Caro Senhor Carteiro,
Acabei de ler esta sua entrada. Dados os termos em que nela sou envolvido, achei por bem deixar aqui alguns esclarecimentos, a cujo pedido de publicação, como é de justiça, o Senhor Carteiro não deixará de atender. Antes, porém, quero agradecer-lhe as palavras simpáticas, porém imerecidas, que me dirige. Bem-haja. Quanto ao resto…
1 – Começarei por lhe dizer que, no essencial, sou alheio ao processo de solicitação da cedência da sala polivalente da Biblioteca Municipal de Sesimbra para a sessão de lançamento do meu mais recente livro. Isso foi tratado com os serviços da Biblioteca pelo meu editor. Claro está que, tendo por ele sido consultado para o efeito, lhe dei a minha anuência.
2 – Não vejo por que motivo haveria a Vereadora do Pelouro das Bibliotecas Municipais de recusar a cedência daquela sala para a realização do lançamento de “O Céu e o Quadrante”. Se bem que a sua anterior decisão de impedir a continuidade de um trabalho cívico e cultural livre e gratuitamente desenvolvido por alguns munícipes me parecesse – e continue a parecer – errada e, sobretudo, injustificada, o que deu origem a um caso escusado e sumamente lamentável.
3 – Quanto a ter ela estado ausente, na tarde de ontem, da referida sessão, é algo que, basicamente, me transcende. Quer dizer, não me causa incómodo nem me suscita curiosidade. Não escrevo livros de filosofia portuguesa com o propósito de me fazer rodear de políticos. Isto tanto vale para a Dr.ª Guilhermina Ruivo, como para qualquer outro autarca. Mas, no lance, será oportuno consignar o quanto me agradou a presença, na referida sessão de lançamento, do meu querido amigo Amadeu Penim, que, de resto, estava ali apenas como amigo, e não como autarca.
4 – Sei, todavia, que, por presumíveis razões de deferência institucional, o meu editor decidiu incluir na sua “mailing list” os endereços electrónicos de alguns autarcas do concelho. Não me parece mal.
5 – Tudo o que acabo de dizer não me impede, como é evidente, de publicamente reiterar o meu protesto pelo acto censório a que, por decisão da senhora Vereadora Dr.ª Guilhermina Ruivo, foi sujeito o livro “Conversas Com Versos e Com Ventos”, da autoria do meu querido amigo António Cagica Rapaz, livro que tive a honra e o prazer de posfaciar e de apresentar no Clube Sesimbrense. É um acto intolerável, que, inexplicavelmente, não mereceu – salvo erro ou omissão – qualquer censura pública ou reparação da parte do Senhor Presidente da Câmara, Arquitecto Augusto Pólvora. É uma página muito triste da vida comunitária sesimbrense…
6 – Quanto ao mais, é verdade que, no passado dia 3 de Maio, durante a cerimónia inaugural da exposição de fotografia da minha querida amiga Denyse Gérin-Lajoie, no Auditório Conde de Ferreira, a Dr.ª Felícia Costa me abordou pessoalmente, manifestando-me o seu interesse na minha colaboração num próximo número da revista “Sesimbra Cultura”. Tratava-se, segundo ela, de que eu não me sentisse excluído de um projecto ao qual, como a própria, na altura, fez questão de referir, estivera ligado durante alguns anos. O meu amigo António Cagica Rapaz presenciou toda a conversa. Ele é a testemunha a que o Senhor Carteiro se refere. Mais declarou a Dr.ª Felícia Costa ser sua intenção, após o seu regresso da Douzelage, convidar-me para um almoço, ou um cafezinho, para abordar detidamente o assunto. É óbvio que sempre declinaria tão gentil quanto surpreendente convite. Mas, para o efeito, teria de fazer acompanhar a recusa de certas explicações, porventura algo demoradas. Por respeito à Denyse, não seria aquele o momento conveniente para o fazer, pelo que respondi, então, à Dr.ª Felícia Costa aguardar o seu ulterior contacto. Como, entretanto, esse contacto não surgiu, presumo que a Dr.ª Felícia tenha mudado de ideias, o que me parece uma decisão bastante razoável.
7 – Com efeito, em 30 de Agosto de 2006, na sequência dos lamentáveis acontecimentos que envolveram a realização do Colóquio “Agostinho da Silva e o Espírito Universal”, incluído, manu militari, e à revelia do grupo de munícipes que o organizou, numa recepção à comunidade educativa, tive ocasião de escrever no blogue “Sesimbra e Ventos” – e não fui o único a fazê-lo –, que muito dificilmente colaboraria pessoal, voluntária e directamente com a Dr.ª Felícia Costa em qualquer iniciativa que esta entendesse promover, uma vez que era crítico frontal das suas políticas – não obstante ali tenha consignado gostar de saber que o meu trabalho fosse reconhecido e apreciado por quem quer que fosse. Aliás, algumas semanas depois do sucedido, o senhor Presidente da Câmara, Arquitecto Augusto Pólvora – que em Novembro de 2005, num acto de gestão de inquestionável legitimidade, decidira prescindir dos serviços que eu então prestava à autarquia –, teve a gentileza de publicamente me agradecer o trabalho com que eu, já desvinculado da autarquia havia alguns meses, contribuí para a edição do livro “Estudos Históricos e Outros Escritos”, de Joaquim Rumina.
Na expectativa de ter contribuído para o esclarecimento do Senhor Carteiro e dos leitores, subscrevo-me com cordiais saudações.
Pedro Martins