sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Gambozinos

Vamos lá então começar tudo de novo…

Muito antes do espectáculo, organizado pela Casa do Benfica de Sesimbra, a coisa começou grotescamente com a abertura de uma cratera terceiro-mundista no muro da Vila Amália. A Câmara Municipal, sempre atenta às necessidades do movimento associativo, associou os seus préstimos ao brilharete. Foi a grua.

Durante o espectáculo, caiu um projector. Mal se ouvia cantar o homem. Foi o vento.

No fim do espectáculo, houve uma porção respeitável de mesdames que desatou mutuamente à lambada, para geral edificação do pagode. Derivado aos autógrafos.

Feitas as contas, apurou-se um saldo negativo, vulgo buraco, na ordem dos 25.000 euros. Podia ser pior. O Tony, esse, é que não terá ficado a arder.

Quando pensávamos que o lamentável episódio estava já encerrado ou, pelo menos, esquecido, eis que nos aparece, no NOVA MORADA de hoje, um senhor que, segundo se depreende, ainda está à frente da Casa do Benfica (e é correligionário do Presidente da Câmara), a ser entrevistado pela jornalista Vanda Pinto, mais ou menos ex-assessora do dito Presidente da Câmara.

Entre outros preciosos informes, o dito senhor, muito embora nos confesse que fiava o sucesso de bilheteira da circunstância do espectáculo se realizar no pico do Verão, acrescenta, contraditoriamente, que um dos objectivos do concerto do Tony Carreira era o de promover Sesimbra turisticamente, “apostando numa promoção que trouxesse nomes sonantes até nós”. Em que é que ficamos? Quem vai à boleia de quem?

Está visto: ficámos todos a dever-lhe um favor. Claro que, numa visão muito pessoal, tenho algumas dúvidas sérias sobre a eficácia promocional que o ídolo do sindicato das sopeiras possa ter na celebrização desta santa terra plantada à beira-mar. Acresce que na Torre da Marinha, que fica mais perto de Lisboa e até tem o comboio à porta, o espectáculo do Tony foi cancelado por falta de quórum.

Comovente era o propósito de dádiva, agora confirmado, de parte dos lucros a outras associações do concelho. Outras que eram apenas duas, acrescentarei eu. O Desportivo de Sesimbra, por razões óbvias e legítimas. E o CECAS Raio de Luz, sem que ninguém perceba muito bem porquê. Claro que a Casa do Benfica, se tiver dinheiro para mandar cantar um cego, pode escolher o artista que bem entender. E, em terra de cegos, quem tem olho é rei. Mal da Câmara se os outros abrem os olhos…

Para nosso sossego, o redito senhor garante que, nestes moldes, não irá continuar a promover espectáculos. Mas sempre vai lembrando que, há três anos, quando a Casa do Benfica iniciou o seu trabalho, havia, em Sesimbra, uma lacuna nesta área que tem vindo a melhorar. Lembro-me, ao acaso, de a dita Casa ter já promovido uma assada em plena rua, de onde dimanavam os melhores eflúvios. Houve também uma noite, tonitruante, de fados e guitarradas. Agora, com o Tony actuante, foi o que se viu. Sobretudo o que se viu. Por que não deixam a lacuna sossegadinha? Por que não se dedicam a outra coisa? Parece que a época de caça vai reabrir. E anda por aí muito gambozino ao laréu…

A hipocrisia é contagiosa

O senhor Jesualdo depressa esqueceu a humildade dos muitos anos em que foi adjunto e treinou equipas pequenas.
Começou a perder dignidade quando, depois de ter assinado pelo Boavista, cuspiu na sopa e se mudou para o Porto.
Compreende-se a tentação, mas reprova-se a conduta deselegante.

Desde então, e por várias vezes, o homem tem exibido um ar e um tom de professor catedrático, uma arrogância suave a que vem juntando uma ponta de cinismo e de ironia que deve ter aprendido com alguém daquela casa do Dragão.

A recusa do Porto em adiar o jogo com o Leiria é agora justificada pelo senhor Jesualdo com o argumento de que o clube se limitou a aplicar o regulamento.
De facto, há 72 horas entre os dois jogos da União, mas uma viagem de Israel para Lisboa não é o mesmo que um saltinho de Madrid ou da Corunha.

O Porto não cometeu qualquer ilegalidade, é certo.
Respeitou o regulamento, é
verdade, mas não é menos verdade que o mesmo regulamento não proíbe adiamentos. É tudo uma simples questão (ou falta) de cortesia e desportivismo.

Pelos vistos, o senhor Jesualdo aprendeu depressa...


Parece Que Perdi

Mesmo que façamos por andar distraídos, os factos puxam-nos pela manga do casaco.
Eu ainda consigo resistir a falar da princesa Diana, deixo isso para outros, mas não posso deixar de trazer à colação a situação dramática que está a viver o senhor Paulo Teixeira Pinto que, a esta hora, fechado que está o mercado, se deve preparar para anunciar a sua saída da administração do BCP.

E, fatalmente, não posso deixar de relacionar este acontecimento com o mundo do futebol.
Não sei se sabem, mas hoje fecha o mercado de Azeitão onde os modernos ciganos (leia-se empresários) costumam vender, trocar e alugar jogadores.

Daí o desespero do senhor Paulo Teixeira Pinto, atingido por uma chicotada psicológica nesta altura tão má. É certo que para os treinadores, como ele, o mercado nunca fecha, mas a verdade é que, ao ser afastado desta forma, depois de vários meses com maus resultados, não vai ser fácil que o voltemos a ver noutro banco a orientar as transacções.

O homem está a atravessar um mau momento de forma, desde que deixou a Opus Dei.
Não sei se a IURD o contratará, tanto mais que ele parece dar azar.
A mulher, Paula, está a ser atacada por Helena Lopes da Costa ( a tal da hetacombe), nos meandros do PSD, enquanto o filho de ambos destruiu o carro de um amigo, prejuízo que o senhor Paulo se recusa a assumir.

Agosto termina da pior maneira para o PTP que, mil vezes, já deve ter dito de si para si PQP...

Ditos de eruditos

As palavras constituem uma fonte de inspiração para quem gosta destas coisas.
Lembrei-me agora desta febre dos entendidos em futebol que pretendem arranjar termos novos para factos e conceitos antigos, como se a velha terminologia tivesse sarna.

Múltiplos exemplos aqui tenho deixado, e hoje evoco a palavra assistência que sofreu uma rotação violenta no seu significado.
Noutro tempo, no futebol como noutros espectáculos, a assistência era o público, o conjunto dos espectadores.

Hoje, a palavra (na boca dos especialistas) designa o que dantes era um passe de morte, um passe de bandeja ou um golo oferecido.

Curiosamente, aos bons jogadores era muitas vezes censurado o facto de jogarem para a assistência, ou seja, o vício de se recrearem com a bola, de pensarem no brilharete individual, de fazerem floreados.
Hoje, pelo contrário, os treinadores exigem que eles façam assistências, ou seja, que criem oportunidades de golo para os colegas.

No fundo, o que mudou foi o facto de o futebol há muito ter deixado de ser um espectáculo que só fazia sentido com assistências que sabiam apreciar uma partida bem jogada.

Hoje, o futebol é apenas um negócio, um produto televisivo que dispensa a presença de público no estádio. Basta o que se senta em frente ao televisor.

É a diferença entre o fascínio pela Taça dos Campeões e o comércio da Liga dos milhões...


133

Eu bem sei que quantidade nem sempre é qualidade, mas não é de desprezar a marca de 133 textos publicados até hoje, último dia de um Agosto suposto ser preguiçoso...

Marcha (im)popular

A nossa Susana Feitor ficou em 5º lugar na prova de Marcha, classificação que não envergonha uma atleta que esteve nove vezes consecutivas nestas competições.

Ao ver as imagens das marchantes em pleno esforço, não pude deixar de pensar que esta modalidade é contranatural e absurda.

Se repararmos bem, quem marcha divide-se entre a obrigação de andar e a vontade de correr, é como se tivesse uma corrente a limitar-lhe a amplitude e a cadência do gesto.
Um pouco como os cavalos que, em certas corridas, não podem passar do trote ao galope.

Estamos perante uma verdadeira castração porque o que é natural num atleta é transcender-se, correr mais depressa, ir mais longe, dar quanto tem até ao limite da sua capacidade física, em vez de se ver tolhido, limitado, amordaçado.

Além disso, no plano estético, chega a ser ridículo e patético (sobretudo nos homens) aquele movimento ondulante das ancas e o passinho reprimido.
Deixem os atletas correr, acabem com esta prova amaneirada e frustrante.

Em suma, dêem-lhe guia de marcha...

O seu a seu dono

Lula da Silva acaba de declarar que a forte votação na segunda volta da eleição presidencial o desvinculou do chamado "Mensalão".

Por outras palavras, e na
insuspeita opinião de Lula, o voto popular legitimou-o, afastou da sua pessoa qualquer resquício de ilegalidades cometidas, limpou-o, branqueou-o, deixou-o imaculado.

É um ponto de vista. Conveniente, oportuno, vagamente lógico, mas apenas isso, um ponto de vista.

Mas Lula não descobriu a pólvora.

Os Portugueses (que, recorde-se, haviam chegado antes ao Brasil) descobriram, antes de Lula, esta subtil e inocente argumentação.

Para que conste e porque é justo, os direitos de autor vão, inteirinhos, para o trio maravilha, Isaltino, Valentim e Fàtinha...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

A derrota a cantar...

O francês Claude Allègre foi ministro da Educação num Governo socialista, mas vai deixar o partido.
Antes, porém, publicou um livro devastador para o secretário-geral, François Hollande.
O título é sugestivo, "La Défaite en Chantant", ou seja, " A Derrota a Cantar", um ataque frontal
ao Partido Socialista francês que está a atravessar uma crise sem precedente, ameaçando mesmo implodir.
E o
principal responsável por esta hecatombe chama-se Nicolas Sarkosy.

Primeiro, derrotou estrondosamente a candidata do PS, facto que deu origem a contestação imediata dos opositores internos de Ségolène Royal.
Depois, no zénite da refrega, Ségolène separou-se do marido, François Hollande.

Em seguida, Sarkosy jogou, habilmente, a carta da abertura, tendo seduzido vários socialistas, o último dos quais o próprio Michel Rocard, ex-primeiro ministro de Mitterrand.

Agora, este livro de Claude Allègre é mais um tiro no porta-aviões do PS que mais se assemelha a um Titanic com a orquestra a tocar, a tal "défaite en chantant".

Pelos vistos, lá como cá, Allègre é nome incómodo para o Partido Socialista...

"Cãodenado" ao abate

Em França, uma menina de 18 meses foi morta por um cão de raça americana, um staffordshire terrier.

O tribunal ordenou que o perigoso animal fosse abatido, mas o dono recorreu da sentença.

Perante esta reacção, temos de admitir que o juiz se enganou, ao julgar o cão e não o dono...

Sorteio, mas pouco...

Revela o SOL que o Sporting parte em desvantagem para a Liga dos Campeões Europeus, uma vez que já se sabe que vai ter pela frente dois adversários cotados enquanto Porto e Benfica só terão um.

Ora, a parte curiosa é que o sorteio só tem lugar logo à tarde, o que prova que esta manipulação é tudo menos sorteio.
A definição dos grupos de quatro é trabalho de laboratório, mete coeficientes e outros considerandos que é preferível não conhecer.
É futebol, está tudo dito.

Será que a Taça é dourada?

Limpar as mãos à parede

Ontem, num café do centro de Sesimbra (não vou dizer qual foi), resolvi comprar um gelado (também não vou dizer qual foi) para mim, e outro (também não vou dizer qual foi) para o pequeno. Acto contínuo, abri a tentadora arca da Olá (elas agora são como um partido que eu cá sei, têm paredes de vidro). Prestes a deitar a mão aos sorvetes, oiço a repreensão ríspida, quase indignada, do dono do estabelecimento: “Isso não pode estar aberto! Tem de escolher antes de tirar!” Respondi-lhe, de pronto, que a escolha já estava feita. E estava, desde o início.

Depois de lhes pagar o resgate, confio, por breves instantes, os rajás ao pequeno e dirijo-me às toilletes, onde não havia toalhetes. Apenas o sítio dos toalhetes. Ora, haver toilletes sem toalhetes, apenas com o sítio dos ditos, não me parece nada bem, para mais em casa comercial de tão esmerado desempenho, onde um gelado é sempre um gelado, e assim deve permanecer, dê lá por onde der, doa a quem doer.

Bem sei que a Dr.ª Peneque prodigalizou recentemente exércitos de ventres famélicos à porta dos nossos restaurantes, mas ali, senhores, tratava-se de uma simples pastelaria! Se bem me lembro, as Escrituras mandam-nos sacudir, à saída, a poeira das sandálias. Mas eu saí dali sacudindo as minhas mãos molhadas, ostensivamente. O exigente senhor gerente, esse, bem pode limpar as suas à parede. Assim como assim, não tem outro remédio.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Espiritualidades

O líder tibetano Dalai Lama vai estar no Pavilhão Atlântico em 16 de Setembro para uma Conferência Pública, e os bilhetes já estão quase esgotados.

Ora, se a memória não me é infiel, quem encheu por completo o mesmo Pavilhão foi Tony Carreira, o que prova a dimensão planetária de um artista português que iguala ou suplanta o ícone da espiritualidade que é o Dalai Lama.

Mas as coisas são o que são e a aparição do sublime Carreira em Sesimbra foi o fracasso que sabemos, para grande desgosto da Casa do Benfica, do Jornal Raio de Luz e da empenhada Câmara.
Todos eles viram ruir as suas ilusões e o muro do topo nordeste do estádio ensombrado pelo eclipse do público que, apesar dos 75.412 cartazes promocionais, não atingiu ainda o grau de espiritualidade necessário para merecer alcançar o êxtase que é ver e ouvir o Tony.

Mas a vida é como o mar, cheia de ondas de emoção.
A próxima já está de Atalaia, neste fim-de-semana.

Foi pena não terem ajustado as datas, talvez o senhor Dalai Lama tivesse aceitado um mano-a-mano com o Jerónimo...

Contra partidas

O Português é, por natureza, céptico e, por vício, desconfiado.
Por isso, nenhum de nós acredita que vivemos num país rico e generoso. Mas é verdade.
Pelo menos é o que podemos concluir de algumas decisões deste Governo socialista.

Em Julho passado, comentei aqui aquela coisa fascinante que é este Portugal da alfarroba e dos joaquinzinhos ter fornecido à Angola dos diamantes e do petróleo uma ajuda não reembolsável no valor de 65 milhões de euros.

Agora saiu o euromilhões à Guiné, país a que o magnânimo régulo Sócrates resolveu perdoar uma dívida de 73 milhões de euros e, ainda por cima, abrir uma linha de crédito.
Ou seja, assentamos no tecto a dívida antiga e pomo-nos a jeito para novo emptréstimo que, inevitavelmente e a seu tempo, virá a ser perdoado.

Talvez haja em todos estes acordos contrapartidas que desconhecemos.
O problema é que os Portugueses, além de cépticos e desconfiados, são contra partidas que os governantes lhes pregam como e quando lhes apetece.

Mas isto deve ser coisa importante pois já sabemos que existe na orgânica governamental uma entidade chamada, precisa e curiosamente, Comissão Permanente de Contrapartidas.
Para que servirá?

In dubio, pro ença...

O livre que o senhor Proença arranjou traz consigo um mundo de revelações, sendo a primeira (e mais grave) a demonstração da ignorância de jogadores, treinador e...árbitro.
Com efeito, todos eles mostraram desconhecimento da regra em causa, havendo a circunstância agravante para o senhor Proença o facto de ser árbitro.
É inadmissível que, 24 horas depois, tenha dado uma interpretação incorrecta, o que só pode indiciar ignorância ou má fé.

Admito que possa ter havido dúvidas, mas, nesse caso, jamais deveria ter sido marcado o livre.
Lá dizem os latinos que in dubio, o benefício reverte para o (hipotético) infractor.

Mas o senhor Proença não sabe latim, como também não sabe que atirar com um guarda-redes pela baliza dentro é irregular. Aconteceu em Guimarães, na 1ª jornada.

Já agora, uma sugestão.
Se o objectivo é evitar o anti-jogo, não se percebe que o passe deliberado com o pé
seja proibido, enquanto que com a cabeça é permitido.
Não faz sentido, não tem a mínima lógica.

Será a cabeça do futebolista a sua parte fraca?

Desculpem o mau jeito...

É frequente ouvir-se dizer que todos os clubes apoiam as equipas portuguesas que disputam competições europeias.
Costuma haver até solidariedade entre elas quando as datas dos jogos europeus e nacionais causam dificuldades, sendo habitual haver adiamentos.

Mas, pelos vistos, nem todos o fazem.
A União de Leiria joga amanhã em Israel e cabe-lhe receber o Porto no domingo.
Por razões mais que compreensíveis, pediu aos portistas o adiamento do jogo.
E o Porto recusou.

Dá-lhe mais jeito defrontar uma equipa cansada, claro.
No fundo, fez as suas contas, contas à moda do Porto.

Assim nem vão precisar de outro Pedro Proença...

É guerra...

A actriz Scarlett Johansson, a nova protegida de Woody Allen, declara-se disposta ir ao Iraque para se exibir diante dos soldados americanos, contribuindo assim para levantar (entre outras coisas) o moral das tropas.
A ideia não é nova e muitas outras vedetas o fizeram, noutros cenários bélicos.
Uma delas foi Marilyn Monroe.

Neste momento em que os USA começam a admitir a retirada, a presença de Scarlett e outras voluptuosas meninas seria bem mais útil do que a de Condoleezza Rice.
Isto, para quem advoga a saída dos americanos do território iraquiano.

Em verdade, um contingente que integrasse igualmente Kim Bassinger, Demi Moore, Julia Roberts, Ashley Jude, Nathalie Portman, Jenifer Lopez, entre outras beldades, talvez provocasse um levantamento de rancho e uma debandada geral.

No fundo, tratar-se-ia de replicar às promessas que, do outro lado, fazem aos suicidas, ou seja, um T2 no paraíso e uma mão cheia de virgens à disposição.
Ao ver desfilar, ali mesmo, diante deles e não num qualquer paraíso duvidoso,
este pelotão de charme, os soldados americanos perceberiam que o melhor é voltar para a sua terra, o mundo real.

É certo que estas pequenas já não serão propriamente virgens, mas ainda fariam uma perninha.
E, além disso, é guerra, é guerra...

Má língua

Se esta pobre e Magra Carta fosse uma revista cor-de-rosa já teria lançado para a blogosfera a hipotética notícia de que, nas hostes do Manchester United, nem toda a gente está feliz com o bom começo de Nani.

Não será preciso ter muita imaginação para admitir que o menos sastisfeito seja Cristiano Ronaldo.

Mas, claro, fica a ressalva "honni soit qui mal y pense"...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Será o princípio?

A Turquia tem um novo Chefe de Estado, Abdullah Gul, com uma forte costela islâmica.

Os laicos desconfiam deste homem que começou no partido islamista Refah e consolidou conhecimentos com Necmettin Erbakan, o pai do islamismo político turco.

A mulher (que não estará presente na tomada de posse de Abdullah Gul) usa o véu islâmico.

Será que este economista formado em Londres se vai virar mais para Meca do que para Bruxelas?

No país reina alguma inquietação e, quando a tensão é forte e o temperamento tão inflamável, o risco é grande, o carreiro é estreito. Basta um Bósforo...

Eliot Menezes

Não há volta a dar, alguns políticos têm este dom divino que lhes permite captar uma palavra, um gesto, um fèdiver e daí arrancar, com repentismo de poeta popular, para uma tirada de tribuno inspirado.

E, inegavelmente, o doutor Menezes nasceu com essa graça, há que reconhecer.
Parece que, no seu blogue, fez uns quantos plágios, mas isso também já aconteceu com a doutora Clara Pinto Correia, enfim, não vamos agora crucificar o homem por uma leviandade.

Há minutos, rendi-me ao talento e ao sentido de mesura revelados pelo dr. Menezes quando o ouvi comparar a cidade do Porto dos nossos dias à Chicago dos anos 30.
E isto porque gente da noite anda a ajustar contas pela calada da dita.
Tanto bastou para dar o mote ao excelente dr. Menezes que, na inflamação do sublime cotejo, não perdeu a oportunidade para culpar, de uma assentada, o Governo e o dr. Marques Mendes.

Ora, lento como sou na compreensão destas diatribes, apenas me ocorre lembrar ao dr. Menezes que, em terra de vinho do Porto, vinho verde, finos e jeropiga, não há propriamente uma lei seca.
Depois, procuro na fraca memória imagens da série"Os Incorruptíveis", com Robert Stack no papel de Eliot Ness, mas, por mais voltas que dê à cabeça, não consigo encontrar, na cidade nem no grande Porto, alguém que se possa comparar a Al Capone...


segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Bravo, Nelson!

O nosso compatriota Nelson Évora acaba de conquistar uma medalha de ouro nos Mundiais de Atletismo que estão a decorrer em Osaka, ao alcançar a marca de 17,74 metros no triplo salto.

É um feito notável que me leva a sugerir aos senhores que alinham os temas dos diversos telejornais que arranjem trinta segundos para o Nelson, coitadito, que é apenas medalha de ouro.

Vejam se são capazes de roubar esses segundos às mazelas do Benfica ou ao livre que o senhor Proença fabricou e ponham o rapaz no lugar que merece, ou seja, o primeiro do pódio daquilo que é realmente digno de relevo.

É um ar que nos dá...

Passei há minutos à porta do Ministério da Justiça, no Terreiro do Paço, e quase tomei um duche gratuito fornecido pelos aparelhos de ar condicionado que sobre nós vertem as suas águas, ali e em mil outros locais desta Lisboa, sem que alguém se preocupe.

Não é que as pessoas não se sintam atingidas e incomodadas, mas ninguém acredita que o protesto sirva para alguma coisa.
E calam-se sob as águas de quem se dá ares que condicionam e lesam o bem-estar alheio.

Na esquadra mais próxima, e exposto o assunto, foi-me dito que existe um diploma legal que estabelece as condições de instalação e funcionamento.
Porém, em casa de ferreiro, espeto de pau, e em todos os edifícios públicos (e nos outros também) ninguém cumpre nem respeita.

O pagode bebe e cala, sereno e manso como no tempo da outra senhora, mas a Câmara tem a obrigação de olhar para (e por) estas coisas.

Talvez quando um dia o Zorro Zá Fernandez apanhar um duche à porta de um qualquer Ministério chame o amigo Louçã e o transgénico Miguel Portas e vão todos, de chapéu-de-chuva aberto, gritar a sua indignação à entrada do túnel do Marquês.

Este exemplo mostra duas coisas. Uma delas é que muitas pessoas ignoram os seus direitos e outras desistiram de protestar.
A indignação e o direito que lhe está associado (como um brinde da Farinha Amparo) não devem estar limitados ao buzinão da Ponte, há muito mais a contestar.

O grande mal é que os príncipes que nos governam não sofrem com estas coisas.
É o que sucede com o novo presidente da Câmara que passou, minutos depois, num soberbo Audi qualquer coisa que está certamente equipado com um ar condicionado daqueles que não mijam para cima dos eleitores.

A outra grande conclusão é que, neste País e há muito tempo, quem procura Justiça o mais certo é apanhar um balde de água destilada por aparelhos para os quais não há providências cautelares que resultem...

domingo, 26 de agosto de 2007

Assédio?

Os Mundiais de atletismo que estão a decorrer em Osaka trouxeram-nos duas curiosidades dignas de registo.

Primeiro, o facto de o vencedor dos 100 metros ser Gay.
Na verdade, é esse o apelido do atleta cujo nome é Tyson que, por seu turno, é o apelido do antigo pugilista conhecido pela sua brutalidade.

Evidente é que, tendo ele sido o primeiro, bem se pode afirmar que todos o adversários de Tyson correram atrás de Gay...

HITCHCOC

O "Expresso" habituou-nos a alguma qualidade e elevação, mas, de vez em quando, não resiste ao populismo e vai atrás do perfume de escândalo.

A "Única" é a revista principal do semanário e tem títulos de (relativa) nobreza, pelo que causa a maior estranheza ver que apresenta na capa a fotografia da senhora Ana Salgado, a tal que levou o país a descobrir que afinal havia outra.

Eu comprei o "Expresso" mas ainda não li a entrevista feita à senhora e confesso que não tenho a menor curiosidade nisso, tão flagrante é o oportunismo e a desfaçatez da gémea de Carolina.
Qualquer pessoa vê nela uma marioneta sedenta de protagonismo e percebe quem é que, na sombra, puxa os cordelinhos.

É comovedor ouvir a gémea falar do senhor Jorge Nuno, com respeito e ternura, e há mesmo quem acredite que ela apenas pretende repor a verdade e nada mais que a verdade. Assim seja.
Mas há, igualmente e sobretudo, quem veja nesta cartada a derradeira tentativa para semear a dúvida, recorrendo ao trunfo das gémeas, algo sobejamente utilizado em filmes onde a ambiguidade e o inverosímil andam de mãos dadas.

Hoje, o senhor Jorge Nuno mostra desprezo por Carolina, a mesma Carolina que não hesitou em levar à presença do Papa.
Mas, neste mundo de ilusão e espelhos mágicos que é o futebol, quem pode garantir que, diante de Sua Santidade, foi Carolina e não Ana a ajoelhar?

Há quem tome a nuvem por Juno.

Será Juno o petit nom de Jorge Nuno?

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Uff...

Acabei agora mesmo de ler que Macário Correia refuta as acusações da funcionária que diz estar incapaz para o serviço há muito tempo.

Como li a notícia a correr, as palavras que retiveram a minha atenção foram as que surgem a laranja, a cor política do senhor.

E confesso que fiquei alarmado, chegando mesmo a sentir pena do homem, rapaz ainda na força da vida...quem diria?

Afinal, lendo melhor, verifiquei que fora uma leitura imperfeita. A incapacidade diz respeito à funcionária e não ao Presidente da Câmara.

Uff, Macário, antes assim!

Atrás do prejuízo

Está confirmado. O concerto de Tony Carreira deu um prejuízo de 25.000 euros. Bem podem os serventuários de Augusto na blogosfera vir agora defender as virtudes do maravilhoso espectáculo a que, lamentavelmente, não pude assistir, retido que fiquei num engarrafamento de fãs. Para mais, a eira do Valada já estava repleta, e só me restou voltar para casa.
Já agora, talvez aqueles que, mesmo com o calor que tem feito, vestem, uma por cima da outra, duas camisolas vermelhas, me possam explicar por que carga de água 10 por cento dos réditos da bilheteira estavam destinados ao Centro de Estudos Culturais Raio de Luz. Claro, a questão era interessante, mas, com o buraco (não, não é o do muro da Vila Amália), ter-se-á tornado académica. Doravante, espera-se que Augusto retenha a lição: a mistura da política com o futebol é nefasta. Como se viu, acaba-se a correr atrás do prejuízo.

Da ficção à realidade

No início da década de 60, os cinéfilos do mundo inteiro descobriram que havia uma nova forma de filmar, um estilo novo, quando viram "Um Homem e uma Mulher", de Claude Lelouch.
E ficou para sempre na nossa memória o "Da ba da ba da", de Francis Lai.

No inesquecível filme, a mulher é Anouck Aimée e o homem chama-se Jean-Louis Trintignant, actor da nova vaga que fora o parceiro de Brigitte Bardot noutro grande clássico, "E Deus criou a mulher".

Jean-Louis Trintignant é hoje um homem amargurado, destroçado, porque um cantor de rock assassinou-lhe a filha, Marie Trintignant, actriz como o pai e, sobretudo, muito próxima dele, numa relação de profunda e saudável cumplicidade.

Em Julho de 2003, Bernard Cantat foi condenado a oito anos de prisão pelo homicídio de Marie.
Tendo cumprido metade da pena, põe-se a hipótese de vir a beneficiar de liberdade condicional, já em Setembro.

O que equivale a dizer que a vida de Marie Trintignant não terá valido mais do que quatro anos de prisão, ainda por cima interrompidos por várias saídas temporárias.

A vida desta Marie não vale mais nem menos do que as de todas as outras Maries do mundo, e se alguém tem dificuldade em compreender a Justiça, esse alguém é Jean-Louis Trintignant que, neste momento não é apenas um Homem para quem Marie é apenas uma Mulher.

Não, eles são pai e filha, e ela foi assassinada por um outro homem que vai, provavelmente, reencontrar a liberdade total, como se nada tivesse acontecido, como se de um simples filme se tratasse.

Só faltará que, ao sair da prisão, ele se ponha a trautear o "Da ba da ba da".

Se tal acontecer, será melhor, para ele, que Trintignant não esteja por perto...

Golpe baixo

É uma bomba que caiu hoje, não em Bagdade mas em Tavira e, por extensão, no país político.
Macário Correia, presidente da Câmara é acusado de assédio sexual e moral a uma alta funcionária da autarquia.

A minha primeira dúvida foi se estamos perante um caso de assédio sexual e moral ou de assédio sexual imoral.

À luz dos nossos sagrados e intocáveis princípios éticos, qualquer assédio sexual é imoral, está bem de ver. Por consequência, o tal assédio só pode ser sexual e moral.

Mas então o que será assédio moral? Será o contrário de assédio imoral? Ora, se o assédio sexual é (como sabemos) imoral, temos de concluir que este assédio moral não é sexual.
Estão a seguir o raciocínio, não estão? Óptimo. Continuemos.

Fica assim demonstrado que não houve, por parte do engenheiro Macário Correia, assédio sexual.
Terá então havido assédio moral? E o que será isso de assédio moral? A única coisa que me ocorre é alguém tentar lixar o juízo ao próximo.
Assim sendo, o próximo mais próximo nesta história, não é a funcionária.

Tudo indica que se trata de um golpe baixo para atingir o pouco alto Marques Mendes de quem Macário é porta-voz. É disto que se trata.

Por isso, temos de ter muito cuidado porque nem sempre o assédio é a sério...

Depois não se queixem

A mulher de Simão Sabrosa confessa-se traumatizada pelo ataque de que foi vítima em Madrid quando lhe levaram o carro, um Bentley no valor de 250.000 euros.
Compreende-se o pânico e a angústia, ainda que o carro já tenha sido recuperado, ligeiramente amolgado.

O assunto só tem algum interesse como sinal de alerta para os ricos e famosos que tudo fazem para mostrar que o são. É brincar com o fogo, tentar o diabo.

Com efeito, toda a gente, incluindo (ou a começar por) malandrins, sabe das fortunas que ganham os jogadores de futebol.
Ora, como estes ostentam a sua súbita e perturbadora riqueza, é natural que se exponham a assaltos, raptos ou outras formas de extorsão.

Por isso, talvez agora a dona Filipa se resolva a comprar um banal Punto ou vírgula quando for gastar o dinheiro para alfinetes que o senhor Sabrosa fizer o favor de lhe confiar...

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Por que será?

A língua portuguesa é muito engraçada e, quando menos se espera, surpreende-nos.
Esta manhã, vá lá saber-se porquê, uma palavra cruzou o meu horizonte de fantasia. E não pude deixar de achar curiosa a observação.

Quando alguém pretende saber o que existe numa casa, numa loja, numa empresa, faz uma lista, um rol, tão exaustivo quanto possível.
Trata-se, portanto, de uma acção metódica, sistemática, sem a menor margem para fantasias ou ligeirezas.

Ora, não deixa de ser irónico que a um tal trabalho sério e rigoroso se dê o nome de inventário...

Subtilezas subtractivas

A revista "Paris Match" publicou fotografias de Nicolas Sarkosy que mostram o presidente em férias nos USA.
Em férias e sem pneu, ou seja, a ternura dos responsáveis pela revista foi ao ponto de subtrairem o invólucro esponjoso ao senhor do Palácio do Eliseu.

A manobra já está a provocar reacções várias, embora nada tenha de inédita, uma vez que em Portugal este tipo de subtracções é prática corrente.

Ninguém ignora que Sócrates foi mostrado à Nação sem o canudo da licenciatura; a Mário Soares reduziram-lhe as bochechas para a campanha presidencial; Alberto João nunca aparece de perfil por causa da barriga; Jerónimo só se deixa fotografar depois de limpar o cuspo aos cantos da boca; António Costa anda sempre com creme Nívea branqueador na algibeira; Filipe Soares Franco procura ficar sentado sempre que possível, ao contrário de Marques Mendes que tem sempre atrás de si um assessor com um banquinho.
Quanto a Pinto da Costa, já só veste fatos cinzentos, para passar despercebido e porque receia que, se usar outras cores, possa parecer que alterna.

E recusa-se a jogar xadrez, pode dar azar...

Sem sombra de dívida

Quando, há pouco tempo, José Sócrates esteve em Moscovo, de visita ao democrata Putin, foi muito criticado por não ter esfregado na cara do antigo alto funcionário do KGB um folheto de protesto contra o desrespeito pelos Direitos do Homem.

Aparentemente, repito, aparentemente, Sócrates limitou-se a usar os punhos de renda da linguagem redonda dos diplomatas, recorreu a uns eufemismos de circunstância, apertou a mão ao dit..., perdão, ao respeitável democrata Vladimir e voltou parta S. Bento sem parar em Campanhã.

Ora, afinal as coisas nem sempre são o que parecem, e acabamos de saber que a Rússia pagou integralmente, e por antecipação, a totalidade da sua dívida a Portugal, ou seja, 62 milhões de euros.

É nestes pormenores que se reconhecem e se definem os grandes estadistas.
José Sócrates não é nenhum Albertótó Jardim para ir a Moscovo agredir e insultar o tzar da Rússia.
Pelo contrário, com mansidão, ronha e tacto, em público, fingiu ignorar os golpes desferidos por Putin na democracia e nos Direitos do Homem.
Mas em privado, num recanto do bosque onde fizeram a habitual corrida matinal, consta que Sócrates apertou os... como dizer?... os laços dos ténis de Putin até este ficar rublo.

Daí a sacar-lhe o pagamento da dívida foi um passeio romântico nas margens do Volga.

Nem Rasputine teria sido mais hábil...


Perguntar não ofende...

Há quantos números é que "O Sesimbrense" não traz uma reportagem sobre as reuniões da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal?

A cada um seu Barrancos

O Verão, e em particular Agosto, é fértil em festas, romarias, bailaricos, peregrinações, concertos e inúmeras outras manifestações mais ou menos culturais.

O final do mês trouxe, durante largos anos, o repetido folhetim dos toiros de Barrancos e a expectativa quanto à atitude das autoridades face ao desafio dos aficionados que reclamavam a morte do toiro em nome da tradição.

No fundo, era apenas folclore barato a que só as televisões deram relevo.
O país não deveria estar preocupado com os gestos de bravura dos barranquenhos, tanto mais que os matadores vinham de Espanha fazer o serviço e voltavam muy prontito para o país de Saramago.

Sesimbra tem andado envolta, este ano, numa onda de emoções que não se pode enumerar sem dar xeque ao Bispo nem evocar o estrondoso êxito que foi a inesquecível passagem de Tony Carreira pelo "estádio de futebol", como diziam e continuam a dizer os milhões de cartazes ainda presos a postes e árvores do concelho.

Mas nada já é como era, e toiros só na televisão.
Felizmente veio o Tony para nos proporcionar momentos de transcendência e de magia numa feérica noite de Verão.

Há uns bons cinquenta anos, aquele estádio de futebol era um simples campo junto ao qual chegou a ser improvisada uma arena onde tiveram lugar algumas pacatas garraiadas.
Um dia, um inofensivo toiro fugiu, avenida abaixo, e Sesimbra quase foi digna de Barrancos.

A tradição está de férias e só regressa no início de Setembro, ali para as bandas da Atalaia.
Há por lá uma romaria qualquer, não consigo recordar o nome.
Sei que é uma coisa de um partido político...mas qual?... pouco importa, deixemos isso, siga a roda para avante...

Texas

Eu sei que o assunto é sério, mas há pormenores irresistíveis.
O Estado do Texas acaba de executar o 400º condenado à morte, um homem que matou a tiro a dona de uma loja de conveniência.

A primeira e evidente observação é que se tratou de um gesto muito pouco conveniente.

A segunda é que a inflação das execuções elevou o estabelecimento à categoria de loja dos 400.

Depois, se pensarmos que a pena de morte foi restabelecida no Texas em 1976, tal significa que, em três décadas, 400 pessoas foram executadas, numa média de uma por mês.

Como dizia a velha publicidade das lavandarias "Texas não é só isto".

Também há George Bush...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Excessos

Vedeta é isso mesmo, coqueluche dos jornalistas, espécie de pitonisa que domina o oráculo tão bem como o esférico ou a bola de cristal.

O comentador do jogo de hoje não fazia a coisa por menos, era "o nosso menino", "o puto maravilha" ou "o melhor jogador do mundo". O resultado viu-se.

A Arménia é equipa do pontapé para frente, coitados, não sabem mais mas correm, dão o litro, coisa que os nossos artistas não fizeram.

Ronaldo expõe-se demasiado, porque o procuram, porque não resiste aos apelos e depois diz baboseiras que nunca ouvimos nem ouviremos da boca de Figo, por exemplo.

Antes do jogo, Ronaldo exigiu concentração à equipa. Palavra de timoneiro.
Depois do encontro, inevitavelmente, teve de opinar e lá veio a la palissade da ordem.
Disse o melhor do mundo que a meta era ganhar, mas não conseguiram. Notável!

Seria bom deixarem o rapaz em paz.

Se não, acontece-lhe como à jornalista da RTP que falava, há minutos, da "durabilidade " do contrato.
Da banalidade à asneira vai um passo ou um passe...em profundidade.

O senhor da Assunção

O Tribunal Constitucional considerou ilegal um financiamento da empresa Somague ao PSD.
Vem agora José Luís Arnaut declarar, solenemente, que assume a responsabilidade política pelo facto, lembrando que era, na altura, secretário-geral do Partido.

Mas não deixa de lembrar igualmente que quem acompanhou o assunto foi Vieira de Castro.

O senhor Arnaut é aquele penteadinho que esteve ligado ao Euro 2004 e aos 10 estádios que constituíram um "desígnio nacional".

Com o desportivismo e a galhardia que se lhe reconhecem, enche o peito e assume a responsabilidade política, fórmula cuja consistência é igual à do treinador que assume a derrota. Ou seja, é apenas uma frase feita, um verbo de encher, uma vez que não traz qualquer consequência.

Resumindo, o senhor Arnaut sacode a água do capote e aponta o dedo ao camarada Vieira de Castro.

Chama-se a isto assumir responsabilidade política. Pois é...

Hip, Hip ...

Portugal de Scolari escreveu hoje mais uma página de glória ao conseguir a inimaginável proeza de empatar com a poderosa Arménia.

Soltem-se as bandeiras, a hora é de regozijo...

Entre Jaguares

Estas minhas litanias através da blogosfera resultam de dois factores.
Por um lado, a ilusão de ter coisas para partilhar, por outro, a expectativa de que uma ou outra pessoa possa gostar de ler.
Mas, antes de tudo, dou prazer a mim mesmo, um prazer que só não é solitário porque pressupõe a presença interessada de algumas almas caridosas.

Cada texto é como um balão dentro do qual coloco um bilhete postal que lanço na blogosfera, depois de lhe atar um cordel fino, muito comprido, deixando-o ao alcance de quem o quiser puxar.

Depois, se a curiosidade for suficiente, pode ler. Se não gostar, agradeço que devolva o balão aos céus, talvez outros sejam mais indulgentes.

Ontem, passei seis curtas horas a conversar com um amigo de há 40 anos.
Na altura, não passámos da superficialidade própria da mocidade e dos desencontros da vida, serviço militar, estudos, um tempo que não dava para grandes reflexões.

O meu amigo chegou à hora marcada, num belíssimo Jaguar, sinal de um bom gosto que sempre lhe conheci e do êxito que obteve no plano profissional.

Temos hoje, além de quarenta anos de peripécias várias, muitas afinidades e uma sensibilidade que nos levou a encontrar pontos comuns, um dos quais a imagem que cada um de nós conserva do pai.

Foram as primeiras seis de muitas horas que, certamente, passaremos juntos, a conversar, a descobrir, a recordar, a reconstruir um percurso que, durante pouco tempo, foi comum e que agora revisitamos, à luz da nossa amizade e da nossa comunhão de ideais.

O Jaguar fez-se à estrada, devorando os (poucos) quilómetros que nos separam, levando nas garras os despojos nostálgicos e serenos de quarenta anos...

Hoje, de manhã, descobri, no retrovisor, outro Jaguar que me seguia. Reconheci o dono, é figura familiar há mais de quarenta anos, também.
A curiosidade é que os nossos destinos foram divergentes.
Durante anos, fomos íntimos, para, aos poucos, nos irmos afastando.
Quando o possante Jaguar me ultrapassou, reparei na postura solene do condutor, olhando em frente, senhor de si, a imagem perfeita da segurança, da confiança e da auto-satisfação, própria de alguém cujo mérito é, sem dúvida, elevado.
No ouvido direito, um auricular, o mundo ao alcance de um telefonema, no silêncio confortável do Jaguar.

De repente, dei por mim a pensar que me sinto muito mais perto do Jaguar de ontem com quem apenas dei os primeiros passos no caminho da partilha e da cumplicidade.
É estranho como estas coisas acontecem, como as coincidências despertam recordações e nos levam a filosofar toscamente.

Pôr isto por escrito é uma espécie de catarse e uma forma de reflexão sobre os imprevisíveis caminhos da amizade.

De onde surgiu esta evocação? Não sei ao certo, talvez da imagem fugidia de um auricular...

Flato

(actualizado)

O editorial do último número de “O Sesimbrense” é um hino à costumada balbúrdia de Agosto. Claro que, para a Dr.ª Peneque, não há balbúrdia como a de Agosto, e não há Agosto como o de Augusto. Logo, não há balbúrdia como a de Augusto. Está lá tudo para o fim da prosa, posto em letra de forma, com a devoção de uma Santa Teresinha (não, não é a senhora da Liga). Não há nisto nada com que me deva surpreender. Desde os tempos do Dr. Sequerra que o jornal da terra está transformado numa folheca sectária e imprestável.

O que agora me causa espanto é o bom gosto revelado pela senhora logo nos primeiros parágrafos da composição. No arsenal literário da Dr.ª Peneque há de tudo: uma praia que “parece um tabuleiro onde se entornou uma caixa de punaises”; “camionetas de carreira” que “despejam ondas incessantes de crianças”; “mães carregando sacos gordos”; filas que “à porta dos restaurantes engrossam à medida que os estômagos vão reivindicando reforços”; e à noite, na "marginal, agora mais comprida, um mar de gente deambulando para facilitar a digestão". Logo depois, a senhora doutora, do alto da sua pesporrência, emite o ralhete correctivo a uma cambada de maledicentes que para aí anda, meia dúzia de “naturais da terra que não gostam desta “confusão”, que não sabem dar o devido valor a este caos abençoado que “deixa euros que engrossam os nossos bolsos”.

Só um psicólogo poderá, ao certo, dizer, que bizarro estado de alma terá assolado a Dr.ª Peneque no momento sublime em que se afoitou a destilar semelhante prosápia. Só um psicólogo saberá desvendar o segredo inconfessável cifrado nesta inaudita sucessão de punaises entornados, de ondas de crianças despejadas, de mães carregando sacos gordos, de estômagos reivindicando reforços que engrossam filas à porta dos restaurantes, barrigas esfaimadas que, já dentro dos restaurantes, deixam euros que engrossam os nossos bolsos, ventres enfim deambulando para facilitarem a digestão.

No meio disto tudo, sempre ficámos sem saber se os reforços chegaram aos estômagos a tempo. Esperemos que sim, por causa do flato. Por vezes, entre o engrossar e o despejar, entre o engordar e o entornar, a equação torna-se difícil. Alguém que puxe o autoclismo, se faz favor. Rapidamente e em força.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

À pressão

A Entidade Reguladora da Comunicação Social ilibou José Sócrates da acusação de pressão sobre alguns órgãos informativos.
Apesar de um dos conselheiros ter discordado.

Este é um daqueles casos em que o prognóstico podia ser feito com total segurança antes do jogo, ou seja, da votação.

Acho até que foi uma perda de tempo e uma teimosia idiota do "Público" e da Rádio Renascença, tão evidente é que jamais o nosso Primeiro faria uma coisa daquelas.

Pela minha parte, sempre pensei assim e, se alguma vez tive uma pálida dúvida, ela não passou de uma simples e injusta impressão...

Quem não os conhecer...

Qualquer pessoa de boa fé sabe e reconhece que Portugal é largamente superior à Arménia e, por isso, tem a obrigação (será obrigatoriedade?) de vencer a partida de amanhã.

Porém, o senhor Scolari, o patrão Madaíl e os jornalistas da corda vão batendo na tecla da humildade e da prudência, tentando sobrevalorizar uma vitória que só surpreenderá se não acontecer.

Nessa grosseira encenação, já lembraram mil vezes que a Arménia ganhou à Polónia.

Mas não dizem que a mesma Arménia perdeu com a fraquinha Bélgica...

É a esperteza saloia do costume, com sotaque brasileiro, apadrinhada pelos serviçais jornalistas dos nossos "mídias"...

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Oh se têm!

Aqui me penitencio. Tal como o controleiro dos blogues previa, o concerto do Tony Carreira teve o condão de pôr Sesimbra nas bocas do mundo. Na verdade, um projector de luz caiu devido ao vento e o respeitável público desatou mutuamente à bofetada para tentar obter um autógrafo do reputado cançonetista. A ventania era tanta que a voz do pobre Tony nem se fazia ouvir. Mas foi um espectáculo de grande qualidade. Coisa selecta. Segundo o "Notícias da Zona", a bravura posta pelos fans na arruaça foi tanta que, no final da coisa, houve até quem tivesse ido parar ao hospital. Bem fez, pois, a Câmara em apoiar tão edificante espectáculo. Disto é que eles não têm no Seixal e em Almada, oh se têm!

Que confusão!

O genial e implacável "Herdeiro de Aécio" chama a atenção para as hilariantes declarações de Miguel Portas sobre a destruição da plantação por membros da associação ambientalista Verde Eufémia.

A certa altura, o jornalista pergunta a Portas o que faria se lhe destruíssem a casa, em protesto contra qualquer coisa, o fumo, por exemplo.
Resposta de Portas : "Metia-os em tribunal".

É curioso observar que por todo o lado se ouve o verbo meter onde devia estar o verbo pôr.
Não sei se estarei a ver bem a coisa, mas julgo que todo o meter é pôr mas nem todo o pôr é meter.

Porque em meter existe a ideia de introduzir, pôr sim mas dentro.

Por isso, eu não meto os pés em cima da mesa, não ponho o nariz onde não sou chamado, não me meto a pau nem ponho as mãos pelos pés.

Isto é o que me parece e que aqui vos deixo sem tirar nem meter...

Vamos a isso

Confesso que sou um herege e não fui ao espectáculo do Tony Carreira.

Ontem, passei junto ao campo do Desportivo e vi a cratera que abriram no muro.

Nada mais sabia até há momentos quando vi dois comentários que deixam supor que o buraco no muro não foi o único na noite de Carreira.

Estarei errado?

Fica aqui a janela de oportunidade para mais comentários e saudável má língua...

Sem emenda

É natural e desculpável as pessoas cometerem erros, mas já se torna difícil aceitar que os não reconheçam e que nada façam para os corrigir ou atenuar.

Na penúltima edição do jornal "O Sesimbrense", o dr. David Sequerra escreveu sobre um jovem futebolista chamado Filipe Rodrigues, tendo posto em destaque a sua alcunha que é, indubitavelmente, depreciativa.
Mais ainda, com uma surpreendente ligeireza, dizia até (como que a justificar-se) que o rapaz é amigavelmente conhecido por essa alcunha.

Por considerar que se tratou de uma atitude no mínimo infeliz, aqui deixei o reparo e fiquei a aguardar que o dr. Sequerra fizesse o que prometeu, ou seja, dar a conhecer melhor o Filipe Rodrigues
no número seguinte.

Ora, o jornal acaba de sair e não vejo uma única linha sobre o assunto.
O dr. Sequerra podia e devia ter emendado a mão, não só porque prometeu mas, sobretudo, porque lhe ficava bem corrigir o erro.

Não o fez agora como não fez noutras circunstâncias.

Talvez poucas pessoas leiam este blogue, mas muitas lêem "O Sesimbrense".
Será que não reparam nestas coisas?

Ou será que já não têm paciência para ler o que o homem escreve?

A história repete-se

Há uma boa década, o senhor Damásio achou por bem despedir Toni (que se sagrara campeão) e contratar Artur Jorge.
Foi o descalabro, o "circo", como o próprio treinador reconheceu.

A nota curiosa é que Artur Jorge não foi corrido no final de uma época desastrosa, o que teria feito sentido, mas sim no início de outra, quando tudo estava em aberto.
Contudo, o ignorante Damásio pode ter como atenuante a circunstância nefasta de ter dado ouvidos ao senhor Wilson a quem Artur Jorge fizera a esmola de ir buscar a Marrocos onde o "buda" estava desterrado.

Na hora da saída de Artur Jorge, o amigo Wilson "esqueceu-se" do gesto tradicional de solidariedade, e não só não se demitiu como nem pôs o lugar à disposição.
Pior, ficou no lugar de quem lhe dera a mão. Acontece...

E agora foi a vez de Fernando Santos ser despejado ou tarde ou cedo de mais.
Se o homem não prestava, era no final da última época que devia ter saído, para ser o novo treinador a formar a equipa para a presente temporada.
Assim, fica a sensação de incompetência por parte de quem manda e de injustiça para com um técnico que, neste momento e em teoria, poderia aspirar a ganhar tudo.

Fernando Santos é, sempre foi, benfiquista. E muito católico.
Mas duvido que, na hora da rescisão, tenha dado a outra face.
Se o fez, não foi compreensivo, foi parvo...

Elementar

O senhor Vieira acaba de despedir Fernando Santos.

Conclusão: afinal o Benfica tinha treinador...

Grandes democratas

África continua a ser um mistério insondável, com as suas incontáveis novas democracias de características muito especiais, com tiranos mascarados de benfeitores do povo e contas gordas na Suíça, graças à hipocrisia dos países industrializados, modernos e amigos.

Amigos são, de facto, mas só dos sobas instalados no poder, não das populações que vivem na miséria e morrem na desgraça enquanto as classes dirigentes se rebolam na opulência, com o descaramento e a arrogância que sabemos.

E o insólito acontece, como agora na cimeira da África austral que acabou a aclamar o déspota Mugabe que destruiu o Zimbabwe e se mantém no poder graças à mordaça e ao cacete.
A comunidade internacional agita o dedinho ameaçador, mas não age, só finge.

Portugal acaba de confirmar que vai convidar o senhor Mugabe para a cimeira União Europeia-África a realizar em Dezembro, em Lisboa. Claro, quem se admira?

O pior é que Mugabe não será o único "grande democrata" presente...

domingo, 19 de agosto de 2007

Zidane, o grande

O "Journal du Dimanche" publica a lista dos mais populares, segundo sondagem efectuada, e o número um no coração dos franceses continua a ser Zinedine Zidane.
O que prova que o triste episódio da cabeçada não teve a menor consequência nos sentimentos dos franceses pelo seu ídolo.

A propósito, Materazzi confirmou o que os peritos já haviam identificado como tendo sido as palavras ditas pelo defesa italiano e que levaram Zidane a perder a cabeça, a mesma que esmagou no peito do adversário.

Zizou perguntou a Materazzi se este queria a sua camisola, ao que o outro retorquiu:
"Prefiro a puta da tua irmã".

Voilà, como dizem os franceses, o que aconteceu.

Esta sondagem do "Journal du Dimanche" prova que numa relação de forte simpatia, admiração e confiança, o benefício da dúvida e a tolerância não são conceitos vãos.

Por isso, apesar do gesto condenável, Zidane não só não ficou com a cabeça a prémio como não saiu da cabeça dos franceses.
Nem do coração...

Fique são

Há um bom par de meses que a simples evocação do nome Morgado vem suscitando verdadeiras paixões, uma vez que se encontra no vértice de uma cadeia de peripécias que empolgam e dividem o público.

Em cada dia que passa há novidades, reviravoltas, e todos nos interrogamos sobre o final, ou seja, queremos saber o que vai acontecer aos vilões.
Será que fica tudo na mesma ou haverá, enfim, o que para uns será Justiça e, para outros, Vingança?

A coisa ainda está para durar, parece que até Outubro, como declarou ao "Correio da Manhã" o actor Diogo Morgado, o herói de "Vingança", a novela da SIC.

Pensavam que eu estava a falar de outro assunto? Não, que ideia! Morgados há muitos.

Já agora, e só por curiosidade, o vilão-mór de "Vingança" é interpretado por Nicolau Breyner que está, neste momento, a fazer o papel de um presidente
pouco escrupuloso de um clube de futebol, no filme "Corrupção", a partir do livro de Carolina Salgado.

Será que a realidade ultrapassa a ficção?

De antologia

Muita gente tem dito, ao longo de décadas, que nada resta para inventar no futebol.
Contudo, ainda há coisas que nos surpreendem.

Há pouco tempo, ouvi o senhor Jesualdo dizer que não conhecia o jogador Stepanov.
O Porto já o tinha contratado.

Há dias, o senhor Bento disse que nada sabia sobre o interesse do Sporting no brasileiro Celsinho.
O jogador chega esta noite a Lisboa, para assinar.

Quando os treinadores não são chamados a opinar sobre a contratação de um jogador, quem manda na equipa? E quem é responsável pelos resultados?

Entretanto, na próxima quarta-feira, Portugal defronta a temível Arménia e Cristiano Ronaldo, do alto da sua sapiência, já disse que exige concentração à nossa equipa.

Fico mais descansado...

A saque

Na passada sexta-feira, no Algarve, um comando de defensores da Natureza e do Ambiente destruiu uma plantação de OGM (organismos geneticamente modificados) que, segundo ouvi, está perfeitamente legal, autorizada por que superintende na matéria.

Apesar disso, os valentes ambientalistas deram largas à sua legítima indignação e fizeram-no tranquilamente perante o olhar pachola da GNR.

Agora vem o Ministério da Administração Interna anunciar que vai investigar o que se passou porque "é inaceitável a destruição de bens patrimoniais alheios".

O que é inaceitável é a GNR ter assistido de braços cruzados à violência de um grupo de vândalos que chamaram a si a execução de uma sentença por eles ditada sem que o arguido fosse ouvido.
Há leis para esses e outros casos, e mal vai um país quando as forças da ordem são cúmplices de quem a desrespeita em nome de valores unilateralmente impostos.

Qualquer dia, este ou outro comando irrompe num café ou num jardim e agride todos os fumadores.
Virá depois o MAI, solícito e pressuroso, dizer que assim não vale.

A GNR é que parece precisar de ser geneticamente modificada...

sábado, 18 de agosto de 2007

A grua

Vá lá a gente saber porquê, a gestão de Augusto tem um fraquinho pelos adeptos do futebol. Agora trata-se do auxílio camarário ao concerto de Tony Carreira, hoje à noite, na Vila Amália, promovido pela Casa do Benfica. Então não é que os funcionários da autarquia foram abrir um novo e improvisado acesso na cabeceira norte do muro do estádio, só para permitir a chegada de uma grua ao relvado, tendo em vista a preparação do espectáculo?
Ah, sim, pois, desculpem lá: é o apoio ao movimento associativo, e a promoção da cultura...

A carne assada

O caso actual da Casa do Bispo – e calhou ser o Sporting, mas poderia ser o Benfica, ou o Porto – faz lembrar estranhamente o caso já antigo da Fortaleza de Santiago. A recuperação de ambos os monumentos fica seriamente condicionada por obstáculos impostos por terceiros.

Há uma diferença, porém.

No caso da Fortaleza, Augusto lidou muito mal com um problema difícil, abandonando a firmeza dos princípios, cedendo em aspectos essenciais, ficando com muito pouco para si. Dentro de dois anos, mais palco, menos assadouro, a Fortaleza estará na mesma, por recuperar, sem Museu do Mar instalado (Augusto prometeu-o em 2006 para 2009, no máximo).

No caso da Casa do Bispo, Augusto foi bem mais longe e criou, ele mesmo, o problema. Consentiu na constituição do obstáculo e deixou que o assunto se arrastasse um ano, até o apresentar como facto consumado à vereação. Claro que os sportinguistas defenderam então os seus interesses, fosse pelo investimento avultado que já haviam feito sem qualquer título jurídico num imóvel alheio, que, por acaso, é propriedade do município!, fosse por tudo aquilo que lhes havia sido já prometido e que tomaram por certo. Por via das dúvidas, e para memória futura, resolveram entretanto deixar recados na imprensa local.
Quem detém a Fortaleza deve ter, agora, ficado radiante com o exemplo dado com o dossiê da Rua do Forno. Poderão simplesmente perguntar: porquê tanta pressa com a Fortaleza? Olhem que a despesa é grande! Vocês nem do que é vosso, mais pequeno e mais barato, querem tratar!?

Diferenças à parte, falta acrescentar que, em ambos os casos, há outras semelhanças notáveis. Não me refiro apenas ao improviso constante de um política sem rumo, de uma política gaiteira feita de espectáculo e de vazio. Refiro-me também ao cheiro da carne assada.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

A hora da colação

Talvez haja, mas desconheço, uma tradução sintética e satisfatória para marketing.
Mas aprendi que a pedra basilar desta filosofia (concretizável) é o conhecimento do mercado, real e potencial, das suas aspirações, motivações e necessidades.
Com base no que, a seguir, se define e concebe o produto que há-de ser vendido ou distribuído.

Vieram-me ao pensamento estas noções simplistas, há pouco, na Baixa lisboeta, ao observar pela milésima vez o insólito espectáculo das lojas fechadas à hora de almoço.

Eu imagino a estranheza dos inúmeros turistas estrangeiros a quem eu teria vergonha de tentar explicar o mistério destes encerramentos.
Choraminga-se amiúde, diante das câmaras de televisão, que a baixa está a morrer e que o comércio tradicional definha.
Depois, no auge da procura, os senhores patrões e empregados vão almoçar ali ao lado, enquanto os clientes batem com o nariz na porta.

Não é só à noite que a Baixa parece um túmulo.
Ela esvai-se aos poucos, em lume brando, à hora da sesta, neste enlevo de alma tão lusitano, nesta irresponsável preguiça bafienta, com
direitos adquiridos dos caixeiros, resquícios de amplas liberdades, suicídio colectivo organizado à beira rio...

A Leste do Paraíso

Além do enorme processo Apito Dourado e dos recentes dossiês anónimos, a Procuradoria Geral da República vai investigar mais quatro denúncias (com assinatura).
Não há fome que não dê em fartura...

Durante anos ninguém tocou no futebol porque não havia provas.
Agora sobram as provas ou, pelo menos, as pistas que permitem chamar os bois pelos nomes.
As escutas apenas confirmam que o rei vai nu, nudez essa que é do conhecimento geral há décadas.
O que interessa nas escutas não é a sua legalidade, mas sim o seu conteúdo. E esse ninguém conseguiu negar.

O pior é que, se em futebol tudo é possível, na Justiça passa-se o mesmo.
Já houve um juiz que deu como provado que as férias no Brasil foram pagas por um certo clube. Mas,como era ingénuo, o senhor juiz não viu maldade no gesto, não tendo dado como provado que a gentileza do clube (que, por acaso, era o Porto) visasse obter favores do árbitro.

Com juízes destes, nunca haveria apitos, tudo acabaria em silêncio, no aconchego de tribunais cordatos.
Este senhor juíz deve ter andado na escola do outro que absolveu o homem que pagou aos russos para lhe matarem a mulher. Como eles não cumpriram o combinado, a mulher não morreu e o senhor saiu em liberdade.
E, se calhar, até foi de férias ao Brasil que é onde costumam ir veranear os árbitros desta terra tão singular onde há clubes que lhes oferecem viagens, estada e fruta.

Sem esperar contrapartidas...

SS : Sem Solução

No Afeganistão, um bombista suicida provocou a explosão que causou a morte do governador de Kandahar e de três filhos, quando saíam de casa.
Como classificar este acto?

No tempo de Estaline, Mao e Hitler não havia bombistas suicidas, mas o horror era o mesmo, só a forma era diferente.
Os carrascos de então preservavam as suas vidas, ao passo que os carrascos de hoje se consideram vítimas e desprezam a vida, a sua e a dos outros.

Nestas condições, a escalada da morte é imparável.

Sendo Bush o que sabemos, a verdade é que o tango da carnificina não se dança sozinho...

A escola da macaca

Amadeu, o mau da fita, o vilão, não quis limpar a Casa do Bispo, sugerem eles.

Augusto, o herói, o rapaz, coitado, não tem meios para o fazer, dizem agora.

De um mandato para o outro, por um passe de mágica, num abrir e fechar de olhos, os meios desapareceram e deixaram o nosso Augusto, o herói, o rapaz, de mãos atadas. Ele bem queria, coitado, mas não pode.

Na era dos DVD, ainda há cassetes com subtilezas destas.

Eles andaram, por certo, na escola da macaca. E pensam que os outros também.

Uma questão de tempo

Estas coisas notam-se. Aos poucos, o tempo passa, o desespero cresce e eles vão perdendo a cabeça, como ontem à noite aconteceu, na caixa de comentários da entrada sobre a novela da Casa do Bispo.

A verdade é que eles subiram ao poder com a ajuda preciosa, mais ou menos velada, de alguma imprensa regional. A cobertura da campanha eleitoral das últimas autárquicas foi, em certas páginas da imprensa sesimbrense, uma mistificação pegada. A descrição das diversas acções de campanha realizadas durante a festa do Cabo, feita n’O Sesimbrense em Setembro de 2005, é uma anedota rasca, mas hilariante. Merecia ser estudada nas escolas de comunicação social. Ali nos é dito que todas as forças políticas se misturaram no arraial, com excepção de uma, que teria ficado respeitosamente à margem. Na realidade, esse partido, tido por venerador e bem-educado, quase só faltou integrar-se na procissão, o que, aliás, motivou protestos dos fiéis. Meses depois, a autora que assinou a prosa chegava onde se sabe.

Mas esta gente lida mal com a realidade. É só haver alguma coisa que lhes desagrade. Desatam, então, a chamar nomes feios aos jornais. Há semanas atrás, ao que parece, foi o “Notícias da Zona” a ser admoestado por um alto dignitário da corte. Ontem, foi o “Jornal de Sesimbra”, aqui apelidado de “pasquim local teleguiado pela cambada do costume”. Neste último título, é bem capaz de haver algum filho de boa gente, que se sinta. No "Notícias da Zona" houve.

De resto, acredito que isto não vá ficar por aqui. Começou com os blogues, onde a sua influência sinistra não consegue pôr a pata, e há-de chegar ao núcleo duro da imprensa dilecta. Como dizia o outro: é preciso estar atento aos sinais. É só uma questão de tempo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Pouco judicioso

Este estranho caso da pequena Madeleine mais parece um filme policial, e já não sabemos como classificar o envolvimento mediático materializado na presença de inúmeros jornalistas, assessores de imprensa e polícias que dão tantas entrevistas como os jogadores de futebol.

Agora coube a vez ao Director da PJ que declarou estar optimista quanto ao apuramento da verdade, sem, no entanto, deixar de lembrar que, apesar de tudo, "a morte está sobre a mesa".

Eu não sei quais são as regras neste tipo de situações.
Provavelmente não há um regulamento que cubra a multiplicidade de casos possíveis, pelo que o bom senso deveria prevalecer.
A Polícia Judiciária bem poderia adoptar o célebre "No comments", no interesse da investigação, para evitar cacofonia e limitar as especulações.

Afinal, aquilo a que assistimos é uma espécie de macabra desgarrada entre jornalistas ávidos de sensação e polícias indiscretos.
O senhor Director da PJ deveria usar outro tipo de linguagem quando trata um assunto desta delicadeza.
Eu sei que muita gente usa e abusa dos chavões, mas declarar que a morte está em cima da mesa é de um mau gosto atroz.

Já que não resistem ao chamamento dos microfones e das câmaras, ao menos não armem em comentadores de baixo nível...

E as sentinas, Augusto?

O Núcleo do Sporting de Sesimbra, agora promovido a Casa, vem dizer, no último “Jornal de Sesimbra”, que a Câmara Municipal não tem capacidade para efectuar a limpeza ou a reabilitação do logradouro da Casa do Bispo, espaço que, por deliberação camarária, está presentemente a utilizar. Mais dizem os sportinguistas que querem recuperar o investimento de dez mil euros que já ali fizeram.

Esta última afirmação dos adeptos leoninos pressupõe, naturalmente, a exploração comercial daquele espaço. Ora, ao que julgo saber, o Núcleo do Sporting ainda não é uma firma comercial. Aliás, segundo creio, o Núcleo funciona em instalações cedidas, para o efeito, pelo comerciante detentor do estabelecimento que confina com o logradouro da Casa do Bispo. Daí que eu seja levado a perguntar: a quem é que a Câmara cedeu realmente aquele espaço? Que pensarão os outros comerciantes disto? E a nova esplanada, irá pagar taxas?

Outra coisa que me enche de perplexidade é a alegada falta de meios para a limpeza do logradouro. Não deve ser verdade. Afinal, o que é a Câmara de Augusto está em condições de limpar? As praias? As ruas? Os contentores? E as sentinas, Augusto?

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Cruzes, credo!


Ao entrar no "Combustões", dei de caras com esta "troika". Tudo bons rapazes...

Antes pelo contrário

Quem não é fanático da praia é bem capaz de achar que estamos a ter um Verão ameno.

Os outros resmungam que se trata é de um Verão a menos...

Transferência relâmpago

Este Governo tem um estilo estranho, nunca se sabe como reage aos acontecimentos.
No caso da Ota, foi uma reviravolta assombrosa, mas lenta; com Charrua foi uma suspensão imediata, à semelhança do que sucedeu com Dalila Rodrigues, no Museu de Arte Antiga.

Agora, fugiram seis detidos da prisão de Guimarães. Como é natural, foi instaurado um inquérito.O que é menos natural é que a directora do estabelecimento prisional já tenha sido transferida para Viana do Castelo, antes de terem sido conhecidas as conclusões do inquérito.

Não deveria a directora permanecer no seu posto pelo menos durante o desenrolar das investigações?
Porquê este afastamento precipitado do local do crime de fuga?

Se esta transferência não é uma antecipação aos resultados, parece.
Se não é uma sentença precoce, o que será? Uma promoção?

Ou será que saiu a custo zero?

Segundos

Terminou a 69ª Volta a Portugal em bicicleta e, mais uma vez, Cândido Barbosa morreu na praia.
Parece sina do simpático ciclista que brilha, promete, sonha, faz sonhar e, no fim, não ganha.

Há muitos anos, em França, um outro ciclista teve um percurso parecido, foi o eterno segundo.
O campeão, o menino bonito, chamava-se Jacques Anquetil e ganhou o Tour por cinco vezes consecutivas.

Raymond Poulidor levou a vida a correr atrás dele, sem conseguir batê-lo, perdeu sempre. Menos na simpatia dos franceses que o adoravam.
Anquetil era admirado, "Poupou" ( a sua simpática alcunha) era amado, ainda é.

Ser sempre segundo exige mérito, abnegação, perseverança e talento, não é obra do acaso. Além disso, Poulidor correu durante muitos anos, talvez por nunca se ter deixado tentar por substâncias que dão vitórias mas encurtam a vida.
Anquetil morreu cedo e dele ficou apenas a imagem de um belo atleta e um vencedor.
Está no livro de oiro dos resultados, mas no coração dos franceses só mora Raymond Poulidor.

Uma Volta ganha-se e perde-se, às vezes, por segundos.
De outros segundos raramente reza a História.
Poulidor é excepção...

Patetas a bordo

O senhor Alcides Freire faz hoje no jornal "O Jogo" (on line) um sentido elogio a Quaresma. Imagine-se que o senhor Alcides descobriu agora que o senhor Quaresma faz uma coisa genial, do outro mundo, que consiste em centrar com o pé direito depois deste passar por trás do esquerdo.
E o senhor Alcides revela isto como se tivesse descoberto a vacina contra a gripe das aves.

Qualquer jogador de décimo nível é capaz de executar este gesto, tão velho como aquilo a que chamam trivela.

Que queiram vender jornais, eu percebo. Que queiram agradar aos craques, é lá com eles.
Agora não brinquem connosco que vemos futebol há uns anitos.

O senhor Alcides nunca terá (provavelmente) visto jogar o José Augusto, o Simões ou aquele diabo do Jacinto João.

Não sei o que é mais lamentável, se a ignorância, a patetice ou a bajulação...

Forte Pinhão

Em entrevista ao "Correio da Manhã", Leonor Pinhão afirma que Pinto da Costa é um tigre de papel.
Num universo de águias, leões e dragões, surge agora um tigre... de papel.
Pergunta-se: qual é o papel do tigre que todos julgavam ser dragão?

Se bem se recordam, durante muito tempo, houve quem insistisse no nome de Pinto da Costa para o novo estádio do FC Porto.
Acabou por ficar "Estádio do Dragão", escolha que, no espírito de alguns, poderá ser uma alusão ou homenagem ao senhor Jorge Costa, também conhecido por Nuno e Pinto.

Mas esta do "tigre de papel", associado à declaração de que não tem medo do senhor, é como se Pinhão esvaziasse o dragão.

Para quem goste de trocadilhos, faça favor de observar: dragão, gradão, grade, grades...
Dragão exige "gradão", é forte, é poderoso.

Mas para tigre, e de papel, bastam grades. Será?

Suspeitas

O "Correio da Manhã" é um dos meus fornecedores de pistas para textos ligeirinhos como este.
Aliás, é compreensível esta cumplicidade entre Correio e Carteiro...
Hoje, o simpático Correio diz-nos o seguinte:
"Al-Qaeda suspeita de atentados no Iraque".

É um daqueles títulos "fracturantes" com que se pretende resumir e catalogar um assunto.
Ora, a língua portuguesa é muito traiçoeira, como sabemos. E, neste caso, um leitor ingénuo como eu ou o Cândido (Barbosa), tanto pode ficar a pensar que a inocente AL-Qaeda desconfia da existência de atentados como pode inferir que a mesma Al-Qaeda é suspeita de atentados no Iraque.

Esta moda dos títulos sintéticos, incisivos, de choque, é antiga.
Em geral o texto é truncado, reduzido a expressões tão simples que, às vezes, dão nisto.
Por acaso, não há lugar a dúvidas pois ninguém imagina a Al-Qaeda a ter suspeitas, mas fica o registo da curiosidade.

Noutros casos, a ambiguidade pode ser mais delicada e perigosa.
Por exemplo, se um jornal escrever "Ana Salgado suspeita de Morgado", a coisa é mais melindrosa pois tanto se pode deduzir que a jovem (e insuspeita) gémea desconfia de Maria José Morgado como se pode depreender que Ana é uma das pessoas de quem Morgado suspeita.

Eu sei que hoje é feriado e não convém puxar muito pelo bestunto, mas o Correio é assim, chama por mim e eu, feriado ou não, respondo presente. Lema de Carteiro...

Larga o velho

Há muitos anos, era frequente ouvir-se, no campo do Desportivo ou em outros locais concorridos, um grito alarmante "Larga o velho!".

A reacção geral era imediata e vibrante, com toda a gente a procurar identificar a cena que se adivinhava revoltante, ou seja, um jovem a agredir um homem idoso.
No final, era apenas brincadeira, ficção colorida, malandrice divertida.
Mas a frase ficou e dela me lembrei ao ler que, ontem, foi o veterano Rui Costa a salvar o Benfica.

Estiveram em campo as grandes contratações Óscar Cardozo e Bergessio, mas foi o velho maestro a resolver o jogo e a adiar a esperança.

Os escandinavos devem ter ouvido contar a chalaça do "Larga o velho" (talvez alguma dinamarquesa que tenha passado férias em Sesimbra, quem sabe?), e não acreditaram que o Rui Costa ainda tivesse força para rematar de longe. Tramaram-se.

Afinal, na noite de ontem, o reforço dourado ainda foi o velho...

Barbosa & Barbosa

O espanhol Eladio Jimenez, da equipa Karpin, ganhou a etapa e roubou a camisola amarela ao nosso Cândido Barbosa.

Este Karpin é o mesmo que causou amargos de boca ao Benfica quando o Celta de Vigo bateu os encarnados por 7-0. As voltas que a vida dá, com o russo a surgir agora na nossa Volta como patrão de uma equipa de ciclismo...

Resta agora ao inocente Cândido o contra-relógio para ganhar a Volta e oxalá tenha mais sorte do que outro Barbosa, o Alves, há uns bons 50 anos.

Com efeito, a perspectiva de uma decisão empolgante na ponta final lembra-me a última etapa de uma Volta, talvez em 57, não sei, em que Alves Barbosa partia com 28 segundos de vantagem sobre Ribeiro da Silva. A chegada era ao Porto.

Ora, o popular Tó não conseguiu vencer porque foi atacado, nos Carvalhos, por alguns valentões anónimos (como o dossiê) que o derrubaram, tirando-lhe a vitória.

Há uns meses, tive a ocasião de conversar com Alves Barbosa e ele confirmou o que já me constara. É que a agressão não visava beneficiar Ribeiro da Silva (que ganhou a Volta), mas sim um outro ciclista, Artur Coelho, que representava...adivinhem... o FC Porto.
Isto é como a fama do brandy Constantino, já vem de longe.

Nota de reportagem: não consta que o chefe do departamento de ciclismo se chamasse Pinto da Costa.

Os cientistas

O Verão mais quente dos últimos 150 anos, diziam eles. De onde se prova que os cientistas não sabem realmente nada, ou estão ao serviço de algo muito obscuro.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

A ENORME SURPRESA

A Procuradoria Geral da República recebeu um dossiê que visa pôr em causa Luís Filipe Vieira e Maria José Morgado.

Mais se sabe que o dito dossiê foi enviado por anónimos e que cópias foram igualmente dirigidas para outras entidades como a Liga de Clubes e o Futebol Clube do Porto.

Imagine-se, pois, a surpresa, a enorme surpresa que terá sido para o Senhor Jorge Nuno ao receber o dossiê anónimo.

No mínimo, terá dito OH, carago! o que será isto?

Obviamente, ele desconhece em absoluto o dossiê que, repito, é anónimo...

Estatística

Ontem, o senhor Vladimir Loukine deu uma conferência de imprensa.
Não, não é jogador de futebol.

O senhor Loukine foi nomeado pelo Parlamento russo e é delegado aos Direitos do Homem, coisa que só existe há poucos anos na Rússia e a que, aliás, o senhor Putin não liga muito.
Pois o senhor Loukine pediu ao Governo russo que se exprima oficialmente sobre as atrocidades cometidas pelo regime estalinista entre 1936 e 1938, crimes que classifica como "terrorismo de Estado".

Segundo Vladimir Loukine, há provas documentais da morte de mais de 2 milhões de pessoas, 725.000 das quais executadas.
Mais garante que a assinatura de Staline figura na ordem de execução de, pelo menos, 40.000 pessoas.

É bom lembrar. Por todas as razões e para memória futura...

Os figurantes

Nas filmagens de "Corrupção", a partir do livro de Carolina Salgado, há cerca de quatrocentos figurantes.
Ou seja, para meia dúzia de actores principais há uma legião de subalternos, o que não é de estranhar.
O interesse desta observação reside no paralelo que é possível estabelecer com o que se passa no mundo do futebol.

É verdade que há muitos jogadores e treinadores milionários. Mas são uma minoria, uma minoria dourada que semeia a ilusão ao ponto de pais sacrificarem a meninice e a mocidade dos filhos, crianças de poucos anos, deslumbrados com a miragem dos modelos Nani e Ronaldo, seduzidos pelos sonhos de glória e pela fortuna na ponta da bota.

Só raros lá chegarão. Os outros farão umas flores e, depois, espera-os a miséria ou a penumbra da frustração. São os figurantes.
Mesmo nas jogadas proibidas, nas maroscas douradas, só alguns tiram proveito, aquilo não pode dar para todos.
Os eternos prejudicados esbracejam, mas ninguém lhes liga, não lhes dão microfone nem câmara, deixam-nos a gritar no deserto desse Portugal profundo onde uns são menos iguais do que outros.
São os figurantes.

É assim no cinema, é assim na vida, há vedetas, figurantes e figurões...

Hora essa

Na China, na província de Jiangsu, um relâmpago atingiu uma cabana onde estava a ser velado o corpo de uma mulher.
Daí resultou a morte de cinco pessoas.

Só não percebo como é que o jornal O SOL diz que as pessoas que morreram estavam num funeral. Será que não sabem chinês neste SOL nascente?

Mais dizem que três das vítimas faleceram na hora e duas no hospital.
Daí a minha viva recomendação de que não se deve olhar muitas vezes para o relógio.
Como fica demonstrado pelo SOL, e a ancestral sabedoria chinesa confirma, é fugir de gatos pretos, não passar por baixo de escadas, escadotes ou escavadeiras, não entornar sal, em especial quando ele já está no prato da caldeirada. E, sobretudo, evitar as horas.
As de ponta são as piores.
Mas, bem vistas as coisas, o rigor da notícia do SOL é de elogiar.
É natural que as pessoas tenham morrido na hora. Morrer por morrer, sempre se poupa a maçada de ir para o hospital. E a hora é uma antecâmara da morte como qualquer outra.

O ideal é morrer não na hora mas no quarto da hora, sempre tem a cama a jeito.
De resto, a notícia é correcta já que morre gente a toda a hora. Ora bolas!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Eu xou aquele

O mundo do espectáculo está cada vez mais cruel e impiedoso, com as vedetas a competirem de forma feroz, reagindo à menor suspeita ou indício de iniciativa da concorrência.

Soube-se agora que o versátil e ecléctico don Saramago vai participar num disco de Jordi Savall, intitulado "As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz", de Haydn.

Não sei em que qualidade nem de que forma don Saramago surge no disco, talvez seja porta-voz, não sei.
O autor do"Evangelho Segundo Jesus Cristo" talvez conheça as últimas palavras do Mestre, não faço ideia.

O certo é que ele aí está, em mais um ensaio. Será que vai recitar? Será que vai narrar com um comboio? Ou será que vai cantar como o bardo do Astérix?

Ora, quer acreditem quer não, ao saber-se que don José se vai lançar no mundo da música, Michael Jackson tremeu, Jenifer Lopez amuou, Madona mordeu os beicinhos, Tony Carreira ameaçou cancelar o seu xou em Sesimbra e, espanto dos espantos, os fãs de Elvis resolveram, à última da hora e em sobressalto, organizar uma vigília, em Graceland, Memphis, mansão onde o King morreu e está sepultado.

Faz agora, na próxima 5ª feira, 30 anos que Elvis faleceu, mas isso foi apenas o pretexto.
Fontes bem informadas garantem que o objectivo é reacender a chama do rei do rock, ao sentirem que a sua estrela pode empalidecer agora que don Saramago vai avançar.

Nada tenho contra don José, hombre, por Diós y por supuesto, mas acho de mau gosto a escolha do nome artístico que doña Pilar del Rio acaba de anunciar em conferência de imprensa.
Calcule-se que, para a sua vertente discográfica, don Saramago optou por ser chamado Nobelvis, el niño de Azinhaga.

A fotografia oficial mostra o artista com um cavaquinho na mão direita e um "Diário de Notícias" na esquerda, a sua melhor mão.

Doña Pilar del Rio está a seu lado com um Lanzarote no cabelo...


Os pequenos

Que o Tony Carreira venha cantar no sábado à Vila Amália, ainda vá que não vá... Agora que o carro de som promocional quase me tenha acordado os pequenos há pedaço, é que não.

Polvo que (não) levas do Rio

O Benfica vai poder contar com uma dupla de pontas-de-lança (Nuno Gomes e Óscar Cardozo) capaz de dar dores de cabeça a muitas defesas, em particular à do Porto que vai recordar com emoção e certa nostalgia Nuno Cardoso, um homem que deixou saudades nas Antas, tão compreensivo se mostrou à frente da autarquia que mais parecia uma sucursal do FCP.
A Câmara tinha o seu PDM, Plano Director Municipal, mas para os amigos das Antas havia o PDN, Plano Do Nuno.

Bons tempos, foi o fim de uma bela amizade, já que este Rio teima em não correr para a foz do Dragão...

Fidel idade

O mundo livre, tão livre como Cuba, deve estar em festa.
El Comandante faz hoje 81 anos.

Por toda a parte se vai ouvir "Guantanamera", mas o que todos os cubanos gostariam de poder cantar era "Quando sali de Cuba", mas isso, enquanto Fidel for fazendo anos, é melhor esquecer.

Aqueles cubanos são mesmo loucos. Porquê abandonar o paraíso?

KITactivo

Uma das notícias do dia é a regulamentação da distribuição de seringas a reclusos toxicodependentes, por despacho dos senhores ministros da Justiça e da Saúde.

Assim, os reclusos inscritos no Programa irão receber um kit (estojo? caixa? conjunto? embalagem?) que contém duas seringas, um toalhete desinfectante, uma carica, uma carteira de ácido cítrico (para cozer a heroína), uma ampola de água destilada e um preservativo.

Pergunta-se: e quem fornece a heroína?
É uma crueldade darem botas, meias, calções, camisola, campo e balizas, e não fornecerem a bola.

E que faz ali o preservativo? Será que o sexo também é droga?

Estranho e curioso é que a posse e o consumo de estupefacientes constituem actos ilícitos.
Quem é que entende isto?
Mas a natureza humana é surpreendente. Se não, veja-se.

Nas prisões há televisão, cinema, cama, mesa e roupa lavada, ginásio, biblioteca, pátio de recreio, estojo com o necessário para injectar heroína, preservativo e toalhete desinfectante.

Pois, apesar de todas estas prestações em condomínio fechado, ainda há descontentes.
Seis deles abandonaram ontem o resort carceral de Guimarães.

Que mais querem eles? TV Cabo com a Sport TV?

Ele há coisas fantásticas, não há?

Pudicícia

Depois do “Notícias da Zona” e do “Nova Morada”, o opinante Fernando Patrício chegou à freguesia do Castelo e às páginas do “Raio de Luz”. O assalto final à freguesia de Santiago fica, por ora, dependente de uma correcta localização da mata do Desportivo na planta da vila.

Manda a verdade dizer que o entendimento tácito entre amplos sectores da Igreja Católica e o Partido Comunista está longe de ser daqui, ou de agora, e dá, por certo, muito que pensar. O concerto não é, de resto, tão contra-natura quanto se possa julgar.

O positivismo de Comte silenciou a metafísica para criar a religião da Humanidade. O marxismo é um messianismo sem Deus: a redenção há-de chegar pelo proletariado. Há na Igreja os milionários da fé, que não consentem a salvação fora do redil, à margem do rebanho. Ora isto lembra terrivelmente o centralismo democrático. Ter Deus na barriga é tê-lo perdido já, paredes-meias com a superioridade moral dos comunistas. Estão bem uns para os outros. E, por isso, entendem-se.

Mas o caso do “Raio de Luz” é diferente. Passa todas as marcas. Mesmo as da pudicícia.

Em foco

O texto sobre "Frases Feitas" deu lugar a alguns comentários interessantes dos quais gostaria de destacar o do atento e erudito A. Teixeira que me desafia amigavelmente com as suas considerações sobre o neologismo focar.

Observa ele, e bem, que está na moda utilizar o verbo focar no sentido de dar atenção a, concentrar-se em, em vez de salientar ou pôr em destaque.
E lembra que o verbo não deve ser conjugado reflexivamente.

Uma primeira consequência desta moda, é, daqui a pouco, começarmos a ouvir os jogadores de futebol dizer que estão muito focados em vez do clássico muito concentrados.
Mas a coisa pode ir mais longe.

Toda a gente tem ouvido a "elegante" exclamação "Fogo", mas muitos (dos que dizem e dos que ouvem) não percebem que se trata de um sucedâneo ou genérico do grosseiro "F... -se".
Outros, mais imaginativos (mas não menos rascas) cultivam o "Fónix".

Daí que, contrariando o nosso A. Teixeira, me atreva a prever que o verbo focar venha a ser usado na forma reflexiva, precisamente sob forma de exclamação, isto é, "Foooca-se".

Há quem defenda intransigentemente que tudo isto é natural, que a língua é viva, tão viva como dinheiro. Talvez...

domingo, 12 de agosto de 2007

Bomtempo

Neste Verão ameno, um título assim é quase ambíguo. Mas não se trata aqui do boletim meteorológico. E a junção inadvertida não é gralha.

Há, talvez, umas três ou quatro semanas, um leitor – ou seria uma leitora? – desta “Magra Carta” dirigia-nos palavras mui elogiosas, que devidamente saboreámos. Pedia-nos, também, que aqui fôssemos dando sugestões de âmbito cultural e artístico. O Carteiro não demorou muito a despachar o requerimento. Só eu, retardatário, fui protelando o silêncio. Aqui e agora me desincumbo da tarefa, para recomendar a audição integral dos quatro concertos para piano e orquestra de João Domingos Bomtempo (1775-1842), recentemente reeditados pela Numérica. A interpretação é de Nella Maissa, ao piano, acompanhada pela Orquestra Sinfónica de Nuremberga, sob a direcção de Klauspeter Seibel.

Maçon, romântico e patriota, Bomtempo não tem a dimensão de Mozart e de Beethoven, que, de resto, evoca. Mas falta-lhe pouco para lá chegar, o que é muito.

Torga

Algumas boas almas do meu país andam hoje, por aí, numa ladainha de incensos à figura de Miguel Torga, por mor do centenário do escritor. O coro laudatório não me parece mal. Também nutro certo carinho pelo poeta andarilho. De resto, foi nas laudas do seu Diário que aprendi a amar cada bocadinho desta terra em que me foi dado viver. Estou-lhe grato por isso, por alguns dos seus poemas, por muitos dos seus contos. Mas devo confessar que, no conjunto, a obra do médico do Largo da Portagem já não me entusiasma como há dez ou doze anos, quando, na verdade, a descobri deslumbrado. Algo frágil no pensamento que a sustenta, falta-lhe a grandeza das de Pascoaes, Pessoa ou Régio.

Como é evidente, isso não belisca minimamente o patriotismo medular do escritor, que tanto o nobilita. Porém, mete dó ver a esquerda austera sublinhar a sua ausência para dizer que Miguel Torga faz falta ao país de hoje. Nada de mais disparatado. Cada homem tem o seu tempo, e o poeta teve o dele, que soube, aliás, aproveitar como poucos. A candura costumada dos netos de Robespierre é que os não deixa ver para além do nariz de palmo. Acaso não leram o Diário XVI? À sua maneira, é um pequeno Apocalipse da Pátria. Nele, Torga invectiva o europeísmo do Tratado de Maastricht, que “há-de ser uma nódoa indelével na memória da Europa”, o “pragmatismo político” que “teima na monótona concepção da uniformização do mundo” e “a visita fúnebre de dois administradores do banco”, “senhorio do consultório” onde trabalhou quase até ao fim. E, em 30 de Setembro de 1991, também escreveu isto, para que não ficassem dúvidas: “Desmereceu hoje, como voz da nação, o aval que lhe dei ontem para o ser. Quer esquartejá-la, e pedia-me que o ajudasse na peregrina cruzada. Confunde a descentralização, o regresso ao nosso municipalismo administrativo tradicional, o povo realmente soberano, a governar-se em vez de ser governado, com a regionalização que advoga”. No seu testamento espiritual, com a dignidade trágica que só a ciência da morte próxima chega a conferir, o poeta aproximou-se sobremaneira da filosofia derrotada e, com semelhante gesto, de todos aqueles que nem sempre soube, pôde ou quis compreender. Mais vale tarde do que nunca.

As boas almas, essas, continuam a tomar partido por Afonso Costa, mesmo que este tenha esmurrado, numa rua da baixa portuense, o indefeso e doente Sampaio Bruno, com aquela cobardia desenganadora que dá a medida inteira de um homem. Persistem também as boas almas em ler pela cartilha de António Sérgio, que polemizou com Teixeira de Pascoaes o destino português. Néscia e irresponsável, a velha esquerda republicana, socialista e laica ainda não enxergou que, com o seu ateísmo materialista e o seu positivismo cosmopolita, andou um ror de décadas a alimentar os monstros ferozes que, vindos da cave, lhe invadem a casa presentemente. Agora é tarde.

Talvez por isso, as boas almas mostram-se hoje melindradas com a ausência de membros do Governo nas comemorações oficiais do centenário do escritor. Elas lá saberão. Pela minha parte, estou em crer que a gerência da sociedade anónima em que vivemos teve, por uma vez, um gesto decente, mantendo impoluta a memória do poeta e do patriota, que menospreza, despreza ou ignora. Só as boas almas persistem, beatificamente, na sua ficção dramática. Se porventura despertarem do pesadelo, resta-lhes sair para a rua e bater com a porta, que os monstros, esses, não cabem na ombreira.

A ponte

Regressei ontem por Badajoz, inevitavelmente. Atravessei a fronteira do Caia, passando pela ponte José Saramago. E dei comigo a pensar que o novo Miguel de Vasconcelos fez por merecer a placa.

Pequenez

No futebol, como em tantas coisas da vida, a grandeza, a nobreza ou a verdadeira classe são recortes de um estatuto terrivelmente difícil de alcançar.

Ontem o Porto perdeu como podia ter ganho, não houve superioridade do Sporting, houve apenas (e bastou) um golo, um grande golo que fez a diferença.
O trivial trivela fez duas ou três tentativas desastradas enquanto que Izmailov foi perfeito na execução.

Agora é confrangedor ver Jesualdo Ferreira a queixar-se de que o árbitro não viu a mão de Tonel.
É patético. Eu acredito que houve mão, mas essa mão não impediu a bola de entrar, não cortou qualquer passe, foi perfeitamente inócua, não roubou um golo ao Porto.

A pequenez de Jesualdo impede-o de reconhecer que o Porto não ganhou porque foi incapaz de marcar.
E, se o árbitro tivesse assinalado a grande penalidade, nada garante que esta teria sido concretizada ou que o Sporting não marcasse outro golo.
E nunca teria sido um golo conquistado com mérito como foi o do Sporting.

Grandeza é admitir que as coisas não correram bem, felicitar o adversário e seguir o seu caminho.
Mas talvez Jesualdo ainda não tenha afastado por completo o espectro da condição de adjunto...

Novo ídolo?

Saiu tudo furado ao Porto.
Vinha todo inchado, com o peito carregado de medalhas de latão de dois torneios de vão-de-escada enquanto o Sporting perdera com o Benfica nas margens do Guadiana.

Jesualdo já adquiriu a pose senatorial ou catedrática, como se cada jogo fosse mera formalidade e o ar de enfado lhe ficasse bem.

O meigo Bruno Alves prometia que o Porto fará-o, mas afinal nem fará-o nem farou-o.
Furou-o sim o Izmailov, com aquele petardo do meio da estepe.

Os dragões (Helton incluído) denotaram intranquilidade e infraqualidade.
Pepe faz muita falta enquanto os caceteiros Emanuel e Bruno fazem muitas faltas...

O Sporting não foi muito melhor e só destaco o regresso de Derlei que jogou à antiga, a dar luta, a rasgar, a criar espaços. Bom jogo.

Depois, há aquele relâmpago do russo, um momento de antologia, mas com a bola a fazer um arco que só a sua insustentável leveza explica.

O jovem russo (é russo, não é?) pode tornar-se uma referência do Sporting e não me custa imaginar as fãs com grandes cartazes "Izmailov is my love"...