagem do escudo ao euro, que continuam com pensões de miséria, andam de t-shirts de marca e fatos de treino comprados aos ciganos, exibem telemóveis de terceira geração e dançam na corda bamba do crédito mal parado.
Andamos há anos a mamar nas tetas da Europa, damos mil vezes menos do que recebemos e, agora, vociferamos como virgens ofendidas porque querem beliscar aquilo a que liricamente chamamos soberania.
Isto não é um País, é uma Ranholas qualquer...
Porta-a-porta
Não há, provavelmente, no País nem no Mundo outra Câmara tão generosa. Ou tão matreira.
A ideia, segundo dizem, surgiu no reinado de Ezequiel Lino e foi uma cartada notável, um rebuçado oferecido aos funcionários mas, sobretudo, um investimento de largo alcance.
Tão bom, tão útil, tão determinante que nenhum outro presidente teve coragem de o abolir.
Melhor que isso, nenhum candidato ousou inscrever no seu rol de promessas o fim do privilégio do cu tremido quotidiano.
E porquê?
Simplesmente, porque o universo eleitoral dos funcionários camarários (familiares incluídos) representa vários milhares de votos, bloco central e basilar que nenhum candidato se atreveu a enfrentar.
A desculpa foi dizer que se trata de um direito adquirido. Desculpe, como disse? Direito adquirido? Na função pública?
Isso foi chão que deu uvas mas que, em Sesimbra, continua a dar (ou, pelo menos, a não tirar pela certa) votos.
Assim se explica a febril actividade do parque rodoviário, com um corrupio de autocarros a fazer inveja aos TST.
Ele é a ronda dos que entram às 8, depois os das 9, os da Quinta do Conde, os de Setúbal e os de Lisboa. É uma alegria!
Como é possível um tal desperdiçar de dinheiro? Em nome de que norma é que uma entidade patronal pública gasta o que não deve ser pouco numa tal mordomia?
Quanto custa o serviço porta-a- porta em euros? E em horas de trabalho cumpridas no autocarro e não nas obras?
Que pensa disto a oposição?
Jamais se ouviu o PS, o PSD ou Bloco de Esquerda tocarem nesse assunto. Porquê?
Se alguém desses partidos nos ler e tiver algo a dizer, façam favor...
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Ópera bufa
Ou seja, a FPF pagará ao treinador brasileiro cerca de 45 mil euros.
O resto (e muito mais é) será pago por terceiros.
O mais engraçado é que a filantrópica Federação vai obrigar Scolari a cumprir acções comunitárias, algo semelhante ao que o Tribunal decretou a Luisão quando o jogador foi apanhado a conduzir com pouco sangue para tanto álcool.
Que se saiba, Luisão nunca cumpriu as tais obrigações para com a comunidade, talvez por estar habituado a actuar em grupo e não isoladamente.
As suas preces terão agora sido ouvidas e, um destes dias, é natural que encontremos a dupla Luisão/Filipão, de vassoura na mão, a varrer o parque Eduardo VII e a cantar a ópera do Malandro.
Só Madaíl é que nos faz rebentar o cós das calças a rir...
Pantomineiros
Como já se murmurava por aí, a Federação limitou-se a aplicar uma grotesca multa ao pantomineiro Scolari.
Para se perceber a extensão da ignomínia, recordemos que o miúdo Zequinha, por um gesto parvo mas não violento, foi punido pela Federação com um ano de suspensão.
Apesar das evidentes circunstâncias atenuantes, o jovem foi severamente castigado, tendo sido atingido onde mais dói, ou seja, na privação da honra e da alegria de jogar na selecção.
Scolari, em contrapartida, só tem agravantes.
Nada pode desculpar o seu gesto, a não ser a cumplicidade do senhor Madaíl que castigou o brasileiro da forma mais simpática que pôde, ou seja, com uma simples e leve multa.
Trinta e cinco mil euros deve ser a sétima ou oitava parte (não sei) do que Scolari ganha por mês, o que significa que o castigo nem simbólico chega a ser.
Esta disparidade de critérios, a crueldade da punição ao jovem face à clemência para quem merecia castigo exemplar, mostra claramente a putrefacção moral desta Federação.
Diz-se que Figo pode vir a candidatar-se. Duvido que caia nessa, mas, se vier, e apesar da sua inexperiência nestas andanças, será uma boa coisa.
Figo, mesmo verde, é bom porque é sério. Madaíl não está maduro, está podre...
Outubro
Gordas, com ovas, um manjar divino.
Na sala, quase na minha frente, estava o José Purificano, um dos jogadores mais talentosos que envergaram a camisola do Desportivo, no tempo em que os onze titulares eram todos filhos de Sesimbra.
Há dias, o Rui Mota dizia-me (e o Turíbio confirmava) que, num encontro recente, apenas um era natural da terra.
É um sinal dos tempos.
José Purificano foi um interior-direito de técnica apurada, subtil, leal, um jogador admirável, um homem discreto e simpático.
A seu lado, um jovem encomendou costeletas de porco. No "Lobo do Mar", num dia deslumbrante deste Outubro que nos traz sardinhas ovadas. Não será isto um sacrilégio?
Ou será apenas outro sinal dos tempos?
Lembro-me do Lúcio, irmão da Conceição Morais, filho do velho Mira (que jogou no Pátria), a representar uma peça na Vila Amália e na Ericeira, terra para onde se mudara o nosso padre João. Foi há 50 anos, quem diria?
O Lúcio estava também no "Lobo do Mar".
Nem ele nem o Purificano me viram.
Ou, se viram, não me reconheceram, o que é natural, não só pelas marcas dos anos, mas porque eu levava ainda o meu uniforme e carregava o saco do correio de onde retirei este singelo bilhete postal que aqui vos deixo...
Pois é...
Reciprocamente, há muita gente que não entende por que motivo ele chegou a ser seleccionado...
Acontece
Sabe Deus e nós também que esquecer as promessas é uma constante da vida de Sócrates e ninguém deve ficar admirado se ele passar, em ritmo de jogging, ao lado de mais esta.
Contudo, e por uma vez, concordo com o homem.
Se se tratasse de um referendo para decidir se devemos ou não continuar na União Europeia, admito que seria obrigatório fazê-lo.
Porém, estamos perante um pequeno número de pormenores técnicos que não podem ser postos em causa por pessoas que nada entendem do assunto.
Daí que não me choque esquecermos o referendo.
Eu sei, houve uma promessa, é verdade. Mas também, no dia do casamento, os noivos juram fidelidade eterna e acabam por cometer incontáveis adultérios.
A promessa de não aumentar impostos, essa sim, foi, a meu ver, desonesta, pois ele sabia que não era para cumprir.
Mas, neste caso do referendo, admito que, na altura, Sócrates estivesse de boa fé.
E de boa fé temos nós de estar para aceitar que as pessoas (e, sobretudo, as circunstâncias) possam mudar.
Digamos que esta será uma promessa que não será cumprida por um motivo independente da sua vontade...
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Água benta...
Fica a referência, as conclusões são óbvias.
Este "Jornal de Sesimbra" tem coisas curiosas, sendo uma delas a forma como identifica os seus colaboradores.
Uns têm fotografia, outros não, uns têm títulos honoríficos, outros nada.
Assim, e por exemplo, há um médico e dois professores universitários.
Já Francisco Reis Marques é apenas (e não é pouco) Francisco Reis Marques. E sem fotografia, dispensável, aliás, por ser bem conhecido e apreciado.
O mais insólito é o Editorial ser assinado por um senhor que se intitula "Director do Jornal de Sesimbra".
Ou seja, o editorial do Jornal de Sesimbra é feito pelo Director do Jornal de Sesimbra.
Podia ser apenas "João Capítulo, Director" ou, simplesmente, O Director, mas não, vem tudo, por extenso e em cinemascope.
Talvez João Capítulo receie que o confundam com o director de outro qualquer jornal, nunca se sabe.
Se a coisa não fosse tão antiga, ousaria pensar que o João Capítulo director do jornal não quer ser confundido com o possível futuro presidente da Concelhia do PS.
É o que faz ser-se figura de proa da sociedade sesimbrense...
Gente fina...
Daí a minha estranheza ao percorrer a rubrica "Apontamentos e sugestões", da autoria do dr. Manuel Torres.
Com efeito, o atento observador que é o dr. Manuel Torres consagra 41 linhas a casos que nada têm a ver com Sesimbra. E apenas 19 aos temas caseiros.
O mais espantoso é que o colóquio sobre Rafael Monteiro e a Filosofia Portuguesa mereceu uma única linha, apesar de Manuel Torres ter estado presente naquela tarde, na Biblioteca.
Será que a obra e a figura de Rafael Monteiro não lhe merecem o menor comentário, a mais singela referência?
Bastas linhas gastou a falar de Scolari e uma só, seca e pobre, sobre aquele grande vulto da Cultura de Sesimbra e, mesmo, do Portugal erudito.
É verdade que o Rafael só tinha a quarta classe, não era doutor nem Director Geral.
Mas merecia mais do que uma esmola caída da mão cuidada do dr. Manuel Torres...
Cantando e rindo
Uma vez mais comete a proeza de escrever um editorial onde não surge uma única vez a palavra Sesimbra.
Eu sei que não é obrigatório que Sesimbra seja o tema de cada escrito, mas a ausência quase absoluta do nome da terra nos editoriais é algo de estranho.
Em contrapartida, aparece por três vezes o termo "séniores", assim mesmo, com acento, o que é errado.
Não é por nada, mas faz lembrar o inefável Dr. Sequerra a escrever "pêxito" quando a palavra nunca teve nem pode ter acento.
A curiosidade mostra que, até nisto, há uma evolução na continuidade...
Útil e oportuno
Ora, na jornada anterior, quis o destino que o goleador do Marítimo, de seu nome Makukula, tivesse sido castigado, o que o impediu de defrontar o Porto.
Como se sabe, o Porto ganhou esse jogo com grande dificuldade e fica na memória o jeito que deu a ajuda do destino ao castigar Makukula.
Se na altura houve dúvidas quanto à influência do goleador, o jogo de ontem veio mostrar que o destino fez obra de vulto ao pôr na bancada um jogador daqueles.
Falta saber se o tal destino não tem asas douradas...
Ah, Pantera !
Naturalmente, o alarido ganhou proporções de escândalo por se tratar de quem trata, embora eu não veja motivo para admiração.
Todos sabemos que Eusébio esteve muito doente, mas recuperou, e o médico só lhe recomendou que renunciasse (ou reduzisse bastante) a bebidas alcoólicas e ao tabaco.
Não consta que o tenha castrado.
Além disso, é preciso compreender que Eusébio se sinta um pouco ofuscado pelas aventuras românticas de Cristiano Ronaldo que, reais ou fictícias, enchem as páginas de jornais e revistas tão cor-de-rosa como as camisolas do Benfica.
Ora, tendo Eusébio sido muito superior a Ronaldo, é compreensível que o Pantera se sinta injustiçado e tenha resolvido mostrar que também ele pode ser ainda capa do "24 Horas".
Temos visto, muitas vezes, Eusébio com a sua célebre toalha na mão.
Por isso, e no fundo, este episódio digno de marialva encartado, apenas significa que Eusébio ainda não deitou a toalha ao chão...
Dia de folga
Muito sentidamente, o senhor presidente dos polícias dizia alto e bom som que não tinha pessoal para outras ocorrências.
Simplificando, o presidente dos Polícias estava, publicamente, a dizer a assaltantes, larápios, carteiristas, infractores vários, delinquentes no activo, que hoje podem actuar à vontade, há tolerância de ponto.
Se isto não é irresponsabilidade da grossa, o que será? Estupidez? Provocação?
O Ministro da Administração Interna vai ter de explicar...
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
A circulatura do quádrato
O mesmo Governo proíbe a entrada de droga nos estabelecimentos prisionais.
Pergunta-se: quando derem uma seringa a um preso o que vai ele injectar? Leite em pó dissolvido em água das pedras?
Alguém troca isto por miúdos?
Esplendor na relva
Deve ter sido esta notícia (verdadeira) que levou os nossos jovens universitários a manifestarem a sua extrema preocupação perante o drama da pobreza.
Vai daí, rapaziada cheia de imaginação, arranjaram lençóis compridos e deitaram-se na relva fofa da cidade universitária, numa atitude que constitui uma demonstração arrebatadora e empolgante, um gesto que deve ter comovido os muitos milhares de pobres que certamente choraram de emoção e gratidão.
Num país esmagado por impostos crescentes, devorado por um desemprego imparável, a receita para a salvação nacional está encontrada: ir de chapéu na mão bater à porta da União Europeia, por um lado, e deitar na relva a nossa elite académica, por outro.
Para quê trabalhar? Por mais uns anitos estamos safos...
Apagada e vil tristeza
Um violador poderá abusar cem vezes de uma criança e só pagar por um único crime.
Um empresário utiliza informação confidencial e privilegiada que lhe permite, de um dia para o outro, realizar milhões de lucros. Caçado e condenado, a multa que pagou é inferior ao que ganhou com o negócio ilegal.
Um árbitro viaja com a família de férias para o Brasil. O Porto pagou, mas o juiz não acreditou que a gentileza tivesse por finalidade obter favores futuros ou recompensar benesses passadas.
O dr. Jardim Gonçalves autoriza um empréstimo de muitos milhões ao filho, acabando por lhe perdoar a dívida. E diz não haver ilegalidade.
Este país chama-se Portugal, preside à União Europeia, foi um grande império colonial, deu novos mundos ao Mundo, teve Camões, Pessoa, Vasco da Gama...
E está reduzido a isto.
A cada um o seu papel
A actual governação já mostrou à saciedade e à sociedade que não serve.
Sobre isso, parece haver um consenso bastante largo e só meia dúzia de crentes em amanhãs gloriosos é que teima em ver ouro onde só há pechisbeque.
Contudo, o afastamento da CDU não está garantido, o regime não vai cair de gasto.
Vai ser preciso que, oportunamente, se erga uma oposição credível, capaz de inspirar confiança e alcançar a alternância.
Ora, até agora, a oposição à dupla Pólvora/Felícia quase só tem sido feita por franco-atiradores sem ambições nem amarras políticas, observadores e comentadores que agem pelo prazer da intervenção cívica.
Enquanto isso, os profissionais da política continuam sentados a ler blogues e a ver o Benfica na Sport TV.
Assim não vão lá.
E se permanecerem na retranca à espera de ganhar nas grandes penalidades, desenganem-se porque a lotaria é caprichosa.
É tempo de abrir o saco e pôr os gatos a arranharem-se entre si para, depois, se atirarem ao bofe (salvo seja) que é o poder ainda instalado...
A psicóloga, o sargentão e o capitão
Eu não sei se a psicóloga está lá para ajudar os jogadores ou tratar do próprio Scolari, e julgo que a escolha do capitão deva ser um assunto da estrita competência do treinador.
Se calhar, o estudo da psicóloga vai apontar como capitão ideal um jogador que, por regra, é suplente. E então?
Scolari não deve demitir-se da responsabilidade da escolha, ainda que possa argumentar que o trabalho da psicóloga é apenas um contributo auxiliar.
Outro seleccionador brasileiro, Otto Glória, não precisou de psicólogo para entregar a braçadeira a Coluna e não a Eusébio, embora este fosse um jogador absolutamente extraordinário, MUITO acima de Ronaldo.
Dito isto, tenho pena que o Escriba não esteja no activo, para partilhar por inteiro comigo a honra de termos Scolari como leitor.
No fundo, a ausência temporária do Escriba dá-me jeito porque, mesmo sem psicólogo, posso intitular-me capitão desta companha alegre...
terça-feira, 16 de outubro de 2007
E anda
Ainda assim, espera-se que cerca de 27 mil portugueses adiram à campanha que apresenta o curioso título de "Levanta-te".
Um amigo meu, maroto do pior, suspeita que a cruzada seja patrocinada pelo Viagra...
Cuba, por que não?
A preocupação primeira de qualquer governante deveria ser o bem-estar, a felicidade das pessoas, ambição que deveria traduzir-se pela criação de condições de uma vida decente para todos, por forma a verem satisfeitas as suas necessidades básicas, habitação, alimentação, saúde, educação, trabalho e justiça social.
Assim sendo, isto deveria implicar o estabelecimento de prioridades.
No caso das autarquias, uma tarefa essencial seria um levantamento exaustivo das carências de vária ordem sentidas pelas populações, após o que os governantes ficariam em melhor posição para decidir onde aplicar as verbas à sua disposição.
Ocorreu-me esta simples reflexão, ao ver, há tempos, na televisão, a admirável iniciativa de uma Câmara algarvia que custeou por inteiro a deslocação e as despesas hospitalares de grande número de pessoas que se deslocaram a Cuba para serem observadas e operadas à vista.
Acções como estas deveriam ser imitadas, servir de exemplo, dar lugar a meditação.
Em Sesimbra há certamente muitas pessoas que precisam de ajuda, médica, psicológica, financeira, etc.
Temos um elenco governativo que faz da propaganda a sua forma mais visível de acção, anúncios e cartazes, fogo de vista e carnaval, ondas jovens e marchas, um verdadeiro deboche de gastos a fundo perdido, tudo para encher o olho ao patego.
Mas nada de consistente feito a pensar nos mais pobres, nos que sofrem de solidão, dos que vivem no limiar da pobreza. Nada. Pelo menos, que se veja.
Os príncipes que nos governam não conhecem pobres nem doentes, só gostam (e gastam) de festa, abrem os cordões à bolsa para Represas, Carlos do Carmo e tantos outros, muito circo e pouco pão.
Talvez o que fizesse falta aos governantes de Sesimbra fosse uma ida a Cuba, para passarem a ver a vida de outra maneira.
Talvez pudessem, ao menos, copiar as boas ideias dos outros, e perceber que as verbas de que dispõem não devem ser gastas em campanha eleitoral permanente, mas no interesse da colectividade.
E talvez acabassem por concluir então que as acções de solidariedade e apoio podem render mais votos do que o fungágá que se lhes colou à imagem.
Porém, ouvir os outros, estar atento, olhar com amor, tudo isso é obra discreta e dá trabalho.
Mais fácil e divertido é dar música ao pagode.
Se este alvitre já vier tarde para os que lá estão, talvez possa servir aos que (fatalmente) virão a seguir...
Remexida
Segundo Rui Viana, o sucessor de Gameiro deverá ser João Capítulo.
Remexida é o nome de uma velha armação à valenciana e parece ser a designação adequada para este ebulição que se verifica (finalmente) no Partido Socialista.
Com efeito, estando à vista de todos o fracasso da governação augustina, começam as movimentações nas hostes socialistas, as únicas com pretensões à sucessão.
Curioso é que a remexida verificada não passa de um "baralha e volta a dar", com os mesmos a chegarem-se à frente.
Da última vez já eram Capítulo e Cristóvão os candidatos a candidatos, até surgir Penim a cortar a meta e as aspirações da dupla.
Desta notícia da zona, retiro ainda a revelação (para mim, ignorante nestas e outras coisas) de que Rui Viana é membro da concelhia do PS.
Agora percebo melhor a militância (real ou putativa) do blogue "Ao meu lado", facto que aplaudo pois julgo que seria saudável para a democracia local a afirmação plena de uma tal bandeira com as cores do PS, sem ambiguidades nem equívocos.
Fica ainda a sensação de que talvez apareçam outros candidatos, ou seja, este folhetim pode vir a ter mais capítulos...
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Notícias de Viana
Ao longo de extensa entrevista, o senhor Rui Viana desenvolve os seus pontos de vista, explica tudo e sabe do que fala pois é autor de nada menos que dois blogues.
É louvável a iniciativa do "Notícias", sinal de que não esconde a cabeça na areia, antes reconhece a importância destes admiráveis instrumentos.
Já o senhor Viana fecha um tanto o seu ângulo de observação ao, praticamente, reduzir os blogues a agentes políticos, servidores desta ou daquela causa, gente comprometida, em suma.
Ora, o que parece ter esquecido é o lado mais interessante e que é o simples prazer de escrever, a componente meramente lúdica, a atitude diletante, a simples irreverência, o jogo puro, a ironia, as piruetas e as supostas máscaras.
É um erro catalogar todos os blogues como armas de ataque político, satélites de partidos ou catapultas teleguiadas.
Faz Rui Viana, a certa altura, uma descoberta sensacional, quando diz que o blogue mais activo do concelho é feito num anonimato pouco anónimo pois todos sabem quem são.
Bravo, Rui Viana, brilhante dedução. Pena foi que não tivesse dito de que blogue se trata.
Mais ficamos a saber que o presidente Pólvora e a vereadora Felícia seguem os blogues com atenção. Óptimo. É gente que vive com o seu tempo.
Parabéns ao "Notícias da Zona", pois saber reconhecer que os outros existem é bonito.
E parabéns ao Rui Viana que, desta forma e por fim, surge no estrelato do concelho como o único homem com coragem para dar a cara nos blogues.
Esta publicidade vai certamente atrair inúmeros leitores aos seus blogues, a julgar pelas muitas vozes que já hoje se ergueram em Sesimbra.
Em cada esquina se ouvia "Abaixo os anónimos".
E, sobretudo, "Havemos de ir a Viana".
(In) justiça
A França foi agora abalada por uma libertação que causa repulsa a muita gente.
Marie Trintignant era actriz e filha de Jean-Louis Trintignant.
Foi violentamente assassinada pelo seu companheiro, Bertrand Cantat, cantor do grupo "Noir Désir", que foi condenado a oito anos de prisão.
Agora, cumprida metade da pena, Cantat sai em liberdade condicional, o que equivale a dizer que um homicídio violento mais não lhe valeu do que quatro anos de cadeia.
Jean-Louis Trintignant tinha uma relação muito forte com a filha, uma cumplicidade enorme, uma ternura tocante.
Perder uma filha por doença, num acidente, é um drama terrível, mas sabê-la espancada até à morte acrescenta revolta à dor já de si insuportável.
Ver agora o assassino em liberdade, não sei até onde pode levar um homem quase destroçado.
É assim esta Justiça que parece moldada ao gosto dos criminosos, desprezando as vítimas.
É assim que os extremismos vão ganhando forma...
Talvez, Chavez
Eu bem sei que estamos em pleno nas comemorações da visão dos pastorinhos, mas não é isso que explica esta relação transcendental entre Castro e Chavez.
Há muitos meses que a única pessoa que nos garante que o ditador cubano está vivo é o ditador venezuelano.
Estamos num jogo de luz e sombra, um teatro de marionetas, com os cordelinhos a serem puxados por quem tem as "chavez" do segredo.
É sempre Chavez quem visita o velho tirano e dá conta ao mundo da sua vitalidade, depauperado, sim, mas ainda a mexer.
O mesmo Chavez é o único a ter direito a essa visão sublime do grande timoneiro de Cuba.
Tanta coincidência dá que pensar, mas, à força de repetir, talvez acabemos por acreditar que Fidel ainda está vivo...
Banalização
Nos clubes e na selecção nacional, a antiguidade foi, quase sempre, o critério dominante e que levou a designações mais do que discutíveis.
Nos tempos que correm, os casos de longas permanências nos clubes são raros, pois as transferências acontecem a cada passo.
Daí que a antiguidade já não seja o que era, isto é, como na tropa, um posto.
Um capitão deve ser uma figura respeitada, pelo seu valor como executante mas, sobretudo, pela sua dimensão de homem, pela aura que lhe for reconhecida pelo grupo.
Na última década, tivemos na selecção um capitão chamado Fernando Couto, jogador violento, de cabeça quente, longe da imagem elegante, sóbria e lúcida de Luís Figo, um verdadeiro senhor, dentro e fora do campo. Este sim, um capitão ideal.
Ao entregar a braçadeira a Cristiano Ronaldo, Scolari cede ao que supõe ser a simpatia mediática, procura agradar a meia dúzia de pessoas que ainda julgam que o capitão serve apenas para escolher o campo.
Se o tentativa de agressão ao jogador sérvio foi feita com as mãos, esta escolha de Ronaldo foi feita com os pés...
domingo, 14 de outubro de 2007
Prefira produtos portugueses
Neste momento, e para substituir Nuno Gomes, vai a caminho do Cazaquistão um jogador chamado Ariza Makukula.
Pelos vistos (no passaporte) é português...
Ao menos os nomes
E seria menos escrupuloso porque entendo que crimes destes nunca deveriam prescrever e essa gente não merece respeito, menos ainda a protecção do segredo de Justiça.
O facto de uma Lei defeituosa lhes poupar o castigo não deveria impedir que, ao menos, os seus nomes fossem tornados públicos.
Com a menção habitual da presunção de inocência, claro, mas expostos na praça pública, para todos sabermos que esses senhores, culpados ou não, estiveram envolvidos nessa infâmia.
Que não sejam julgados já causa repulsa, mas que lhes protejam a identidade, lamento mas é bondade que não merecem.
Se eu soubesse quem são, garanto que lançaria os seus nomes aos quatro ventos.
Quebra de segredo de quê? De Justiça? O que é isso? É coisa que haja por cá?
Quantas fugas já ocorreram?
O segredo de Justiça já foi violado tantas vezes como os miúdos da Casa Pia.
E o resultado é igual, os culpados ficam sempre impunes.
Por isso, ao menos que possamos chamar os bois (ou os montros) pelos nomes...
Carta aberta
Outros assuntos requerem a sua atenção e daí um afastamento que não tem prazos fixados, descansem os admiradores, mordam-se as magas deste país.
Por mim, enquanto me der prazer, vou fazer como o Santana Lopes, vou andando por aqui, levando as minhas cartas ao sabor da fantasia e do humor do momento.
Talvez este interlúdio possa ser aproveitado pelas hostes do PS para perceberem que lhes cabe fazer uma oposição que, até agora, teve no Escriba a sua única e clara face.
Logo ele que nada tem a ver com o PS.
Fica mais magra esta carta, é verdade, mas assim até caberá mais facilmente nas vossas caixas de correio...
Até sempre
E que tall?
Provavelmente, José Sócrates mandou-os brincar lá mais no fundo do quintal e proibiu-os de se aproximarem dos microfones.
Posto isto, é tempo de reconhecermos a demonstração genial que foi a escolha daquele ALLGARVE, fórmula que acaba de ter consagração mundial através da atribuição do prémio Nobel da Paz, a outro Al, o Gore.
Eu sei, eu sei que não é rigorosamente igual, mas a sonoridade anda lá perto, a intuição existiu, sejamos justos, o homem tem dedo para a coisa.
Aliás, como a Economia não dá mostras de querer arrancar, sugiro que coloquem o Pinho na Defesa, mais precisamente, na Marinha.
Para quê? Para termos todos os navios no ALLfeite...
Amar não é pecado
O senhor bispo, cujos rosto e voz, foram disfarçados, foi identificado pelos seus superiores através da decoração do seu gabinete.
Imediatamente suspenso, o senhor bispo nega ser homossexual e diz que apenas fez pesquisa.
Pois...
Alívio
Um santo domingo a todos e bem achem...
Pró vérbio
Fez bem o Governo, sendo caso para dizer que Charrua que vai à frente lavra duas vezes...
Patetice
É um risco enorme, um gesto temerário, poético ou patético, como quiserem, mas que se desculpa. É a inocência, o ardor da mocidade que leva o rapaz a expor-se ao vexame de uma tampa na praça pública.
A mesma tolerância não pode, porém, ser dispensada ao líder de um grande partido político.
Ontem, depois de Manuela Ferreira Leite ter feito um discurso fortemente aplaudido, Menezes não resistiu e, qual jovem locutor febril, saltou para a tribuna e, sem mais rodeios, pediu namoro à senhora, ou seja, convidou-a para continuar a presidir à mesa do Congresso.
Claro, levou tampa...
Os três F
E fiquei espantado com a quantidade de emissões de cariz religioso que andam no ar, talvez por ser domingo, imagino.
A maior surpresa veio da Antena 1 que consagrou, pelo menos, duas horas à religião.
Entre as sete e as oito, uma senhora (teóloga, creio eu) falou empolgadamente, num tom que mais parecia o da IURD. Fiquei abismado.
Depois das oito, teve lugar a transmissão da Eucaristia (presumo), da igreja de S. João de Brito.
A minha surpresa decorre do facto de a Antena 1 ser uma rádio de serviço público e Portugal ser um estado laico.
Não sei se terei razão ao confessar sentidamente a minha perplexidade, mas fica-me a sensação de que algo está baralhado na programação da "rádio que liga Portugal", como eles dizem.
Outro acontecimento insólito foi ouvir, em duas estações, publicidade ao jornal "A Bola".
Desde que me conheço, aquele jornal tem sido a grande referência no universo desportivo português. Chamavam-lhe até a "bíblia", designação que permite estabelecer uma ponte entre os dois assuntos que aqui vos trago.
De facto, é estranho um jornal como "A Bola" precisar de fazer publicidade.
Tal como dá que pensar a proliferação de conteúdos religiosos na Rádio.
Dá ideia de que a crise atinge os fundamentos deste país, embora Fátima pareça gozar de óptima saúde financeira, ostentando uma catedral cujo custo incomoda muita gente.
Com os escândalos que mancham o futebol, resta-nos o Fado, esse sim em maré alta, com o belíssimo filme de Carlos Saura.
Ide em paz, não há-de ser nada...
sábado, 13 de outubro de 2007
Nojo
Aponta como ponto mais alto da ignomínia o triunfal regresso de Pedroso à Assembleia da República e atribui à Maçonaria a proeza de ter conseguido safar o antigo ministro que, na altura, num assomo de hipocrisia e descaramento, prometeu tudo fazer para desmascarar os verdadeiros abusadores, já que ele estava inocente.
Até hoje ninguém sabe dele nem desses esforços de justiceiro.
Catalina revela ainda que há muito mais gente implicada, só que quase tudo prescreveu.
Entre eles há várias figuras públicas cujos nomes só poderão ser divulgados daqui a 25 anos.
Repete Catalina a sua convicção de que se o processo se tem arrastado tanto tal se deve apenas à necessidade de esperar pelas alterações ao Código de Processo Penal que foram feitas à medida deste caso.
Será que em toda a classe política não há um único homem sério capaz de chamar os bois pelos nomes e retirar do Código a vergonha de algumas alterações?
O mal é que há mãos sujas e consciências conspurcadas à Direita e à Esquerda.
Que fará agora Cavaco? E o Procurador Geral da República?
Se Catalina mente, prendam-na já. Se diz a verdade, é preciso agir. E depressa.
Que pensará destas acusações o poeta Alegre, o homem que ninguém cala, o rei da cidadania, o mesmo que chorou abraçado a Paulo Pedroso em S. Bento?
O mesmo que disse estar-se perante outro 25 de Abril.
Nojo. É a única palavra que me ocorre...
Banca rota
Ora, hoje, é com a voz embargada de emoção, que vos digo que não, senhores, nem todos são assim.
Há bancos e bancos, banqueiros e banqueiros, e nessa aparente selva há homens bons, generosos, compreensivos, bondosos, amigos do seu amigo.
Quase chorei ao ler que o BCP, em 2004, perdoou uma dívida de muitos milhões a um grupo de empresas que faliram.
Quem tal diria? Um perdão de milhões? Não é um gesto bonito? Afinal, nem todos são lobos cruéis na banca, meus senhores, é salutar reconhecermos.
Pormenor: à frente das empresas falidas, estava um filho de Jardim Gonçalves...
O drama
Aparentemente, trata-se de um exercício pacífico, tranquilo, sem sobressaltos, embora, por vezes, surjam notícias que nos choquem ou sensibilizem.
Foi o caso do falecimento de Juca, mesmo se era sabido, há anos, que o antigo futebolista do Sporting estava gravemente doente.
Por esta e outras ocorrências, admito que a abertura da montra das notícias possa provocar alguma ansiedade, nunca se sabendo o que nos vai ser revelado.
Assim, há pouco, fiquei a tremer de preocupação e cheio de palpitações ao ler um dos destaques de um diário desportivo : "Paulo Assunção está com gripe".
Não é notícia que se dê assim, de chofre, com esta violência crua e dilacerante. Meu Deus, imagino o que será a angústia da família, lá no Brasil, se lêem a tremenda comunicação.
Eu bem sei que os jornalistas procuram não perder tempo com ninharias e só nos contam o que entendem ser verdadeiramente relevante.
Mais sei que têm sérios problemas de consciência, postados diante do dever de informar e o pudor e o recato que os aconselham a poupar os leitores a choques desta amplitude.
Paulo Assunção com gripe não é assunto banal, é um drama que pode devastar milhões de corações portistas e encher de emoção qualquer cidadão bem formado.
Felizmente, os responsáveis de "A Bola" tiveram a frontalidade e a abnegação de não se deixarem levar pelo comodismo e deram o peito às balas, assumiram os factos, a verdade a que o País tem direito.
Sim, senhores, nós no jornal "A Bola " somos assim, doa a quem doer, investigámos, apurámos, fizemos o nosso trabalho, e informar faz parte do nosso código genético.
Por isso, que se escreva, que se diga, para que se saiba, é verdade, diabos nos levem, dragões nos comam, ninguém nos cala, Paulo Assunção está com gripe.
À família dilacerada, apresentamos a viva expressão da nossa simpatia.
Somos assim, somos diferentes, somos "A Bola"...
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Inveja ou cretinice?
Ora, quem acompanha a acção de Al Gore sabe que o homem anda há anos numa cruzada pelo mundo fora, tentando defender o Planeta.
Curiosamente, enquanto outros jaziam em prisões indonésias ou lutavam nas montanhas, o alto diplomata Ramos Horta arriscava a vida nos corredores lúgubres e pestilentos das Nações Unidas.
Não tarda que o Represas venha em sua defesa. Está bem entregue Timor...
Azar, beijam só
Parece é que o jogo é de alto risco, com jogadores órfãos de Scolari e Murtosa no banco.
É uma situação dramática que os nossos heróis, com pundonor e estoicismo, se Alá ajudar, hão-de superar.
O pateta do Ricardo, de voz de cana rachada, já veio dizer que a vitória será dedicada a Scolari.
É assim mesmo, Ricardo, o homem merece, é um bom desportista, um exemplo de ferplei.
Esta gente não tem vergonha nem carácter, a começar por Madaíl que ainda não revelou o resultado do inquérito que a Federação fez ao Filipão.
É a Federação das bananas, num caso de um banano mal dado, em vésperas de um jogo a faijões, ou feijões, ou lá como é...
JUCA
Tinha 78 anos e foi um verdadeiro príncipe do futebol português.
Nascido em Lourenço Marques, veio muito jovem para o Sporting onde acabou cedo de mais (por lesão) a sua carreira.
Juca deixou uma imagem inesquecível, com a sua elegância, a perfeição no jogo de cabeça, a boa técnica, a colocação, o toque suave da classe autêntica.
Foi médio-esquerdo do Sporting, da selecção, treinador de várias equipas e seleccionador nacional.
Além disso, Juca tinha uma bela figura, vestia com bom gosto, era um sedutor, voz de veludo, tez morena, deixa saudades em quantos o conheceram.
Na "Mexicana", na Praça de Londres, na avenida de Roma, a sua silhueta perdurará...
Ele aí está, o eterno Pedro
1- Câmara de Gaia
Se a sua vontade fosse mesmo ficar, parece claro que teria anunciado ANTES da eleição que ficaria, qualquer que fosse o resultado.
Ao adiar a decisão, fica a ideia que preferia sair, mas não teve coragem. Mau sinal.
2- Santana Lopes
A vitória e a figura de Menezes foram muito rapidamente relegadas para segundo plano por Santana que apareceu como o provável líder da bancada parlamentar do PSD e se tornou o centro das atenções.
3 - Ângelo Correia, principal conselheiro de Menezes (o que muito me espanta) não morre de amores por Santana.
4 - Santana e Menezes fizeram um acordo secreto de cooperação e é com esse estatuto que o imprevisível Pedro vai aparecer hoje no Congresso, em posição de força, quase como a vedeta da noite.
Menezes considera Marques Mendes cinzento, apagado, amorfo, mas a imagem que tem deixado é de uma total desorientação, sem pulso nem voz de comando.
Que outras surpresas reservará o Congresso?
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Dar o bico por não bico...
Acabei agora de ler o editorial do último número de “O Condense” e ainda estou boquiaberto de estupefacção. Nele, José Anselmo, patrono da publicação, discreteia esperançadamente sobre os amanhãs que vão cantar na Quinta do Conde. Por atacado, a coisa resume-se à execução do Nó Desnivelado na Nacional 10, cujo processo há muito foi iniciado; a um parque urbano que a Câmara vai realizar a expensas do LIDL; e à repavimentação da Avenida Principal, à custa de uma grande superfície, a Feira Nova. Pelo meio, José Anselmo põe mais uma ou outra peça pífia neste modesto cabaz obreiro. Ufano, o plumitivo condense assevera-nos consoladamente: Finalmente começamos a ser “lembrados”.
Há aqui, com efeito, um problema de memória. Ou, melhor dizendo, vários. Mas são do próprio Anselmo. Ora vamos por partes.
Não ocorreu a Anselmo que a Câmara quase não vai gastar um tostão nas anunciadas obras memoráveis. Uma – a do nó desnivelado – corre sobretudo por conta do Estado. As outras resultam das parcerias que Augusto virtuosamente estabelece com a iniciativa privada. O mesmo Augusto que em Santiago dá ralhetes implícitos aos lojistas forretas, não hesita em piscar o olho aos grupos económicos activos na Quinta do Conde, licenciando novas áreas que se antevêem potencialmente ruinosas para o pequeno comércio local, a troco de uns tostões que dão para os alfinetes.
Num passado recente, a Câmara, com fundos próprios, investiu milhões de contos na Quinta do Conde: construiu o Cemitério; acabou um Mercado Municipal que já rivalizava com as obras de Santa Engrácia; ergueu um Pavilhão Gimno-Desportivo, despendeu 600 mil contos numa Escola Básica exemplar; executou a rede de saneamento; e asfaltou parte significativa da rede viária. Mas disto, que não tem realmente importância nenhuma, não se lembrou Anselmo.
No editorial que agora assina, lembrou-se, porém, e com razão, de admoestar vigorosamente a gestão de Esequiel Lino pelo descalabro que foi a construção da ETAR da freguesia. Pois claro! A rede de saneamento não existia. Outros a fizeram depois. Mas, ao correr da pena, nada disto fez soar campainhas na consciência do desmemoriado Anselmo.
Outra coisa estranha: enaltecendo a anunciada repavimentação da Avenida Principal, Anselmo teve uma branca que nos dá que pensar. Não lhe ocorreu que o projectista desta artéria foi Augusto, ao tempo fortemente criticado por… José Anselmo, ele mesmo, pela deficiente ligação das ruas transversais àquela Avenida, com evidente transtorno para os automobilistas. A tal ponto assim foi, que as vozes mais notáveis da terra cognominaram então Augusto como o “arquitecto dos bicos de pato”. Nos entrementes, as vozes calaram-se, os bicos fecharam-se. E a expressão caiu em desuso. Para mais, Augusto é hoje, reconhecidamente, o autarca dos carrinhos de compras, e esses não transitam nas insólitas perpendiculares da Avenida Principal. Bem pode, por isso, Anselmo dar o bico por não bico.
Fados
Por muito que se admire Caetano Veloso, a sua "Estranha Forma de Vida", ( a letra é de Amália) é mole e arrastada, sem a vibração que torna gritante a ausência da nossa divina fadista.
Mas o filme é notável. Discutível, polémico, mas notável.
Pena é que todas as canções sejam em play back. Quase perfeito, mas play back, com uma única falha de sincronização,de Carlos do Carmo.
Há momentos de verdadeiro encanto, como aquele "Meu Fado Meu", interpretado por Mariza e um espanhol, fado flamenco deslumbrante.
No meu espírito fica a dúvida sobre a utilidade ou a vantagem de se arrastar os fados, ou seja, cantar, dizer, em câmara quase lenta. Não sei, não sou especialista, apenas sei do que gosto.
Insólito é ver um aparelho nos dentes de uma fadista. Seria indispensável?
Um nome a reter, Ricardo Ribeiro, com físico de lobo do râguebi e uma belíssima voz , castiça, bem trabalhada, possante e subtil, ao mesmo tempo.
No fim do filme, não se percebe bem se o rapaz casa com a rapariga, tantos e tantas são, mas vale muito a pena ver.
Partindo do princípio de que tudo isto é fado...
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Pinóquio
Isto prova que todos aqueles malandros que chamam mentiroso ao engenheiro Sócrates não têm qualquer razão...
O outro lado do espelho
Os inspectores que (a pedido do Governo) investigaram o caso da "visita" dos polícias ao sindicato da Covilhã, concluem que os sindicalistas não disseram a verdade, que aquilo não foi bem assim. Quem se admira?
O presidente do Irão diz agora que foi mal interpretado e que nunca declarou que não havia pane...homossexuais no seu país.
O que disse foi que há menos do que nos Estados Unidos.
O homem é muito engraçado, faz lembrar o outro que diz que o circo é de cá mas os "artistas" são todos de fora...
A actual provedora da Casa Pia jura a pés juntinhos que não tem indícios de que haja abusos na Casa Pia, contrariando o que Catalina Pestana revelou.
A dra. Joaquina Medeira (é a sua graça) esperaria talvez que lhe viessem pedir autorização para as poucas vergonhas, provavelmente.
Deve ser prima do presidente do Irão e simpatizante do núcleo dos tais inspectores.
Com tanta ingenuidade e santa tolerância, o mais certo é os arguidos da Casa Pia serem condenados a ostentar umas orelhas de burro e a ficarem privados de cacau ao lanche.
Esta é a ditosa Pátria nossa amada, não é?
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Isto promete
Com (muito) efeito, a PSP invadiu a sede de um sindicato e levou documentos relativos a uma manifestação.
Seria para o chefe estudar nas horas vagas?
Agora é a RTP a levantar ou a deitar (abaixo) um processo disciplinar ao jornalista José Rodrigues dos Santos por este ter denunciado a atitude do governo e do seu canal privado (disfarçado de público) que passa para os telespectadores os recadinhos que recebe dos patrões.
Será que estamos a voltar ao tempo da outra senhora?
Pelos vistos, o Coelho é que sabe, quem se mete com o PS leva.
Leva com a PSP, no mínimo...
Amen
É a nossa Santa Madre Igreja em todo o seu esplendor, embora haja uns eternamente insatisfeitos resmungões que puxam as sotainas e lembram a caridade e a humildade que deveriam estar sempre presentes no pensamento e nas obras de Suas Eminências.
Vai ser um dia de grande pompa, a retumbante pompa que a circunstância aconselha, naturalmente.
Honni soit qui mal y pense...
Che Che
Sabe-se que nasceu em 1928, talvez em 14 de Junho, mas não é certo.
Tal como não é certo que tenha chegado a aderir formalmente ao Partido Comunista.
Certo é que determinou mais de 150 das 600 execuções levadas a cabo em Cuba, em 1959. Guevara terá, dizem muitos, participado pessoalmente na matança.
Não se sabe se alguma vez rompeu abertamente com Moscovo, mas é conhecida a sua relação difícil com Fidel Castro, na fase final da sua vida.
Na guerrilha que fomentou na Bolívia, Guevara não teve o apoio de Castro nem de Moscovo.
O seu corpo talvez esteja num mausoléu, em Santa Clara, Cuba.
Tal como pode estar numa campa anónima onde militares bolivianos o teriam colocado para dissimular a sua execução.
Ficam algumas interrogações e a certeza de que não foi um santo nem um diletante.
E ficou o mito do guerrilheiro rebelde, herói romântico, a boina castiça, o bigodinho cinéfilo.
Para lá do ícone, resta a importância de se chamar Ernesto...
Impressionismo
A notícia é boa e, sobretudo, é de elogiar a rapidez da reacção.
É assim em países civilizados onde as coisas funcionam.
Noutro tipo de países, forma-se uma comissão para estudar o assunto.
Depois de vários almoços de serviço, conclui-se pela necessidade da criação de um grupo de trabalho.
Após outros tantos almoços de reflexão, lança-se um concurso público.
A adjudicação da obra leva meses e o orçamento é excedido em 300%, desenlace considerado normal, já se sabe, nestas coisas é sempre assim, pois.
É impressionante, não é impressionismo.
No caso vertente, o quadro representa "Le Pont d' Argenteuil" e o seu autor é Claude Monet.
Se fosse em Portugal, a demora seria tal que daria tempo a que a ponte caísse, o ministro se demitisse e o quadro fosse para o "moneta"...
A síndrome Calimero
Augusto Pólvora, em declarações à imprensa local, a propósito do URBCOM.
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
ETA agora
Um engraçadinho telefonou para o Jornal do Allgarve dando conta de que uma bomba iria explodir algures.
E reclamava-se da ETA.
Alertadas as convenientes autoridades, ficamos a saber que a denúncia não foi levada a sério, por se ver logo que não merecia crédito.
Foi o que disse a senhora Governadora Civil e o que repetiu o homem forte destas coisas, o coronel Leonel Carvalho (salvo erro) que levou o preciosismo ao ponto de sentenciar que a ameaça não era verosímel. Tal qual!
O que não impediu as forças de segurança de desencadearem os procedimentos e dispositivos da praxe.
Nem impediu estas altas patentes e supremas autoridades de correrem aos microfones para nos explicarem a quadratura do círculo, ou seja, eles toparam logo que o alarme era falso mas agiram como se fosse sério.
O brincalhão deve estar a rebolar-se de gozo e a pensar que vale a pena pregar destas partidas porque há sempre um microfone ao alcance de uma senhora Governadora Civil ou de um coronel suficientemente verosímel.
Portugal pode não ser, mas parece o país do general Tapioca...
Impagável Madaíl
No tom profético e esotérico que lhe conhecemos, o sábio Madaíl fez mais uma daquelas declarações que vão ficar nos anais da eloquência e que fariam o próprio Monsieur de La Balize corar de inveja.
Deu a todos nós o místico Gilberto a garantia de que os jogadores estão conscientes de que, para assegurar a qualificação, é importante ganhar jogos.
Facilmente se compreenderá o alívio de milhões de portugueses ao ficarem a saber que os nossos rapazes já tinham chegado a esse ponto alto de meditação transcendental e tântrica.
Foi, como sói dizer-se, um bálsamo para todos os que, ansiosos e meditabundos, prakistão.
E, como não há duas sem três, depois do Azerbeijão e do Cazaquistão, vai um queijo de Azeitão...
Dia gnóstico
Ora, toda a gente sabe que a tensão alta deve ser objecto de atenção e controlo.
A Ordem dos Médicos ainda não se pronunciou sobre o assunto, esperando talvez que, já agora, o senhor Penedos opine sobre o colesterol e os trigliceridos...
Apocalipse now?
Trata-se de "A Ponte d'Argenteuil", pintado em 1874, e cerca de dez centímetros foram atingidos por um murro.
A recuperação adivinha-se melindrosa.
Foi um acto de puro vandalismo, gratuito e bestial, como é, também e por exemplo, a profanação de sepulturas.
O Governo francês pretende que não se instale a convicção de impunidade, sem o que o caos pode chegar em qualquer momento.
A balança oscila entre a tentação da repressão vigorosa e a tolerância mole, ficando pelo meio uma Justiça que, entre nós, deixa a sensação de ser incoerente, arbitrária e impotente.
Quando um líder de extremistas ameaça publicamente uma juíza, algo de muito grave se passa.
Quando, em Espanha, fotografias do rei são queimadas na rua, estamos longe da mera tentativa de questionar os fundamentos da monarquia.
A Bélgica está a braços com uma crise de identidade que pode levar à divisão do já pequeno país em dois estados opostos, predominantemente, pela língua.
Em que mundo vivemos, afinal?
domingo, 7 de outubro de 2007
Diferente?
Acabei de ouvir o jornalista Rui Santos dizer o mesmo que inúmeras pessoas, todos os dias, ou seja "culpabilizar".
Reconheço que a minha ciência é escassa, daí que me contente com a velha e simples forma "culpar", pela boa razão de não perceber a diferença entre este verbo e o catita "culpabilizar".
Será porque uma forma é mais comprida e o tamanho conta?
Sinceramente, gostaria que alguém me explicasse a razão desta recente preferência por "culpabilizar". O que significa culpabilizar?
Deixo a pergunta porque não tenho culpa de não saber...
If mérid
Os que faziam, claro.
Os outros eram iguais aos que hoje praticam o abandono escolar precoce...
A farsa e os fariseus
Agora caem-lhe todos em cima, insultam-na e obrigam-na a devolver as medalhas, além de ter de responder em tribunal por perjúrio.
É evidente que o seu comportamento é censurável, mas só os piores fariseus é que lhe atiram pedras porque toda a gente sabe que o desporto, todo ele, cheira a doping que se farta.
Não é só o ciclismo, embora aí os escândalos sejam mais visíveis.
Seria interessante que o senhor Secretário de Estado dos Desportos convidasse antigos praticantes a contar (mesmo sem provas, claro) o que sabem sobre o uso de doping no futebol português.
Muitos ficariam caladinhos porque as confissões destruiriam mitos com barbas.
Mas outros contariam o suficiente para mostrar que muitos reis e príncipes da bola vão nus.
Mas, claro, isso nunca há-de acontecer porque a verdade salpicaria muito boa e respeitável gente, seria um cataclismo.
Por isso, a santa Inquisição de puritanos que nos governam esfrega as mãos e apressa-se a queimar na internet a bruxa má da Marion Jones que caiu na patetice de confessar.
No país da fruta e das férias no Brasil para árbitros, alguém pode esperar a abertura do capítulo do doping?
Cartão sem crédito
Assim aconteceu ao longo de muitas décadas em que apenas o modelo que eram os países de Leste constituía o ponto fraco da encenação.
A teoria era aliciante, mas a prática, a experiência mostrava que ali havia embuste.
Daí que o PC nunca tenha conseguido conservar senão uma pequena parte do eleitorado. Fundamentalmente porque não tem credibilidade.
Ainda hoje tivemos a prova desta mascarada em que os dirigentes comunistas transformam uma ideologia tentadora.
O primeiro-ministro foi hoje assobiado e insultado, em Montemor-o-Velho, por um grupo de sindicalistas que toda a gente sabem serem manobrados pelo PC.
Interrogado, um responsável comunista negou que o Partido estivesse na origem dos protestos. Com a prática bem treinada, puxou da cassete e retorquiu que a política do Governo é que está na origem do descontentamento.
Admito que sim, até terá razão.
Porém, é lamentável e patética a demissão das responsabilidades, a tentativa ridícula de se esconderem atrás das marionetas que colocam, carregadas de insultos, no caminho de Sócrates.
Se o PC tivesse frontalidade e orgulho nas suas convicções deveria assumir, por inteiro e abertamente, que sim, senhores, apoia e incita quem a ele se junta na luta política.
Mas não o fez, nunca o faz, embora todos saibam que a CGTP é uma filial do PC, gato escondido com rabo vermelho de fora.
Por esta e muitas outras, o Partido Comunista não tem qualquer credibilidade, a não ser para a meia dúzia de apaniguados que lá encontram abrigo e tacho.
É pena que assim seja, e a culpa não é da ideologia...
sábado, 6 de outubro de 2007
Fuga em dó maior
Sendo conhecido o mau feitio da rainha, o caso deu que falar, embora se tenha vindo a descobrir que afinal houve ali uma montagem habilidosa.
Este episódio da atitude despeitada da rainha fez-me lembrar o sucedido durante uma sessão comemorativa do 25 de Abril, no ano passado, organizada pela dra. Odete Graça, quando a vereadora Felícia e a assessora de Imprensa abandonaram o salão João Mota a meio do espectáculo, sorrateiramente.
O azar é que houve quem tivesse visto. E logo haveriam de ser os malandros do saudoso blogue "Sesimbra e Ventos" que encheram o papo com esta peripécia que fazia lembrar o título do filme "A Fuga das Galinhas".
Agora temos a fuga da rainha e o despejo do chefe da BBC, ou seja, houve consequências.
Por cá também houve. Por essa ou por outras razões, a assessora de Imprensa foi colocada no posto de Turismo, ao passo que a rainha Felícia ficou, o que significa que o seu mérito é reconhecido e a torna intocável.
É esse o dó maior...
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
As time goes by...
Não tenciono ir ver o filme pela simples razão de que tudo nele cheira a bafio, soa a falso, é involuntariamente caricatural.
É confrangedor ver Tom Cruise, com o seu metro e meio mal medido, a interpretar o papel de um senador de uns Estados Unidos em torno de uma guerra à escala do planeta, a ridícula megalomania americana.
A senhora Streep oscila entre a mulher madura e a avozinha pálida, nada convincente.
Mas o pior é ver aquela carinha laroca do Robert Redford que tantos corações femininos fez bater e agora mais parece um pergaminho engelhado a um ponto que já não dá para esticar.
Há actores que engordam, mas não impressionam tanto como o mar de rugas do grande sedutor que foi Redford.
À força de vermos, na televisão, filmes antigos, esquecemos que aqueles ídolos envelhecem.
E de repente, ao sermos confrontados com a realidade, ficamos chocados.
Redford e outros deveriam retirar-se de vez, deixando as suas admiradoras presas à imagem imutável que James Dean conseguiu não deixar murchar.
A vida é assim mesmo, todos somos vítimas da idade, mas aqueles que nos fazem sonhar deveriam estar proibidos de envelhecer. Ou de permanecer em cena.
Porque o Redford que seduzia Barbara Streisand em "The way we were" é um príncipe encantado. O que vem aí é um velhinho enrugado que preferiríamos nunca conhecer.
Apesar de sabermos que, mesmo escondido, ele acabaria por ficar velho.
Tal como Tom Cruise envelhecerá a seu tempo. E este com o azar de, nem com a idade, vir a crescer um único centímetro...
O murro (falhado) e o pontapé certeiro
Levou um pontapé no cu que deixa de sentar naquele banco. Resta-lhe o outro, o da selecção, daqui por dois meses.
Carlos Cruz também foi, há anos, afastado da publicidade da "Seguro Directo".
Há instituições, como a promíscua Federação Madailense, que dão cobertura a golpes pouco dignos. Outras não.
Porque conhecem o povo, adivinham-lhe o pensamento e as convicções, correndo, naturalmente, o risco de se equivocarem.
Parabéns à Caixa.
O que diz Catalina
Diz a antiga provedora da Casa Pia algumas coisas marcantes:
- a maioria dos abusadores não está a ser julgada.
- os abusos na Casa Pia continuam ainda hoje.
- só de início acreditou na inocência de Paulo Pedroso. Agora não.
- o Código de Processo Penal foi revisto a pensar no processo Casa Pia.
Mais disse e vai ainda dizer esta mulher corajosa e isenta.
Não sei é se vai conseguir surpreender-nos porque, por enquanto, Catalina Pestana apenas revelou aquilo de que toda a gente, no mínimo, desconfiava.
No próximo sábado volta a haver mais SOL e mais Catalina...
Pela língua...
Esta parolice está em toda a parte onde encontramos palavras inglesas sem, ao menos, haver ao lado o equivalente em Português. É ridículo, simplesmente ridículo.
Mas nem só os portugueses cedem a essa tentação.
Os franceses, igualmente senhores de uma língua admirável, estão a ir na onda.
A última novidade é a designação da gente fina e cor-de-rosa, que não é o "nosso" jet set mas sim people.
É curioso, porque people significa povo e aquela gente é tudo menos povo.
Pelo contrário, trata-se dos finórios todos que enchem revistas e écrans de televisão.
É Babel a insinuar-se, trazendo consigo uma coisa terrível, a perda da identidade.
É útil saber falar inglês, mas seria triste ver desaparecer o sotaque pexito e as expressões saborosas que nem querem ver o mar ao bote...
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Mais vale tarde...
Mais dezassete pessoas próximas do ditador serão igualmente detidas.
Estão em causa 19 milhões de euros que a família Pinochet desviou para cofres seguros, nos Estados Unidos.
Levou tempo, mas chegou, não é como a justiça (?) de um país que conhecemos bem e que facilita a vida a pedófilos, corruptos e outros criminosos.
Esperemos que o ministro da Justiça do Chile nunca se lembre de copiar o nosso Código de Processo Penal recentemente revisto e corrigido...
Um comentário em destaque
De facto a Câmara Municipal, nomeadamente o seu Presidente, merece nota negativa por parte da Assembleia Municipal e de grande parte da população.
A esmola
O vice-presidente, o impoluto Amândio de Carvalho, levava na manga o argumento de que o murro de Scolari não chegou a atingir o jogador sérvio.
A UEFA fez a rábula do costume e ofereceu um jogo de brinde, redução que a nossa Federação reputa de pequena vitória.
Portugal respira de alívio, Scolari poderá sentar o cu no banco no último jogo desta fase de uma qualificação que os nossos heróis vão alcançar com muito brilho e pundonor.
No fundo, se Scolari não atingiu o sérvio e porque não serve como pugilista, tendo-se ficado pela intenção.
O homem, afinal, tem o braço curto.
E ainda dizem que o tamanho não conta...
O ouro ao bandido
Sabe-se agora que a Polícia Judiciária (honra lhe seja feita) conseguiu capturar os malfeitores que executaram os assaltos.
Mais se sabe que a operação de caça aos bandidos foi designada "Céu Dourado".
Não é por nada, mas, olhando para o adjectivo escolhido, dou por mim a pensar que o processo do Apito talvez tenha a ver com roubos.
Ou terá apenas a ver com a famosa expressão futebolística "entregar o ouro ao bandido"?
Mas... nesse caso, quem é o bandido?
Balda
Na Polícia Judiciária, o coordenador do caso Maddie foi afastado e agora o número dois pede licença sem vencimento.
Quando não há quem investigue nem quem queira julgar, só falta os guardas prisionais darem alta ao pessoal...
Vergonha
A nossa Justiça é admirável.
Veja-se a firmeza inflexível do juiz que não tem dúvidas de que a Esmeralda deve ser entregue não a quem a criou com amor mas ao homem que, por acaso, dormiu (pouco) com a mãe biológica.
Veja-se a originalidade da absolvição de um homem que mandou matar a mulher, sendo o perdão baseado no facto de os assassinos contratados não terem chegado a executar a senhora.
Veja-se agora a inovação constante do Código de Processo Penal pela qual o número de crimes de abuso sexual passa a ser irrelevante desde que a vítima seja a mesma.
Por outras palavras, os 600 crimes do Bibi passam a ser apenas vinte ou trinta.
Gente maldosa já insinua que esta inacreditável alteração foi introduzida à última hora e é à medida exacta dos arguidos do processo Casa Pia.
Sugiro aos assaltantes de bancos ou estações de serviço que, em vez de roubarem cinquenta estabelecimentos diferentes, ataquem o mesmo cinquenta vezes porque a soma é um único crime.
É tão bom ser arguido em Portugal...
Black is Black
Naturalmente, não nos mostraram a totalidade dos homens.
Por outro lado, eles vinham das profundezas da terra, onde tudo é mais escuro.
O certo é que todos os mineiros que vi sair eram negros.
E aposto que nem um dos 1300 é branco.
No fundo, é lógico, sendo o carvão preto, um mineiro negro nem chega a sujar-se...
É um suponhamos...
À deriva
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Sem emenda
A senhora directora consegue agora mais um notável exercício de equilibrismo ao escrever novo editorial sem falar de Sesimbra.
Mas achou oportuno falar de Scolari, com quem se identifica, e termina a sonhar com um lugar no "assento dos deuses". Admirável retórica.
O nosso inevitável Sequerra junta-se à senhora directora na abertura à dimensão internacional para nos falar de Mourinho.
Mas não arranjou (mais uma vez) espaço para o "Carocho". Acontece.
Eu não sou qualificado para discutir os critérios editoriais da senhora, mas confesso a minha estranheza quando a mascarada da lota merece fotografia de meia primeira página, enquanto o colóquio sobre Rafael Monteiro surge diluído no interior.
Provavelmente, a senhora directora desconhece quanto Rafael representa na vida cultural de Sesimbra.
Pior, parece ignorar a quantidade e a qualidade dos escritos que publicou n"O Sesimbrense", alguns dos quais, aliás, foram apropriadamente evocados pelo dr. João Aldeia no colóquio.
Pelos vistos, a senhora tem outras prioridades, mas as que aqui aponto (e muitas outras) não serão certamente de natureza a elevá-la aos píncaros de glória de que fala no seu enigmático editorial...
Escandaloso!
Defunto gerúndio
O gerúndio é uma forma (correcta) do Português antigo que foi sendo substituída pelo particípio presente, ou seja, estou escrevendo deu lugar a estou a escrever.
É um preciosismo decretar a morte do pobre gerúndio porque não é ele o responsável pela proverbial negligência brasileira.
Não é por aí que se vai melhorar o desempenho de malandragem que é mais do estilo de não fazer nem sair de cima...
Peixe raro na lota
É um lugar comum apontar-se o PC como um universo concêntrico, fechado, onde tudo se encontra previsto, programado, controlado e contido.
Ora, todos quantos culpam o PC de ser monolítico e antidemocrático acabam de receber uma lição de abertura, transparência e frontalidade, quando a Assembleia Municipal põe em sentido, chama à pedra e aponta o dedo às falhas clamorosas do topo da hierarquia da edilidade.
A lição a ter em conta é que tal se deveu não a uma medida escrita no caderno vermelho, mas apenas à coragem individual e ao assomo de dignidade de uma mulher que desempenhou com brio o papel que lhe foi atribuído, não olhando a compadrios, pretensas fidelidades ou disciplina partidária.
Permito-me discordar do Escriba quando considera ser a Dra. Odete Graça a verdadeira líder da oposição.
Não me parece que seja o caso nem a sua intenção.
Julgo (e posso estar errado, não sei) simplesmente que Odete Graça é uma pessoa com vontade própria, com personalidade e com uma noção clara do que significa cumprir um mandato, desempenhar funções e observar a preceito os mandamentos da ética e da moral.
Odete Graça não é, provavelmente, uma renovadora, mas é, com toda a certeza, uma rara e elogiável excepção naquele universo de mediocridade e de incompetência...
Um pingo de vergonha
O ponto da situação
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Do cigarro à beata
Sei que fumar não é pecado, mas é um bocado estranho ver o senhor Cardeal Patriarca puxar da sua cigarrada perante milhões de portugueses que olham para a Igreja como a referência máxima da nossa sociedade.
Já todos sabemos que, durante a missa, os padres bebem vinho.
Se agora se põem a fumar em público, para mais um Cardeal Patriarca, onde é que vamos parar?
Talvez eu esteja a ficar mais sensível, com a idade, mas, francamente, com as televisões ali em força, senhor D.José, não havia necessidade...
Atrás do prejuízo
Muita gente é de opinião que a Dra. Odete Graça teria sido muito melhor escolha para presidir à Câmara Municipal.
O tempo vem confirmando essa convicção e há quem lamente que não haja substituições no decorrer deste encontro com a governação que a equipa de Augusto está perder por margem irrecuperável.
O cartão amarelo para a dupla Augusto-Felícia já foi mostrado.
O vermelho virá a seu tempo...
Uma lenta agonia
(actualizado)
Li os comentários e fui investigar. Na verdade, foi aprovada na Assembleia Municipal uma moção hostil à Câmara de Augusto. Boa parte dos seus camaradas eleitos naquele órgão debandou para evitar dilemas cruciantes na hora da votação. A presidente, Odete Graça, sempre estimável, respeitou a disciplina partidária e votou contra, mas disse o que lhe ia na alma, afirmando concordar com o teor da moção. Vem tudo explicado aqui.
Os azeites vieram depois ao de cima. Augusto, que, após o final de cada sessão, costuma fazer sala, entretendo-se com os demais circunstantes em dois dedos de conversa, desta vez saiu disparado, com cara de poucos amigos. Aposto que da próxima trará Carlos Soromenho. Entretanto, o concelho definha, numa lenta agonia…
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Epidemia
De duas, uma: ou a Dr.ª Peneque não faz a mínima ideia do que é fazer um jornal; ou, pelo contrário, sabe muitíssimo bem o que está a fazer. Dir-se-ia que parece apostada em fazer esquecer que Sesimbra existe e que em Sesimbra acontecem coisas, porventura desagradáveis para o poder instalado. De modo que a senhora, que veio agora elogiar quem, há alguns meses, a criticou abertamente em público, perante o Presidente da Câmara, por um erro de palmatória (lembram-se da “nossa” Telma?!), não se livra de um raciocínio em alternativa: ou padece da mais inexplicável inépcia jornalística; ou põe na inércia patenteada um zelo cujos motivos serão, por certo, inconfessáveis. Ele que venha e que escolha.
Morte suave
O seu nome é Dignitas e, há dias, proporcionou a um cidadão alemão um fim sereno, num hotel situado próximo de Zurique.
Depois de um jantar em companhia de uma senhora (e que o hoteleiro classificou como bem humorado), o doente retirou-se para o seu quarto onde tomou uma poção letal.
O hoteleiro processou a associação Dignitas.
A eutanásia vai fazendo o seu caminho...
Até quando?
Eu não sei se a minha sensibilidade é exagerada, mas confesso que me choca ver as futuras mães, as mulheres grávidas, designadas desta forma seca e insensível.
Há casos em que se exagera nos punhos de renda, por exemplo, quando se fala de pessoas portadoras de deficiência. Portadoras? Acaso levam a deficiência na mão, às costas ou num saco?
Pessoas com deficiência ou pessoas deficientes não seria mais adequado?
Insisto em que não se deveria falar de idosos mas de pessoas idosas. E de mulheres grávidas.
Por respeito e com ternura.
Será assim tão difícil de entender?
Tranquilamente
Foi no Casino Estoril e o espectáculo era Fado.
Ninguém pode afirmar que ele é culpado ou inocente, mas, em caso de dúvida, a abstenção é recomendável.
Mas não, em caso de dúvida, Carlos Cruz seguiu o conselho do amigo Malato (Um contra todos) e comprou. Talvez por achar que todos estão, injustamente, contra ele.
Comprou o direito a fingir que nada aconteceu, que a vida continua. Simplesmente.
No fundo, talvez seja tudo a fingir, como no futebol.
Pedro Henriques é o árbitro que fez aquela triste figura no Benfica-Sporting, o que não o impede de dizer que saiu da Luz de consciência tranquila.
Certamente que, para subir de novo ao palco e olhar o público de cabeça erguida, Carlos Cruz também deve achar que tem a consciência tranquila...
Afinal
A sua adoração por Fidel só por si constitui um sinal inequívoco de paranóia, mas a prova final acaba de surgir num site afecto ao presidente Chavez, graças a um texto em que se diz que Portugal é um regime socialista.
Concordo. E Fidel é um democrata e um humanista...
Perdidos no tempo?
Não obstante, gosto de acompanhar o percurso da equipa e tenho curiosidade em saber os resultados das respectivas partidas (o mesmo se diga com respeito ao Desportivo de Alfarim). Foi o que sucedeu ontem, ao fim da tarde.
Acedi, então, ao blogue não oficial da Sesimbra FM, que grande atenção tem dedicado ao desporto local e nacional, na esperança de ali encontrar os resultados da 2.ª jornada da Primeira Divisão Distrital de Setúbal. Debalde. Acedi, então, a um outro sítio, o “Zero Zero”, e, com alguma tristeza, verifiquei que o Sesimbra havia perdido em casa, por 2-0, com o Sarilhense.
Bem sei que o blogue da rádio não é oficial, mas, nessa sua limitada condição, não deixa de ser da Sesimbra FM. Estou em crer que, neste domínio da informação desportiva, há ainda muito trabalho a fazer, de forma a tirar o melhor partido da existência deste espaço na Internet.
Mais estranho será o facto de, há mais de uma semana, o dito blogue não ser actualizado. A última notícia data de Domingo, dia 23; é assinada pelo Departamento de Desporto da rádio; e, a propósito da reconstituição histórica da antiga lota na praia, dá-nos conta de Sesimbra ter regressado aos anos 40.
No meio de tudo isto, começo a ficar preocupado. Será que os radialistas desportivos usaram a máquina do tempo para poderem, também eles, regressar aos anos 40 e, dessa forma, fazerem uma reportagem mais fidedigna, não da lota reconstituída, mas da outra, da autêntica? Nesse caso, espero que não tenha havido qualquer problema com o aparelho que os transportou, ou ainda teremos de chamar as escolas de samba. Afinal, hoje em dia, elas resolvem qualquer problema.