segunda-feira, 10 de março de 2008

O que diz Camacho

Na hora da despedida, Camacho confessou-se desanimado, mas fez mais do que isso, revelou que os jogadores do Benfica estão desmotivados.
E ninguém reage, ninguém faz a mais elementar das perguntas:
"Como podem os milionários da bola estar desmotivados?".

Para além de muitas outras considerações (à luz da realidade deste Portugal de miséria) fico a pensar se, até aqui, nas esferas dirigentes, ninguém se apercebeu dos baixos índices de motivação dos senhores futebolistas.
Porque quem diz desmotivação, diz alheamento, desinteresse, jogar a passo, não ir à luta, não dar o litro, etc.
Mas receber integralmente os milhões no fim do mês.
Há aqui algo que não bate certo.

Colocando a reflexão no plano que o futebol merece, sugiro que peçam emprestada a psicóloga de Scolari.
E, já agora, contratem também o Felipão. O País que gosta de futebol agradece.
Quanto aos jogadores, fica claro que saem com nota muito negativa desta avaliação feita por Camacho.

Querem ver que vão organizar uma marcha da indignação?

Continua a não ser assim...

Depois da marcha da indignação, os professores decidiram vestir de luto nas escolas.
Ou seja, depois da luta, o luto.

Isto enquanto o sindicalista Mário Nogueira eleva a voz e a parada exigindo dialogar apenas com o 1º Ministro.
Qualquer destas atitudes é pouco razoável, sendo, como é, indispensável (e fatal) chegarem a um entendimento.

Esta ideia do luto nas escolas mais parece brotar das cabeças tontas de miúdos irreverentes.
De adultos responsáveis esperar-se-ia maturidade.
Mesmo nos protestos firmes pode (e deve) haver
elevação e dignidade...

domingo, 9 de março de 2008

Até onde?

E pronto. Tudo tem limites, e Camacho fez o que lhe competia, saiu.

Agora, talvez Manuel José.

Ou Mourinho.

Mas o grande derrotado é o homem que apostou em Fernando Santos, em José Veiga e Camacho.

Luís Filipe Vieira é o seu nome...

Joel Serrão

O maroto do blogue "O Outro Lado do Espelho" é um especialista das surpresas e dos contrastes. A homenagem que presta ao Dia Mundial da Mulher é muito colorida, mas logo a seguir, revela outra sensibilidade e apreço pelos verdadeiros valores da Cultura quando evoca a figura de Joel Serrão que faleceu na passada semana, na sua casa da Quintinha.

Joel Serrão é dos vultos maiores da Cultura portuguesa do sec.XX e sesimbrense de adopção.

Aqui deixo o meu aplauso à lembrança do "Espelho" e a sugestão de que o nome de Joel Serrão seja dado a uma rua de Sesimbra.
Ou da Quintinha...

Quando a águia voa baixinho...

Toda a gente reconhece que o futebol português tem pouca ou nula credibilidade.
E que são precisos homens de carácter inatacável para que as coisas mudem.
Ora, quem acompanha estas coisas, mesmo de longe, sabe que o presidente do Benfica tem sido um dos impulsionadores desta ofensiva pela verdade desportiva, afirmando amiúde a sua diferença relativamente a outros dirigentes desportivos.

O certo é que, pelo menos no plano desportivo, o Benfica de Vieira tem sido uma desilusão continuada, num reino de confusão e de desorganização na estrutura do futebol.
Porém, neste mundo estranho do jogo da bola, tudo passa, tudo esquece, basta que surja uma vitória.

Não sei se os benfiquistas estão recordados, mas o senhor Luís Filipe Vieira disse, a certa altura, que o número de sócios do Benfica atingiria facilmente os 300 mil.
Mais afiançou que, se tal objectivo não fosse alcançado até Outubro, sairia.
Ora, esta afirmação categórica foi feita aquando do lançamento da campanha "Kit Novo Sócio".

Foi isto em Junho de 2005.
Decorrido quase três anos, o Benfica tem cerca de 173 mil sócios.

E o presidente é o mesmo...

Assim, não.

Não me peçam para dizer quem tem razão nesta rocambolesca história da avaliação dos professores, mas palpita-me que aqueles senhores querem sempre que nada mude.

Ontem, inevitavelmente, vi imagens e ouvi declarações inflamadas de manifestantes mui indignados.
E dei por mim a pensar que os nossos filhos estão muito mal entregues nas mãos de pessoas que, apesar da formação académica e das noções de pedagogia que é suposto terem, não conseguem manter a calma nem a cortesia, menos ainda a cordialidade.

Quem ouviu algumas das declarações, quem observou o tom, a crispação, a agressividade, e não soubesse que estávamos perante professores, formadores, educadores, provavelmente imaginaria que se tratava de peixeiras revoltadas ou membros de claques desportivas.

Vejam bem o exemplo que deram ao país, aos pais, aos filhos, aos alunos, aquelas pessoas que deveriam ser bem formadas e que, afinal, apareceram a vomitar ódio, a exibir cartazes insultuosos, sem aquele mínimo de civismo que, provavelmente, exigem aos alunos.

Como querem que, amanhã, os jovens que os viram naquelas tristes figuras, possam respeitá-los?
Os alunos deste país farão, porventura, o que é de esperar, imitar, seguir as pisadas de quem quer impor a sua vontade através da berraria e da arruaça.
Podem estar convictos da sua razão, não sei. Mas perdem todo o crédito e envergonham a classe quando nada distingue uma senhora doutora de uma varina malcriada...

Idoso em contra-mão

Com alguma frequência temos conhecimento de incursões de idosos nas auto-estradas, no sentido errado, em contra-mão.
É surpreendente, mas acontece, e temos de estar prevenidos.

O caso que aqui me traz é mais engraçado e menos perigoso.
Trata-se da proeza cometida pelo ex-Provedor da Câmara de Sesimbra, dr. Aurélio de Sousa, que, um pouco antes do meio-dia de hoje, foi visto a circular na rua Dr. Aníbal Esmoriz, no sentido sul-norte, do largo do Central para o jardim, portanto em descarado contra-mão.

Porque os exemplos devem vir de cima, cumpro o meu dever de bufo (está muito na moda) e salivo de gozo ao denunciar a façanha do dr. Aurélio cujo arrojo só não teve consequências funestas porque o idoso se deslocava de bicicleta.

A Ordem tem de ser mantida. A Lei é para ser cumprida. E não há pequenos delitos.
Tenho dito.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Ó tempo volta pra trás...

A cena repete-se.
Agentes da PSP estiveram em duas escolas de Ourém para saberem quantos professores tencionam ir à Marcha da Indignação, no próximo sábado.

Não é a primeira vez que a polícia, em vésperas de manifestação, procede desta maneira que a Fenprof classifica de pidesca.

Numa atitude que deixa no ar forte suspeita de intimidação, só falta saber o que acontecerá aos professores que fOurém à manifestação...

Porreiro...

As restrições à liberdade de fumar vieram criar uma nova categoria de cidadãos, os proscritos, os leprosos da modernidade amiga do ambiente, os sem-abrigo da nicotina.

À porta das grandes superfícies, juntam-se, entre culpados e envergonhados, os fumadores, empregados dos diversos estabelecimentos que fazem uma pausa cheia de vício, clientes que saem, outros que entram, todos amontoados como quem se abriga da chuva, escorraçados pelos fundamentalistas da virgindade pulmonar, condenados aos Guantânamos da hipocrisia.

Qualquer dia, em nossas casas, depois da verificação dos contadores do gás, da água e da electricidade, teremos o fiscal do fumo...

À porta (quase) fechada

O grande comício do PS, que vai ter lugar no Porto, poderia ter sido marcado para a espaçosa avenida dos Aliados.
Contudo, talvez por recear a escassez de aliados, José Sócrates achou melhor transferir o evento para a praça D. João I.

Face ao pouco crédito e menor entusiasmo que a iniciativa está a despertar, do largo do Rato acabou por sair a indicação de tocar a reunir no Pavilhão Académico, por não haver grande vontade de expor o senhor Primeiro-Ministro a um contacto directo com o público.

A verdadeira razão, porém, é que os militantes assobiam para o lado dos professores e até o pequeno Pavilhão corre o risco de ficar às moscas.
Fala-se até que já há negociações com o dono do Majestic de forma a reservar meia casa, mais não será preciso.

Como de costume, Sócrates fará um empolgante discurso, Pedro Silva Pereira deitará os foguetes e Vitalino apanhará as Canas...

Bola na mão e mão na bola...

O respeitável senhor Gilberto Madaíl, na fase de instrução do processo "Apito Dourado", revelou a pressão de Valentim Loureiro no sentido da nomeação de Pinto de Sousa para a presidência do Conselho de Arbitragem da Federação.
Agora, ao voltar a depor, disse o contrário.

Naturalmente, esta mudança de atitude não nos leva a duvidar da sinceridade nem da integridade de carácter do senhor Madaíl, apenas confirma uma das máximas históricas do futebol.

É dos livros, não há dois jogos iguais...

Quando Bruno falha o Alve...

Esta coisa de termos um blogue faz de nós empresários da Comunicação Social, fazedores de opinião, donos da verdade, mentores capazes de condicionar a marcha da História. É inebriante!
A chatice é não termos aqui a nossa fotografia, como acontece com os senhores importantes que escrevem no jornal lá da terra. Mas enfim, não se pode ter tudo.

Um dos nossos privilégios é podermos opinar mesmo sobre assuntos de que não conhecemos sequer a aparência, quanto mais a essência.
É o que me permite pôr aqui em cheque o professor Jesualdo, aquele senhor sisudo que fala, com ar enjoado, ao povo ignorante.
Ele lá terá as suas razões (que pouco me interessam, devo dizer), mas é estranha a escolha de Bruno Alves para marcar a primeira das grandes penalidades do desempate.

A carga psicológica é muito forte para quem assume o primeiro remate.
Uma falha pode afectar os colegas que se seguem, pelo que, em regra, é designado um bom executante, de técnica apurada e cabeça fria, como Lucho Gonzalez, por exemplo.
Bruno Alves é tosco, tecnicamente, e temperamental. E falhou, claro.
Podia ter marcado, é verdade, mas a sua escolha continuaria a ser (a meu ver) um erro.

E como o que importa é ver as coisas sob um prisma original, alegrem-se os sportinguistas porque são a única equipa portuguesa presente em todas as frentes, Taça da Liga, Taça de Portugal, Liga Portuguesa e competição europeia.
O grande Porto já foi afastado de duas e o Benfica de uma.

Factos são factos. Ou será que o tendencioso sou eu?

quarta-feira, 5 de março de 2008

Ganda Neuer

O Porto foi eliminado pelos alemães que tiveram no guarda-redes o seu expoente maior.

E ficou provado que nem só o Polga falha grandes penalidades...


PS: o guardião alemão chama-se Neuer, que se lê Nóia.

Homens há muitos

Enquanto em Lisboa e no Porto a violência está a ganhar contornos de psicose (que a Comunicação Social ajuda a ampliar), no principado do Mónaco não há assaltos a casas nem a automóveis.
O pequeno oásis mediterrânico dispõe de 330 câmaras de vigilância permanente e os milionários podem passear à vontade, jóias à vista, luxo tranquilo, gente que não paga IRS nem outro imposto, seja ele sobre valores patrimoniais, acções ou poupanças.
É um lugar de sonho, de rara beleza, e um paraíso fiscal.

Para lá se residir é obrigatório ser rico, depositar 300.000 euros, no mínimo, e habitar efectivamente seis meses por ano.

Mas o Mónaco é também denunciado como um requintado presépio de branqueamento de dinheiro proveniente de droga, prostituição ou comércio de armas. Tudo em larga escala.
Desportistas e artistas famosos por lá assentam arraiais.
Johnny Haliday nasceu na Bélgica, mas era francês. Agora, adquiriu a nacionalidade belga para poder instalar-se no Mónaco, privilégio que não é concedido aos franceses.

Estamos longe da Pedreira dos Húngaros ou do Bairro do Lagarteiro.
Por isso me esforço por compreender o outro que dizia que os homens são todos iguais. Talvez.

O pior é se um mora na Cova da Moura e o outro em Monte Carlo...

Comunicassão Sucial

A informação há muito que deixou de ser sucinta, clara, escorreita, suficiente, para ser um fim em si mesma, um espectáculo, uma forma de encher chouriços, ocupar tempo de antena à custa das desgraças alheias, de ocorrências prosaicas, de futebol até à náusea.

Na televisão, é o anúncio repetido de uma notícia ou uma reportagem que nunca vem logo, mas sim já seguir ou na segunda parte, depois dos mil anúncios que nós não vemos porque fugimos para outro canal onde se esgota a nossa paciência.

Na rádio, o prato forte (ouvido há pouco, no Rádio Clube) é assim composto:

1 - a notícia: está praticamente circunscrito o incêndio na serra de Sintra

2 - a ligação ao repórter que está no local e conta tudo em pormenor

3 - regresso ao estúdio onde a palradora de serviço resumiu e repetiu tudo quanto dissera em 1 e nós ouvimos em 2

Chama-se a isto fazer jornalismo, informação objectiva e esclarecedora.

Quase tenho vontade de ligar a um qualquer repórter num qualquer exterior que repita o que acabo de escrever, após o que retomarei a antena para uma sinopse em forma de síntese e em jeito de resumo.

Não há paciência para tanta mediocridade...

Doce lar

O dr. Luís Filipe Menezes reconhece que o PSD ainda não merece ser governo. Porque, na sua popularucha expressão, não fez o trabalho de casa.

Os políticos, umas vezes, tentam mostrar erudição e singularidade, usando formas rebuscadas (e incorrectas) como casuístico, ir de encontro a, facilitismo, obrigatoriedade, honorabilidade, etc.
Outras vezes, descem ao plano dos simples mortais e dizem que a bola está do lado de, fazem o trabalho de casa, já deram para esse peditório, estamos a falar de e outras fórmulas plebeias, talvez para nós, pobres leitores do "24 Horas", os percebermos.

Ora, nós há muito que percebemos o dr. Menezes, o homem que não teve a paciência de respeitar o prazo normal do mandato de Marques Mendes e o atacou assanhadamente até lhe ocupar o lugar.
Porquê, é fácil compreender, o poleiro, a ambição, a vaidade, a sede de protagonismo embrulhada em falas mansas.
Para quê, ainda ninguém entendeu, tal é a banalidade da sua liderança a que só Santana Lopes vai insuflando alguma vitalidade.

Mas tem razão o dr. Menezes ao falar do trabalho de casa.
Tanta razão que bom número de militantes é de opinião de que o senhor deveria retirar-se para o único sítio onde estaria bem, ou seja, em casa...


O equívoco

A senhora ministra da Educação tem mantido uma calma e uma determinação que revelam haver ali uma forte convicção quanto à bondade das reformas que defende.
Os professores, por seu lado, são conhecidos por se agarrarem com unhas e dentes aos seus direitos e privilégios, com pouca ou nula disponibilidade para mudanças.

Seja como for, não me pronuncio sobre a questão por não ter competência para tal, e apenas sublinho que se trata de um braço-de-ferro entre o Governo e uma corporação, não havendo lugar para intromissões de partidos políticos que apenas buscariam colher louros em batalha alheia.

Eis senão quando o Partido Socialista resolve imitar o velho de Santa Comba e organizar uma manifestação espontânea de desagravo e apoio ao Governo que, por acaso, é cor-de-rosa também.
Por um lado, gostaríamos de saber quantos professores simpatizantes do PS obedecerão às ordens do largo do Rato.
E quantos preferirão continuar a ser o Gato assanhado que anda a arranhar a senhora ministra há um ror de tempo.

Estou em crer que esta triste lembrança da manifestação só pode ter saído da cabeça do Secretário-Geral do PS, já que o Primeiro-Ministro é homem para dar o peito às balas e nunca aceitaria que o seu Governo fosse associado a uma vulgar arruada salazarenta...



Apenas isso...

Também no futebol há ciclos e, neste momento, estamos numa fase de grande confusão, não havendo uma equipa que reúna consenso de superioridade como aconteceu, em tempos, com Real Madrid, Ajax, Bayern, Liverpool, Manchester United ou Milan.

Precisamente, este Milan, um finalista crónico e várias vezes vencedor da Taça e da Liga dos Campeões Europeus, acaba de ser afastado pelo Arsenal, perdendo em casa por 2-0.
Não sei (em futebol nada é certo) se é o fim de uma era, mas uma coisa parece clara: a maior dificuldade para uma equipa durar no topo é conseguir fazer uma renovação continuada sem abrir brechas na estrutura.

Ora, uma equipa que mantém Maldini até aos 40 anos, mostra que não soube renovar-se.
Depois, há o mistério que envolve o eclipse de grandes jogadores. Ronaldinho Gaúcho iluminou os estádios durante dois ou três anos com um futebol mágico, alegre, deslumbrante.
De repente, desapareceu, engordou, perdeu fulgor, só não se tornou vulgar porque a arte é eterna.
Mas parece que o Barcelona o quer despachar, juntamente com o pálido Deco, para Manchester, por troca com o exuberante Ronaldo.

Tal como os jogos só acabam com o derradeiro apito do árbitro, assim parece estarmos perante um fim de época cheio de curiosidades.
Sim, porque o futebol, mais não merece nem justifica, apenas curiosidade...

Ah, pois é...

É do gosto geral a adopção de frases feitas que gostamos de aplicar quando a oportunidade surge e sugere.
Tal é o caso do "burro sou eu?" do brasileiro que dirige (mal) a nossa selecção.
E o mesmo está a acontecer com o título do filme "Este país não é para velhos" que permite variações saborosas.

O que agora me ocorreu foi cruzar as duas e destacar as palavras-chave, burro e velho, para chegar ao provérbio muito conhecido que diz "Burro velho não aprende línguas".

E isto, apenas para lembrar a quem não souber ou não estiver recordado que, se burro velho não aprende línguas, não é por ser velho.

É por ser burro...

terça-feira, 4 de março de 2008

Vai uma aposta?

O segurança que hoje foi encontrado morto no Colombo recebeu três facadas na região torácica.
E a faca encontrava-se perto do corpo.

Segundo a SIC Notícias, a Judiciária não afasta a hipótese de suicídio.

Eu não sou detective nem médico, mas um suicídio assim parece-me tão provável como o Polga converter uma grande penalidade...