quarta-feira, 28 de março de 2007

Obras

Porque a secção informática aqui da estação de Correios vai estar em reapetrechamento, não vou poder distribuir as minhas cartas durante uns dias.
Voltarei logo que possível. Beijinhos à prima.

Entre a dúvida e a suspeita

O circunspecto " Expresso", na sua edição da Net, apresenta hoje um título que mais parece uma maliciosa provocação. Diz assim "Eunice Muñoz coloca Diogo Infante sob suspeita".

A notícia refere-se à estreia da peça intitulada "Dúvida", da autoria de John Patrick Shanley, na qual Diogo Infante interpreta o papel de um padre suspeito de pedofilia.

Não acredito que o "Expresso" tenha querido meter-se com o actor que, há não muito tempo, foi vítima de insinuações pouco agradáveis acerca da sua ligação a uma outra figura pública.

Recordando ao "Expresso" o título da emissão que Diogo Infante apresenta na RTP, é caso para dizer "Cuidado com a Língua"...

O nojo e os SAPs

Por muito optimismo que queiramos mostrar, a verdade é que este é um dia de grandes inquietações.
O CDS-PP está em acelerada decomposição, sendo o mais recente tiro no porta-avionetas a saída (esperada) de Maria José Nogueira Pinto que já nem vai ao Congresso Nacional.
Por este andar, Paulo Portas vai ser presidente de um partido fantasma…

É com pungente emoção que ouvimos o grito de revolta, o nojo (foi o termo) sentido pelo filho de Catarina Eufémia perante a vitória de Salazar. Como se aquilo tivesse alguma importância.
Que descanse o filho de Eufémia, vitória é um eufemismo…

Como se não bastasse a expectativa normal que todo um povo sente antes de mais um embate histórico dos nossos heróis da bola, desta vez temos angústia para o jantar (19.30, hora de Lisboa) altura em que (uff, enfim) saberemos se o Cristiano Ronaldo sobe ao relvado. Sim, porque ele é imprescindível, uma vez que agarra na bola, dribla, finta, simula, rodopia, virevolta, volteja e, por fim, serve-a de bandeja ao Nuno Gomes…

Em alta tensão está o Reino (muito) Unido à volta de Tony Blair que, com 15 marujos feitos prisioneiros, anuncia uma “nova fase”. Pergunta-se (e bem, a meu fraco ver): que IRÃO os ingleses fazer?

Sem fim à vista está o imbróglio da Universidade Independente onde, entre mil suspeitas de negócios ilícitos, cresce a incerteza sobre a credibilidade dos graus académicos concedidos pela instituição.
Ao ponto de haver quem compare aquela universidade às feiras manhosas onde meninas berrantemente pintadas perguntavam aos passantes “Ó simpático, vai um tirinho?”.
Na Independente seria o vice-reitor a inquirir “Ó senhor, vai um canudo? Prefere Doutoramento ou Mestrado?”

Tudo isto nos deixa, compreensivelmente, com os nervos em franja de galinha, neste país que se debate com encerramentos vários e os avanços do mar.
Um país que começa a estar farto de engolir SAPs…

terça-feira, 27 de março de 2007

A trivial leveza da bola

Os criativos jornalistas que correm atrás do prejuízo e fazem sinaléticas, descobriram recentemente um termo que o meu velho dicionário desconhece, trivela. Sovela, manivela, de acordo, mas trivela
O interessante da coisa é estarmos perante uma palavra nova (julgo eu) para designar algo que tem, no mínimo, 45 anos.
Só a ignorância e/ou a sede de inventar vocábulos garridos pode explicar esta febre à volta daquilo que, prosaicamente, sempre se chamou “chutar com a parte de fora do pé”.

Lembro-me da forma superior e fácil como Rui Rodrigues, Gervásio, Vítor Campos ou Pedro (CUF), por exemplo, faziam passes e centros, na passada, com o exterior do pé, em geral, o direito.
Mas o sumo-sacerdote dessa arte foi o kaiser Franz Beckenbauer, o príncipe dos líberos.

Causa certa estranheza ver como os nossos jornalistas feitos à pressa se esforçam por atribuir a Quaresma a paternidade de uma prática que já existia muito antes de ele nascer.
Não tem culpa o jogador, como é evidente, já que se limita a fazer (e bem) um gesto que é hoje ainda mais fácil, dada a leveza das bolas.
Noutro tempo, de longe, ninguém rematava dessa forma porque as bolas, sendo mais pesadas, chegavam à baliza sem força. Hoje basta o jeito.
Imaginem o que seria o Eusébio com estas bolas leves!

Enfim, é apenas uma curiosidade, não é trivela, é trivial…

segunda-feira, 26 de março de 2007

O pior cego

O director do RAIO DE LUZ, na mais recente edição do mensário, dedica metade do seu editorial à inveja. Claro que não evitou um erro ortográfico de palmatória, pois escreveu “propícia” quando queria escrever “propicia”. Porém, a coisa não é muito grave, pois há por aí gente mais letrada - e com outras responsabilidades - que consegue confundir “perpétua” com “perpetua”, e a verdade é que “propícia” rima com… Bom, vocês sabem, mas vamos ao que interessa.

No auge da erudição, o plumitivo chega mesmo a citar o Catecismo da Igreja Católica e a autoridade de Santo Agostinho em abono da sua cruzada, que tem por alvo todos – e são “muitos” – “os que mergulham neste abismo porque não desejam o bem dos outros”. É tudo gente réproba: “São raivosos, cinzentos e medíocres os que se acobardam e só funcionam na sombra ou nos bastidores, para não referir outros exemplos negativos próprios de filhos das trevas”. Para nossa edificação, ficamos, por fim, a saber que “dignidade, trabalho e transparência devem ser sempre, a melhor reposta aos invejosos”.

Confesso ao leitor que não me deixo intimidar com a autoridade de Santo Agostinho, mas consigo compreender que o Bispo de Hipona, terror dos heréticos, diga alguma coisa ao director do RAIO DE LUZ. Acontece, aliás, que também tenho cá as minhas ideias sobre a inveja e aproveito para lembrar que o grande Goethe a definiu como o mal radical. Sucede que Goethe, para glória da sua Ordem e da Humanidade, era maçon, e maçons, já o sabemos há muito, são gente que o director do RAIO DE LUZ não quer ver à frente nem pintada.

Quem prestar atenção à etimologia da palavra inveja: inveja, percebe logo que quem a tem não pode ver, não é capaz de ver. Neste momento, confesso a minha culpa: eu nunca fui capaz de ver a acção cultural desenvolvida pelo Centro Raio de Luz nos últimos 30 anos; nem fui capaz de ver a creche da instituição dada como existente, nos últimos meses, no site da Segurança Social. Agora mesmo, já não sou capaz de a encontrar nesse mesmo site, porque já lá não consta. Foi retirada. Terá fechado as suas portas? Que vai ser das crianças?

Eu não fui capaz de ver. Eu não sou capaz de ver. Mas não é má vontade minha. É apenas a natureza das coisas, que simplesmente não existem. A nova sede do Centro Cultural Raio de Luz já absorveu dezenas de milhares de contos dos contribuintes, mas a associação, em três décadas de existência, não deu sequer sinais de vida, quanto mais provas de mérito. Não é mais do que uma pura incógnita, um ponto de interrogação desenhado num cheque em branco. O problema é que o cheque é chorudo e, nisto, como em tudo na vida, o pior cego não é aquele que não pode, mas aquele que não quer ver.

Cadê as imagens?

Certamente seguro das suas razões, o senhor deputado Hélder Amaral apresentou hoje, no DIAP, uma queixa-crime por difamação contra a senhora deputada Maria José Nogueira Pinto.
Ambos viajam no mesmo táxi onde cabe todo o CDS-PP menos o capachinho do Paulinho.

Resta à senhora doutora mostrar as imagens que testemunham a (tentativa de ou mesmo) agressão.

Pode, depois, é o deputado Amaral fazer como o nosso Valentim e clamar que a gravação é ilegal.

Seja como for, mesmo que se trate de fogo-de-vistas ou de fuga para a frente, registe-se o gesto do homem que, pelos vistos, quer pôr preto na branca...

Mesquinhez

Muito embora isso pouca importância tenha, devo dizer que não sou admirador de Soares nem votei nele.
Contudo, acho que foi de muito mau gosto o facto de Cavaco Silva não ter convidado o ex- Presidente da República e ex-Primeiro-Ministro para a cerimónia de comemoração dos 50 anos da União Europeia.

Esta aparente birra de Cavaco não é digna de um Chefe de Estado que não deve mostrar ressentimentos pessoais no exercício das suas funções.
Desta forma, Cavaco perdeu uma magnífica oportunidade de dar uma bofetada de luva branca com a mesma mão que Soares se recusou a apertar, em S. Bento.

É em circunstâncias como esta que os Homens mostram (ou não) a sua grandeza.
Cavaco tem sido muito bem aconselhado, desde a campanha eleitoral que lhe deu a vitória, mas agora foi, no mínimo, desajeitado, se não mesquinho.

Fez lembrar o Cavaco que, há anos, em tempo de tabu, desconsiderou lamentavelmente o digno Fernando Nogueira, com uma atitude que este poderá provavelmente perdoar mas dificilmente esquecer.

Classe e grandeza não saem na Farinha Amparo...

Dois enganos

Esta iniciativa da RTP destinada a eleger o maior de entre os Grandes Portugueses deve ser vista apenas como aquilo que é, um espectáculo televisivo disfarçado de consulta popular, referendo ou plebiscito.

Contudo, aconteceu, desenrolou-se sob os nossos olhos e podemos observar o fenómeno de várias maneiras.

Foram vagos e subjectivos os critérios desenhados para justificar a escolha, pelo que podemos indicar mais um que bem poderia ser o da intenção, ou seja, aquilo que teria em mente cada uma das figuras em apreciação.

Por outras palavras, o critério determinante bem poderia ser a intenção de cada um ao fazer o que fez apenas ou essencialmente por e para Portugal.

Salazar foi, indiscutivelmente, um ditador, um tirano, autor moral de torturas, crimes e perseguições, inimigo da democracia e da liberdade de pensamento.

Consta que era um solitário, dizem-no desligado de facções ou partidos, seria austero e devoto.

Mas viveu enclausurado em Portugal, cortado do resto do Mundo, teimosamente só. Portugal foi o seu mundo e podemos (remotamente) admitir que ele tivesse pensado e feito tudo quanto fez por achar que era o melhor para um Portugal que queria uno e independente, sob a protecção da Pide e da Santa Madre Igreja.

Isso não desculpa os seus crimes, mas pode suavizar-lhe os contornos, como o pai que quer o melhor para os seus filhos, apesar de os castigar duramente.

Cunhal foi, sem a menor sombra de dúvida, uma personagem fascinante, um homem absolutamente notável, de invulgar craveira intelectual, um artista admirável e um exemplo de coragem e de coerência nas suas convicções.

Foi um grande homem que, ao contrário de Salazar, viveu muitos anos no estrangeiro, conhecia o Mundo. Mas não foi um Grande Português. Porque não queria o melhor para Portugal. A luta de Cunhal não foi por Portugal, foi contra um regime político, foi contra Salazar. Cunhal não queria um Portugal livre, mas sim transformar o nosso país em mais um satélite da União Soviética, numa outra Albânia.

E só não o conseguiu porque encontrou pela frente alguém que pode não ter sido quase lendário, quase herói romântico, como Cunhal, mas que foi, certamente, um Grande Português.

Chama-se ele Mário Soares…

O aborto. Agora, sim...

Todos sabemos que a iniciativa de eleger o maior de entre os Grandes Portugueses foi apenas um espectáculo televisivo de braço dado com um hipotético referendo, uma suposta consulta popular ou uma imitação de plebiscito.
Se as sondagens valem o que valem, "aquilo" vale ainda menos.

Contudo, aconteceu, desenrolou-se diante dos nossos olhos, e podemos observar o fenómeno sob vários ângulos.

Um deles é o que põe em evidência uma flagrante clivagem Esquerda/Direita que (quer se queira ou não) estava já subjacente à escolha que os grandes, médios e pequenos portugueses fizeram sobre a interrupção voluntária da gravidez.

Nessa altura ganhou a Esquerda, digamos assim. Mas ganhou, sobretudo a Mulher que viu ser-lhe reconhecida a Liberdade de decidir.

Desta vez, e pelos mesmos vinte pontos de diferença, ganhou a Direita

Ou melhor, ganhou o Aborto...

domingo, 25 de março de 2007

Sem bandeiras nem tambor

Os nossos admiráveis jornais diários desportivos (e não só) enchem páginas de elogios aos super-heróis do futebol que cometeram a histórica proeza de bater uma paupérrima equipa belga.

Porém, e ao mesmo tempo, quase ignoram o feito extraordinário da selecção de rugby que foi a Montevideu arrancar a ferros a primeira qualificação de Portugal para um Mundial da modalidade.

É uma equipa de AMADORES, de verdadeiros leões que berraram de orgulho o hino nacional, deram corpo e alma em campo e cometeram, eles sim, uma memorável proeza.

Aí, valentes! Mas, por eles, ninguém põe bandeiras à janela...

A cadeira

Eu não sou grande apreciador da arrogância do homem, mas devo reconhecer que José Sócrates Pinto de Sousa tem feito muita coisa. Boa, menos boa, mas obra, acção.
É um fa(c)to que lhe assenta como uma luva...

Agora anda para aí uma onda de suspeitas sobre a legitimidade do curso que o nosso Primeiro tirou, comprou ou foi buscar à Universidade Independente.

Não sei nem me interessa por aí além se ele fez todos os anos ou todas as cadeiras.
E não é isso que está em causa neste momento.
Se ele andasse a contruir pontes ou fosse designado para erguer uma torre de trezentos andares, aí sim, impunha-se tirar a limpo a história do canudo do homem.

Porém, a única obra cuja responsabilidade José Sócrates tem sobre os ombros (e não é pequena) é endireitar este país. É desse trabalho que podemos e devemos pedir-lhe contas, não da forma como obteve o título de engenheiro.

É bom recordar que há por aí muito senhor doutor que, a seguir ao 25 de Abril, acabou o curso com bom número de cadeiras feitas na secretaria e por atacado.

Deixem o Sócrates trabalhar e não chateiem o homem por causa de uma ou outra cadeira.
Tanto mais que todos nós sabemos que, em Portugal, a única cadeira que fica para a História é aquela abençoada da qual Salazar caiu...

A receita

A quantidade de humor que anda por aí à solta leva-nos a imaginar que haja alguma fórmula mágica para produzir ditos espirituosos.
Mas logo chegamos à conclusão de que não há uma mas inúmeras receitas para fazer humor, umas melhores, outras piores e algumas nem por isso, antes pelo contrário.
O que nos coloca perante a outra dilacerante inquietação que envolve a origem das piadas. Quem é que inventa as anedotas? Ora aí está uma boa pergunta...

A parte interessante da questão reside no facto de cada um de nós ter direito e garantia de conceber uma gracinha.
No fundo, é fácil gracejar porque há público para todo o tipo de laracha, por mais boçal que seja.

Quem as diz ou escreve pode divertir-se à brava, no seu canto, rebentar os cós das calças a rir, enquanto o colega de escritório ou o leitor exigente se limitam a fungar e a virar as costas.
É esse o risco que corre o autor de tiradas bem (ou mal) tiradas.

Querem ver como é fácil? Olhem. Escolhe-se um figurão que esteja na berra. Por exemplo, Pinto da Costa.
Percorre-se o seu vasto currículo e escolhe-se um episódio recente. Esse mesmo, o livro da Carolina.
Agita-se bem e serve-se com meiguice a malandrice que consiste em contar que o Pintinho mudou de regime alimentar.

Resultado, desde que deixou de comer salgado, o seu problema é bexiga...

Estão a ver? Os que gostaram levantem o braço.
Os outros aproveitem para aliviar a bílis dizendo "este gajo é mesmo parvo, julga que tem piada".
É claro que, se a tanto se atreverem e mandarem um comentário nesses termos, eu não publico.

Não queriam mais nada, não? Olha que graça!

sexta-feira, 23 de março de 2007

O Óscar da Esfregona

No seu mais recente número, a "Sesimbra Município" anuncia, na capa e com grande destaque, a inauguração do novo Cineteatro.

Como tem sido largamente comentado, o programa de abertura inclui a presença de grandes nomes da música portuguesa, gente que vai (provavelmente) receber choruda retribuição pela sua actuação.
Autarquia rica é assim, toca a gastar e a música a tocar, como a orquestra do Titanic...

Mas a nota mais curiosa, neste clima de exaltação, reside na fotografia da capa da publicação.
Estranhamente, em vez de nos mostrarem imagens que simbolizem ou evoquem a magia, a fascinação, a grandiosidade, o arrebatamento do Cinema e/ou do Teatro, o que vemos é uma cena de velho filme realista, com uma sala vazia a ser limpa por uma funcionária que exibe a esfregona e uma pá, ficando o balde no papel de melancólica testemunha.

Em vez de sonho, evasão e deslumbramento, os finos criativos optaram pelo trivial, pelo hino à limpeza, pela mensagem subliminar, talvez, a lembrar preocupações ambientais tão na moda.

Julia Roberts? Nicole Kidman? Jude Law? Matrix? Babel? Banalidade, ninharias, futilidade.
Esta é uma Câmara asseada, representada por gente trabalhadora que não cede à facilidade demoníaca dos valores imperialistas.

Cinema, sim, Teatro, talvez. Mas, antes disso, sala bem limpa e vergonha na cara.
Por isso, o primeiro ciclo não é Bergman nem Scorcese nem De Niro.
O que se pretendeu foi prestar homenagem à classe operária.

Viva a pá, honra à esfregona! E que o nosso esforço não seja de balde...

Será?

Dois jogadores do Bayern, Kahn e Lúcio, foram punidos pela UEFA por comportamento incorrecto aquando do controlo anti-doping.
Aconteceu após o jogo com o Real Madrid, na Liga dos Campeões.

Ambos foram multados e Kahn suspenso por um jogo. Ao que consta, demoraram demasiado tempo a comparecer e não urinaram na presença do médico.

Este episódio vem confirmar que, afinal, o controlo anti-doping existe.

E há quem acredite que é feito com seriedade. Até ao dia em que surja uma "Urina Dourada"...

quinta-feira, 22 de março de 2007

E o Tintin a rir-se

Há uns quarenta anos, um treinador chamado Joaquim Meirim encheu páginas de vários jornais desportivos (não diários) com as suas aparentes fanfarronadas. Certa vez, disse para quem o quis ler, que a CUF ganharia ao Benfica quer Eusébio jogasse ou não.
Os ânimos aqueceram durante dois dias. Eusébio não jogou e a CUF ganhou, por 2-0.
No ano seguinte, Eusébio jogou e a CUF ganhou. Por 3 a zero.

As provocações são arma velha no futebol e só a palhaçada que gira à sua volta explica a histeria que por aí anda porque o guarda-redes da Bélgica ameaçou arrumar o nosso herói Ronaldo.

Chora Madail, apela para a UEFA, para a FIFA e para a Sociedade Protectora dos Ronaldinhos, os jornais enchem primeiras páginas, o tribunal de Haia está a postos, em Guantânamo já disponibilizaram uma cela para o tal Stijn Stijnen (nem tentem pronunciar), o GOE (recém-regressado do Iraque) já treina em Alvalade, para protecção do nosso Cristiano, velas já ardem em Fátima, a mana Ronalda compôs um requiem às tíbias e outro aos peróneos do craque, Alberto João ameaça anexar a metade flamenga da Bélgica, Durão Barroso sente-se inseguro em Bruxelas e de Felgueiras vem a caminho um carregamento de sacos azuis cheios de gelo para acalmar os ímpetos.

Tudo isto é simplesmente patético. E, se for o que pressinto, os belgas devem estar a rir que nem uns perdidos. Eles que são as vítimas dos franceses nas anedotas estúpidas, devem rebolar-se de gozo, com esta bicha de rabiar que atiraram para este pindérico quintal que é o Portugal da bola...

2007: ANO D'OTA

Se a ribeira dos Milagres ficasse perto da Ota, o problemas das descargas poluentes já estaria resolvido. Em nome do Ambiente, ou acabavam as descargas ou acabavam as suiniculturas.
Ou acabava a ribeira.

O certo é que este assunto da Ota já começa a cheirar tão mal como a ribeira e será um milagre se houver decisão em breve.

Há largos anos que os estudos se multiplicam, os governos se sucedem, os interesses se cruzam e o projecto marca passo. É como o caso Camarate, má sina das questões ligadas à aeronáutica.

Habitualmente decidido e despachado, Sócrates parece estar a enterrar-se no pântano que ocupa boa parte dos terrenos da Ota, pensando talvez no outro pântano que levou o amigo Guterres a levantar voo prematuramente.

Esperemos que haja em 2007 ordem para avançar com o projecto do novo aeroporto, já que, quanto ao resto, a receita está passada, aperta o cinto e cara alegre, a meta é 3,3, disse o Primeiro Ministro.

Bem podem as Centrais Sindicais espernear, em cada consulta, nos serviços de saúde que restarem, apenas se ouvirá :
"Diga 3,3. Vá lá, diga 3,3. Isso mesmo, 3,3"...

Até à Eternidade

A moderna publicidade vem trilhando, desde há algum tempo, o caminho da piada, da graçola que antecede o que é suposto ser assunto sério.

Por bem acha o BES sublinhar a leviandade da Euribor, imaginando talvez que o pagode é tão burro como o outro, ao ponto de acreditar que algum banco é nosso amigo, desinteressado e compreensivo.

Por seu lado, a Super Bock acredita que os monólogos labirínticos do Bruno Nogueira nos fazem sede, esquecendo-se que estamos a ficar fartos desta conversa enrolada e cansativa, imitação de imitação que apenas confirma que, de noite ou de dia, todos os gatos são (ou pretendem ser) fedorentos.

Hoje, fui surpreendido por um enorme cartaz da Calvin Klein que nos incita a comprar o perfume Eternity mostrando duas beldades femininas, uma deitada sobre a outra, em flagrante deleite de beijo iminente.

Se é isto o que a Eternidade nos oferece, compreendo melhor os bombistas suicidas.
Por mim, nem exigiria as setentas virgens que constam da ementa das recompensas dos mártires.

Mas tratando-se de perfume, confesso que não entendo bem o que é que a explícita imagem de duas mulheres enroladas terá a ver com esta ou outra Eternity.

Talvez tenha, eu é que devo ser mais burro do que o Zé Pedro, o afilhado da Euribor...

quarta-feira, 21 de março de 2007

Previsível

Por mais que tentem, os jornais dificilmente nos surpreendem.
Assim, e como era de esperar, a Primavera chegou, Chirac apoia Sarkosy, Paulo sucede a Belmiro de Azevedo, o mar destrói a Caparica, a Polícia continua na Universidade Independente, Cristiano Ronaldo é cobiçado pelo Real Madrid, Maria José Nogueira Pinto sai do CDS-PP, Portugal e Angola entendem-se sobre as cartas de condução, bébé volta a nascer em ambulância, protestos à vista e o pão-de-ló irá representar Portugal no jantar dos 27 países que celebram os 50 anos da União Europeia.

Como diz a nossa gente fina, tudo expectável...

Valentino

Valentim Loureiro vai ser entrevistado amanhã, na RTP1, e é sua intenção clarificar alguns pontos inscritos nas acusações do Ministério Público.

Um dos esclarecimentos que pretende fazer diz respeito a ofertas de ouro a árbitros, coisa que o major nega de forma veemente (não confundir com vê e mente), esforço aliás dispensável, uma vez que toda a gente sabe que Valentim costuma oferecer, isso sim, electrodomésticos.

Outro aspecto importante é o que se refere às suas relações pessoais e profissionais com Pinto de Sousa, o homem que nomeava os árbitros.

Acho bem, até para deixar bem claro que estes apelidos (Pinto de Sousa) nada têm a ver com outro Pinto de Sousa que, por curiosidade, é primeiro ministro e tem como nomes José e Sócrates.

Contudo, para além destas facécias, ocorre-me pôr em equação a posição da RTP que vai dar a palavra a um arguido mediático, oferecendo-lhe a oportunidade de fazer as alegações que entender, sem ou com fraco contraditório, perante milhões de curiosos que vão querer assistir às acrobacias do major.
A RTP vai permitir uma espécie de tiro ao boneco, com Valentim Loureiro a rematar e o Ministério Público como alvo. É a própria Justiça a entrar na casa do Big Brother pela mão de um canal que é suposto fazer serviço público. É, no mínimo, estranho.

Amanhã, poderá o senhor major dizer o que quiser.
O seu azar é que as conversas telefónicas estão gravadas e, no dia do verdadeiro julgamento, os juízes não serão nomeados pelo senhor Pinto de Sousa.

E por muito subserviente que a RTP seja, aquilo a que vamos assistir será apenas espectáculo, a meio caminho entre o Gato Fedorento e a verborreia do (Valen)Tino de Rãs...

Mãos ao ar

Um dos privilégios de escrever num blog é a liberdade de perorarmos sobre o que nos apetece, mesmo quando pouco ou nada sabemos do assunto.
É o que se passa em relação à vergonha que foi a reunião do Conselho Nacional do CDS-PP, em particular, o final da sessão.

Eu não estive lá, não vi, nada posso garantir, mas fica-me a tal liberdade de acreditar na palavra da Dra. Maria José Nogueira Pinto. Em tudo quanto disse, mesmo sobre a tentativa de agressão praticada por um tal senhor Hélder Amaral que, ontem, voltou à carga de forma deselegante e suspeita.

Não fica bem ao senhor deputado tratar a presidente do Conselho Nacional do seu partido por Dra. Maria José.
Na sua roda de amigos, é livre de o fazer, mas, diante das câmaras da televisão, bem poderia ter algum decoro.

Não sei se ele agrediu, se tentou agredir ou nada disso, mas, usando a experiência do futebol, só o posso julgar culpado. Eu explico.

Quando um jogador tem uma entrada mais dura sobre um contrário e levanta logo os braços, já sabemos que a falta foi intencional.
"Mãos ao ar", neste contexto, é confissão de culpa.

O senhor deputado Amaral (que é de raça negra) não levantou os braços, mas teve uma atitude equivalente, despropositada e velhaca, ao pretender atribuir às palavras da Dra. Nogueira Pinto contornos racistas.

Posso estar errado, mas acho que o homem foi infeliz e grotesco, ao tentar armar-se em vítima de um pretenso ataque racista.

Só lhe faltou apelar ao SOS Racismo ou à UEFA que já aplicou castigos a clubes por injúrias racistas dos seus adeptos.

Paulo Portas anda a fazer muito má figura neste processo de conquista acelerada do poder, e ajudantes destes só o podem enterrar ainda mais.

O melhor seria amordaçar o deputado Hélder e Amaral-o a uma cadeira. Por uns tempos...