sábado, 3 de fevereiro de 2007

Puro e duro

Aqui está o materialismo, histórico e dialéctico, em todo o seu esplendor.

Tecnologia de ponta

Como é sabido, a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003, foi um embuste pegado, uma tremenda mentira, uma obscena maquinação. Na altura, só não viu quem não quis ver. Hoje, ninguém pode negar o inegável. Se bem estou lembrado, um dos argumentos então utilizados para caucionar a falácia era o de que, com a queda de Saddam, se iria por termo à morte de muitos inocentes, vítimas de um regime torcionário. Entre nós, e por esse mundo fora, algumas das boas almas que, em 2003, subscreveram a patranha com ingenuidade, atrevem-se agora a dizer que a invasão foi “um erro”, como se o que estivesse em causa fosse um engano na conta da mercearia. Hoje, segundo o DIÁRIO DIGITAL, morreram pelo menos 121 pessoas (e outras 226 ficaram feridas) devido a um atentado num mercado do centro de Bagdad. Por outro lado, mais de 18.600 civis foram mortos, só nesta cidade, em 2006 (em atentados, presume-se). Consolador é saber que os óbitos se deram já numa sofisticada democracia “made in USA”. A tecnologia de ponta tem os seus custos.

Ainda o aborto

Bagão Félix trouxe ontem à luz da evidência o absurdo ecológico que, de um ponto de vista da tutela dos bens jurídicos, uma vitória do SIM no referendo ao aborto deverá representar. A protecção concedida pelo Direito a certas espécies de árvores, por exemplo, sobrepor-se-á à protecção da vida intra-uterina; a natureza humana pesará menos que a natureza vegetal. Para quem se não tiver ainda deixado enredar na teia de paralogismos e sofismas urdida por quem propugna a liberalização, a inteligência das palavras do antigo ministro tende a liquidar a questão, pois demonstra inexistir um fundamento ético-jurídico sério que sustente a alteração da lei penal.

Mesmo que o SIM vença, continuará a existir, para além de certos limites, um crime contra a vida intra-uterina que se chama aborto. A arrumação sistemática no Código Penal tornará mais penosa a liberalização, quer do ponto de vista da ponderação de valores, quer do prisma da hierarquia dos bens jurídicos: o material tenderá a ter maior dignidade que o pessoal.

Do meu ponto de vista, uma derrota do NÃO será puramente uma vitória da força e da vontade, não um triunfo da inteligência. A força e a vontade são, na essência, os atributos da democracia e da tirania. A democracia, sempre preferível à tirania, é tão capaz como esta de produzir monstruosidades.

A força e a vontade foram os sustentáculos pavorosos dos regimes nazistas, fascistas e comunistas do século XX. Em diferentes graus, continuam a sê-lo na China, nos Estados Unidos, em Cuba e em boa parte do Islão. Pensadores tão diferentes como Moisés Espírito Santo e Orlando Vitorino ajudam a compreender o fenómeno: a decadência da civilização resulta da supressão do pensamento, isto é, da filosofia, que o Governo português agora se apressa a retirar dos programas escolares.

Infelizmente, nos dois lados da barricada, a campanha em curso não tem primado pelo esforço da argumentação. O mais acabado sentimentalismo arruinou a discussão. Do lado do SIM, o apelo afectivo esconde a total ausência de argumentos. Do lado do NÃO, revela alguma inépcia para demonstrar a falta de razões no campo adversário. E, no entanto, pode-se não ter papas na língua, ver na despenalização uma monstruosidade e, ainda assim, procurar demonstrá-lo, como, por exemplo, fizeram Jorge Miranda e Bagão Félix.

O erro da Igreja, volto a dizê-lo nesta página, foi o de não ter assumido, desde o princípio, que, pela parte que lhe toca, o problema lhe revela, sobretudo, senão exclusivamente, uma questão religiosa, isto é, espiritual. Num país medularmente anti-clerical (que não irreligioso), a manha jesuítica de depositar propaganda nas mochilas das crianças já fez mais pela despenalização do que todas as vociferações dos inevitáveis Francisco Louçã e Odete Santos. Não por acaso, Amor é o anagrama de Roma; Amor, diz Sampaio Bruno, é anti-Roma.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Telhados de vidro

O mundo do futebol é, de facto, admirável.

Toda a gente sabe que o presidente da Académica é suspeito de corrupção num processo em que terá (alegadamente, claro) misturado a sua posição de responsável pelo urbanismo na Câmara de Coimbra com o seu papel de dirigente desportivo.

Naturalmente, o senhor não foi condenado e até pode estar limpidamente inocente.
Contudo, neste momento, a sua imagem está longe de inspirar credibilidade e respeito.
Por isso, surpreende que tenha vindo a público vergastar a arbitragem, pondo em causa o mérito de outros clubes.

Por muita razão que possa ter, ele não está em posição de empunhar a lança do Cavaleiro Branco, devendo deixar para outros a investida contra os homens do apito.

Simplesmente porque os telhados de vidro do senhor presidente desvalorizam os seus eventuais argumentos e acabam por prejudicar a causa da Associação Académica...

É bom não esquecer

Faz hoje 62 anos que os soldados do Exército Vermelho libertaram os últimos prisioneiros do abominável campo de concentração de Auschwitz, a fábrica da morte.

Maçin

António Reis, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano vota SIM.

A notícia é do "Expresso" e não tem outro significado que não seja a curiosidade de vermos que a escolha deste maçon não é non.

Talvez
haja quem lhe chame maçin.


E talvez haja quem pense que, desta forma, Grão a Grão, enche o Sim o saco...

Mar da "neva"

O sócio-gerente da Bragaparques, Domingos Névoa, além da acusação de tentativa de corrupção na pessoa de Sá Fernandes, está igualmente metido noutra embrulhada, em Coimbra.

Em causa está a construção de um parque de estacionamento na Baixa da cidade do Mondego, facto que vem confirmar a tese de que a globalização também se faz cá dentro.

Ou seja, a Bragaparques não limita a sua ambição à cidade dos Arcebispos, antes estende a sua rede por todo o país.

Este apetite, inevitavelmente, traz complicações, amargos de boca e invejas, sobretudo quando o sócio-gerente tem o azar de ter um apelido que não é sinónimo de transparência.

Bem faz a autarquia de Sesimbra que não vai na conversa de construtores de parques de estacionamento.

Para névoa, já basta a que paira sobre a obra (?) deste executivo e sobre o passivo que dentro de pouco tempo vai ser conhecido.

Mas tudo acabará em bem, com uma oposição branda e macia que tem como lema "Amigos, amigos, negócios à parque"...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

O que diz Darwin

Está, neste preciso momento, a falar, na SIC Notícias, o professor Adriano Moreira que já usou (por três vezes) o estranho verbo evolucionar em vez do comezinho e correcto "evoluir".

Confesso que me faz muita confusão a forma como tanta gente aceita e repete formas erradas como recepcionar, direccionar, ou contratualizar, por exemplo.

Em jovens mal preparados e mais virados para a "modernidade", ainda posso (com alguma tristeza) perceber e desculpar tais erros.

Porém, quando se trata de pessoas de indesmentível cultura e de bem alicerdados conhecimentos da nossa língua, confesso que me caem os braços sobre o teclado e não resisto a clamar no deserto da indiferença com que a generalidade das pessoas (mal) olha para estas coisas.

Por isso, não consigo compreender como é possível um homem como o Professor Adriano Moreira dizer, por três vezes, evolucionar.

Tal como não entendo como é que gente que levou toda uma vida a dizer "a sério" agora diz "à séria".

Ou compra uma cena, em vez de uma coisa.

Estou mesmo a ficar velho, cota irrecuperável, sem dúvida...

O óvulo de Colombo

O que era de temer está a acontecer, ou seja, a campanha do referendo a exibir os tiques e a assumir as práticas politico-futeboleiras vistas e repetidas aquando de eleições.

Não falta sequer essa palhaçada designada por um neologismo tão pindérico como inútil, arruada.

E tudo isto para nada, uma vez que, seja qual for o resultado do referendo, o aborto continuará a existir.

Sim, porque (e melhor não diriam mestre Cristóvão nem o senhor La Palisse) a única forma de acabar com o aborto é a abstenção.

Não a abstenção de votar no dia 11, mas a verdadeira abstenção, do acto carnal, da cópula, do coito, enfim... daquilo.


quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Cartão vermelho

Augusto Pólvora, que é adepto do Benfica – hélas! –, decidiu, há dias, associar-se a uma iniciativa do núcleo sportinguista de Sesimbra. Nesse dia, presumo eu, o adepto do Glorioso permaneceu em sua casa e apenas o Presidente da Câmara, algo contrariado, se terá feito à estrada, rumo ao conclave verde e branco. Quem, durante a celebração, não quis saber de tão subtil destrinça foi um destacado adepto leonino que, segundo me disseram, no uso da palavra, e olhos nos olhos, apontou dois tremendos defeitos ao edil sesimbrense: ser benfiquista e militante do Partido Comunista. Entretanto, as opiniões dividem-se: há quem diga que foi mostrado um cartão vermelho ao autarca e há quem julgue que ele foi apanhado em fora-de-jogo. Seja como for, a arbitragem deixou algo a desejar, pois Augusto foi vítima de uma entrada a pés juntos...

É justo

Para muita gente, o ex-Procurador Geral da República, Souto Moura, é um homem cinzento que deixa poucas e más recordações.

O seu percurso fica marcado por declarações inoportunas e infelizes, equívocos e errâncias no caso Casa Pia, sobretudo.

Assim parece não ter entendido o Presidente da República que decidiu condecorá-lo com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, estando a cerimónia marcada para a próxima segunda-feira, no Palácio de Belém.

Contudo, fontes que não sou obrigado a revelar, garantem que, afinal, a medalha vai ser enviada ao interessado pelo correio.

Dentro do Envelope 9...

Talvez SIM

Vamos lá ver se nos entendemos.

1- Há um consenso alargado, com um ou outro cambiante, de que, a partir da fecundação, há vida.

2 - Ninguém, em seu perfeito juízo, é favorável à supressão dessa vida.

3 - Com a actual ou outra lei, o aborto existe e existirá. Sempre. Inevitável e fatalmente.
Por uma razão clara e decisiva: nem toda a gravidez é desejada.

4 - Num mundo ideal, não haveria um só aborto, TODAS as crianças acabariam por nascer, saudáveis, para total felicidade da família.

5 - Mas esse mundo não existe.

6 - A despenalização não vai acabar com o aborto nem vai promovê-lo. A única diferença, relativamente à actual situação, é deixar de considerar como criminosas as mulheres que abortam.
E, sobretudo, criar boas condições, por forma a lutar contra o perigo, a insegurança e a exploração que envolvem o aborto clandestino.

7 - Despenalizar o aborto, dizer SIM, não é convidar, muito menos impor o aborto.
É apenas conceder uma escolha, em liberdade e sem ameaças penais.
E em melhores condições de assistência médica e psicológica.

8 - Infelizmente, o aborto é um combate perdido, quer se vote sim ou não.

Talvez o SIM seja apenas o mal menor...

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Por um canudo

A governação de Augusto Pólvora não prescinde de umas quantas bandeiras, de um certo número de causas que, a par do permanente período festivo em curso, ajudem a maquilhar a inoperância fundamental da sua gestão. Ele é o POPNA, volta e meia requentado a preceito, doseado quanto baste, para inebriar o eleitorado da vila; a agitação, parodiante e gaiteira, em torno da co-incineração, destinada a inflamar os votantes camponeses; e a lenga-lenga da Extensão de Saúde da Quinta do Conde, para encantamento dos autóctones. As tarefas do caos estão sabiamente repartidas: Augusto subverte, Felícia diverte. Para o resto, há sempre, como na capa do último boletim municipal, o recurso à foto de uma manilha de esgoto com vista para Alfarim, o laborioso desenhar do futuro, a bondade ingénita do poder local de Abril, brotando por entre as grilhetas. A manilha de esgoto em Alfarim só apresenta um senão: doravante, cada dia que passar sem ser enterrada, torna mais provável o paradoxo esperado de alguém ficar a ver Braga por um canudo.

Outro "shot" de cicuta

Um dos intervientes no "Prós e Contras" de ontem foi o treinador do Benfica, Fernando Santos, que (apenas por curiosidade) não terá sido dos melhores em campo.

Como é sabido, o homem é católico convicto, até já ensinou o catecismo, razão pela qual não surpreende que seja defensor do NÃO.

Mas, se aceitamos a opção de Fernando Santos, já temos mais dificuldade em perceber que o treinador esteja de acordo com o cidadão.

É que o treinador tem, todos os dias, diante dos olhos aquele assustador Luisão, enorme e feio, tão feio que alguns marotos aqui da minha rua lamentam que a mãezinha do jogador tenha feito questão em não abdicar da criança...

Claro, não são coisas que se digam, é maldade venenosa.

Juro que já ralhei com eles...

A directora

Permitam-me algumas anotações sobre “Os Grandes Portugueses”. Dei uma vista de olhos pelos dez nomes mais votados neste concurso televisivo (ou passatempo, ou lá o que seja). A coisa, já de si desagradável, vale o que vale – e, convenhamos, vale muito pouco. Que El-Rei D. Dinis – o mais notável estadista que Portugal alguma vez conheceu – não conste entre aqueles nomes, é, em absoluto, revelador. No rol derradeiro, é certo, encontra-se D. Afonso Henriques. Mas fica a faltar D. Manuel I. Por outro lado, ninguém escapa às figuras sinistras de Salazar e de Cunhal, e às silhuetas, pouco simpáticas, de D. João II e do Marquês de Pombal. Valham-nos os poetas, Camões e Pessoa. Este último, segundo parece, via-se a si mesmo como o supra Camões. Pena é que, naquele programa, tenha como defensora Clara Ferreira Alves, a mesma que, quando era directora da Casa Fernando Pessoa, veio dizer, urbi et orbi, que o lado religioso do poeta não lhe interessava nada – e era detestável. Simplesmente – eis aqui a chatice –, o único livro que Pessoa parece ter querido publicar em vida vem a ser um dos livros mais religiosos que alguma vez se escreveu. Chama-se este livro Mensagem e, nas cifras da sua estrutura e da sua linguagem, é uma obra herética. Claro que Clara não viu isto, nem viu nada, claramente visto. Mas, tal como a celebrada personagem queirosiana, tem imenso talento. E chegou a directora…

Vergonha

O antigo jogador e seleccionador, o "magriço" José Torres, está a viver um drama terrível, há vários anos, entre a implacável doença de Alzheimer e a falta de recursos económicos.

Neste momento, Torres estará já acamado, não reconhecendo as pessoas que o rodeiam.

Tarde, demasiado tarde, a Federação concedeu-lhe um subsídio de cerca de 10 mil euros, enquanto o Benfica (finalmente) mandou fazer milhares de "t-shirts" que estão a ser vendidas pelo mundo fora, através das Casas do clube.

Há pouco tempo, os jogadores encarnados entraram em campo com a "t-shirt" do Torres por cima das suas camisolas, após o que cada um ficou com a sua.

A nota arrepiante é que as "t-shirts" custam 10 euros cada e os milionários craques do Benfica limitaram-se a contribuir com aquela insignificante soma. Nem mais um euro para o Zé Torres.

Já houve tempo em que a solidariedade fazia parte dos pergaminhos do Benfica.

Hoje, a descaracterização não se fica pelo pindérico equipamento alternativo cor-de-rosa...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Posso dizer a frase?

A candidata socialista à presidência da França, Ségolène Royal, tem vindo a meter o delicado pé na argola, correndo mais do que a bola, falando do que conhece mal, enfim, salpicando de patetices a imagem favorável que uma maioria de franceses tinha dela.

Há pouco tempo, no Canadá, abordou de forma lamentável a questão da soberania do Québec.

Depois, deu uns palpites infelizes sobre a independência da Córsega, tema sensível e explosivo, na mais lata acepção da palavra.

Por fim, foi vítima de uma brincadeira feita pelo telefone, episódio rocambolesco que me fez pensar no que aconteceu ao Dr. Manuel Sérgio, há um bom par de anos.

O Dr. Manuel Sérgio, no tempo dos outros senhores, foi, no mínimo, um silencioso opositor, expressão que constitui um eufemismo muito simpático.

Após o 25 de Abril, descobriu uma alma esquerdista inesperada, embora tal inspiração não o tenha impedido de cair numa ratoeira telefónica altamente divertida.

Um bom imitador assumiu a voz de Cavaco e "convidou" o Dr. Sérgio para Ministro, cargo que o bom esquerdista aceitou sem pestanejar.

Estes factos, benignos e saborosos, apenas nos devem alertar para o risco de brincadeiras que nos podem deixar em situação delicada.

Sobretudo, quando o telefone toca...

Académicos...mas pouco

Antigamente, havia a ideia mais ou menos generalizada de que os futebolistas não primavam pela inteligência, preconceito tão injusto como insinuar que todos os actores são efeminados ou todos os autarcas corruptos.

A verdade, porém, é que alguns jogadores têm comportamentos, em campo, que tendem a confirmar o antigo juízo sobre eles formulado.

Por exemplo, eu não sei o que se ensina na Academia do Sporting, em Alcochete, mas certos alunos devem ser muito cábulas ou de raciocínio lento.

O brasileiro Polga já apanhou vários cartões amarelos (alguns seguidos de vermelho) por faltas absolutamente desnecessárias cometidas no meio campo do adversário.
Alguém pode entender?

No Restelo, foi Carlos Martins, no espaço de um minuto, o autor de duas faltas tão flagrantes como dispensáveis que lhe valeram a expulsão, com consequências evidentes para a sua já frágil equipa.

Agora, no Bessa, foi outra expulsão caricata (Alecsandro) e um penalti fatal por mão precipitada, injustificada e irresponsável de Tello.

Ora, tanto erro leva-nos a pensar que os alunos de Paulo Bento talvez andem a estudar de mais e vivam no vértice do esgotamento.

A não ser que haja por ali aulas de substituição que desconcentrem os rapazes...

domingo, 28 de janeiro de 2007

Perguntar não ofende

Este tema do referendo do aborto é uma mina para quem se envolve com paixão e para quem leva isto com uma perna às costas e alguma irreverência à mistura.

Por exemplo, o Simãozinho (que em breve vai equipar de cor-de-rosa) já deve andar enfadado com o assunto, uma vez que o seu nome comporta, de forma aglutinada, as duas respostas pedidas aos Portugueses, sim e não.

Os defensores do NÃO consideram que abortar é matar. É uma posição legítima. E, por isso, defendem a manutenção da lei em vigor.

Ora, numa perspectiva semelhante, todos nós vemos, por toda a parte, a denúncia ameaçadora : "FUMAR MATA".

Assim sendo, por que razão o nosso Governo não proíbe a venda e o consumo do tabaco?

Quantas pessoas morrem de cancro nos pulmões por causa do tabaco?

Quanto custa isso aos contribuintes, fumadores ou não?

Quantas mulheres morrem devido a abortos?

Quanto custa propiciar abortos seguros?

Quanto rende o tabaco ao Estado?

Já estou como o Guterres, à nora com o PIB. É só fazer contas...

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Demência

As razões são sempre muito mais obscuras do que se possa estimar, mas os factos, inexoráveis, revelam-se na sua evidência nua, crua e cruel. Verdadeiramente, a globalização, a modernidade e as sociedades abertas, ditas do conhecimento, a que deram origem, servem para estender a demência a todo o orbe. Pelo menos, não saberei entender de outra forma a monstruosidade que, ontem, Ruben de Carvalho tão lucidamente aqui denunciou.