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terça-feira, 29 de maio de 2007

Cardos e papoilas

Um comentário feito à entrada anterior chamou-me a atenção. Procurei informar-me. Confirmei, há pouco, que praticamente toda a vegetação rasteira do Castelo de Sesimbra foi dizimada pela aplicação de um herbicida. Hoje mesmo, uma visita pedagógica ao local foi transferida para outra paragem, fora das muralhas.

Esequiel Lino deixou que o único monumento nacional do concelho se transformasse numa alfurja tremenda e num antro de meliantes. Quem veio a seguir pôs ordem na casa, lavou-lhe a cara, devolveu-lhe a vida perdida e deu passos muito significativos para recuperá-la. Presentemente, é a desolação que se vê. O marasmo da estagnação, próprio de quem gasta em fogo de vista o que tem e o que não tem. E um ódio surdo à Natureza, no pino da Primavera: uma rasoira cega ceifando, na mesma leva, cardos e papoilas.

Paródia

A CDU, pelos vistos, quer paródia. Agora foi Fernando Patrício, nas páginas do “Notícias da Zona”, num artigo em que nos vem lembrar que a coligação, ao contrário de outras forças políticas do concelho, honra os seus compromissos. Trata-se, segundo o autarca, de “uma força política de palavra que trabalha com honestidade e competência”. Presunção e água benta…

Mas vamos aos factos. Para o líder da bancada da CDU na Assembleia Municipal, em matéria de espaços verdes – pois que disso se trata neste número do NZ –, o cumprimento de promessas por parte do poder comunista consistiu, até ao momento, no seguinte, que passo a citar:

1.º Na Quinta do Conde, a CDU vai construir “o maior espaço verde do Concelho junto ao supermercado Modelo”;

2.º “Na freguesia de Santiago, por detrás da Biblioteca, um antigo depósito de lixo é hoje um parque de merendas”;

3.º “Na freguesia do Castelo nasce um espaço verde na Charneca da Caparica (SIC!) enquanto que outro foi construído na Carrasqueira junto aos centros comerciais Plus e Super Sol”;

4.º A CDU aposta “na valorização da mata de Sesimbra, um projecto que segundo a WWF (uma organização ecologista internacional com mais de 5 milhões de membros) é um exemplo para o mundo”.

Registando esta atracção fatal, que invariavelmente associa os espaços verdes a zonas comerciais e empreendimentos imobiliários, devo lembrar a Fernando Patrício que o parque anunciado para a Quinta do Conde vale aquilo que vale, pois, por ora, não passa de uma simples promessa. Tiro na água.

Por detrás da Biblioteca está o Cine-Teatro. Espero que não queiram trazer farnéis para o foyer. Quando se chega da Quinta do Conde para liderar uma bancada da Assembleia Municipal, convém conhecer a sede do concelho, saber um pouco daquilo que se fala. Se, porventura, Fernando Patrício confundiu a Biblioteca com o Ginásio (acredito que não lhe faça grande diferença) e se está a referir à Mata do Desportivo, deveria ser um pouco mais prudente naquilo que afirma, inteirar-se do historial do espaço, saber em que grau de imundície foi o mesmo herdado da gestão de Esequiel Lino, e não se pôr agora a ver espaços verdes, por dá cá aquela palha, onde não há senão uma ou duas mesas destinadas à ingestão de couratos.

Quanto ao que diz do Castelo, é tudo tão pífio, que me limitarei a um convite: experimente Fernando Patrício passear, numa tarde de Verão, no espaço verde junto ao Plus.

Nas páginas seguintes deste número do jornal, Augusto consegue ser honesto quando torce o rabo à porca, para admitir que o concelho não tem um único grande parque urbano. A sinceridade fica-lhe bem. Pena que, na campanha de 2005, tenha prometido, num piscar de olhos, se a memória me não atraiçoa, dois desses magníficos parques urbanos. Ficamos à espera. Afinal, a CDU cumpre as suas promessas.