Ontem, na Maçã, foram vistas doze almas solitárias sentadas à mesa do Orçamento Participativo. Bem pode Augusto, ao falar para a rádio ou para os seus vereadores, dourar a pílula com números implausíveis, que, mesmo nos feudos reconhecidos, a mobilização dos comunistas é o que se vê: um proverbial fracasso.
Aprender um pouco de antropologia não faria mal nenhum a esta gente. O bicho-homem não é bem aquilo que eles julgam. O velho homem de sempre não deu ainda lugar ao homem novo que, pensava Zeca Afonso, já teria vindo da mata.
Para seu governo, conviria que Augusto percebesse que o bem-comum raramente norteia as motivações dos seres humanos. O homem do campo tem quase sempre por horizonte as estremas das suas courelas, e nada mais. Se a Câmara asfalta a estrada que fica à porta de sua casa, logo o camponês vocifera contra o trânsito automóvel que passou a ter à perna. No Zambujal, há cerca de dois anos, as obras de saneamento foram recebidas com duas pedras na mão. As coisas são assim mesmo: ante a perspectiva de alguns meses de ruído, poeira e lamaçal, as pessoas preferem ter fossas para a eternidade.
Pelos vistos, Augusto não aprendeu nada com Esequiel. Este, que compreendia lindamente a natureza humana, pôde manter-se vinte longos anos na ribalta, quase sem deixar obra, mas distribuindo prebendas e migalhas com uma aura messiânica que fazia a inveja dos ungidos.
Agora que o disco do POPNA está riscado e a cassete do SAP já não convida à dança, convém que Augusto perceba que, daqui a dois anos, centenas de facturas lhe vão ser apresentadas. A despesa chama-se revisão do PDM. Comece, pois, Augusto a deitar contas à vida. O que ontem se passou na Maçã não foi um jogo a feijões. Dizem que à dúzia sai mais barato. Mas nem sempre.
Aprender um pouco de antropologia não faria mal nenhum a esta gente. O bicho-homem não é bem aquilo que eles julgam. O velho homem de sempre não deu ainda lugar ao homem novo que, pensava Zeca Afonso, já teria vindo da mata.
Para seu governo, conviria que Augusto percebesse que o bem-comum raramente norteia as motivações dos seres humanos. O homem do campo tem quase sempre por horizonte as estremas das suas courelas, e nada mais. Se a Câmara asfalta a estrada que fica à porta de sua casa, logo o camponês vocifera contra o trânsito automóvel que passou a ter à perna. No Zambujal, há cerca de dois anos, as obras de saneamento foram recebidas com duas pedras na mão. As coisas são assim mesmo: ante a perspectiva de alguns meses de ruído, poeira e lamaçal, as pessoas preferem ter fossas para a eternidade.
Pelos vistos, Augusto não aprendeu nada com Esequiel. Este, que compreendia lindamente a natureza humana, pôde manter-se vinte longos anos na ribalta, quase sem deixar obra, mas distribuindo prebendas e migalhas com uma aura messiânica que fazia a inveja dos ungidos.
Agora que o disco do POPNA está riscado e a cassete do SAP já não convida à dança, convém que Augusto perceba que, daqui a dois anos, centenas de facturas lhe vão ser apresentadas. A despesa chama-se revisão do PDM. Comece, pois, Augusto a deitar contas à vida. O que ontem se passou na Maçã não foi um jogo a feijões. Dizem que à dúzia sai mais barato. Mas nem sempre.