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Ouvir os nossos comentadores é passatempo delicioso e a quadra é festiva. Há pouco, o excelente Luís Delgado (o homem do ponto de vista) não se coibiu de percepcionar não sei o quê e de garantir que a ideia é transmitida boca-a-boca.
Nada tenho contra a sensual prática do boca-a-boca, mas julgo que a divulgação de notícias será mais eficaz quando feita de boca a orelha, ou a ouvido, se preferirem.
Depois, achei muito interessante a explicação do senhor Presidente da República relativa ao estatuto dos Açores que, a seu ver, poderia constituir um perigoso precedente e levar à redução dos poderes presidenciais.
Talvez por isso, pela sua visão prospectiva, haja quem veja Cavaco Silva como um bom Precedente da República...
A Associação dos Revendedores de Combustível dá até 3ª feiras às petrolíferas para baixarem os preços, uma vez que o petróleo está cada dia mais barato.
Se assim não acontecer, ameaça apelar para a Autoridade da Concorrência.
Parece que andam todos a brincar com (e a explorar) os consumidores. As petrolíferas fingem não saber que o preço do petróleo está em queda há várias semanas. E a Associação, ingenuamente, admite a hipótese de a Autoridade da Concorrência não ver os telejornais e desconhecer o que se passa no reino do petróleo.
Será que os senhores desta Autoridade autista estão todos de férias?
No meio desta farsa, o Governo distribui diplomas a TODOS os alunos que cometeram a fabulosa façanha de completar o 12º ano. E lá foi o primeiro Sócrates com uma extensa comitiva de ministros e secretários de Estado distribuir medalhas nestes jogos olímpicos da Educação, como se fosse proeza de tomo concluir o ciclo dos liceus.
É o país do general Tapioca a que só falta o inefável Chavez a mandar todos al carago...
O último grito da moda coloquial é o pleonasmo estampado em expressões como "há uma semana atrás".
Não há cão nem gato que não coloque aquele supérfluo atrás que faz ali tanta falta como uma viola num enterro.
Mas parece que a asneira é fina e vai tudo atrás dela.
Aliás, não é de admirar, quando se ouve o douto Marcelo dizer que não sei já quem "corre atrás do prejuízo".
Juízo é que escasseia, sobretudo àqueles que pronunciam paraolímpicos como se fosse paralíticos.
A nossa língua continua a recuar. Para trás, claro...
Em tempos, os países afirmavam a sua superioridade, impunham a sua lei através da ameaça que o seu poderio bélico constituía.
Pouco a pouco, fomos assistindo a uma certa forma de nivelamento de forças e à noção do risco flagrante de catástrofe universal em caso de conflito generalizado.
O nuclear, as armas químicas, o terrorismo suicida, tudo isso conduziria ao aniquilamento global, sem vencedores nem vencidos, todos desintegrados.
As duas armas mais poderosas são hoje o petróleo e o gás, como amanhã (se o houver) será a água.
Estamos a assistir à chantagem latente de uma Rússia possuidora de potentes armas energéticas e à arrogância mentecapta de um Chavez sentado à beira dos poços de petróleo com os quais desafia os americanos e o Mundo.
À imagem de Saddam Hussein.
Angola faz de Portugal uma colónia vergada à miragem do petróleo, dos diamantes e dos negócios colossais para a meia dúzia das grandes empresas do costume.
Chavez brinca à batalha naval correndo com o embaixador americano. Angola brinca às eleições, vira o disco e toca o mesmo, enquanto Portugal, atento e venerando, aplaude, sorri e finge acreditar que a democracia vem aí, devagarinho, estas coisas levam o seu tempo.
Quando o pescador chegou a casa, vindo do mar, mais cedo do que ela esperava, logo a mulher lhe recomendou "Não te descalces que vais ao petróleo".
Já nesse tempo o petróleo tinha um poder providencial...
Toda a gente sabe que os portugueses que vivem no estrangeiro votam maioritariamente PSD.
Não surpreende por isso que os admiráveis democratas socialistas se tenham lembrado de proibir aquela gente de votar por correspondência, como sempre se fez, querendo agora obrigá-los ao voto presencial.
A manobra é vergonhosa, não tanto pela marosca que gritantemente envolve mas, sobretudo, pela hipocrisia rasca patente na justificação do líder parlamentar Alberto Martins que nos vem, candidamente, falar de credibilidade e verdade democrática.
Por outras palavras, o voto por correspondência não é sério. Sê-lo-ia se fosse favorável ao PS, mas como o preferido é o PSD toca a alterar as regras do jogo.
Por amor à verdade, só falta o PS exigir um teste ADN a cada eleitor no momento do voto presencial, não vá dar-se o caso de o Zé não ser o Zé mas a Zoé.
É por estas e por outras que os portugueses se afastam da política, tanta é a mentira, tantas as jogadas sujas.
Diz o seráfico Martins que não nasceu ontem para estes combates. Infelizmente, é verdade...
O futebol é um jogo simples e, em certas alturas, é aconselhável conservar a bola, por forma a não permitir iniciativa ao adversário.
Um velho senhor (José Maria Pedroto), que sabia alguma coisa de futebol, costumava lembrar uma coisa elementar, ou seja, que a bola se guarda colectivamente, ou seja, fazendo-a circular. Foi o que os nossos craques não souberam fazer. Por isso, à cambalhota de Nani seguiu-se a cambalhota no resultado.
Da magia passámos à azia.
E isto também porque Quim mostrou não ser melhor que Ricardo.
Lamentável a forma como o histérico Valdemar Duarte, da TVI, relata o jogo como se estivesse na rádio, esquecendo que estamos a ver o mesmo que ele.
Ainda por cima, elogiou vezes sem conta o desempenho táctico da equipa, enaltecendo exuberantemente a obra (?) de Queirós, vá lá saber-se porquê.
Já o comentador (Luís Sobral, creio) esteve muito bem, como sempre, sóbrio, sábio e sensato.
O "burro" brasileiro é que deve ter gostado...
Como o avião para Miami está atrasado, instalei-me no salão VIP e saquei do computador portátil para alinhavar duas considerações sobre Carlos Queirós que parece apostado em igualar Scolari na asneira.
Primeiro, os Sub-21 já foram eliminados, após o indecoroso empate, em casa, com a atabalhoada Irlanda.
Claro, não é culpa do Carlos inglês, mas até parece. Com efeito, é no mínimo ridículo afirmar que "marcar 9 golos em dois jogos é magia". Ó Carlos, contra as ilhas Faroé e Malta!
Eu não sei se aquilo é magia, mas a asneira e a baboseira são já mania.
Eu não sei se o burro é o outro, mas este já está a dar coices no telhado como a mula da Cooperativa do velho Max nascido na Madeira onde hoje os irlandeses envergonharam as nossas vedetas das passerelles, figuras de um (des)conjunto onde há um rapaz que tem a ousadia de se fazer chamar Pelé.
Não haverá por aí quem lhe assoe as ventas?
Diz-se que quem fala no barco quer embarcar, o que talvez tenha algum fundo de verdade no que toca aos cruzeiros de homens muito homens, salvo seja e honni soit.
Por mim, amarro aqui o bote e volto para férias.
Até à próxima maré...
Todos sabemos que vergonha, honradez e dignidade são (ou foram) virtudes que distinguiam os homens que as circunstâncias colocavam em funções de responsabilidade.
Hoje, está implantada a ideia de que os políticos estão dispensados desses atributos.
Mais: é aceite com naturalidade que político sério seja um político condenado ao fracasso, cordeiro facilmente devorado pelos lobos implacáveis.
Daí que tenha sido possível a miserável perseguição de Menezes a Marques Mendes, com o autarca de Gaia de língua de fora, assanhado, sedento de poder ao ponto de não ser capaz de esperar pelo termo normal do mandato do então presidente do PSD.
O resultado foi o que se viu...
Igual vergonhosa figura fez Paulo Portas quando se atirou sujamente a José Ribeiro e Castro, sob pretexto de levar modernidade e ambição ao CDS-PP.
O resultado é o que se vê...
A diferença é que alguns Menezes podem ir, aqui e ali, fazendo rombos no casco do PSD sem que haja risco de afundamento, tantos são os comandantes capazes de segurar o leme.
Já o CDS-PP é uma casca de noz, uma jangada sem vela nem rumo, conduzida por um náufrago desmiolado, um lírico perigoso, um flibusteiro da intriga que deitou a bússola fora e garante ser o único a conhecer a rota das estrelas.
O resultado está à vista desarmada e destroçada como a jangada.
A única saída (se ainda houver uma) é o partido ficar reduzido à sigla CDS, deitando borda fora o PP, não o Partido Popular, mas o senhor Paulo Portas...
António Lobo Antunes acaba de ser distinguido com mais um prémio, nem percebi bem qual, tantos eles são, por esse mundo fora.
Este rendeu-lhe 130 mil euros, além do prestígio.
Na calha está já nova jornada gloriosa, por iniciativa do Governo francês que o vai agraciar com a comenda das Artes e das Letras, ou coisa parecida.
De comenda em comenda, o Lobo vai devorando honrarias e distinções, sem perder aquele ar de quem é sempre surpreendido pela escolha, quase pedindo desculpa por ser um escritor de excepção.
Numas hipotéticas olimpíadas da Literatura, o nosso António viria carregado de ouro, teria gasto a corda da bandeira que trepa no mastro e riscado o disco do hino nacional.
Enquanto isso, o tio José lá vai fazendo caretas e esbracejando à porta da Fundação que o doutor Costa lhe ofereceu (porquê ninguém sabe), estendendo aos passantes bilhetes postais antigos onde escreveu, com letra desalinhada, que o Nobel é ele, não o Lobo.
A vida tem destas ironias, e ninguém percebe por que carga de água atribuíram o Nobel ao homem.
Enfim, o Boavista também foi campeão nacional, pela mãozinha marota do senhor Loureiro.
Honni soit qui mal y pense...
As coisas acontecem diante dos nossos olhos boquiabertos (como diria o outro) e o mais simples é colocá-las lado a lado, no jeito das conclusões de Hercule Poirot, e lembrar que está em Lisboa um cruzeiro de 2 mil gays.
Não, não são 2 mil réis, isso era noutro tempo, quando no Cais do Sodré desembarcavam marinheiros americanos, camones dos bons que distribuíam dólares às meninas e socos aos malandrecos indígenas.
Não, agora são mesmo gays, homens sexuais, como diz o Herman que, como é público, percebe do assunto.
Por coincidência (só pode ser) começa hoje a festa do Avante. Imagino que os 2 mil acabadinhos de chegar talvez preferissem umas festas não avante mas na ré. Ou na popa, por onde eles gostam de atracar.
Mais fiquei a saber que o nosso Vítor Baía chamou cobarde ao Scolari por este nunca ter revelado os motivos pelos quais o afastou da selecção.
Mais o acusa de ter encarregado um jornalista de divulgar umas asneiras a seu respeito.
Ou seja, o nosso Baía ainda não digeriu a ofensa e ataca Scolari porque não disse avante e mandou largar pela popa.
Perante isto, meus amigos, só me resta pôr o saco de lado e voltar para férias.
Por mais uns dias...
O cinema São Jorge vai ser o palco do Motelx, um festival de cinema de terror que durará cinco dias.
Ao que parece, a organização resolveu dispensar os filmes previamente contratados e prefere fazer economias, não gastando um cêntimo com essas produções e limitando-se a projectar as mais recentes imagens da onda de violência que assola o país em sessões contínuas.
Deste cartaz realista, destacamos os seguintes títulos:
- "Assalto à bomba de gasolina", filme em 31 partes com actores encapuzados.
- "Os reféns do BES", sem legendas, falado em brasileiro.
- "Tiro ao alemão", rodado no Allgarve.
- "A toque de caixa", filmado em vários tribunais, patrocinado pelo Multibanco.
- "Pretos e ciganos", drama pungente cujo título inicial foi "Venha o diabo e escolha".
- "As noites da Ribeira", versão moderna de "Aqui não, Bóbó".
- "Carrozeco", ou a angústia das grandes cilindradas.
- "Nada de alarmismos", espécie de "Música no Coração" realizado por Joseph Sócratys.
- "Paga e não bufes", assaltos quotidianos legalmente levados a cabo por Shell, Galp, BP e outros.
O Governo comprou todos os bilhetes de todas as sessões e o doutor Pedro Silva Pereira continua a dizer que as estatísticas nem são assim tão más. Pois não...
Ninguém duvida da vitória do todo-poderoso MPLA nas eleições angolanas, e a única nota curiosa foi dada pelo presidente José Eduardo dos Santos ao prometer varrer do Governo todos quantos ponham os interesses pessoais à frente do bem-estar do povo.
Ficámos todos muito comovidos ao ouvir o santo homem que, de forma clara, garantiu que correria com todos os corruptos do Governo.
Os mais ingénuos ficaram radiantes com a intenção anunciada.
Os mais marotos perguntam se restará alguém nos ministérios.
Os mais distraídos julgam que estas eleições foram organizadas pela UEFA ou pela nossa Liga de clubes.
Dantes havia uma oração que rezava mais ou menos isto "Já o galo preto canta, já os anjos se levantam, etc."
Em Angola, o galo negro há muito que deixou de cantar e os anjos obedecem aos Santos que são os donos daquela república tão democrática que até vai às urnas.
Milhões de urnas e de minas ainda enterradas, milhões de estropiados, tal é o balanço e o fruto da luta fratricida que instaurou naquele riquíssimo país uma oligarquia insaciável.
Não foi para isso que tantos angolanos se bateram, não é esta a liberdade sonhada.
Miséria e terror a pretexto de uma pátria constituem um embuste que nenhum simulacro de eleições pode apagar.
Nem tudo vai mal neste nosso mundo. O petróleo está 40 dólares mais barato e as nossas queridas gasolineiras continuam a manter os preços lá em cima.
É um facto.
Mas há sinais de esperança.
A nossa deliciosa ASAE obrigou ao encerramento da cantina da Assembleia da República. Durante dois meses, os nossos queridos deputados vão deputar para outro lado, com senhas de restaurante, no Gambrinus ou no Tavares Rico, coitados.
Imagine-se (é verdade) que a ASAE não permite a utilização das mãos para fazer sair água das torneiras. Por razões de higiene.
Por este andar, não tarda que obriguem à colocação de luvas nas casas de banho dos homens e determinem o número máximo autorizado para as tradicionais sacudidelas post-libertação das águas.
Sim, porque se não deixam mexer com as mãos nas torneiras da cozinha, por que hão-de ser mais liberais quanto às torneiras dos deputados?
Se usarem de igual rigor, nenhum deputado poderá proceder às usuais manipulação próprias da circunstância e do aperto ocasional.
Talvez a solução seja pedir a um colega deputado o obséquio de...enfim... estão a perceber?
Talvez haja quem não se importe. Afinal, se assim for, será a bem da Nação...
A democracia tem destas coisas e, para certas mulheres, usar bikini é um direito e uma garantia, direito de fazer má figura e garantia segura de não passarem despercebidas.
Agora que se fala tanto de empreendedorismo (adorável vocábulo), deixo aqui uma sugestão para um negócio de sucesso mais que certo: a venda de espelhos.
Ao ver na praia mulheres de idade respeitável, com barrigas e rabos mais respeitáveis ainda, só posso concluir que não devem ter espelhos em casa.
É difícil perceber o que leva certas banhistas a mostrar o que deveriam esconder a todo o custo. Eu sei que gostos não se discutem, mas para tudo deveria haver um limite.
Mais avisada andaria a Polícia Marítima se deixasse os barquitos em paz e desse voz de prisão a portadoras de banhas exuberantes e com fios dentais enfiados no mais profundo de nádegas descomunais.
Não é uma questão moral, é simplesmente um problema de salubridade mental, de decoro, de respeito por quem está pacatamente sentado sob o toldo e não pediu para ver aquele desfile de carnes balofas penduradas, mamas caídas, rabos a transbordar do magro tecido, como uma maré que enche sem controlo.
Minhas senhoras, o bikini por si só não faz milagres, não aspira a celulite, não derrete a banha. Pelo contrário, acentua, sublinha, atira pela borda fora o excesso de bagagem.
Caras leitoras das revistas pindéricas, lembrem-se das criancinhas que brincam, inocentemente, na areia. Não as traumatizem, não as assustem, tenham piedade.
O que vemos nas nossas praias é o Portugal da Maria, dos delírios da Lili Caneças, das meiguices do Castelo Branco, das tardes da Júlia, das profecias da Maya.
É o que somos, não há nádega a fazer...
Um dos meus amigos tem um barquinho de recreio em Sesimbra e acaba de o pôr à venda, revoltado com a impiedosa e ditatorial fiscalização dos ninjas da Polícia Marítima, os tais que aplicam multa de 300 euros a quem não leve a bordo um alfinete-de-ama.
No seu caso, embirraram por causa do rádio e, claro, saiu a coima da ordem, 300 euros, parece que é a tabela. E parece que 20% do pecúlio assim arrecadado vai para o bolso dos vigilantes dos mares que, destemidamente, arriscam a vida em abordagens temerárias a aiolas, charutos, pirogas, colchões de borracha, lanchas a remos e outros perigosos cruzadores do oceano.
Eu não sei o que pode a edilidade local fazer, mas esta violência que se apoia numa legislação afilhada da santa Inquisição está a provocar ondas de legítima indignação e a afastar turistas daquela bela praia.
Portugal é o país da caça à multa, dos guardas escondidos, dos abutres do estacionamento, da ratoeira ao utente, desde os tempos da famigerada licença de isqueiro até aos nossos dias, com a ajuda de radares dissimulados e o arrojado esforço destes heróis do mar dos Ursos que dantes andavam ao reminho pela borda d'água...
Na África do Sul, mais um português foi executado a sangue frio por assaltantes, no estabelecimento de que era proprietário.
Em Setúbal, aqui mais perto, um ourives foi igualmente assassinado por um ladrão.
É a rotina, assaltos, homicídios, e uma coisa parece clara: ninguém receia a mão da Justiça que todos encaram como lenta, leve e incerta.
Enquanto isso, o senhor Procurador Geral da República anuncia que, daqui por uns dias, vai falar ao país.
Está bem, não há pressa, estamos todos de férias. Todos menos os criminosos.
Qualquer dia vem o senhor ministro do Interior com uns papéis na mão, falar de estatísticas, comparando os números deste ano com os do período homólogo, ou com o ano do ciclone, ou o Verão quente de 75, pourquoi pas?
Entretanto, o esfíngico senhor Cavaco lá está, atento e vigilante, em Boliqueime, não vá algum ultraleve ou bimotor sobrevoar o seu ninho remansoso.
Acho bem, nada de pânico histérico, os Jogos Olímpicos estão quase a acabar, o povo é sereno, os larápios nem por isso, mas as estatísticas, as abençoadas estatísticas, garantem que Portugal é um país seguro.
Quem duvida?
António Pereira trabalha na construção civil e treina no (modernamente designado) período pós-laboral.
Ninguém sabe quem é este homem, se tem namoradas, se vai para as Maldivas, se quer mudar de clube, se usa brinco, se está muito focado (é a moda pateta) ou se possui um Ferrari.
António Pereira, com este nome simples, é um português médio, um popular (como dizem os jornalistas inteligentes) que tem uma aberrante paixão pelo atletismo, um gosto que o leva a fazer esforços escondidos atrás do biombo da modéstia, sofrendo por amor à marcha, ainda por cima uma modalidade coxa, de passada miudinha, nádegas apertadas, cotovelos a cirandar, bem longe do espectáculo empolgante dos saltos ou da mariposa avassaladora em águas de euforia.
António Pereira ficou em 11º lugar na prova de marcha nos Jogos Olímpicos de Pequim e bateu o máximo nacional.
É um homem feliz, realizado, que teve hoje o ponto mais alto da sua vida, Depois de amanhã ninguém se lembrará dele, voltará a ser um qualquer António Pereira.
As televisões e o povo só têm olhos para as vedetas sobranceiras, os famosos de circunstância, enquanto este Pereira e tantos outros praticantes de modalidades pobres são verdadeiros heróis que se entregam de corpo e alma, na penumbra, quase envergonhados, treinando solitariamente por um ideal que só eles entendem e sentem.
Este 11º lugar vale por mil medalhas ou Botas de Ouro, é o triunfo do sacrifício, da entrega absoluta, da perseguição de um Graal de ferro forjado no suor, na paixão e na fé que leva os pobres de joelhos a Fátima.
Parabéns, António. Não virás a fazer anúncios para o BES nem para a Caixa, mas és um grande campeão.
Um grande marchador, como disse um senhor na telefonia que a tua família ouve lá na terra...
Neste país catita onde o assalto violento a carros é designado por car jacking, à falta de chaimites e outros carros de assalto (não confundir com assalto a carros nem com carros em saldo), a tristeza mais deprimente chegou-nos de Pequim caída do regaço de Naide Gomes que se espalhou ao comprimento.
E só não foi um salto mortal porque o ágil Évora triplicou o dito, alcançando o ouro, depois da Vanessa (filha do Drácula de Perosinho) ter chegado à prata com outro tri, o atlo.
E, tal como sucede no futebol, de bestas passámos logo a bestiais, ficando esta edição de Pequim como a mais gloriosa das nossas campanhas olímpicas.
A tal ponto que o chefe Moura já voltou atrás na decisão de deixar o tacho, perdão, o cargo directivo.
Tudo está bem quando acaba bem, até as ilhas Faroé deram uma ajuda com a mão cheia de golos com que coroaram de êxito a estreia de Queirós que deixou a "relíquia" Ricardo na prateleira. Uff, era tempo!
Em Pequim, a coisa estava a dar para o torto, mas tudo vai acabar em Beijin...
Embora não pareça, os jovens que habitam bairros chamados problemáticos não só conhecem a Bíblia como seguem à risca as práticas aconselhadas.
Só desta forma se explica o que aconteceu esta manhã na Quinta das Mós, concelho de Loures, no decorrer da inauguração de um bairro social.
Sabe-se que um polícia foi ferido por uma pedra que o atingiu na cabeça e que dois jovens foram detidos. É o que conta a SIC Notícias.
O que não é do conhecimento público é o teor do discurso de um psicólogo que elogiou o alcance e o significado da entrega de sessenta chaves a outras tantas famílias, tudo num ambiente que deveria ser de festa e confraternização.
O pior é que o psicólogo alargou os horizontes da sua alocução e apelou à tolerância e à compreensão mútua, visando principalmente os jovens que causam frequentes distúrbios.
No calor da sua intervenção, quis desdramatizar os excessos, recordando a irreverência que, a seus olhos, é própria da mocidade e citou a célebre frase da Bíblia que nos lembra que todos cometemos alguns pecados.
O pior foi ter proferido, com voz bem sonora, o fatal convite a que alguém de coração puro atirasse a primeira pedra.
O jovem não hesitou e o polícia ainda não percebeu a mensagem bíblica...
Passei hoje, por acaso, aqui pela estação dos Correios, mas volto logo para férias.
Há quem considere que a vaga de assaltos a bancos, ourivesarias, automóveis, caixas multibanco, estações de serviço e outros, se devem ao desespero de quem não consegue emprego decente.
Há quem perceba isso mas não desculpe a violência, a facilidade com que os assaltantes disparam sobre civis ou forças da ordem.
Há ainda quem admita que os criminosos contam, antecipadamente, com a lentidão e a brandura da Justiça, dando como garantida (em caso de detenção) uma pena leve e saída rápida por bom comportamento. Ou seja, que reina a ideia de que o crime compensa.
Noutro tempo, no tempo da ditadura, a fome levava os portugueses a emigrar, quase sempre a salto.
Hoje, a solução parece ser o assalto...
O esquartejamento praticado no continente africano não levou em conta factores essenciais identitários como sejam as etnias e as religiões, pelo que não espanta que a guerra perdure por razões endógenas a que outras (riquezas naturais) vieram juntar-se.
Vimos os horrores cometidos com o desmembramento da Jugoslávia e sabemos quantas Tetchénias continuam asfixiadas pela eterna Rússia que não descansará enquanto não reconstituir o seu perdido império. Não no papel timbrado das chancelarias, mas através do seu poderio económico resultante do domínio das maiores fontes de energia, gás e petróleo, com que mantêm a Europa em respeito e temor.
Hoje mesmo, 50 tanques russos estavam em Gori, violando o acordo de paz. Alguém terá ordenado "Já a Gori", alguém tão respeitador da autodeterminação dos povos como o outro que gritou "Para Angola, já e em força".
Por esta ordem de ideias, qualquer dia, a Espanha empurra-nos borda fora para o Atlântico, em nome de antigos direitos. Já a Gori, já agora, o Mundo é dos fortes...
A nossa Justiça é o que se sabe, mas a RTP África ajuda-nos a acreditar que há pior.
Ontem fiquei a saber que a senhora primeira-ministra de Moçambique é casada com um cidadão português, condição que levou 3 jornalistas do "Zambeze" a fazerem, na primeira página do jornal, uma simples pergunta: será que a senhora ainda é moçambicana?
Costuma dizer-se que perguntar não ofende, mas isso talvez seja provérbio colonialista retrógrado porque, na jovem democracia de Moçambique, a pergunta foi considerada difamatória e atentatória da segurança do Estado. Assim mesmo!
Crimes terríveis esses que levaram o Ministério Público a acusar os três jornalistas e a reclamar uma indemnização de 280.000 euros.
Poderiam o Ministério Público, ou o do Interior, ou o dos Negócios Estrangeiros, ou o contínuo dos Registos Centrais, responder simplesmente se, sim ou não, a senhora ainda é moçambicana. Mas não. O diligente Ministério Público limitou-se a revelar ao Mundo o preço do bom nome e da segurança daquele belo país.
Como se vê, não é preciso ir à China ou ao Zimbabwé para assistir a violações autoritárias dos direitos do Homem. Neste caso não se tratou de acusação nem de afirmação, mas de uma límpida pergunta. Tão límpida como já foram as águas do Zambeze.
Uma pergunta a que nenhuma instância do alto poder parece querer responder. Naturalmente, se o fizessem, os três jornalistas só poderiam agradecer, balbuciando, comovidos, o delicioso kanimambo que o João Maria Tudela nos deu a conhecer no início da década de 60...
Uma senhora de 76 anos teve a triste ideia de acender velas na igreja da Encarnação, no Chiado, enquanto decorria a missa.
Logo um segurança a informou de que tal é proibido.
A senhora não concordou e continuou a acender as suas velas, até que o senhor prior interrompeu o santo ofício e se dirigiu à transgressora, pelo microfone, intimando-a a suspender a sua nefasta acção e a abandonar a igreja.
Alguns pretenderão que estamos perante um acto de violência escusada e lamentável.
Outros dirão que o gesto corajoso deste padre mostra que a Igreja está viva e actuante.
Tal como Cristo expulsava os vendilhões do templo, este padre afasta, com firmeza e aparato, as pirómanas veladas.
Resta-nos ainda o reconforto de saber que, ao menos ali, naquele santuário do Chiado, há segurança, coisa que o BES não pode garantir...
Quem passa os olhos pela RTP África não pode deixar de sorrir (sem maldade colonialista) ao ver e ouvir o que nos mostram e dão a provar aos nossos pavilhões auditivos.
De facto, as nossas antigas províncias ultramarinas são hoje estados soberanos cujo funcionamento constitui uma mescla de modernidade e de puerilidade, uma espécie de ostentação de carros de alta cilindrada guiados por motoristas sem carta.
Os desfiles de moda, os concursos de beleza, os acontecimentos políticos, os debates, as entrevistas, tudo aquilo revela um amadorismo flagrante e, ao mesmo tempo, uma intenção nítida de mostrar ao mundo uma face que pouco ou nada tem a ver com o quotidiano naqueles países.
Fica-nos a sensação de uma realidade construída em estúdio, com toda aquela gente a representar um papel, com esforço, utilizando palavras caras, abusando de fórmulas arcaicas e de neologismos pirosos.
Em suma, tudo aquilo soa a falso e primário, embora por trás haja uma organização férrea que nada deixa ao acaso, como sucede neste momento em Angola onde o MPLA vende cerveja por metade do preço, numa metódica caça ao voto em que o medo é o motor maior.
O facto é que temos grande dificuldade em acreditar na seriedade dos políticos, na competência dos governantes e dos profissionais em geral e na verdade do que vemos e ouvimos.
É como se estivéssemos perante uma gigantesca encenação, a exemplo do que acaba de suceder na Guiné-Bissau.
Por que carga de água, naquele país de miséria, o presidente Nino Vieira teria de ir assistir à abertura dos Jogos Olímpicos?
E só não foi porque o contra-almirante Bubo Na Tchuto ia fazendo um golpe de Estado, mais um.
Nós olhamos para isto e não acreditamos que seja real, que não se trate de mais uma aventura de Tintin no país do general Tapioca.
Ninguém acredita que a pobre Guiné justifique a existência de um Chefe de Estado-Maior da Marinha.
Um contra-almirante!? Não estaremos na guerra do Solnado?
Nós vemos, lemos, e é isso que parece, uma imensa telenovela com personagens saídas do "Equador" do Miguel Sousa Tavares, encenadas pelo La Féria e pagas com diamantes ou petróleo, quando não é com notas sujas do narcotráfico.
Esta nossa irmandade que fala português por essa África a que dissemos adeus, talvez não passe disso mesmo, de um enorme Tchuto na cabeça...
Talvez sejam efeitos do acordo ortográfico, é possível. Talvez seja eu que não acompanho a evolução desta língua portuguesa que é tão velha que já chateia e precisa de sangue novo, fantasia, imaginação. É igualmente possível.
Vem isto a propósito de algumas pérolas que encontrei numa revista editada por uma Câmara Municipal (cujo nome não recordo) das quais destaco a genial lembrança de designar por bebedouros os esguichos de água colocados na praia.
O meu velho dicionário segreda-me que bebedouros são os locais onde os animais vão beber. Mas, independentemente do significado da palavra, há uma questão de natureza estética. Bebedouro é uma palavra feia, soa mal, não lembra ao diabo tal escolha.
Por esta ordem de ideias, será que os turistas vão comer a manjedouras?
Em Inglaterra, uma mulher censurou dois homens por estarem a fumar. Resultado: os fumadores empurraram a senhora para a linha do comboio, queda de que resultaram alguns ferimentos.
Mas não a morte.
Conclusão: razão têm os nossos amigos espanhóis quando escrevem nos maços que o tabaco pode matar. E sorte teve a lady em não ser madame ou senhora porque em França ou Portugal o tabaco mata mesmo.
O lado irónico da coisa reside no facto de o incidente ter ocorrido em Kent, cidade cujo nome (salvo erro) é o mesmo de uma marca de cigarros...
O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, disse em voz bem alta que há corrupção no Estado.
O Procurador Geral da República logo mandou abrir um inquérito.
Que o Ministério Público acaba de arquivar.
A bom inquiridor meio inquérito basta...
Os homossexuais presos vão passar a ter direito ao que, pudicamente, se designa por visitas íntimas.
Parece-me uma excelente medida porque ou há há moralidade ou visitam todos.
Além disso, como os visitantes são identificados à entrada, fácil se torna saber quem é quem e quem visita quem, sobretudo quando a visita é íntima, ou seja, quando um senhor bem posto penetra na intimidade de outro momentaneamente passivo por estar na condição amorfa de recluso.
Supõe-se que sejam distribuídos preservativos antes dos preliminares cumprimentos próprios de um encontro entre amigos.
Além de um mais que razoável ficheiro, esta medida introduz (salvo seja) alguma justiça no universo amoroso das cadeias, permitindo a todos, sem discriminação, o direito à intimidade.
Mesmos os mais tímidos podem agora pôr o dedinho no ar e reclamar companhia.
Assim, ninguém terá razões de gayxa...
Eu confesso que não acho graça ao futebol de praia tal como é praticado para servir os interesses da televisão. Jogar na areia seca, com buracos e altos, os pés enterrados e a necessidade de levantar a bola constantemente é caricato, cansativo e idiota.
Jogar na areia, sim, mas quando ela é lisa, o que só é possível junto à água, coisa que a zelosa Polícia Marítima não permitiria.
Mesmo que os jogadores usassem alfinete-de ama nos calções.
Mas enfim, modas são modas e Portugal lá venceu o Mundialito, em Portimão, batendo o Brasil na final.
Depois da envergonhada campanha do Europeu, esta vitória fornece um pretexto para os patriotas ferrenhos da bandeira nas varandas e nos encostos de cabeça das viaturas.
E é um magro prémio de consolação para um grupo cujo seleccionador não vai agora arranjar um tacho no Chelsea e que tem um jogador chamado Bilro que não faz rendas na areia e foi vergonhosamente tramado no seu clube de sempre, o Leiria.
Este triunfo é um sonho de noite de Verão, para felicidade da TVI e vago contentamento do pessoal em férias.
É apenas isso, futebol minorca, Mundialito, Portugal dos pequeninos...
Um terrorista da ETA foi condenado a 3 mil anos de prisão pela morte de 25 pessoas. Ontem, após ter cumprido apenas 21 anos de detenção, foi libertado.
Terá ele beneficiado de indulto a troco de colaboração com as autoridades? É possível, mas isso nunca será admitido.
A democracia é uma ideia bonita, simpática, mas muita gente discorda desta gentil prática que consiste em proporcionar a monstros as mesmas regras que as aplicadas a pessoas de bem.
Claro, os espíritos superiores dirão que a sociedade tem de se reger por princípios que se situam acima dos casos pontuais e tem de mostrar a sua superioridade através da clemência, da tolerância e da igualdade de direitos.
Difícil será explicar isso àquela gente simples e teimosa que constitui as famílias das 25 vítimas. Que por sinal moram perto da casa para onde voltou o criminoso agora libertado.
Curioso é ver que os jornais portugueses designam o indivíduo por membro da ETA ou por etarra.
Os espanhóis chamam-lhe assassino. Somos diferentes, não haja dúvida.
E não é só quando uns recusam e outros se vergam à proibição de fumar...
Não sei se Diogo Infante tinha os olhos postos no Teatro D. Maria quando se demitiu do outro Maria, o Matos.
O certo é que tal ideia fica no ar, tão rápido foi o aparecimento na comunicação social da notícia segundo a qual o seu nome estaria na primeira linha de acesso à Direcção do mais prestigioso Teatro de Portugal.
Talvez Infante tenha sido nomeado, mas o vencedor foi Mark Deputter, um nome que nada diz à maioria dos portugueses.
Há pouco tempo, Diogo Infante teve a desagradável missão de ir eliminando as candidatas ao papel da protagonista de "Cabaret". Agora coube-lhe ser preterido.
Era natural e, porventura, legítimo o actor e encenador sonhar com essa espécie de consagração que é dirigir o D. Maria.
Mais estranho lhe deve parecer o velho Teatro assim transformado numa casa Deputter...
A Guiné-Bissau é apontada como sendo a placa giratória para a entrada da cocaína na Europa, mas esse estatuto pouco dignificante não impede que, no próximo dia 7, lá venha a ter lugar uma cimeira que reúne os ministros do Turismo da CPLP.
É assim este nosso maravilhoso mundo onde a hipocrisia e a ganância se sobrepõem aos valores da honra e da dignidade.
Toda a gente finge, os estados proclamam o desarmamento ao mesmo tempo que fabricam e vendem armas. O Afeganistão continua a ser o berço do ópio e a Colômbia a pátria da cocaína.
Na nossa velha Guiné, ao que se lê e ouve, o tráfico é descarado, embora ninguém duvide da seriedade do senhor presidente Nino Vieira.
O ministro guineense do Turismo chama-se, garridamente, Herry Mané, e a cimeira só pode ser um êxito, uma gloriosa jornada de fortificação dos laços já bem apertados entre todos quantos fazem da língua portuguesa a sua bandeira.
Aliás, há quem diga que o pó branco nunca anda longe da ponta da língua...
Há muitos anos, um terrível desastre aéreo provocou a morte a meia equipa do Manchester United. Entre os sobreviventes estavam o treinador Matt Busby e o grande capitão Bobby Charlton.
Com homens desta têmpera, grandes dirigentes e jogadores com carácter, o United venceu a dor, ultrapassou a tragédia, renasceu e voltou a ser a equipa que encantou a Europa do futebol.
A verdadeira palhaçada que envolve Cristiano Ronaldo mostra como está diferente o Mundo.
E os homens.
O rapaz está transformado num boneco de feira, deslumbrado com namoradas, botando discursos patetas aproveitados por uma comunicação social de sopeiras.
Pior estão os dirigentes ingleses e espanhóis, ambos incapazes de arrumar um assunto que tem as regras definidas há séculos. O jogador tem contrato com o United, só sai se o Real pagar o estipulado, ponto final.
Olhando a triste figura que Ronaldo vem fazendo, não podemos deixar de recordar a imagem exemplar de Luís Figo, futebolista de eleição, raro talento, sobriedade e rendimento sem quebras. E cá fora, um homem distinto, um cavalheiro que nem parece deste tempo.
Mas o povo parece gostar de circo...
O Verão dá conta da cabeça às pessoas e o SOL (o semanário) dá uma ajuda.
Na imensa romaria pirosa que é este país, ficamos hoje a saber que o sargento Luís Gomes, pai afectivo da menina Esmeralda, vai ser a vedeta de uma sessão de autógrafos, em Vila de Rei.
Com efeito, o senhor sargento é autor do livro "Amo-te, Filha - Caso Esmeralda" e a sessão decorre do pedido de populares, como tão delicadamente o SOL noticia.
Para completar a bucólica informação, resta acrescentar que a cerimónia terá lugar em sede de (a gentil expressão é minha) uma apetitosa Feira de Enchidos, Queijo e Mel. E pronto.
É Portugal, o SOL brilha e o nosso sargento, pensativamente, dará autógrafos ao som da música que certamente tocará no coreto.
Em tempos, houve, em Paris, na Notre Dame, outra Esmeralda a quem um homem não conseguiu dizer (muito menos escrever) "Amo-te".
Porque era analfabeto, mal falava, era quase mudo...
A conhecida marca Adidas vai começar a retirar da China a sua produção por considerar que os salários estão a subir em demasia.
Mais anunciam que se vão virar para mercados mais favoráveis, como sejam a Índia, o Laos ou o Vietnam.
É assim a aldeia global, a maravilhosa globalização, o mundo sem fronteiras nem barreiras para a exploração, a escravatura de milhões de seres humanos, entre os quais crianças.
E são estas multinacionais (Adidas e outras) que aparecem a patrocinar as grandes competições internacionais, entoando hinos ao Desporto, louvando e coroando de louros os deuses dos estádios que usam equipamentos manchados de sangue, de ignomínia, de desumanidade pintada a cores de festa, de glória vergonhosa difundida pelo Mundo inteiro por mil canais de televisão que celebram ideais olímpicos e fraternidade.
Os grandes patrões e os inúmeros intermediários desta engrenagem de mentira acumulam fortunas graças à exploração praticada à vista de todos nos campos de concentração do terceiro mundo.
Guantânamo suscita indignação, mas o mundo ocidental, civilizado e moderno, vai festejar os Jogos Olímpicos de Pequim da mesma forma que vibrou com o Euro 2008 protagonizado por atletas milionários que calçam e vestem Adidas e outras marcas criminosas.
Depois, vem o presidente da FIFA falar de escravos no futebol. Há ainda muitos degraus a subir na escalada da hipocrisia e do despudor.
Segue-se um curto intervalo para publicidade, nos nossos plasmas, para a cerveja, os pneus, os computadores, os perfumes, os relógios, os bólides de alta cilindrada.
Este nosso mundo é perfeito...
O antigo presidente do Olympic de Marseille, Bernard Tapie, é uma personagem fora do comum, aventureiro, atrevido, provocador, tribuno imparável, homem de negócios rocambolescos, actor de teatro e cinema, ministro de Mitterrand, uma vida que daria dez filmes.
As suas manigâncias à frente do Marselha valeram-lhe vários títulos e oito meses de prisão efectiva.
Há países onde os batoteiros acabam mesmo atrás das grades e foi esse o destino de Tapie que ficou arruinado e queimado junto de uma opinião pública que, paradoxalmente, acaba por conceder certa margem de indulgência aos artistas ousados, aos equilibristas que dançam na corda frágil da legalidade, aos ilusionistas de sorriso insinuante.
A famosa empresa Adidas, de que foi proprietário, esteve na origem de um processo judiciário que durou largos anos e que acaba de chegar ao fim, com uma sentença que enche Tapie de felicidade e de dinheiro, nada menos de 400 milhões de euros.
Dada a enorme complexidade do caso, das dívidas que acumulou e dos avultados custos envolvidos, no final vão restar-lhe apenas 20 milhões de euros.
Nas fábulas de La Fontaine a cigarra acaba mal, mas Tapie é um misto de formiga e de passarão, um grande artista a quem é forçoso reconhecer um real talento e uma perseverança que acabou por lhe trazer a fortuna.
E talvez alguma paz.
Por quanto tempo não se sabe, porque o homem não é de ficar na penumbra. Bernard Tapie é um pouco Batman e Arsène Lupin, na exuberância do gesto, na eloquência, no panache.
Não é amante de fruta duvidosa, de casas de alterne nem de mariscadas rascas. Prefere o caviar e o bom champanhe francês.
Mesmo nos meandros bolorentos do futebol e de outros negócios, classe é classe.
E esta não está ao alcance de todos...
Um dos sinais mais vincados do atraso civilizacional do nosso país é o sentimento generalizado de que as forças policiais não têm como principal preocupação a prevenção e a garantia da nossa segurança, mas sim o vergonhoso intuito da caça à multa.
Em Lisboa, a EMEL assume o papel da PSP e multa insaciavelmente não só em casos de desrespeito pelo estacionamento pago como por qualquer (duvidoso) atropelo ao Código da Estrada. É um verdadeiro cerco aos automobilistas em certos sítios da cidade, não em todos. Curiosamente, onde há parques de estacionamento privados.
Ou seja, um cidadão que deixe o automóvel em cima do passeio pode viver descansado em inúmeras ruas e praças de Lisboa, desde que não more da zona das Amoreiras, por exemplo.
Ou seja, a EMEL é selectiva e a lei não é igual para todos.
Da ASAE nem se fala, é pior que a lendária falange dos fiscais da licença de isqueiro do tempo do outro senhor.
Semelhante apetite revela a Polícia Marítima nas águas mansas de Sesimbra semeando o terror entre os pobres pescadores a bordo de aiolas e os mareantes dos pequenos barcos de recreio que, se não tiverem à mão um alfinete-de-ama são obrigados a pagar 300 euros de multa.
Em caso de ferimento que exija penso, a ligadura só fica segura com um sofisticado alfinete-de -ama. Admirável cérebro que pariu tão fundamental descoberta.
Acho mesmo que 300 euros é pouco para esse hediondo crime que é a ausência a bordo do precioso alfinete.
Curiosamente, as artes de chávega (ou redes da xixa) que servem de atracção turística usam uma malha apertada que mata, regular e estupidamente, milhares de pequenos peixes, facto que toda a gente sabe pode observar nas praias de Sesimbra e do Meco.
Porém, os destemidos vigilantes da valorosa Polícia Marítima ainda não deram por isso, tão concentrados estão na procura do alfinete-de-ama dos flibusteiros do Calhau da Mijona...
Os jogadores de futebol têm formas diferentes de olhar para os contratos que fazem com os clubes. Só assinam quando acham que o contrato lhes agrada, e depois acontecem duas coisas. Se o jogador não corresponde às expectativas, o clube tenta ver-se livre dele. Então, o atleta recusa-se a sair, alegando (justamente) a existência de um vínculo contratual.
Foi o que, recentemente, sucedeu com Makukula.
No extremo oposto, temos os jogadores que assinaram bons contratos mas a quem a vida correu bem e, por isso, são objecto de cobiça e recebem melhores ofertas.
Nessa altura, vêm para a praça pública gritar que pretendem sair, fingindo ignorar a existência do compromisso assumido.
Ou seja, na cabecinha destes jovens, um contrato não é como um casamento, para o melhor e para o pior, mesmo quando todos sabemos que esse pior são milhões por ano.
Para as nossas vedetas, só o melhor (para eles) importa, os clubes que tenham paciência.
Eu não sei o que prevêem os regulamentos internos dos clubes, mas parece claro que um jogador que clama aos quatro ventos que quer sair não pode dar-se à luta da mesma maneira, com o mesmo empenho, se for obrigado a ficar.
Assim sendo, seria legítimo que o clube pudesse colocar num prato da balança o salário e no outro a atitude e o rendimento do jogador. Porque um contrato pressupõe direitos e implica obrigações. Além de ser para cumprir.
Mas o futebol é um mundo à parte...
Freitas do Amaral, do alto do seu prestígio de jurista e da sua cátedra de Professor, vem dizer-nos que considera válidas as penas aplicadas a Pinto da Costa e ao Boavista pelo Conselho de Justiça da Federação.
À primeira vista parece que estamos em presença de um requiem nortenho, um toque a defuntos com um esparso cheiro a loureiro pelo meio.
Ora a grande verdade é que se trata de um profundo equívoco, uma intromissão legalista no universo muito especial que é o futebol onde as regras são outras.
O Professor Amaral vem agora reiterar que Pinto da Costa é culpado de (tentativa de) corrupção. Mas quem é Freitas do Amaral? Acaso será mais sério e competente do que o juiz que (tão justamente) achou que, ao pagar férias ao douto Calheiros, o Porto não esperava benesses?
É tempo de separar as águas e deixar que os inofensivos incidentes do futebol (fruta, envelopes, estimulantes) sejam avaliados pelos homens do futebol, amigos de mariscadas, charutos, gajas e uísques velhos.
O futebol sempre viveu assim, há títulos europeus nas prateleiras, botas de ouro e de prata, tudo no melhor dos mundos, que importa um ou outro (aparente, hipotético e alegado) abuso?
Por isso, sugiro o afastamento imediato de todos os Professores de Direito, juízes honestos e
comentadores isentos que nenhuma falta fazem no reino da bola parada.
A verdade acabará por triunfar, talvez não a imaculada e utópica Verdade dos pergaminhos da biblioteca de Alexandria, mas aquela verdadoca, à maneira, manguelas, desde logo e a modos que.
O nosso Pintinho não vai ficar de braços cruzados e as contas ainda não estão Freitas...
A convite da Filarmónica dos Carteiros andei uns dias por terras de Espanha e de França onde observei, entre outras coisas, que os nossos "zapateros" se estão borrifando para a proibição de fumar em tascas, bares, bodegas e outros locais de tapas e demais perdições.
Aliás, é interessante verificar que, enquanto portugueses e franceses garantem que FUMAR MATA, os espanhóis se limitam a lembrar que fumar pode matar.
Eu não sei se esta atitude serve de modelo ou se ilustra a têmpera dos nossos vizinhos ibéricos, mas ficou-me um vago sentimento de vergonha ao recordar a placidez e a mansidão com que os portugueses aceitaram a lei anti-tabaco.
Pior que isso, encontramos aqui e ali empregados de estabelecimentos que não escondem o prazer de nos avisar que ali nada feito, ninguém fuma.
Tal sádico prazer só terá sido exibido pelos adoráveis fiscais da licença de isqueiro ou pelos bufos da Pide.
Há alturas em que temos vergonha de ser portugueses e nos apetece mandar arriar todas as bandeiras tristonhas que ainda tremulam por aí...
Enquanto fazia as malas, dei por mim a pensar na vontade do nosso Primeiro em encher o país de carros eléctricos, num anúncio rasteirado por uma casca de banana escondida num imposto e que nos recorda como tudo é transitório nesta vida.
Ainda ontem Lisboa estava cheia de amarelos da Carris cujas calhas foram sendo arrancadas, ficando no activo uma ou outra linha apenas para consumo turístico.
E eis que vamos voltar a ter carros eléctricos, só que sem fios nem calhas, antes com autonomia infinita e virgens em CO2.
Não é bem (mais) uma promessa do nosso José, antes será um carro eléctrico chamado desejo...
Ora, antes de abalar (e sabendo que o bom José é leitor desta Carta) aqui faço questão de deixar uma sugestão. Meu Primeiro, olhe para o Oriente, ponha os olhos na China, sem ficar com os olhos em bicos iguais aos da Casa que o dr. Costa quer oferecer ao outro José. Se a China é hoje a potência que sabemos tal se deve a muito trabalho, muito pedalar. Não foi com amarelos (da Carris chinoca) que eles forjaram o progresso, nem com outros carros eléctricos.
A solução para a crise energética e, simultaneamente, para a obesidade, é a bicicleta.
Meu Primeiro, ponha o país a pedalar e vai ver como tudo anda sobre rodas. E os desempregados que pedalem ligados a geradores, sempre é alguma energia que se vai acumulando, além do exercício que a televisão todos os dias recomenda para destruir o colesterol, dizimar a diabetes e estrangular a bicha solitária.
Aproveite os meus sábios conselhos, venerável José, porque amanhã já vou por aí fora e não levo telemóvel...
O dia começa de forma curiosa.
Acabo de ler que o DIAP arquivou a queixa de Paulo Pedroso contra os jovens da Casa Pia que o teriam difamado e caluniado, os malandros.
Parece que os rapazes, afinal, não serão assim tão mentirosos...
Manuel Alegre escreve umas coisas sobre a Esquerda numa revista intitulada OPS.
De vez em quando, o poeta entra em pista, faz um número de acrobacia verbal e retira-se para votar com os camaradas, fazendo lembrar aquelas meninas do circo que no final de cada actuação exclamavam "Oli Ops"...
O Benfica e o Guimarães recorreram para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS, na sigla original), protestando contra a inclusão do Porto na Liga dos Campeões. TAS bem...
Em França é a festa nacional, a evocação da tomada da Bastilha.
Pelo andar da carruagem, mais dia menos ano, haverá nova Revolução aos gritos de Globalidade, Especulidade e Marginalidade, três dos males maiores deste Mundo que corre para a sua destruição enquanto os donos do planeta fazem o favor de fixar metas ambientais para daqui a 50 anos.
Se então ainda houver planeta.
Olhem, eu vou outra vez de férias, mais quinze dias, porque daqui a 50 anos desconfio que já terei entregado o correio ao Criador...
O pateta do presidente da FIFA falou de escravatura a propósito dos vínculos que ligam jogadores e clubes.
Ora, nos tempos que correm, os jogadores são livres de fazer contratos por um ou por vinte anos. Se querem estar em posição de força devem assinar por um só ano, mal tal raramente sucede porque eles preferem garantir os chorudos ordenados por várias temporadas.
O pior (ou o melhor) é quando a meio do percurso surge melhor proposta, o que leva o jogador a gritar que quer sair. Nada impede que saia, desde que o clube que lhe paga esteja de acordo.
Por isso, o senhor Cristiano só sai se o Manchester deixar. Claro.
Para se perceber bem a hipocrisia destes novos "escravos", veja-se o caso do infeliz Jorge Andrade que tem vivido um calvário de lesões sem que a Juventus deixe de lhe pagar o vencimento, apesar de o jogador estar há meses sem actuar.
No fundo, trata-se simplesmente do cumprimento das cláusulas contratuais, tanto pelo clube como pelo jogador.
Nestas coisas, os espertalhões mal aconselhados às vezes tramam-se, ao quererem a manteiga e o dinheiro da manteiga...
Segundo li, António Costa tenciona colocar à disposição do Nobel Saramago a lendária Casa dos Bicos para que que D. José lá possa instalar a sua Fundação.
Naturalmente, discordo em absoluto, ele que se afunde em Lazarote e já é um pau.
Mas se a desgraça tiver de acontecer, apenas nos resta lembrar que D.José é um transgressor descarado de todos os acordos sobre pontuação, escrevendo linguados intermináveis que nos tiram o fôlego e minam a compreensão.
Sendo sabido que D. José tem estado doente, não é difícil adivinhar de que sofre um homem que escreve pelos cotovelos, a quem ninguém consegue refrear o discurso e que se movimenta com alguma dificuldade.
Juntando as peças desta charada, só podemos chegar à conclusão de que, se o dr. Costa fizer a asneira que dizem, o velho prédio bem poderá passar a ser conhecido pela Casa dos Bicos de papagaio...
Como tinha prevenido, tenho andado afastado destas lides, distante de epístolas, recados, bilhetinhos, mensagens e pregões.
Hoje, por acaso, passei cá pela estação e piquei o ponto, mais por instinto do que por voluptuosidade.
Confesso que estou cansado de contar os aumentos do preço da gasolina, das farpas que o delicioso Bernardino recusou espetar nas FARC, dos arrufos do Cristiano, da barba rala e das tolices do Madaíl, tudo me deixa extenuado, numa letargia desesperante.
E só aqui vim deixar estas módicas linhas para dizer a alguns amigos que, sim senhor, estou vivo.
E mais não digo porque nada me foi perguntado nem sermão encomendado.
Quanto ao Escriba, ao que julgo saber, hibernou.
Não, não acabámos o namoro. Nem eu lhe devolvia as cartas...
Eu não sou jurista e percebo que a Lei deve contemplar tanto a punição dos culpados como a defesa dos inocentes.
Mas há coisas de difícil compreensão.
Diz o juiz que Catarina Salgado não estava junto de Pinto da Costa quando este fez o famoso telefonema da fruta. Conclusão: o senhor Jorge Nuno NUNCA fez qualquer telefonema comprometedor.
Ora, a questão não é se Carolina estava ou não presente, mas se Pinto da Costa fez ou não esse e outros telefonemas.
Herman José provou estar no Brasil no dia em que um rapaz diz ter sido por ele abusado. Aceitemos que é verdade. E nos outros dias? O artista acabou por confessar ter tido relações sexuais com jovens. Que não eram menores.
A verdade das escutas está no seu conteúdo, no que lá ficou registado, e a sua eventual ilegalidade (por virtude da Lei) não apaga a veracidade dos factos.
E a verdade é que houve fruta. E houve batota. E o povo sabe. E não há acórdão nem arquivamento que limpem a nódoa da mentira.
E da fruta podre...
O Governo iraquiano coloca os seus poços de petróleo à disposição de companhias estrangeiras interessadas na sua exploração.
Na linha da frente, de olhos postos no negócio, estão empresas americanas e inglesas.
Confesso a minha surpresa.
Sempre pensei que a dupla USA-UK estivesse em terras do tio Sadam por razões humanitárias...
Há dez anos que Didier Gallot, magistrado e grande admirador de Georges Simenon, organiza um festival em honra do pai do comissário Maigret.
O palco é o Palácio de Justiça de Sables d'Olonne, de cujas janelas se vê a praia e o oceano.
A edição 2008 terminou no passado domingo e constou de exposições, debates e filmes realizados a partir da obra de Simenon.
Assistem e participam magistrados, advogados, polícias, jornalistas e escritores.
São as chamadas "Conversas do Palácio". Com o mar à vista.
E talvez com ventos...
Segundo alguns jornais, a Polícia Judiciária decidiu arquivar o caso Maddie, por falta de provas, o que, depois de tudo quanto é do domínio público, constitui uma amarga derrota para os investigadores portugueses e para o sistema judicial.
Num outro plano, dizem certos espíritos puros que "só por conjectura ou imaginação" se poderia acusar Pinto da Costa. Pelos vistos, a farsa continua e só falta que alguém venha propor a sua canonização.
O mais provável é que o senhor Jorge Nuno tenha pedido a Carlos Cruz para lhe emprestar a famosa bola-álibi.
Apesar de o Ministério Público decerto vir a recorrer da sentença, esperamos todos que a SIC não tarde em fazer nova grande entrevista ao senhor dos Dragões para que o país possa entrar em feérica jubilação parecida com a que ainda ocorre na pobre Espanha que não tem o melhor jogador do Mundo e surgiu comandada por um obscuro Luís qualquer coisa.
Razão tem o tal Jacinto que comeu fruta descascada, nós todos gostamos muito deste Zimbabwé em segunda mão...