quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Bai um liso?


Em Itália, no decorrer da Festa da Uva, na cidade de Marino, um erro no manuseamento das alavancas fez que das torneiras das casas saísse o vinho branco destinado à fonte principal.
Imagine-se a surpresa e a satisfação dos habitantes daquela cidade alguns dos quais, provavelmente, terão acreditado estarem perante um novo milagre.
Afinal, na tão católica Itália, quem não ouviu falar das bodas de Caanan?
Outros poderão ter imaginado tratar-se de uma dádiva de Berlusconi.
Daí que vos deixe um conselho: ao abrirdes as vossas torneiras, lembrai-vos que delas pode brotar vinho branco ou tinto, consoante a opção que o nosso José Sócrates tiver feito.
Ele que nos suga o sangue, talvez nos retribua com briol, o que daria grande prazer ao Zé Cuscopos, um excelso comentador desta modesta Carta...

Eu não dizia?


A tão propalada crise dá lugar aos mais delirantes exercícios de futurologia política, havendo por aí mil teses sobre a recomposição (ou a destruição) do xadrez político tradicional, mais concretamente a relação de forças e de conteúdos ideológicos de Direitas e Esquerdas.
Eu que nada percebo destas coisas nem por isso abdico de um palpite, razão pela qual ouso adiantar que a Esquerda tem nos pés uma oportunidade de golo que nem o Makukula desperdiçaria.
De facto, a mundialização e o capitalismo desenfreado ruíram nos seus fundamentos, implodiram, num hara-kiri que só pode ser programado e não fruto de um impulso descontrolado.
Sentada no fundo da sala, recitando velhas e bolorentas teses, a Esquerda vê-se agora na obrigação de se chegar à frente e aproveitar uma ocasião única, retomando a sua matriz social e acrescentando uma pitada de ambientalismo. E pronto.
Perante uma Direita esfrangalhada, a Esquerda pode agora ganhar.
Não por mérito próprio, mas por falta de comparência...

Salomão


O senhor Procurador-Geral da República é um sábio.
A propósito do caso Esmeralda, Pinto Monteiro afirmou que a disputa entre o pai biológico e a família de acolhimento só terminará quando a menina atingir os 18 anos.
Ou seja, o despique pela menor acaba quando ela for maior.
Bem pensado, não é?

Abençoados


José Luís Judas, antigo presidente da Câmara de Cascais, e o empresário Américo Santo eram arguidos num processo que dizia respeito a negócios entre a autarquia e o construtor.
Afinal, o tribunal de Cascais decidiu que não irão a julgamento, tendo o juiz decretado o oportuno arquivamento.
Por que será que ninguém se admira?
Pelo contrário, toda a gente acha natural, quanto mais não seja porque este encontro só poderia terminar empatado, uma vez que, se é verdade que um é Judas, o outro é Santo.
Tudo acaba em bem, na paz dos senhores...

Crise suspeita


Esta crise internacional tem sido analisada sob mil ângulos por incontáveis peritos na matéria, pelo que não virá mal ao Mundo se um ignorante como eu meter também o bedelho.
Eu compreendo o desespero e a impotência dos governantes quando ocorrem tufões, tornados, maremotos, fenómenos naturais que escapam a qualquer forma de controlo, que surpreendem e devastam impiedosamente.
Um terramoto financeiro, porém, não tem o seu epicentro no fundo do mar ou numa falha tectónica situada no Grande Canyon.
O mercado financeiro, embora autónomo, tem regras próprias, mecanismos, dispositivos, normas de conduta, estratégias, balizas que não surgiram abruptamente vomitadas por um vulcão ou arrastadas por uma maré imparável. Não. Foram os homens que determinaram as leis dos jogo financeiro e nada do que está a acontecer é estranho à vontade de quem governa, de quem manda, aos mais diversos níveis.
Não foram os computadores que endoideceram, é a mão do homem que está por trás.
Ao ouvir falar os sábios, fica-se com a ideia de que ninguém tem culpa e ninguém tem poder para travar a hecatombe. É um pouco como vermos comandantes, pilotos, mecânicos de voo, todos imóveis a olhar para um avião que, sem alguém aos comandos, vai avançando na pista ao fundo da qual há um abismo.
Alguém construiu aquele avião; alguém o pilotou durante anos; alguém lhe conhece as entranhas. O aparelho não tem vida própria, não se põe em marcha sozinho. O homem o criou, o homem tem de o deter.
A não ser que alguém tenha dado um empurrãozinho, nesta altura específica...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O cuco


O "Jornal de Sesimbra" acaba de me chegar às mãos e foi com alguma surpresa que deparei com um artigo de opinião assinado pelo dr. David Sequerra.
Como se sabe, o senhor foi colaborador e, depois, director de "O Sesimbrense", pelo que é estranha esta incursão em território da concorrência.
O pretexto é um interessante artigo de Francisco Reis Marques (pessoa que o dr. Sequerra aponta como sendo um amigo dos bons) sobre estatuária e arte.
O dr. Sequerra, que se apresenta como um "sesimbrense" gentilmente adoptado (sem especificar por quem), logo de entrada, faz questão de sublinhar (sem falsas modéstias) que a ideia da estatuária não é do amigo Xico mas sua, dele, amigo David.
É verdade que o dr. Sequerra já abordara este tema, havendo até quem (mentes maldosas), na altura, tivesse insinuado que o propósito último (ou primeiro) do senhor era ver um busto seu erguido para a posteridade num largo qualquer, do Grémio ou da Marinha.
O que espanta é que este artigo, retomando um assunto cuja paternidade vem reivindicar, não tenha sido publicado no jornal "O Sesimbrense".
Ora, seria perfeitamente natural que tal sucedesse, até como forma de lançar um saudável despique entre os dois jornais da terra.
Será que algo vai mal em "O Sesimbrense"?
Pelo que é perceptível, o dr. Sequerra fez mais uma das suas. Por um lado, puxando pelos galões e pondo em sentido o velho companheiro Xico. Por outro, pondo um oportuno
na porta do "Jornal de Sesimbra", como quem vem apenas dar um abraço ao amigo Reis Marques.
Será que temos transferência à vista? Se assim for, não acredito que seja a custo zero porque o dr. Sequerra nunca correu para aquecer.
Feliz deve estar o amigo Xico. E honrado com os elogios do doutor...

Transparência a potes


Um grupo de senhores bem vestidos e bem intencionados vai ao mercado, compra meia dúzia de potes e depois escolhe, muito bem escolhidos, os nomes dos clubes que, de seguida, introduzem em cada um dos recipientes.
Prescindindo de as levar a aquecer em lume brando, colocam as ânforas numa mesa, convocam rádios e televisões, e, depois, executam um ritual da mais pura transparência a que chamam sorteio.
Os senhores jornalistas, cúmplices predilectos da mascarada, tomam boa nota e divulgam os resultados que constituem os títulos maiores na abertura dos telejornais. E o bom povo vibra com a perspectiva das grandes emoções que aí vêm, ao som dos hinos uefeiros, com os cachecóis bem esticados, Deus seja louvado, é a felicidade que entra em nossas casas.
E tudo por obra generosa e filantrópica de uns senhores bem vestidos que, lá na beatífica Suíça, tratam de tudo por nós, até fazem escolhas prévias para simplificar aquela maçada do sorteio.
E quando algum dirigente se mostra agastado com a bolinha do "sorteio", há sempre um senhor bem vestido que lhe explica, delicadamente, que foi o destino que assim quis, uma vez que a tal bolinha foi o pote que a pariu...

O rabo da porca


A forma inglesa distort significa torcer, retorcer, alterar, o que não impediu os nossos tecnocratas modernos de lhe atribuírem o significado de distorcer.
Está-se mesmo a ver, distort, distorcer. E vai daí, sobretudo a propósito da concorrência, o que impera é o elegante verbo distorcer.
E aqui é que a porca torce (ou distorce?) o rabo porque, em bom português, distorcer (ou destorcer) significa precisamente o contrário do inglês distort.
Ou seja, a combinação dos preços da gasolina não distorce a concorrência. Pelo contrário, torce, afecta, adultera, transtorna, fere a concorrência.
Distorcer significa endireitar, corrigir, repor como deve ser.
Dizia-se antigamente que de pequenino é que se torce o pepino.
Era dantes, no tempo em que se falava português...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008


O regresso dos Gato Fedorento, com o seu "Zé Carlos", foi precedido de uma verdadeira intoxicação promocional que de nada serviu face ao modelo clássico da TVI que, com a novela "Fascínios", conquistou o dobro da audiência da SIC.
Neste tempo de incertezas e preocupações, o pagode tem mais vontade de se deixar embalar por intrigas amorosas de faca e alguidar do que de rir ou sorrir com piadas requentadas.
Talvez se tenha sobrevalorizado o talento dos "Gato", havendo quem tenha gostado muito mais dos "Contemporâneos" que, na RTP, Bruno Nogueira, Nuno Lopes, Maria Rueff e outros souberam fazer com originalidade e inteligência.
Este país não está para folias e o próprio Herman caiu no patamar inferior de apresentador de concursos manhosos.
O povo gosta é do Fernando Mendes, e está tudo dito.
Como ouvi, há dias, a um dos grandes filósofos portugueses, o país está depauperado culturalmente, entre outras razões porque os discípulos de Sócrates são socretinos...

Primeira ajuda


Há pouco, no Metropolitano, vi vários cartazes com a seguinte mensagem publicitária "Sabia que agora o Saúde 24 pode ajudá-lo com a sua diabetes?"
O busílis está neste com que aqui coloco mais grosso para melhor compreensão. Eu explico.
Antigamente os pedintes perguntavam "Pode ajudar-me com alguma coisinha?". Ou seja, o com precedia e identificava a ajuda, neste caso uma moeda.
Por isso, no cartaz do Saúde 24 há um erro pois ninguém deseja ser ajudado com a diabetes. Ninguém, em seu perfeito juízo, quer receber a diabetes, obrigadinho por tal ajuda.
Provavelmente é uma má tradução do inglês to help with, e correcto seria ajudá-lo a lidar com a sua diabetes ou a tratar a sua diabetes.
Enfim, é apenas uma curiosidade, mais uma, que serve para mostrar como a nossa língua vai sofrendo entorses provocadas por influências estranhas e explicadas pelo fraco conhecimento de quem escreve estas coisas.
Alguém deveria pegar o touro pelos cornos e dar
a estas criaturas uma ajuda com a língua portuguesa...

domingo, 5 de outubro de 2008

A palavra caída do Céu (sem o Quadrante)

Caro Senhor Carteiro,


Acabei de ler esta sua entrada. Dados os termos em que nela sou envolvido, achei por bem deixar aqui alguns esclarecimentos, a cujo pedido de publicação, como é de justiça, o Senhor Carteiro não deixará de atender. Antes, porém, quero agradecer-lhe as palavras simpáticas, porém imerecidas, que me dirige. Bem-haja. Quanto ao resto…


1 – Começarei por lhe dizer que, no essencial, sou alheio ao processo de solicitação da cedência da sala polivalente da Biblioteca Municipal de Sesimbra para a sessão de lançamento do meu mais recente livro. Isso foi tratado com os serviços da Biblioteca pelo meu editor. Claro está que, tendo por ele sido consultado para o efeito, lhe dei a minha anuência.

2 – Não vejo por que motivo haveria a Vereadora do Pelouro das Bibliotecas Municipais de recusar a cedência daquela sala para a realização do lançamento de “O Céu e o Quadrante”. Se bem que a sua anterior decisão de impedir a continuidade de um trabalho cívico e cultural livre e gratuitamente desenvolvido por alguns munícipes me parecesse – e continue a parecer – errada e, sobretudo, injustificada, o que deu origem a um caso escusado e sumamente lamentável.

3 – Quanto a ter ela estado ausente, na tarde de ontem, da referida sessão, é algo que, basicamente, me transcende. Quer dizer, não me causa incómodo nem me suscita curiosidade. Não escrevo livros de filosofia portuguesa com o propósito de me fazer rodear de políticos. Isto tanto vale para a Dr.ª Guilhermina Ruivo, como para qualquer outro autarca. Mas, no lance, será oportuno consignar o quanto me agradou a presença, na referida sessão de lançamento, do meu querido amigo Amadeu Penim, que, de resto, estava ali apenas como amigo, e não como autarca.

4 – Sei, todavia, que, por presumíveis razões de deferência institucional, o meu editor decidiu incluir na sua “mailing list” os endereços electrónicos de alguns autarcas do concelho. Não me parece mal.

5 – Tudo o que acabo de dizer não me impede, como é evidente, de publicamente reiterar o meu protesto pelo acto censório a que, por decisão da senhora Vereadora Dr.ª Guilhermina Ruivo, foi sujeito o livro “Conversas Com Versos e Com Ventos”, da autoria do meu querido amigo António Cagica Rapaz, livro que tive a honra e o prazer de posfaciar e de apresentar no Clube Sesimbrense. É um acto intolerável, que, inexplicavelmente, não mereceu – salvo erro ou omissão – qualquer censura pública ou reparação da parte do Senhor Presidente da Câmara, Arquitecto Augusto Pólvora. É uma página muito triste da vida comunitária sesimbrense…

6 – Quanto ao mais, é verdade que, no passado dia 3 de Maio, durante a cerimónia inaugural da exposição de fotografia da minha querida amiga Denyse Gérin-Lajoie, no Auditório Conde de Ferreira, a Dr.ª Felícia Costa me abordou pessoalmente, manifestando-me o seu interesse na minha colaboração num próximo número da revista “Sesimbra Cultura”. Tratava-se, segundo ela, de que eu não me sentisse excluído de um projecto ao qual, como a própria, na altura, fez questão de referir, estivera ligado durante alguns anos. O meu amigo António Cagica Rapaz presenciou toda a conversa. Ele é a testemunha a que o Senhor Carteiro se refere. Mais declarou a Dr.ª Felícia Costa ser sua intenção, após o seu regresso da Douzelage, convidar-me para um almoço, ou um cafezinho, para abordar detidamente o assunto. É óbvio que sempre declinaria tão gentil quanto surpreendente convite. Mas, para o efeito, teria de fazer acompanhar a recusa de certas explicações, porventura algo demoradas. Por respeito à Denyse, não seria aquele o momento conveniente para o fazer, pelo que respondi, então, à Dr.ª Felícia Costa aguardar o seu ulterior contacto. Como, entretanto, esse contacto não surgiu, presumo que a Dr.ª Felícia tenha mudado de ideias, o que me parece uma decisão bastante razoável.

7 – Com efeito, em 30 de Agosto de 2006, na sequência dos lamentáveis acontecimentos que envolveram a realização do Colóquio “Agostinho da Silva e o Espírito Universal”, incluído, manu militari, e à revelia do grupo de munícipes que o organizou, numa recepção à comunidade educativa, tive ocasião de escrever no blogue “Sesimbra e Ventos” – e não fui o único a fazê-lo –, que muito dificilmente colaboraria pessoal, voluntária e directamente com a Dr.ª Felícia Costa em qualquer iniciativa que esta entendesse promover, uma vez que era crítico frontal das suas políticas – não obstante ali tenha consignado gostar de saber que o meu trabalho fosse reconhecido e apreciado por quem quer que fosse. Aliás, algumas semanas depois do sucedido, o senhor Presidente da Câmara, Arquitecto Augusto Pólvora – que em Novembro de 2005, num acto de gestão de inquestionável legitimidade, decidira prescindir dos serviços que eu então prestava à autarquia –, teve a gentileza de publicamente me agradecer o trabalho com que eu, já desvinculado da autarquia havia alguns meses, contribuí para a edição do livro “Estudos Históricos e Outros Escritos”, de Joaquim Rumina.


Na expectativa de ter contribuído para o esclarecimento do Senhor Carteiro e dos leitores, subscrevo-me com cordiais saudações.

Pedro Martins

Ingrato


Era de esperar. Há muito tempo. CDS vira costas ao PCP.
Com efeito, soubemos hoje que o ex-presidente da Câmara de Setúbal, Carlos de Sousa, abandonou o PCP. Quem se admira?

Alcatruzes


Como alguns leitores talvez saibam, teve ontem lugar o lançamento do novo livro do Dr. Pedro Martins "O Céu e o Quadrante", obra que reforça o seu prestígio no panorama da Filosofia Portuguesa. A cerimónia teve lugar na Biblioteca Municipal.
As voltas que o mundo dá. Ainda há meses, a senhora Vereadora Guilhermina Ruivo foi (justamente) criticada por ter posto fora da sua Biblioteca os filósofos que lá organizavam uns colóquios de vez em quando.
Daí a agradável e redentora surpresa do magnânimo gesto da senhora Vereadora ao autorizar o evento no local cujas portas fechara na cara dos amigos da sophia.
Pena foi que a senhora doutora não tivesse podido estar presente, certamente porque outros valores mais altos que Sócrates, Platão e Sampaio Bruno a terão retido algures.
Pena terá sentido ainda Pedro Martins ao perceber que a senhora Vereadora da Cultura, dra. Felícia Costa, também esteve ausente. Tanto mais que as relações entre ambos são tão cordiais que a doutora Felícia, há pouco tempo, no Auditório, convidou o filósofo para um almoço.
É verdade. De fonte segura, sei que há uma testemunha ocular e auditiva.
Pouco satisfeito mostrava-se ontem António Cagica Rapaz. E com inteira razão.
Como estareis porventura recordados, a dra. Guilhermina, em Maio, não autorizou o lançamento do livro "Conversas, Com Versos e Com Ventos" na sua Biblioteca, facto altamente estranho por se tratar de um autor sesimbrense e de uma obra sobre Sesimbra.
Ao passo que o dr. Pedro Martins não nasceu em Sesimbra e o seu livro nada tem a ver com a terra.
Associando a gentileza da dra. Guilhermina ao convite da dra. Felícia, será legítimo deduzir que Pedro Martins não só está perdoado como vai voltar?

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Catrefada??


Um jornalista do gratuito "Metro" usou hoje a palavra catrefada, populismo muito ouvido mas, felizmente, pouco visto na forma escrita.
Igualmente errada é a forma catrefa que é uma corruptela de caterva. Fica o registo.
Ontem, no programa "Quadratura do Círculo", António Lobo Xavier disse por duas vezes intoxicar, pronunciando intochicar em vez do correcto intocsicar.
Estas pessoas que falam e escrevem para o grande público deveriam ter mais cuidado, evitando intoxicar-nos com asneiras a metro...

Saloiice


Confesso que não tinha dado por isso, mas acabei de ser informado que hoje é o Dia Mundial do Sorriso.
Como não podia deixar de ser, esta notícia fez-me sorrir, não por respeito à efeméride, mas simplesmente porque esta invenção dos Dias Mundiais é das coisas mais idiotas que conheço.
Parafraseando o inteligente Saramago, a estupidez não escolhe dias, não folga nem faz greve, está sempre connosco, passando a maior parte do tempo dentro dos televisores que são a nossa companhia de cada instante.
Vá lá, sorria, é para a TVI...

Às avessas


Já ninguém se entende nem consegue situar os valores tradicionais.
Quando nos USA, expoente maior do capitalismo desenfreado, o Estado acorre a salvar instituições financeiras, é de nacionalizações que se trata.
A Comissão Europeia, que impõe regras até sobre o picotado do papel higiénico, fica muda perante as ajudas de Estado a bancos privados, nem sequer tentando arranjar a desculpa da excepção, pois sabe que esta começa a ser regra
Estas intervenções dos Estados são como as massagens nas praias do Allgarve, sabemos como começam, não sabemos como acabam.
Por cá, num tema piegas, temos igualmente o sistema invertido, salvo seja. Na questão dos casamentos entre homossexuais, o conservador PSD concede liberdade de voto enquanto o humanista PS impõe disciplina partidária.
Razão tem o inteligente Saramago quando diz que a estupidez não escolhe entre cegos e não-cegos.
Só não sabemos quem é o pior cego...

Erros da mocidade


Jovem é uma palavra meiga e é a escolhida para designar três indivíduos que assaltaram uma loja, em pleno dia, na Amadora. Um deles, ameaçou a dona da loja com uma pistola enquanto outro a violava. Tudo simples, coisa de jovens, dois com 15 e o outro com 16 anos.
Os dois menores já tinham uma longa lista de crimes, mas, uma vez ouvidos pelo Tribunal de Menores, foram entregues às famílias. Compreende-se, o lugar de jovens tímidos, ingénuos e delicados como estes, deve ser no seio carinhoso da família.
O outro assaltante, de 16 anos, ficou em prisão preventiva.
Há quem pense que a maturidade e o grau de consciência dos jovens não deveriam ser aferidos pelo que consta do bilhete de identidade, mas pela análise objectiva e ampla das condições que envolvam o crime cometido.
Assim, se um jovem é capaz de assaltar e violar, deve ser considerado responsável e punido de harmonia com a natureza do crime cometido, em vez de ser colocado de imediato no altar dos inocentes apenas por ser menor.
A idade (e outros factores) só deveriam ser atenuantes.
Ninguém duvida que estas famílias vão dar muito tau-tau aos dois jovens. Pressinto mesmo que, por castigo, vão descalços para a cama.
Entretanto, a dona da loja fica com a vida destroçada. Azar. Quem a manda ter uma loja?
Só falta que a nossa querida televisão chame a este caso um homejacking. Ou um rapejacking.
É esta a deliciosa pátria nossa amada onde alguns jovens são uns amores...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Afirma Pereira

Nas “Ondulações” que assina no mais recente número de “O Sesimbrense”, o Eng.º Eduardo Pereira faz o elogio, com historial incluso, do CECAS-RL, tomando como propósito a recente inauguração do centro cultural daquela associação. O leitor que se der ao trabalho de conferir no jornal aquilo que lhe digo neste blogue poderá verificar que, trocada por miúdos, a prosa muito explicada do colunista redunda nisto: em três décadas, “por falta de meios”, a acção da dita colectividade circunscreveu-se à edição de um jornal e à criação e organização de uma biblioteca, em Santana, com um apreciável número de volumes.

Pereira, está bem de ver, não afina exactamente pelo diapasão laudatório que, há poucos dias, pudemos surpreender na emérita “Acontece” de Augusto. Se bem que, a dado passo do seu escrito, nos afirme misteriosamente que “a dimensão cultural do Raio de Luz” “foi crescendo ao longo de trinta e tal anos de luta”.

Verificando eu que, na sua resenha de três décadas, o antigo ministro de Mário Soares não consegue inscrever a crédito do CECAS, para além das já apontadas, qualquer outra iniciativa digna de registo – uma exposição, um colóquio, uma conferência, uma edição ou uma visita guiada –, não pode deixar de me fazer alguma espécie a desmesurada esperança que o articulista deposita no futuro daquela instituição, na qual os poderes públicos investiram recentemente muitas dezenas de milhares de contos.

Para mais, o Eng. Eduardo Pereira, que vem pontificando no grupo OBSERVA, sabe, por experiência própria, que, com um punhado de boas vontades, é possível realizar, em casa emprestada, uma série de debates culturais interessantes e participados, com oradores de peso e numerosa assistência. Nada que o CECAS-RL, durante três longas décadas, se tenha dado ao trabalho de fazer…

Como não quero ser injusto, terei, porém, de lembrar os colóquios do ciclo “Repensar Sesimbra”, com que o “Raio de Luz”, “O Sesimbrense” e o “Jornal de Sesimbra”, sob o impulso entusiástico de Pereira, se propuseram debater, há coisa de um lustro, os problemas prementes com que Sesimbra, na sua opinião, se debatia então. Dado que, no momento presente, não vejo o engenheiro empenhado em algo de semelhante, sou levado a pensar que aqueles problemas estão resolvidos. Estarei errado? Diga lá, excelência!

Embrulha


O Tribunal Constitucional acaba de pôr uma pedra no assunto, ao considerar válidas as escutas efectuadas no âmbito do Apito Dourado. Ponto final.
Só neste país é possível arrastar-se durante cinco anos uma questão destas, invertendo por completo a importância das coisas.
De facto, o que importa é se as vozes escutadas são ou não das pessoas sob suspeita.
E se as palavras proferidas são ou não compreensíveis.
Agora se a escuta foi feita com o ouvido encostado à porta ou de outra forma, é secundário e só serve os interesses de quem sabe que foi apanhado com a boca na botija. Ou na fruta...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Capitular

O lapso do Carteiro na entrada CECA INTEGRAL, por si de pronto assumido na respectiva caixa de comentários, é infinitamente desculpável. A perna do A capitular com que abre o artigo “Associatisvismo”, na última “Acontece”, parece ligar-se ao o minúsculo que está por baixo, no começo da linha seguinte. De modo que onde se deve ler A se acaba por ler Ao. Não é grave. Acontece. E, de resto, por muito que isso custe ao actual Presidente da Câmara, na qualidade de responsável-mor pela agenda de acontecimentos, o fundo da questão mantém-se: fica por explicar o que é que o CECAS-RL fez de relevante em quase 30 anos que leva de existência vegetal. Tanto basta para pôr em evidência, à saciedade, uma indicação preciosa to whom it may concern: o Carteiro não vai capitular.