domingo, 25 de maio de 2008

ÀS TRÊS PANCADAS, # 1

A esporádica coluna de um regressado Escriba



A realidade, essa impertinente

1. Como é sabido, o generoso Dr. Cristóvão Rodrigues permitiu-se conceder, a si e às suas hostes, seis meses de remansosos preparos na abordagem prática à realidade política concelhia. Entretanto, a realidade, sempre impertinente, decidiu não esperar tanto tempo e, tal como o Estafeta aqui previra, o Partido Comunista, pela voz de Florindo Paliotes, uns dos seus mais destacados militantes locais, resolveu colher e embrulhar, nas páginas do último “Nova Morada”, os louros que brotam dessa árvore frondosa que é a Biblioteca Municipal de Sesimbra, a qual, “com os seus variados locais e actividades viradas para todas as camadas da População”, será, segundo Paliotes, um dos exemplos da “política cultural integrada no projecto concelhio da CDU em Sesimbra que, com respeito integral e total pela cultura do Povo Sesimbrense, leva à prática os princípios programáticos do PCP”. Ora toma!

2. Bem sei que, no tocante à Biblioteca, o Dr. Cristóvão meteu prudentemente a viola no saco, pois que lhe há-de ser difícil encetar o solfejo da pauta escrita pelo lápis azul da Dr.ª Guilhermina. (Não por acaso, pudemos ontem escutar um desassombrado Félix Rapaz dizer, alto e bom som, para quem o quis ouvir, durante o lançamento das “Conversas Com Versos e Com Ventos” no Clube Sesimbrense, que não lhe tinha sido fácil, em termos partidários, promover a apresentação desta obra de António Cagica Rapaz.) Claro está que, com o seu silêncio, o Dr. Cristóvão não perdeu apenas uma boa oportunidade para se dar ao respeito e ganhar crédito junto do eleitorado. Abdicou ainda de manifestar a réstia de soberania a que podia aspirar na condução política da censória vereadora sua correligionária, deslize que os comunistas, como se viu, não perderam tempo a aproveitar.

3. Aquilo que o Dr. Cristóvão autorizou pelo mutismo, terão agora os netos de Estaline vindo caucionar de modo tácito. É, pelo menos, o que um bom entendedor pode depreender das meias palavras de Florindo Paliotes, quando este, na folha condense, verbera as “medidas de alienação, elitistas e sobranceiras”, que, em matéria de política cultural, devem ceder o passo à bota cardada de “uma actividade permanente e abrangente, cujo destinatário é a população em geral, sem faixas privilegiadas e redutoras”. Envolta na habitual cangalhada ideológica, a mira da fórmula, se assenta como uma luva nos extintos colóquios de filosofia portuguesa e na audácia literária de Cagica Rapaz, deixa por explicar como é que “os princípios programáticos do PCP” se coadunam com “a multiplicidade e diversidade cultural” do concelho, “das suas gentes, dos seus usos e costumes”. Qualquer pessoa medianamente instruída, e com dois dedos de testa, sabe que o comunismo visa a realização final dessa monstruosidade suprema que é o “ser genérico”. Pela minha parte, prevenido que me encontro pelo pensamento demolidor de um Orlando Vitorino, continuarei a divertir-me com a leitura dos entimemas arqueológicos do senhor Paliotes. Mas, ao Dr. Cristóvão, jamais lhe poderei perdoar a deserção perante a realidade, essa impertinente.

Escriba

sábado, 24 de maio de 2008

God bless Ireland...

Medo da Nostalgia?


No princípio era a "Nostalgia", rádio com música dos anos sessenta, poucos anúncios e rara conversa.
Há tempos, mudou de nome, passou a "Rádio Clube" intermitentemente apelidado de "Português".

Hoje, vem no "Expresso" um grande anúncio em que
a estação diz que "Dá voz às palavras".
É um slogan como outro qualquer, mas o que retive é que apresenta como assinatura RÁDIO CLUBE Português, assim mesmo, com o qualificativo a figurar por baixo, meio envergonhado, como que a desejar passar despercebido.

Que diabo! O velho "Rádio Clube Português, Parede, Portugal" era uma estação com títulos de nobreza e um historial brilhante. RCP é um marco glorioso no panorama da Rádio no nosso país.
E foi a Emissora da Liberdade no 25 de Abril.

Por isso, não percebo e muito me choca ouvir os seus locutores falarem, em regra, de "Rádio Clube" e, de longe em longe, acrescentarem um "Português" suave e tímido.

Será que têm vergonha?

Invejosos


Era de esperar.
Ao saberem que hoje vai ter lugar, em Sesimbra, a apresentação de uma palpitante
obra literária, a Feira do Livro apressa-se a abrir as portas, à fossanga, deitando os bofes pela boca, em desvario, à beira da apoplexia.
Tudo para a inauguração poder ter lugar às 15 horas. Coitados, Pais do Amaral e seus rivais fazem o que podem, a vida custa a todos, temos de ser condescendentes.

No Clube Sesimbrense, as Conversas começam, tranquilamente, pelas 18 horas, com um moscatel à mistura...

Eden


Uma equipa que tem um equipamento (de alterne) cor-de-rosa e que põe Flores no banco merece entrar no Jardim das Delícias.
Agora é que vai!

Arrogância e telhados de vidro


Sectário, incompetente, demagogo, moralista, eis alguns dos epítetos que José Sócrates cola aos seus interlocutores directos na Assembleia da República.
Revela o SOL que é uma estratégia do primeiro-ministro posta em prática nos debates quinzenais.

Há quem pense que Sócrates mentiu descaradamente aos portugueses, prometendo o que sabia não poder cumprir.
Há quem ache que o diploma de engenheiro é uma triste história da carochinha.
Há quem considere imperdoável a fuga ao referendo do Tratado de Lisboa.
Há quem julgue ridícula a exibição da corridinha matinal em cada visita ao estrangeiro.
Tão ridícula como o pedido de desculpa por ter sido apanhado a fumar e, pior ainda, pela promessa agarotada de não voltar a pecar.

Há quem tenha estas e muitas outras opiniões sobre Sócrates, mas tenha a decência de não levar o pinóquio a passear no picadeiro...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Presunção


Ao que ouvi, o senhor Petit achou útil e oportuno anunciar agora que, após o Euro, renuncia à selecção. Parece que isto é notícia. E é, neste ridículo universo do futebol.

O senhor Petit quis imitar Figo, Rui Costa e Pauleta, mas cometeu (pelo menos) dois erros.
O primeiro foi o momento que escolheu para o anúncio que a sua augusta pessoa deve achar fracturante.
Como se houvesse alguma urgência.

Depois, é o facto de não se ter visto ao espelho do quarto do hotel onde pernoita.
É que Figo é Figo, um craque, um senhor, uma personalidade, um capitão, um indiscutível.
Enquanto que Petit tem jogado, é certo, mas nunca foi titular inquestionável.
E esta decisão anunciada de forma tão desajeitada está à altura do jogador que é apenas Petit...

Avião dourado


Após inúmeras insistências de Ana Gomes e outros deputados e depois de repetidas negações, o Governo acaba de reconhecer a passagem de aviões da CIA no espaço aéreo e com escala em português.
Trata-se de aeronaves provenientes de e com destino a uma base americana em Guantânamo.

Não me choca por aí além que Portugal tenha feito o jeito ao amigo americano. Já se sabe, são as malhas da política, são as CIN (Conveniências de Interesse Nacional).

Agora o que vergonhoso é este jogo de esquiva, de evasiva, de manobras dilatórias, de recusa de admissão da realidade, com toda a gente a perceber que havia avião escondido com a cauda de fora.
E qual é a credibilidade dos organismos que superintendem no controlo do espaço aéreo e dos aeroportos nacionais? Alguém os mandou calar?

Este Governo, à imagem do seu patrão Sócrates, não prima pela clareza nem pela frontalidade, e o fumo do engenheiro não foi suficiente para esconder os aviões da CIA.

À imagem de outro escândalo recente, esta assunção fica como a confissão de uma mistificação na forma tentada...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Alô, alô


A arquitecta Helena Roseta acaba de dizer, na SIC Notícias, que acha estranho o recuo da Galp que, esta noite, acabou por não subir os preços como fez a BP.
E adianta que, a seu ver ( e eu concordo), alguém terá telefonado à Galp aconselhando a que parasse com a escalada.

Este episódio faz-me lembrar o convite que um falso Cavaco fez, por telefone, ao iluminado filósofo do Desporto que é Manuel Sérgio.
Deslumbrado, o homem aceitou sem pestanejar, sem reflectir nem desconfiar, tendo sido apanhado, ao pecar por presunção.

No caso da Galp, suspeito que a ANAREC (os distribuidores de combustíveis) tenha recorrido ao mesmo imitador...

Carta ao Capítulo


Esta amabilidade do Estafeta não me surpreende. Ele sabe que no fim do ano não escapa à avaliação que eu lhe farei com maior rigor do que os professores. Daí que tente mostrar-se simpático.
Mas estas coisas são muito curiosas.
Há dias, o virtual director do "Jornal de Sesimbra" deixou aqui um comentário através do qual me pedia para felicitar o António Cagica Rapaz pelo livro que aí vem, ao mesmo tempo que recordava os tempos em que ele escrevia naquele mensário.
No fundo, foi uma forma subtil de me acusar de certa forma de plágio.
Eu
admito. E explico.

No início da década de 80, o António assinou naquele jornal uma série de crónicas sob o título genérico "Quando Morre a Madrugada", após o que publicou vários textos sob forma de cartas que, de forma original, dirigia a pessoas de Sesimbra.
Recordo-me (por ser leitor fiel) das cartas ao Julião, ao Capitão Domingos ou ao Luís "Papa-Rebuçados", entre outros.
O malandro (ele não leva a mal) até escreveu uma carta ao Tó Manel.
E, sobretudo, uma ao Carteiro.

Era aqui que o João Capítulo queria chegar, de pantufas, como quem não quer a coisa.
Pois bem. É possível (Freud saberia explicar) que essa imagem tenha atravessado o meu espírito quando escolhi este pseudónimo, talvez levado pelo prazer que a leitura das crónicas do António em mim causava.
Felicito o João Capítulo pela subtileza da sua mensagem subliminar e não me custa reconhecer que, bem vistas as coisas, o que aqui tenho feito, nesta "Magra Carta", mais não seja do que uma pobre imitação do estilo e do talento do António que fez (de braço dado com o Pedro Martins) do "Sesimbra e Ventos" um marco na curta história dos blogues da região.
Só alguma ruivas pessoas não terão gostado, mas a essas sempre lhes resta o recurso de ver os bonecos...

Mais vale sê-lo do que para selo…


Confesso-vos que este nosso Carteiro não pára de me surpreender. Não contente em distribuir sem parança a correspondência abundante que todos os dias chega à estação da "Magra Carta", agora ainda arranjou maneira de debruar os sobrescritos franqueados com pequenas imagens alusivas aos temas glosados, que são assim a modos que autênticas vinhetas. Desta sorte, o Carteiro retoma uma tradição ilustrativa vetusta, veneranda e hoje quase perdida, submersa que está no aluvião de imagens próprio da era do vazio. De resto, o Carteiro, fiel a um lema que já foi a nossa divisa, mingua o presumível desconsolo da Maga e dos seus avatares, pois o que abunda não prejudica e bonecos para ver sempre deram certo jeito aos iletrados. O nosso Carteiro é assim, homem íntegro e generoso, amigo do seu amigo, mas imune quanto baste às palmadinhas nas costas. É assim, ninguém duvide, e mais vale sê-lo do que para selo…

Monstros


No Quénia, onze mulheres, acusadas de bruxaria, foram queimadas vivas.

Em pleno século XXI, neste mundo globalizado onde as fronteiras praticamente desapareceram, com a informação a chegar a toda a parte, com satélites e câmaras que captam o menor gesto no mais recôndito tugúrio, a Idade Média ressurge do nada, na terra dos Mau-Mau, no país dos
míticos safaris, no coração de uma África mortificada.

Enquanto isso, na civilizada Áustria, outro monstro cometeu crimes inimagináveis, no seio da própria família.

A besta humana não tem raça nem cultura pré-determinadas...

Drama TERRYvel


A final de ontem veio, uma vez mais, demonstrar a crueldade e a injustiça do apuramento do vencedor de forma tão aleatória.
Terry não merecia (nem o Chelsea) perder tão ingloriamente.

Mantenho a ideia de que o número de cantos conquistados seria a fórmula mais justa para decidir o vencedor, em caso de empate após prolongamento.

A cartilha


Pelo "Público" de hoje fico a saber que os militantes socialistas vão ter de seguir um argumentário em matéria de política social, para fazer face às investidas da oposição (mais à esquerda, claro está). O papão comunista a tanto obriga. A cartilha, segundo parece, está em vias de ser elaborada pelo ministro Vieira da Silva e irá fornecer um manancial de perguntas e respostas, destinado aos militantes mais combativos. Para quem tivesse dúvidas, eis o socialismo em liberdade...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Cerejo com caroço


O nosso primeiro-ministro foi, há uns anitos, responsável pela pasta do Ambiente, numa altura em que o nosso Governo não fazia tanto PIN como agora.

Ora sucede que, agastado com maldades escritas por um jornalista do Público, o já então eng. Sócrates escreveu-lhe uma carta que o tribunal achou lesiva do bom nome do senhor Cerejo.
Resultado: o nosso Primeiro vai ter de pagar 10 mil euros ao jornalista, esperando-se que aprenda a lição.
Já não vai a tempo de pedir desculpa nem adianta que prometa não voltar a chamar nomes feios a um jornalista.

Decididamente, Sócrates anda em maré de azar com jornalistas.
Primeiro foram as suspeitas à volta da anunciada contratação dos serviços de Fernanda Câncio pela RTP e agora este desagradável episódio-Cerejo.
Custa a engolir...

Grandes naus...


Eu não sei quanto devem os clubes portugueses ao fisco, à Segurança Social ou à banca, mas julgo saber que lá por fora há casos espantosos de endividamento, mesmo em equipas de topo.

A final dos Campeões Europeus coloca frente a frente, logo à noite, dois colossos que carregam no saco dos equipamentos dívidas impensáveis.

O Chelsea deve 935 milhões de euros, 578 dos quais a Roman Abramovich que fez um investimento sob forma de empréstimo, não de doação.
Por seu lado, o Manchester United tem um passivo de 960 milhões de euros.

Todos falam do Boavista, mas afinal a firma Loureiro merece uma medalha de mérito por uma gestão mal compreendida...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Uma questão de fé...


Há quem não aprecie muito os métodos de Jorge Jesus, mas o facto é que ele consegue resultados.
Nessa perspectiva, o homem parece ser bom.
Talvez por isso o assédio foi forte, tão forte que ele virou as costas à Cruz de Cristo e passou a ser o bom Jesus de Braga...

JAZZINTA


Estas coisas são assim mesmo, há que buscar originalidade, singularidade e estranheza.
Talvez por isso, há pouco tempo, Mariza nos apareceu com um "Fado Curvo".

Agora é uma cantora de jazz, de seu nome Jacinta, que presta homenagem a José Afonso com um trabalho intitulado "Convexo".

Não sei se encontrou inspiração num livro em que há conversas e com versos, mas pressinto que venha a caminho um disco de cantares alentejanos que, obviamente, só poderá chamar-se "Redondo"...

A casa de Irene


Manoel de Oliveira não teve a sorte de ser contemplado com uma medalha de bronze da Câmara de Sesimbra e lá se contentou com uma Palma de Ouro do Festival de Cannes. Acontece...
É verdade que não gosto das fitas do nosso Manoel, mas ontem fui ver um filme português que me leva a pensar que o nosso cinema não tem melhoras.
A coisa intitula-se "Goodnight Irene", tem uma fotografia razoável, mas a história é pueril, pretende ser poética, intelectual, e acaba por ser uma sucessão de banalidades incoerentes.

Mas, voltando ao nosso Manoel, é sabido que o senhor é endeusado pelos críticos e ignorado pelo grande público.
Por isso, a meu pérfido ver, o grande número de prémios que lhe dão só tem uma explicação: ver se ele se retira, se deixa de fazer filmes.
Mas o nosso Manoel não percebe que o querem ver pelas costas e agradece os aplausos com mais um filme.
Azar o nosso...


O circo está de volta


Esta manhã, na Antena 1, um historiador de Viseu falava sobre a epopeia de Viriato, a sua bravura, a forma heróica como se opôs aos romanos, só tendo sido vencido à traição.
E logo fez o paralelo com os novos guerreiros que são os jogadores da selecção, tirada gloriosa rematada com alguns acordes do Hino Nacional.

Está o país em recessão mal disfarçada, com o petróleo cada vez mais caro, o desemprego a aumentar, a economia a estagnar, a pobreza a alastrar, e vêm estes vendilhões do templo da bola com a exaltação de uma Pátria em perigo e o clamor de uma guerra santa, numa pantomina orquestrada ao mais alto nível para fazer esquecer a triste realidade que a grande maioria dos portugueses sofre na pele.

Enquanto a contestação cresce à volta das estações de serviço, os craques, perdão, os novos guerreiros, chegam ao local de estágio ao volante de Porsches, de Bentleys e outras máquinas poderosas.
Vai longe o tempo em que o país era cinzento e tinha por ídolo um humilde Joaquim Agostinho.
Sejamos modernos, esqueçamos a precariedade, os recibos verdes, as taxas de juro, e estejamos de corpo e alma com os nossos rapazes, coitados, que mal dormem a pensar como poderão comprar outra mansão no Algarve e um Maserati vermelho...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Nem tudo o que luz é raio...


Desconheço os critérios por que se rege a Câmara de Sesimbra para atribuir as suas condecorações, em cada feriado municipal.
Mas não posso deixar de me sentir incomodado quando alguém como o actor João Vasco recebe a mesma distinção de vários funcionários da autarquia.
Não ponho em causa o mérito desses funcionários, mas estamos perante realidades bem distintas.
Mais estranho ainda é ver incluído no mesmo escalão (Grau Bronze), o CECAS do senhor José Pedro Xavier. Qual é o mérito deste senhor? Pôr um jornal (insignificante, mas jornal) às ordens de quem mais ordena?
Pobre João Vasco, que mal acompanhado estiveste! Que mal fizeste a esta gente?

Já o padre Abílio Vieira teve direito ao Grau Prata. Porquê?

O que vale é que o João está muito acima destas distinções de pechisbeque.
Mas não deixa de ser um triste espectáculo, este da banalização do mérito...

Vai um tirinho?


O líder da comunidade islâmica em Portugal revelou que membros de uma organização terrorista esteve em Portugal com o objectivo de recrutar elementos para levarem a cabo atentados suicidas.
Parece que a campanha de sedução foi um fracasso total e nem admira que assim tenha sido.
Com efeito, nenhum jovem português, por mais distraído que ande, acredita na conversa das 72 virgens.
Depois, há sempre a desconfiança de que aquilo não passe de uma armadilha para os "apanhados" ou de uma rábula dos Gato Fedorento.
O pessoal já está muito calejado nestas manobras de violinos ideológicos, já ouviram as testemunhas de Jeová, os pastores da IURD, os simpáticos do Bloco de Esquerda, os alunos de Apolo, os vendedores de kits do Benfica e o burro da Euribor.
Nem o Malato e o Fernando Mendes, juntos, em peso, nos levam à certa...

Conversas, Com Versos e Com Ventos


Da editora "Terra Prática", recebemos um convite para o lançamento do quinto livro de António Cagica Rapaz, em sessão que terá lugar no Clube Sesimbrense no próximo sábado, 24, pelas 18 horas.
O autor terá a seu lado o jurista e escritor Pedro Martins (que assina o brilhante posfácio) bem como o Eng. Manuel António Alves Pinto, o amigo de sempre.

Para agradecer o convite, entrámos em contacto com António Cagica Rapaz que nos disse que gostaria de contar com a presença de quantos lhe quiserem dar esse prazer e também de outros que não saibam como fingir que não foram informados.

Magra Carta toma a liberdade de lembrar à dra. Guilhermina Ruivo que ficaria bem à vereadora da Biblioteca assistir ao lançamento de um livro sobre Sesimbra e da autoria de um sesimbrense.

Honni soit qui mal y pense...

Fim de festa

As coisas são simples para quem é isento.
O Sporting foi um justo vencedor e o árbitro errou para os dois lados.
O primeiro golo invalidado aos leões foi um erro. Jogador em linha está em jogo e, na dúvida, benefício para quem ataca.

Polga cometeu uma falta para grande penalidade e outra para livre fora da grande área.
Sem dúvida.
Paulo Bento deveria deixá-lo sair porque o homem é duro de rins, lento e pouco inteligente.
Um defesa só deve entrar à queima, de rompante, quando tem a certeza de antecipar, de chegar primeiro à bola. Em caso de dúvida, simula, aguenta, espera e contém o adversário.

Polga não tem pernas nem o instinto, a premonição da entrada, calcula mal e, quando chega, a bola já lá não está, só o adversário. E é falta. Inevitavelmente.
Um jogador inteligente é prudente, não comete erros tão flagrantes e potencialmente fatais.

Bruno Alves é um perigo à solta, violento, demolidor com a cabeça, os braços e os punhos. Futebol não é luta livre.

Jesualdo vai ter de explicar ao patrão a ausência de Bosingwa e é uma falta de classe vir desculpar-se com a arbitragem.

Agora vamos voltar a aturar o Scolari...

domingo, 18 de maio de 2008

O leão rugiu duas vezes

O Sporting deve estar grato ao circunspecto professor Jesualdo por ter deixado Bozingwa de fora.
Foi um equívoco ditado pela arrogância que lhe custou a Taça.

E vai sendo mais que tempo de alguém travar a fúria carroceira de Bruno Alves que, qualquer dia, deixa um adversário incapacitado para o jogo.

De resto, foi apenas o castigo para a sobranceria de quem esperava um milagre caído de um apito que não soou...

Com sais de frutos...



Tal como se pode verificar pela imagem colhida hoje, decorrem a bom ritmo as "obras" de "ressurreição" de Vitorino Magalhães Godinho nas placas toponímicas da Urbanização do Loureiro. O "averbamento do óbito" já foi cancelado no "assento de nascimento". Não nos foi possível tirar o caso a limpo com a edilidade, mas não seria para admirar que, antes do próximo dia 9 de Junho, data do seu nonagésimo aniversário, o insigne historiador recuperasse do estado mórbido a que a edilidade sesimbrense tão levianamente o votou. Uma certeza, porém, não pode ser abalada: eles lêem certos blogues. Com sais de frutos, é certo, mas lêem...

Desvio para os buracos

Quem planeou as obras de alargamento da ponte da Aiana-de-Cima certamente previu a necessidade de um itinerário alternativo.
Ora, o que fizeram foi apenas indicar um desvio que atira os automobilistas para uma estrada velha, poeirenta e cheia de buracos que, no mínimo, deveriam ter sido tapados.

Mas não. O máximo que as criaturas foram capazes de fazer foi colocar aqui e ali as placas a dizer "Desvio", e cada um que se amanhe.
Claro, os inúmeros funcionários da Câmara conhecem a dita estrada, mas só lá passam com as viaturas do patrão autarca, ou seja, mais buraco menos solavanco, pouco importa, a comunidade é rica.
Assim (não) funciona esta Câmara. E era tão simples...

sábado, 17 de maio de 2008

O importante é a rosa...

Numa entrevista ao jornal gratuito "Sexta", Isaltino Morais diz que será lembrado por ganhar eleições e que o resto é conversa.
Mais afirma que não há provas de que tenha beneficiado alguém.
O que é bem diferente de garantir que nunca o fez, acrescento eu.

Este curioso discurso faz-me lembrar outro notável que quer ser lembrado porque ganhou campeonatos.
Mas que talvez acabe por não ficar na história só por isso...

Falo barato

Na Islândia, abriu este mês o Museu Falológico, ou seja, o museu do pénis.

Mal soube da notícia, o dinâmico Manuel Pinho telefonou ao ministro da Cultura e logo decidiram que Portugal, nessa matéria, deveria fazer valer os seus créditos, tantas foram as nossas incursões por paragens nunca antes penetradas.

Cioso do seu ALLgarve, Manuel Pinho já pensava em contratar Zézé Camarinha para conservador do futuro museu, mas o senhor da Cultura entende que o local apropriado seria as Caldas.
- Mas porquê? - reage Pinho.
- Elementar, meu caro, no Allgarve é tudo mais caro.
- Sim, talvez, mas...
- E depois, é evidente... pénis... Caldas... é lógico. Eu sei do que falo...

Um...um...agredido por dois

Segundo relata o SOL, o presidente do Benfica e o seu motorista, na 2ª feira, agrediram um homem numa agência da Caixa Geral de Depósitos, em Telheiras.

A vítima apresentou queixa na PSP e recebeu tratamento no hospital de Santa Maria.

As câmaras de vigilância filmaram tudo.

Depois dos que se queixaram das escutas telefónicas, vai haver agora quem conteste a constitucionalidade das câmaras de vigilância...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O(c) tanas

Diálogo numa estação de serviço.

- Desculpe, isto aqui, 95 é o quê?

- Então...são octanas, gasolina super com 95 octanas.

-Ah, sim senhor. E o preço vai baixar?

- Baixar? O tanas!

Ensaio sobre as cataratas

Há coisas muito estranhas na esfera governamental.
De repente, o Governo descobriu que havia muitos milhares de portugueses a precisar de serem operados às cataratas. Levou tempo, mas,
é caso para dizer, abriram os olhos, .

Quando o primeiro autarca algarvio levou um batalhão de quase invisuais a Cuba, a coisa deu que falar, mas o Governo não (ou)viu.
Outros casos se seguiram e o silêncio continuou.
Até que agora, de súbito, arranjaram esquemas, com mais ou menos incentivos, e vá de anunciar milhares de intervenções, dispensando mesmo a colaboração das Misericórdias.

Porquê esta repentina corrida às operações às cataratas?
Onde têm estado escondidos os lasers destes oftalmologistas?
Terá sido milagre de Fátima?

Mulher séria destoa...

Se Manuela Ferreira Leite precisasse de um sinal de que é a pessoa com mais e melhores condições para liderar o PSD, acaba de o ter.
Pode não ganhar, porque as manobras e os compadrios, os jogos de bastidores, tudo isso pode funcionar de forma aparentemente democrática mas pouco séria, já que nestas coisas de eleições é a quantidade que vence.

Luís Filipe Menezes ainda julga que o partido lhe obedece e continua a conspirar.
Desta vez, lembrou-se de tornar público que receberá todos os candidatos que quiserem ir a Gaia, à excepção de Manuela Ferreira Leite.

Muito mal estava o PSD para Menezes ter chegado ao topo da hierarquia, ainda que fugazmente.

Muito mal ficará o PSD se Ferreira Leite não ganhar.

O pior, para aquele partido, é que, mesmo que a senhora ganhe, aquela gentalha não a merece...

Talvez Chalana...

É evidente para qualquer pessoa que o treinador é uma peça fundamental num clube, apesar de não marcar golos.
Por isso, a escolha desse elemento deve ser muito criteriosa, sob pena de fracasso.

Ocorre-me isto ao ler que o Benfica pretende contratar Quique Flores que treinou o Valência.
É possível que se trate de um bom técnico, mas conviria observar antes alguns factos, apenas para ponderação.
A história é simples.

O Benfica foi buscar Koeman e foi uma desilusão.
O Valência achou que Quique não servia e despachou-o, caindo na esparrela de convidar Koeman.
Há poucas semanas, Koeman foi corrido de Valência.
Agora o Benfica deseja a vinda de Quique.

Alguém percebe?

Português suave

A vida tem destas ironias.
O Parlamento discute e vota hoje a proposta de resolução do Segundo Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico.

Enquanto isso, 230 mil alunos estão a realizar uma prova de aferição de Língua Portuguesa, teste que não conta para a nota.

É um taimingue fixe e bem direcionado, desde logo muito à séria...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Waterloo


Temos de reconhecer que Pinto da Costa consegue (não sei até quando) fazer frente a esta onda de acusações que lhe caiu em cima.
Um homem inocente e de consciência tranquila poderia adoptar uma atitude discreta, de indiferença e de moderado distanciamento.

Mas não, o velho dragão chispa chamas de uma ironia grosseira, forçada, esgar desesperado, embora aparentemente seguro.
Ontem, Pinto da Costa provocou o juiz ao dizer que Carolina Salgado nunca foi sua esposa. Filomena, sim, é a sua única esposa.

Foi uma tirada infeliz e inútil, apenas mais meio minuto perdido, nada que altere a verdade dos factos.
E a verdade dos factos é que foi Carolina que Pinto da Costa levou à presença do Papa.
E não era sua mulher.
E Filomena? Vai levá-la à presença de Deus?

O sarcasmo tem limites que Pinto da Costa já não consegue distinguir...

O que vem à rede...


O título é sugestivo "PC a favor de contrato civil para casais homossexuais".

Além disso, é verdade, faltando apenas descodificar: PC é Passos Coelho, jovem candidato à liderança do PSD que pretende deitar a sua rede em mares nunca dantes cruzados por traineiras alaranjadas.

Há quem veja nesta abertura um sinal de modernidade, mas também há quem olhe para a manobra da traineira do candidato PC como algo arriscada pois pode deixar entender que uma franja dos votantes poderá não ser avessa a atracar pela popa...

Desculpe, tem lume?


Os nossos políticos são gente como nós, fúteis, superficiais, que se sentam no Parlamento com o espírito de teóricos de café, de comentadores da bica e bagaço, incapazes de seriedade e de frontalidade, presos ao círculo medíocre da pequena intriga, do lapso, do passo em falso.

O alarido feito à volta do cigarro de Sócrates é um exemplo flagrante da pequenez da nossa classe política que reage ao sabor do que julga ser a expectativa popular, o gosto pelo sangue da refrega partidária, o apetite pela trica e pelo imbróglio potencialmente comprometedor, a lembrar as rábulas dos Parodiantes de Lisboa ou os quadros de revista do Maria Vitória.

Deveria o país ter mais com que se preocupar do que o paivante do engenheiro. Tal assunto deveria ter ficado apagado quando o homem deitou fora a última baforada.
Mas não, os galos da Índia, as doninhas e os furões acorreram, todos contentes, clamando por Justiça, agitando a Constituição, rasgando as vestes, arrancando os cabelos, quase exigindo uma fogueira para purificar o pecador fumador.
É o conhecido princípio do fumador pagador.

Julgava eu, nesta beatífica ingenuidade que cultivo, ter visto tudo neste triste espectáculo de demagogia e saloiice quando o primeiro-ministro resolveu juntar a sua voz à do coro de fariseus e vir, publicamente, pedir desculpa, prometendo ainda deixar de fumar.

Perante isto, só nos resta concluir que, se o fumo mata (como a nova Inquisição nos repete), o ridículo, pelo contrário, é amigo deste ambiente podre em que vivemos...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Quadratura do Círculo Central

A Liga condena o Porto à perda de 6 pontos por actos ilícitos cometidos pelo senhor Pinto da Costa.
O Porto aceita o castigo sem recorrer, o que equivale a reconhecer que Pinto da Costa é culpado.

Este reconhecimento (implícito no cumprimento da pena, sem contestação) retira TODA a credibilidade ao recurso de Pinto da Costa.

E constitui a assinatura de uma nota de culpa que não deveria deixar a UEFA indiferente...


Desagravo e desagrado

Deputados, ex-deputados e governantes festejam hoje, com Pinto da Costa, a conquista do campeonato, num jantar que teimam em afirmar não ser de desagravo.
Esta gente que nos governa tem o direito de ter simpatias clubistas e de jantar todos os dias.
Podem convidar quem entenderem para a mesa, mas não podem esquecer quem são nem ignorar o que pesa sobre Pinto da Costa.

E é obviamente chocante verificar que o jantar vai ter lugar no edifício novo da Assembleia da República, escolha que deveria envergonhar quem tem a obrigação de respeitar a Casa da Democracia que não deveria ser usada para festarolas de gente da bola que já mostrou há muito
tempo estar mais identificada com casas de alterne...

Será que?

Vitorino Magalhães Godinho completa 90 anos no próximo dia 9 de Junho. Seria simpático ressuscitá-lo, ali para as bandas da Charneca da Cotovia, até essa data. Afinal, André Semblano parece ser uma pessoa acessível...

Esclarecimento

O Conselho de Administração da "Magra Carta SA" desmente veementemente o rumor que circula insistentemente por Lisboa esta manhã e segundo o qual o Grupo LEYA, de Pais do Amaral, teria adquirido os direitos de propriedade dos textos aqui inseridos.

Mais revelamos que um único contacto se verificou quando um administrador daquele
grande grupo pediu a nossa opinião acerca de um jornal que estavam a equacionar comprar.
Recusámos pronunciar-nos. Eles perceberam.
O jornal em questão era o "Raio de Luz"...

Ordem e Progresso

Em 1988, o líder ecologista brasileiro Chico Silva foi assassinado.
Marina Silva, a sua principal colaboradora, foi, até agora, ministra do Ambiente do governo de Lula da Silva.
Acaba de entregar a carta de demissão.

O motivo é a sua total discordância com a política de Lula que está a conduzir à destruição da Amazónia.

É este o novo Brasil, prático, tecnologicamente avançado e impiedoso, não o Brasil que Lula prometeu aos pobres, aos sem-terra.
Lula é o pai da modernidade, do petróleo, do progresso lucrativo para minorias privilegiadas.

Talvez seja tempo de perguntar a Bob Geldof: "Você já foi ao Brasil? Então, vá."

Cavalheiros

Toda a gente conservou de Eriksson a imagem de um perfeito cavalheiro, homem distinto, elegante e de esmerada educação.

Se o tivessem convidado por SMS ou por telegrama, talvez ele tivesse cedido aos violinos da saudade e aos encantos da Costa do Estoril, aceitando sem reflectir.
Mas não, foram lá, os símbolos do Benfica actual foram, em pessoa.
E, naturalmente, Eriksson não gostou. Esta gente, este Benfica não é o seu.

E, delicadamente, recusou. Um cavalheiro não frequenta tabernas...


PS: Ao que se diz, Humberto continua disponível...

Lapso fatal


Consta que um conhecido empresário português mostrou grande entusiasmo e maior excitação ao longo desta viagem a Caracas, e que fez uma triste figura quando se aproximou de Sócrates num momento em que este conversava animadamente com Hugo Chavez.

Imagine-se o embaraço do primeiro-ministro e a estranheza de Chavez quando o tal empresário se virou para o presidente venezuelano e lhe deu os parabéns pelo desempenho da filha no filme "Call Girl".
"Soraia é muy guapa, senhor presidente" - rematou o pateta.

Sócrates, atrapalhado, puxou de um cigarro...

O gajo

O Portugal pequenino e hipócrita bate palmas e esfrega as mãos de contente. Pudera, o gajo foi apanhado a fumar no avião que o levou a Caracas.
O gajo, claro, é o Sócrates, como diz o Almeida, encostado ao balcão, enquanto bebe a sua meia de leite e come uma sandes de fiambre.
O gajo e o outro. O gordo, o da Ota, também fumou.

E há no ar (não o fumo, porque na pastelaria já ninguém fuma) uma pitada de gozo e de conveniente indignação.
E tudo porque o primeiro-ministro, num espaço privado, fez o que todos fazemos em casa, fumou.
Não devia? Talvez não, mas Sócrates é português e, como tal, gosta de aldrabar, furar a malha, sempre que pode.
Afinal, o homem, como dizia o outro, é uma pessoa humana.

Espero é que ele não repita a graça enquanto andar com o amigo Chavez a visitar o oleoduto.
O país agradece a Sócrates esta oportunidade de lhe cortar na casaca.

E até se esquece que o preço da gasolina voltou a subir...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Marcar a diferença...

Pelo “Notícias da Zona” de ontem, fico a saber que Félix Rapaz e a Junta de Santiago estão empenhadamente a tratar do lançamento, no próximo dia 24, sábado, no Clube Sesimbrense, do badaladérrimo “Conversas Com Versos e Com Ventos”, de António Cagica Rapaz, que a Dr.ª Guilhermina interditou perante o público silêncio de quem de direito. Félix Rapaz lembra que, há quase nove anos (na verdade há quase oito), foi a Junta quem lançou o primeiro livro de Cagica Rapaz, o já clássico “Noventa e Tal Contos”, que, diz o autarca, merecia uma segunda edição. Curioso será lembrar que, na altura, o gesto de Félix Rapaz e da Junta de Santiago foi uma verdadeira bofetada de luva branca dada em muito boa gente. Agora, não posso deixar de louvar o denodo posto na organização do lançamento das “Conversas”. Mas que os “Noventas e Tal Contos”, há muito esgotados, mereciam uma nova tiragem, ninguém duvide. Constou-me – e vendo pelo mesmo preço – que a Dr.ª Guilhermina, num inesperado acto de contrição (de certo que lhe pesa a consciência), tenciona encaixá-los no plano de reedições da Colecção “Livros de Sesimbra”. A ver vamos. Por agora, nunca será de mais sublinhar ser Félix Rapaz o único socialista com responsabilidades nos órgãos partidários (acompanhado, se a memória me não atraiçoa, pelo seu camarada Adolfo Marques) a assumir uma atitude digna, dando provas de espírito de iniciativa e de carácter.

O grande Lucas


Numa das prateleiras aqui da estação, encontrei esta velha fotografia a cuja publicação não resisto por nos recordar aquele que foi um dos mais fabulosos jogadores portugueses de todos os tempos, Lucas Sebastião da Fonseca, o mítico Matateu.

Não consegui identificar o outro futebolista...


Defensores de Chavez

O Mundo não nos dá descanso, com as tragédias a sucederem-se, na antiga Birmânia, na China, o eterno drama do Darfur, a guerra civil no Líbano, a interminável guerrilha entre palestinianos e israelitas, as mal contadas manobras à volta dos cereais e do biocombustível, o preço do petróleo a inflamar-se...
Entretanto, e como sinal positivo (para alguns, não para o povo), o Brasil descobriu mais petróleo e já quer entrar para a OPEP.
Não vai ser tão cedo que a emigração brasileira vai parar, o ouro negro não chega para todos.

Ali ao lado, na Venezuela, José Sócrates vai abraçar o amigo Chavez e nem sonha em mandá-lo calar. Pelo contrário, vai usar o seu fluente espanhol para dialogar com o eminente estadista, levando pela mão bom número de empresas lideradas pela Mota-Engil que, por muito que tente, não consegue deixar de ser vista como a toca do Coelho.

Já poucos comentam as ousadas declarações de Bob Geldof, pois outros interesses ganham forma de mordaça subtil e todo o exercício discursivo tem por base uma mais ou menos subtil exibição de eufemismos.

E o bom Hugo, gentil democrata que até se interessa pelos reféns das FARC, só encontrará sorrisos amáveis no seio da comitiva portuguesa...

Bem-aventurados

Contrariamente ao que alguns pessimistas apregoam, a fé no Altíssimo não está a desaparecer, bem pelo contrário.
O melhor exemplo é o do novo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, que afirma acreditar na retoma, no crescimento da economia, para o que pede a ajuda de Deus.

Quando os exemplos desta natureza nos chegam de homens inexcedíveis na honestidade, na verticalidade, na lisura de procedimentos, no respeito pelos direitos e garantias do próximo, na pureza de sentimentos, então podemos concluir que uma nova onda de espiritualidade está a envolver o Mundo.

Por essa razão, e na mesma linha de raciocínio, quando oiço que Pinto da Costa confia na Justiça Divina, eu fico comovido, o meu velho coração bate com mais força, coitado, e as lágrimas inundam-me a face carcomida pelo desgosto e pela revolta que este maldito Apito Dourado me tem trazido.
Eu acredito piamente que o senhor Jorge Nuno confie na Justiça Divina.

No inverso é que não...

E por que não?

Olivier Besancenot é o presidente da Liga Comunista Revolucionária e foi candidato à última eleição presidencial em França, tendo conseguido um resultado lisonjeiro.
Tem 34 anos e a particularidade de ter a profissão de carteiro.

Há dias, foi o convidado de Michel Drucker numa emissão de grande audiência por onde desfilam vedetas do mundo do espectáculo e da política, por exemplo.
Pois o jovem carteiro fez belíssima figura, tendo tido mais telespectadores do que a senhora Segolène Royal quando lá foi tentar seduzir os franceses.

A imagem de Besancenot já se sobrepõe à da Liga Comunista Revolucionária, estatuto que poucos líderes conseguem e que faz dele uma esperança da esquerda mais à esquerda do espectro político francês.

Não vou ao ponto de afirmar que o sucesso deste meu colega, melhor, camarada, me leva a sonhar com o palácio de Belém, mas, se um carteiro já foi candidato presidencial em França, será legítimo admitir semelhante hipótese em Portugal.

Acho que, depois das férias grandes, ao mesmo tempo que pedir uma assinatura numa carta registada, aproveitarei para recolher outra para a minha candidatura a Belém.

Talvez consiga convencer o Estafeta a ser meu mandatário...

À deriva

Consta – inclusivamente nas caixas de comentários dos blogues – que, na semana que passou, um destacado militante do PS de Sesimbra agrediu, ou tentou agredir, um seu correligionário, numa assembleia de militantes. A ser verdade, como parece que é, será muito triste. E não me venham dizer que é um assunto da vida interna do partido. Tal como procuro saber se há bicho na fruta à venda na mercearia, também os eleitores têm o direito de escolher em consciência os seus representantes. Ora, um tal desacato, envolvendo políticos locais, está longe de ser um assunto doméstico, adquire evidente relevância pública. Os munícipes podem, até, sentir a curiosidade de saber se, nas reuniões partidárias, se chega a debater algum assunto político de relevante interesse para o concelho, ou se, ao invés, tudo se queda pela medida de certos umbigos. A era unitária do Dr. Cristóvão ainda há pouco começou, mas a ideia com que se fica é a de que vai tudo num barco à deriva, com rombos nos cascos e as velas esfarrapadas. Não deve faltar muito que comece a saltar gente da amurada.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Ah, grande Felipão!

Quando se trata de selecções, há sempre divergências de opinião, coisa geralmente aceite com naturalidade e que anima os debates nos cafés, nas repartições de finanças e nas bichas para as operações às cataratas.

Desta vez, porém, creio haver unanimidade à volta dos 23 escolhidos por Scolari.

Até eu (que não gosto do sargentão) sou obrigado a reconhecer que o homem prometeu e cumpriu.

Escolheu mesmo 23.

Birrar é humano

Há duas semanas, em França, a rádio e a televisão anunciaram o desaparecimento de Pascal Sevran, animador, escritor, compositor, figura muito popular naquele país.
Acontece que se tratou de uma informação precipitada, uma vez que o homem só veio a morrer mais de uma semana depois.

Se tivesse acontecido em Portugal, o caso teria sido arrumado, pois foi, que chatice, foi um lapso, paciência, não é morte de homem.
Mas era, era a notícia da morte de um homem que, embora em fase terminal, ainda estava vivo.
Precisamente por isso, o responsável pela rádio que deu a notícia em primeira mão, a Europe 1, foi chamado à pedra e repreendido.
Apesar de ser um grande nome da rádio e da televisão, Jean-Pierre El Kabbach.

Não sei o que tenciona fazer o bem informado executivo camarário para ressuscitar Vitorino Magalhães Godinho, mas não lhe ficaria mal reconhecer o erro publicamente e talvez lançar um concurso (daqueles que a Dra. Felícia tanto gosta) de adivinhas sobre a data da morte real do senhor.

O vencedor poderia, por exemplo, ser convidado para o lançamento de um livro de autor sesimbrense a quem a dra. Gulhermina fizesse o insigne favor de proporcionar tal honra...

Ideias...

Em França, muito em breve, antes do Verão, vai ser obrigatório que em todos os locais onde haja bebidas alcoólicas à venda estejam igualmente disponíveis aparelhos para medir a taxa de álcool no sangue. Quem quiser pode controlar...

Passa igualmente a ser obrigatório o uso do colete reflector para o condutor, porque acontece com frequência que, em situação de emergência, as pessoas saiam precipitadamente do carro e sejam atropeladas.

Não serão estas medidas que irão reduzir significativamente o número de vítimas na estrada, mas podem ajudar.
Neste fim-de-semana, em França morreram 13 pessoas em acidentes rodoviários.

E nós por cá, como vamos?

domingo, 11 de maio de 2008

Crónica de uma morte anunciada


Há alguns anos, foi atribuído o nome de Vitorino Magalhães Godinho, “historiador e professor universitário” segundo rezam as placas, a uma rua da Urbanização do Loureiro, na Charneca da Cotovia. Reparei hoje nela pela primeira vez. E quando, no íntimo, já me congratulava com semelhante acto de justiça – pois que se trata de um grande intelectual português, e, para mais, de uma autoridade mundial em matéria de história dos Descobrimentos –, deparei com o facto insólito de ambas as placas toponímicas daquela artéria o darem como nado em 1918 – o que está certo – e falecido em 1993!!! Ora, a menos que haja um qualquer outro Vitorino Magalhães Godinho que, de momento, me esteja a escapar, o autor da História Económica e Social da Expansão Portuguesa está vivinho da costa e recomenda-se. Ainda há coisa de um mês o JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias trazia um ensaio, da sua autoria, sobre a língua portuguesa, em que o historiador se manifesta frontalmente contra o acordo ortográfico. Bem sei que é no mesmo número do jornal em que o livro O Anjo e a Sombra – Teixeira de Pascoaes e a Filosofia Portuguesa, de Pedro Martins, é bastante elogiado por um universitário da craveira de António Cândido Franco, e, talvez por isso, será de crer que Augusto Pólvora, o responsável pela toponímia do concelho – que, por sinal, já o era ao tempo da colocação da dita placa –, não tenha querido passar os olhos pelas páginas daquela publicação de referência. No entanto, já me custa a crer que, ao longo de todos estes anos, ninguém tenha dado pela presença, em carne e osso, do insigne historiador. O episódio é insólito, lamentável, e, ultrapassando, de longe, a distinção toponímica de Jorge de Sena como engenheiro (lembram-se?), cobre de vergonha o município de Sesimbra. Merece, pois, uma rápida reparação do pelouro da toponímia. Só então Vitorino Magalhães Godinho, deixando de lado Fernand Braudel, Pierre Chaunu e Marc Bloch, poderá, por uma vez na vida, citar Mark Twain, para enfim concluir: "Parece-me que as notícias sobre a minha morte são manifestamente exageradas".

Barreto azul

O sociólogo António Barreto é um homem notável, inteligente, culto, de grande carácter e desassombrado na expressão.
Foi um dos que, enquanto estudante, em Coimbra, lutaram contra o regime.
Foi preso pela Pide e acabou por fugir para a Suíça.
Não é um teórico qualquer, mas alguém de muito saber e muita cabeça que pensa bem.

Mas, como ninguém é perfeito, António Barreto deixa hoje no "Público" a afirmação de que o FC Porto pagou por
ser um clube provinciano que ousou exercer hegemonia no futebol português.

Eu compreendo e desculpo este tipo de comentário a facciosos de café, ignorantes e limitados, mas não consigo perceber o que leva alguém como António Barreto a descer a tal nível.
As coisas são o que são, há décadas que todos sabem, mas não havia provas.
Por isso, este primeiro desfecho não foi surpresa para quem é isento.

Admito que a raiz nortenha tenha puxado Barreto para baixo.
Talvez até, ele (que viveu em Coimbra) tenha acreditado num milagre semelhante ao da Rainha Santa.
O pior para os trapaceiros e o melhor para a Verdade, foi que, quando o manto da Justiça se abriu, não continha rosas, mas apenas fruta, pouca, mas suficiente.

Não duvides, António Miguel...

sábado, 10 de maio de 2008

Jogar pela certa

A história repete-se, e é interessante observar as coincidências.
Há uns bons vinte anos, em França, o senhor Bernard Tapie conquistou grandes triunfos com o Marselha, numa campanha envolta em fortes suspeitas mas sem provas suficientes.

O homem sentiu-se poderoso e julgou-se intocável, levando o descaramento ao ponto de ter tentado "comprar" três jogadores da modesta equipa do Valenciennes num jogo que nem era decisivo.
Mas a convicção de impunidade levou-o a esse excesso que se revelou fatal.
Foi caçado e metido na prisão.

Por cá, o Porto argumenta que, nos jogos em causa, os árbitros não favoreceram o clube. Parece ser verdade. Mas tal só não terá acontecido porque não houve necessidade.
E essa foi a sorte do Porto, caso contrário a corrupção não teria sido apenas tentada mas efectiva, e não seria o Boavista o único a descer.
Tal como o Marselha, o Porto era mais forte, mas mais forte ainda foi a vontade de não correr o mínimo risco e jogar com todos os trunfos na mão, atitude que só se explica pela confiança cega na impunidade.

Mas tantas vezes o cântaro vai à fruta...

Depois queixem-se...

O Dr. Cristóvão e os seus pares no Secretariado fizeram saber, na semana que passou, que tinham retirado a confiança política ao, por enquanto, militante socialista Augusto Duarte, Presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, por este ter anunciado há dias que, no ano que vem, concorre à presidência da Câmara, encabeçando uma lista de idependentes. O episódio envolvendo o autarca condense é contemporâneo do acto censório da Dr.ª Guilhermina, pelo que é legítimo concluir que o órgão máximo dos socialistas sesimbrenses, tão enérgico a verberar a deriva de Augusto Duarte, fez por ignorar olimpicamente a bravata da vereadora. O momento oportuno para falar sobre o assunto teria sido este, mas deixaram-no passar. De modo que as coisas estão assim no PS: persegue-se um gesto que, por mais controverso que seja, não deixa de relevar da liberdade de expressão, ao mesmo tempo que se contemporiza com uma atitude censória. Depois queixem-se...

É aproveitar...

Paris é, sem sombra de dúvida, uma cidade fascinante. Para toda a gente.
E, em particular, para a elite socialista.

Já Mário Soares achou que era o melhor local para fazer oposição a Salazar e Caetano.

Agora, pode dizer-se que Paris está de novo sob ocupação, não a de Hitler mas a de Sócrates que, generosamente, oferece vacâncias de sonho aos amigos.

Já lá estava, posto em sossego e longe dos murmúrios da Casa Pia, o camarada e rival Ferro Rodrigues.
Lá vai assentar arraiais o intelectual Manuel Maria Carrilho, desejoso de percorrer a Rive Gauche, respirar a frescura do Sena, vasculhar as bancas dos bouquinistes, seguir as pisadas de Sartre.
O senhor que se segue é Seixas da Costa que vai substituir o actual embaixador António Monteiro.
Pode ser a embriaguez poética da evocação do Maio de 68. Ou talvez seja apenas a expressão do poder socialista que aproveita enquanto é tempo e embandeira em Arco do Triunfo...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Boneco animado

No seu regresso ao telejornal da TVI, Manuela Moura Guedes achou por bem convidar Valentim Loureiro, escolha que se inscreve perfeitamente na linha populista e circense da estação.

Como não tenho paciência para ouvir disparates e verborreia incontinente, apenas fiquei dois minutos à escuta.

E assisti à despedida, quando o senhor Loureiro deixou no ar o piropo que trazia engatilhado, dizendo que a nossa Manuela nacional está cada vez mais bonita.

Se dúvidas restassem, hoje ficou confirmado que o homem mente como respira...

Estranhar não ofende

Um árbitro manhoso, um zé-ninguém no palco da bola, deixou-se corromper e comeu pela medida grande, 6 anos de suspensão.
O corruptor é, nem mais nem menos, presidente de um dos grandes clubes europeus.
Foi punido com 2 anos de suspensão.

É a Justiça Desportiva de uma Liga que mantém o senhor Loureiro pai como presidente da Assembleia Geral.

Honni soit...

O tramBOLHÃO

A vida é assim. Na antiga Birmânia morreram mais de cem mil pessoas, facto que constitui uma simples curiosidade, apenas mais uma notícia para encher os telejornais, entre a fuga de Vale e Azevedo e o atropelamento dos peregrinos.

Pungente, verdadeiramente dilacerante, é a imagem que o SOL nos oferece e que mostra o folclórico Manuel do Laço chorando copiosamente com a queda do seu Boavista na Liga de Honra.

Honra é coisa que não abunda para os lados do Bessa nem do Dragão, nada que não se soubesse há muitos anos.
Mas este país é de brandos costumes, e muito demorou a Justiça até lhes apertar...o laço.

Sem vergonha

A provável suspensão de Pinto da Costa por dois anos não o impedirá de continuar na SAD do Porto. Só não poderá representar o clube oficialmente, dar conferências de imprensa ou sentar-se no banco.

A Liga dos Clubes é o que é, mas lá acabou ( a muito custo) por apontar a dedo os culpados. Pouco importa se o Porto perde seis ou sessenta pontos ou se Pinto da Costa é suspenso por dois ou duzentos anos.
O mais importante é que, no plano desportivo, ficou provado que houve batota, ficou demonstrado que aquilo que toda a gente sabia é verdade.
E fica claro, para quem quiser perceber, que a marosca não se limita àqueles jogos nem àquela época.

Agora, que um alto responsável, depois de declarado culpado, possa continuar a exercer a sua acção no local do crime, é como deixar o Bibi a tomar conta de crianças num internato.

Se Pinto da Costa tivesse vergonha retirava-se do futebol...

Gente bonita

Caso não tenha reparado, ao dirigir-se para o autocarro (ou seja, carro próprio), hoje é o Dia da Europa, facto que o senhor Presidente da República aproveitou para ratificar o Tratado de Lisboa.
Pronto, está tratado, não se fala mais nisso.

Nesta linha de festividade, ouvi há pouco que alguns actuais e antigos eurodeputados vão andar nas ruas a vender a revista "Cais".
Eu, que sou pouco dado a pieguices, fiquei sensibilizado. É um gesto bonito destes pobres emigrantes que, com enorme sacrifício, ganham o pão de cada dia na inóspita Bruxelas, desinteressados e generosos, tudo a bem da Nação.

Por um dia, o Dia da Europa, eles tomam o lugar de outros emigrantes que, de camisola amarela, tentam vender uma revista que a grande maioria recusa.
Um ou outro lá dá uma moedinha ao coitado e segue o seu caminho.

Aqui fica o aviso: se virem a doutora Edite Estrela de camisola amarela, mal amanhada, desgrenhada, a falar pelo nariz ao apregoar a "Cais", não caiam na asneira de lhe dar uma moeda pois ela é bem capaz de aceitar.
É que a vida em Bruxelas está muito cara. O salmão não se pode, as trufas, um escândalo, o foie gras, nem se fala, o Château Laffite, um verdadeiro roubo.

Olha a "Cais", traz a "Cais", vá lá, senhor, tenha dó...

Acessos

A Comissão Disciplinar da Liga de Clubes vai divulgar hoje à tarde as deliberações do processo "Apito Final".
O mais curioso é que as sentenças já andam na Comunicação Social e ninguém acha isso estranho.
Desta vez foi o "Correio da Manhã" que, obviamente, teve acesso prévio (e ilícito, claro) à informação.
A verdade é que a violação do segredo de Justiça é uma prática tão frequente que ninguém contesta.
E nada se faz para apurar quem é responsável pela fuga de informação.

Aconteceu no processo Casa Pia, sucedeu no Apito Dourado, quem se admira que haja ocorrido agora neste Apito Final?
Os senhores que vão, logo à tarde, anunciar que a montanha pariu um dragão com seis palmos a menos deveria sentir-se um pouco ridículo por não estar a dar qualquer novidade ao povo.

Neste país nada nos surpreende já, a não ser quando um automobilista pára antes da passagem de peões...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Dúvidas e certezas

O Partido Comunista Português afirmou hoje que apoia a soberania chinesa no Tibete.
E condena as acusações internacionais contra a política de Pequim.

Nada mais natural, se nos lembrarmos das sábias palavras do camarada Bernardino Soares que tinha muitas dúvidas que a Coreia do Norte não seja uma democracia.

Há quem tenha poucas dúvidas que o PC não seja um partido democrático...

De doidos

Eu bem me esforço, mas há coisas que não consigo compreender. Vinte e cinco por cento, ou seja, uma quarta parte, de todo o investimento realizado, no ano passado, no concelho, foram devidos ao pelouro das obras municipais, que é detido pelo vereador socialista Alberto Gameiro. O facto, que traduz um esforço notável, é tanto mais de assinalar quanto a taxa de execução orçamental foi superior à do ano passado. Se, há uns anos, na oposição, o então vereador Augusto Pólvora tivesse assinado semelhante façanha, logo os comunistas viriam, urbi et orbi, apregoar os méritos e clamar as virtudes do seu trabalho. E, não por acaso, o actual boletim municipal, em edição recente, anuncia para 2009 a conclusão da rede viária da Quinta do Conde. Habilmente, Augusto e os seus camaradas jogam tudo na indistinção para colher os louros de um trabalho que, em boa parte, não é seu, pois há quase doze anos que os socialistas, através de Alberto Gameiro, detêm o pelouro das obras municipais. Que faz, então, presentemente o PS? Chama a atenção para estes resultados apreciáveis alcançados pelo seu vereador? Tira deles dividendos públicos? Não. Nada disso. Limita-se, na Assembleia Municipal, a abster-se na votação do relatório de actividades e conta de gerência, para mais causticando a política do alcatrão que tem vindo a ser seguida. Haverá ainda pés a jeito para se dar um tirinho?

Eu, eu e mais eu...

O ego de algumas pessoas leva-as a dizer e fazer coisas perfeitamente insensatas.
Há dias, faleceu, subitamente, de hemorragia cerebral, Helena Mascarenhas, namorada de João Malheiro, jornalista, comentador disto e daquilo e figura de uma certa faixa do chamado jet 7.

Ora, no funeral, o ilustre comentador disse esta coisa espantosa:
"Ela foi seguramente a mulher que mais me amou".

É possível que seja verdade, mas teria sido muito mais bonito e gentil se o senhor Malheiro tivesse dito que Helena foi a mulher que mais amou.

Mesmo que não seja verdade...

A Suíça dos pequenitos

Estreado em 2007, o Orçamento Participativo de Sesimbra – soube-se agora – teve uma participação de munícipes equivalente a 1% da população do concelho – como é óbvio, houve repetentes, verdadeiros globe-trotters, generosos representantes do mais genuíno espírito aldeão. É um resultado pífio, que não pode deixar de nos fazer lamentar a perda de tempo, o dispêndio de forças e os rios de dinheiro gastos com este brincar à democracia dos cantões.

Pinto da Costa, olé!

"Não admito ser condenado e tenho confiança na Justiça Divina", disse o homem.

Pelos vistos, a mesma convicção não teve a justiça desportiva que condena o presidente do Porto a 2 anos de suspensão, sentença que só constitui surpresa pela benevolência que revela face à gravidade dos factos.

Por outro lado, este Apito Final vem confirmar e reforçar o essencial das acusação do outro Apito, o Dourado.

Entretanto, porque a esperança é a última coisa a perder e porque o Divino pode ser ainda mais benevolente, consta que o senhor Jorge Nuno foi visto a caminhar pela beira da estrada, com um bordão e uma camisola azul e branca, rumo a Fátima...

Náusea

Se a Justiça, em geral, tem a péssima imagem que sabemos, no que toca ao futebol é uma enorme anedota e um poço de suspeição.
Apenas dois exemplos.

Um miúdo de 19 anos, ao jogar pela selecção, tira um cartão das mãos do árbitro. A implacável e impoluta Federação castiga o rapazola com um ano de suspensão.
O treinador Scolari, adulto, calejado, sem margem para desculpa, tenta agredir um adversário e a mesma Federação apenas o castiga com três meses de afastamento.

O Belenenses, por lapso ou descoordenação, utilizou indevidamente um jogador e foi punido com perda de seis pontos.

O Porto tentou corromper árbitros e foi punido com a perda de iguais seis pontos.

Se o futebol está podre, a causa principal é ser governado por gente desta...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

ALÍPIO

Eu não sei se estareis recordados da pose seráfica de Alípio Ribeiro quando declarou que houve alguma precipitação na acusação feita ao casal McCann.
Foi na RTP2, naquele programa que tem por extraordinário título "Diga lá, Excelência".

E a Excelência disse, pausadamente, reflectidamente, de mãos juntas, pesando as palavras. Disse, falou como quem dispara uma flecha dirigida a um alvo preciso, seguro do terrível efeito das suas palavras.
Mais tarde, tentou desculpar-se, mas o mal estava feito. Para a instituição, a Polícia Judiciária, de que era Director Nacional, e para os seus profissionais.

Depois de uma curta travessia de deserto, a Excelência voltou para dar à "Visão" a sua visão sobre o lugar da PJ no seio dos Ministérios.
Dito isso, a Excelência demitiu-se.
E tudo indica que vai ser recompensado, promovido a um cargo novinho em folha, Secretário-Geral da Segurança Interna.
Como se a célebre "precipitação" não tivesse surgido por acaso, antes tivesse sido apenas a senha.
Como se, agora, esta "visão" tivesse sido o sinal, a contra-senha.

Olhem bem para o homem, para aquela cara de monge de "O Nome da Rosa". E digam lá se inspira confiança, se lhe podemos entregar a nossa segurança interna.

Salvo erro, o Conde de Abranhos também se chamava Alípio...

ALÍVIO

O dia de ontem é daqueles que dificilmente sairão da nossa memória.
Se eu fosse muçulmano estaria já a caminho de Meca. Mas não vou porque não sou.
Nem vou a Fátima que é mais perto, mas tenho de exprimir o meu júbilo e a minha plena felicidade porque ontem (Oh, happy day) o nosso Makukula tirou-me um grande peso de cima ao desmentir o nojento boato de que entre ele, Aziza Makukula, e o mister Fernando Bigode Chalana haveria um desaguisado requentado.

Que não, garantiu o nosso Aziza, numa conferência de imprensa como só os nossos heróis da bola sabem dar.

Há dias assim, mágicos, em que nos sentimos transportados por melodias celestiais, em que os pássaros cantam e a vida é bela. É tão bonito, não é?

Obrigado, Makukula, fez-me tão feliz. Nem você calcukula...

TOMa ou traz o JERRIcane

Esta manhã, dirigi-me a uma estação de serviço e comprei dois litros de gasolina super 95 que foram despejados num garrafão de plástico que eu, pelintra e ingénuo, levava.
Executada a função, a simpática empregada informou-me que tal procedimento é, desde há pouco, ilegal.

Ou seja, quem quiser comprar uns litritos de gasosa vai ter de se apresentar com um jerricane, vulgo bidon ou algo parecido, que se vende nas grandes superfícies.

Não sei se anda aqui o dedo (ou o funil) da ASAE, mas fico a perguntar a mim mesmo até quando é que nos vai ser permitido (a nós, homens) urinar sem previamente ter enfiado a mão esquerda (de preferência) numa luva do modelo e na matéria que alguma instância superior há-de determinar.

Mais me explicou a menina que a nossa diligente GNR anda muito atenta ao nosso bem-estar e revista amiúde a mala das viaturas.
E quem for apanhado com o vulgar garrafão de plástico contendo gasolina arrisca-se a pagar uma multa que pode atingir os 3 mil euros.
Compreende-se que o controlo do défice obrigue a sacrifícios; sabemos que o petróleo está pela hora da morte, mas esta do jerricane é de bradar aos céus.

Não sei porquê, mas, por estas e tantas outras, a extremidade da mangueira das bombas da gasolina cada vez mais me faz pensar numa pistola.

Confesso que não me apetece nada comprar um jerricane.

Para quando o regresso à licença de isqueiro?

terça-feira, 6 de maio de 2008

Os donos do riso

Poucas pessoas tinham já paciência para aturar o Herman quando os Gato Fedorento apareceram com alguma imaginação e um outro olhar sobre o povo que somos.
Porém, muito mais depressa do que o Herman, os quatro rapazes começaram a forçar a nota, a repetir a graçola pesada e a saturação chegou.
Parece que vão para a SIC. Boa viagem.

O pior é que vieram outros ainda mais fraquinhos. Foi no domingo, na RTP1 que nós pagamos. Não sei como se chama aquilo, vi só uns bocados em alterne e jurei não voltar.
Um é o Markl, conhecido por ser o homem que mordeu o cão, outro é o Nuno Lopes, outra é a Ruefazita que, desde que saiu das saias do Herman, murchou.

Eu sei que é difícil ter graça, mas a insistência no absurdo, o humor que finge pretender disfarçar que imita o suposto negro, é o cão do Markl a morder a própria cauda.
Ponham o tio Herman a representar, a criar personagens, o Nelo, o Diácono Remédios, nisso ele é muito bom.
E deixem-se de imitar o que vêem nos enlatados de outros universos.

Cada povo tem o seu modelo instintivo de humor, não nos façam passar por estúpidos,
Nós somos exigentes mas espontâneos no riso, e não gostamos que nos ensinem a achar graça ao que não tem.
Por muito que custe aos senhores das Produções Fictícias que são os donos do riso neste Portugal triste...

Época de saldos

O futebol é um tema sempre interessante desde que levado a brincar, mais não merece.
Por isso, o que está acontecer com Mourinho é assaz curioso.

A sua antiga equipa pode nada vir a ganhar, mas chegou a um limiar de destaque invejável.
Entretanto, o Inter tem todas as hipóteses de se sagrar campeão e de manter Mancini; o Real Madrid é campeão de Espanha e o Barcelona anuncia Pepe Guardiola como treinador na próxima época.

Amanhã, tudo isto pode ser virado do avesso, mas é hoje que olhamos para o quadro.
A sorte de Mourinho parece ser a saída de Carvalhal do Vitória sadino.

Algures, na segunda circular, Humberto montou uma barraquinha onde colocou um cartaz que repete a sua disponibilidade para treinar o Benfica...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Oliveirinha da serra

Eu não sei se o Professor José Gouveia está a par do que está a ocorrer em Trás-os-Montes onde estão a ser arrancadas oliveiras centenárias que, depois de preparadas, são vendidas para o estrangeiro a preços que variam entre os 50 e os mil euros.

Quem as vende argumenta que são árvores velhas que produzem menos azeitona do que outras que deveriam ser plantadas sem demora, por forma a serem produtivas daqui por seis ou sete anos.

A mais antiga das oliveiras, com cerca de mil anos, ainda não foi vendida, estando o seu proprietário à espera de uma boa oferta.
Ao que a Magra Carta conseguiu apurar, a esta árvore milenária, por ser a mais valiosa, já foi posto um nome.

É a oliveira Salazar...

A estrela de David

Independentemente do que vier a suceder no próximo domingo, a carreira do Chelsea merece admiração e reflexão.
Com a saída do que é considerado o melhor treinador do Mundo, o clube ficou entregue a um israelita completamente
desconhecido.

Apesar disso, o Chelsea chega à final da Liga dos Campeões depois de afastar o Liverpool que, por duas vezes, eliminara os londrinos conduzidos por Mourinho.

E na Liga inglesa, o título só será decidido na última jornada, entre o actual campeão Manchester United
e este notável Chelsea.

Enquanto Mourinho diz que fica a torcer pelo Chelsea (no que pouca gente acredita), o guarda-redes Peter Che afirma que a equipa está hoje mais forte.

Os mistérios do futebol...

Sem azedume nem acidez

"O Sesimbrense" que acaba de sair surge sob o signo da gastronomia, com metade da primeira página ocupada por uma fotografia onde vemos o Engenheiro e Professor José Gouveia ao lado do chefe Vítor Sobral.

Num dos dois restantes quartos da mesma página, e num exercício algo requentado, a senhora directora seguiu a sua receita habitual, ou seja, escreveu um editorial (sobre o 25 de Abril) sem a menor referência a Sesimbra.
O costume.

Foi pena não terem aproveitado a oportunidade para destacarem o currículo académico e profissional do Professor José Gouveia, uma autoridade mundial em azeite e uma das figuras mais notáveis de Sesimbra.
Enfim, talvez a sugestão não caia em saco roto...

O fim da procissão

De bom para o Sporting, o jogo de ontem só teve três coisas:

- os 3 pontos
- a confirmação de que Polga deve dedicar-se à pesca
- a ideia de que Rui Patrício é muito inseguro

A exibição (?), uma vergonha. O jogo em si, uma tristeza.

Consolação: há quem seja pior...

domingo, 4 de maio de 2008

Nunca se sabe

O dr. Laurentino Dias é um optimista e um brincalhão.
Depois de nos ter explicado que foi uma coisa natural, normal e banal o Estado dar 2 milhões de euros para safar o piloto Tiago Monteiro de uma incómoda situação contratual, vem agora afirmar que Portugal está em condições de se habilitar à organização do Mundial de Futebol de 2018.

Quem olhar, de longe, do alto das janelas da FIFA, para o panorama futebolístico do nosso país, encontra grande número de clubes que não paga a tempo aos jogadores, broncas como a que vitimou o Gil Vicente, uma Federação e uma Liga que não ligam,etc.

E, o pior, uma vergonha colossal (sejam quais forem as conclusões) que se chama Apito Dourado.
O próprio presidente da Liga, Valentim Loureiro, é arguido pesado no processo e continua em funções, como se não conhecesse a mulher de César.
Ah, é verdade, já me esquecia, temos os famosos 10 estádios do defunto desígnio nacional que foi o Euro 2004. Aquilo é que foi visão!

Portugal sempre foi um país de visionários, não admira por isso este rasgo de confiança, de ambição, de empreendedorismo.
Calem-se os velhos do Restelo, o homem é capaz de ter razão, há que fazer das fraquezas forças e pôr o nosso país na agenda do Mundial.

Há Dias de sorte...

Credulidade

Conta-se, e eu acredito, que, anteontem, um amolador percorria fleumaticamente a avenida da Liberdade, assobiando como só os amoladores sabem, prenunciando chuva e sugerindo cirurgia reconstrutiva em tesouras e facas de alguidar.

Eis senão quando, ao aproximar-se da Biblioteca, uma senhora de cabelo ruivo lhe perguntou se podia executar um trabalhinho mais minucioso e algo secreto.

O homem declarou-se logo disponível e, ao que se conta, esteve largos minutos a afiar um lápis azul que, na passada semana, foi sujeito a intensa actividade.

Conta-se. E eu acredito...

Sim, como?

Nos últimos dias muito se falou na marcha pela marijuana.
E, repetidas vezes, ouvi este admirável esclarecimento:

1 - segundo a lei, é permitida a posse de pequena quantidade para consumo pessoal
2 - o cultivo da planta é proibido
3 - a compra e a venda são proibidas

Pergunto eu: sendo assim, onde e como posso eu arranjar a tal pequena quantidade?

Calendário

Ontem, foi o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Hoje, feriado municipal, a Biblioteca da Dr.ª Guilhermina continua lá, colocada como um ponto final nesse trecho pleno de ironia, que se intitula Avenida da Liberdade.

sábado, 3 de maio de 2008

A dona da bola

Antigamente, quando a rapaziada jogava onde podia, na praia, nas ruas, nos descampados, havia uma figura central que exercia grande influência no meio. Era o dono da bola.
Muitas vezes, quase sempre, tratava-se de um elemento pouco dotado e que só jogava precisamente por isso, por ser o dono da bola.

Nos nossos dias acontece algo parecido. Veja-se o caso da vereadora da Biblioteca.
O PS indicou-a, o PC recebeu-a e ela passou a ser a dona da bola.
Como não percebe, não tem jeito e até tem raiva a assuntos menos triviais, a senhora amua e decide que a equipa dos Filósofos não joga com a bola dela.

No dia em que se homenageou um craque sesimbrense da equipa dos Filósofos, de seu nome Rafael, a dona da bola não ousou proibir o jogo, mas abandonou o campo mal a partida começou.

Agora apareceu um jogador a dar uns toques e a mostrar que a senhora pouco percebe de futebol. Vai daí, a dona da bola chuta para onde está virada, apita, levanta a bandeirinha e mostra um vermelho directo, não admitindo que alguém a possa criticar.

Não sabemos se contactou a UEFelícia ou a FIFAugusto, só sabemos que proibiu o acesso, fechou as portas do estádio dos livros e dos livres directos ao jogador e aos seus companheiros.
Ao que parece, a senhora não joga nem deixa jogar, não passa a bola a ninguém.

É provável que esteja na forja uma chicotada psicológica...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Quase, quase...

Soube-se hoje que o sargento Luís Gomes escreveu um livro, "Amo-te, filha!".
Nada mais natural neste país onde parece haver mais escritores do que leitores.
Não há cão nem gato que não escreva (ou finja escrever) um livro, desde o senhor Mantorras até aos inspectores da Judiciária que tão bem conduziram as investigações no caso da pequena Maddie.

Por isso o sargento Gomes resolveu lançar este grito de amor por Esmeralda, nome fictício da menina e que nos faz pensar na heroína do célebre romance "Nossa Senhora de Paris".
Curiosamente, no romance, o apaixonado de Esmeralda era o feioso Quasimodo, enquanto o sargento Gomes tem andado quase mudo por causa do segredo de Justiça.
E, já que não pode falar, escreve.

Esta notícia vem, aliás, dar razão à quase competente vereadora da Biblioteca que fez muito bem em recusar a apresentação de mais um livro nos seus domínios.
Sim, para quê, dona Guilhermina? Livros há muitos...

É só fazer as contas

Conta-nos o bem informado SOL que o mágico David Blaine alcançou um máximo mundial ao permanecer 17 minutos e 4 segundos debaixo de água sem respirar.

Com o devido respeito, e sem ousar duvidar da seriedade das instâncias envolvidas, a Magra Carta cumpre o dever de informar que a marca alcançada por Blaine fica muito aquém da realizada por um servente de pedreiro que caiu de um penhasco na ponta de Sagres e, passados três meses, ainda não apareceu...

É d'homens!

Hoje, no Parlamento, foi feito um minuto de silêncio pela morte do Cónego Melo, facto que levou os deputados do Bloco de Esquerda e alguns do PS (como Manuel Alegre) a abandonar o hemiciclo.
O PCP manteve-se no seu lugar, honra lhe seja feita.

Gostaria de ter visto estas virgens ofendidas (mas bem pagas, com os nossos impostos), com justificado horror estampado nas facezinhas ruborizadas, saírem daquele antro de perdição, às arrecuas, benzendo-se, recitando Vade retros e mortificando-se com cilícios de pantomina.

Em contrapartida, pude ver gente desses mesmos BE e PS debaterem na televisão, na RTP do contribuinte, em amena galhofa, com esse ícone da democracia, esse modelo de humanismo que é o senhor Otelo.

Espero que tenham recuperado da náusea da indignação e estejam postos em sossego, eles que, com este acto de bravura, se mostraram dignos filhos desta Nação valente...

Conversículos satânicos

Por fazermos questão de prestar aos nossos leitores informação fidedigna e actualizada, o repórter da Magra Carta procurou o autor do livro "Conversas, Com Versos e Com Ventos" que nos confirmou que a Biblioteca já oficializou a recusa da sala para apresentação da obra.

Mais esclarece António Cagica Rapaz que a senhora vereadora não devolveu o exemplar do livro que acompanhou a proposta da Editora.

Assim sendo, o autor faz saber que qualquer leitor da Magra Carta interessado pode deslocar-se à Biblioteca e pedir que lhe seja entregue o exemplar em questão.

Questão por questão, Cagica Rapaz prefere que o livro seja oferecido ao primeiro leitor que o reclame na Biblioteca, pois não há qualquer motivo para que a vereadora Guilhermina fique com um livro que lhe queima as mãos.

Já que não parece pesar-lhe na consciência...

DINHEURO

Eu gosto de trocadilhos, foge-me o pé para driblar as palavras, sabe-me bem e fico satisfeito quando as coisas me saem de feição, na passada, sem matar a cabeça, esforço que anula a espontaneidade.

E foi assim que, há dias, num diálogo através do Messenger, o malandro do meu filho escreveu dinheuro, por lapso que imediatamente aproveitou para salientar o curioso trocadilho assim obtido.

Fiquei cheio de inveja por não poder assumir a paternidade do feito e limito-me a ficar orgulhoso por ser o pai do fabricante de dinheuro...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A Idade da Inocência

Os chineses é que têm aquela coisa esquisita de dar nomes de animais aos anos. Nós por cá só fazemos isso no futebol, com o dragão, a águia e o leão.
Quanto ao resto, somos mais por falar de idades, a da Pedra, a Média, a Moderna, até chegarmos à que melhor caracteriza o Portugal de hoje, o que sai à rua, logo à tarde, a Idade da Inocência.

Somos o País que aclama um primeiro-ministro que promete e não cumpre, mas, sobretudo, somos o país que elege Felgueiras, Valentim e Isaltino porque os achamos inocentes.

Pinto da Costa clama inocência por todas as esquinas, João Loureiro diz que não foi ele, o papá Valentim garante que vai ganhar por 15-0 e agora temos o extraordinário Avelino Ferreira Torres a dizer que se está marimbando para tudo, metáfora subtil que encontrou para gritar que nada fez.

O Governo jura que não tem culpa da subida incessante dos preços dos combustíveis e afiança que vai (só agora) tratar das cataratas aos portugueses.

É mais que tempo, porque ou somos uma cambada de inocentes ou andamos mesmo de olhos fechados...