sábado, 31 de maio de 2008

Encha aí


Ontem, à noite, a cantora Amy Winehouse, vedeta do festival Rock in Rio, chegou atrasada e actuou (?) de copo na mão e rouca.

E então? Não sabiam já o que a casa (do vinho) gasta?

Grau zero


É difícil um político descer mais do que Menezes ao convocar uma conferência de imprensa para dar opiniões que ninguém pediu e que a ninguém interessam.

Enfim, foi apenas mais uma conferência de imprensa, tão pomposa, inútil e absurda como as que, diariamente, os heróis de Viseu repetiram entre o tédio e o ridículo...

Ficção em tempo real


No âmbito da Semana da Protecção Civil, a estrada marginal, em Oeiras, esteve esta manhã encerrada devido a um simulacro de acidente seguido de incêndio, operação destinada a mostrar às populações os meios de intervenção disponíveis.

É uma ideia notável que deveria ser retomada por todo o país, uma vez que se há coisas que o povo português desconhece são os acidentes rodoviários e os incêndios...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Inquisição


Só nas áreas de Lisboa e Porto já estão a correr 12 processos de despedimento de funcionários, com os patrões a invocarem justa causa baseada no fumo.

Já aparecem anúncios exigindo que os candidatos sejam não fumadores.

À entrada de centros comerciais e outros locais, os fumadores amontoam-se, quase envergonhados, só lhes faltando uma estrela amarela de tom escuro que simbolize o vício.
São os novos leprosos. Isto promete...

Língua devassa


Não deixa de ser curioso que o Acordo Ortográfico suscite tanta indignação e que, ao mesmo tempo, ninguém se insurja contra os erros de sintaxe ou a invasão de termos anglo-saxónicos perfeitamente dispensáveis.

Ainda hoje ouvi, por várias vezes, falar na legislação relativa ao carjacking. Políticos, jornalistas, comentadores, todos usam o termo americano como se em português não houvesse o simples assalto a carros. Podem acrescentar sequestro, se quiserem, mas falem português.
Porquê o timing quando temos tempo, altura, oportunidade, prazo, ocasião?
Para quê o ranking se há tabela, pauta, lista, classificação?

Isto para não falar dos inacreditáveis direccionar, recepcionar, contratualizar ou empresarializar.
É verdade, bato muito nestas teclas. Porque me parece importante fazê-lo.

E porque me diverte...

Mudança de rumo


Era inevitável. O preço do combustível atingiu valores incomportáveis para as magras receitas desta Estação de Correios que se vê na penosa obrigação de fazer o que fazem os grandes gestores em tempos de cólera e de crise, fechar sucursais e despedir pessoal.
Claro, dão-lhes outros nomes como reajustamentos de recursos humanos, por exemplo.

Mas eu sou mais directo e, com a brutalidade que me apetece usar, informo que prescindo, a partir de hoje, dos serviços do Estafeta, já que não ganha para o petróleo.

Simultaneamente, encerramos a nossa secção "Sesimbra", e só em circunstâncias altamente excepcionais admitimos, o Escriba e eu, voltar a distribuir correspondência destinada aquela localidade.
Os interessados que façam pela vida...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

"Público" simpático


Alguém que assina jpg diz-nos (e eu acredito) que o "Público" citou ontem um texto meu intitulado "Bembaventurado".

É, que eu saiba, a quarta vez que aquele jornal trancreve textos do Carteiro.

Pelos vistos, há quem goste. Acontece...

Doping? Não sei, eu cá nunca...


Uma biografia de Zinedine Zidane está a causar grande incómodo em França, ao ponto de duas casas terem sido assaltadas para roubar computadores e documentação.
Foi trabalho exímio de profissionais que se introduziram nos domicílios do editor do livro e de uma jornalista.
Ao que parece, há revelações sensíveis sobre contratos publicitários, investimentos e doping.
Apesar destas tentativas de sabotagem a obra vai mesmo ser publicada.

Diz quem sabe que,
em Portugal,o uso de doping é um escândalo bem mais grave do que a corrupção na arbitragem.
Porque falseia igualmente os resultados e, sobretudo, porque tem repercussões na saúde dos jogadores.
Diz quem sabe que seria um verdadeiro terramoto se antigos jogadores quisessem contar o que fizeram, viram fazer e ouviram contar.

Mas ninguém está interessado em assumir culpas nem responsabilidade. Por isso, não é crível que venha aí algum chá dourado ou alguma pastilha prateada...

Ó Elvas...


No início da maratona Casa Pia, o ex-provedor Abrantes contou que, em tempos, fora instaurado um processo disciplinar a Carlos Silvino (o Bibi), acusado de violar uma criança.
Contudo, o processo foi arquivado porque no auto não foram mencionados o local e a hora.
E o senhor provedor Abrantes achou que o arquivamento tivesse sido uma coisa justa e natural, já que regras são regras e se verificou uma falha processual.

Ou seja, determinante e fundamental é indicar a hora e/ou o local. Se houve ou não violação, se houve ou não crime, isso é apenas um pormenor que nem valeu a pena investigar.

Vem isto a propósito dos malabarismos a que Carlos Cruz está a recorrer para tentar provar que não esteve na casa de Elvas no dia 29 de Março.
Não sabemos se lá esteve ou não nesse dia. Muitos outros factos, dados, argumentos, pistas, poderão levar (ou não) à convicção dos juízes sobre o seu envolvimento no processo.
Agora, a fixação obsessiva numa data é estranha e leva-nos a recordar que um ano tem 365 dias...

Branco é...


A dona Idalécia era uma mulher muito esperta, daquelas que sabem tudo antes das outras e nunca dão ponto sem nó.
O que causava alguma admiração e muita inveja lá no bairro.

Um dia alguém reparou que a dona Idalécia recorria aos serviços de um jovem visivelmente efeminado para lhe lavar a roupa no tanque.
E isto aconteceu ao fim de muitos anos em que tal função fora desempenhada por várias mulheres. Intrigadas, as vizinhas trataram de lhe pedir a explicação.
De mão na anca e sorriso maroto, a dona Idalécia disse que se limitara a dar ouvidos à publicidade.
E que, de facto, homo lava mais branco...

O Grande Timoneiro 2


Os grandes estadistas recortam-se no horizonte graças à sua capacidade excepcional de tomar medidas de vasto alcance, larga visão e sentido de antecipação.

Todos estão recordados das críticas feitas a este executivo camarário por oferecer aos trabalhadores da autarquia transporte gratuito porta-a-porta.
Mentes perversas insinuam que tal mordomia se mantém por receio do presidente em correr o risco de uma impopularidade que lhe poderia vir a custar a reeleição.
Ora, o que esses precipitados e injustos críticos não perceberam é que Augusto Pólvora adivinhou a crise dos combustíveis e defende os seus trabalhadores chamando a si (ou seja, aos cofres da autarquia) os encargos com o gasóleo, beneficiando assim todos quantos, de outra forma, teriam de suportar os sucessivos aumentos que asfixiam os restantes munícipes que pagam as larguezas da generosa governação arquitectada pelo senhor presidente.

Temos de reconhecer que o homem é brilhante. Um grande timoneiro não é aquele que se limita a manobrar o leme no confronto rotineiro com as vagas do quotidiano, mas sim o que sabe ver ao longe, pressentir e prevenir as rudes e tenebrosas tempestades.

Por isso, o mar da ansiedade dos sesimbrenses está raso, o povo pode estar tranquilo, o homem do leme perscruta o horizonte, controla os ventos, não perde de vista a Fortaleza.
Não duvidem, Sesimbra está bem entregue...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Basbaques

Na RTP 1 acabou de passar um documentário sobre o Maio de 68. Com leves oscilações, os depoimentos de todos os entrevistados afinaram ideologicamente pelo mesmo diapasão, prodigalizando as virtudes do levantamento parisiense e a sua influência nos pátrios destinos deste nosso rectângulo. Teria sido interessante fazer ouvir algum parecer doméstico próximo das ideias de Sarkozy, referidas de passagem durante o programa, ou dar guarida, de qualquer forma, a expressões politicamente incorrectas. Mas não se ouviu uma voz contra a corrente. Somente o coro uníssono e reverente de meia dúzia de embasbacados. Há nisto uma ironia trágica: na democracia portuguesa, o canal do regime celebra sem qualquer espécie de contraditório um marco histórico libertário que tem muito que se lhe diga. E há depois o que mais me custa: um provincianismo irremediável e trôpego.

Tartufos


Eu compreendo que algumas pessoas não gostem de ver aqui expostos comportamentos e atitudes que, na nossa opinião, são merecedores de reparo.
Acontece que algumas dessas pessoas desempenham cargos públicos, são pagas com o nosso dinheiro, e têm obrigações e deveres, embora tentem olhar apenas para o que consideram ser direitos seus.

As críticas que aqui fazemos nunca são abstractas nem gratuitas, antes são servidas numa bandeja recheada de factos concretos e tangíveis.
Incomodadas, essas pessoas fingem não ler blogues e nunca foram capazes de contestar com argumentos. Escolhem antes o comentariozinho anónimo, venenoso, mas pateta, porque tentam atacar o autor sem contestar o fundamento.
Claro que nós não publicamos.
Quando tiverem a dignidade suficiente para refutar com correcção e argumentos válidos, é sinal de que perceberam que os blogues são um espaço de liberdade, de informação, de diálogo e de progresso.
Entretanto, continuarão na intifada manhosa. Cada um é para o que nasce...

Traz a bola!


Antigamente, para venderem melhor os jornais da tarde, (o "Popular" e o "Lisboa") os ardinas tinham o cuidado de, a seguir ao pregão, acrescentar a fórmula mágica "Traz a bola".
Também disso (mas não só) se deve ter lembrado Carlos Cruz que, pasme-se, está transformado num homem de fé. Aliás, é curioso como o misticismo está a envolver certas pessoas, pois, por exemplo, também Pinto da Costa diz que acredita na Justiça Divina.

Carlos Cruz é mais pragmático, mas anda mal informado. Imaginem que o ex-apresentador de televisão levou hoje para o tribunal uma bola de futebol para tentar demonstrar que, num certo dia, não estava na célebre casa de Elvas, mas a assistir a um jogo entre meninas.

Francamente, senhor Cruz, uma vela, uma ferradura, uns cornichos, ainda vá que não vá, mas uma bola já deixou de ser um amuleto eficaz.
Já houve tempo em que tudo era permitido desde que se pertencesse à seita (pouco) secreta dos donos da bola. Mas isso foi chão que deu fruta, senhor Cruz.

Se eu fosse ao senhor, não me agarrava tanto à bola...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Desculpas e pagadores


Nestes dias agitados pela grave crise do preço dos combustíveis, a atitude dominante dos governantes é a resignação.
E a palavra mais ouvida é preocupação.

Ao mesmo tempo, a explicação para a espiral imparável é estarmos perante uma realidade que escapa a qualquer controlo, é o mercado a funcionar, dizem eles.
Quando ouvimos isto, quase ficamos com a sensação de que o mercado é um fenómeno natural, autónomo, espontâneo, como um tornado ou um tsunami.
Ora o mercado funciona segundo regras que foram definidas e postas em prática por pessoas, não são provocadas por uma Natureza toda-poderosa e inatingível.

Por isso, é difícil entender esta submissão, esta confissão de impotência generalizada e que soa a falso pois o mercado,
sectorial ou globalizado, mais não é do que uma criação do homem.
Será que a criatura escapou ao criador?
Ou esse é apenas o álibi para a cupidez intolerável do capitalismo selvagem?

À luz do petróleo


Esta campanha para a presidência do PSD tem despertado menos entusiasmo do que um campeonato de sueca organizado pelo núcleo do Sporting.

Passos Coelho causou algum frenesim inicial, mas depressa o entusiasmo arrefeceu, enquanto Santana Lopes teima em fazer piruetas a que já ninguém acha graça.

Manuela Ferreira Leite é demasiado séria para ser política e ainda não percebeu que o país não quer pessoas sérias que falem verdade.
Esta é a ditosa pátria dos Valentins e dos Jorges Nunos.

Por isso, se não houvesse esta crise dos combustíveis, de que falariam os candidatos?

As águas de Marte


A sonda americana que se encontra no planeta Marte está à procura de água e de sinais de vida. Custa muitas centenas de milhões de dólares e ninguém imagina o comprimento da mangueira necessária para fazer chegar as águas de Marte até aos desertos da Terra.
E enquanto esses incalculáveis milhões voam no espaço, as catástrofes naturais estão a fazer milhões de mortos, feridos e desalojados, crianças que morrem à sede e à fome, como se viu em imagens captadas na Etiópia e que se tornam uma quase banalidade, uma espécie de ex-libris da desgraça que sai sempre aos mesmos na rifa
da fatalidade.

Algumas pessoas correm o risco de serem consideradas tacanhas e retrógradas, mas sempre vão ousando dizer que os muitos milhões gastos pelas Nasas todas talvez fizessem mais falta aqui perto, já ali adiante, à esquina de África, à beira da Ásia, deixando para mais tarde os quase insondáveis desígnios espaciais, por não ser vital nem urgente saber hoje se é pau, é pedra, se é o fim do caminho, as águas de Marte...

O código genético

O lamentabilíssimo episódio de que o Carteiro aqui nos deu conta ontem à noite, envolvendo, uma vez mais, as esferas camarárias da Cultura, vem mostrar à puridade que a rejeição do comunismo não é mera questão ideológica. É, sobretudo, e antes de mais, como eu já aqui escrevi, um gravíssimo problema civilizacional. A refutação teórica do comunismo há muito que foi feita. Persistir no erro só é explicável por uma obstinada profissão de fé no dogma da vontade. O desrespeito pelo compromisso assumido, a agitação infundada e o exercício irracional da força são a marca atávica desta gente. É certo que, por puro calculismo, a coisa pode ficar uns tempos em banho-maria e, assim, entregando-se ao simulacro, os netos de Estaline dão-se beatificamente uns ares de tolerância e abertura "pour épater le bourgeois". E, então, lá vêm, em causa própria, os escritos laudatórios dos corifeus, sugerindo o monopólio comunista da honestidade, da transparência e da competência, mormente no domínio da cultura. Porém, o que se passou nos dias imediatamente anteriores ao lançamento do livro de Cagica Rapaz oferece formal desmentido ao mirífico estado de coisas apregoado. O código genético é irrevogável.

Out of Sidney


O realizador (e actor) Sidney Pollack deixa um espólio digno de admiração, em particular com o seu "Out of Africa", inesquecível, do melhor que o cinema nos deu. Puro, belo, intenso, poético, mágico. E, graças a Sidney e a Deus, sem efeitos especiais...

Pois, Sidney Pollack morreu. Aos 73 anos. De cancro, diz o SOL. Nos Estados Unidos.

Não teve a sorte de viver em Portugal, porque, nesse caso, nunca teria morrido de cancro.
Na pior das hipóteses, teria falecido de doença prolongada...

O grande timoneiro


O nosso confrade "O Outro Lado do Espelho" mostra uma fotografia deliciosa da inauguração do monumento dedicado ao "Homem do Leme", junto da Fortaleza.
E lá vemos o senhor presidente da Câmara, de braços cruzados, visivelmente incomodado pela triste figura que estava a fazer. Além dele, a dra. Odete Graça, um senhor da capitania, um vereador e um funcionário camarário.
Uma impressionante multidão.
O ridículo não mata, é verdade. Se tal acontecesse, teríamos eleições à vista.

Mas esta oportuna fotografia revela, na sua crueza, os critérios bacocos do senhor presidente quanto às escolhas dos eventos culturais a que empresta a sua augusta presença.
Claro, abaixo dele há outras pessoas que trazem na lapela o emblema da Cultura, mas que só ouvem a voz do patrono que, mesmo de braços cruzados, não deixa de ser o carismático homem do leme...