segunda-feira, 9 de julho de 2007

Heróis do mar

Os ingleses são um povo bárbaro. Se não vejamos.

Três indivíduos tentaram levar a cabo atentados terroristas que podiam ter provocado inúmeras vítimas.
Porém, os dispositivos não funcionaram e os atentados não chegaram a acontecer.
Apesar disso, tendo em conta a clara intenção dos acusados, todos foram julgados e condenados.

Felizmente, Portugal é um país amorável, adorável, tolerante e compreensivo.
Um simpático cidadão decidiu mandar assassinar a mulher, tendo pago cinco mil euros a cada um dos russos a quem encomendou o crime.
Sucedeu que os russos mudaram de opinião e denunciaram o senhor.

Julgado em tribunal, o gentil colectivo de juízes achou por bem absolvê-lo explicando o magnânimo gesto com o facto de o crime não ter chegado a ser cometido.

Portanto, a intenção inequívoca, premeditada e posta em prática (no que estava ao alcance do mandante) não foi considerada suficientemente grave para levar à condenação do acusado.
Limitaram-se os juízes a ralhar com o candidato a viúvo, censurando a sua feia conduta, nos planos da moral e da ética.

Imagino que o arguido deve ter corado de vergonha, coitado, vendo-se assim repreendido em público. Foi uma crueldade desnecessária já que ficou provado que não houve crime.

Foi mais uma grande lição que a Justiça portuguesa deu ao mundo, em especial a esses selvagens ingleses.

É em momentos como estes que sentimos orgulho em ser portugueses e nos apetece adormecer embrulhados na bandeira das quinas.

Mais : se Mourinho, Ronaldo e Nani tivessem uma pinga de vergonha abandonavam a Inglaterra. Já.


Importa-se de explicar?

Paulo Portas tem feito um tal colagem ao candidato do CDS-PP à Câmara de Lisboa que o Telmo mais parece uma Correia de transmissão dos recados de PP, ou seja, Paulo Portas.

"Correia de transmissão" é expressão que nos habituámos a ouvir nos círculos chegado ao PC, mas as amplas liberdades permitem-nos a adopção de qualquer fórmula desde que apropriada.

O certo é que Paulo Portas anda muito (demasiado?) empenhado neste combate autárquico e é estranho que afirme (para quem tem a paciência de o ouvir) que a sua liderança poderá sofrer com um mau resultado de Telmo Correia.

É surpreendente esta visão das coisas.
Este ano, o Porto perdeu em casa com o Estrela da Amadora e não só Pinto da Costa se não demitiu como não afastou o treinador. E o Porto foi campeão.

Afinal, que jogada maquiavélica estará Portas a preparar no seu xadrez?

Ou será que, em vez de xadrez, ele está a jogar, no mar da Palha, à batalha naval?

Se calhar, com esta história dos submarinos, já lhe atingiram o porta-aviões...

O primeiro destino

A inauguração da Casa do Bispo é já no próximo sábado, dia 14 de Julho, pelas 18 horas. A exposição inaugural, patente no agora denominado “Pátio Verde”, chama-se “Seis horas a comer”, e o ingresso custa sete euros e meio. Na cafetaria do monumento, só refeições ligeiras: uma sardinhada, o inevitável porco preto e a sobremesa a rematar. Inspirados pela tomada da Bastilha, que nesse dia se celebra lá pelas Franças, aí vamos nós, rumo ao primeiro destino turístico da península… Parabéns, Augusto!

Em cena

Todos sabemos que a imagem, a aparência, o carisma, tudo isso tem hoje uma importância capital para a venda dos "produtos" políticos, desportivos e comerciais, sendo as fronteiras entre eles mais do que difusas.

Quer se concorde ou não com as suas opções, a verdade é que poucos negarão que Tony Blair é um político convincente, expressivo, simpático e determinado.

Em contrapartida, o seu sucessor, Gordon Brown, mais parece um actor a representar o papel de primeiro-ministro.

Sarkozy pouco terá do charme de Alain Delon e parece demasiado jovem para a função.

Cavaco é de uma extrema rigidez, incapaz de uma tirada repentista, não desmancha o cabelo nem faz pregas no peito.

Sócrates tem outro à-vontade, é mais ao jeito de Tony Blair, mas não tem o mesmo sorriso aberto, é mais frio e agressivo.

Este Gordon Brown, não sei porquê, faz-me pensar naqueles actores ingleses de boa figura, bem falantes, mas sem a naturalidade e a réplica solta de Blair.

Vamos a ver de que forma ele vai desempenhar o seu papel...

As 7 maravilhas dele

1 – A Fortaleza

Há quem entregue o ouro ao bandido, o que até se compreende. Mas, francamente!, entregar de mão beijada o Ouro e a Califórnia e a Fortaleza que os separa à polícia maila sua colónia de férias. O que ele foi fazer…

2 – Parques e jardins

A gente sabe que o Patrício jurou a pés juntos que eles existem, mas tirando as hortas e os pinhais no campo, nem vê-los. Em terra de pescadores, já se sabe: pela boca morre o peixe.

3 – O barato site caro

Diz que foi com a prata da casa, tal qual manda a cartilha da Península Digital. Ainda se fosse a outra, a de João de Deus, ter-se-ia evitado que o porta-aviões fosse ao fundo logo ao fim de cinco minutos de batalha naval.

4 – Participações sociais

Há quem queira brincar aos políticos e faça umas reuniões com miúdos e outras com graúdos. Quando o dinheiro do Orçamento Participativo não dá para mandar cantar o cego, sobram as vistas largas, os planos arrojados, os amanhãs que (nunca mais) cantam. O pior foi quando os miúdos se armaram em cidadãos a valer, na última Assembleia Municipal. E se mudássemos de assunto?

5 – Hasta pública, hasta luego!

Já não bastava o deserto de Lino, “o outro”, chegou-nos agora o deserto sob a forma de concurso. O oásis do primeiro destino da península torna-se uma insuportável miragem.

6 – O silêncio dos inocentes

Depois do banzé escusado de Lino, “o nosso”, seguiu-se o silêncio de Eufrásio. Esequiel já não mora aqui. E a excelência cultural da Costa Azul também não…

7 – A “plantaforma”

A palavra que faltava dizer. A revolução técnica ao serviço da língua portuguesa. Mais do que um mimo: o símbolo que havíamos rogado aos deuses.

Sub-jacentes

Depois da vergonha dos Sub-21, agora foi a vez dos Sub-20 fazerem triste figura.
Ganharam a uma Nova Zelândia coitadinha e depois perderam com o México, claro, e até com a Gâmbia.

Mas como estas competições são uma espécie de "muda aos três e acaba aos seis", lá foram repescados para os oitavos-de-final, por terem sido um dos melhores terceiros classificados.
Terceiro em quatro, não em quinze ou vinte. É mesmo de rir...

E o senhor José Couceiro lá continua, para espanto de todos.
Ontem, a perder, e a Gâmbia com um jogador a menos, manteve quatro defesas. Para defenderem o quê? Aquilo era para se ganhar com uma Gâmbia às costas. Afinal...

Mas isto dos Subs não é só no futebol que anda mal.
Às voltas com alguns milhões ligados à compra de dois submarinos anda o ex-ministro da Defesa, Paulo Portas.
Que ali poderá ter havido algo suspeito é o que fica subentendido. Mas eu não acredito...

domingo, 8 de julho de 2007

Bastilha amarga...

O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, tem tomado medidas que revelam grande habilidade política e uma clareza de ideias muito apreciável.

Ao convidar para o Governo personalidades de Esquerda, revelou (aos olhos do Mundo) grandeza e abertura de espírito.
Ao mesmo tempo (de forma inocente, claro) lançou a confusão e a discórdia nas hostes socialistas ao ponto de deixar o PS em total desvario.

Agora, resolveu acabar com a tradição de conceder indultos a presos, por ocasião da festa nacional de 14 de Julho, dia da tomada da Bastilha.

Trata-se de uma decisão corajosa e acertada, sobretudo quando se sabe que (lá como cá) a intenção é esvaziar um pouco as cadeias.

Ora, sendo essa a verdadeira finalidade, que os indultos sejam concedidos em qualquer altura do ano, sem datas fixas, e apenas a quem justificar tal medida de benevolência.

Todos se recordam de erros grosseiros por cá ocorridos, com os Presidentes da República a assinarem, à pressa, de cruz, a libertação de indivíduos pouco recomendáveis.

Seria bom que o exemplo fosse seguido ou, pelo menos, ponderado.

As tradições só devem ser mantidas quando se lhes reconhece fundamento e mérito, não apenas porque são tradições.

Só falta agora
virem os presos franceses falar de direitos adquiridos...

sábado, 7 de julho de 2007

Triste sigla

Os deslizes de Fernando Negrão, enredado em siglas, mostraram, por um lado, que o senhor ainda não estava identificado com uma realidade que, ao tentar simplificar, acaba por confundir as pessoas.

Cada vez mais tropeçamos em códigos e símbolos, formas sincopadas, elípticas, sinais convencionais que vão apagando os princípios bolorentos da velha gramática.

Mas, por outro lado, essas siglas têm, por vezes e involuntariamente, o condão de nos mostrarem de forma crua e límpida aquilo que, no turbilhão da informação, nos escapa.

Muito se tem falado ultimamente nos SAPs, os serviços de atendimento permanente, o porto de abrigo dos doentes mais pobres.

E poucos terão reparado que, no pólo oposto, existem os SPAs, estabelecimentos que também tratam da saúde, mas aos ricos a quem proporcionam cuidados de beleza, primores requintados de estética, em templos da eterna juventude.

Curiosa e ironicamente, SAPs e SPAs simbolizam e retratam o Mundo de hoje, deixando antever o que, progressivamente, se irá acentuar, ou seja, a dramática clivagem entre o universo dos poderosos, da opulência impiedosa e a legião de excluídos.

De um lado,
os condomínios fechados, do outro os bairros de lata.
Por vezes, os seus caminhos
cruzam-se nas alas de um hipermercado, espaço comum de ilusão, para, logo de seguida, cada um voltar à sua realidade.

Alguns tentam enganar a vida, saltar o muro, forçar a entrada no paraíso proibido, no vértice da legalidade, por veredas perigosas, mas acabam por voltar à vala comum, longe do cemitério dos Prazeres.

Portugal vai ter cada vez menos SAPs e muitos mais SPAs, lares requintados para idosos abastados e asilos disfarçados de casas de repouso para velhos que os familiares abandonam civilizadamente.

É esta a nossa sigla, a nossa triste sina...


Afinal, como é?

A Volta à França começou hoje e o doping é o assunto que anda no ar, tantas são as suspeitas que pesam sobre o ciclismo.
O americano Lance Armstrong venceu o cancro uma vez e o Tour por seis ou sete vezes e insurge-se contra o que designa por hipocrisia dos responsáveis pela organização.

Um recente vencedor da prova confessou ter-se dopado e, por isso, exigiram-lhe a devolução da camisola amarela.
Contudo, essa exigência não foi feita a outros que admitiram idêntico recurso a substâncias proibidas.

No fundo, a grande hipocrisia não é apontar o dedo a uns e não a outros, mas sim organizar uma competição de tal violência física e, depois, esperar que os atletas se limitem a beber água das Pedras, como ironizou Jacques Anquetil, vencedor de cinco edições.

Ganhar o Tour sem doping (apesar do que diz Armstrong) é tão difícil como nadar mariposa sem nos molharmos.
Para grandes males (leia-se exigências), grandes remédios.

Não é o caso do futebol onde é perfeitamente possível jogar bem e vencer sem consumir estimulantes. Mas há quem queira ter todos os trunfos na mão e não hesite.

A diferença é que alguns antigos ciclistas acabam por confessar, ao passo que no futebol o silêncio é duradoiro.

Será que, afinal, nunca houve nem há doping no futebol?

Quem quiser que acredite. Eu não...


O biombo chinês

Este caso da OPA dos chineses sobre o Benfica está a intrigar muita gente, havendo quem se interrogue sobre a veracidade da notícia ou sobre a legalidade e/ou legitimidade da operação.
Outros ainda gostariam de saber quem está por trás de tudo isto.

Por mim, acho que nada do que se diz é surpreendente.
Não seria a primeira vez que uma mãozinha chinesa viria a calhar para o Benfica, já assim tendo sucedido quando Alberto Ló conquistou inúmeros triunfos com a sua raquete mágica, no ping-pong.

No caso vertente, depois da surpresa Berardo, surge agora uma oferta que duplica a do actual inquilino do CCB. Estranho, não é? Logo o dobro! Não será muita fruta?

Nem mais! A resposta estava aí à vossa frente, límpida, evidente, fruta!

Por outro lado, quem diz China, diz dragão. Elemental , meu calo Vieila!

As coisas hoje já não são como antas, agora manda o Dragão...

Porto fino

As gentes do Norte tiveram, durante muito tempo, uma aura de seriedade, honradez e coragem, lembremo-nos da Cidade Invicta.

Infelizmente, o futebol e certos autarcas foram minando essa imagem, com a multiplicação de casos de corrupção, peculato, sacos azuis e outros desmandos que levaram o Norte a cair sob a alçada de uma Justiça lenta e tolerante, mais parecendo feita por alentejanos.

Nomes como Felgueiras, Gondomar ou Porto deixam-nos logo de pé atrás, e a série continua.

Dois inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras são suspeitos de 180 crimes e apenas lhes foi aplicada a medida de coacção de termo de identidade e residência, o que lhes permite continuar, tranquilamente, a trabalhar no aeroporto do Porto.

É porto a mais, ficamos com a cabeça à roda...

As 7 maravilhas dela

1 – O concurso do Dia das Mentiras
Em 2006, a vereadora dava mostras do seu génio imparável: associado à Onda Jovem, um concurso de âmbito escolar destinado a estimular e premiar a criatividade na arte de mentir, motivou 60 comentários numa entrada do saudoso blogue Sesimbra e Ventos. O vencedor ainda não foi anunciado.

2 – “Os aventureiros e o mapa secreto”
Um livro de aventuras para os mais novos em que dois dos protagonistas são Felícia e David Sequerra. Cesse tudo o que a musa antiga canta…

3 – A palavra “perpétua”
Eis como duas ou três palavras reinventadas podem valorizar sobremaneira um livrinho com belas imagens fotográficas do Castelo de Sesimbra. Capatazes mais ou menos capazes e uma conjuntura mais ou menos propícia a Felícia propicia e perpetua a palavra perpétua que faltava dizer.

4 – Os mil rostos
Quem vê caras, não vê corações…

5 – Rock e Jazz na Capela do Espírito Santo
Consta que o mártir São Sebastião deu um pé de dança. O único que lhe resta.

6 – Será que se bebeu de mais no Carnaval?
Com certeza que sim. E a prova provada está no facto de ninguém se ter dignado a comparecer neste evento de suma importância para o futuro próximo do concelho. Com o Auditório Conde de Ferreira às moscas, a ressaca deve ter sido grande…

7 – Sete samurais e duas pessoas mais
Em Sesimbra não há cinéfilos… Ingratos, é o que é. Mude-se o povo, já!

sexta-feira, 6 de julho de 2007

A vassoura da Maga é preguiçosa

De duas, uma: ou esta gente é de compreensão lenta (e muito lenta), ou só vem à luta quando a refrega já serenou, assim como quem não quer a coisa, apenas para marcar presença, tentando salvar a honra do convento. Foi o que aconteceu como uma entrada que aqui deixei na segunda-feira, intitulada “Há gente para tudo”, e que só hoje mereceu o comentário anónimo, mas não incolor, que passo a transcrever:

Projecto aprovado para a Casa do Bispo? Só se foi pelo patriarcado? Na CMS nada foi aprovado e o que consta é que existe um projecto megalómano (300 mil contos) do Cristóvão Rodrigues para meter a sede do museu na Casa do Bispo (!?). Acho bem que não se avance por aí. A sede do museu não pode ficar confinada a um espaço exíguo e de difícil acesso, que dificultaria e limitaria o funcionamento de todas as valências desejáveis para uma sede de um museu.

Agora os factos:

- Há um projecto para o Museu Municipal de Sesimbra que, no mandato 1998-2001, foi presente à Câmara Municipal, e que não mereceu então qualquer reparo de Augusto.

- Esse projecto contemplava a recuperação da Casa do Bispo, destinando-a a sede do Museu Municipal de Sesimbra. Augusto viu e concordou.

- Os custos estimados para a recuperação daquele imóvel rondam os 150 mil contos, metade da atoarda agora lançada.

- O responsável científico pelo projecto do Museu Municipal, dito “megalómano” no que respeita à Casa do Bispo, é, ainda hoje, assessor de Augusto para a Cultura, desenvolvendo a sua actividade na área da museologia. Porque não lhe deu então logo a Maga uma valente varridela com a sua temível vassoura?

- A Casa do Bispo tem inegável interesse patrimonial e está em risco de ruína, mas a única serventia que lhe vislumbram é a de uma esplanada estival.

Em Sesimbra, a voz pública repete com insistência o que já toda a gente percebeu: Augusto está muito mal acompanhado. É um problema dele. Mas faz mal. Se não debandar para outras paragens, será ele a ir a votos, não os seus acompanhantes. E já daqui a dois anos…

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Eterno ManOel

Manoel de Oliveira continua a espantar-nos com a sua longevidade e a sua tenacidade.
Nesta era de senhores com brincos e anéis, mágicos, monstros e extra-terrestres, o nosso Manoel foi desenterrar um segredo com 38 anos, ligado ao filme Belle de Jour, de Luis Buñuel.

Ao mesmo tempo, desenterrou o canastrão do Michel Piccoli, e eles aí estão para nos proporcionarem uma seca das antigas, com diálogos enrolados em papel almaço, silêncios intermináveis, bocejos e cabeçadas, o Manoel do costume.

Eu sei que sou mauzinho, estou para aqui a lançar veneno e nem vi o filme.
Mas quem viu um filme do Manoel, viu-os todos. Eu vi um, hélas, e foi de mais.

Por isso, recomendo a exibição urgente desta interminável metragem no Cineteatro João Mota.

Quem andar com insónias, vai ver que não dá o dinheiro por mal empregue

Janela de oportunidade

Afinal, depois de tanto alarido, de tantas suspeitas e demissões, o Ministério Público não encontrou matéria crime no caso das indemnizações aos ex-administradores da EPUL, Fontão de Carvalho, Eduarda Napoleão e mais três que, ipso facto, não irão a julgamento.

Ao mesmo tempo, continuam as trocas de acusações entre os manos Sá Fernandes e o senhor Nóvoa, da Bragaparques.
Aqueles dizem que foram aliciados, ao passo que este diz-se vítima de pressão dos outros.

Entretanto, a Câmara caiu, as marchas desfilaram, as noivas de Santo António casaram, os credores desesperam, Carmona não desiste, Negrão baralha as siglas, Lisboa é uma enorme Feira Popular.

Talvez, no meio desta confusão, a Bragaparques pudesse resolver o problema do estacionamento em Sesimbra.
É o que, moderna e catitamente, se poderá designar por janela de oportunidade.

Quem sabe, talvez o senhor Nóvoa gostasse de ver o mar da névoa...

Sesimbra City

A propósito das “Jornadas Medievais” promovidas pela Junta do Castelo e pela Câmara de Sesimbra, a jornalista Fátima Brinca, no “Notícias da Manhã” de hoje, diz-nos, no título da peça que ali assina, e com inexcedível rigor, que as mesmas “já estão a animar a cidade”.

É tal e qual: o concerto inaugural do pequeno ciclo é só no próximo domingo, mas podemos bem imaginar a azáfama intensa, o bulício infrene e a agitação permanente que, por causa das “Jornadas”, se fazem já sentir na cidade.

Recheado

Eu sei que o choco tem tinta, molho negro, mas desconfio que Lula faz humor da mesma cor.
Ontem, o presidente do Brasil pediu a José Sócrates que cuidasse dos brasileiros que estão em Portugal, tal como eles cuidam dos portugueses em terras de Santa Cruz.

Se bem me lembro, há uns anos, um grupo de empresários portugueses foi de férias a Fortaleza e foram todos barbaramente assassinados.
Será a isso que Lula se refere? Esperemos que não.

Quanto aos brasileiros cá, não sei, não, mas as brasileiras, essas são bem tratadas, em especial em casas de alterne.

Solícito, José Sócrates explicou a Lula que o nosso país está a apostar forte na formação profissional e que grandes oportunidades estão a surgir.

Segredou mesmo que, em Portugal, trolha, marçano, varredor, isso não há, não, mas engenheiro, seu Lula, engenheiro é só estalar os dedos, isso é mato, seu Lula...

Ah, ganda Derlei

Nós, por vezes, temos a ilusão de saber ler entre as linhas, de decifrar enigmas e antecipar acontecimentos.
Chicos-espertos é o que somos, sem ideias estruturantes nem conceitos fracturantes.

Noutro dia, mal soube que o Derlei ia para o Sporting, apressei-me a afiançar que era um barrete, que o tipo já deu o que tinha a dar, enfim,
palpites daqueles que teriam merecido sérias reservas do mestre Adelino.

Ora, se volto ao assunto, é para dar a mão à palmatória, para me prostrar a vossos pés, leitores que conheço desde pequeninos, ainda parece que foi ontem.

Vergonha, porca miséria, o degredo é o que me resta, já que falhei rotunda e estrondosamente.
A evidência é que o Sporting fez um grande negócio, pois o Derlei, ontem, já fez TRÊS golos no treino.
Os jornais aí estão, com parangonas, a encher os céus e a terra, Derlei seja louvado.
Onde é que já se vira tal feito? Três golos num treino?!!

As hostes leoninas estão em festa, o País boquiaberto.
Lula da Silva está mesmo a ponderar a hipótese de agraciar Derlei com a medalha de comendador de Alcochete.

Para que conste, ontem, numa partida de matraquilhos, marquei sete golos ao Pedro Neves.
De bola parada. É obra, é pau, é pedra...

Estão verdes...

No boletim de voto para as eleições em Lisboa, o nome de Helena Roseta não aparece.
O que lá está é "Cidadãos por Lisboa".
Enfim, ela lá saberá por que fica na sombra, embora em todos os cartazes apareçam a sua cara e o seu nome.

Por outras razões, o Partido Comunista há muito utiliza o subterfúgio, o eufemismo da sigla CDU, quando toda a gente sabe que os Verdes pouco ou nada riscam.
É apenas uma forma de atrair alguns ingénuos e evitar a conotação vincada de PC menos puro e mais endurecido.

Se a minha voz tivesse algum alcance, se ela acaso chegasse aos corredores dos nossos augustos governantes, atrever-me-ia a sugerir que, nas próximas listas eleitorais, não ponham certos nomes.

Deixem a coisa em suspenso, forneçam a constituição da equipa só à hora do jogo, porque há nomes que causam arrepios e pele de galinha aos munícipes menos adormecidos e verdadeiramente livres.

CDU serve, é ambígua, vaga e inócua, como convém.
Lembram-se da fábula da raposa e as uvas?

Pois, essa mesmo, estão verdes, não prestam.Verdes em Sesimbra, nem os espaços...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Nunca mais

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, anunciou que o Estado vai conceder um subsídio de 2500 euros por cada criança que nasça.
A promessa já havia sido feita pelo Partido Popular e era de 3000 euros.

A quebra da natalidade é alarmante, e só a produtividade dos emigrantes vai equilibrando as contas.
Mas há, pelo menos, dois dados a ponderar.
Primeiro, a soma é escassa, quando se pensa nos encargos que um filho representa, ao longo de muitos anos.
Dantes, a tropa era o adeus ao lar. A seguir vinha o emprego, relativamente fácil.
Hoje, o serviço militar já não é obrigatório. Garantido, quase obrigatório, é o desemprego.
Até onde se consegue esticar 2500 euros?

O segundo aspecto é que não faz sentido atribuir essa soma a famílias com bons rendimentos. Provavelmente, quem vai aproveitar é a comunidade emigrante, sobretudo africana, o que (nesta selva do mercado de trabalho) significa mais assistidos e/ou revoltados para recrutamento fácil das Al Qaedas.

A grande verdade é que NUNCA MAIS haverá trabalho para todos e, se os ricos não contribuírem para que os excluídos possam viver com um mínimo de dignidade, isto vai acabar muito mal.
Porque mal já está. No mundo inteiro.

E não nos venham com flexiguranças nem choques tecnológicos. Admitam, de uma vez por todas, que NUNCA MAIS haverá trabalho para todos.

E actuem em consequência, se não quiserem viver o horror de convulsões sociais como a Revolução Francesa.

Quem avisa...