domingo, 6 de abril de 2008

Apetudeite

Até há poucos dias, quando alguém queria mostrar a sua perplexidade perante qualquer coisa espantosa, acabava por dizer (com ironia) a frase seguinte:
"Desde que vi um porco a andar de bicicleta, já nada me admira".

As fábulas, tal como qualquer acordo ortográfico, devem ser actualizadas, pelo que se deve substituir porco por Coelho e bicicleta por Mota...

De cernelha

O nosso admirável ministro Mário Lino já garantiu que a nova ponte sobre o Tejo vai ser entre Chelas e Barreiro. Disse.
Mas, com as vozes (e os argumentos) que já ouvimos, não tarda que haja turbulência a meio da ponte.
Nada melhor do que aguardar.

Um dos termos técnicos que vamos ouvir muitas vezes é amarração, palavra simpática e tão popular que até surpreende ouvi-la na boca de sumidades.
Mas eles, às vezes, gostam destes termos vernáculos, como alavanca que só fica ridícula quando dá lugar a alavancagem que rima com elencagem.

Mas, a propósito de amarração, ocorre-me que a nova ponte vai ser rodoviária e ferroviária.

Por isso me palpita que, com a discussão que se perfila no horizonte, ainda vamos ver a ponte a amarrar com um comboio...

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Linhas de passe

Se o dr. Menezes estivesse mais atento aos telejornais, já teria reparado no espaço que neles é reservado ao futebol. E também teria verificado que em Portugal, para efeitos televisivos, só existem três clubes, os chamados grandes.

Toda a gente percebe que é vital para a Nação Portuguesa ter a sua dose diária de imagens de treinos, notícias da mialgia de esforço do Nuno Gomes e declarações eruditas do senhor professor Jesualdo.

Se andasse mais a par desta realidade, o dr. Menezes não acharia que o seu clube goza de menos visibilidade do que o conjunto treinado pelo mister Sócrates.
Porque a verdade é simples, as televisões só se interessam pelas vedetas, pelos que dão espectáculo, pelos que actuam.

E ninguém pode negar que o Governo (às vezes, menos bem) está a fazer o que lhe compete, governa, toma iniciativas, é quem domina a bola e controla o jogo.
Daí que, com toda a naturalidade e certa forma de equidade, beneficie de maior atenção por parte da RTP e dos outros canais.
Para aspirar a mais tempo de antena, o PSD terá de mostrar serviço, apresentar obra consistente, ideias, propostas, projectos, em vez de se limitar a comentar a acção do Governo.

Em regra, dr. Menezes, as câmaras acompanham o jogador que corre com a bola, que (nos) finta e marca golos.
Não espere que os operadores percam tempo com quem mastiga o jogo, não progride e que chuta para onde está virado.

Às vezes, para a própria baliza...

Certas vozes não chegam...

Há duas ou três semanas, o líder do PS Madeira acusou, de forma explícita, Alberto João Jardim de estar por trás dos atentados cometidos por activistas independentistas, de ter dado emprego a gente dessa e de ter mandado silenciar alguns elementos incómodos.
Curiosamente, o Jornal da Madeira desse dia nada trouxe sobre o assunto, e aqui no "contenente" o silêncio foi absoluto.

Estranhei que nem um partido tenha feito a rábula do costume, desafiando o Procurador Geral da República a agir de imediato ou exigindo a vinda do senhor do PS madeirense para se explicar no Parlamento.

Dias depois, o sereníssimo dr. Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, fez rasgados elogios ao dr. Jardim.

Por este andar, só falta a proposta de canonização.


Se não tivesse ouvido o que ouvi, na Rádio, iria supor que o surdo sou eu...

Vendo bem...

Não é coisa que me incomode por aí além, mas não vejo grande interesse nem premente necessidade em levar por diante o acordo ortográfico.
Ainda assim, do mal o menos, é querela entre irmãos de língua.

Se fosse entre hermanos mais complicado seria, podeis crer.
Há pouco, passeando o olhar por um jornal espanhol, deparei com a palavra presunto que, ao contrário do que gostaríamos, significa presumido ou presumível. Ou alegado, como é de bom-tom dizer.

Logo abaixo, falavam de um experto do FMI, sujeito que é, nem mais nem menos, um perito.
O termo espanhol é irmão gémeo do expert francês e inglês que em nada se aproxima da forma portuguesa.

Contudo, se bem atentarmos neste exemplo, ficamos a perceber melhor a alma portuguesa.
É bem sabido que o nosso portuguesinho é rapaz que sabe de tudo, política, futebol, malandrice, golpada, é um verdadeiro perito em qualquer área.

Talvez por isso sejamos um país de expertos...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

BENFICOSTA

WWF é a sigla de uma organização internacional amiga da Natureza que se associou ao Benfica para a realização do Dia da Águia, no próximo domingo.

Ao que parece, Benfica e WWF estão muito preocupados com o risco de desaparecimento da águia Imperial.
Aqui entre nós, não é nada que não ande a atormentar os benfiquistas há muito tempo, apesar das promessas do presidente Vieira.

Este ano, Fernando Santos e Camacho foram imolados no altar da Luz, mas os deuses parecem apostados em arrastar a asa da águia para baixo.
Outro Fernando, Chalana com bigode, está a tentar manter o voo planado, mas aquilo é tão fraquinho que só o velho Rui vai disfarçando a crise.
A sua influência é tal que já chamam ao clube Benficosta.

O mal é que isto não vai lá com dias da águia, para mais num fim-de-semana que vai ficar marcado pela festa do Dragão.

Uma festa que vai ser de gritos. E de apitos...

À roleta...

Seria de todo o interesse que alguém explicasse à Dra. Isabel Peneque que o jornal que dirige se chama "O Sesimbrense".

E isto porque nos muitos editoriais que tem feito raríssimos são os que tratam de temas directamente ligados à terra.
O mais recente, como é fácil verificar, segue a mesma linha de (des)orientação.

Metade da primeira página é dedicada à Casa Ermelinda Freitas, empresa que fica no concelho de Palmela.
Um quarto cabe ao Editorial que aborda o estafado tema do conflito entre alunos e professores à escala do País, não no concelho de Sesimbra.
O quarto restante é uma fotografia de um tornado que não foi obra de nenhum sesimbrense e de que ninguém já se lembra.

Consta que a senhora está com vontade de deixar a função para qual parece não ter muito tempo.
Nem muito jeito, acrescentarão alguns leitores...

Razões de Gayxa

Art Council é o nome do organismo britânico que distribui os subsídios teatrais.
Ora acontece que aquele organismo pretende que os candidatos, além de todas as informações que permitam avaliar os projectos, forneçam indicações concretas sobre a sua orientação sexual.

Como é natural, esta exigência está a levantar uma onda de protestos, uma vez que ela configura um inaceitável atentado à privacidade dos cidadãos.

Mas, mauzinhos como são os portugueses, há espíritos tortuosos que estarão já a insinuar que, se tal ocorresse por cá, seria discriminatório na mesma mas, sobretudo, dispensável, porque não é difícil saber qual é a orientação sexual predominante no universo teatral...

A luta continua

Apesar de as perspectivas não serem neste momento as mais animadoras, a senhora Clinton recusa atirar a toalha e continua a lutar pela Casa Branca.

Para ilustrar o seu espírito indomável, compara-se a Rocky Balboa, o pugilista que Stallone tornou famoso no cinema.

O problema de Hillary é que, para chegar à Casa Branca, não lhe basta ser Balboa, porque a Sala Oval ainda está impregnada do perfume da "outra" que era bem boa...

Quem diria?

Os astrónomos da NASA identificaram o buraco negro mais pequeno até agora conhecido.
É o J1650, tem uma massa quatro vezes maior que o Sol e o tamanho aproximado de uma grande cidade.

E eu a pensar que o buraco negro mais pequeno era outro...

Não é grave

O vocábulo da moda é focar, não no seu legítimo sentido de salientar, pôr em evidência.
Nem para significar proceder à focagem, mas sim numa tradução directa (e errada) do inglês, língua em que quer dizer concentrar-se em, aplicar-se, etc.
E aí temos todo o bicho careta a dizer que se foca, que está focado, etc.
É apenas uma curiosidade, mais uma moda catita.

Há pouco, um senhor que é empresário do jogador Nélson, do Benfica, dizia que houveram propostas mas que o timing não foi bom.
Alguém duvida?

Uma senhora doutora aloirada (do CDS-PP) disse e repetiu, na SIC Notícias, que não havia rúbrica.

Pois não, só existe rubrica, grave, tão grave como a asneira...

Insensatez

Segundo ouvi, vai hoje realizar-se em Luanda um concurso de Misses que têm em comum a triste particularidade de serem vítimas do rebentamento de minas.

Eu percebo que se queira dar a estas mulheres motivos para voltarem a acreditar na vida, para as ajudar a olhar o futuro com algum optimismo, para as valorizar.
Contudo, discordo da ousadia chocante desta iniciativa.

Nos dias de hoje, competição é a palavra de ordem, o mundo melhor não tem lugar para todos. Por isso, desde os bancos da escola, metem na cabeça das crianças que não basta ser bom, é preciso ser melhor, o melhor de todos, vencer a concorrência. E ai dos vencidos! Ficam à margem, são excluídos, confinados à periferia de tudo.

A guerra pela sobrevivência ocorre nos campos essenciais, nomeadamente, nos empregos, para alcançar e para conservar um lugar que todos sabem estar em permanência ameaçado.
Mas esta febre da competição vai mais longe, estende-se às áreas do supérfluo, do ilusório, do postiço, do ridículo, por vezes.
Há concursos para tudo, na moda, no futebol, na televisão, no cinema, no teatro, na música, nas escolas. É o melhor do mês, do ano, do Mundo, do país, da cidade, da rua, títulos, galões, medalhas, taças, estatuetas e penduricalhos de toda a ordem.

Mas deveria haver limites. Um concurso de beleza
, mesmo num certame tradicional, proporciona algumas lágrimas de alegria e muitos choros de decepção.
Agora, quando fazem subir ao palco mulheres mutiladas, o risco é tremendo.
Pode ser trágico e desnecessariamente cruel.

Se querem ajudar aquelas mulheres a sentirem-se válidas, úteis, capazes, vivas, dêem-lhes formação, instrução, apoio psicológico, empregos decentes.

Mas não as exponham desta maneira insensata...

Tribunos e tribunas

Jorge Coelho, depois de ser a voz do PS na "Quadratura do Círculo", salta agora para a Administração da empresa Mota Engil.
O nosso Jorge, como se lembram, era o Ministro das Obras Públicas quando caiu a ponte de Entre-os-Rios.
Imediatamente, em vez de chamar a si a missão de apurar causas e atribuir responsabilidades, preferiu fugir com a rapidez de um Coelho.
Oxalá a Mota Engil nunca tenha problemas dessa natureza...

Entretanto, vai ser substituído por António Costa no programa da SIC Notícias.
Julgávamos nós que os problemas da Câmara de Lisboa eram avassaladoras e que o homem mal conseguia arranjar tempo para dormir.
Mas não! O amigo Sócrates não brinca. Com a campanha eleitoral lançada, o PS passa a ter duas vozes de peso naquele importante programa, Pacheco Pereira a derreter o PSD e António Costa a entoar loas aos socialistas. Não é mal pensado.

Desta forma, António Costa começa a rivalizar com Moita Flores que aparece em todos os canais de televisão e que, nos intervalos, passa pela Câmara de Santarém.

Não admira que Augusto Pólvora comece a achar que o inócuo "Raio de Luz" é curto para o seu talento de tribuno...

terça-feira, 1 de abril de 2008

O crime compensa

O futebol em Portugal é um universo muito especial.
A Liga de Clubes, finalmente, enviou notas de culpa a clubes e dirigentes. Muito bem.

A ironia, porém, resulta do facto de a acção disciplinar exercida pelo órgão que tutela o futebol só ter surgido a reboque do impulso da Justiça comum.
Ou seja, quem melhor conhecia (ou devia conhecer) o que se passava no seu reino foi quem ficou, durante anos, de braços cruzados, fazendo ouvidos de mercador, ignorando as irregularidades que se iam acumulando, como naquelas famílias em que se finge desconhecer as infidelidades do marido ou os vícios da filha.

A Liga não pode argumentar que foi a última a saber. Por fim, encostada à parede da vergonha, lá acabou por tirar os cartões amarelos e vermelhos da algibeira.

Interessante é que o Porto só corre o risco de perder seis pontos. E porquê?
Porque, apesar de ter ficado provada a corrupção, esta não deu frutos, ou seja, o árbitro corrupto não chegou a beneficiar o Porto. Porquê? Apenas porque não foi preciso.

Isto é espantoso. Se houve corrupção a punição tem de ser severa. Como fizeram em Itália.
Se o Porto apenas perder seis pontos é como se um ladrão pudesse sair em liberdade depois de devolver o carro que roubou.
Os pontos que o Porto ganhou não deveriam entrar nas contas da condenação.
O que deve ser punido é a corrupção e essa não se apaga com a ridícula subtracção de pontos.
Uma vez mais se vai assistir ao que constitui a nódoa maior do futebol, o benefício do infractor...

A sério...

A partir da próxima 6ª feira, a TVI vai introduzir algumas novidades no seu Jornal Nacional.

A principal é o regresso de Manuela Moura Guedes.

É verdade, não é boca...

Cada tiro, cada melro...

Num comentário à entrada “Explicar o vazio”, o pretenso leigo em politica (sic) pede para eu me defenir (sic) melhor sobre o tratamento que reservo ao Dr. Cristóvão. Pergunta ele se é sarcásmo (sic) ou subserviencia (sic). Estava tentado a responder-lhe que quem sabe ler, lê, e que quem não sabe vê bonecos. Mas, depois de três acentos em excesso ou em falta e de uma calinada ainda maior, constato que o leigo é tão leigo que também não sabe escrever. Assim, como poderá ele esperar que eu me defena? Bem Augusto Pólvora gostaria de ter melhores acólitos do que esta populaça ignara que o segue caninamente à laia de horda. Mas não pode. Nem merece.

Ventos de Espanha

Se não é aldrabice do "Correio da Manhã" (ou do "Público" que cita aquele matutino), existe em Espanha uma unidade que trata de delitos urbanísticos.
Dos mais de cem casos de corrupção que foram investigados resultaram 57 detenções e 126 acusações feitas a autarcas.
Cem mil edifícios podem vir a ser demolidos.

Em Portugal, talvez não fosse inútil constituir uma tal unidade.
A consequência é que seria necessário ir ao banco de suplentes buscar muitos candidatos para as eleições autárquicas que se avizinham, já que bom número de titulares seriam afastados.

Mas talvez haja quem garanta que não há corrupção nas autarquias portugueses.

O que tanto pode ser ingenuidade como um fruto caído da árvore do dia das mentiras...

Homem prevenido...

Um novo diploma vai proteger os cidadãos de práticas comerciais agressivas, propostas aliciantes mas enganadoras e insistência em impingir bens ou serviços.

Assim sendo, saiba que não é obrigado a comprar :

- um Kit do Benfica
- um SAP em bom estado
- um diploma de engenheiro a preço módico
- fruta entregue ao domicílio
- telemóveis confiscados a estudantes
- bulas da ASAE
- rifas de terrenos em Alcochete
- cinzeiros obsoletos de restaurantes chiques
- pelos da barba do Madaíl
- promessas do Sócrates
- cuecas usadas do José Cid
- gritos da Fátima Campos Ferreira
- o Parque Mayer
- patetices do Menezes
- a boina do Vitorino


Se acaso se deixar levar na cantiga, não se suicide porque tem 14 dias para mudar de opinião e devolver a aquisição.

Se se tratar de uma empregada brasileira a seu gosto, pode conservá-la até aos últimos minutos do 14º dia.
Ou melhor, da 14ª noite...

Explicar o vazio

Como é sobejamente sabido, a Dr.ª Guilhermina, no ano que passou, decidiu não dar continuidade aos colóquios sobre filosofia portuguesa, pretextando, para o efeito, que tinha outros projectos. Todos esperaram então que um coelho saltasse da cartola ou que viesse por aí alguma outra coisa de truz. Na verdade, a fasquia já estava alta. O ciclo “No Signo do 7 – 150 Anos de Filosofia Portuguesa” havia sido um sucesso sob vários pontos de vista, e a baixíssimo custo, fruto de muita carolice e alguma generosidade. A exposição “Palavras que Fazem Ver – 57 Livros para a história da Filosofia Portuguesa” teve a honra de figurar entre os destaques do Cartaz do "Expresso" (que outra exposição promovida pela Câmara se pode gabar disso?) e dois dos livros lançados durante o evento, ambos sobre Teixeira de Pascoaes, foram há dias apresentados como “notáveis” nas páginas do “Jornal de Letras”. No mais, aos sábados à tarde passaram pela sala polivalente da Biblioteca Municipal de Sesimbra nomes como António Telmo, Pinharanda Gomes, António Carlos Carvalho, António Cândido Franco ou Joaquim Domingues, nomes de grande importância no panorama cultural português. Ora, em 2008, a Dr.ª Guilhermina quase só tem tido projecções cinematográficas para apresentar aos utentes da Biblioteca nas matinés de sábado, numa técnica de encher chouriços que, por mais de uma vez, já aqui foi justamente verberada. Sucede que no mês em que acabámos de entrar, no programa da dita Biblioteca, em quatro tardes de sábado possíveis, duas terão a sala polivalente às moscas, por falta de acontecimentos. Acredito que a Dr.ª Guilhermina tente ainda, nalgum recesso da sua consciência, explicar as fitas com que nos tem presenteado. Mas, se porventura o conseguir, terá então, a seguir, de nos explicar o vazio. Ela e o Dr. Cristóvão.

Alegadamente

Contrariamente ao que se diz, hoje não é o Dia das Mentiras, mas apenas um dia normal na vida de alguns políticos, alguns árbitros, alguns dirigentes desportivos, alguns jogadores...