Talvez inspirado nas movimentações do BCP sobre o BPI e da Sonaecom sobre a PT, o Tomé da pastelaria acaba de lançar uma OPA sobre a loja do Palhinhas.
A notícia caiu como uma bomba nos meios locais e, à porta da praça, não se falava de outra coisa.
Argumenta o Tomé que, estando a pesca em prolongado estertor, poucos anzóis, chumbadas e cordame se há-de vender, ao passo que bolos, cafés e refrigerantes são artigos cuja procura sobe em flecha.
O Lucindo e o Hélio, surpreendidos e revoltados, não aceitam e já fizeram queixa na Capitania que, como se sabe, fica a meio caminho entre os dois estabelecimentos, pelo que o mediador parece encontrado.
Está já marcada uma Assembleia Geral de accionistas da "Casa Naval", ou seja, a loja do Palhinhas, enquanto o Tomé instalou uma banca à esquina e vai distribuindo matacões e suspiros a quem disser que está de acordo com a OPA.
A Liga dos Amigos de Sesimbra está a ponderar a hipótese de pensar em constituir um grupo de reflexão com vista à elaboração de um esboço de um hipotético projecto de redacção de um comunicado anunciando que é provável que venham a redigir uma moção se não chover antes do dia da procissão do Senhor das Chagas.
Ao ouvir falar em OPA, logo alguns membros da comissão organizadora da Festa foi ter com o senhor prior, assinalando que uma OPA é pouco.
Segundo declararam à Rádio local, serão necessárias muitas dezenas, tantos são os devotos que vão atrás do Senhor, envergando as garridas capas vermelhas também conhecidas por opas...
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Há limites
Diz o insuspeito "24 Horas" que Madaíl quer falar com Deco caso se confirme a história da prostituta.
Eu compreendo a motivação do presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
Como, ao que consta, o caso teria acontecido após o desafio Portugal-Brasil, podemos aceitar a ideia de que o jogador, mesmo terminado o jogo, estivesse ainda ao serviço da Pátria.
Nessa ordem de ideias, Deco continuaria a ser, de certa forma, um subordinado de Gilberto Madaíl, pelo que não pode recusar-se a responder às perguntas nem a dar as explicações que lhe forem pedidas.
Agora não está obrigado, de maneira nenhuma, a fornecer a Madaíl o número de telemóvel da pequena e, muito menos, a interceder para que ela faça ao senhor presidente o jeitinho de uma tarifa sénior...
Eu compreendo a motivação do presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
Como, ao que consta, o caso teria acontecido após o desafio Portugal-Brasil, podemos aceitar a ideia de que o jogador, mesmo terminado o jogo, estivesse ainda ao serviço da Pátria.
Nessa ordem de ideias, Deco continuaria a ser, de certa forma, um subordinado de Gilberto Madaíl, pelo que não pode recusar-se a responder às perguntas nem a dar as explicações que lhe forem pedidas.
Agora não está obrigado, de maneira nenhuma, a fornecer a Madaíl o número de telemóvel da pequena e, muito menos, a interceder para que ela faça ao senhor presidente o jeitinho de uma tarifa sénior...
No melhor pano...
Mau tempo para as Universidades, meus amigos, aviso de borrasca, alerta laranja descascada, no mínimo.
Há tempos, foi o escândalo da Moderna, um folhetim do tamanho de uma montanha que acabou por parir um episódico rato.
O curioso é a escolha do nome da Universidade. Moderna? Porquê Moderna?
Será que as outras todas são antigas, desactualizadas, obsoletas, caquéticas?
E no que deu a modernidade da Universidade? No que sabemos...
Agora temos aí a Independente. Porquê Independente?
Será que as outras andam de chapéu na mão a pedir esmola e/ou subsídios?
Será que não são livres na escolha dos professores e das matérias?
Será que obedecem a alguma seita, loja ou armazém secreto?
O certo é que a Universidade Independente surge associada (alegadamente, apresso-me a acrescentar, uff) a fraude fiscal, tráfico de diamantes e falsificação de assinaturas e documentos.
Estarão as nossas Universidades loucas? Que licenciados, mestres, contramestres, Doutores e Professores Doutores põem cá fora?
Haveria necessidade de tal leviandade em tanta Universidade? Valha-me o Diácono, ó santinhos.
Pelo sim, pelo não, já acendi duas velas e três lamparinas, pensando no que por aí podem começar a dizer da nossa Universidadezinha Seniorzinha, postadinha à beira da estradinha entre Santana e Cotovia.
Passem palavra aos vossos amigos, familiares e conhecidos de confiança.
Não quebrem esta corrente, acendam uma vela pela nossa Universidade que não será Moderna (por ser Sénior) nem Independente, pois tem a ajudinha dos Rotários.
Mas que é asseada e de boas famílias.
Não é por estar à beira da estrada que tem que ter o estigma das universidades que se portam mal...
Há tempos, foi o escândalo da Moderna, um folhetim do tamanho de uma montanha que acabou por parir um episódico rato.
O curioso é a escolha do nome da Universidade. Moderna? Porquê Moderna?
Será que as outras todas são antigas, desactualizadas, obsoletas, caquéticas?
E no que deu a modernidade da Universidade? No que sabemos...
Agora temos aí a Independente. Porquê Independente?
Será que as outras andam de chapéu na mão a pedir esmola e/ou subsídios?
Será que não são livres na escolha dos professores e das matérias?
Será que obedecem a alguma seita, loja ou armazém secreto?
O certo é que a Universidade Independente surge associada (alegadamente, apresso-me a acrescentar, uff) a fraude fiscal, tráfico de diamantes e falsificação de assinaturas e documentos.
Estarão as nossas Universidades loucas? Que licenciados, mestres, contramestres, Doutores e Professores Doutores põem cá fora?
Haveria necessidade de tal leviandade em tanta Universidade? Valha-me o Diácono, ó santinhos.
Pelo sim, pelo não, já acendi duas velas e três lamparinas, pensando no que por aí podem começar a dizer da nossa Universidadezinha Seniorzinha, postadinha à beira da estradinha entre Santana e Cotovia.
Passem palavra aos vossos amigos, familiares e conhecidos de confiança.
Não quebrem esta corrente, acendam uma vela pela nossa Universidade que não será Moderna (por ser Sénior) nem Independente, pois tem a ajudinha dos Rotários.
Mas que é asseada e de boas famílias.
Não é por estar à beira da estrada que tem que ter o estigma das universidades que se portam mal...
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Rocky
Uma das grandes máximas do léxico futebolístico é "não há dois jogos iguais".
Da mesma maneira que não há duas equipas iguais, ainda que mantenham os mesmos jogadores de uma época para outra.
Por isso, aquela lengalenga das estatísticas é maçadora e totalmente desprovida de significado.
Vem isto a propósito do próximo adversário europeu do Benfica, o Paris Saint-Germain.
O Dínamo de Bucareste nunca foi grande espingarda e, depois de dois meses sem competição, foi presa fácil para os encarnados que aproveitaram para encher o peito e voltar com sonhos de novos voos da águia.
A primeira jogada psicológica é endeusar o PSG, rotulando-o de grande baluarte do futebol francês. Em tempos, foi campeão, é verdade, mas hoje é um tigre de papel pardo.
Factos são factos : a equipa de Pauleta está em 17º lugar, com os pés na linha de água, só não estando na zona de despromoção por uma diferença de golos com o Valenciennes, salvo erro.
Serve isto para colocar as peças no seu sítio, antes que surjam os títulos de caixa alta a gritar ao mundo que o Benfica eliminou o temível PSG, ex-campeão de França.
Tem obrigação de vencer, mas se o fizer, não é motivo para se falar em feito histórico e outras baboseiras de circunstância.
Porque o PSG de hoje é uma sombra, talvez uma saudade, para alguns. E não vai ressurgir das cinzas assim, de repente.
Um regresso milagroso de um passado distante de glória é coisa romântica e empolgante, mas não sucede com o depauperado PSG, apenas acontece com o Stallone quando este calça as luvas do Rocky Balboa...
Da mesma maneira que não há duas equipas iguais, ainda que mantenham os mesmos jogadores de uma época para outra.
Por isso, aquela lengalenga das estatísticas é maçadora e totalmente desprovida de significado.
Vem isto a propósito do próximo adversário europeu do Benfica, o Paris Saint-Germain.
O Dínamo de Bucareste nunca foi grande espingarda e, depois de dois meses sem competição, foi presa fácil para os encarnados que aproveitaram para encher o peito e voltar com sonhos de novos voos da águia.
A primeira jogada psicológica é endeusar o PSG, rotulando-o de grande baluarte do futebol francês. Em tempos, foi campeão, é verdade, mas hoje é um tigre de papel pardo.
Factos são factos : a equipa de Pauleta está em 17º lugar, com os pés na linha de água, só não estando na zona de despromoção por uma diferença de golos com o Valenciennes, salvo erro.
Serve isto para colocar as peças no seu sítio, antes que surjam os títulos de caixa alta a gritar ao mundo que o Benfica eliminou o temível PSG, ex-campeão de França.
Tem obrigação de vencer, mas se o fizer, não é motivo para se falar em feito histórico e outras baboseiras de circunstância.
Porque o PSG de hoje é uma sombra, talvez uma saudade, para alguns. E não vai ressurgir das cinzas assim, de repente.
Um regresso milagroso de um passado distante de glória é coisa romântica e empolgante, mas não sucede com o depauperado PSG, apenas acontece com o Stallone quando este calça as luvas do Rocky Balboa...
Óscares à Portuguesa
Agora que terminou a cerimónia da atribuição dos Óscares, observo que alguns dos actores e filmes seleccionados poderiam perfeitamente adaptar-se à realidade portuguesa.
É evidente que, num exercício deste tipo, se fôssemos buscar títulos antigos, talvez obtivéssemos melhor efeito. Porém, actualidade é actualidade e é sempre um desafio olhá-la de outra maneira.
Assim, uma das obras premiadas bem poderia ter sido produzida pelo CDS-PP, tendo como vedetas principais Ribeiro e Castro, Nuno Melo, Telmo Correia e Pires de Lima.
Realização, encenação e argumento de Paulo Portas.
Esse filme só poderia ser "Entre Inimigos".
O prémio da interpretação feminina cabe, sem dúvida, à grande artista que é "A Rainha" das fugas para o Brasil, dos banhos de multidão comprada e dos incontáveis sacos azuis.
Senhoras e senhores, o troféu vai para Fátima Felgueiras.
Ele é o último dos Moicanos, o inimigo dos Cubanos, o rei de todos os Carnavais. Ele é, sem dúvida, "O Último rei da Escócia", do Uganda ou da Madeira.
Ele é Alberto João Jardim, herói tragicómico por excelência.
Eles falam, falam, agitam papéis, trocam ameaças, ninguém os entende no reino da confusão. Eles são os intérpretes desta Babel que envolve os voos da CIA e os encerramentos na Saúde.
Eles são Correia de Campos, Luís Amado e a diva exaltada Ana Gomes.
Toda a gente sabia, há anos, há décadas. Mas agora veio ao de cima.
É o que se pode chamar "Uma Verdade Inconveniente". É o Apito Dourado.
Não posso fornecer a lista dos intervenientes neste filme altamente explosivo, não chega o espaço deste blogue.
As fitas vão continuar...
É evidente que, num exercício deste tipo, se fôssemos buscar títulos antigos, talvez obtivéssemos melhor efeito. Porém, actualidade é actualidade e é sempre um desafio olhá-la de outra maneira.
Assim, uma das obras premiadas bem poderia ter sido produzida pelo CDS-PP, tendo como vedetas principais Ribeiro e Castro, Nuno Melo, Telmo Correia e Pires de Lima.
Realização, encenação e argumento de Paulo Portas.
Esse filme só poderia ser "Entre Inimigos".
O prémio da interpretação feminina cabe, sem dúvida, à grande artista que é "A Rainha" das fugas para o Brasil, dos banhos de multidão comprada e dos incontáveis sacos azuis.
Senhoras e senhores, o troféu vai para Fátima Felgueiras.
Ele é o último dos Moicanos, o inimigo dos Cubanos, o rei de todos os Carnavais. Ele é, sem dúvida, "O Último rei da Escócia", do Uganda ou da Madeira.
Ele é Alberto João Jardim, herói tragicómico por excelência.
Eles falam, falam, agitam papéis, trocam ameaças, ninguém os entende no reino da confusão. Eles são os intérpretes desta Babel que envolve os voos da CIA e os encerramentos na Saúde.
Eles são Correia de Campos, Luís Amado e a diva exaltada Ana Gomes.
Toda a gente sabia, há anos, há décadas. Mas agora veio ao de cima.
É o que se pode chamar "Uma Verdade Inconveniente". É o Apito Dourado.
Não posso fornecer a lista dos intervenientes neste filme altamente explosivo, não chega o espaço deste blogue.
As fitas vão continuar...
Relações laborais
Segundo o jornal sensacionalista "News of the World", o jogador Deco foi filmado a praticar sexo com uma prostituta de Leste que cobra 1.500 euros por actuação.
A notícia é surpreendente e tem contornos chocantes, sobretudo para a mulher do futebolista que se encontra grávida de cinco meses.
Não sei se a notícia tem ou não fundamento, mas seria estranho que tais cenas tivessem acontecido porque, entre outras razões, qualquer futebolista famoso tem à mão de semear inúmeras meninas dispostas a executar transições defesa-ataque, a cortar linhas de passe, a fazer pressão alta, a entrar com tudo, sem obstrução, a desproteger a baliza, a não formar barreira, a jogar com as mãos, corpo-a-corpo, ir a prolongamento, a dar tudo por tudo até um dos dois ficar fora de jogo.
Se calhar, tratou-se apenas de um mal-entendido. O mais provável é que a fina alternadeira tenha procurado o jogador para lhe explicar (e para lhe provar adequadamente) que não têm a menor razão os clientes que, porventura, se queixem dos seus serviços.
E bateu ela à porta certa, à porta de DECO, exímio na defesa do consumidor...
A notícia é surpreendente e tem contornos chocantes, sobretudo para a mulher do futebolista que se encontra grávida de cinco meses.
Não sei se a notícia tem ou não fundamento, mas seria estranho que tais cenas tivessem acontecido porque, entre outras razões, qualquer futebolista famoso tem à mão de semear inúmeras meninas dispostas a executar transições defesa-ataque, a cortar linhas de passe, a fazer pressão alta, a entrar com tudo, sem obstrução, a desproteger a baliza, a não formar barreira, a jogar com as mãos, corpo-a-corpo, ir a prolongamento, a dar tudo por tudo até um dos dois ficar fora de jogo.
Se calhar, tratou-se apenas de um mal-entendido. O mais provável é que a fina alternadeira tenha procurado o jogador para lhe explicar (e para lhe provar adequadamente) que não têm a menor razão os clientes que, porventura, se queixem dos seus serviços.
E bateu ela à porta certa, à porta de DECO, exímio na defesa do consumidor...
Obrigatoriedade? Não, obrigado.
É verdade, nunca tive jeito para empatar anzóis e quem me safava sempre era o Lucindo, naquela mesma "Casa Naval" onde ainda hoje está.
Na altura, era a loja do Palhinhas...
Apesar de não ser pescador hábil, como o João Mau ou o tio Joaquim Sobral, gosto de apanhar na rede peixões saborosos que são as curiosidades da língua portuguesa que ouvimos e lemos por aí.
É mais forte do que eu, capto facilmente particularidades que nem sempre são erros, mas que se revestem de curiosidade.
E apenas embirro com a petulância de quem toda a vida disse "Era de esperar" e que agora exclama solenemente "Era expectável".
Na mesma ordem de ideias está a grande moda da obrigatoriedade que enche a boca de políticos, jornalistas, de todo o bicho careta que tem honras de telejornal.
Ora bem. A forma como está a ser (ridiculamente) usada a palavra obrigatoriedade é errada. Errada e pedante.
Podemos dizer que é obrigatório circular pela direita. E também podemos dizer que essa obrigatoriedade é discutível. Isto está correcto.
Porém, é errado dizer que temos a obrigatoriedade de andar à direita. Temos, sim, a obrigação, ou seja, o dever.
Não me perguntem o que leva esta gente toda a dizer que tem a obrigatoriedade de fazer isto ou aquilo. Será por ter mais sílabas? Acaso soa melhor? Tem mais salero?
O certo é que a asneira (a meu ver) alastra porque há pessoas que pretendem distinguir-se falando de forma diferente, ainda que errada.
E o pior é que se trata de pessoas que deviam sentir-se na obrigação de falar correctamente a língua portuguesa...
Na altura, era a loja do Palhinhas...
Apesar de não ser pescador hábil, como o João Mau ou o tio Joaquim Sobral, gosto de apanhar na rede peixões saborosos que são as curiosidades da língua portuguesa que ouvimos e lemos por aí.
É mais forte do que eu, capto facilmente particularidades que nem sempre são erros, mas que se revestem de curiosidade.
E apenas embirro com a petulância de quem toda a vida disse "Era de esperar" e que agora exclama solenemente "Era expectável".
Na mesma ordem de ideias está a grande moda da obrigatoriedade que enche a boca de políticos, jornalistas, de todo o bicho careta que tem honras de telejornal.
Ora bem. A forma como está a ser (ridiculamente) usada a palavra obrigatoriedade é errada. Errada e pedante.
Podemos dizer que é obrigatório circular pela direita. E também podemos dizer que essa obrigatoriedade é discutível. Isto está correcto.
Porém, é errado dizer que temos a obrigatoriedade de andar à direita. Temos, sim, a obrigação, ou seja, o dever.
Não me perguntem o que leva esta gente toda a dizer que tem a obrigatoriedade de fazer isto ou aquilo. Será por ter mais sílabas? Acaso soa melhor? Tem mais salero?
O certo é que a asneira (a meu ver) alastra porque há pessoas que pretendem distinguir-se falando de forma diferente, ainda que errada.
E o pior é que se trata de pessoas que deviam sentir-se na obrigação de falar correctamente a língua portuguesa...
domingo, 25 de fevereiro de 2007
Sénior ou júnior?
Como é sabido, Sesimbra passa agora a dispor de uma Universidade Sénior (ao que julgo) patrocinada pelo Rotary Club.
Eu sei que, neste Portugal moderno, tudo é super e hiper, mas não posso deixar de manifestar a minha surpresa ao contemplar aquela adorável casinha à beira da estrada mantida e que ostenta o nome pomposo de Universidade.
Admito que ignoro tudo dos planos da instituição e possa estar a fazer juízos incorrectos.
Ainda assim, atrevo-me a duvidar da justeza da designação de Universidade.
Diversidade, multiplicidade de disciplinas, acredito que venham a existir. Mas Universidade...
Enfim, tudo é possível, e títulos e água benta, cada um rega-se como gosta.
Aliás, há quem acredite que, ali bem perto, há um Centro de Estudos Culturais e, pasme-se, uma creche em pleno funcionamento.
No fundo, nada nos deve espantar pois também o Sporting fundou uma Academia em Alcochete.
Além disso, é verdade que a casinha faz lembrar Coimbra.
Não a Universidade, mas o "Portugal dos Pequeninos"...
Eu sei que, neste Portugal moderno, tudo é super e hiper, mas não posso deixar de manifestar a minha surpresa ao contemplar aquela adorável casinha à beira da estrada mantida e que ostenta o nome pomposo de Universidade.
Admito que ignoro tudo dos planos da instituição e possa estar a fazer juízos incorrectos.
Ainda assim, atrevo-me a duvidar da justeza da designação de Universidade.
Diversidade, multiplicidade de disciplinas, acredito que venham a existir. Mas Universidade...
Enfim, tudo é possível, e títulos e água benta, cada um rega-se como gosta.
Aliás, há quem acredite que, ali bem perto, há um Centro de Estudos Culturais e, pasme-se, uma creche em pleno funcionamento.
No fundo, nada nos deve espantar pois também o Sporting fundou uma Academia em Alcochete.
Além disso, é verdade que a casinha faz lembrar Coimbra.
Não a Universidade, mas o "Portugal dos Pequeninos"...
Vacas loucas
Bruscamente na semana passada, o país voltou a ser colocado perante o velho fantasma da doença das vacas loucas. Em voz baixa, discretamente, entre duas novelas e um jogo de futebol, o Governo murmurou que, sim senhor, se registaram duas mortes, dois jovens do Norte.
Soube hoje que há uma terceira vítima.
A primeira razão de estranheza é a forma quase subreptícia como são divulgadas, por parte das entidades responsáveis, estas inquietantes notícias.
Outra razão de espanto é a subserviência e a conivência da Comunicação Social (leia-se Televisão) que, por uma vez, não faz títulos de caixa alta, chamadas de atenção repetidas nem envio de jornalistas para o terreno a fim de investigar o que realmente se está a passar.
Será que estão a tentar evitar o pânico? Se assim não é, por que motivo não nos dizem onde é que viviam as pessoas falecidas? Que comeram elas? Mioleira? Tripas? E os seus familiares não comeram? Foram já sujeitos a exames?
Estas e outras perguntas deveriam ser feitas a quem de direito por jornalistas que, habitualmente, entrevistam meio mundo, fazem mil perguntas e se pelam por intervenções junto dos populares.
Esperemos que, à força de falarem de vacas, não nos tomem por burros...
Soube hoje que há uma terceira vítima.
A primeira razão de estranheza é a forma quase subreptícia como são divulgadas, por parte das entidades responsáveis, estas inquietantes notícias.
Outra razão de espanto é a subserviência e a conivência da Comunicação Social (leia-se Televisão) que, por uma vez, não faz títulos de caixa alta, chamadas de atenção repetidas nem envio de jornalistas para o terreno a fim de investigar o que realmente se está a passar.
Será que estão a tentar evitar o pânico? Se assim não é, por que motivo não nos dizem onde é que viviam as pessoas falecidas? Que comeram elas? Mioleira? Tripas? E os seus familiares não comeram? Foram já sujeitos a exames?
Estas e outras perguntas deveriam ser feitas a quem de direito por jornalistas que, habitualmente, entrevistam meio mundo, fazem mil perguntas e se pelam por intervenções junto dos populares.
Esperemos que, à força de falarem de vacas, não nos tomem por burros...
Má língua
Discordo em absoluto da realização do chamado Campeonato Nacional da Língua Portuguesa. Num país com tão flagrantes carências nesta área, parece-me totalmente despropositada uma tal competição que mais não visa do que fazer algum espectáculo.
Culturalmente é anódino e inútil.
E faz tanto sentido como organizar um concurso de "Nouvelle Cuisine" no actual Zimbabwe.
Importante não é um qualquer erudito consultar uma gramática ultracompleta ou um dicionário sofisticado para responder à pergunta inacessível, mas sim ajudar o comum dos portugueses a corrigir os erros mais frequentes, a evitar neologismos pindéricos, a construir correctamente as frases, por exemplo.
Para isso, basta ter ouvidos e olhos atentos ao que se diz e escreve na nossa Comunicação Social, os vênhamos, os póssamos (salvé, senhor ministro da Agricultura) e tantos outros lapsos.
Irónico e curioso, é observar o que escreveu no "Expresso", a propósito deste Campeonato, o jornalista António Loja Neves. Tomem nota pois é mesmo notável.
" 861 é o número de professores que vai monitorizar os 23 mil alunos...".
Ou seja, quem vai monitorizar é o número, não os professores. Admirável!
E, já agora, vai quê? Como disse? Monitorizar ?
Com jornalistas destes, o que faz falta é uma boa escola de adultos...
Culturalmente é anódino e inútil.
E faz tanto sentido como organizar um concurso de "Nouvelle Cuisine" no actual Zimbabwe.
Importante não é um qualquer erudito consultar uma gramática ultracompleta ou um dicionário sofisticado para responder à pergunta inacessível, mas sim ajudar o comum dos portugueses a corrigir os erros mais frequentes, a evitar neologismos pindéricos, a construir correctamente as frases, por exemplo.
Para isso, basta ter ouvidos e olhos atentos ao que se diz e escreve na nossa Comunicação Social, os vênhamos, os póssamos (salvé, senhor ministro da Agricultura) e tantos outros lapsos.
Irónico e curioso, é observar o que escreveu no "Expresso", a propósito deste Campeonato, o jornalista António Loja Neves. Tomem nota pois é mesmo notável.
" 861 é o número de professores que vai monitorizar os 23 mil alunos...".
Ou seja, quem vai monitorizar é o número, não os professores. Admirável!
E, já agora, vai quê? Como disse? Monitorizar ?
Com jornalistas destes, o que faz falta é uma boa escola de adultos...
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Conversas subliminares
Eu confesso desde já (e não desde logo) que sinto certa vergonha ao revelar que vejo, de vez em quando, o concurso "Um Contra Todos".
Como alguns saberão, o apresentador é o adiposo e xaroposo José Carlos Malato que, além de falar de mais e se achar engraçado, comete com frequência a indelicadeza de ajudar alguns concorrentes.
Foi, notoriamente, o caso desta noite em que o senhor Malato fez tudo quanto pôde para levar à vitória a engenheira Luísa Lima.
Às tantas, a senhora confessou não saber a resposta, mas disse que, por intuição, se inclinava para uma das três hipóteses.
Logo o solícito Malato (sabendo que a resposta estaria certa) a aconselhou a seguir a intuição.
E repetiu a ajuda mais do que uma vez.
Mas teve azar o parcial apresentador, pois a senhora acabou por errar.
Mas o mais espantoso foi ver o senhor Malato a enchê-la de elogios e, praticamente, a justificar-se por não ter podido orientá-la para a reposta certa.
Disse ele, mais ou menos, que há perguntas que não se prestam para conversar.
Conversar, senhor Malato? É a isto que o senhor Malato chama conversar?
Será que me está a levar por pargo, Malato?
Como alguns saberão, o apresentador é o adiposo e xaroposo José Carlos Malato que, além de falar de mais e se achar engraçado, comete com frequência a indelicadeza de ajudar alguns concorrentes.
Foi, notoriamente, o caso desta noite em que o senhor Malato fez tudo quanto pôde para levar à vitória a engenheira Luísa Lima.
Às tantas, a senhora confessou não saber a resposta, mas disse que, por intuição, se inclinava para uma das três hipóteses.
Logo o solícito Malato (sabendo que a resposta estaria certa) a aconselhou a seguir a intuição.
E repetiu a ajuda mais do que uma vez.
Mas teve azar o parcial apresentador, pois a senhora acabou por errar.
Mas o mais espantoso foi ver o senhor Malato a enchê-la de elogios e, praticamente, a justificar-se por não ter podido orientá-la para a reposta certa.
Disse ele, mais ou menos, que há perguntas que não se prestam para conversar.
Conversar, senhor Malato? É a isto que o senhor Malato chama conversar?
Será que me está a levar por pargo, Malato?
Línguas loucas
Cada vez estou mais decidido a procurar uma escola onde possa fazer uma reciclagem em Língua Portuguesa, pois já não consigo acompanhar a esmerada eloquência das excelências que moram dentro dos nossos televisores.
Há uns minutos, um intrépido jornalista da SIC (Miguel Torrão), de peito feito diante do mar, em Esmoriz, perguntava ao seu entrevistado se, para esta noite, previa alguma janela de vigília.
Já não bastavam as janelas de oportunidade, vem agora um Torrão postado junto do mar, com esta requintada figura de estilo.
Mas logo surgiu o presidente da Câmara de Ovar a garantir que está a monitorizar a situação. Confesso que fiquei muito mais tranquilo, porque se o senhor nos dissesse que está apenas a acompanhar, a seguir ou a controlar, seria insofismavelmente menos eficiente, claro.
Porém, o Óscar da asneira vai para o nosso Ministro da Agricultura, Jaime Silva, que (sem sequer cofiar o seu cinéfilo bigode) nos brindou com um vênhamos e um póssamos que abriram em mim uma janela de vigília para futuras declarações suas que, obviamente, irei monitorizar atentamente.
Ó senhor Ministro, por acaso não comeu nenhuma língua de vaca louca?
Há uns minutos, um intrépido jornalista da SIC (Miguel Torrão), de peito feito diante do mar, em Esmoriz, perguntava ao seu entrevistado se, para esta noite, previa alguma janela de vigília.
Já não bastavam as janelas de oportunidade, vem agora um Torrão postado junto do mar, com esta requintada figura de estilo.
Mas logo surgiu o presidente da Câmara de Ovar a garantir que está a monitorizar a situação. Confesso que fiquei muito mais tranquilo, porque se o senhor nos dissesse que está apenas a acompanhar, a seguir ou a controlar, seria insofismavelmente menos eficiente, claro.
Porém, o Óscar da asneira vai para o nosso Ministro da Agricultura, Jaime Silva, que (sem sequer cofiar o seu cinéfilo bigode) nos brindou com um vênhamos e um póssamos que abriram em mim uma janela de vigília para futuras declarações suas que, obviamente, irei monitorizar atentamente.
Ó senhor Ministro, por acaso não comeu nenhuma língua de vaca louca?
José Afonso
TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM
Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também
Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte
Todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também
Os poetas não morrem, a boa música é eterna.
Presto homenagem a José Afonso, admirável artista, homem livre e de convicções.
Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também
Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte
Todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também
Os poetas não morrem, a boa música é eterna.
Presto homenagem a José Afonso, admirável artista, homem livre e de convicções.
Bombom
A globalização ainda não é total nem perfeita, nem mesmo nos USA.
A prova disso está na ausência de harmonização e de concertação evidente nos títulos de dois filmes muito recentes.
Um é "O Bom Pastor", de Robert de Niro, com Angelina Jolie e Matt Damon.
O outro é "O Bom Alemão", com George Clooney.
Ora, não teria sido mais simples aquela gente encontrar-se, conversar, beber um copo e acordar em juntar esforços?
Não era precisa qualquer OPA, apenas sinergia, economia de escala, racionalização.
Dessa forma, em vez de dois, teríamos um só filme, de maior duração, talvez, e toda a gente ficaria a ganhar.
Lógica e elementarmente, " O Bom Pastor" e "O Bom Alemão" dariam lugar a " O Bom Pastor Alemão".
Até a Sociedade Protectora dos Animais agradeceria...
A prova disso está na ausência de harmonização e de concertação evidente nos títulos de dois filmes muito recentes.
Um é "O Bom Pastor", de Robert de Niro, com Angelina Jolie e Matt Damon.
O outro é "O Bom Alemão", com George Clooney.
Ora, não teria sido mais simples aquela gente encontrar-se, conversar, beber um copo e acordar em juntar esforços?
Não era precisa qualquer OPA, apenas sinergia, economia de escala, racionalização.
Dessa forma, em vez de dois, teríamos um só filme, de maior duração, talvez, e toda a gente ficaria a ganhar.
Lógica e elementarmente, " O Bom Pastor" e "O Bom Alemão" dariam lugar a " O Bom Pastor Alemão".
Até a Sociedade Protectora dos Animais agradeceria...
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Augusto, Raul Augusto e o Dia de Reis
Raul Augusto Pinto Rodrigues não gostou do que viu em Janeiro, no sábado, dia 6, Dia de Reis, no Jardim de Sesimbra. Raul Augusto é um homem frontal – que o diga Esequiel – e, para que Augusto saiba, disse agora o que lhe vai na alma, no JORNAL DE SESIMBRA do mês passado.
Bem pode Raul Augusto dirigir a sua prédica às oito ou nove pessoas que estavam em cima do palco, que nem por isso os destinatários deixam de ser apenas dois: Augusto, o homem do leme, o timoneiro da nau, o rei do concelho, centro das atenções no augusto e régio Dia de Reis que resolveu comemorar para sua maior glória, e a inevitável Felícia, contra-almirante, lugar-tenente deste navio que deu à costa.
Não sei se Raul Augusto chegou verdadeiramente a apoiar Augusto. Mas sei que terá dado ao seu projecto político o crédito suficiente para ter aceitado participar, como convidado, numa sessão pública pré-eleitoral em que a CDU se propôs debater assuntos culturais.
Sei também que Raul Augusto parece estar desencantado com a gestão de Augusto. E dá conta de que muitos sesimbrenses já estão “francamente desiludidos”. Os recursos, quer humanos, quer outros, opina Raul Augusto, continuam “escandalosamente a ser desbaratados”.
Mais diz Raul Augusto que “não bastam as aprovações de cada vez mais blocos de cimento armado, de urbanizações por tudo quanto é sítio, de campanhas de limpeza que por falta de mão firme são ridicularizadas, de grande publicidade a todo o tipo de festas, festinhas, festarolas e outros eventos, com o respectivo aproveitamento político e direito a fotografia no boletim municipal.” E, prossegue Raul Augusto, “sem rodeios digo que certamente fizeram algumas coisas boas, mas também mal seria que não. Foi o que prometeram ao povo na campanha eleitoral e é para isso que vos pagam e a todo o enorme staff que vos aconselha, ou não.”
Raul Augusto não fica por aqui. E, muito oportunamente, pergunta: “Então e os espaços verdes na vila; e os parques de convívio e lazer; e o estado lastimoso dos caminhos e estradas municipais; e a vergonha dos acessos ao mercado da Lagoa; e a desadequação e falta de manutenção das pontes e pontões, alguns em muito mau estado; e o escombramento, taludagem e consolidação das rochas que ladeiam pela direita a perigosa estrada de acesso ao porto de abrigo…??? Não é por falta de queixas que não continuamos este extenso rol, tal facto deve-se unicamente à falta de espaço.”
Raul Augusto exorta ainda: “Façam um profundo exame de consciência, uma autocrítica honesta e concluirão, tal como uma boa parte da população, que o vosso desempenho até agora tem tido um saldo negativo.”
Raul Augusto escreve tudo isto num artigo que intitula “Vamos esperar…”, e, na verdade, os dois últimos parágrafos do escrito revelam alguma esperança, que é a virtude de quem espera. Eu creio, todavia, que Raul Augusto vai precisar de uma cadeira…
Bem pode Raul Augusto dirigir a sua prédica às oito ou nove pessoas que estavam em cima do palco, que nem por isso os destinatários deixam de ser apenas dois: Augusto, o homem do leme, o timoneiro da nau, o rei do concelho, centro das atenções no augusto e régio Dia de Reis que resolveu comemorar para sua maior glória, e a inevitável Felícia, contra-almirante, lugar-tenente deste navio que deu à costa.
Não sei se Raul Augusto chegou verdadeiramente a apoiar Augusto. Mas sei que terá dado ao seu projecto político o crédito suficiente para ter aceitado participar, como convidado, numa sessão pública pré-eleitoral em que a CDU se propôs debater assuntos culturais.
Sei também que Raul Augusto parece estar desencantado com a gestão de Augusto. E dá conta de que muitos sesimbrenses já estão “francamente desiludidos”. Os recursos, quer humanos, quer outros, opina Raul Augusto, continuam “escandalosamente a ser desbaratados”.
Mais diz Raul Augusto que “não bastam as aprovações de cada vez mais blocos de cimento armado, de urbanizações por tudo quanto é sítio, de campanhas de limpeza que por falta de mão firme são ridicularizadas, de grande publicidade a todo o tipo de festas, festinhas, festarolas e outros eventos, com o respectivo aproveitamento político e direito a fotografia no boletim municipal.” E, prossegue Raul Augusto, “sem rodeios digo que certamente fizeram algumas coisas boas, mas também mal seria que não. Foi o que prometeram ao povo na campanha eleitoral e é para isso que vos pagam e a todo o enorme staff que vos aconselha, ou não.”
Raul Augusto não fica por aqui. E, muito oportunamente, pergunta: “Então e os espaços verdes na vila; e os parques de convívio e lazer; e o estado lastimoso dos caminhos e estradas municipais; e a vergonha dos acessos ao mercado da Lagoa; e a desadequação e falta de manutenção das pontes e pontões, alguns em muito mau estado; e o escombramento, taludagem e consolidação das rochas que ladeiam pela direita a perigosa estrada de acesso ao porto de abrigo…??? Não é por falta de queixas que não continuamos este extenso rol, tal facto deve-se unicamente à falta de espaço.”
Raul Augusto exorta ainda: “Façam um profundo exame de consciência, uma autocrítica honesta e concluirão, tal como uma boa parte da população, que o vosso desempenho até agora tem tido um saldo negativo.”
Raul Augusto escreve tudo isto num artigo que intitula “Vamos esperar…”, e, na verdade, os dois últimos parágrafos do escrito revelam alguma esperança, que é a virtude de quem espera. Eu creio, todavia, que Raul Augusto vai precisar de uma cadeira…
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Fair Play
Não fomos nós, foram eles, os ingleses, os inventores da expressão "fair play" que designa o espírito desportivo, correcto, elegante, honesto, leal, etc.
Ora, se a fórmula é bonita e a intenção elogiável, já a prática deixa muito a desejar.
Já não falo dos hooligans, esses rufias disfarçados de adeptos que semeiam a violência por onde passam.
Pior é quando jogadores, treinadores e dirigentes aplaudem um gesto desleal, anti-desportivo e miserável cometido diante dos olhos de milhões de pessoas.
Sucedeu no desafio entre o Lille e o Manchester United quando um jogador inglês marcou um livre (que deu golo) enquanto os adversários estavam a formar barreira. E sem o árbitro apitar.
Vergonhoso, simplesmente vergonhoso, com o glorioso Manchester a fingir que não houve deslealdade, apenas perícia e desembaraço do seu jogador.
Idêntica falta de dignidade sucedeu, há pouco tempo, entre nós, com um golo (do Paços de Ferreira ao Sporting) marcado com a mão.
O gesto até pode ter sido instintivo, não premeditado. Mas inqualificável é ninguém daquele clube ter tido a nobreza de reconhecer a ilegalidade do lance.
Do Fair Play à esperteza saloia e à falta de carácter vai um fora-de-jogo de posição...
Ora, se a fórmula é bonita e a intenção elogiável, já a prática deixa muito a desejar.
Já não falo dos hooligans, esses rufias disfarçados de adeptos que semeiam a violência por onde passam.
Pior é quando jogadores, treinadores e dirigentes aplaudem um gesto desleal, anti-desportivo e miserável cometido diante dos olhos de milhões de pessoas.
Sucedeu no desafio entre o Lille e o Manchester United quando um jogador inglês marcou um livre (que deu golo) enquanto os adversários estavam a formar barreira. E sem o árbitro apitar.
Vergonhoso, simplesmente vergonhoso, com o glorioso Manchester a fingir que não houve deslealdade, apenas perícia e desembaraço do seu jogador.
Idêntica falta de dignidade sucedeu, há pouco tempo, entre nós, com um golo (do Paços de Ferreira ao Sporting) marcado com a mão.
O gesto até pode ter sido instintivo, não premeditado. Mas inqualificável é ninguém daquele clube ter tido a nobreza de reconhecer a ilegalidade do lance.
Do Fair Play à esperteza saloia e à falta de carácter vai um fora-de-jogo de posição...
O ouro e o pechisbeque
A autenticidade e a verdadeira importância das datas, das quadras, das festas, dos diversos acontecimentos, medem-se pelo grau de enraizamento que chegam a ter na nossa memória e/ou no nosso coração.
Os aniversários dos que nos são queridos não nos saem do pensamento.
O Natal, apesar do consumismo, começa a ser sentido e vivido muito antes do dia 25.
E o seu espírito, o que resta da sua poesia, perdura por algum tempo ainda.
Por isso, não sei se é má vontade minha, mas apetece-me perguntar :
O Carnaval já acabou? Há quanto tempo foi?
Os aniversários dos que nos são queridos não nos saem do pensamento.
O Natal, apesar do consumismo, começa a ser sentido e vivido muito antes do dia 25.
E o seu espírito, o que resta da sua poesia, perdura por algum tempo ainda.
Por isso, não sei se é má vontade minha, mas apetece-me perguntar :
O Carnaval já acabou? Há quanto tempo foi?
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Quem encomendou o (fraco) sermão?
O Procurador Geral da República foi hoje o convidado de Judite de Sousa na "Grande Entrevista", na RTP.
Como seria de esperar, a entrevistadora (com o Apito Dourado ou a Câmara de Lisboa em mente) teve por objectivo dominante tirar nabos da púcara, enquanto o dr. Pinto Monteiro se ia limitando a dizer que não podia responder.
Perante um quadro destes, só podemos concluir que ambos perderam uma belíssima ocasião de estar calados.
Se não vejamos.
É espantoso que uma jornalista experimentada possa ter imaginado que o Procurador Geral da República fosse à televisão revelar segredos de processos que estão em segredo de Justiça. Santa ingenuidade!
Por outro lado, sendo as coisas o que são, que raio foi o homem lá fazer?
Se já sabia que nada de relevante poderia dizer, por que aceitou o convite?
Esta exposição mediática não traz qualquer benefício para a Justiça nem satisfaz a curiosidade dos telespectadores. Foi um equívoco desnecessário e penoso.
Por último, refira-se que Judite de Sousa é que foi a verdadeira procuradora pois procurou desatar a língua ao dr. Pinto Monteiro, embora sem êxito.
E a nota mais curiosa terá sido a insólita situação de vermos um Procurador Geral da República a ser interrogado pela Judite...
Como seria de esperar, a entrevistadora (com o Apito Dourado ou a Câmara de Lisboa em mente) teve por objectivo dominante tirar nabos da púcara, enquanto o dr. Pinto Monteiro se ia limitando a dizer que não podia responder.
Perante um quadro destes, só podemos concluir que ambos perderam uma belíssima ocasião de estar calados.
Se não vejamos.
É espantoso que uma jornalista experimentada possa ter imaginado que o Procurador Geral da República fosse à televisão revelar segredos de processos que estão em segredo de Justiça. Santa ingenuidade!
Por outro lado, sendo as coisas o que são, que raio foi o homem lá fazer?
Se já sabia que nada de relevante poderia dizer, por que aceitou o convite?
Esta exposição mediática não traz qualquer benefício para a Justiça nem satisfaz a curiosidade dos telespectadores. Foi um equívoco desnecessário e penoso.
Por último, refira-se que Judite de Sousa é que foi a verdadeira procuradora pois procurou desatar a língua ao dr. Pinto Monteiro, embora sem êxito.
E a nota mais curiosa terá sido a insólita situação de vermos um Procurador Geral da República a ser interrogado pela Judite...
Quem diria?
Por falar em multimilionários, parece que o russo Abramovich, dono do Chelsea, está a pensar em devolver cartas e fotografias e acabar o namoro com o futebol, paixão que lhe tem custado os olhos da cara e centenas de milhões de euros cuja proveniência desperta tanta inveja como suspeita.
Nestas circunstâncias, é natural e compreensível que José Mourinho ande preocupado.
O homem, coitado, é casado, tem dois filhos de tenra idade, e pode ver-se sem salário ao fim do mês.
Parece (não posso garantir) que, enquanto ele está hoje com o Chelsea no Porto, a mulher e as crianças se postaram diante do iate de Abramovich e dali não saem enquanto não forem desfeitas as dúvidas sobre o futuro do treinador.
Solidário com a angústia de Mourinho, o Sindicato dos Treinadores de Futebol já iniciou uma recolha de fundos, roupas e géneros alimentícios.
A quem estiver interessado, há também uma conta aberta num banco suíço onde os miúdos guardam os seus porquinhos-mealheiros. O número da conta é SOS 112 112.
Shame on you, Abram! Devias ter vergonha, Abram! Ovites ou queres que repita?
Nestas circunstâncias, é natural e compreensível que José Mourinho ande preocupado.
O homem, coitado, é casado, tem dois filhos de tenra idade, e pode ver-se sem salário ao fim do mês.
Parece (não posso garantir) que, enquanto ele está hoje com o Chelsea no Porto, a mulher e as crianças se postaram diante do iate de Abramovich e dali não saem enquanto não forem desfeitas as dúvidas sobre o futuro do treinador.
Solidário com a angústia de Mourinho, o Sindicato dos Treinadores de Futebol já iniciou uma recolha de fundos, roupas e géneros alimentícios.
A quem estiver interessado, há também uma conta aberta num banco suíço onde os miúdos guardam os seus porquinhos-mealheiros. O número da conta é SOS 112 112.
Shame on you, Abram! Devias ter vergonha, Abram! Ovites ou queres que repita?
Nem o pai morre...
Os multimilionários do nosso país executam muito a sério o que, no jogo do Monopólio, os miúdos fazem por brincadeira.
Os milhões andam no ar, há lucros supersónicos que levantam suspeitas e desafios na praça pública financeira, através dessa figura moderna que é a OPA.
Há tempos, a Lisbon Brokers poderá (diz-se) ter deixado escapar (sem querer, naturalmente) a informação de que se preparava uma OPA do BCP sobre o BPI.
E assim foi que alguns transeuntes que, por afortunado acaso, iam a passar, acharam graça ao palpite e foram, num instante, comprar uma alcofa de acções que, (milagre da multiplicação dos dividendos) passados dois dias, valiam muitíssimo mais do que custaram. Acontece...
Entretanto, a Sonaecom e a PT andam a jogar ao gato e ao rato. Ou talvez seja poker.
Ou ping-pong, não sei.
O certo é que o mano-a-mano se arrasta e a indecisão perdura, nem a PT cede nem a Sonae com...
Os milhões andam no ar, há lucros supersónicos que levantam suspeitas e desafios na praça pública financeira, através dessa figura moderna que é a OPA.
Há tempos, a Lisbon Brokers poderá (diz-se) ter deixado escapar (sem querer, naturalmente) a informação de que se preparava uma OPA do BCP sobre o BPI.
E assim foi que alguns transeuntes que, por afortunado acaso, iam a passar, acharam graça ao palpite e foram, num instante, comprar uma alcofa de acções que, (milagre da multiplicação dos dividendos) passados dois dias, valiam muitíssimo mais do que custaram. Acontece...
Entretanto, a Sonaecom e a PT andam a jogar ao gato e ao rato. Ou talvez seja poker.
Ou ping-pong, não sei.
O certo é que o mano-a-mano se arrasta e a indecisão perdura, nem a PT cede nem a Sonae com...
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