A lei da gravidade terá a ver com a gravidade da lei?
E a lei terá verdadeiramente em conta a gravidade do crime?
E qual é a gravidade da gravidez?
Será a lei da gravidez mais incerta do que a lei da gravidade?
6o anos será uma grave idade?
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
A lei da gravidade
Tendo por horizonte os próximos Jogos Olímpicos, o governo chinês está a levar muito a sério as questões que envolvem o civismo, em geral, e a higiene, em particular.
Este último aspecto acaba de merecer uma medida drástica que consiste em multar as pessoas que cospem para o chão, excelente iniciativa que tomo a ampla liberdade de aconselhar ao executivo camarário de Sesimbra, como forma de alcançar um duplo saneamento, o das vias públicas e o das finanças, graças às incontáveis multas que, certamente, iriam aplicar.
Com efeito, Sesimbra é uma terra onde cuspir para o chão é uma tradição, embora haja quem também cuspa para o ar e, mesmo, quem cuspa na sopa.
Obviamente, cuspir para o ar é equivalente a cuspir para o chão ( a lei da gravidade assim determina) sendo a infracção de idêntica gravidade (cá está ela) à de cuspir para a borda do passeio.
Sugiro a criação imediata de um grupo de trabalho para definir formas de actuação, fixar os montantes e nomear fiscais.
Mais lembro a inclusão dos pormenores no Boletim Municipal , em particular o leque de corpos do delito e as coimas apropriadas.
Ao acaso, proponho que haja valores diferenciados consoante se trate de cuspinho, cuspo, cuspidela, escarreta, escarro ou ostra.
Vá lá, toca a cuspir nas mão e vamos ao trabalho...
Este último aspecto acaba de merecer uma medida drástica que consiste em multar as pessoas que cospem para o chão, excelente iniciativa que tomo a ampla liberdade de aconselhar ao executivo camarário de Sesimbra, como forma de alcançar um duplo saneamento, o das vias públicas e o das finanças, graças às incontáveis multas que, certamente, iriam aplicar.
Com efeito, Sesimbra é uma terra onde cuspir para o chão é uma tradição, embora haja quem também cuspa para o ar e, mesmo, quem cuspa na sopa.
Obviamente, cuspir para o ar é equivalente a cuspir para o chão ( a lei da gravidade assim determina) sendo a infracção de idêntica gravidade (cá está ela) à de cuspir para a borda do passeio.
Sugiro a criação imediata de um grupo de trabalho para definir formas de actuação, fixar os montantes e nomear fiscais.
Mais lembro a inclusão dos pormenores no Boletim Municipal , em particular o leque de corpos do delito e as coimas apropriadas.
Ao acaso, proponho que haja valores diferenciados consoante se trate de cuspinho, cuspo, cuspidela, escarreta, escarro ou ostra.
Vá lá, toca a cuspir nas mão e vamos ao trabalho...
Famous last words
Aborto clandestino – substantivo e adjectivo. A falácia está nisto: fazer incidir os holofotes sobre o adjectivo, deixando o substantivo na penumbra. Eliminar a substância. E, no seu lugar, instalar o acidente. O SIM, provavelmente, vai ganhar. Mas sem razão.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
O segredo
Ao longo dos séculos, o homem tem cismado sobre a sua origem, o seu fim, o seu papel no Mundo, com teólogos e filósofos, cientistas e pensadores avulsos, todos à procura do sentido da vida.
De tanta reflexão e tanto estudo resultam obras que, por sua vez, dão lugar a mais interpretações e congeminações, espécie de polvo de tentáculo na boca.
Por vezes, digo para mim mesmo, na pueril inocência dos ignorantes, que, se calhar, essa efervescência toda, essa marmita de druídas do saber não deita cá para fora uma gota sequer da poção mágica que nos ajude a encarar com naturalidade e serenidade esta coisa atroz que é sabermos que estamos todos condenados a morrer.
Uns morrem até às dez semanas, outros mais tarde, mas todos acabamos por morrer.
Difícil, para a grande maioria, é o que temos de carregar às costas, até ao apagar da vela da nossa existência terrena.
Ora, há poucos minutos, ouvi duas mulheres que, na "Antena Aberta", falavam sobre o mundo em que vivemos. E cada uma delas disse uma frase que deveria merecer reflexão da nossa parte.
Uma disse que está "bem na vida". A outra revelou que está "bem com a vida".
Talvez seja esta a linha de divisão das águas, do tal sentido da vida, o ter e o ser.
Seria muito bom que todos nós, em qualquer momento, pudéssemos dizer que estamos bem com a vida...
De tanta reflexão e tanto estudo resultam obras que, por sua vez, dão lugar a mais interpretações e congeminações, espécie de polvo de tentáculo na boca.
Por vezes, digo para mim mesmo, na pueril inocência dos ignorantes, que, se calhar, essa efervescência toda, essa marmita de druídas do saber não deita cá para fora uma gota sequer da poção mágica que nos ajude a encarar com naturalidade e serenidade esta coisa atroz que é sabermos que estamos todos condenados a morrer.
Uns morrem até às dez semanas, outros mais tarde, mas todos acabamos por morrer.
Difícil, para a grande maioria, é o que temos de carregar às costas, até ao apagar da vela da nossa existência terrena.
Ora, há poucos minutos, ouvi duas mulheres que, na "Antena Aberta", falavam sobre o mundo em que vivemos. E cada uma delas disse uma frase que deveria merecer reflexão da nossa parte.
Uma disse que está "bem na vida". A outra revelou que está "bem com a vida".
Talvez seja esta a linha de divisão das águas, do tal sentido da vida, o ter e o ser.
Seria muito bom que todos nós, em qualquer momento, pudéssemos dizer que estamos bem com a vida...
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Um belo lance
Segundo o jornal "A Bola", os quatro golos do sportinguista Bueno representam uma contribuição de dois mil euros para os doentes com cancro dos IPO de Lisboa, Porto e Coimbra, graças a uma iniciativa da Liga e da Roche.
Ora aqui está uma bonita notícia que, para além de outras considerações, nos faz desejar que muitos golos sejam marcados, para alegria dos adeptos e alguma consolação dos doentes.
É uma jogada limpa e elogiável num campo tão pouco digno como é o do nosso futebol.
Como nota curiosa, o facto de o director do IPO de Coimbra ser o Dr. Manuel António Silva, ponta-de-lança da Académica dos anos sessenta, internacional e vencedor de uma Bola de Prata.
E um homem verdadeiramente admirável.
O futebol também tem coisas destas, "buenas" a valer...
Ora aqui está uma bonita notícia que, para além de outras considerações, nos faz desejar que muitos golos sejam marcados, para alegria dos adeptos e alguma consolação dos doentes.
É uma jogada limpa e elogiável num campo tão pouco digno como é o do nosso futebol.
Como nota curiosa, o facto de o director do IPO de Coimbra ser o Dr. Manuel António Silva, ponta-de-lança da Académica dos anos sessenta, internacional e vencedor de uma Bola de Prata.
E um homem verdadeiramente admirável.
O futebol também tem coisas destas, "buenas" a valer...
Venha de lá essa França!
Ainda o aborto e os exemplos que chegam de fora
Pessoa próxima, compatriota, radicada em França, dizia-me ontem, ao telefone, que se o NÃO ganhasse domingo, isso seria uma vergonha. Naturalmente, discordei. Entretanto, um leitor deste blogue trouxe à colação o exemplo francês em matéria de aborto. Vamos lá então… Em muitos aspectos, a França é um país admirável, e até invejável. Mas isso não quer dizer que seja, sem mais, nem menos, imitável. Especialmente em matéria civilizacional. Portugal tem cultivado, em demasia, o espírito simiesco; e copiado, com particular desmesura, os modelos gauleses. Mas há alturas na história em que Portugal trilha a sua própria estrada. Quando assim é, aponta ao mundo o caminho a seguir. Se a regra do transferidor e do tira-linhas não comportasse excepções, teríamos substituído a forca pela guilhotina e andado a cortar as cabeças dos nossos maiores criminosos até mil novecentos e setenta e tal. Como, porém, cometemos a heresia pioneira de abolir a pena de morte em meados de século XIX, presumo que tenhamos, então, divergido drasticamente da Europa civilizada. E, a propósito, por que será que ninguém fala agora da tão apregoada, da tão desenvolvida Irlanda, que parece não ter vergonha da sua lei, que proíbe o aborto?
Pessoa próxima, compatriota, radicada em França, dizia-me ontem, ao telefone, que se o NÃO ganhasse domingo, isso seria uma vergonha. Naturalmente, discordei. Entretanto, um leitor deste blogue trouxe à colação o exemplo francês em matéria de aborto. Vamos lá então… Em muitos aspectos, a França é um país admirável, e até invejável. Mas isso não quer dizer que seja, sem mais, nem menos, imitável. Especialmente em matéria civilizacional. Portugal tem cultivado, em demasia, o espírito simiesco; e copiado, com particular desmesura, os modelos gauleses. Mas há alturas na história em que Portugal trilha a sua própria estrada. Quando assim é, aponta ao mundo o caminho a seguir. Se a regra do transferidor e do tira-linhas não comportasse excepções, teríamos substituído a forca pela guilhotina e andado a cortar as cabeças dos nossos maiores criminosos até mil novecentos e setenta e tal. Como, porém, cometemos a heresia pioneira de abolir a pena de morte em meados de século XIX, presumo que tenhamos, então, divergido drasticamente da Europa civilizada. E, a propósito, por que será que ninguém fala agora da tão apregoada, da tão desenvolvida Irlanda, que parece não ter vergonha da sua lei, que proíbe o aborto?
Triagem?
Uma funcionária de uma empresa que faz a triagem do lixo em Trajouce, encontrou um feto (que aparenta ter sete ou oito meses) dentro de um saco de plástico. Vem num diário de hoje.
Deixo aos entendidos neste assunto os comentários a esta descoberta que surge a poucos dias do referendo sobre o aborto.
Pela minha parte, gostaria apenas de saber por que razão se diz e escreve tranquilamente triagem e triar quando estes vocábulos mais não são do que infelizes e desnecessárias adaptações do francês triage e trier.
Em Português, temos escolha, separação, selecção, por exemplo.
Não chegam? Não servem?
Será que o referendo vai fazer uma triagem?
Deixo aos entendidos neste assunto os comentários a esta descoberta que surge a poucos dias do referendo sobre o aborto.
Pela minha parte, gostaria apenas de saber por que razão se diz e escreve tranquilamente triagem e triar quando estes vocábulos mais não são do que infelizes e desnecessárias adaptações do francês triage e trier.
Em Português, temos escolha, separação, selecção, por exemplo.
Não chegam? Não servem?
Será que o referendo vai fazer uma triagem?
Portugalegre, Brasilento
O jogo de ontem sugere-me três ou quatro considerações.
Em primeiro lugar ( e não desde logo), jogos amigáveis, a este nível altamente competitivo, apenas servem para encher os cofres das Federações e fornecer programa às televisões.
Depois, prejudicam os clubes (que pagam aos jogadores) e são tão anacrónicos como o fumo preto no braço dos jogadores.
O luto é ritual obsoleto, caído em desuso, cheira a naftalina.
E surpreende ainda mais num ambiente em que os sentimentos não são a grande prioridade.
O senhor Scolari quis passar a mão pelo ego do talentoso Cristiano Ronaldo, e nomeou-o capitão da equipa.
Não é um drama, mas julgo ter sido uma escolha pouco feliz.
O capitão da selecção nacional tem de possuir, no mínimo, maturidade, estabilidade emocional, personalidade, autoridade e respeitabilidade, virtudes que o jovem madeirense, pelo menos por agora, não possui.
De resto, num jogo a feijões, com mil substituições, Portugal correu mais e ganhou.
Mas nada de ilusões, estes jogos são como as sondagens, valem o que valem...
Em primeiro lugar ( e não desde logo), jogos amigáveis, a este nível altamente competitivo, apenas servem para encher os cofres das Federações e fornecer programa às televisões.
Depois, prejudicam os clubes (que pagam aos jogadores) e são tão anacrónicos como o fumo preto no braço dos jogadores.
O luto é ritual obsoleto, caído em desuso, cheira a naftalina.
E surpreende ainda mais num ambiente em que os sentimentos não são a grande prioridade.
O senhor Scolari quis passar a mão pelo ego do talentoso Cristiano Ronaldo, e nomeou-o capitão da equipa.
Não é um drama, mas julgo ter sido uma escolha pouco feliz.
O capitão da selecção nacional tem de possuir, no mínimo, maturidade, estabilidade emocional, personalidade, autoridade e respeitabilidade, virtudes que o jovem madeirense, pelo menos por agora, não possui.
De resto, num jogo a feijões, com mil substituições, Portugal correu mais e ganhou.
Mas nada de ilusões, estes jogos são como as sondagens, valem o que valem...
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
De olhos em bico
O “Magra Carta” está em condições de assegurar que as celebradas declarações feitas pelo ministro Manuel Pinho, na semana passada, em Pequim (ou Beijing, como eles preferem dizer), não caíram em saco roto. Muitas e muitas dezenas de cibernautas daquele país do Extremo Oriente têm, durante o dia de hoje, visitado - como se pode comprovar por uma consulta ao “Sitemeter” - e elogiado o nosso blogue, propondo-nos ainda que visitemos os seus, numa evidente disposição negocial. Claro que os respectivos comentários têm sido rejeitados, uma vez que, apesar da mão-de-obra do “Magra Carta” ser pouco qualificada, os custos do factor “trabalho” ainda não estão em saldo por estas bandas. Mesmo perante um ataque de “spams”…
No pasa nada
A Dr.ª Isabel Peneque, sendo, há largos meses, directora de O SESIMBRENSE (como se lembrarão, começou por ser sub-directora de si própria), conseguiu a proeza de não ter ainda escrito um único editorial sobre a situação política do concelho. De resto, o jornal que dirige revela-se, consabidamente, uma folha veneradora, atenta e obrigada. Em Sesimbra “no pasa nada”. Fazer grande manchete com uma prova de corta-mato escolar, como sucedeu com o último número do quinzenário, diz-nos logo ao que vamos. Mas a senhora permitiu-se agora, do alto do seu esfíngico porte, consignar esta pérola, a propósito do referendo do próximo dia 11, dando-nos a todos uma lição de moral, plena de virtude democrática: “A questão a que teremos de responder é demasiado séria para que nos fechemos no nosso comodismo e deixemos que outros decidam por nós. A abstenção é um inqualificável acto de desinteresse (eu diria mesmo, de cobardia) por uma questão de tal gravidade que o próprio Governo não se atreveu a decidir sem ouvir a vontade dos portugueses”. Quem julga esta senhora que é? Quem lhe encomendou o sermão?
Borda d'Água
Esta tarde, enquanto aguardava a luz verde do sinal, fui abordado por uma rapariga (romena?) que me estendeu o "Borda d'Água" e a mão para uma moedinha.
A única que tinha a jeito era de 20 cêntimos. E dei-lha.
A reacção foi de desprezo e censura. Só 20 cêntimos?!!
Noutro tempo, não muito distante, quarenta escudos, para esmola, era uma soma não só aceitável como apreciável.
Mas, hoje, vinte cêntimos não só não satisfazem como dão lugar a indignação e reacções agressivas por parte de quem pede e se sente no direito de determinar o montante da "bandeirada".
Assim sendo, e para evitar incidentes diplomáticos à beira dos semáforos, convido o Secretário de Estado que estiver menos ocupado a aproveitar a próxima Presidência Portuguesa da UE para fixar uma EMN, ou seja, esmola mínima nacional.
Desta forma, deixaremos de fazer figura de pelintras diantes destes jovens e simpáticos romenos que nos honram com a sua presença, têm a sua dignidade e não aceitam qualquer coisinha.
Não sei se são pobres. Agradecidos é que não são, de certeza.
A serigaita ficou a recitar o seu rosário de nomes feios (em romeno) e eu jurei que, na próxima vez, não leva vinte nem dez nem cinco.
Mal ela sonha que eu sou da borda d'água...
A única que tinha a jeito era de 20 cêntimos. E dei-lha.
A reacção foi de desprezo e censura. Só 20 cêntimos?!!
Noutro tempo, não muito distante, quarenta escudos, para esmola, era uma soma não só aceitável como apreciável.
Mas, hoje, vinte cêntimos não só não satisfazem como dão lugar a indignação e reacções agressivas por parte de quem pede e se sente no direito de determinar o montante da "bandeirada".
Assim sendo, e para evitar incidentes diplomáticos à beira dos semáforos, convido o Secretário de Estado que estiver menos ocupado a aproveitar a próxima Presidência Portuguesa da UE para fixar uma EMN, ou seja, esmola mínima nacional.
Desta forma, deixaremos de fazer figura de pelintras diantes destes jovens e simpáticos romenos que nos honram com a sua presença, têm a sua dignidade e não aceitam qualquer coisinha.
Não sei se são pobres. Agradecidos é que não são, de certeza.
A serigaita ficou a recitar o seu rosário de nomes feios (em romeno) e eu jurei que, na próxima vez, não leva vinte nem dez nem cinco.
Mal ela sonha que eu sou da borda d'água...
No seu melhor
Agora percebo as corridas matinais do primeiro-ministro. Desiludam-se os cépticos: a coabitação está para durar. É bom saber que o presidente Cavaco vela por nós.
Um referendo escusado
Por diversas razões, o debate (sobre o aborto) tornou-se num combate, o que é de lamentar.
O que deveria ser decidido no recanto mais tranquilo das nossas consciências foi posto na praça pública, com partidos políticos, múltiplas associações e movimentos em acesa peleja.
Os dos NÃO apresentam-se como os anjos imaculados, desfraldando a bandeira de defensores da Vida. E acusando os do SIM de assassinos de criancinhas.
Só não querem perceber que nem uns nem outros vão conseguir o ideal, ou seja, acabar com o aborto, em especial, o clandestino.
A verdade é que este referendo é inútil, uma vez que TODOS somos contra o aborto.
O que faz falta é uma lei que contemple todas as formas de prevenção, apoio e protecção para as mulheres, em particular as mais jovens.
Com o contributo de todos, os do SIM e os do NÃO, seria possível chegar a um consenso que nos unisse à volta do essencial , a Vida e a felicidade das famílias.
Por agora, haveria uma só coisa a fazer: alterar a lei e despenalizar o aborto.
Depois, meter mãos à obra e tratar a sério, em profundidade, este grave problema.
Mas fazê-lo de mãos dadas, com tolerância, com compreensão.
E com amor...
O que deveria ser decidido no recanto mais tranquilo das nossas consciências foi posto na praça pública, com partidos políticos, múltiplas associações e movimentos em acesa peleja.
Os dos NÃO apresentam-se como os anjos imaculados, desfraldando a bandeira de defensores da Vida. E acusando os do SIM de assassinos de criancinhas.
Só não querem perceber que nem uns nem outros vão conseguir o ideal, ou seja, acabar com o aborto, em especial, o clandestino.
A verdade é que este referendo é inútil, uma vez que TODOS somos contra o aborto.
O que faz falta é uma lei que contemple todas as formas de prevenção, apoio e protecção para as mulheres, em particular as mais jovens.
Com o contributo de todos, os do SIM e os do NÃO, seria possível chegar a um consenso que nos unisse à volta do essencial , a Vida e a felicidade das famílias.
Por agora, haveria uma só coisa a fazer: alterar a lei e despenalizar o aborto.
Depois, meter mãos à obra e tratar a sério, em profundidade, este grave problema.
Mas fazê-lo de mãos dadas, com tolerância, com compreensão.
E com amor...
O aborto e a tragédia da Esquerda
Os apoiantes do SIM no referendo do aborto – trata-se, por atacado, da Esquerda – defendem-se, como podem, no último reduto das suas posições. A sedução do pragmatismo em que se ancoram reside, por inteiro, na lógica, aparentemente impecável, decerto implacável, dos raciocínios proclamados: “é melhor escolher o mal menor”. A par deste argumento, surge também invocada, em seu auxílio, a comparação com o que se passa “lá fora”, na Europa “desenvolvida”, no mundo “civilizado”.
Sem disso se dar conta, a Esquerda, ainda que no domingo o SIM acabe por não vencer, meteu-se num beco sem saída. Não a Esquerda comunista, que sucumbiu vergada ao peso dos seus próprios horrores; mas a Esquerda democrática, cuja origem remota se há-de buscar num vago fundo iluminista e romântico, de que o espírito maçónico, depois maculado pelo positivismo, pode, talvez, oferecer paradigma reconhecível. É esta Esquerda que agora se recusa, enfim, a transformar o mundo, abdicando de realmente melhorar as condições materiais da vida das pessoas, uma vez que, quanto às condições espirituais, há muito – desde que suprimiu a ideia de Deus do seu horizonte – demonstrou a sua inépcia.
Como no mito fáustico, a Esquerda vendeu a alma ao diabo. A mesma Esquerda que dizia sonhar – porque o sonho comandava a vida – não tem hoje para oferecer senão a desolação. Para mais, a comiseração pungente denotada perante as mulheres levadas a julgamento degrada irremediavelmente séculos de uma luta justa pela dignidade da condição feminina.
A Esquerda perde tudo: a alma e a face. Martelar agora a tecla do exemplo internacional, ceder à falácia do inexorável, resignar-se às circunstâncias, é entreabrir a porta ao mal menor dos despedimentos colectivos, abençoar a frouxa legislação laboral que se aplica noutras paragens, o diabo a sete! A tragédia da Esquerda está sobre o palco e o pano vai cair.
Sem disso se dar conta, a Esquerda, ainda que no domingo o SIM acabe por não vencer, meteu-se num beco sem saída. Não a Esquerda comunista, que sucumbiu vergada ao peso dos seus próprios horrores; mas a Esquerda democrática, cuja origem remota se há-de buscar num vago fundo iluminista e romântico, de que o espírito maçónico, depois maculado pelo positivismo, pode, talvez, oferecer paradigma reconhecível. É esta Esquerda que agora se recusa, enfim, a transformar o mundo, abdicando de realmente melhorar as condições materiais da vida das pessoas, uma vez que, quanto às condições espirituais, há muito – desde que suprimiu a ideia de Deus do seu horizonte – demonstrou a sua inépcia.
Como no mito fáustico, a Esquerda vendeu a alma ao diabo. A mesma Esquerda que dizia sonhar – porque o sonho comandava a vida – não tem hoje para oferecer senão a desolação. Para mais, a comiseração pungente denotada perante as mulheres levadas a julgamento degrada irremediavelmente séculos de uma luta justa pela dignidade da condição feminina.
A Esquerda perde tudo: a alma e a face. Martelar agora a tecla do exemplo internacional, ceder à falácia do inexorável, resignar-se às circunstâncias, é entreabrir a porta ao mal menor dos despedimentos colectivos, abençoar a frouxa legislação laboral que se aplica noutras paragens, o diabo a sete! A tragédia da Esquerda está sobre o palco e o pano vai cair.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
Um país desenvolvido
Ó cínica Inglaterra, ó bêbeda impudente,
Que tens levado tu, ao negro e à escravidão?
Chitas e hipocrisia, evangelho e aguardente,
Repartindo por todo o escuro continente
A mortalha de Cristo em tangas d’algodão.
GUERRA JUNQUEIRO, FINIS PATRIAE
Segundo o DIÁRIO DE NOTÍCIAS de hoje, Philip Hook, um especialista em arte impressionista e em arte moderna, terá sublinhado, a propósito do milionário leilão da Sotheby’s, que agora se iniciou em Londres, a importância da capital inglesa no mercado de arte. Nomeadamente, Hook admite que “os Invernos frios e os Verões quentes têm consequências positivas nos negócios, porque há mais pessoas a morrer e a sua arte a ser por isso vendida, enquanto outros compram paisagens quentes”. Eis a esplêndida Inglaterra, um dos tais países desenvolvidos lá da Europa, que, de vez em quando, dá jeito invocar, como luzeiro civilizacional, por estas bandas, para justificar o que não tem justificação…
Que tens levado tu, ao negro e à escravidão?
Chitas e hipocrisia, evangelho e aguardente,
Repartindo por todo o escuro continente
A mortalha de Cristo em tangas d’algodão.
GUERRA JUNQUEIRO, FINIS PATRIAE
Segundo o DIÁRIO DE NOTÍCIAS de hoje, Philip Hook, um especialista em arte impressionista e em arte moderna, terá sublinhado, a propósito do milionário leilão da Sotheby’s, que agora se iniciou em Londres, a importância da capital inglesa no mercado de arte. Nomeadamente, Hook admite que “os Invernos frios e os Verões quentes têm consequências positivas nos negócios, porque há mais pessoas a morrer e a sua arte a ser por isso vendida, enquanto outros compram paisagens quentes”. Eis a esplêndida Inglaterra, um dos tais países desenvolvidos lá da Europa, que, de vez em quando, dá jeito invocar, como luzeiro civilizacional, por estas bandas, para justificar o que não tem justificação…
Por que SIM
Se a actual lei se mantiver, as mulheres
- deixam de abortar ? NÃO
- vão renunciar ao aborto clandestino ? NÃO
- deixam de ser consideradas criminosas ? NÃO
- vão ter acesso a melhores condições para abortar ? NÃO
Então, para que serve votar NÃO ?
- deixam de abortar ? NÃO
- vão renunciar ao aborto clandestino ? NÃO
- deixam de ser consideradas criminosas ? NÃO
- vão ter acesso a melhores condições para abortar ? NÃO
Então, para que serve votar NÃO ?
Paneleiros
Vem no jornal. A empresa Silampos, produtora de panelas de pressão, anda a ser altamente prejudicada por imitações provenientes da China.
Até os livros de instruções e as respectivas erratas são copiados à letra.
Já sabíamos que, na sua deslocação à China, José Sócrates não iria tocar na melindrosa questão dos direitos do Homem.
Falta agora saber se, por acaso, este assunto das panelas de pressão terá ido à colação.
Suspeito que não, talvez por haver uma só empresa a queixar-se, talvez por não ter calhado.
Ou talvez porque suas excelências não têm tempo a perder com negócios de paneleiros...
Até os livros de instruções e as respectivas erratas são copiados à letra.
Já sabíamos que, na sua deslocação à China, José Sócrates não iria tocar na melindrosa questão dos direitos do Homem.
Falta agora saber se, por acaso, este assunto das panelas de pressão terá ido à colação.
Suspeito que não, talvez por haver uma só empresa a queixar-se, talvez por não ter calhado.
Ou talvez porque suas excelências não têm tempo a perder com negócios de paneleiros...
Um NÃO muito infeliz
Está, neste momento, a falar na RTP1, a propósito dos Grandes Portugueses, uma piquena chamada Isabel Moreira (Assistente da Faculdade de Direito) que acaba de afirmar que uma das grandes armas do Doutor Salazar foi, "claramente, a não instrução" (sic).
No meu tempo, o não (advérbio, de profissão) só acasalava com verbos (obviamente) e, menos, com adjectivos e outros advérbios.
Expressões como não instrução, não notícia, não entrega, não presença, etc. são erradas, feias, pedantes e caricatas.
Salazar terá, porventura, alimentado o analfabetismo.
Em Portugal terá havido falta de ou pouca instrução.
Agora não instrução, ó sô dòtora, em que escola de adultos é que aprendeu isso?
No meu tempo, o não (advérbio, de profissão) só acasalava com verbos (obviamente) e, menos, com adjectivos e outros advérbios.
Expressões como não instrução, não notícia, não entrega, não presença, etc. são erradas, feias, pedantes e caricatas.
Salazar terá, porventura, alimentado o analfabetismo.
Em Portugal terá havido falta de ou pouca instrução.
Agora não instrução, ó sô dòtora, em que escola de adultos é que aprendeu isso?
domingo, 4 de fevereiro de 2007
A "borto" e a direito
O caso da pequena Esmeralda talvez pudesse constituir um ponto de partida para uma reflexão sobre os direitos dos chamados pais biológicos que, apenas por trazerem ao mundo uma criança, adquirem sobre ela direitos que, muitas vezes, estão longe de justificar.
Quando digo apenas, refiro-me aos casos em que a concepção não resulta de um acto consciente, reflectido, mas apenas de um banal e ocasional episódio de sexo.
O pai biológico está, frequentemente, ausente, física e/ou afectivamente, enquanto a mulher se limita a trazer o filho no ventre até dar à luz.
De uma forma muito simples e clara, os direitos só deveriam ser concedidos aos homens e às mulheres que demonstrassem ser mais que (às vezes, involuntários) genitores.
Só deveria merecer direitos sobre uma criança quem mostrasse, de forma duradoura e constante, ser verdadeiramente PAI ou MÃE, o que é infinitamente mais do que ser um mero protagonista de um encontro carnal.
As fêmeas dos animais irracionais têm, por norma, gestos instintivos de afecto e ternura, para com as suas crias.
Desgraçadamente, o mesmo não sucede com muitas mulheres e homens.
Mas nem por isso deixam de ser designados por pai e mãe, com direito a direitos imerecidos.
Será que todas as leis são perfeitas, actuais e imutáveis?
Quando digo apenas, refiro-me aos casos em que a concepção não resulta de um acto consciente, reflectido, mas apenas de um banal e ocasional episódio de sexo.
O pai biológico está, frequentemente, ausente, física e/ou afectivamente, enquanto a mulher se limita a trazer o filho no ventre até dar à luz.
De uma forma muito simples e clara, os direitos só deveriam ser concedidos aos homens e às mulheres que demonstrassem ser mais que (às vezes, involuntários) genitores.
Só deveria merecer direitos sobre uma criança quem mostrasse, de forma duradoura e constante, ser verdadeiramente PAI ou MÃE, o que é infinitamente mais do que ser um mero protagonista de um encontro carnal.
As fêmeas dos animais irracionais têm, por norma, gestos instintivos de afecto e ternura, para com as suas crias.
Desgraçadamente, o mesmo não sucede com muitas mulheres e homens.
Mas nem por isso deixam de ser designados por pai e mãe, com direito a direitos imerecidos.
Será que todas as leis são perfeitas, actuais e imutáveis?
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