A senhora ministra da Educação mandou arquivar o processo disciplinar que fora instaurado ao professor Charrua, considerando que as críticas por este feitas não se dirigiam a um seu superior hierárquico directo, mas sim ao Primeiro-Ministro.
Estranha filosofia esta. Então o Primeiro-Ministro é menos importante do que um qualquer director escolar?
Fica a ideia de que a senhora ministra quis pôr uma pedra no assunto, mas parece que o fez de forma tão desajeitada como (não) tratou este assunto desde o início.
Então e a directora regional, Margarida Moreira, a tal que instaurou o processo ao professor? Além da desautorização da ministra, nada mais lhe sucede?
E o professor Charrua não merecerá um pedido público de desculpas?
Não do Primeiro-Ministro nem da ministra da Educação, claro, mas sim do seu superior hierárquico directo.
Estamos, sem dúvida, perante um arquivamento muito infeliz, mas dificilmente se podia esperar melhor de quem tão mal geriu o processo.
E, se não houver o pedido de desculpa, o mínimo que se poderá concluir é que houve dedo da ministra mas faltou Educação...
terça-feira, 24 de julho de 2007
Angola é vossa
Estamos a viver, a nível mundial, uma convulsão brusca e preocupante, com mutações que nos deixam desconcertados.
Portugal foi durante muitos anos e é ainda hoje um país de emigração.
Nas duas décadas mais recentes, passou a ser igualmente um país de imigração.
Dois dos problemas maiores que a chegada maciça de estrangeiros coloca são o controlo e a legalização.
Das nossas antigas colónias vieram muitos milhares de pessoas e nós sempre vimos esses países apenas como exportadores de emigrantes.
Sucede agora que Angola está a braços com problemas de imigração ilegal, havendo o receio de perturbações semelhantes às que têm ocorrido na Serra Leoa, Costa do Marfim ou República do Congo.
É estranha esta evolução que levanta dificuldades decorrentes de uma nova realidade para a qual Angola não está preparada, nem psicológica nem estruturalmente.
Não diria que é o mundo às avessas, mas não deixa de causar alguma perplexidade.
Dentro do espírito de cooperação que existe entre os dois países, talvez Portugal possa ajudar o Governo de Luanda a enfrentar este desafio, mas não pode fazer muito mais porque cada um tem de tratar de si e devemos lembrar aos nossos amigos que o velho slogan é hoje letra morta.
É verdade, agora Angola é vossa...
Portugal foi durante muitos anos e é ainda hoje um país de emigração.
Nas duas décadas mais recentes, passou a ser igualmente um país de imigração.
Dois dos problemas maiores que a chegada maciça de estrangeiros coloca são o controlo e a legalização.
Das nossas antigas colónias vieram muitos milhares de pessoas e nós sempre vimos esses países apenas como exportadores de emigrantes.
Sucede agora que Angola está a braços com problemas de imigração ilegal, havendo o receio de perturbações semelhantes às que têm ocorrido na Serra Leoa, Costa do Marfim ou República do Congo.
É estranha esta evolução que levanta dificuldades decorrentes de uma nova realidade para a qual Angola não está preparada, nem psicológica nem estruturalmente.
Não diria que é o mundo às avessas, mas não deixa de causar alguma perplexidade.
Dentro do espírito de cooperação que existe entre os dois países, talvez Portugal possa ajudar o Governo de Luanda a enfrentar este desafio, mas não pode fazer muito mais porque cada um tem de tratar de si e devemos lembrar aos nossos amigos que o velho slogan é hoje letra morta.
É verdade, agora Angola é vossa...
Morte lenta
O mundo está louco e a febre da informação deixa as pessoas desorientadas.
Eu não sei se já repararam, mas os telejornais consagram uma grande parte do tempo a tratar de assuntos relacionados com a saúde, ou melhor, com as doenças.
À hora da refeição, servem-nos imagens de hospitais, gente acamada, blocos operatórios, tripas de fora, apêndices caídos, aortas mal cultivadas, bofes negros do tabaco, banhas pendentes, dentes podres, desgraças sem fim, doenças insólitas, casos desesperados, lista de malefícios, sol na pele, tabaco, álcool, gordura, sal, um horror.
Depois disso, é o desfile de atentados, desastres, incêndios, inundações, naufrágios, terramotos, descarrilamentos, só a calamidade é notícia.
Vêm agora cientistas americanos dizer-nos que colesterol baixo favorece o cancro. Não se morre da doença, fina-se da cura, venho o diabo e escolha
Enquanto isso, na Nigéria, os ricos mandam as mulheres fazer curas de engorda.
Elas sentem-se melhor, anafadas, apetitosas, desejadas, confortáveis com esse sinal exterior de opulência.
Ao mesmo tempo, nas civilizações modernas ocidentais, as escanzeladas é que marcam o rumo, ditam a moda, servem de paradigma.
Quem é que pode ser prior destas freguesias?
E, sem que alguém se comova, o clima continua de cabeça perdida, completamente desregrado, sem que os senhores do Mundo mandem fechar ou condicionar as chaminés e torneiras dos óxidos, monóxidos e mil outros gases que nos vão matar lentamente, ao ritmo dos glaciares que se desfazem em água, lá longe, nos pólos, tão longe que nem damos por isso...
Eu não sei se já repararam, mas os telejornais consagram uma grande parte do tempo a tratar de assuntos relacionados com a saúde, ou melhor, com as doenças.
À hora da refeição, servem-nos imagens de hospitais, gente acamada, blocos operatórios, tripas de fora, apêndices caídos, aortas mal cultivadas, bofes negros do tabaco, banhas pendentes, dentes podres, desgraças sem fim, doenças insólitas, casos desesperados, lista de malefícios, sol na pele, tabaco, álcool, gordura, sal, um horror.
Depois disso, é o desfile de atentados, desastres, incêndios, inundações, naufrágios, terramotos, descarrilamentos, só a calamidade é notícia.
Vêm agora cientistas americanos dizer-nos que colesterol baixo favorece o cancro. Não se morre da doença, fina-se da cura, venho o diabo e escolha
Enquanto isso, na Nigéria, os ricos mandam as mulheres fazer curas de engorda.
Elas sentem-se melhor, anafadas, apetitosas, desejadas, confortáveis com esse sinal exterior de opulência.
Ao mesmo tempo, nas civilizações modernas ocidentais, as escanzeladas é que marcam o rumo, ditam a moda, servem de paradigma.
Quem é que pode ser prior destas freguesias?
E, sem que alguém se comova, o clima continua de cabeça perdida, completamente desregrado, sem que os senhores do Mundo mandem fechar ou condicionar as chaminés e torneiras dos óxidos, monóxidos e mil outros gases que nos vão matar lentamente, ao ritmo dos glaciares que se desfazem em água, lá longe, nos pólos, tão longe que nem damos por isso...
Porquê?
Este Governo descobriu agora que o preço do peixe comprado pelo consumidor final é muitíssimo mais alto do que o valor recebido pelo pescador.
Trocado por miúdos, o Governo chegou agora à conclusão de que o grande negócio é feito pelos intermediários, com prejuízo para os dois extremos do circuito, o pescador e o consumidor.
Na realidade, não quero atirar peixe podre à cara do Governo, pela simples razão de que esta realidade tem décadas e nenhum anterior executivo olhou para ela.
Mas o mais estranho é que nas próprias terras piscatórias nunca houve uma reacção a esta insólita situação que leva a que o peixe aumente dez vezes de preço no espaço de um quilómetro, entre a doca e a praça.
Por que será?
Trocado por miúdos, o Governo chegou agora à conclusão de que o grande negócio é feito pelos intermediários, com prejuízo para os dois extremos do circuito, o pescador e o consumidor.
Na realidade, não quero atirar peixe podre à cara do Governo, pela simples razão de que esta realidade tem décadas e nenhum anterior executivo olhou para ela.
Mas o mais estranho é que nas próprias terras piscatórias nunca houve uma reacção a esta insólita situação que leva a que o peixe aumente dez vezes de preço no espaço de um quilómetro, entre a doca e a praça.
Por que será?
Há mais Pintos na terra
O senhor Pinto de Sousa é o antigo presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol. Fica feita a apresentação.
Ora, este senhor acaba de ser acusado pelo Ministério Público de 144 crimes cometidos no exercício da sua função.
Esta acusação é, no meu ver de leigo, capital.
Porque, se há crimes verificados, basta agora fazer como nos livros policiais e descobrir quem com eles beneficiou
Aposto que não foi o Desportivo de Carrazeda de Ansiães...
Ora, este senhor acaba de ser acusado pelo Ministério Público de 144 crimes cometidos no exercício da sua função.
Esta acusação é, no meu ver de leigo, capital.
Porque, se há crimes verificados, basta agora fazer como nos livros policiais e descobrir quem com eles beneficiou
Aposto que não foi o Desportivo de Carrazeda de Ansiães...
Ensaios
Ontem, deixei aqui um texto sobre a figura pouco recomendável do senhor Artur Agostinho que deveria ser o tema central da croniqueta.
Porém, e como tanta vez sucede, as pessoas só ligam ao que lhes interessa.
A certa altura falei da adesão surpreendente daquele senhor ao PS, conversão que data dos anos 80, creio, e tanto bastou para que o essencial dos comentários tenha tido por objecto não a personalidade tortuosa do senhor Agostinho mas as querelas partidárias.
É prática habitual de alguns que, seja qual for o assunto, recitam a cartilha que lhe ensinaram.
O que vale é que isto, para mim, é um simples passatempo, fonte de pura diversão, pouco me preocupando com estes ensaios sobre a cegueira partidária...
Porém, e como tanta vez sucede, as pessoas só ligam ao que lhes interessa.
A certa altura falei da adesão surpreendente daquele senhor ao PS, conversão que data dos anos 80, creio, e tanto bastou para que o essencial dos comentários tenha tido por objecto não a personalidade tortuosa do senhor Agostinho mas as querelas partidárias.
É prática habitual de alguns que, seja qual for o assunto, recitam a cartilha que lhe ensinaram.
O que vale é que isto, para mim, é um simples passatempo, fonte de pura diversão, pouco me preocupando com estes ensaios sobre a cegueira partidária...
Segundo acto
A televisão mostrou ontem José Sócrates em grande plano, numa escola que foi palco de uma acção incluída no Plano Tecnológico.
E lá vimos as crianças encantadas com os computadores que vão passar a ser instrumentos de trabalho diário, substituindo, entre outras coisas, o quadro preto.
E quase preto ficou o nosso Primeiro quando se apercebeu de que aqueles meninos eram simples figurantes contratados por 30 euros.
No fundo, não se percebe bem a razão da surpresa de Sócrates, uma vez que não haverá grande diferença entre estes figurantes e os outros que vieram em autocarros desde as "berças" para dar calor, brilho e expressão à estrondosa vitória de António Costa.
Que a política é uma farsa já todos sabíamos. O que está a aumentar é o número de farsantes.
E de figurantes...
E lá vimos as crianças encantadas com os computadores que vão passar a ser instrumentos de trabalho diário, substituindo, entre outras coisas, o quadro preto.
E quase preto ficou o nosso Primeiro quando se apercebeu de que aqueles meninos eram simples figurantes contratados por 30 euros.
No fundo, não se percebe bem a razão da surpresa de Sócrates, uma vez que não haverá grande diferença entre estes figurantes e os outros que vieram em autocarros desde as "berças" para dar calor, brilho e expressão à estrondosa vitória de António Costa.
Que a política é uma farsa já todos sabíamos. O que está a aumentar é o número de farsantes.
E de figurantes...
Simplex
Contrariamente ao que aqui vaticinei, Luís Filipe Menezes avança para a disputa da liderança do PSD.
Afinal, o homem dá a cara. Ainda bem, é disto que a democracia gosta.
Há três anos, idêntica competição teve lugar no PS, entre Alegre, Soares e Sócrates.
Depois, foi no CDS-PP, com Ribeiro e Castro a vencer, para vir a ser derrotado por Portas, recentemente.
São situações normais, abertas e saudáveis que ocorrem em partidos democráticos, lutas que provocam feridas, desavenças, mas que reforçam o sentimento de liberdade de opinião, de expressão de ideias e de direito de escolha.
Mas nem todos os partidos são assim. Há um tão simpático, tão paternalista, tão protector que poupa aos seus militantes a maçada de pensar, de ter opinião e, sobretudo, de votar livremente.
Por isso, não há eleições, mas apenas nomeações.
É bem visto, é mais simples...
Afinal, o homem dá a cara. Ainda bem, é disto que a democracia gosta.
Há três anos, idêntica competição teve lugar no PS, entre Alegre, Soares e Sócrates.
Depois, foi no CDS-PP, com Ribeiro e Castro a vencer, para vir a ser derrotado por Portas, recentemente.
São situações normais, abertas e saudáveis que ocorrem em partidos democráticos, lutas que provocam feridas, desavenças, mas que reforçam o sentimento de liberdade de opinião, de expressão de ideias e de direito de escolha.
Mas nem todos os partidos são assim. Há um tão simpático, tão paternalista, tão protector que poupa aos seus militantes a maçada de pensar, de ter opinião e, sobretudo, de votar livremente.
Por isso, não há eleições, mas apenas nomeações.
É bem visto, é mais simples...
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Com traste
Ontem, na RTP1, o senhor Artur Agostinho disse que há pessoas direccionadas para apresentar concursos. O português médio, com a 4ª classe antiga, diria que há pessoas talhadas, com jeito, feitas, capazes, preparadas, vocacionadas para apresentar concursos.
Mas o cabotino Agostinho quis mostrar-se moderno, up to date, numa de desinibido.
Se o bom Fernando Peça fosse vivo teria dito : "Direccionados? E esta, hem?!".
O senhor Agostinho continua a furar por toda a parte, não pela boa e compreensível vontade de estar activo, mas pela sede cega de protagonismo que sempre mostrou ao longo da vida.
Foi uma das vozes e dos rostos mais destacados do regime do senhor Salazar, foi preso, fugiu para o Brasil e voltou, tendo tido a lata de se filiar no PS. Por ambição e com a tal sede de protagonismo, tendo, na altura, por fito afastar da RTP o homem sério e grande profissional que é Ribeiro Cristóvão.
Artur Agostinho foi igualmente um bom profissional, é verdade.
E sempre se exprimiu correctamente, pelo que este neologismo parolo só acontece porque o homem quer mostrar que cavalga a modernidade. Parola, pindérica, mas modernidade.
Artur Agostinho não é, nunca foi, pessoa simpática nem respeitadora de princípios éticos. Sempre procurou ficar à frente na fotografia, por todos os meios. E continua.
Não haverá alguém que o direccione para a arrecadação dos trastes velhos?
Mas o cabotino Agostinho quis mostrar-se moderno, up to date, numa de desinibido.
Se o bom Fernando Peça fosse vivo teria dito : "Direccionados? E esta, hem?!".
O senhor Agostinho continua a furar por toda a parte, não pela boa e compreensível vontade de estar activo, mas pela sede cega de protagonismo que sempre mostrou ao longo da vida.
Foi uma das vozes e dos rostos mais destacados do regime do senhor Salazar, foi preso, fugiu para o Brasil e voltou, tendo tido a lata de se filiar no PS. Por ambição e com a tal sede de protagonismo, tendo, na altura, por fito afastar da RTP o homem sério e grande profissional que é Ribeiro Cristóvão.
Artur Agostinho foi igualmente um bom profissional, é verdade.
E sempre se exprimiu correctamente, pelo que este neologismo parolo só acontece porque o homem quer mostrar que cavalga a modernidade. Parola, pindérica, mas modernidade.
Artur Agostinho não é, nunca foi, pessoa simpática nem respeitadora de princípios éticos. Sempre procurou ficar à frente na fotografia, por todos os meios. E continua.
Não haverá alguém que o direccione para a arrecadação dos trastes velhos?
domingo, 22 de julho de 2007
Sublime
Antigamente, as selecções nacionais de futebol eram quatro: A, B, Esperanças e Militar.
A tropa acabou. Por seu lado, B e Esperanças deram origem a uma infinidade de Subs.
Hoje, não há cão nem gato que não seja internacional Sub qualquer coisa, é a banalização da honra de vestir a camisola das quinas, camisola essa que tem mais cores do que o arco-íris.
A última versão do chamado equipamento alternativo é o preto.
E, de facto, a coisa está mesmo preta.
Depois de os Sub-21 terem sido tristemente eliminados no Canadá, foram os Sub-20 vergonhosamente corridos na Holanda.
Ontem, foi a vez dos Sub-19, fatalmente afastados na Áustria.
E tudo isto não aconteceu bruscamente no Verão passado mas, subitamente, no Verão em curso.
Sem querer subestimar o valor dos rapazes nem exigir a substituição dos técnicos, o certo é que não estamos perante uma questão subjectiva.
Factos são factos, e a derrocada dos Sub -21, 20 e 19, prova que não estamos a subir...
A tropa acabou. Por seu lado, B e Esperanças deram origem a uma infinidade de Subs.
Hoje, não há cão nem gato que não seja internacional Sub qualquer coisa, é a banalização da honra de vestir a camisola das quinas, camisola essa que tem mais cores do que o arco-íris.
A última versão do chamado equipamento alternativo é o preto.
E, de facto, a coisa está mesmo preta.
Depois de os Sub-21 terem sido tristemente eliminados no Canadá, foram os Sub-20 vergonhosamente corridos na Holanda.
Ontem, foi a vez dos Sub-19, fatalmente afastados na Áustria.
E tudo isto não aconteceu bruscamente no Verão passado mas, subitamente, no Verão em curso.
Sem querer subestimar o valor dos rapazes nem exigir a substituição dos técnicos, o certo é que não estamos perante uma questão subjectiva.
Factos são factos, e a derrocada dos Sub -21, 20 e 19, prova que não estamos a subir...
Pouca sorte
O jornal SOL, como milhões de portugueses, já não consegue designar uma pessoa com sorte sem ser com a palavra sortuda.
Por influência dos brasileiros, naturalmente.
Não sou fundamentalista, e se faço as observações que se seguem, é apenas para divagar devagar, nesta tarde dominical.
Ainda assim, não posso deixar de lamentar o mal que esta facilidade (e não facilitismo) vai fazendo ao Português que falamos por cá, na nossa terra.
É evidente que, a partir da palavra sorte, o mais simples e saboroso será dizer sortudo, à semelhança de carnudo ou cornudo.
O problema é que a tal facilidade conduz ao empobrecimento, à redução, ao apoucamento do nosso vocabulário.
Com efeito, toda a gente diz sempre e só sortudo, deixando no balde do esquecimento outras formas como feliz, felizardo, ditoso, afortunado, abençoado, contente,etc.
Qualquer dia, o moribundo passará mortudo, um nortenho a nortudo, um portador a portudo.
É lógico, não é?
Paciência, já estou por tudo...
Por influência dos brasileiros, naturalmente.
Não sou fundamentalista, e se faço as observações que se seguem, é apenas para divagar devagar, nesta tarde dominical.
Ainda assim, não posso deixar de lamentar o mal que esta facilidade (e não facilitismo) vai fazendo ao Português que falamos por cá, na nossa terra.
É evidente que, a partir da palavra sorte, o mais simples e saboroso será dizer sortudo, à semelhança de carnudo ou cornudo.
O problema é que a tal facilidade conduz ao empobrecimento, à redução, ao apoucamento do nosso vocabulário.
Com efeito, toda a gente diz sempre e só sortudo, deixando no balde do esquecimento outras formas como feliz, felizardo, ditoso, afortunado, abençoado, contente,etc.
Qualquer dia, o moribundo passará mortudo, um nortenho a nortudo, um portador a portudo.
É lógico, não é?
Paciência, já estou por tudo...
Toca e foge
Confesso que não sou dos mais atentos nas aulas, mas fiquei com a ideia de que os filiados no PSD dispõem agora de 50 dias para pagar as quotas, se quiserem votar nas eleições directas.
É, salvo erro, o que diz Marques Mendes.
Contrapõe Menezes que se trata de uma manobra para impedir que todos os militantes votem.
E que Marques Mendes está a encenar uma pequena comédia.
Pergunto eu: 50 dias não chegam para pagar as quotas?
Pobre PSD se tiver militantes caloteiros e desmobilizados.
Pobre PSD que talvez tenha um líder fraquinho. Mas sobretudo porque à sua volta é o deserto.
Este senhor Menezes parece um daqueles jovens da faixa de Gaza que atiram pedras e fogem.
Se Marques Mendes protagoniza uma pequena comédia, o senhor Menezes não chega a ser uma farsa, é apenas uma anedota.
Pobre PSD quando um alegado candidato à liderança apenas revela hipocrisia e pequenez da mais genuína, a de carácter...
É, salvo erro, o que diz Marques Mendes.
Contrapõe Menezes que se trata de uma manobra para impedir que todos os militantes votem.
E que Marques Mendes está a encenar uma pequena comédia.
Pergunto eu: 50 dias não chegam para pagar as quotas?
Pobre PSD se tiver militantes caloteiros e desmobilizados.
Pobre PSD que talvez tenha um líder fraquinho. Mas sobretudo porque à sua volta é o deserto.
Este senhor Menezes parece um daqueles jovens da faixa de Gaza que atiram pedras e fogem.
Se Marques Mendes protagoniza uma pequena comédia, o senhor Menezes não chega a ser uma farsa, é apenas uma anedota.
Pobre PSD quando um alegado candidato à liderança apenas revela hipocrisia e pequenez da mais genuína, a de carácter...
sábado, 21 de julho de 2007
Afinal havia outra
O mar Salgado, afinal, não era uma só extensão de águas turvas chamada Carolina.
Agora, aparece a bater na rocha outra vaga, gémea, de seu nome Ana e que nos vem dizer que devemos esquecer tudo quanto a outra musa cantou.
Esta Ana fala de Pinto da Costa designando-o sempre por Jorge Nuno e surge, vinda das trevas, para denegrir a mana.
Sabe-se que Carolina alternava. Será que Ana alternava com e como Carolina?
Perguntas inocentes: Onde estava Ana quando tudo isto começou? Por que só fala agora? Quem lhe encomendou sermão?
A única certeza que tenho é que não foi o senhor Jorge Nuno, não é homem para jogadas rasteiras.
Fruta, chocolate, sim, mas nunca iria servir-se da mANA...
Agora, aparece a bater na rocha outra vaga, gémea, de seu nome Ana e que nos vem dizer que devemos esquecer tudo quanto a outra musa cantou.
Esta Ana fala de Pinto da Costa designando-o sempre por Jorge Nuno e surge, vinda das trevas, para denegrir a mana.
Sabe-se que Carolina alternava. Será que Ana alternava com e como Carolina?
Perguntas inocentes: Onde estava Ana quando tudo isto começou? Por que só fala agora? Quem lhe encomendou sermão?
A única certeza que tenho é que não foi o senhor Jorge Nuno, não é homem para jogadas rasteiras.
Fruta, chocolate, sim, mas nunca iria servir-se da mANA...
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Vale tudo?
Uma revista satírica espanhola apresentou na capa uma caricatura da princesa Letízia e do príncipe Filipe fazendo sexo.
A graçola ordinária, de mau gosto e gratuita, é inspirada pelo subsídio que o Governo oferece por cada novo filho.
O tribunal mandou já arrecadar todos os exemplares da revista e o autor da gracinha arrisca dois anos de cadeia.
Volta, assim, à baila a questão da liberdade de expressão.
O príncipe das Astúrias não é Maomé, mas como é? Vale tudo? Não há limites à liberdade?
Pelos vistos, o tribunal acha que sim. Eu também acho.
A graçola ordinária, de mau gosto e gratuita, é inspirada pelo subsídio que o Governo oferece por cada novo filho.
O tribunal mandou já arrecadar todos os exemplares da revista e o autor da gracinha arrisca dois anos de cadeia.
Volta, assim, à baila a questão da liberdade de expressão.
O príncipe das Astúrias não é Maomé, mas como é? Vale tudo? Não há limites à liberdade?
Pelos vistos, o tribunal acha que sim. Eu também acho.
Maga oftalmológica
Volta e meia, a Maga dá à costa. A vassoura, prestes a ficar sem combustível, entra na reserva e ela aí vem, toda assarapantada, poisar nalguma caixa de comentários. Foi o que sucedeu hoje, era já noite velha, na entrada aqui posta ontem, intitulada “O carro à frente do porco”.
Pergunta-me a Maga por que razão não enumeramos as promessas já cumpridas por Augusto. Respondi-lhe que poderia ser ela a fazê-lo, neste blogue. Não deve ser difícil. Basta seguir o exemplo do seu camarada Patrício, que já inaugurou três vezes, nos últimos meses, nos jornais condenses, a Rotunda do Marco do Grilo, e que, no “Nova Morada” da passada semana, afirmava haver obras em todo o concelho, desde o saneamento (onde?) ao alcatrão (atenção, Vereador Gameiro, ponha lá isto a crédito!).
Não tem nada que saber, minha rica. Basta dar largas à sua imaginação. Torne-se uma Maga oftalmológica…
Pergunta-me a Maga por que razão não enumeramos as promessas já cumpridas por Augusto. Respondi-lhe que poderia ser ela a fazê-lo, neste blogue. Não deve ser difícil. Basta seguir o exemplo do seu camarada Patrício, que já inaugurou três vezes, nos últimos meses, nos jornais condenses, a Rotunda do Marco do Grilo, e que, no “Nova Morada” da passada semana, afirmava haver obras em todo o concelho, desde o saneamento (onde?) ao alcatrão (atenção, Vereador Gameiro, ponha lá isto a crédito!).
Não tem nada que saber, minha rica. Basta dar largas à sua imaginação. Torne-se uma Maga oftalmológica…
Talvez sim
Eu confesso que me perco no meio destas contradições.
Toda a gente anda preocupada porque Portugal está a envelhecer, porque fazemos cada vez menos filhos.
Por isso, o Governo vem agora, a correr, propor incentivos à natalidade.
O mesmo Governo que tornou o aborto mais fácil e encerrou inúmeras maternidades pelo país fora.
Afinal, para haver mais crianças, a solução é simples.
Por uma vez, lamento ter de me socorrer desse intragável Abrunhosa e dizer como ele : "Talvez f...".
Toda a gente anda preocupada porque Portugal está a envelhecer, porque fazemos cada vez menos filhos.
Por isso, o Governo vem agora, a correr, propor incentivos à natalidade.
O mesmo Governo que tornou o aborto mais fácil e encerrou inúmeras maternidades pelo país fora.
Afinal, para haver mais crianças, a solução é simples.
Por uma vez, lamento ter de me socorrer desse intragável Abrunhosa e dizer como ele : "Talvez f...".
Casablanca
Quem acompanha, mesmo espaçadamente, a actividade dos blogues ligados a Sesimbra decerto estará recordado das inúmeras e frontais críticas feitas ao dr. David Sequerra pelos dois principais autores do "Sesimbra e Ventos", dr. Pedro Martins e dr. António Cagica Rapaz.
Não são eles, aliás, os únicos a apontar a dedo certas atitudes daquele senhor.
Nós próprios, aqui na Magra Carta, temos feito o mesmo, sempre que tal se justifica.
Certamente com menos talento do que aqueles dois excelentes ex-bloguistas, mas com idêntica clareza.
Ora, foi com alguma surpresa que lemos no jornal "O Sesimbrense" uma nota de reportagem assinada por David Sequerra acerca da sessão realizada no largo do Central e animada, precisamente, por Pedro Martins e António Cagica Rapaz.
É certo que não elogia expressamente a actuação da dupla, mas dá a notícia de forma alargada e cita o bom desempenho de alguns intervenientes.
Chama-se a isto fair play, isenção e simpatia. Pedro Martins, ao que me dizem, teve mesmo direito a um beijinho da Veva, companheira do dr. Sequerra.
Será o início de uma bela amizade?
Não são eles, aliás, os únicos a apontar a dedo certas atitudes daquele senhor.
Nós próprios, aqui na Magra Carta, temos feito o mesmo, sempre que tal se justifica.
Certamente com menos talento do que aqueles dois excelentes ex-bloguistas, mas com idêntica clareza.
Ora, foi com alguma surpresa que lemos no jornal "O Sesimbrense" uma nota de reportagem assinada por David Sequerra acerca da sessão realizada no largo do Central e animada, precisamente, por Pedro Martins e António Cagica Rapaz.
É certo que não elogia expressamente a actuação da dupla, mas dá a notícia de forma alargada e cita o bom desempenho de alguns intervenientes.
Chama-se a isto fair play, isenção e simpatia. Pedro Martins, ao que me dizem, teve mesmo direito a um beijinho da Veva, companheira do dr. Sequerra.
Será o início de uma bela amizade?
Pré-época pouco Sabrosa
Vá lá, duas notas de outro tipo de cultura, a futeboleira.
Os tempos são verdadeiramente outros.
Ontem, ouvi o treinador do Porto dizer que não conhece o sérvio Stepanov que o clube acaba de contratar.
Mas então, que raio de organização é esta? Qual é o papel do técnico? Alguém percebe?
O folhetim Simão é o prato forte de todos os Verões, vai para aqui, está com um pé ali, está por horas. No fim, acaba por ficar no Benfica.
Hoje é dado como certo no Atlético de Madrid, clube que rastejou aos pés de Quaresma.
Simão poderia ficar ofendido na sua dignidade, mas parece que não.
Senhores, de uma vez por todas, levem o homem, já estamos fartos...
Os tempos são verdadeiramente outros.
Ontem, ouvi o treinador do Porto dizer que não conhece o sérvio Stepanov que o clube acaba de contratar.
Mas então, que raio de organização é esta? Qual é o papel do técnico? Alguém percebe?
O folhetim Simão é o prato forte de todos os Verões, vai para aqui, está com um pé ali, está por horas. No fim, acaba por ficar no Benfica.
Hoje é dado como certo no Atlético de Madrid, clube que rastejou aos pés de Quaresma.
Simão poderia ficar ofendido na sua dignidade, mas parece que não.
Senhores, de uma vez por todas, levem o homem, já estamos fartos...
Página cultural
Satisfazendo o solicitado por um dos nossos indefectíveis leitores, aqui vão três notas culturais.
Porque é Verão e há sempre quem procure a confusão do Allgarve (quase igual à de Sesimbra), sugiro a todos quanto estiverem perto de Albufeira, no próximo dia 27, que se afastem, discreta mas decididamente.
É que nessa noite vai lá cantar (?) a barbie açoriana Nelly Furtado. Fica o aviso.
Em contrapartida, aconselho que não percam o concerto de Norah Jones, no domingo, no Estoril.
É o Cool Jazz Fest, e são, sobretudo, os ternos e melodiosos alcatruzes da Norah...
De assinalar, igualmente, no Museu Gulbenkian, a exposição de escultura Baco, da autoria de Michael Rysbrack.
Eu também não fazia a mínima ideia, mas agora posso afiançar-vos que se trata de um artista flamengo que trabalhou em Londres, com grande sucesso, na primeira metade do sec. 18.
Se calhar, o nosso Michael também fazia como os ministros do senhor Brown e buscava inspiração numa ervinha suave, vá lá saber-se.
Se vale a pena a exposição? Não sei, mas acredito que sim, o senhor Calouste costuma ter coisas jeitosas na montra...
Porque é Verão e há sempre quem procure a confusão do Allgarve (quase igual à de Sesimbra), sugiro a todos quanto estiverem perto de Albufeira, no próximo dia 27, que se afastem, discreta mas decididamente.
É que nessa noite vai lá cantar (?) a barbie açoriana Nelly Furtado. Fica o aviso.
Em contrapartida, aconselho que não percam o concerto de Norah Jones, no domingo, no Estoril.
É o Cool Jazz Fest, e são, sobretudo, os ternos e melodiosos alcatruzes da Norah...
De assinalar, igualmente, no Museu Gulbenkian, a exposição de escultura Baco, da autoria de Michael Rysbrack.
Eu também não fazia a mínima ideia, mas agora posso afiançar-vos que se trata de um artista flamengo que trabalhou em Londres, com grande sucesso, na primeira metade do sec. 18.
Se calhar, o nosso Michael também fazia como os ministros do senhor Brown e buscava inspiração numa ervinha suave, vá lá saber-se.
Se vale a pena a exposição? Não sei, mas acredito que sim, o senhor Calouste costuma ter coisas jeitosas na montra...
E daí?
No Reino Unido, soube-se agora que seis ministros e um secretário de Estado já confessaram ter fumado marijuana em tempos idos.
O Primeiro-Ministro, Gordon Brown, diz-se tranquilo com a situação.
Eu acho que faz bem, o que lá vai, lá vai, e seria reacender as fogueiras de uma hipócrita Inquisição considerar tais comportamentos passados como pecados mortais.
No fundo, e se não estou enganado, esta ervazinha simpática até nem é desconhecida do senhor Primeiro- Ministro, ou não fosse ela designada por brown sugar...
O Primeiro-Ministro, Gordon Brown, diz-se tranquilo com a situação.
Eu acho que faz bem, o que lá vai, lá vai, e seria reacender as fogueiras de uma hipócrita Inquisição considerar tais comportamentos passados como pecados mortais.
No fundo, e se não estou enganado, esta ervazinha simpática até nem é desconhecida do senhor Primeiro- Ministro, ou não fosse ela designada por brown sugar...
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Agarrem-me, se não demito-me
O grupo parlamentar do CDS-PP acaba de aceitar a demissão apresentada por Telmo Correia e procederá oportunamente à eleição de um novo líder.
Eu pouco percebo de política, nunca andei pelas alas de qualquer partido, mas acho estranha esta lógica que leva uma derrota numa eleição autárquica a ditar demissões de funções que nada têm a ver com municipalidades.
De facto, têm mais contornos de pretexto para fuga ou de gesto teatral de tragédia grega.
Há um bom par de anos, uma derrota nas municipais foi motivo suficiente para António Guterres abalar a correr, deixando o país no pântano.
Quando caiu a ponte de Entre-os-Rios, o comentador da SIC, perdão, o ministro Jorge Coelho achou por bem demitir-se, num gesto de grande dignidade, assumindo uma responsabilidade que ninguém de bom senso lhe atribuía.
Fica a ideia (talvez errada) de que, nos momentos mais difíceis, nas circunstâncias mais adversas, quando todos são poucos para enfrentar as dificuldades, é que eles se vão embora. Com grande dignidade.
Eu pouco percebo de política, nunca andei pelas alas de qualquer partido, mas acho estranha esta lógica que leva uma derrota numa eleição autárquica a ditar demissões de funções que nada têm a ver com municipalidades.
De facto, têm mais contornos de pretexto para fuga ou de gesto teatral de tragédia grega.
Há um bom par de anos, uma derrota nas municipais foi motivo suficiente para António Guterres abalar a correr, deixando o país no pântano.
Quando caiu a ponte de Entre-os-Rios, o comentador da SIC, perdão, o ministro Jorge Coelho achou por bem demitir-se, num gesto de grande dignidade, assumindo uma responsabilidade que ninguém de bom senso lhe atribuía.
Fica a ideia (talvez errada) de que, nos momentos mais difíceis, nas circunstâncias mais adversas, quando todos são poucos para enfrentar as dificuldades, é que eles se vão embora. Com grande dignidade.
O carro à frente do porco
Em Sesimbra, as coisas já chegaram a este ponto: a inauguração do “Páteo Verde”, no logradouro da Casa do Bispo, prevista para o passado sábado, dia 14, foi adiada. A razão é simples: Augusto sabia da pretensão do núcleo sesimbrense do Sporting há cerca de um ano, mas só se lembrou de agendar a competente autorização do executivo para a sessão camarária da quarta-feira seguinte. Pelo meio, as obras de remodelação do espaço já tinham sido feitas pelo dito núcleo. Convenhamos que é um bom exemplo para qualquer munícipe que deva cumprir regras.
Haverá quem diga que alguém pôs o carro à frente dos bois. Mentira. O que foi devolvido à procedência foi um porco, destinado à comezaina. Inteirinho, mas morto.
Entretanto, a proposta originalmente apresentada por Augusto era notável: não previa prazo para a cedência e invocava, como justificação da mesma, a impossibilidade da Câmara garantir a limpeza daquele espaço. Conseguirá Augusto garantir, ao menos, a limpeza do concelho, já que a daqueles poucos metros quadrados é duvidosa?
A impotência para a barrela acabou por ser removida do texto, mas ficámos todos a saber que a Câmara não irá tocar na Casa do Bispo até ao final do presente mandato. Augusto dixit. E ficou preto no branco. Em termos práticos, sabendo-se que nada vai avançar no Castelo nem na Fortaleza, a recuperação do património sesimbrense está irremediavelmente comprometida nos próximos anos. Mas o primeiro destino turístico da península de Setúbal é já ali, ao virar da esquina, na Rua Antero do Quental. Estamos bem entregues.
Haverá quem diga que alguém pôs o carro à frente dos bois. Mentira. O que foi devolvido à procedência foi um porco, destinado à comezaina. Inteirinho, mas morto.
Entretanto, a proposta originalmente apresentada por Augusto era notável: não previa prazo para a cedência e invocava, como justificação da mesma, a impossibilidade da Câmara garantir a limpeza daquele espaço. Conseguirá Augusto garantir, ao menos, a limpeza do concelho, já que a daqueles poucos metros quadrados é duvidosa?
A impotência para a barrela acabou por ser removida do texto, mas ficámos todos a saber que a Câmara não irá tocar na Casa do Bispo até ao final do presente mandato. Augusto dixit. E ficou preto no branco. Em termos práticos, sabendo-se que nada vai avançar no Castelo nem na Fortaleza, a recuperação do património sesimbrense está irremediavelmente comprometida nos próximos anos. Mas o primeiro destino turístico da península de Setúbal é já ali, ao virar da esquina, na Rua Antero do Quental. Estamos bem entregues.
A cadeira
Aquela Federação Portuguesa de Futebol é um verdadeiro ninho de ratos.
Agostinho Oliveira nunca devia ter saído, mas teve a coragem de enfrentar Scolari e perdeu.
Não no campo, mas nos corredores palacianos da Praça da Alegria que invade inúmeros cortesãos vitalícios, atentos e obrigados.
José Couceiro nunca deveria ter entrado, uma vez que não possuía currículo adequado. Perdeu. No campo, no jogo e na (ausência de) disciplina.
Fala-se na sua (mais do que justificada) saída, mas parece que há uma cláusula de rescisão que o protege quase tanto como a mãozinha de Scolari.
Ao mesmo tempo, já se fala num possível sucessor, Paulo Sousa, outro protegido que não tem a mínima experiência de treinador.
O responsável de todas estas coisas estranhas é só um. Chama-se Madaíl, mas está bem agarrado ao tacho, bem sentado na cadeira, bem apoiado nos amigalhaços das várias Associações.
É assim que a coisa, tentacular, bolorenta e viciada, funciona...
Agostinho Oliveira nunca devia ter saído, mas teve a coragem de enfrentar Scolari e perdeu.
Não no campo, mas nos corredores palacianos da Praça da Alegria que invade inúmeros cortesãos vitalícios, atentos e obrigados.
José Couceiro nunca deveria ter entrado, uma vez que não possuía currículo adequado. Perdeu. No campo, no jogo e na (ausência de) disciplina.
Fala-se na sua (mais do que justificada) saída, mas parece que há uma cláusula de rescisão que o protege quase tanto como a mãozinha de Scolari.
Ao mesmo tempo, já se fala num possível sucessor, Paulo Sousa, outro protegido que não tem a mínima experiência de treinador.
O responsável de todas estas coisas estranhas é só um. Chama-se Madaíl, mas está bem agarrado ao tacho, bem sentado na cadeira, bem apoiado nos amigalhaços das várias Associações.
É assim que a coisa, tentacular, bolorenta e viciada, funciona...
Revolução
Em França, está já a trabalhar uma Comissão de que faz parte o socialista Jack Lang, recordam-se?
Ora bem. Essa Comissão estuda uma reforma das instituições, já aqui vos tinha revelado este segredo de Estado.
De entre as ideias em equação, há uma que poderá causar perplexidade, primeiro, e depois espicaçar a fantasia de muito boa gente.
Trata-se de extinguir o lugar e a função de Primeiro-Ministro, ficando a governação do país sob controlo directo e efectivo do Presidente da República.
No fundo, e no caso de Portugal, é o retomar do refrão tão repetido ao longo da última campanha eleitoral para Belém em que, vezes sem conta, Cavaco Silva foi acusado de ter mais o perfil e os tiques de PM do que a estatura de PR.
A resposta de Cavaco consistiu em duas palavras: cooperação estratégica.
A verdade é que a ideia dos sábios franceses encaixaria perfeitamente no cenário português, uma vez que Cavaco Silva é, essencialmente e para a eternidade, um PM.
Está a fazer um bom papel de PR, sem dúvida, mas o que lhe corre nas veias é a função de PM.
Essa polivalência está ao alcance de raros, ninguém imaginando Soares ou Alegre às voltas com dossiês complicados, rigor, planeamento, organização, controlo, prazos, metas e compromissos.
Como Sócrates é muito novo, impulsivo e autoritário, não poderia, por agora, aspirar ao lugar.
Assim sendo, resolver-se-ia a crise no PSD, podendo Marques Mendes, Menezes e outros ir de férias porque, em 2009, Cavaco acumularia, um pé em Belém, outro em S. Bento.
Quanto a Sócrates, poderia voltar para o Ambiente. Ou ir acabar o curso...
Ora bem. Essa Comissão estuda uma reforma das instituições, já aqui vos tinha revelado este segredo de Estado.
De entre as ideias em equação, há uma que poderá causar perplexidade, primeiro, e depois espicaçar a fantasia de muito boa gente.
Trata-se de extinguir o lugar e a função de Primeiro-Ministro, ficando a governação do país sob controlo directo e efectivo do Presidente da República.
No fundo, e no caso de Portugal, é o retomar do refrão tão repetido ao longo da última campanha eleitoral para Belém em que, vezes sem conta, Cavaco Silva foi acusado de ter mais o perfil e os tiques de PM do que a estatura de PR.
A resposta de Cavaco consistiu em duas palavras: cooperação estratégica.
A verdade é que a ideia dos sábios franceses encaixaria perfeitamente no cenário português, uma vez que Cavaco Silva é, essencialmente e para a eternidade, um PM.
Está a fazer um bom papel de PR, sem dúvida, mas o que lhe corre nas veias é a função de PM.
Essa polivalência está ao alcance de raros, ninguém imaginando Soares ou Alegre às voltas com dossiês complicados, rigor, planeamento, organização, controlo, prazos, metas e compromissos.
Como Sócrates é muito novo, impulsivo e autoritário, não poderia, por agora, aspirar ao lugar.
Assim sendo, resolver-se-ia a crise no PSD, podendo Marques Mendes, Menezes e outros ir de férias porque, em 2009, Cavaco acumularia, um pé em Belém, outro em S. Bento.
Quanto a Sócrates, poderia voltar para o Ambiente. Ou ir acabar o curso...
Tinta de China
A cidadania tem destas coisas, as pessoas começam a exorbitar nas exigências, nos protestos, nas reclamações. Por dá cá aquela palha, sai uma providência cautelar, não pode ser.
Ainda estou indignado com o que acabei de ler. Imagine-se.
Uma senhora mora ao lado de um bar, em Vilamoura, e queixa-se do barulho que se arrasta até de madrugada, não a deixando dormir.
Ora bem. Quem tem o privilégio de morar numa zona frequentada pelo jet set deveria enjoy, não é?, aproveitar, saborear, sem perder tempo a dormir.
Tanto mais que o bar em causa não só é jet como é, sobretudo, set ou não se tratasse do Bar 7 do famoso Figo himself.
Tem de haver compreensão, minha senhora. Lembre-se que o rapaz, coitado, está em fim de carreira, aquilo é uma profissão de desgaste rápido, e é natural que ele não saiba o que vai ser o dia de amanhã.
Vá lá, perceba isso, não lhe corte as pernas que ainda fazem uma perninha no Inter.
Deixe a GNR em paz, não insista. Lembre-se que o negócio nem sequer é só do Figo.
O pobre rapaz teve de empenhar um fio de ouro da avó para arranjar dinheiro para abrir o estabelecimento a meias com um tal Paulo China. Está a ver?
No fundo, ao contrário do que se julga, aquilo não é um espaço sofisticado, de gente rica e famosa, daquela que faz correr muita tinta, mas, apenas e prosaicamente, uma loja do chinês...
Ainda estou indignado com o que acabei de ler. Imagine-se.
Uma senhora mora ao lado de um bar, em Vilamoura, e queixa-se do barulho que se arrasta até de madrugada, não a deixando dormir.
Ora bem. Quem tem o privilégio de morar numa zona frequentada pelo jet set deveria enjoy, não é?, aproveitar, saborear, sem perder tempo a dormir.
Tanto mais que o bar em causa não só é jet como é, sobretudo, set ou não se tratasse do Bar 7 do famoso Figo himself.
Tem de haver compreensão, minha senhora. Lembre-se que o rapaz, coitado, está em fim de carreira, aquilo é uma profissão de desgaste rápido, e é natural que ele não saiba o que vai ser o dia de amanhã.
Vá lá, perceba isso, não lhe corte as pernas que ainda fazem uma perninha no Inter.
Deixe a GNR em paz, não insista. Lembre-se que o negócio nem sequer é só do Figo.
O pobre rapaz teve de empenhar um fio de ouro da avó para arranjar dinheiro para abrir o estabelecimento a meias com um tal Paulo China. Está a ver?
No fundo, ao contrário do que se julga, aquilo não é um espaço sofisticado, de gente rica e famosa, daquela que faz correr muita tinta, mas, apenas e prosaicamente, uma loja do chinês...
Mariscada
Portugal está a fazer enormes progressos no campo da intelectualidade.
Até o futebol passou a ter Academias, e em terras finas como o Seixal e Alcochete, causando mesmo inveja à velha congénere de Coimbra.
Mas a notícia chega-nos da Academia do Marisco, em Algés, sob forma de crime passional, com um ex-subchefe da PSP a enamorar-se da Angelina, casada e nada interessada em mariscadas fora de portas.
Vai daí, o antigo polícia não esteve com meias medidas, entrou na Academia e meteu quatro balas no corpo da "reitora".
Talvez porque a carapaça do marisco seja mais rija do que se julga, a mulher não morreu, o que prova igualmente que a pontaria dos nossos agentes fica a léguas da certeza implacável exibida pelo Clint Eastwood.
Preso, o putativo homicida confessou a autoria dos disparos.
Segundo consegui averiguar, à custa de umas imperiais e meio quilo de gambas, o advogado do arguido vai tentar que o caso seja entregue ao mesmo juiz que absolveu o homem que pagou aos russos para lhe liquidarem a mulher.
Ou seja, isto é assim mesmo, ou há moralidade ou comem todos. Sim, porque o velho subchefe não só tem a atenuante circunstância de estar enamorado como (ainda por cima e sobretudo) não matou a vítima. Essa é que é essa.
Pode até invocar que lhe poupou deliberadamente a vida, ao disparar com a máxima precaução, o que explica que nenhum dos quatro tiros tenha sido mortal.
Bem analisadas as coisas pelo tal juiz compreensivo, o apaixonado infeliz ainda se habilita a uma medalhinha que o tio Isaltino lhe colocará no peito, aquele peito onde, perfeito, ainda bate um coração...
Até o futebol passou a ter Academias, e em terras finas como o Seixal e Alcochete, causando mesmo inveja à velha congénere de Coimbra.
Mas a notícia chega-nos da Academia do Marisco, em Algés, sob forma de crime passional, com um ex-subchefe da PSP a enamorar-se da Angelina, casada e nada interessada em mariscadas fora de portas.
Vai daí, o antigo polícia não esteve com meias medidas, entrou na Academia e meteu quatro balas no corpo da "reitora".
Talvez porque a carapaça do marisco seja mais rija do que se julga, a mulher não morreu, o que prova igualmente que a pontaria dos nossos agentes fica a léguas da certeza implacável exibida pelo Clint Eastwood.
Preso, o putativo homicida confessou a autoria dos disparos.
Segundo consegui averiguar, à custa de umas imperiais e meio quilo de gambas, o advogado do arguido vai tentar que o caso seja entregue ao mesmo juiz que absolveu o homem que pagou aos russos para lhe liquidarem a mulher.
Ou seja, isto é assim mesmo, ou há moralidade ou comem todos. Sim, porque o velho subchefe não só tem a atenuante circunstância de estar enamorado como (ainda por cima e sobretudo) não matou a vítima. Essa é que é essa.
Pode até invocar que lhe poupou deliberadamente a vida, ao disparar com a máxima precaução, o que explica que nenhum dos quatro tiros tenha sido mortal.
Bem analisadas as coisas pelo tal juiz compreensivo, o apaixonado infeliz ainda se habilita a uma medalhinha que o tio Isaltino lhe colocará no peito, aquele peito onde, perfeito, ainda bate um coração...
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Ai, as meninas
O caso ficou conhecido como o das "Mães de Bragança" e consistiu na revolta de umas quantas mulheres indignadas porque os maridos as ignoravam, perdidos de amores por jovens brasileiras que iluminavam as noites das casas de alterne.
Ontem, foi conhecida a condenação a nove anos de prisão do principal empresário da noite.
Entretanto as meninas procuraram asilo político e sentimental em Espanha, ali tão perto, onde os homens portugueses se deslocam para duas satisfações, a das suas carências afectivas e a dos comerciantes locais.
Feito o balanço, a vida das chamadas "Mães de Bragança" ficou destroçada, os homens não voltaram para casa.
Terá sido mesmo um combate inglório e desigual, por várias razões, mas sobretudo porque as outras, as meninas, eram mais (jovens e sensuais) do que as mães...
Ontem, foi conhecida a condenação a nove anos de prisão do principal empresário da noite.
Entretanto as meninas procuraram asilo político e sentimental em Espanha, ali tão perto, onde os homens portugueses se deslocam para duas satisfações, a das suas carências afectivas e a dos comerciantes locais.
Feito o balanço, a vida das chamadas "Mães de Bragança" ficou destroçada, os homens não voltaram para casa.
Terá sido mesmo um combate inglório e desigual, por várias razões, mas sobretudo porque as outras, as meninas, eram mais (jovens e sensuais) do que as mães...
Mais vale prevenir
Um avião da companhia brasileira TAM fez uma aterragem devastadora, em São Paulo, atravessou toda a pista e foi parar a uma avenida onde chocou com um prédio.
Levava 170 pessoas a bordo. Não deve haver sobreviventes.
À atenção de quem tem a responsabilidade de escolher o local para a construção do novo aeroporto de Lisboa...
Levava 170 pessoas a bordo. Não deve haver sobreviventes.
À atenção de quem tem a responsabilidade de escolher o local para a construção do novo aeroporto de Lisboa...
É capaz
O jornal SOL anuncia esta manhã que o cantor Sting foi multado por descriminação sexual.
Acontece com muita frequência.
Toda a gente sabe, mas o SOL, desta vez, não brilhou pela correcção ortográfica.
Neste caso, certo é discriminação.
Ontem, na SIC Notícias, Helena Costa (PSD) disse (duas vezes seguidas) que os resultados do seu partido nas eleições de Lisboa foram uma hetacombe.
Suponho ter-se tratado de lapso, apesar de repetido.
Quero acreditar que a senhora doutora saiba que não se diz hetacombe mas hecatombe.
Hecapaz de saber...
Acontece com muita frequência.
Toda a gente sabe, mas o SOL, desta vez, não brilhou pela correcção ortográfica.
Neste caso, certo é discriminação.
Ontem, na SIC Notícias, Helena Costa (PSD) disse (duas vezes seguidas) que os resultados do seu partido nas eleições de Lisboa foram uma hetacombe.
Suponho ter-se tratado de lapso, apesar de repetido.
Quero acreditar que a senhora doutora saiba que não se diz hetacombe mas hecatombe.
Hecapaz de saber...
terça-feira, 17 de julho de 2007
Os amanhãs que não assobiam
Nicolas Sarkosy continua, habilmente, a estilhaçar o Partido Socialista francês.
Desta vez é Jack Lang a aceitar um convite do Presidente da República para integrar uma comissão de reflexão sobre a reforma das instituições.
Jack Lang é um socialista de sempre, muito próximo de Mitterrand, foi ministro e é um nome sonante no seio das esfrangalhadas hostes de François Hollande.
Trata-se de um intelectual, um homem de modos requintados, sensível, maneirinho, e não admira que o presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoé, compreenda e apoie esta decisão de Jack Lang que, ao mesmo tempo, apela a uma demissão colectiva da Direcção do PS.
Assim se vê que os maus resultados eleitorais trazem sempre consigo traumas e retaliações.
Que o diga a Direita portuguesa...
Desta vez é Jack Lang a aceitar um convite do Presidente da República para integrar uma comissão de reflexão sobre a reforma das instituições.
Jack Lang é um socialista de sempre, muito próximo de Mitterrand, foi ministro e é um nome sonante no seio das esfrangalhadas hostes de François Hollande.
Trata-se de um intelectual, um homem de modos requintados, sensível, maneirinho, e não admira que o presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoé, compreenda e apoie esta decisão de Jack Lang que, ao mesmo tempo, apela a uma demissão colectiva da Direcção do PS.
Assim se vê que os maus resultados eleitorais trazem sempre consigo traumas e retaliações.
Que o diga a Direita portuguesa...
Vinte anos
Saramago volta a ser notícia, depois de, há dias, ter declarado que Portugal devia ser integrado em Espanha, atitude que mereceu o repúdio geral, naturalmente.
Claro, os abutres do costume estavam à espreita, caíram-lhe todos em cima, choveram as críticas e eu devo ter sido o único a defender o admirável humanista. Honra me seja feita.
Afinal, à semelhança de Pablo Nerudo, don Saramago também gosta de metáforas, o maroto.
E hoje percebemos todos o que ele, afinal, queria dizer na sua, ao lermos que José e Pilar del Rio voltaram a casar em Espanha, como haviam feito há 20 anos.
Elementar, meu caro Gabriel Alves, Portugal a entregar-se a Espanha era isto, o casório renovado e, sobretudo, num plano mais carnal, a repetição da lua-de-mel.
Digam lá que o homem não é genial!
A questão é que, vinte anos volvidos, outras águas leva Rio, que saudades de Pilar!
Ninguém sabe se José o terá Levantado do Chão, se conseguiu entrar n' A Caverna ou se, irritado, lhe chamou Todos os Nomes.
Aqui entre nós, como foi, o que sentiste, José, vinte anos depois? Provavelmente Alegria...
Claro, os abutres do costume estavam à espreita, caíram-lhe todos em cima, choveram as críticas e eu devo ter sido o único a defender o admirável humanista. Honra me seja feita.
Afinal, à semelhança de Pablo Nerudo, don Saramago também gosta de metáforas, o maroto.
E hoje percebemos todos o que ele, afinal, queria dizer na sua, ao lermos que José e Pilar del Rio voltaram a casar em Espanha, como haviam feito há 20 anos.
Elementar, meu caro Gabriel Alves, Portugal a entregar-se a Espanha era isto, o casório renovado e, sobretudo, num plano mais carnal, a repetição da lua-de-mel.
Digam lá que o homem não é genial!
A questão é que, vinte anos volvidos, outras águas leva Rio, que saudades de Pilar!
Ninguém sabe se José o terá Levantado do Chão, se conseguiu entrar n' A Caverna ou se, irritado, lhe chamou Todos os Nomes.
Aqui entre nós, como foi, o que sentiste, José, vinte anos depois? Provavelmente Alegria...
A menina do anel
Uma jovem inglesa foi proibida de usar, na escola, um anel que simboliza a sua virgindade.
A rapariga pertence a um grupo de adolescentes católicas que praticam o culto da virgindade, o chamado núcleo do "Anel de Prata".
A Direcção da escola permite que outras raparigas usem véus e pulseiras, argumentando que são sinais reconhecidos da fé islâmica.
Mas o anel, não. Por isso, o caso foi até ao tribunal que deu razão à Direcção da escola.
É estranho, neste mundo depravado em que vivemos, de ostensivo desbragamento sexual, reprime-se uma jovem que faz da castidade a sua regra de vida, impedindo-a de usar um simples anel que simboliza o seu culto.
Curiosa esta forma de ver as coisas, esta Justiça que, por vezes, faz lembrar a nossa, ao punir alguém unicamente porque prefere o culto ao coito...
A rapariga pertence a um grupo de adolescentes católicas que praticam o culto da virgindade, o chamado núcleo do "Anel de Prata".
A Direcção da escola permite que outras raparigas usem véus e pulseiras, argumentando que são sinais reconhecidos da fé islâmica.
Mas o anel, não. Por isso, o caso foi até ao tribunal que deu razão à Direcção da escola.
É estranho, neste mundo depravado em que vivemos, de ostensivo desbragamento sexual, reprime-se uma jovem que faz da castidade a sua regra de vida, impedindo-a de usar um simples anel que simboliza o seu culto.
Curiosa esta forma de ver as coisas, esta Justiça que, por vezes, faz lembrar a nossa, ao punir alguém unicamente porque prefere o culto ao coito...
Nota prévia
A propósito do que escrevi sobre Paulo Portas e o PSD, alguém me perguntou se eu sabia (ou pensava) ser essa a intenção do homem.
É evidente que não sei, tal como não sei se Ribeiro e Castro estará contente ou triste.
Não sou bruxo, não faço escutas, não tenho espiões ao meu serviço e, melhor ainda, não estou interessado em saber.
Contar aqui o que li ou ouvi algures é tarefa de moço de recados, amanuense meticuloso, ordenança obediente, manga-de-alpaca tristonho.
Ora, eu sou Carteiro, pago para, antes de tudo, levar a carta a Garcia, é verdade.
Mas sou, mais ainda, um Carteiro parecido com o de Pablo Neruda, amante de metáforas, pescador de pérolas, defensor de causas insólitas, com um pé na fantasia, outro na irrisão e a atenção distraidamente pousada na baça realidade.
Pelo menos, é assim que gosto de olhar para as pessoas e os acontecimentos.
Por isso, quero lá saber dos planos do Portas! O que me dá prazer é contar histórias, umas totalmente inventadas, outras inspiradas no que observo, é só isso.
Se alguém me levar a sério, paciência, não diga é que não avisei...
É evidente que não sei, tal como não sei se Ribeiro e Castro estará contente ou triste.
Não sou bruxo, não faço escutas, não tenho espiões ao meu serviço e, melhor ainda, não estou interessado em saber.
Contar aqui o que li ou ouvi algures é tarefa de moço de recados, amanuense meticuloso, ordenança obediente, manga-de-alpaca tristonho.
Ora, eu sou Carteiro, pago para, antes de tudo, levar a carta a Garcia, é verdade.
Mas sou, mais ainda, um Carteiro parecido com o de Pablo Neruda, amante de metáforas, pescador de pérolas, defensor de causas insólitas, com um pé na fantasia, outro na irrisão e a atenção distraidamente pousada na baça realidade.
Pelo menos, é assim que gosto de olhar para as pessoas e os acontecimentos.
Por isso, quero lá saber dos planos do Portas! O que me dá prazer é contar histórias, umas totalmente inventadas, outras inspiradas no que observo, é só isso.
Se alguém me levar a sério, paciência, não diga é que não avisei...
segunda-feira, 16 de julho de 2007
À abordagem!
Paulo Portas pode ser tudo menos parvo.
Escolher o cinzento Telmo Correia foi um sinal claro de que ia jogar para perder.
Declarar, em seguida, que esta eleição seria um teste à sua liderança pode ter parecido um gesto excessivo e precipitado.
Mas não foi, Portas não faz as coisas no ar. Pode errar na manobra, mas calcula friamente onde quer chegar.
Por isso, a conclusão é óbvia: sabia que ia perder e, agora, tem o pretexto na mão, vai querer aproveitar o naufrágio para abandonar o navio.
Isto, na esperança de que o seu bote salva-vidas venha a ser recolhido pela fragata PSD que anda igualmente à deriva.
Uma vez a bordo, o fulgor, a garra e a convicção do jovem Paulo deitarão aos tubarões o grumete Mendes, o eterno gajeiro Menezes e a cozinheira Ferreira Leite.
E se o corsário Lopes subir ao tombadilho, o flibusteiro Portas baixará a pala preta e lutará até à morte com um punhal na liga e outro nos dentes de um branco imaculado.
Pode não ser nada disto, mas que seria romântico, lá isso seria...
Escolher o cinzento Telmo Correia foi um sinal claro de que ia jogar para perder.
Declarar, em seguida, que esta eleição seria um teste à sua liderança pode ter parecido um gesto excessivo e precipitado.
Mas não foi, Portas não faz as coisas no ar. Pode errar na manobra, mas calcula friamente onde quer chegar.
Por isso, a conclusão é óbvia: sabia que ia perder e, agora, tem o pretexto na mão, vai querer aproveitar o naufrágio para abandonar o navio.
Isto, na esperança de que o seu bote salva-vidas venha a ser recolhido pela fragata PSD que anda igualmente à deriva.
Uma vez a bordo, o fulgor, a garra e a convicção do jovem Paulo deitarão aos tubarões o grumete Mendes, o eterno gajeiro Menezes e a cozinheira Ferreira Leite.
E se o corsário Lopes subir ao tombadilho, o flibusteiro Portas baixará a pala preta e lutará até à morte com um punhal na liga e outro nos dentes de um branco imaculado.
Pode não ser nada disto, mas que seria romântico, lá isso seria...
O último a rir...
Parece que o Dr. José Ribeiro e Castro telefonou ontem à noite a Anthony Hopkins para lhe pedir emprestada a célebre máscara que o actor usou no filme "O Silêncio dos Inocentes".
Por enquanto, o ex-presidente do quase defunto CDS-PP vai manter-se em silêncio, um silêncio divertido que de inocente pouco terá.
A máscara é só para que ninguém veja quanto se está a rir...
Por enquanto, o ex-presidente do quase defunto CDS-PP vai manter-se em silêncio, um silêncio divertido que de inocente pouco terá.
A máscara é só para que ninguém veja quanto se está a rir...
domingo, 15 de julho de 2007
António gosta
Quem ouviu, esta noite, o discurso de José Sócrates, a celebrar a vitória de António Costa, talvez tenha encontrado pontos de contacto com as pregações de Salazar, na forma enfatuada, dramatizada, arrastada, com o seu quê de sermão sacerdotal.
Não foi só hoje, é um hábito ou um tique em José Sócrates, esta forma de falar de púlpito, com requebros na voz, ecos longínquos das serranias beirãs.
Hoje, para que a osmose fosse ainda maior, Lisboa foi invadida por centenas de pessoas vindas de Cabeceiras de Basto, em autocarros, ao bom estilo das manifestações "espontâneas" do tio António, o "mais grande" dos Grandes Portugueses.
Sócrates fala com emoção e tremidinhos na voz. E o novo autarca de Lisboa, o outro António, gosta...
Não foi só hoje, é um hábito ou um tique em José Sócrates, esta forma de falar de púlpito, com requebros na voz, ecos longínquos das serranias beirãs.
Hoje, para que a osmose fosse ainda maior, Lisboa foi invadida por centenas de pessoas vindas de Cabeceiras de Basto, em autocarros, ao bom estilo das manifestações "espontâneas" do tio António, o "mais grande" dos Grandes Portugueses.
Sócrates fala com emoção e tremidinhos na voz. E o novo autarca de Lisboa, o outro António, gosta...
Haja vergonha
Os nossos jovens futebolistas continuam a portar-se mal, revelando péssimo carácter e total ausência de correcção em múltiplas ocasiões.
Há uns anos, em França, vandalizaram o balneário, depois de uma derrota e, agora, no Canadá, foi o que se viu.
É caricato ler-se que um tal Zequinha vem pedir desculpa a todos os portugueses.
Mas quem é o Zequinha? Alguém sabe?
É a triste rábula de rapazes mal formados que jornais e televisões irresponsáveis tentam tornar em vedetas à pressa.
Aquilo sobe-lhes às cabecinhas vazias e os resultados estão à vista.
De José Couceiro, só resta esperar que tenha a decência de se demitir.
Mas o que achei extraordinário foi a lição de moral que o senhor Amândio de Carvalho proferiu na rádio. É espantoso!
Para se julgar alguém e pregar os altos valores da ética, é preciso ter um mínimo de credibilidade, coisa que esse senhor não tem.
Não vou perguntar-lhe onde estava pelo 25 de Abril, mas sim se está recordado do penalti que qualificou Portugal para o Europeu de França, em 1984. Foi contra a Rússia, na Luz.
Só um árbitro com visão extra-lúcida poderia ter visto que o Chalana caiu dentro da grande-área. Mas esse senhor (francês, por sinal) viu, não teve a mínima dúvida, aí valente.
E que teve o senhor Amândio de Carvalho a ver com isto?
É uma boa pergunta. Eu conheço a resposta, mas seria bonito que o próprio nos contasse.
Seria tão instrutivo...
Há uns anos, em França, vandalizaram o balneário, depois de uma derrota e, agora, no Canadá, foi o que se viu.
É caricato ler-se que um tal Zequinha vem pedir desculpa a todos os portugueses.
Mas quem é o Zequinha? Alguém sabe?
É a triste rábula de rapazes mal formados que jornais e televisões irresponsáveis tentam tornar em vedetas à pressa.
Aquilo sobe-lhes às cabecinhas vazias e os resultados estão à vista.
De José Couceiro, só resta esperar que tenha a decência de se demitir.
Mas o que achei extraordinário foi a lição de moral que o senhor Amândio de Carvalho proferiu na rádio. É espantoso!
Para se julgar alguém e pregar os altos valores da ética, é preciso ter um mínimo de credibilidade, coisa que esse senhor não tem.
Não vou perguntar-lhe onde estava pelo 25 de Abril, mas sim se está recordado do penalti que qualificou Portugal para o Europeu de França, em 1984. Foi contra a Rússia, na Luz.
Só um árbitro com visão extra-lúcida poderia ter visto que o Chalana caiu dentro da grande-área. Mas esse senhor (francês, por sinal) viu, não teve a mínima dúvida, aí valente.
E que teve o senhor Amândio de Carvalho a ver com isto?
É uma boa pergunta. Eu conheço a resposta, mas seria bonito que o próprio nos contasse.
Seria tão instrutivo...
Ensaio sobre a cretinice
O senhor Saramago defende a ideia de que Portugal deveria ser integrado na Espanha, passando o novo país a ser chamado Ibéria, para não ofender "os brios" dos portugueses, concede o sublime camarada.
Pelos vistos, o escritor comunista parece não desistir do sonho de reduzir a zero este nosso insignificante Portugal.
Nos tempos gloriosos do PREC, nos intervalos dos inúmeros saneamentos que fez, lutou pela albanização do nosso país. Foi pena (para nós, certamente), mas falhou.
Admirador de Fidel, bem gostaria que nos tornássemos noutra Cuba livre onde por acaso, e só por acaso, intelectuais como o senhor Saramago, espíritos independentes, jazem em masmorras democráticas.
Mas, como tal não é viável, o insigne pensador gostaria de nos despachar para Espanha onde, aliás, ele próprio já vive, há muitos anos. É um verdadeiro patriota a sofrer no exílio.
Já não há paciência para aturar a criatura...
Pelos vistos, o escritor comunista parece não desistir do sonho de reduzir a zero este nosso insignificante Portugal.
Nos tempos gloriosos do PREC, nos intervalos dos inúmeros saneamentos que fez, lutou pela albanização do nosso país. Foi pena (para nós, certamente), mas falhou.
Admirador de Fidel, bem gostaria que nos tornássemos noutra Cuba livre onde por acaso, e só por acaso, intelectuais como o senhor Saramago, espíritos independentes, jazem em masmorras democráticas.
Mas, como tal não é viável, o insigne pensador gostaria de nos despachar para Espanha onde, aliás, ele próprio já vive, há muitos anos. É um verdadeiro patriota a sofrer no exílio.
Já não há paciência para aturar a criatura...
À vista desarmada
Hoje é dia de eleições em Lisboa e muito se falou em serviço público, na resolução dos pequenos problemas dos munícipes, o buraco na rua, a falta de luz naquela esquina, enfim, as mil coisitas que azedam o dia-a-dia das pessoas.
Lembrei-me agora de algo insólito, aparentemente banal, que está à vista, há muitos anos, numa parede da Almoinha, perto da casa do Arq. Carlos José David.
Trata-se de um desenho de contornos fálicos que mão porca ali deixou, sem que tal pareça incomodar os moradores.
Pelos vistos, toda a gente aceita com naturalidade o gesto boçal, não tendo havido, até hoje, quem se tenha lembrado de pintar aquele bocado de parede com tinta branca.
Não por pudor nem pruridos moralistas, mas por uma simples questão de decoro.
Desconheço o leque de funções dos homens da Câmara que por ali passam vezes sem conta, tal como não sei se o Sindicato da Função Pública lhes cairia em cima se eles tomassem a arrojada iniciativa de tapar com cal ou tinta aquela ordinarice barata.
Apenas observo, com alguma tristeza, que as pessoas são capazes de se habituar a tudo, sem reagir, sem protestar, sem exigir.
Será que os inúmeros caixeiros viajantes da Câmara, de jipes e pick-ups todo o santo dia, não vêem estas coisas?
E será que acham que isto não é com eles?
Lembrei-me agora de algo insólito, aparentemente banal, que está à vista, há muitos anos, numa parede da Almoinha, perto da casa do Arq. Carlos José David.
Trata-se de um desenho de contornos fálicos que mão porca ali deixou, sem que tal pareça incomodar os moradores.
Pelos vistos, toda a gente aceita com naturalidade o gesto boçal, não tendo havido, até hoje, quem se tenha lembrado de pintar aquele bocado de parede com tinta branca.
Não por pudor nem pruridos moralistas, mas por uma simples questão de decoro.
Desconheço o leque de funções dos homens da Câmara que por ali passam vezes sem conta, tal como não sei se o Sindicato da Função Pública lhes cairia em cima se eles tomassem a arrojada iniciativa de tapar com cal ou tinta aquela ordinarice barata.
Apenas observo, com alguma tristeza, que as pessoas são capazes de se habituar a tudo, sem reagir, sem protestar, sem exigir.
Será que os inúmeros caixeiros viajantes da Câmara, de jipes e pick-ups todo o santo dia, não vêem estas coisas?
E será que acham que isto não é com eles?
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Ai, Mouraria
O 24 Horas fez um teste aos 12 candidatos à Câmara de Lisboa e apurou que nenhum deles sabe onde nasceu Amália.
Grave seria não saberem quem foi Amália.
Pior seria desconhecerem em que rua morou.
Imperdoável seria não gostarem de Amália...
Grave seria não saberem quem foi Amália.
Pior seria desconhecerem em que rua morou.
Imperdoável seria não gostarem de Amália...
Sim, mas...
O semanário SOL esteve em Londres e entrevistou Cristiano Ronaldo e Paula Rego.
Perguntam algumas pessoas: quem é essa Paula Rego?
Perguntam algumas pessoas: quem é essa Paula Rego?
Fracasso
Depois de mais uma vergonha, José Couceiro explica tudo com grande naturalidade, como se fosse um espectador anónimo de bancada e não o seleccionador.
Depois disto, é de esperar que o senhor, logo que tenha um momento livre, passe pela sede da Federação e entregue ao doutor Madaíl a sua demissão.
Talvez o dr. Madaíl lhe siga o exemplo...
Depois disto, é de esperar que o senhor, logo que tenha um momento livre, passe pela sede da Federação e entregue ao doutor Madaíl a sua demissão.
Talvez o dr. Madaíl lhe siga o exemplo...
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Verde? Branco?
Ontem, em Braga, o líder do Bloco de Esquerda acusou de bandidagem os empresários que homenagearam o presidente da Bragaparques.
É uma das frequentes e fracturantes invectivas de Francisco Louçã, com recurso a termos contundentes que roçam a difamação.
Dito isto, desconfio que, se o senhor deputado Francisco Louçã ouvisse uma tal declaração da boca de outro líder partidário, certamente manifestaria a sua indignação pela ligeireza e pela gravidade de tal acusação, exigindo, com a sua proverbial firmeza, que prova concreta fosse, de pronto, apresentada.
Caso contrário, seria justo levar à barra do tribunal tão irresponsável líder político.
Parece esquecer o senhor Louçã que acusou publicamente várias dezenas de homens, baseando-se apenas no caso de um que vai a tribunal, suspeito de corrupção, é certo, mas que, até prova em contrário...etc, não é?
Não terá sido precipitação? Ou estaria Louçã verde, branco... de raiva?
É uma das frequentes e fracturantes invectivas de Francisco Louçã, com recurso a termos contundentes que roçam a difamação.
Dito isto, desconfio que, se o senhor deputado Francisco Louçã ouvisse uma tal declaração da boca de outro líder partidário, certamente manifestaria a sua indignação pela ligeireza e pela gravidade de tal acusação, exigindo, com a sua proverbial firmeza, que prova concreta fosse, de pronto, apresentada.
Caso contrário, seria justo levar à barra do tribunal tão irresponsável líder político.
Parece esquecer o senhor Louçã que acusou publicamente várias dezenas de homens, baseando-se apenas no caso de um que vai a tribunal, suspeito de corrupção, é certo, mas que, até prova em contrário...etc, não é?
Não terá sido precipitação? Ou estaria Louçã verde, branco... de raiva?
Dos "flatos" não reza...
Segundo consta (e conta Carolina Salgado), o presidente do FC Porto é homem dado a flatulências, fraqueza, hábito ou capricho (vá lá saber-se) mal cheiroso que deixava a pequena azul de incómodo e a obrigava a gastar incontáveis caixas de fósforos para disfarçar.
Ora, com um mal nunca vem só, parece que o caso da agressão a um vereador de Gondomar, (alegadamente) encomendada pelo flatulento presidente, vai mesmo a tribunal, o que, muito provavelmente, irá duplicar os problemas físicos de P. da Costa.
Ou seja, além de uma incontinência flatulosa, o senhor presidente pode vir a sofrer de Bexiga...
Ora, com um mal nunca vem só, parece que o caso da agressão a um vereador de Gondomar, (alegadamente) encomendada pelo flatulento presidente, vai mesmo a tribunal, o que, muito provavelmente, irá duplicar os problemas físicos de P. da Costa.
Ou seja, além de uma incontinência flatulosa, o senhor presidente pode vir a sofrer de Bexiga...
Ironias
A vida é mal feita. A prova está neste Governo.
Além das perseguições pidescas, temos os vários casos de insensibilidade perante dramas de pessoas diminuídas por doenças terríveis, que foram obrigadas a continuar no activo quando já não possuíam condições físicas nem psicológicas para tal.
Ou seja, pessoas que pediam, dolorosamente, para sair; pessoas a quem deviam ter permitido uma retirada com dignidade.
Mas tal não sucedeu.
Enquanto neste Governo há outras pessoas que, se tivessem vergonha, já teriam pedido para abandonar os seus cargos; pessoas que, há muito, deviam ter sido afastadas.
Mas tal não sucedeu.
Além das perseguições pidescas, temos os vários casos de insensibilidade perante dramas de pessoas diminuídas por doenças terríveis, que foram obrigadas a continuar no activo quando já não possuíam condições físicas nem psicológicas para tal.
Ou seja, pessoas que pediam, dolorosamente, para sair; pessoas a quem deviam ter permitido uma retirada com dignidade.
Mas tal não sucedeu.
Enquanto neste Governo há outras pessoas que, se tivessem vergonha, já teriam pedido para abandonar os seus cargos; pessoas que, há muito, deviam ter sido afastadas.
Mas tal não sucedeu.
Podia ser pior...
Ontem, na "Quadratura do Círculo" vimos o habitual, ou seja, dois comentadores (Pacheco Pereira e Lobo Xavier) que pensam, analisam e tomam posição.
A par de um comissário político (Jorge Coelho) que não está ali para ter nem dar opinião, mas apenas para defender os patrões, Governo e PS.
Mas esse é outro assunto. O que trago à colação é um erro que Pacheco Pereira cometeu e milhões de pessoas repetem. Disse o nosso José "prejorativo".
Ora bem, Pacheco Pereira é um homem muito culto e inteligente. Sem dúvida. Mas não é perfeito, e teve um deslize que aqui recordo não por maldadezinha mas para servir de exemplo.
Talvez por influência de prejuízo, não sei, muita gente diz prejorativo quando a forma correcta é pejorativo, de pior. Pejorar é tornar pior. Simplesmente.
Tal como se deve escrever retaguarda e não rectaguarda, pois a raiz é retro (para trás) e não recto, como o ângulo.
Desculpe lá, ó Pacheco, não é para o beliscar.
Meninos, podem ir para o recreio...
A par de um comissário político (Jorge Coelho) que não está ali para ter nem dar opinião, mas apenas para defender os patrões, Governo e PS.
Mas esse é outro assunto. O que trago à colação é um erro que Pacheco Pereira cometeu e milhões de pessoas repetem. Disse o nosso José "prejorativo".
Ora bem, Pacheco Pereira é um homem muito culto e inteligente. Sem dúvida. Mas não é perfeito, e teve um deslize que aqui recordo não por maldadezinha mas para servir de exemplo.
Talvez por influência de prejuízo, não sei, muita gente diz prejorativo quando a forma correcta é pejorativo, de pior. Pejorar é tornar pior. Simplesmente.
Tal como se deve escrever retaguarda e não rectaguarda, pois a raiz é retro (para trás) e não recto, como o ângulo.
Desculpe lá, ó Pacheco, não é para o beliscar.
Meninos, podem ir para o recreio...
Nem tanto ao mar...
O novo estatuto dos jornalistas está a provocar forte reacção dos profissionais que se sentem atingidos na sua independência, sobretudo no tocante à protecção das fontes.
Ora, na verdade, há uma gigantesca hipocrisia nestes pruridos dos jornalistas, porque a sua grande preocupação não é informar o público, não é trazer ao conhecimento geral assuntos ou notícias verdadeiramente importantes, mas sim temas sensacionais que farão vender jornais e garantir audiências televisivas.
Há uns anos, o "Expresso" apresentou, com grande relevância, uma entrevista com Rosa Casaco, sinistro Pide procurado pela nossa Justiça.
Pois o indivíduo, disfarçado, entrou em Portugal, deu a entrevista e deixou-se fotografar, em Lisboa.
O jornalista achou (e o semanário apoiou) que era legítimo não só não o denunciar mas ainda dar-lhe palco solene.
Será isto proteger as fontes? Deixo a pergunta sem outro comentário...
O segredo de Justiça é o osso entalado na garganta de muita gente.
Ontem, António José Teixeira e Luís Delgado diziam que cabe ao Estado tomar medidas que impeçam as fugas de informação. Mas reconhecem que não se pode pôr um polícia atrás de cada elemento do universo judicial. É verdade.
Porém, não menos verdade é que a violação do segredo de Justiça só ocorre plenamente quando o jornalista lança a notícia na praça pública.
De facto, o verdadeiro crime é praticado mais pelo jornalista do que por quem lhe fornece a informação.
Porque, se o jornalista metesse o papel na gaveta e não o tornasse público, a violação seria um acto falhado, um tiro de pólvora seca. Uma notícia explosiva no fundo de uma gaveta não existe.
Ora, nenhum jornalista digno desse nome é ingénuo ou ignorante ao ponto de não perceber a gravidade da notícia que lhe chega às mãos.
Ele tem a obrigação de saber que "aquilo" está em segredo de Justiça.
Por isso, deixem-se de fingimentos, se resolve divulgar, não é por espírito de missão nem por consciência profissional, mas apenas para causar estupefacção e curiosidade no público-cliente.
A menos que se reconheçam como patetas que publicam tudo quanto lhes apareça à frente...
Ora, na verdade, há uma gigantesca hipocrisia nestes pruridos dos jornalistas, porque a sua grande preocupação não é informar o público, não é trazer ao conhecimento geral assuntos ou notícias verdadeiramente importantes, mas sim temas sensacionais que farão vender jornais e garantir audiências televisivas.
Há uns anos, o "Expresso" apresentou, com grande relevância, uma entrevista com Rosa Casaco, sinistro Pide procurado pela nossa Justiça.
Pois o indivíduo, disfarçado, entrou em Portugal, deu a entrevista e deixou-se fotografar, em Lisboa.
O jornalista achou (e o semanário apoiou) que era legítimo não só não o denunciar mas ainda dar-lhe palco solene.
Será isto proteger as fontes? Deixo a pergunta sem outro comentário...
O segredo de Justiça é o osso entalado na garganta de muita gente.
Ontem, António José Teixeira e Luís Delgado diziam que cabe ao Estado tomar medidas que impeçam as fugas de informação. Mas reconhecem que não se pode pôr um polícia atrás de cada elemento do universo judicial. É verdade.
Porém, não menos verdade é que a violação do segredo de Justiça só ocorre plenamente quando o jornalista lança a notícia na praça pública.
De facto, o verdadeiro crime é praticado mais pelo jornalista do que por quem lhe fornece a informação.
Porque, se o jornalista metesse o papel na gaveta e não o tornasse público, a violação seria um acto falhado, um tiro de pólvora seca. Uma notícia explosiva no fundo de uma gaveta não existe.
Ora, nenhum jornalista digno desse nome é ingénuo ou ignorante ao ponto de não perceber a gravidade da notícia que lhe chega às mãos.
Ele tem a obrigação de saber que "aquilo" está em segredo de Justiça.
Por isso, deixem-se de fingimentos, se resolve divulgar, não é por espírito de missão nem por consciência profissional, mas apenas para causar estupefacção e curiosidade no público-cliente.
A menos que se reconheçam como patetas que publicam tudo quanto lhes apareça à frente...
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Esplendor na Relva
A culpa é da mundialização, dos tablóides, enfim, um homem não pode namorar no jardim e o Universo fica logo a saber.
Claro, isso só sucede quando se trata de Cristiano Ronaldo que dá de comer a uma imprensa mais cor-de-rosa do que as camisolas do Berardo, perdão, do Benfica.
Mas o caso mais recente tem outros contornos.
Imaginem que o rapaz foi apanhado, em posição frontal, à entrada da pequena área, a beijar uma actriz indiana de sua graça Bipasha Basu, de 28 anos.
Para começar, quase se pode dizer que ela é que desencaminhou o jovem madeirense que apenas tem 22 risonhas Primaveras.
Depois, deixem-me que vos diga, a rapariga tem um nome que se presta, olá se presta, a trocadilhos tentadores.
De Basu a beijo vai menos que um fora-de-jogo de posição. Mas, sobretudo, Bipasha... sim, quem diz Bipasha diz duas vezes Pasha ou seja, abreviando, Pashasha. Ou não é?
Então, com tudo isto escrito no vento, não havia o Ronaldo de redescobrir o caminho para a Índia?!!
O pior é que ele também namorisca com uma tal Gemma Atkinson. Estão a ver, não estão?, a gemada que isto vai dar?
Daqui só podemos concluir que o rapaz está de boa saúde.
Segundo consta, o Carlos Queirós já tratou de mandar umas mensagens ao pequeno para lhe lembrar que, não é pressa, mas, quando ele se lembrar, que apareça em Old Trafford.
Ao que dizem, é o campo onde o Ronaldo é suposto treinar e jogar...
Claro, isso só sucede quando se trata de Cristiano Ronaldo que dá de comer a uma imprensa mais cor-de-rosa do que as camisolas do Berardo, perdão, do Benfica.
Mas o caso mais recente tem outros contornos.
Imaginem que o rapaz foi apanhado, em posição frontal, à entrada da pequena área, a beijar uma actriz indiana de sua graça Bipasha Basu, de 28 anos.
Para começar, quase se pode dizer que ela é que desencaminhou o jovem madeirense que apenas tem 22 risonhas Primaveras.
Depois, deixem-me que vos diga, a rapariga tem um nome que se presta, olá se presta, a trocadilhos tentadores.
De Basu a beijo vai menos que um fora-de-jogo de posição. Mas, sobretudo, Bipasha... sim, quem diz Bipasha diz duas vezes Pasha ou seja, abreviando, Pashasha. Ou não é?
Então, com tudo isto escrito no vento, não havia o Ronaldo de redescobrir o caminho para a Índia?!!
O pior é que ele também namorisca com uma tal Gemma Atkinson. Estão a ver, não estão?, a gemada que isto vai dar?
Daqui só podemos concluir que o rapaz está de boa saúde.
Segundo consta, o Carlos Queirós já tratou de mandar umas mensagens ao pequeno para lhe lembrar que, não é pressa, mas, quando ele se lembrar, que apareça em Old Trafford.
Ao que dizem, é o campo onde o Ronaldo é suposto treinar e jogar...
Komo foi ke disse?
Contrariamente ao que já tenho ouvido, não se me afigura preocupante o facto de (sobretudo) os jovens usarem nas suas mensagens e em conversas correntes abreviaturas e atropelos à norma, como o x em vez de ch ou k no lugar de que.
Acho mais censurável que adultos, muitos de idade avançada, digam à séria, desde logo, direccionar, obrigatoriedade e outras baboseiras do género.
A introdução de termos novos não é grave, em si. Desde que não substituam permanentemente as formas correctas.
Desde que as pessoas não esqueçam e não deixem de usar o que sabem.
Nós podemos aprender Inglês ou Francês sem esquecer o Português.
Saber mais enriquece, mesmo que as aquisições não sejam as mais correctas.
Todos conhecemos muitos termos de calão, o importante é sabermos em que circunstâncias os podemos usar.
Por isso, não há motivo para alarme, apenas sendo necessário ir à dobra, como no futebol, ou seja, compensar, não deixar no esquecimento o bom Português.
O tempo acaba sempre por varrer as modas estéreis...
Acho mais censurável que adultos, muitos de idade avançada, digam à séria, desde logo, direccionar, obrigatoriedade e outras baboseiras do género.
A introdução de termos novos não é grave, em si. Desde que não substituam permanentemente as formas correctas.
Desde que as pessoas não esqueçam e não deixem de usar o que sabem.
Nós podemos aprender Inglês ou Francês sem esquecer o Português.
Saber mais enriquece, mesmo que as aquisições não sejam as mais correctas.
Todos conhecemos muitos termos de calão, o importante é sabermos em que circunstâncias os podemos usar.
Por isso, não há motivo para alarme, apenas sendo necessário ir à dobra, como no futebol, ou seja, compensar, não deixar no esquecimento o bom Português.
O tempo acaba sempre por varrer as modas estéreis...
E vão dois...
Há dias, tal como acontecera há uns anos, deflagrou um incêndio nas imediações de uma estação de serviço, em Fernão Ferro.
Um incêndio é, só por si, motivo de preocupação, mas esta ganha maiores proporções quando as chamas se aproximam de uma bomba de gasolina.
E, como se isso não bastasse, a essa bomba junta-se outra, ali ao lado, e que é o depósito de botijas de gás.
Não parece ter sido a mais prudente das decisões esta de juntar gás e gasolina.
Não sei a quem cabe olhar para aquele quadro e tomar medidas correctivas, mas sei que, entretanto, as duas bombas lá estarão, porventura, à espera de terceiro incêndio e de consequente explosão dramática.
Certamente, nessa altura, diante das câmaras e microfones da TVI, lá estarão todos aqueles que, há tantos anos, ainda não se aperceberam de que não se deve brincar com o lume...
Um incêndio é, só por si, motivo de preocupação, mas esta ganha maiores proporções quando as chamas se aproximam de uma bomba de gasolina.
E, como se isso não bastasse, a essa bomba junta-se outra, ali ao lado, e que é o depósito de botijas de gás.
Não parece ter sido a mais prudente das decisões esta de juntar gás e gasolina.
Não sei a quem cabe olhar para aquele quadro e tomar medidas correctivas, mas sei que, entretanto, as duas bombas lá estarão, porventura, à espera de terceiro incêndio e de consequente explosão dramática.
Certamente, nessa altura, diante das câmaras e microfones da TVI, lá estarão todos aqueles que, há tantos anos, ainda não se aperceberam de que não se deve brincar com o lume...
terça-feira, 10 de julho de 2007
Quantos são? 40?
Eu sei, já não é novidade, mas não resisti a evocar o facto, apenas pela curiosidade dos números, verdadeiramente irónicos no seu simbolismo.
Li, há pouco, que o Ministério Público se prepara para acusar mais quarenta árbitros (alegadamente, claro) envolvidos em esquemas de classificações que, provavelmente, obedeceriam a critérios que os patrões determinavam.
A curiosidade e a ironia da coisa residem no facto de os nomes de Pinto da Costa, Valentim Loureiro e Pinto de Sousa estarem associados a mais esta leva de acusações.
Estes três poderão ser, como o tal filme, "Os Suspeitos do Costume".
Quanto aos novos acusados, os tais 40 árbitros, vá lá saber-se porquê, fazem-me pensar no Ali Bábá...
Li, há pouco, que o Ministério Público se prepara para acusar mais quarenta árbitros (alegadamente, claro) envolvidos em esquemas de classificações que, provavelmente, obedeceriam a critérios que os patrões determinavam.
A curiosidade e a ironia da coisa residem no facto de os nomes de Pinto da Costa, Valentim Loureiro e Pinto de Sousa estarem associados a mais esta leva de acusações.
Estes três poderão ser, como o tal filme, "Os Suspeitos do Costume".
Quanto aos novos acusados, os tais 40 árbitros, vá lá saber-se porquê, fazem-me pensar no Ali Bábá...
Alcatruzes
Ricardo está a viver um dramático momento da sua carreira.
Claro, ele gosta do seu Sporting, mas o Bétis dá-lhe mais e é tempo de o rapaz tratar do futuro, talvez comprar uns terrenos na sua terra, na presunção de que o novo aeroporto ficará por ali.
Ao mesmo tempo, Anderson Polga colocou o dedo na ferida, chamou a atenção para a enorme injustiça que é os jogadores da bola terem de pagar tantos impostos. Não é por nada, mas a carga fiscal torna Portugal um mercado menos interessante do que Espanha, por exemplo.
Eu acho que o nosso Polga tem razão.
Os rapazes ganham pouco e a profissão é de desgaste rápido.
Se, ainda por cima, os massacram com impostos, onde é que isto vai parar?
A Sevilha, provavelmente, como parece acontecer com o guardião (ainda) sportinguista.
Temos de compreender, um futebolista não pode ser lírico nem sentimental, tem de defender os seus interesses.
A sua floresta não é Sherwood mas sim Alcochete e ele não é Robin dos Bosques, mas simplesmente um Ricardo que até ontem tinha coração de leão...
Claro, ele gosta do seu Sporting, mas o Bétis dá-lhe mais e é tempo de o rapaz tratar do futuro, talvez comprar uns terrenos na sua terra, na presunção de que o novo aeroporto ficará por ali.
Ao mesmo tempo, Anderson Polga colocou o dedo na ferida, chamou a atenção para a enorme injustiça que é os jogadores da bola terem de pagar tantos impostos. Não é por nada, mas a carga fiscal torna Portugal um mercado menos interessante do que Espanha, por exemplo.
Eu acho que o nosso Polga tem razão.
Os rapazes ganham pouco e a profissão é de desgaste rápido.
Se, ainda por cima, os massacram com impostos, onde é que isto vai parar?
A Sevilha, provavelmente, como parece acontecer com o guardião (ainda) sportinguista.
Temos de compreender, um futebolista não pode ser lírico nem sentimental, tem de defender os seus interesses.
A sua floresta não é Sherwood mas sim Alcochete e ele não é Robin dos Bosques, mas simplesmente um Ricardo que até ontem tinha coração de leão...
Uma moedinha para o partido
Em França, o Partido Comunista e a Frente Nacional (Le Pen) estão a atravessar graves crises financeiras como consequência directa dos péssimos resultados nas recentes eleições, a presidencial e as legislativas.
Neste último caso, as despesas de campanha só são reembolsadas pelo Estado desde que os candidatos obtenham, no mínimo, 5% dos votos.
Ora, a tanto não chegaram muitos dos membros do PC e da FN, numa clara demonstração de perda de influência de dois partidos tão distantes nos ideais e, agora, tão próximos na decadência.
Será a globalização a impor as suas regras?
Será a morte dos pequenos comerciantes da política, tragados pelas grandes superfícies?
Neste último caso, as despesas de campanha só são reembolsadas pelo Estado desde que os candidatos obtenham, no mínimo, 5% dos votos.
Ora, a tanto não chegaram muitos dos membros do PC e da FN, numa clara demonstração de perda de influência de dois partidos tão distantes nos ideais e, agora, tão próximos na decadência.
Será a globalização a impor as suas regras?
Será a morte dos pequenos comerciantes da política, tragados pelas grandes superfícies?
Atrás do Avante
Quem vai de Lisboa para Sesimbra é obrigado a fazer a travessia penosa de Fernão Ferro. Depois chega àquela abençoada rotunda (é mesmo, abençoada) e então julga poder respirar fundo.
Eis senão quando apanha com aquele enorme cartaz a anunciar a festa do Avante que, como sempre, ocorre em Setembro.
Acho bem que os comunistas divulguem a sua tradicional comemoração, mas parece-me abusivo que durante três meses seja aquele o cartão de visita de Sesimbra.
Ao lado do mar de emoções, a festa do Avante, é a Câmara ao serviço da promoção das festividades do Partido Comunista.
É um bocadinho triste...
Eis senão quando apanha com aquele enorme cartaz a anunciar a festa do Avante que, como sempre, ocorre em Setembro.
Acho bem que os comunistas divulguem a sua tradicional comemoração, mas parece-me abusivo que durante três meses seja aquele o cartão de visita de Sesimbra.
Ao lado do mar de emoções, a festa do Avante, é a Câmara ao serviço da promoção das festividades do Partido Comunista.
É um bocadinho triste...
Pois...
21 de Outubro. Fixem esta data.
Podia ser 1 de Abril, seria a mesma coisa, a mesma farsa, a mesma mentira.
Com um ar muito sério, sem o menor sorrizinho pérfido ao canto da boca, com a solenidade própria da circunstância e com a pompa que se adivinha, um alto funcionário do aparelho de Estado terá anunciado aquilo que, em alguns países, tem certo significado: eleições.
Os tambores rufam, os corações palpitam, señoras y señores, compañeros, camaradas, que bueno, vai haver eleições em Cuba.
Pois...
Podia ser 1 de Abril, seria a mesma coisa, a mesma farsa, a mesma mentira.
Com um ar muito sério, sem o menor sorrizinho pérfido ao canto da boca, com a solenidade própria da circunstância e com a pompa que se adivinha, um alto funcionário do aparelho de Estado terá anunciado aquilo que, em alguns países, tem certo significado: eleições.
Os tambores rufam, os corações palpitam, señoras y señores, compañeros, camaradas, que bueno, vai haver eleições em Cuba.
Pois...
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Heróis do mar
Os ingleses são um povo bárbaro. Se não vejamos.
Três indivíduos tentaram levar a cabo atentados terroristas que podiam ter provocado inúmeras vítimas.
Porém, os dispositivos não funcionaram e os atentados não chegaram a acontecer.
Apesar disso, tendo em conta a clara intenção dos acusados, todos foram julgados e condenados.
Felizmente, Portugal é um país amorável, adorável, tolerante e compreensivo.
Um simpático cidadão decidiu mandar assassinar a mulher, tendo pago cinco mil euros a cada um dos russos a quem encomendou o crime.
Sucedeu que os russos mudaram de opinião e denunciaram o senhor.
Julgado em tribunal, o gentil colectivo de juízes achou por bem absolvê-lo explicando o magnânimo gesto com o facto de o crime não ter chegado a ser cometido.
Portanto, a intenção inequívoca, premeditada e posta em prática (no que estava ao alcance do mandante) não foi considerada suficientemente grave para levar à condenação do acusado.
Limitaram-se os juízes a ralhar com o candidato a viúvo, censurando a sua feia conduta, nos planos da moral e da ética.
Imagino que o arguido deve ter corado de vergonha, coitado, vendo-se assim repreendido em público. Foi uma crueldade desnecessária já que ficou provado que não houve crime.
Foi mais uma grande lição que a Justiça portuguesa deu ao mundo, em especial a esses selvagens ingleses.
É em momentos como estes que sentimos orgulho em ser portugueses e nos apetece adormecer embrulhados na bandeira das quinas.
Mais : se Mourinho, Ronaldo e Nani tivessem uma pinga de vergonha abandonavam a Inglaterra. Já.
Três indivíduos tentaram levar a cabo atentados terroristas que podiam ter provocado inúmeras vítimas.
Porém, os dispositivos não funcionaram e os atentados não chegaram a acontecer.
Apesar disso, tendo em conta a clara intenção dos acusados, todos foram julgados e condenados.
Felizmente, Portugal é um país amorável, adorável, tolerante e compreensivo.
Um simpático cidadão decidiu mandar assassinar a mulher, tendo pago cinco mil euros a cada um dos russos a quem encomendou o crime.
Sucedeu que os russos mudaram de opinião e denunciaram o senhor.
Julgado em tribunal, o gentil colectivo de juízes achou por bem absolvê-lo explicando o magnânimo gesto com o facto de o crime não ter chegado a ser cometido.
Portanto, a intenção inequívoca, premeditada e posta em prática (no que estava ao alcance do mandante) não foi considerada suficientemente grave para levar à condenação do acusado.
Limitaram-se os juízes a ralhar com o candidato a viúvo, censurando a sua feia conduta, nos planos da moral e da ética.
Imagino que o arguido deve ter corado de vergonha, coitado, vendo-se assim repreendido em público. Foi uma crueldade desnecessária já que ficou provado que não houve crime.
Foi mais uma grande lição que a Justiça portuguesa deu ao mundo, em especial a esses selvagens ingleses.
É em momentos como estes que sentimos orgulho em ser portugueses e nos apetece adormecer embrulhados na bandeira das quinas.
Mais : se Mourinho, Ronaldo e Nani tivessem uma pinga de vergonha abandonavam a Inglaterra. Já.
Importa-se de explicar?
Paulo Portas tem feito um tal colagem ao candidato do CDS-PP à Câmara de Lisboa que o Telmo mais parece uma Correia de transmissão dos recados de PP, ou seja, Paulo Portas.
"Correia de transmissão" é expressão que nos habituámos a ouvir nos círculos chegado ao PC, mas as amplas liberdades permitem-nos a adopção de qualquer fórmula desde que apropriada.
O certo é que Paulo Portas anda muito (demasiado?) empenhado neste combate autárquico e é estranho que afirme (para quem tem a paciência de o ouvir) que a sua liderança poderá sofrer com um mau resultado de Telmo Correia.
É surpreendente esta visão das coisas.
Este ano, o Porto perdeu em casa com o Estrela da Amadora e não só Pinto da Costa se não demitiu como não afastou o treinador. E o Porto foi campeão.
Afinal, que jogada maquiavélica estará Portas a preparar no seu xadrez?
Ou será que, em vez de xadrez, ele está a jogar, no mar da Palha, à batalha naval?
Se calhar, com esta história dos submarinos, já lhe atingiram o porta-aviões...
"Correia de transmissão" é expressão que nos habituámos a ouvir nos círculos chegado ao PC, mas as amplas liberdades permitem-nos a adopção de qualquer fórmula desde que apropriada.
O certo é que Paulo Portas anda muito (demasiado?) empenhado neste combate autárquico e é estranho que afirme (para quem tem a paciência de o ouvir) que a sua liderança poderá sofrer com um mau resultado de Telmo Correia.
É surpreendente esta visão das coisas.
Este ano, o Porto perdeu em casa com o Estrela da Amadora e não só Pinto da Costa se não demitiu como não afastou o treinador. E o Porto foi campeão.
Afinal, que jogada maquiavélica estará Portas a preparar no seu xadrez?
Ou será que, em vez de xadrez, ele está a jogar, no mar da Palha, à batalha naval?
Se calhar, com esta história dos submarinos, já lhe atingiram o porta-aviões...
O primeiro destino
A inauguração da Casa do Bispo é já no próximo sábado, dia 14 de Julho, pelas 18 horas. A exposição inaugural, patente no agora denominado “Pátio Verde”, chama-se “Seis horas a comer”, e o ingresso custa sete euros e meio. Na cafetaria do monumento, só refeições ligeiras: uma sardinhada, o inevitável porco preto e a sobremesa a rematar. Inspirados pela tomada da Bastilha, que nesse dia se celebra lá pelas Franças, aí vamos nós, rumo ao primeiro destino turístico da península… Parabéns, Augusto!
Em cena
Todos sabemos que a imagem, a aparência, o carisma, tudo isso tem hoje uma importância capital para a venda dos "produtos" políticos, desportivos e comerciais, sendo as fronteiras entre eles mais do que difusas.
Quer se concorde ou não com as suas opções, a verdade é que poucos negarão que Tony Blair é um político convincente, expressivo, simpático e determinado.
Em contrapartida, o seu sucessor, Gordon Brown, mais parece um actor a representar o papel de primeiro-ministro.
Sarkozy pouco terá do charme de Alain Delon e parece demasiado jovem para a função.
Cavaco é de uma extrema rigidez, incapaz de uma tirada repentista, não desmancha o cabelo nem faz pregas no peito.
Sócrates tem outro à-vontade, é mais ao jeito de Tony Blair, mas não tem o mesmo sorriso aberto, é mais frio e agressivo.
Este Gordon Brown, não sei porquê, faz-me pensar naqueles actores ingleses de boa figura, bem falantes, mas sem a naturalidade e a réplica solta de Blair.
Vamos a ver de que forma ele vai desempenhar o seu papel...
Quer se concorde ou não com as suas opções, a verdade é que poucos negarão que Tony Blair é um político convincente, expressivo, simpático e determinado.
Em contrapartida, o seu sucessor, Gordon Brown, mais parece um actor a representar o papel de primeiro-ministro.
Sarkozy pouco terá do charme de Alain Delon e parece demasiado jovem para a função.
Cavaco é de uma extrema rigidez, incapaz de uma tirada repentista, não desmancha o cabelo nem faz pregas no peito.
Sócrates tem outro à-vontade, é mais ao jeito de Tony Blair, mas não tem o mesmo sorriso aberto, é mais frio e agressivo.
Este Gordon Brown, não sei porquê, faz-me pensar naqueles actores ingleses de boa figura, bem falantes, mas sem a naturalidade e a réplica solta de Blair.
Vamos a ver de que forma ele vai desempenhar o seu papel...
As 7 maravilhas dele
1 – A Fortaleza
Há quem entregue o ouro ao bandido, o que até se compreende. Mas, francamente!, entregar de mão beijada o Ouro e a Califórnia e a Fortaleza que os separa à polícia maila sua colónia de férias. O que ele foi fazer…
2 – Parques e jardins
A gente sabe que o Patrício jurou a pés juntos que eles existem, mas tirando as hortas e os pinhais no campo, nem vê-los. Em terra de pescadores, já se sabe: pela boca morre o peixe.
3 – O barato site caro
Diz que foi com a prata da casa, tal qual manda a cartilha da Península Digital. Ainda se fosse a outra, a de João de Deus, ter-se-ia evitado que o porta-aviões fosse ao fundo logo ao fim de cinco minutos de batalha naval.
4 – Participações sociais
Há quem queira brincar aos políticos e faça umas reuniões com miúdos e outras com graúdos. Quando o dinheiro do Orçamento Participativo não dá para mandar cantar o cego, sobram as vistas largas, os planos arrojados, os amanhãs que (nunca mais) cantam. O pior foi quando os miúdos se armaram em cidadãos a valer, na última Assembleia Municipal. E se mudássemos de assunto?
5 – Hasta pública, hasta luego!
Já não bastava o deserto de Lino, “o outro”, chegou-nos agora o deserto sob a forma de concurso. O oásis do primeiro destino da península torna-se uma insuportável miragem.
6 – O silêncio dos inocentes
Depois do banzé escusado de Lino, “o nosso”, seguiu-se o silêncio de Eufrásio. Esequiel já não mora aqui. E a excelência cultural da Costa Azul também não…
7 – A “plantaforma”
A palavra que faltava dizer. A revolução técnica ao serviço da língua portuguesa. Mais do que um mimo: o símbolo que havíamos rogado aos deuses.
Há quem entregue o ouro ao bandido, o que até se compreende. Mas, francamente!, entregar de mão beijada o Ouro e a Califórnia e a Fortaleza que os separa à polícia maila sua colónia de férias. O que ele foi fazer…
2 – Parques e jardins
A gente sabe que o Patrício jurou a pés juntos que eles existem, mas tirando as hortas e os pinhais no campo, nem vê-los. Em terra de pescadores, já se sabe: pela boca morre o peixe.
3 – O barato site caro
Diz que foi com a prata da casa, tal qual manda a cartilha da Península Digital. Ainda se fosse a outra, a de João de Deus, ter-se-ia evitado que o porta-aviões fosse ao fundo logo ao fim de cinco minutos de batalha naval.
4 – Participações sociais
Há quem queira brincar aos políticos e faça umas reuniões com miúdos e outras com graúdos. Quando o dinheiro do Orçamento Participativo não dá para mandar cantar o cego, sobram as vistas largas, os planos arrojados, os amanhãs que (nunca mais) cantam. O pior foi quando os miúdos se armaram em cidadãos a valer, na última Assembleia Municipal. E se mudássemos de assunto?
5 – Hasta pública, hasta luego!
Já não bastava o deserto de Lino, “o outro”, chegou-nos agora o deserto sob a forma de concurso. O oásis do primeiro destino da península torna-se uma insuportável miragem.
6 – O silêncio dos inocentes
Depois do banzé escusado de Lino, “o nosso”, seguiu-se o silêncio de Eufrásio. Esequiel já não mora aqui. E a excelência cultural da Costa Azul também não…
7 – A “plantaforma”
A palavra que faltava dizer. A revolução técnica ao serviço da língua portuguesa. Mais do que um mimo: o símbolo que havíamos rogado aos deuses.
Sub-jacentes
Depois da vergonha dos Sub-21, agora foi a vez dos Sub-20 fazerem triste figura.
Ganharam a uma Nova Zelândia coitadinha e depois perderam com o México, claro, e até com a Gâmbia.
Mas como estas competições são uma espécie de "muda aos três e acaba aos seis", lá foram repescados para os oitavos-de-final, por terem sido um dos melhores terceiros classificados.
Terceiro em quatro, não em quinze ou vinte. É mesmo de rir...
E o senhor José Couceiro lá continua, para espanto de todos.
Ontem, a perder, e a Gâmbia com um jogador a menos, manteve quatro defesas. Para defenderem o quê? Aquilo era para se ganhar com uma Gâmbia às costas. Afinal...
Mas isto dos Subs não é só no futebol que anda mal.
Às voltas com alguns milhões ligados à compra de dois submarinos anda o ex-ministro da Defesa, Paulo Portas.
Que ali poderá ter havido algo suspeito é o que fica subentendido. Mas eu não acredito...
Ganharam a uma Nova Zelândia coitadinha e depois perderam com o México, claro, e até com a Gâmbia.
Mas como estas competições são uma espécie de "muda aos três e acaba aos seis", lá foram repescados para os oitavos-de-final, por terem sido um dos melhores terceiros classificados.
Terceiro em quatro, não em quinze ou vinte. É mesmo de rir...
E o senhor José Couceiro lá continua, para espanto de todos.
Ontem, a perder, e a Gâmbia com um jogador a menos, manteve quatro defesas. Para defenderem o quê? Aquilo era para se ganhar com uma Gâmbia às costas. Afinal...
Mas isto dos Subs não é só no futebol que anda mal.
Às voltas com alguns milhões ligados à compra de dois submarinos anda o ex-ministro da Defesa, Paulo Portas.
Que ali poderá ter havido algo suspeito é o que fica subentendido. Mas eu não acredito...
domingo, 8 de julho de 2007
Bastilha amarga...
O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, tem tomado medidas que revelam grande habilidade política e uma clareza de ideias muito apreciável.
Ao convidar para o Governo personalidades de Esquerda, revelou (aos olhos do Mundo) grandeza e abertura de espírito.
Ao mesmo tempo (de forma inocente, claro) lançou a confusão e a discórdia nas hostes socialistas ao ponto de deixar o PS em total desvario.
Agora, resolveu acabar com a tradição de conceder indultos a presos, por ocasião da festa nacional de 14 de Julho, dia da tomada da Bastilha.
Trata-se de uma decisão corajosa e acertada, sobretudo quando se sabe que (lá como cá) a intenção é esvaziar um pouco as cadeias.
Ora, sendo essa a verdadeira finalidade, que os indultos sejam concedidos em qualquer altura do ano, sem datas fixas, e apenas a quem justificar tal medida de benevolência.
Todos se recordam de erros grosseiros por cá ocorridos, com os Presidentes da República a assinarem, à pressa, de cruz, a libertação de indivíduos pouco recomendáveis.
Seria bom que o exemplo fosse seguido ou, pelo menos, ponderado.
As tradições só devem ser mantidas quando se lhes reconhece fundamento e mérito, não apenas porque são tradições.
Só falta agora virem os presos franceses falar de direitos adquiridos...
Ao convidar para o Governo personalidades de Esquerda, revelou (aos olhos do Mundo) grandeza e abertura de espírito.
Ao mesmo tempo (de forma inocente, claro) lançou a confusão e a discórdia nas hostes socialistas ao ponto de deixar o PS em total desvario.
Agora, resolveu acabar com a tradição de conceder indultos a presos, por ocasião da festa nacional de 14 de Julho, dia da tomada da Bastilha.
Trata-se de uma decisão corajosa e acertada, sobretudo quando se sabe que (lá como cá) a intenção é esvaziar um pouco as cadeias.
Ora, sendo essa a verdadeira finalidade, que os indultos sejam concedidos em qualquer altura do ano, sem datas fixas, e apenas a quem justificar tal medida de benevolência.
Todos se recordam de erros grosseiros por cá ocorridos, com os Presidentes da República a assinarem, à pressa, de cruz, a libertação de indivíduos pouco recomendáveis.
Seria bom que o exemplo fosse seguido ou, pelo menos, ponderado.
As tradições só devem ser mantidas quando se lhes reconhece fundamento e mérito, não apenas porque são tradições.
Só falta agora virem os presos franceses falar de direitos adquiridos...
sábado, 7 de julho de 2007
Triste sigla
Os deslizes de Fernando Negrão, enredado em siglas, mostraram, por um lado, que o senhor ainda não estava identificado com uma realidade que, ao tentar simplificar, acaba por confundir as pessoas.
Cada vez mais tropeçamos em códigos e símbolos, formas sincopadas, elípticas, sinais convencionais que vão apagando os princípios bolorentos da velha gramática.
Mas, por outro lado, essas siglas têm, por vezes e involuntariamente, o condão de nos mostrarem de forma crua e límpida aquilo que, no turbilhão da informação, nos escapa.
Muito se tem falado ultimamente nos SAPs, os serviços de atendimento permanente, o porto de abrigo dos doentes mais pobres.
E poucos terão reparado que, no pólo oposto, existem os SPAs, estabelecimentos que também tratam da saúde, mas aos ricos a quem proporcionam cuidados de beleza, primores requintados de estética, em templos da eterna juventude.
Curiosa e ironicamente, SAPs e SPAs simbolizam e retratam o Mundo de hoje, deixando antever o que, progressivamente, se irá acentuar, ou seja, a dramática clivagem entre o universo dos poderosos, da opulência impiedosa e a legião de excluídos.
De um lado, os condomínios fechados, do outro os bairros de lata.
Por vezes, os seus caminhos cruzam-se nas alas de um hipermercado, espaço comum de ilusão, para, logo de seguida, cada um voltar à sua realidade.
Alguns tentam enganar a vida, saltar o muro, forçar a entrada no paraíso proibido, no vértice da legalidade, por veredas perigosas, mas acabam por voltar à vala comum, longe do cemitério dos Prazeres.
Portugal vai ter cada vez menos SAPs e muitos mais SPAs, lares requintados para idosos abastados e asilos disfarçados de casas de repouso para velhos que os familiares abandonam civilizadamente.
É esta a nossa sigla, a nossa triste sina...
Cada vez mais tropeçamos em códigos e símbolos, formas sincopadas, elípticas, sinais convencionais que vão apagando os princípios bolorentos da velha gramática.
Mas, por outro lado, essas siglas têm, por vezes e involuntariamente, o condão de nos mostrarem de forma crua e límpida aquilo que, no turbilhão da informação, nos escapa.
Muito se tem falado ultimamente nos SAPs, os serviços de atendimento permanente, o porto de abrigo dos doentes mais pobres.
E poucos terão reparado que, no pólo oposto, existem os SPAs, estabelecimentos que também tratam da saúde, mas aos ricos a quem proporcionam cuidados de beleza, primores requintados de estética, em templos da eterna juventude.
Curiosa e ironicamente, SAPs e SPAs simbolizam e retratam o Mundo de hoje, deixando antever o que, progressivamente, se irá acentuar, ou seja, a dramática clivagem entre o universo dos poderosos, da opulência impiedosa e a legião de excluídos.
De um lado, os condomínios fechados, do outro os bairros de lata.
Por vezes, os seus caminhos cruzam-se nas alas de um hipermercado, espaço comum de ilusão, para, logo de seguida, cada um voltar à sua realidade.
Alguns tentam enganar a vida, saltar o muro, forçar a entrada no paraíso proibido, no vértice da legalidade, por veredas perigosas, mas acabam por voltar à vala comum, longe do cemitério dos Prazeres.
Portugal vai ter cada vez menos SAPs e muitos mais SPAs, lares requintados para idosos abastados e asilos disfarçados de casas de repouso para velhos que os familiares abandonam civilizadamente.
É esta a nossa sigla, a nossa triste sina...
Afinal, como é?
A Volta à França começou hoje e o doping é o assunto que anda no ar, tantas são as suspeitas que pesam sobre o ciclismo.
O americano Lance Armstrong venceu o cancro uma vez e o Tour por seis ou sete vezes e insurge-se contra o que designa por hipocrisia dos responsáveis pela organização.
Um recente vencedor da prova confessou ter-se dopado e, por isso, exigiram-lhe a devolução da camisola amarela.
Contudo, essa exigência não foi feita a outros que admitiram idêntico recurso a substâncias proibidas.
No fundo, a grande hipocrisia não é apontar o dedo a uns e não a outros, mas sim organizar uma competição de tal violência física e, depois, esperar que os atletas se limitem a beber água das Pedras, como ironizou Jacques Anquetil, vencedor de cinco edições.
Ganhar o Tour sem doping (apesar do que diz Armstrong) é tão difícil como nadar mariposa sem nos molharmos.
Para grandes males (leia-se exigências), grandes remédios.
Não é o caso do futebol onde é perfeitamente possível jogar bem e vencer sem consumir estimulantes. Mas há quem queira ter todos os trunfos na mão e não hesite.
A diferença é que alguns antigos ciclistas acabam por confessar, ao passo que no futebol o silêncio é duradoiro.
Será que, afinal, nunca houve nem há doping no futebol?
Quem quiser que acredite. Eu não...
O americano Lance Armstrong venceu o cancro uma vez e o Tour por seis ou sete vezes e insurge-se contra o que designa por hipocrisia dos responsáveis pela organização.
Um recente vencedor da prova confessou ter-se dopado e, por isso, exigiram-lhe a devolução da camisola amarela.
Contudo, essa exigência não foi feita a outros que admitiram idêntico recurso a substâncias proibidas.
No fundo, a grande hipocrisia não é apontar o dedo a uns e não a outros, mas sim organizar uma competição de tal violência física e, depois, esperar que os atletas se limitem a beber água das Pedras, como ironizou Jacques Anquetil, vencedor de cinco edições.
Ganhar o Tour sem doping (apesar do que diz Armstrong) é tão difícil como nadar mariposa sem nos molharmos.
Para grandes males (leia-se exigências), grandes remédios.
Não é o caso do futebol onde é perfeitamente possível jogar bem e vencer sem consumir estimulantes. Mas há quem queira ter todos os trunfos na mão e não hesite.
A diferença é que alguns antigos ciclistas acabam por confessar, ao passo que no futebol o silêncio é duradoiro.
Será que, afinal, nunca houve nem há doping no futebol?
Quem quiser que acredite. Eu não...
O biombo chinês
Este caso da OPA dos chineses sobre o Benfica está a intrigar muita gente, havendo quem se interrogue sobre a veracidade da notícia ou sobre a legalidade e/ou legitimidade da operação.
Outros ainda gostariam de saber quem está por trás de tudo isto.
Por mim, acho que nada do que se diz é surpreendente.
Não seria a primeira vez que uma mãozinha chinesa viria a calhar para o Benfica, já assim tendo sucedido quando Alberto Ló conquistou inúmeros triunfos com a sua raquete mágica, no ping-pong.
No caso vertente, depois da surpresa Berardo, surge agora uma oferta que duplica a do actual inquilino do CCB. Estranho, não é? Logo o dobro! Não será muita fruta?
Nem mais! A resposta estava aí à vossa frente, límpida, evidente, fruta!
Por outro lado, quem diz China, diz dragão. Elemental , meu calo Vieila!
As coisas hoje já não são como antas, agora manda o Dragão...
Outros ainda gostariam de saber quem está por trás de tudo isto.
Por mim, acho que nada do que se diz é surpreendente.
Não seria a primeira vez que uma mãozinha chinesa viria a calhar para o Benfica, já assim tendo sucedido quando Alberto Ló conquistou inúmeros triunfos com a sua raquete mágica, no ping-pong.
No caso vertente, depois da surpresa Berardo, surge agora uma oferta que duplica a do actual inquilino do CCB. Estranho, não é? Logo o dobro! Não será muita fruta?
Nem mais! A resposta estava aí à vossa frente, límpida, evidente, fruta!
Por outro lado, quem diz China, diz dragão. Elemental , meu calo Vieila!
As coisas hoje já não são como antas, agora manda o Dragão...
Porto fino
As gentes do Norte tiveram, durante muito tempo, uma aura de seriedade, honradez e coragem, lembremo-nos da Cidade Invicta.
Infelizmente, o futebol e certos autarcas foram minando essa imagem, com a multiplicação de casos de corrupção, peculato, sacos azuis e outros desmandos que levaram o Norte a cair sob a alçada de uma Justiça lenta e tolerante, mais parecendo feita por alentejanos.
Nomes como Felgueiras, Gondomar ou Porto deixam-nos logo de pé atrás, e a série continua.
Dois inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras são suspeitos de 180 crimes e apenas lhes foi aplicada a medida de coacção de termo de identidade e residência, o que lhes permite continuar, tranquilamente, a trabalhar no aeroporto do Porto.
É porto a mais, ficamos com a cabeça à roda...
Infelizmente, o futebol e certos autarcas foram minando essa imagem, com a multiplicação de casos de corrupção, peculato, sacos azuis e outros desmandos que levaram o Norte a cair sob a alçada de uma Justiça lenta e tolerante, mais parecendo feita por alentejanos.
Nomes como Felgueiras, Gondomar ou Porto deixam-nos logo de pé atrás, e a série continua.
Dois inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras são suspeitos de 180 crimes e apenas lhes foi aplicada a medida de coacção de termo de identidade e residência, o que lhes permite continuar, tranquilamente, a trabalhar no aeroporto do Porto.
É porto a mais, ficamos com a cabeça à roda...
As 7 maravilhas dela
1 – O concurso do Dia das Mentiras
Em 2006, a vereadora dava mostras do seu génio imparável: associado à Onda Jovem, um concurso de âmbito escolar destinado a estimular e premiar a criatividade na arte de mentir, motivou 60 comentários numa entrada do saudoso blogue Sesimbra e Ventos. O vencedor ainda não foi anunciado.
2 – “Os aventureiros e o mapa secreto”
Um livro de aventuras para os mais novos em que dois dos protagonistas são Felícia e David Sequerra. Cesse tudo o que a musa antiga canta…
3 – A palavra “perpétua”
Eis como duas ou três palavras reinventadas podem valorizar sobremaneira um livrinho com belas imagens fotográficas do Castelo de Sesimbra. Capatazes mais ou menos capazes e uma conjuntura mais ou menos propícia a Felícia propicia e perpetua a palavra perpétua que faltava dizer.
4 – Os mil rostos
Quem vê caras, não vê corações…
5 – Rock e Jazz na Capela do Espírito Santo
Consta que o mártir São Sebastião deu um pé de dança. O único que lhe resta.
6 – Será que se bebeu de mais no Carnaval?
Com certeza que sim. E a prova provada está no facto de ninguém se ter dignado a comparecer neste evento de suma importância para o futuro próximo do concelho. Com o Auditório Conde de Ferreira às moscas, a ressaca deve ter sido grande…
7 – Sete samurais e duas pessoas mais
Em Sesimbra não há cinéfilos… Ingratos, é o que é. Mude-se o povo, já!
Em 2006, a vereadora dava mostras do seu génio imparável: associado à Onda Jovem, um concurso de âmbito escolar destinado a estimular e premiar a criatividade na arte de mentir, motivou 60 comentários numa entrada do saudoso blogue Sesimbra e Ventos. O vencedor ainda não foi anunciado.
2 – “Os aventureiros e o mapa secreto”
Um livro de aventuras para os mais novos em que dois dos protagonistas são Felícia e David Sequerra. Cesse tudo o que a musa antiga canta…
3 – A palavra “perpétua”
Eis como duas ou três palavras reinventadas podem valorizar sobremaneira um livrinho com belas imagens fotográficas do Castelo de Sesimbra. Capatazes mais ou menos capazes e uma conjuntura mais ou menos propícia a Felícia propicia e perpetua a palavra perpétua que faltava dizer.
4 – Os mil rostos
Quem vê caras, não vê corações…
5 – Rock e Jazz na Capela do Espírito Santo
Consta que o mártir São Sebastião deu um pé de dança. O único que lhe resta.
6 – Será que se bebeu de mais no Carnaval?
Com certeza que sim. E a prova provada está no facto de ninguém se ter dignado a comparecer neste evento de suma importância para o futuro próximo do concelho. Com o Auditório Conde de Ferreira às moscas, a ressaca deve ter sido grande…
7 – Sete samurais e duas pessoas mais
Em Sesimbra não há cinéfilos… Ingratos, é o que é. Mude-se o povo, já!
sexta-feira, 6 de julho de 2007
A vassoura da Maga é preguiçosa
De duas, uma: ou esta gente é de compreensão lenta (e muito lenta), ou só vem à luta quando a refrega já serenou, assim como quem não quer a coisa, apenas para marcar presença, tentando salvar a honra do convento. Foi o que aconteceu como uma entrada que aqui deixei na segunda-feira, intitulada “Há gente para tudo”, e que só hoje mereceu o comentário anónimo, mas não incolor, que passo a transcrever:
Projecto aprovado para a Casa do Bispo? Só se foi pelo patriarcado? Na CMS nada foi aprovado e o que consta é que existe um projecto megalómano (300 mil contos) do Cristóvão Rodrigues para meter a sede do museu na Casa do Bispo (!?). Acho bem que não se avance por aí. A sede do museu não pode ficar confinada a um espaço exíguo e de difícil acesso, que dificultaria e limitaria o funcionamento de todas as valências desejáveis para uma sede de um museu.
Agora os factos:
- Há um projecto para o Museu Municipal de Sesimbra que, no mandato 1998-2001, foi presente à Câmara Municipal, e que não mereceu então qualquer reparo de Augusto.
- Esse projecto contemplava a recuperação da Casa do Bispo, destinando-a a sede do Museu Municipal de Sesimbra. Augusto viu e concordou.
- Os custos estimados para a recuperação daquele imóvel rondam os 150 mil contos, metade da atoarda agora lançada.
- O responsável científico pelo projecto do Museu Municipal, dito “megalómano” no que respeita à Casa do Bispo, é, ainda hoje, assessor de Augusto para a Cultura, desenvolvendo a sua actividade na área da museologia. Porque não lhe deu então logo a Maga uma valente varridela com a sua temível vassoura?
- A Casa do Bispo tem inegável interesse patrimonial e está em risco de ruína, mas a única serventia que lhe vislumbram é a de uma esplanada estival.
Em Sesimbra, a voz pública repete com insistência o que já toda a gente percebeu: Augusto está muito mal acompanhado. É um problema dele. Mas faz mal. Se não debandar para outras paragens, será ele a ir a votos, não os seus acompanhantes. E já daqui a dois anos…
Projecto aprovado para a Casa do Bispo? Só se foi pelo patriarcado? Na CMS nada foi aprovado e o que consta é que existe um projecto megalómano (300 mil contos) do Cristóvão Rodrigues para meter a sede do museu na Casa do Bispo (!?). Acho bem que não se avance por aí. A sede do museu não pode ficar confinada a um espaço exíguo e de difícil acesso, que dificultaria e limitaria o funcionamento de todas as valências desejáveis para uma sede de um museu.
Agora os factos:
- Há um projecto para o Museu Municipal de Sesimbra que, no mandato 1998-2001, foi presente à Câmara Municipal, e que não mereceu então qualquer reparo de Augusto.
- Esse projecto contemplava a recuperação da Casa do Bispo, destinando-a a sede do Museu Municipal de Sesimbra. Augusto viu e concordou.
- Os custos estimados para a recuperação daquele imóvel rondam os 150 mil contos, metade da atoarda agora lançada.
- O responsável científico pelo projecto do Museu Municipal, dito “megalómano” no que respeita à Casa do Bispo, é, ainda hoje, assessor de Augusto para a Cultura, desenvolvendo a sua actividade na área da museologia. Porque não lhe deu então logo a Maga uma valente varridela com a sua temível vassoura?
- A Casa do Bispo tem inegável interesse patrimonial e está em risco de ruína, mas a única serventia que lhe vislumbram é a de uma esplanada estival.
Em Sesimbra, a voz pública repete com insistência o que já toda a gente percebeu: Augusto está muito mal acompanhado. É um problema dele. Mas faz mal. Se não debandar para outras paragens, será ele a ir a votos, não os seus acompanhantes. E já daqui a dois anos…
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Eterno ManOel
Manoel de Oliveira continua a espantar-nos com a sua longevidade e a sua tenacidade.
Nesta era de senhores com brincos e anéis, mágicos, monstros e extra-terrestres, o nosso Manoel foi desenterrar um segredo com 38 anos, ligado ao filme Belle de Jour, de Luis Buñuel.
Ao mesmo tempo, desenterrou o canastrão do Michel Piccoli, e eles aí estão para nos proporcionarem uma seca das antigas, com diálogos enrolados em papel almaço, silêncios intermináveis, bocejos e cabeçadas, o Manoel do costume.
Eu sei que sou mauzinho, estou para aqui a lançar veneno e nem vi o filme.
Mas quem viu um filme do Manoel, viu-os todos. Eu vi um, hélas, e foi de mais.
Por isso, recomendo a exibição urgente desta interminável metragem no Cineteatro João Mota.
Quem andar com insónias, vai ver que não dá o dinheiro por mal empregue
Nesta era de senhores com brincos e anéis, mágicos, monstros e extra-terrestres, o nosso Manoel foi desenterrar um segredo com 38 anos, ligado ao filme Belle de Jour, de Luis Buñuel.
Ao mesmo tempo, desenterrou o canastrão do Michel Piccoli, e eles aí estão para nos proporcionarem uma seca das antigas, com diálogos enrolados em papel almaço, silêncios intermináveis, bocejos e cabeçadas, o Manoel do costume.
Eu sei que sou mauzinho, estou para aqui a lançar veneno e nem vi o filme.
Mas quem viu um filme do Manoel, viu-os todos. Eu vi um, hélas, e foi de mais.
Por isso, recomendo a exibição urgente desta interminável metragem no Cineteatro João Mota.
Quem andar com insónias, vai ver que não dá o dinheiro por mal empregue
Janela de oportunidade
Afinal, depois de tanto alarido, de tantas suspeitas e demissões, o Ministério Público não encontrou matéria crime no caso das indemnizações aos ex-administradores da EPUL, Fontão de Carvalho, Eduarda Napoleão e mais três que, ipso facto, não irão a julgamento.
Ao mesmo tempo, continuam as trocas de acusações entre os manos Sá Fernandes e o senhor Nóvoa, da Bragaparques.
Aqueles dizem que foram aliciados, ao passo que este diz-se vítima de pressão dos outros.
Entretanto, a Câmara caiu, as marchas desfilaram, as noivas de Santo António casaram, os credores desesperam, Carmona não desiste, Negrão baralha as siglas, Lisboa é uma enorme Feira Popular.
Talvez, no meio desta confusão, a Bragaparques pudesse resolver o problema do estacionamento em Sesimbra.
É o que, moderna e catitamente, se poderá designar por janela de oportunidade.
Quem sabe, talvez o senhor Nóvoa gostasse de ver o mar da névoa...
Ao mesmo tempo, continuam as trocas de acusações entre os manos Sá Fernandes e o senhor Nóvoa, da Bragaparques.
Aqueles dizem que foram aliciados, ao passo que este diz-se vítima de pressão dos outros.
Entretanto, a Câmara caiu, as marchas desfilaram, as noivas de Santo António casaram, os credores desesperam, Carmona não desiste, Negrão baralha as siglas, Lisboa é uma enorme Feira Popular.
Talvez, no meio desta confusão, a Bragaparques pudesse resolver o problema do estacionamento em Sesimbra.
É o que, moderna e catitamente, se poderá designar por janela de oportunidade.
Quem sabe, talvez o senhor Nóvoa gostasse de ver o mar da névoa...
Sesimbra City
A propósito das “Jornadas Medievais” promovidas pela Junta do Castelo e pela Câmara de Sesimbra, a jornalista Fátima Brinca, no “Notícias da Manhã” de hoje, diz-nos, no título da peça que ali assina, e com inexcedível rigor, que as mesmas “já estão a animar a cidade”.
É tal e qual: o concerto inaugural do pequeno ciclo é só no próximo domingo, mas podemos bem imaginar a azáfama intensa, o bulício infrene e a agitação permanente que, por causa das “Jornadas”, se fazem já sentir na cidade.
É tal e qual: o concerto inaugural do pequeno ciclo é só no próximo domingo, mas podemos bem imaginar a azáfama intensa, o bulício infrene e a agitação permanente que, por causa das “Jornadas”, se fazem já sentir na cidade.
Recheado
Eu sei que o choco tem tinta, molho negro, mas desconfio que Lula faz humor da mesma cor.
Ontem, o presidente do Brasil pediu a José Sócrates que cuidasse dos brasileiros que estão em Portugal, tal como eles cuidam dos portugueses em terras de Santa Cruz.
Se bem me lembro, há uns anos, um grupo de empresários portugueses foi de férias a Fortaleza e foram todos barbaramente assassinados.
Será a isso que Lula se refere? Esperemos que não.
Quanto aos brasileiros cá, não sei, não, mas as brasileiras, essas são bem tratadas, em especial em casas de alterne.
Solícito, José Sócrates explicou a Lula que o nosso país está a apostar forte na formação profissional e que grandes oportunidades estão a surgir.
Segredou mesmo que, em Portugal, trolha, marçano, varredor, isso não há, não, mas engenheiro, seu Lula, engenheiro é só estalar os dedos, isso é mato, seu Lula...
Ontem, o presidente do Brasil pediu a José Sócrates que cuidasse dos brasileiros que estão em Portugal, tal como eles cuidam dos portugueses em terras de Santa Cruz.
Se bem me lembro, há uns anos, um grupo de empresários portugueses foi de férias a Fortaleza e foram todos barbaramente assassinados.
Será a isso que Lula se refere? Esperemos que não.
Quanto aos brasileiros cá, não sei, não, mas as brasileiras, essas são bem tratadas, em especial em casas de alterne.
Solícito, José Sócrates explicou a Lula que o nosso país está a apostar forte na formação profissional e que grandes oportunidades estão a surgir.
Segredou mesmo que, em Portugal, trolha, marçano, varredor, isso não há, não, mas engenheiro, seu Lula, engenheiro é só estalar os dedos, isso é mato, seu Lula...
Ah, ganda Derlei
Nós, por vezes, temos a ilusão de saber ler entre as linhas, de decifrar enigmas e antecipar acontecimentos.
Chicos-espertos é o que somos, sem ideias estruturantes nem conceitos fracturantes.
Noutro dia, mal soube que o Derlei ia para o Sporting, apressei-me a afiançar que era um barrete, que o tipo já deu o que tinha a dar, enfim, palpites daqueles que teriam merecido sérias reservas do mestre Adelino.
Ora, se volto ao assunto, é para dar a mão à palmatória, para me prostrar a vossos pés, leitores que conheço desde pequeninos, ainda parece que foi ontem.
Vergonha, porca miséria, o degredo é o que me resta, já que falhei rotunda e estrondosamente.
A evidência é que o Sporting fez um grande negócio, pois o Derlei, ontem, já fez TRÊS golos no treino.
Os jornais aí estão, com parangonas, a encher os céus e a terra, Derlei seja louvado.
Onde é que já se vira tal feito? Três golos num treino?!!
As hostes leoninas estão em festa, o País boquiaberto.
Lula da Silva está mesmo a ponderar a hipótese de agraciar Derlei com a medalha de comendador de Alcochete.
Para que conste, ontem, numa partida de matraquilhos, marquei sete golos ao Pedro Neves.
De bola parada. É obra, é pau, é pedra...
Chicos-espertos é o que somos, sem ideias estruturantes nem conceitos fracturantes.
Noutro dia, mal soube que o Derlei ia para o Sporting, apressei-me a afiançar que era um barrete, que o tipo já deu o que tinha a dar, enfim, palpites daqueles que teriam merecido sérias reservas do mestre Adelino.
Ora, se volto ao assunto, é para dar a mão à palmatória, para me prostrar a vossos pés, leitores que conheço desde pequeninos, ainda parece que foi ontem.
Vergonha, porca miséria, o degredo é o que me resta, já que falhei rotunda e estrondosamente.
A evidência é que o Sporting fez um grande negócio, pois o Derlei, ontem, já fez TRÊS golos no treino.
Os jornais aí estão, com parangonas, a encher os céus e a terra, Derlei seja louvado.
Onde é que já se vira tal feito? Três golos num treino?!!
As hostes leoninas estão em festa, o País boquiaberto.
Lula da Silva está mesmo a ponderar a hipótese de agraciar Derlei com a medalha de comendador de Alcochete.
Para que conste, ontem, numa partida de matraquilhos, marquei sete golos ao Pedro Neves.
De bola parada. É obra, é pau, é pedra...
Estão verdes...
No boletim de voto para as eleições em Lisboa, o nome de Helena Roseta não aparece.
O que lá está é "Cidadãos por Lisboa".
Enfim, ela lá saberá por que fica na sombra, embora em todos os cartazes apareçam a sua cara e o seu nome.
Por outras razões, o Partido Comunista há muito utiliza o subterfúgio, o eufemismo da sigla CDU, quando toda a gente sabe que os Verdes pouco ou nada riscam.
É apenas uma forma de atrair alguns ingénuos e evitar a conotação vincada de PC menos puro e mais endurecido.
Se a minha voz tivesse algum alcance, se ela acaso chegasse aos corredores dos nossos augustos governantes, atrever-me-ia a sugerir que, nas próximas listas eleitorais, não ponham certos nomes.
Deixem a coisa em suspenso, forneçam a constituição da equipa só à hora do jogo, porque há nomes que causam arrepios e pele de galinha aos munícipes menos adormecidos e verdadeiramente livres.
CDU serve, é ambígua, vaga e inócua, como convém.
Lembram-se da fábula da raposa e as uvas?
Pois, essa mesmo, estão verdes, não prestam.Verdes em Sesimbra, nem os espaços...
O que lá está é "Cidadãos por Lisboa".
Enfim, ela lá saberá por que fica na sombra, embora em todos os cartazes apareçam a sua cara e o seu nome.
Por outras razões, o Partido Comunista há muito utiliza o subterfúgio, o eufemismo da sigla CDU, quando toda a gente sabe que os Verdes pouco ou nada riscam.
É apenas uma forma de atrair alguns ingénuos e evitar a conotação vincada de PC menos puro e mais endurecido.
Se a minha voz tivesse algum alcance, se ela acaso chegasse aos corredores dos nossos augustos governantes, atrever-me-ia a sugerir que, nas próximas listas eleitorais, não ponham certos nomes.
Deixem a coisa em suspenso, forneçam a constituição da equipa só à hora do jogo, porque há nomes que causam arrepios e pele de galinha aos munícipes menos adormecidos e verdadeiramente livres.
CDU serve, é ambígua, vaga e inócua, como convém.
Lembram-se da fábula da raposa e as uvas?
Pois, essa mesmo, estão verdes, não prestam.Verdes em Sesimbra, nem os espaços...
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Nunca mais
O primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, anunciou que o Estado vai conceder um subsídio de 2500 euros por cada criança que nasça.
A promessa já havia sido feita pelo Partido Popular e era de 3000 euros.
A quebra da natalidade é alarmante, e só a produtividade dos emigrantes vai equilibrando as contas.
Mas há, pelo menos, dois dados a ponderar.
Primeiro, a soma é escassa, quando se pensa nos encargos que um filho representa, ao longo de muitos anos.
Dantes, a tropa era o adeus ao lar. A seguir vinha o emprego, relativamente fácil.
Hoje, o serviço militar já não é obrigatório. Garantido, quase obrigatório, é o desemprego.
Até onde se consegue esticar 2500 euros?
O segundo aspecto é que não faz sentido atribuir essa soma a famílias com bons rendimentos. Provavelmente, quem vai aproveitar é a comunidade emigrante, sobretudo africana, o que (nesta selva do mercado de trabalho) significa mais assistidos e/ou revoltados para recrutamento fácil das Al Qaedas.
A grande verdade é que NUNCA MAIS haverá trabalho para todos e, se os ricos não contribuírem para que os excluídos possam viver com um mínimo de dignidade, isto vai acabar muito mal.
Porque mal já está. No mundo inteiro.
E não nos venham com flexiguranças nem choques tecnológicos. Admitam, de uma vez por todas, que NUNCA MAIS haverá trabalho para todos.
E actuem em consequência, se não quiserem viver o horror de convulsões sociais como a Revolução Francesa.
Quem avisa...
A promessa já havia sido feita pelo Partido Popular e era de 3000 euros.
A quebra da natalidade é alarmante, e só a produtividade dos emigrantes vai equilibrando as contas.
Mas há, pelo menos, dois dados a ponderar.
Primeiro, a soma é escassa, quando se pensa nos encargos que um filho representa, ao longo de muitos anos.
Dantes, a tropa era o adeus ao lar. A seguir vinha o emprego, relativamente fácil.
Hoje, o serviço militar já não é obrigatório. Garantido, quase obrigatório, é o desemprego.
Até onde se consegue esticar 2500 euros?
O segundo aspecto é que não faz sentido atribuir essa soma a famílias com bons rendimentos. Provavelmente, quem vai aproveitar é a comunidade emigrante, sobretudo africana, o que (nesta selva do mercado de trabalho) significa mais assistidos e/ou revoltados para recrutamento fácil das Al Qaedas.
A grande verdade é que NUNCA MAIS haverá trabalho para todos e, se os ricos não contribuírem para que os excluídos possam viver com um mínimo de dignidade, isto vai acabar muito mal.
Porque mal já está. No mundo inteiro.
E não nos venham com flexiguranças nem choques tecnológicos. Admitam, de uma vez por todas, que NUNCA MAIS haverá trabalho para todos.
E actuem em consequência, se não quiserem viver o horror de convulsões sociais como a Revolução Francesa.
Quem avisa...
Dá-me chutos
Telmo Correia e Carmona Rodrigues estão de candeias às avessas por causa das salas de chuto.
A polémica, porém, acaba de ganhar novos contornos porque a Liga de Clubes e a Federação exigem explicações e ameaçam proibir a realização da única competição que o Benfica venceu esta época, o campeonato de Futsal.
Madaíl e Hermínio (não gosta que lhe chamem Loureiro, não sei porquê) já marcaram uma conferência de imprensa (às 20.00, pois claro) para anunciarem que, sendo o Futsal nada mais nada menos que futebol de sala, não querem ver esta modalidade do chuto na bola confundida com outra mais conhecida por chuto na veia.
Fechar os olhos, metê-la na areia, seria um chuto na cabeça...
A polémica, porém, acaba de ganhar novos contornos porque a Liga de Clubes e a Federação exigem explicações e ameaçam proibir a realização da única competição que o Benfica venceu esta época, o campeonato de Futsal.
Madaíl e Hermínio (não gosta que lhe chamem Loureiro, não sei porquê) já marcaram uma conferência de imprensa (às 20.00, pois claro) para anunciarem que, sendo o Futsal nada mais nada menos que futebol de sala, não querem ver esta modalidade do chuto na bola confundida com outra mais conhecida por chuto na veia.
Fechar os olhos, metê-la na areia, seria um chuto na cabeça...
Afinal, estão vivos
Segundo li no conceituado e respeitável "O Sesimbrense", do programa de Festas da Junta de Freguesia de Santiago consta uma sessão denominada "Venham Mais Quatro", na próxima 6ª feira, no largo do Central.
A curiosidade reside no facto de os mestres de cerimónia serem Pedro Martins e António Cagica Rapaz que, se bem me lembro, eram a dupla mais activa do saudoso blogue "Sesimbra e Ventos".
Não escondo a minha satisfação porque, por um lado, fui leitor devoto daquele blogue e ainda hoje tenho pena que tenha acabado.
Por outro lado, registo com agrado que os dois parceiros estão vivos e dispostos a fazer uma perninha.
É uma bela notícia e, na 6ª feira, lá estarei para matar saudades e dizer-lhes que me fazem muita falta.
Contudo, o meu entusiasmo esfriou um bocado quando, ao consultar o site da Câmara, encontrei a referência ao acontecimento, é verdade, mas nem sombra do nome daqueles senhores.
Como não acredito em bruxas nem em má fé camarária, deduzo que tenha sido mais um erro de "O Sesimbrense".
Alguém saberá tirar-me esta dúvida dilacerante?
A curiosidade reside no facto de os mestres de cerimónia serem Pedro Martins e António Cagica Rapaz que, se bem me lembro, eram a dupla mais activa do saudoso blogue "Sesimbra e Ventos".
Não escondo a minha satisfação porque, por um lado, fui leitor devoto daquele blogue e ainda hoje tenho pena que tenha acabado.
Por outro lado, registo com agrado que os dois parceiros estão vivos e dispostos a fazer uma perninha.
É uma bela notícia e, na 6ª feira, lá estarei para matar saudades e dizer-lhes que me fazem muita falta.
Contudo, o meu entusiasmo esfriou um bocado quando, ao consultar o site da Câmara, encontrei a referência ao acontecimento, é verdade, mas nem sombra do nome daqueles senhores.
Como não acredito em bruxas nem em má fé camarária, deduzo que tenha sido mais um erro de "O Sesimbrense".
Alguém saberá tirar-me esta dúvida dilacerante?
Aos costumes, disse nada
Não sou eu, com a minha proverbial má vontade, quem o diz. É o insuspeito Eufrásio Filipe, Presidente da Região de Turismo da Costa Azul (para todos os efeitos, um camarada!), na entrevista concedida ao “Correio da Manhã” de hoje.
Quando o questionam sobre os grandes eventos que podem “agitar” o distrito de Setúbal neste Verão, salienta quatro: o festival de teatro de Almada, o FIAR em Palmela, o FMM (Festival Músicas do Mundo) em Sines e o Seixal Jazz. E acrescenta: “Estes quatro eventos são uma referência na Costa Azul: sons, gestos e imagens percorrem a Costa Azul. No vasto e diversificado mundo cultural da Costa Azul estes quatro festivais distinguem-se”.
Sobre Sesimbra, que, em 2005, Augusto almejou transformar no maior destino turístico da Península de Setúbal (recentemente, o inefável Patrício ampliou esse desejo à escala do próprio distrito), Eufrásio, aos costumes, disse nada. Não obstante, fica-se com a sensação de que nunca se gastou tanto dinheiro em espectáculos como agora. Uma pergunta inocente: os “cachets” pagos às trutas que abrilhantaram a inaugurança do Cine-Teatro não poderiam sustentar – ao menos parcialmente – um festival de Verão de referência, no campo musical?
Quando o questionam sobre os grandes eventos que podem “agitar” o distrito de Setúbal neste Verão, salienta quatro: o festival de teatro de Almada, o FIAR em Palmela, o FMM (Festival Músicas do Mundo) em Sines e o Seixal Jazz. E acrescenta: “Estes quatro eventos são uma referência na Costa Azul: sons, gestos e imagens percorrem a Costa Azul. No vasto e diversificado mundo cultural da Costa Azul estes quatro festivais distinguem-se”.
Sobre Sesimbra, que, em 2005, Augusto almejou transformar no maior destino turístico da Península de Setúbal (recentemente, o inefável Patrício ampliou esse desejo à escala do próprio distrito), Eufrásio, aos costumes, disse nada. Não obstante, fica-se com a sensação de que nunca se gastou tanto dinheiro em espectáculos como agora. Uma pergunta inocente: os “cachets” pagos às trutas que abrilhantaram a inaugurança do Cine-Teatro não poderiam sustentar – ao menos parcialmente – um festival de Verão de referência, no campo musical?
Bravo, George !
O actor George Clooney doou um milhão de dólares para ajudar a salvar crianças do Darfur, Chade e Sudão.
Não sei qual será o montante da fortuna de Clooney, mas sei quanto representa um milhão de dólares, em particular naquela região.
Por isso, estamos perante um valioso e belo gesto.
Ao ler a notícia, lembrei-me (de novo) do Zé Torres e dos milionários do futebol português.
Há pouco tempo, o Benfica mandou fazer camisolas que foram (ainda estarão a ser?) vendidas a 10 euros, revertendo as magras somas apuradas para o antigo "magriço".
Por muito que custe a crer, os actuais jogadores do Benfica compraram cada um a sua e pagaram apenas 10 euros. É lamentável, nojento mesmo.
Os nossos actores não ganham o suficiente para imitar George Clooney, mas os muitos milionários que o futebol faz bem podiam mostrar-se generosos, causas não faltam.
Mas falta-lhes grandeza de alma. Entre outras coisas.
Como dizia o outro, no autocarro, "Cavalheiros há, não há é lugares sentados"...
Não sei qual será o montante da fortuna de Clooney, mas sei quanto representa um milhão de dólares, em particular naquela região.
Por isso, estamos perante um valioso e belo gesto.
Ao ler a notícia, lembrei-me (de novo) do Zé Torres e dos milionários do futebol português.
Há pouco tempo, o Benfica mandou fazer camisolas que foram (ainda estarão a ser?) vendidas a 10 euros, revertendo as magras somas apuradas para o antigo "magriço".
Por muito que custe a crer, os actuais jogadores do Benfica compraram cada um a sua e pagaram apenas 10 euros. É lamentável, nojento mesmo.
Os nossos actores não ganham o suficiente para imitar George Clooney, mas os muitos milionários que o futebol faz bem podiam mostrar-se generosos, causas não faltam.
Mas falta-lhes grandeza de alma. Entre outras coisas.
Como dizia o outro, no autocarro, "Cavalheiros há, não há é lugares sentados"...
terça-feira, 3 de julho de 2007
Estrada perigosa
Conta-nos o semanário Sol que Carla Sofia, residente em Lamego, espera dar à luz ainda hoje, no hospital de Vila Real.
A distância entre as duas cidades obrigou-a a fazer inúmeras vezes aquele percurso, motivo pelo qual o Sol fala de gravidez na estrada, imagem que me chamou a atenção.
Primeiro, julguei tratar-se de mais um parto ocorrido numa ambulância, mas não é esse o caso.
A fórmula "gravidez na estrada" caiu-me no goto porque, brejeiramente, logo a associei a tantas gravidezes com origem não na estrada propriamente dita, mas à beira dela, num carreiro esconso, num bosque desviado, mas dentro do automóvel.
Em geral, no banco de trás...
A distância entre as duas cidades obrigou-a a fazer inúmeras vezes aquele percurso, motivo pelo qual o Sol fala de gravidez na estrada, imagem que me chamou a atenção.
Primeiro, julguei tratar-se de mais um parto ocorrido numa ambulância, mas não é esse o caso.
A fórmula "gravidez na estrada" caiu-me no goto porque, brejeiramente, logo a associei a tantas gravidezes com origem não na estrada propriamente dita, mas à beira dela, num carreiro esconso, num bosque desviado, mas dentro do automóvel.
Em geral, no banco de trás...
Por que será?
Vanessa Fernandes acaba de conquistar o seu quarto título europeu de triatlo, é a melhor do Mundo, tem levado a bandeira de Portugal a cumes de glória e, apesar disso, a chamada Comunicação Social quase a ignora.
Jornais e televisões enchem-se com os jogos dos Subs todos, provas subalternas, dão relevo repetido a contratações de craques de valia duvidosa, vão agora acompanhar em pormenor os treinos dos grandes, e não arranjam um bocadinho para a nossa Vanessa.
É verdade que ela não é manequim da Fátima Lopes, usa um aparelho nos dentes, mas, que diabo, é uma campeã de rara dimensão.
Não sei se é por isso, mas não encontro outra explicação para a relutância geral em dar a mais que merecida evidência à rapariga.
No fundo, mostram mais a esquelética e feiosa Rosa Mota do que a Vanessa Fernandes.
Bolas, se o critério é carinha laroca, coitado do Petit, nem de cor-de-rosa se safa...
Jornais e televisões enchem-se com os jogos dos Subs todos, provas subalternas, dão relevo repetido a contratações de craques de valia duvidosa, vão agora acompanhar em pormenor os treinos dos grandes, e não arranjam um bocadinho para a nossa Vanessa.
É verdade que ela não é manequim da Fátima Lopes, usa um aparelho nos dentes, mas, que diabo, é uma campeã de rara dimensão.
Não sei se é por isso, mas não encontro outra explicação para a relutância geral em dar a mais que merecida evidência à rapariga.
No fundo, mostram mais a esquelética e feiosa Rosa Mota do que a Vanessa Fernandes.
Bolas, se o critério é carinha laroca, coitado do Petit, nem de cor-de-rosa se safa...
Ideia ai rosa
O Benfica apresentou ontem os seus novos equipamentos, alguns dos quais incluem camisolas (pasme-se) encarnadas.
Também as há cor-de-rosa. Como diria o outro, pourquoi pas?, o que, traduzido em português da doca, daria por cá, pá?
Mas voltando às camisolinhas, parece que a mulher do Petit gostou de ver o seu cônjuge vestido de cor-de-rosa.
Isto provas três coisas:
1 - o Benfica tem mesmo camisolas cor-de-rosa
2 - a mulher do Petit não é exigente
3 - confirma-se o ditado "Quem o feio ama, bonito lhe parece"
Também as há cor-de-rosa. Como diria o outro, pourquoi pas?, o que, traduzido em português da doca, daria por cá, pá?
Mas voltando às camisolinhas, parece que a mulher do Petit gostou de ver o seu cônjuge vestido de cor-de-rosa.
Isto provas três coisas:
1 - o Benfica tem mesmo camisolas cor-de-rosa
2 - a mulher do Petit não é exigente
3 - confirma-se o ditado "Quem o feio ama, bonito lhe parece"
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Bichas solitárias?
A empresa "Big Eventos" acaba de lançar no mercado um produto turístico só para solteiros, na convicção de que é preciso pensar nas pessoas que viajam sozinhas e têm, por exemplo, de pagar um extra por quarto individual.
A ideia é aproximar os turistas entre si e de pessoas residentes nos locais de destino.
Admitem mesmo que quartos individuais possam passar a duplos, mas só para pessoas do mesmo sexo o que, além de discriminatório, mais parece um convite a práticas homossexuais.
Mas enfim, se é verdade que quem fala no barco quer embarcar, não é menos certo que só embarca quem quer.
Aliás, a ideia nada tem de inovadora. O nosso inesquecível Zé Brás mandava vir nórdicas de (mais que) meia idade, nos meses frios do nosso Inverno, e com elas enchia o hotel Espadarte e as mesas do Espadarte Clube, enquanto dava uma última alegria àquelas moçoilas que já não viam o padeiro desde a última guerra.
Como dizia o Ernesto Corneta, "a partir das duas da manhã e com uns copos no bucho, têm todas 18 anos".
Nã presta, sabes? Meu rico Zé Brandão !!!
A ideia é aproximar os turistas entre si e de pessoas residentes nos locais de destino.
Admitem mesmo que quartos individuais possam passar a duplos, mas só para pessoas do mesmo sexo o que, além de discriminatório, mais parece um convite a práticas homossexuais.
Mas enfim, se é verdade que quem fala no barco quer embarcar, não é menos certo que só embarca quem quer.
Aliás, a ideia nada tem de inovadora. O nosso inesquecível Zé Brás mandava vir nórdicas de (mais que) meia idade, nos meses frios do nosso Inverno, e com elas enchia o hotel Espadarte e as mesas do Espadarte Clube, enquanto dava uma última alegria àquelas moçoilas que já não viam o padeiro desde a última guerra.
Como dizia o Ernesto Corneta, "a partir das duas da manhã e com uns copos no bucho, têm todas 18 anos".
Nã presta, sabes? Meu rico Zé Brandão !!!
Há gente para tudo
Sobre o editorial, intitulado “Preservar e valorizar o património”, que a Dr.ª Felícia assina na última “Acontece”, já muito foi dito na “Sopa de Pelim”. Mas a vereadora revela-se musa tão inspiradora que não sei como me hei-de furtar a tecer algumas considerações nesta “Magra Carta”. E não me furto.
A Dr. Felícia opina que, durante muitos anos, se criou a ideia de que os museus eram lugares para investigadores e eruditos. Hoje, diz a senhora, ultrapassou-se tal dimensão artística e elitista, para se entrar numa dimensão de cultura viva, assente na abertura dos espaços à comunidade e na criação de novos estímulos para atrair visitantes. Logo a seguir vêm os exemplos, que são dois: o Museu de Serralves e o Museu Nacional de Arte Antiga.
Manda a verdade dizer que o Museu de Serralves fica longe; e eu, pessoalmente, estou muito distante da arte contemporânea. Mas as colecções e exposições do museu portuense, que não têm qualquer paralelo com as colecções sesimbrenses, dão azo a rambóias que a Dr.ª Felícia não desdenharia. Já o Museu de Arte Antiga deveria servir de exemplo para o que (não) se faz em Sesimbra, e é isso que torna insólita a sua invocação por parte da vereadora.
Que me lembre, não consta que alguma vez uma sala das Janelas Verdes tenha sido palco de espectáculos de jazz ou de rock, como insolitamente vem acontecendo na Capela do Espírito Santo. Em que é que isto contribui para um conhecimento efectivo das colecções? Ou o Museu é uma mera sala de espectáculos? Se são estes estímulos que a Dr.ª Felícia tem em mente, mais valia chamar-lhes choques eléctricos.
No MNAA, festas animadas só uma ou duas vezes por ano, mas confinadas ao jardim, e para angariar receitas para a casa, que ainda há gente a quem custa ganhar o dinheiro, e que depois o procura gastar com parcimónia e ponderação. No mais, a programação é atraente, porém cuidada e rigorosa. Há coisas que, por natureza, são difíceis de apreender; e não podem ser banalizadas ou vulgarizadas, sob pena de ninguém ficar a ganhar com isso. Conviria, aliás, que a Dr.ª Felícia explicasse o que entende por “cultura viva”. Ao contrapô-la à “dimensão artística e elitista”, está implicitamente a desvalorizar a essência de um museu como o da Capela, e a revelar que a sua concepção de cultura tende a resumir-se ao vazio do espectáculo e à agitação permanente.
No fundo, nada disto me surpreende. O que me espanta é que a senhora tenha vindo agora falar da necessidade de preservar e valorizar o património (que fez ela nesse domínio até hoje?). Logo agora, poucos dias passados sobre a notícia da esplanada que o Núcleo do Sporting vai instalar na Casa do Bispo, monumento já com projecto aprovado para a sua recuperação, mas cuja ruína eminente não parece preocupar a nossa doutora. Há gente para tudo.
A Dr. Felícia opina que, durante muitos anos, se criou a ideia de que os museus eram lugares para investigadores e eruditos. Hoje, diz a senhora, ultrapassou-se tal dimensão artística e elitista, para se entrar numa dimensão de cultura viva, assente na abertura dos espaços à comunidade e na criação de novos estímulos para atrair visitantes. Logo a seguir vêm os exemplos, que são dois: o Museu de Serralves e o Museu Nacional de Arte Antiga.
Manda a verdade dizer que o Museu de Serralves fica longe; e eu, pessoalmente, estou muito distante da arte contemporânea. Mas as colecções e exposições do museu portuense, que não têm qualquer paralelo com as colecções sesimbrenses, dão azo a rambóias que a Dr.ª Felícia não desdenharia. Já o Museu de Arte Antiga deveria servir de exemplo para o que (não) se faz em Sesimbra, e é isso que torna insólita a sua invocação por parte da vereadora.
Que me lembre, não consta que alguma vez uma sala das Janelas Verdes tenha sido palco de espectáculos de jazz ou de rock, como insolitamente vem acontecendo na Capela do Espírito Santo. Em que é que isto contribui para um conhecimento efectivo das colecções? Ou o Museu é uma mera sala de espectáculos? Se são estes estímulos que a Dr.ª Felícia tem em mente, mais valia chamar-lhes choques eléctricos.
No MNAA, festas animadas só uma ou duas vezes por ano, mas confinadas ao jardim, e para angariar receitas para a casa, que ainda há gente a quem custa ganhar o dinheiro, e que depois o procura gastar com parcimónia e ponderação. No mais, a programação é atraente, porém cuidada e rigorosa. Há coisas que, por natureza, são difíceis de apreender; e não podem ser banalizadas ou vulgarizadas, sob pena de ninguém ficar a ganhar com isso. Conviria, aliás, que a Dr.ª Felícia explicasse o que entende por “cultura viva”. Ao contrapô-la à “dimensão artística e elitista”, está implicitamente a desvalorizar a essência de um museu como o da Capela, e a revelar que a sua concepção de cultura tende a resumir-se ao vazio do espectáculo e à agitação permanente.
No fundo, nada disto me surpreende. O que me espanta é que a senhora tenha vindo agora falar da necessidade de preservar e valorizar o património (que fez ela nesse domínio até hoje?). Logo agora, poucos dias passados sobre a notícia da esplanada que o Núcleo do Sporting vai instalar na Casa do Bispo, monumento já com projecto aprovado para a sua recuperação, mas cuja ruína eminente não parece preocupar a nossa doutora. Há gente para tudo.
Atestado
Há não muitos anos, Durão Barroso, com uma comovente firmeza, garantia que, enquanto houvesse em Portugal uma criança com fome, não haveria TGV.
Hoje, não só vamos ter TGV como vamos construir um novo aeroporto.
Conclusão: já não há crianças com fome no nosso país.
Por dedução, não haverá gente a viver abaixo do limiar da pobreza nem pensões de miséria.
Entretanto, neste mesmo país que está aos comandos da União Europeia, há doentes com cancro que esperam SETE meses por uma cirurgia.
É o que consta de um relatório do Ministério da Saúde, documento que é apenas isso, um relatório, não um Tratado nem uma Convenção.
Mas um relatório que acaba por ser um atestado de indigência deste país moderno, cheio de flexigurança e de empreendedorismo...
Hoje, não só vamos ter TGV como vamos construir um novo aeroporto.
Conclusão: já não há crianças com fome no nosso país.
Por dedução, não haverá gente a viver abaixo do limiar da pobreza nem pensões de miséria.
Entretanto, neste mesmo país que está aos comandos da União Europeia, há doentes com cancro que esperam SETE meses por uma cirurgia.
É o que consta de um relatório do Ministério da Saúde, documento que é apenas isso, um relatório, não um Tratado nem uma Convenção.
Mas um relatório que acaba por ser um atestado de indigência deste país moderno, cheio de flexigurança e de empreendedorismo...
Será?
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) do Porto está a ser investigado por suspeita de favores prestados a jogadores do FC Porto e seus familiares.
Talvez haja quem considere haver uma manifesta má vontade, perseguição mesmo, em relação ao clube e seus dirigentes.
Tal como há quem pense que esta notícia apenas confirma que a manobra e a golpada estão na massa do sangue de algumas pessoas, são um simples estado de espírito...
Talvez haja quem considere haver uma manifesta má vontade, perseguição mesmo, em relação ao clube e seus dirigentes.
Tal como há quem pense que esta notícia apenas confirma que a manobra e a golpada estão na massa do sangue de algumas pessoas, são um simples estado de espírito...
domingo, 1 de julho de 2007
Apito catedrático
O conhecido fiscalista Saldanha Sanches foi chumbado no exame de acesso à categoria de professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa.
Figura pública, homem de palavra fácil, clara e corajosa, este chumbo surpreendeu os seus muitos admiradores, por tudo e porque parece ter havido coisas estranhas na votação, havendo a suspeita de uma reviravolta na posição de Marcelo Rebelo de Sousa, um dos nove elementos do júri.
Há quem considere Marcelo capaz de uma tropelia deste tipo, mas eu acho que houve ali outra mãozinha. Quando acontece um resultado surpreendente, qual é o nome que nos ocorre de imediato? Pois, pois, esse mesmo.
Como é sabido, Saldanha Sanches é marido de Maria José Morgado, pessoa que não tem só amigos, e não me admiraria que alguns membros do júri tivessem comido fruta na véspera da votação...
Figura pública, homem de palavra fácil, clara e corajosa, este chumbo surpreendeu os seus muitos admiradores, por tudo e porque parece ter havido coisas estranhas na votação, havendo a suspeita de uma reviravolta na posição de Marcelo Rebelo de Sousa, um dos nove elementos do júri.
Há quem considere Marcelo capaz de uma tropelia deste tipo, mas eu acho que houve ali outra mãozinha. Quando acontece um resultado surpreendente, qual é o nome que nos ocorre de imediato? Pois, pois, esse mesmo.
Como é sabido, Saldanha Sanches é marido de Maria José Morgado, pessoa que não tem só amigos, e não me admiraria que alguns membros do júri tivessem comido fruta na véspera da votação...
Portugueses de 2ª?
O senhor Presidente da República deslocou-se, há dias, aos Estados Unidos para contactar com a Comunidade Portuguesa radicada naquele país.
A certa altura, o Professor Cavaco Silva disse que foi lá para estar com os emigrantes.
Longe de mim insinuar ou deduzir que o nosso Presidente tem menos consideração pelos compatriotas que vivem no estrangeiro.
Contudo, talvez fosse bom que um dos seus muitos assessores lhe explicasse que certas palavras possuem, além da sua denotação (significado) uma conotação que, por vezes, é melindrosa.
Invisual e cego são sinónimos, mas a palavra cego traz consigo uma ideia de dó, de comiseração que pode magoar.
O mesmo acontece com emigrante, pessoa que, no país onde reside, é, quase sempre, olhada como um cidadão (?) de segunda ou terceira categoria.
É chocante ouvir jornalistas falarem do apoio dos emigrantes às equipas de futebol.
É pena que ninguém se lembre de os designar por Portugueses que vivem no estrangeiro.
Maior rigor ainda seria de esperar do senhor que é Presidente de todos os Portugueses.
Mesmo dos emigrantes...
A certa altura, o Professor Cavaco Silva disse que foi lá para estar com os emigrantes.
Longe de mim insinuar ou deduzir que o nosso Presidente tem menos consideração pelos compatriotas que vivem no estrangeiro.
Contudo, talvez fosse bom que um dos seus muitos assessores lhe explicasse que certas palavras possuem, além da sua denotação (significado) uma conotação que, por vezes, é melindrosa.
Invisual e cego são sinónimos, mas a palavra cego traz consigo uma ideia de dó, de comiseração que pode magoar.
O mesmo acontece com emigrante, pessoa que, no país onde reside, é, quase sempre, olhada como um cidadão (?) de segunda ou terceira categoria.
É chocante ouvir jornalistas falarem do apoio dos emigrantes às equipas de futebol.
É pena que ninguém se lembre de os designar por Portugueses que vivem no estrangeiro.
Maior rigor ainda seria de esperar do senhor que é Presidente de todos os Portugueses.
Mesmo dos emigrantes...
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