domingo, 2 de dezembro de 2007

Graciosidades

Quem não gosta destas abordagens à língua portuguesa, faça favor de mudar de passeio, eu não fico agastado.

Ultimamente, a propósito de crianças que são confiadas a centros de acolhimento e instituições afins, o palavrão que os nossos elegantes jornalistas
arranjaram é "institucionalizado".
Assim, ouve-se dizer, com frequência e naturalidade, que a criança foi institucionalizada, o que, nas suas cabecinhas preclaras, significa que deu entrada num desses organismos de acolhimento.
Nesse caso, por que não dizer "organizadas" ou, pior ainda, "organizacionalizadas"?

Instituições há muitas, pelo que o precipitado e infeliz verbo não diz em qual delas a criança entra. Uma prisão, um manicómio, uma casa de correcção, também são "instituições".

Depois, quem mandou formar o verbo a partir do adjectivo institucional?
Quanto muito, seria "institucionar", embora continuasse a ser um aborto gramatical.

Função, funcional, funcionar... é assim que se diz.
Se tivesse de servir (mas não deve) de modelo.
Certos jornalistas e políticos é que deveriam ser "institucionalizados" numa escola de adultos...

Há pouco fiquei também a saber que o senhor ministro do Ambiente admite ser "remodelado".
Confesso que fiquei intrigado, tentando adivinhar se o homem vai fazer um lifting, colocar implantes capilares ou instalar uma banda gástrica.
Suponho (nunca fiando) que ele admite vir a sofrer as consequências ou a ser abrangido por uma eventual remodelação ministerial.

Mas daí a ser remodelado...

Perder a eternidade

Um leitor, em comentário deixado à entrada “121”, regista com estranheza, mas também com correcção, o presente silêncio desta Magra Carta sobre a actualidade política local. O Carteiro, que assinou aquela entrada, já lhe respondeu mui acertadamente, como é seu timbre (em francês – é curioso – timbre quer dizer selo). Confesso que, mais tarde ou mais cedo, esperava o surgimento de observações como as que foram feitas por aquele leitor. E, sendo eu o principal responsável pelo silêncio que nelas é apontado, procurarei, pela minha parte, dar-lhe uma satisfação, dizendo-lhe algo mais.

Quem se der ao trabalho de percorrer os ficheiros deste blogue, poderá verificar como, de semana para semana, e de mês para mês, os erros da governação de Augusto e Felícia se repetem amiúde, reflectindo a tipologia óbvia que os caracteriza: arrogância, e até pesporrência; um indisfarçável desnorteio levando fatalmente à improvisação e ao desastre; a ignorância e a incultura de mãos dadas, desembocando tristemente na boçalidade; e um despesismo atroz e saloio, que tenderá a agravar-se com a partida do programador Carlos Dionísio, que teve mau feitio quanto baste para dizer algumas verdades à senhora da “asneira perpétua”, e mostrar que o rei e a rainha iam nus, tal qual Deus Nosso Senhor os pôs ao mundo; mas também o mérito de incluir quartetos de Haydn e Schubert e sonatas de Debussy e Beethoven no palco do João Mota, para geral edificação e contentamento só de alguns.

(A propósito de tudo isto, não valerá, sequer, a pena falar da mentira e de mentiras, pois o comunismo, sabemo-lo há muito, é todo ele uma mentira pegada. Não a única. Mas a maior, e a mais trágica.)

Claro está que o desastre presentemente em curso não passa despercebido entre os netos mais velhos de Estaline; e tem mesmo dado azo a acendradas barafundas nos aposentos vítreos da Tia. O plumitivo Esequiel não hesita em fritar em lume brando o seu ex-futuro delfim. A prudente Odete, que pessoalmente estimo, tem o bom senso e o bom gosto necessários para se manter à margem da frenesia tresloucada com que a bisneta do Outubro vermelho dá ao mundo pérolas freudianas como o glorioso concurso escolar do dia das mentiras.

Entretanto, a imprensa mais antiga – e nem sequer perderei tempo com delíquios inquisitoriais – vai acolitando o miserável cortejo. “O Sesimbrense”, ao mais leve aceno da madeixa, queima sem pudor os pergaminhos vetustos que soube granjear durante o Estado Novo. O desvelo serventuário do nobre título, entretanto reduzido a folheca, não consente quaisquer dúvidas. Da conjectura à evidência bastou um só passo; e da evidência à ciência das coisas factuais, um passo mais. O caso é hoje história contada.

Sucede que tudo isto é já por de mais sabido. Tudo isto é velho e relho. Pessoalmente, não irei gastar um pingo de cera com tão ruins defuntos só por dá cá aquela palha.

Acresce que aquele que é presentemente, a nível local, o maior partido da oposição se manifesta, há alguns anos, e com honrosas excepções, num ror inominável de aviltamentos, deslealdades e traições, que faria corar de vergonha os corifeus da ética siciliana. Nele não faltam, sequer, ambientalistas recauchutados, como os que outrora defenderam o implante, não de um, mas de dois cais de embarque da pedra no perímetro do porto de abrigo de Sesimbra; fantásticas e prodigiosas locomotivas do progresso a quem o mundo, desatento e ingrato, teima em não dar ouvidos; e feministas iluminadas que haurem a mística inspiração à mesa da dr.ª Maria Augusto, personagem devidamente reduzida às suas ínfimas proporções, na passada sexta-feira, pela pena inclemente de Vasco Pulido Valente.

Confesso, caro leitor, que nada disto me entusiasma particularmente; e, por isso, já não pego na caneta como antes o fazia. Estou, de resto, pouco dado a democracias: só acredito na aristocracia do espírito, na nobreza de alma e coração. Entretanto, espero que Augusto continue a ter à perna quem por certo lhe ignorou a mão. Pela minha parte, irei andar por aí, feito espectro vagabundo, como o Pedro. Aqui confesso o problema: tenho mais que fazer. Não se trata sequer de perder tempo. Trata-se, isso sim, como dizia o amigo de um amigo meu, de perder a eternidade.

Linhas de passe

No futebol nada é definitivo nem científico. Às vezes, um centro falhado dá um golo inesperado, mas golo, mesmo assim, e é o que conta.

Neste momento, o Porto tem o título assegurado, embora matematicamente tudo seja possível, residindo neste advérbio a fingida esperança dos resignados.
Curioso é ser o treinador do Porto um homem que não serviu para o Benfica.
E, se calhar, não servia. Nem serviria agora.

A questão é que o Porto possui um lote de jogadores de alta qualidade e em quantidade suficiente para que lesões e castigos não criem hiatos na produção.
Por outras palavras, o hábito não faz o monge e o treinador não marca golos.
E o Porto adquiriu o hábito de ganhar...

Entretanto, o Benfica mandou embora Fernando Santos e fez várias aquisições.
Resultado : só está na Taça da Liga por vontade de um árbitro e na Liga principal ficou agora a 7 pontos do Porto.
A culpa era de Santos? De que serve Camacho?

O super- treinador que dizem ser Mourinho saiu do Chelsea e foi substituído por um israelita totalmente desconhecido do grande público. E o barco não foi ao fundo.
O Chelsea está no segundo lugar do campeonato e apurado na Liga dos Campeões.

O futebol é bem mais simples do que muitos pintam e muito mais complexo do que parece...


sábado, 1 de dezembro de 2007

À beira da náusea

O caso da pequena Madeleine atingiu os limites do aceitável, com tantas peripécias, tanta investigação, análises e peritagens, cães e microscópios, ADN e lupa, impressões erradas e outras digitais, silêncios e encenações, política e espectáculo, tudo em doses maciças servidas por insaciáveis órgãos de uma coisa elástica e tentacular chamada comunicação social.

A montanha parece ter parido um rato, os laboratórios tomaram o lugar dos Sherlock Holmes e dos Pê Jotas cá do burgo, tudo em vão, tudo debalde de uma cal que ninguém sabe onde deitar, tão denso o mistério continua.

Com tanta reviravolta, suspeitas desfeitas, lágrimas oportunas, teorizadores, comentadores, detectives amadores e profissionais, quase esquecemos que, há sete meses, desapareceu uma menina, no Algarve.

E ninguém sabe onde está. Como a Joana...

Tristeza

Os CTT puseram à venda uma coisa chamada "Phone-ix" que serve para falar muito e barato, graças ao operador móvel 922.
É o que ficamos a saber graças a uma página inteira de publicidade no caderno principal do "Expresso".

Até aqui associávamos os CTT à escrita, cartas, bilhetes postais, correio azul, verde e encomendas.
Mas como já ninguém escreve cartas de amor, os CTT alargaram o seu horizonte comercial, diversificaram a gama de produtos e colocaram no meu saco de Carteiro telefones jeitosos e em conta.

O que me desagrada é o nome do aparelho.
Quando me perguntam o que levo no saco para vender, tenho vergonha de responder "Phone-ix" que se parece com Fónix que, por sua vez, é uma variante de Fogo, sendo este uma espécie de eufemismo de F....-se.

Eu acho que um palavrão ou se diz ou se cala.
Quando se cala é por uma questão de decência, educação ou conveniência social.
Mas quando a gente se queima, porra, chiça, ou lá o que for, o melhor é soltar o palavrão, com todas as letras e de forma a encher a boca.

Fico espantado com a ignorância e a saloiice de raparigas e mulheres que dizem, tranquilamente, Fogo sem perceber que se trata de um palavrão mal disfarçado.

Se acham que podem ou devem dizer, então que profiram o original, o vernáculo.
Nada pior do que uma imitação manhosa.

Depois, o que vem ali fazer, no anúncio, a magrizela da Vanessa Fernandes, com um aparelho nos dentes e outro (o tal "Phone-ix") na mão?

Quanto lhe pagaram para fazer aquela triste figura? O quê? Só? Fónix!

O Apagador de Promessas

Hugo Chavez está a utilizar todas as armas, desde a repressão à ameaça, da sedução à demagogia, para convencer o povo venezuelano a confiar-lhe o trono até ele cair da cadeira, como o outro que bem conhecemos.

Armado em Robin dos campos petrolíferos, acaba de jogar a cartada do xeque-mate ao satan americano, espicaçando velhos ódios e rivalidades históricas para uma espécie de guerra santa à base de octanas.

Chavez é dono de um país multimilionário onde vivem muitos milhões de pobres e onde o jogo do rapto e do resgate é praticado com a mesma facilidade com que nós recorremos ao Euromilhões.

É a esta turba de miseráveis que Chavez promete a lua, acenando com a bandeira de uma Pátria heróica face ao demónio Bush e dando a cheirar petróleo cujos proveitos nunca chegarão às incontáveis favelas.

A pobreza desesperada e as promessas douradas são os trunfos que Chavez está a usar para alcançar o poder vitalício. E é possível que consiga.

A promessa é a grande, a única arma dos políticos. E há quem acredite.

Combater o desemprego, explicando como, é um objectivo e uma estratégia.

Criar 150.000 postos de trabalho é uma promessa, um acto de (falsa) fé.

Uma vez no poder, os políticos esquecem o que disseram e fazem o que sempre tiveram intenção de fazer.

Não pagam, antes apagam as promessas...

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

121

E pronto. Está atingida a apreciável média de 4 textos por dia.

Quatro, como os Beatles, os três Mosqueteiros e os que o Porto levou em Liverpool...

A César...

Afinal, o chefe do Governo anunciou a sua intenção de baixar o IRS já em 2008 e de fixar o salário mínimo em 500 euros, em 2010.

É verdade, embora surpreendente, a notícia é verdadeira, só que se trata do chefe do Governo Regional dos Açores.

Por isso, nada de confusões, e não demos a Sócrates o que é de César...

Porquê?

No próximo domingo, um referendo ditará se Hugo Chavez vai ser ou não o presidente da Venezuela para toda a vida.

Perante tão absurda ambição, mais de 100.000 venezuelanos protestaram de forma impressionante naquela que foi a maior manifestação de sempre.

Tudo pode acontecer naquele país, mas parece claro que, qualquer que seja o resultado do referendo, muito dificilmente Chavez conseguirá calar o povo...

Capoeira

Na mesma lógica de honestidade que preside à contagem dos grevistas, o senhor Pinto de Sousa acaba de recusar o juiz encarregado de o julgar.

O senhor Sousa não é o único Pinto desta capoeira cheia de buracos que é o Apito Dourado, e é acusado de mais de 180 crimes, certamente lapsos e coincidências que a sua defesa explicará facilmente.

Mas, previdente como se calcula que seja, o senhor Pinto de Sousa fez saber que não lhe agrada o árbitro que o sistema judicial escolheu para avaliar o seu desempenho nas jogadas em que interveio.
Vai daí, opinou que lhe palpita que este juiz não vai ser imparcial e pede outro mais mal passado.
E o processo pára. E o tempo passa.
E será que o próximo será ao gosto requintado do senhor Pinto de Sousa?

No fundo, um bom juiz, um juiz imparcial será um que aceite e compreenda que o Porto pagou férias no Brasil à família Calheiros sem esperar qualquer favor em troca.
Porém, um juiz desses é peça de museu, não deve haver dois no Mundo.

Não haverá por aí um clone para satisfazer o paladar delicado dos Pintos todos desta capoeira?

Ai, Dona...

Ao fazer o ponto da situação sobre a greve, às 13 horas, o senhor Secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, apresentou o valor de 20,03% para a adesão.

Por seu lado, os Sindicatos falam de 80%.

Eu sei que é sempre assim, mas não podemos olhar para uma tal disparidade e aceitá-la como coisa natural, normal e costumeira.
Os mais modernaços e pedantes (mas ignorantes) chamar-lhe-iam recorrente.

Ora, isto apenas significa que não podemos confiar nem no Governo nem nos Sindicatos, tão evidente é que ambos mentem.
E mentem, descaradamente, com a conivência prévia e tácita de milhões de portugueses que acham que isto é de boa guerra, faz parte do jogo.

Quem, perante uma realidade mensurável, verificável e quantificável, torce e retorce os números, que crédito nos merece?

Que crédito merece quem se senta à mesa da negociação anunciando à cabeça que não sairá do valor que apresenta? Será isso negociar?

E como classificar quem pede 5 embora esteja predisposto a aceitar 2,5?

Desculpem lá, mas somos é um país de ciganos, sem ofensa para os Quaresmas todos.
Ou não é assim?

Querem ver que o burro sou eu?


Em três actos

O senhor Scolari falha os socos, mas não erra em certas estratégias, ainda que elas cheirem, à légua, a esperteza saloia.

Sejamos claros. Se o senhor Madaíl não fosse o anjo da guarda ou o padrinho, não sei bem, de Scolari, teria aproveitado o vergonhoso incidente que sabemos para despedir, com justa causa, o treinador brasileiro.
Porém, por isto, por aquilo, não o fez.

Ora, Scolari sabe que tem a cabeça a prémio e que só um brilharete no Euro 2008 o manterá no lugar.
Por isso, e em jogada de antecipação, disse a um jornal brasileiro que já decidiu sair após o Euro.
Boa malha.
Se a coisa correr mal, ele não deixará de recordar que já avisara que ia sair e que não é por causa do falhanço que sai. Enche o peito e abala com ar de grande senhor.

Se correr bem, o amigo Madaíl terá todos os motivos para lhe renovar o tacho.
E ninguém irá falar da promessa da saída.

Aliás, se for preciso, Scolari dirá que nunca disse tal coisa e que o jornalista é que interpretou mal. Sim, porque o burro não é ele, embora se interrogue.
Portanto, a encenação está feita, os actores são os do costume.

E os otários irão de bandeira às costas...

Há muitos

Estive há pouco num local onde há inúmeros televisores com informações várias a desfilar permanentemente em rodapé.
Ora, uma dessas recomendações reza assim " Efectue a sua presença na máquina de pagamentos automática".

Eu fico desnorteado perante uma tal maravilha da natureza discursiva.
Pergunto a mim mesmo, o que será efectuar a presença. Efectuar um pagamento, percebo, mas uma presença, confesso que me transcende.

Depois, a máquina é automática ou é o pagamento que é automático?

Um espírito simples teria escrito apenas "Efectue o pagamento na máquina". Mas não.
Pagaram a alguém para conceber aquela frase admirável.

Ainda meio tonto, ao sair, encontrei o Coronel José Arada, pessoa por quem tenho amizade e alta consideração, e logo lhe expus os motivos da minha perplexidade.
Analisados os contornos da proposição, deles fez o senhor Coronel a mesma leitura estarrecida que eu fizera e, logo ali, me concedeu a sua inestimável caução no sentido de eu partilhar com os milhões de leitores desta Magra Carta tão invulgar espécimen de retórica informativa.

Vendo bem, não anda longe daquele inesquecível pregão "Há chapéus para meninos de palha"...

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Mesquita por cordas

A expulsão de Luísa Mesquita era mais do que previsível e anunciada. É roupa suja que tem vindo a ser batida e revirada no lavadouro televisivo, sem honra nem brancura para as partes envolvidas.

O PC continua na patética tentativa de olhar para nós todos como se fôssemos burros.
Será que o senhor Jerónimo chega a acreditar que alguém (fora do santuário da foice) possa engolir aquela conversa da renovação, da cura de juventude, do lifting do Partido?

Aquele documento que, candidamente, o senhor Jerónimo mostra às câmaras de televisão, é uma coisa de bradar aos céus, é o deputado tornado coisa do Partido.
Igual àquilo só o vínculo que (antes do 25 de Abril) os clubes usavam para prender um jogador de futebol para a vida toda.

Contudo, confesso que não percebo por que motivo Luísa Mesquita não se divorciou, não se demitiu, não rasgou o cartão, não bateu com a porta.
Por que esperou e se pôs a jeito para que a expulsassem?
Será que vai criar a Filarmónica dos Expulsos do PC?

Só espero que a onda jovem do PC não chegue a Sesimbra. Primeiro porque, feliciamente para os da terra, já lá enrola na areia uma onda jovem.
E depois porque o presidente Augusto, apesar da barbicha, ainda não é velho.

Velho era o outro, o da barba hirsuta e laca no cabelo.
Não, senhor Jerónimo, não se engane, não os confunda, eles escrevem no mesmo raio de jornal, mas não são propriamente almas gémeas.

Por isso, esqueça Sesimbra, é terra onde não há mesquitos...



Ingratos

É da natureza humana esta permanente insatisfação que nos rói a bonomia.

Ao ler o que está a passar-se na Câmara de Lisboa, e depois das convulsões que ditaram a eleição de António Costa, só me resta concluir que os sesimbrenses não sabem apreciar a felicidade que é ter um tal elenco governativo, gente dialogante, amiga do ambiente, divertida, sempre pronta para a contradança, carnaval todo o ano, folclore e reinação, é pro menino e prá menina, ondas jovens, autocarros ao serviço dos trabalhadores, solidariedade com desempregados do Seixal que encontram lugar certo no largo do Município, uma vereadora da Cultura cheia de ideias, empreendedorismo e queda para ser personagem em livros de aventuras, ao lado do tio Sequerra, um presidente jornalista, um ex-presidente também jornalista, uma vereadora de biblioteca que varre a Filosofia Portuguesa para o lixo não reciclável...

Que mais quer o povo?

Recapitulação

Todos os dias ouvimos falar de acordos, palavra grave que a grande maioria das pessoas pronuncia abrindo o primeiro o, como em cornos ou em corvos.

Ora (já estou cansado de lembrar) esse o é sempre fechado, no singular e no plural, como sucede com pilotos ou moços. Estamos de acordo?

Uma vez mais (meninos, atenção, aí ao fundo), rúbrica não existe. A palavra, a única forma correcta, é rubrica, sem acento gráfico e com a sílaba tónica no i.

Pronto, ficamos por aqui...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Anedota

O Tribunal de Contas apurou que o Sistema Nacional de Saúde apresenta um buraco de não sei quantos milhões de euros.
Ora, hoje, o senhor ministro da Saúde foi ao Parlamento explicar aos deputados que o Tribunal de Contas usou critérios errados. Não disse que eram diferentes, afirmou que eram errados.

Mais disse aos jornalistas que explicou tudo, divergência a divergência, euro a euro.
O mais curioso é que apenas os deputados do PS perceberam e aceitaram as explicações.
Os outros todos são burros.
Mais que burro é, com certeza, o Tribunal de Contas que, por ironia, é presidido por um socialista.

Fica a dúvida: se Guilherme de Oliveira Martins (graças a uma oportuna ubiquidade) pudesse ter estado sentado junto dos outros deputados socialistas, será que também ele teria aceitado as explicações de Correia de Campos?

Como querem que levemos a sério esta gente?

Vai tudo dar ao mesmo

Ouvi, agora mesmo, o governador do Banco de Portugal dizer que seria imprudente baixar impostos antes de 2010.
Entre outras razões, porque Portugal assumiu determinados compromissos que tem de cumprir.

A primeira observação que se impõe registar é que, afinal, o cumprimento sempre conta, ao contrário do que, por vezes, alguns pretendem.

Outra dedução é que, em 2009, o PS vai mesmo baixar impostos, claro, e Vítor Constâncio dir-nos-á então, com toda a naturalidade, que não há qualquer contradição.
E isto pela boa razão de que a conjuntura em 28 de Novembro de 2007 não era a mesma de qualquer mês de 2009.
Nunca falha, jura-se hoje a pés juntos uma coisa e amanhã faz-se o contrário porque as circunstâncias mudam sempre que e como nós queremos.
Nem que se tenha de arranjar um crescimento negativo.

Já agora, uma pergunta inocente: se temos um Governo, por que razão não chamam Governador a José Sócrates?

Ou será que, na prática, quem manda e governa é Vítor Constâncio?


Já chega

O senhor Scolari, um emigrante brasileiro contratado pelo senhor Madaíl, completa hoje cinco anos na tarefa pela qual é pinguemente pago.

Há, porventura, quem o ache dedicado, ao ponto de exceder a sua função de base e desempenhar o papel de guarda-costas de Quaresma.

Eu não gosto do homem nem do técnico, é o meu direito.

Por isso, não lhe dou os parabéns por este lustro sem lustre.

E espero que não venham mais cinco...

Antes quebrar...

Depois do braço-de-ferro com os grevistas, Sarkosy enfrenta nova prova de fogo, com os disparos sobre a polícia, os incêndios, o vandalismo dos (eufemisticamente) chamados jovens que protestam contra a morte de dois rapazes num acidente que envolveu uma mota e um carro de polícia.

Independentemente do que o inquérito venha a apurar, parece claro que aquele incidente foi o pretexto para reacender o vulcão de uma violência cega e desproporcionada, própria de quem pretende provocar tumultos de uma grandeza que a situação original não justifica.

Sarkosy, enquanto Ministro do Interior, esteve no olho do furacão há dois anos e continua presente nos espíritos o epíteto de "escumalha" que lançou sobre os insurrectos.

Agora, como Presidente da República, tem de estar aberto ao diálogo, mas não pode deixar a autoridade de um Estado de Direito cair na rua, aos pés de desordeiros organizados que não hesitam em tudo queimar em nome de uma pretensa revolta de jovens.

Sarkosy já garantiu que serão levados diante da Justiça todos quantos cometerem crimes contra pessoas e bens.
Não será uma atitude muito popular, mas é a única possível, a que a maioria das pessoas de bom-senso deseja.

Sem isso, o caos poderá chegar misturado com as prendas de Natal...