“P. S. – Embora a minha independência relativamente aos partidos políticos seja total não abdico de exercer os meus direitos e deveres de cidadania.
As minhas sugestões e críticas que considero construtivas, são apenas de ordem política. Todas as conclusões e aproveitamentos partidários ou outros que se façam fora desse contexto, considero-os completamente abusivos.
Estou abertamente em desacordo com algumas das políticas seguidas tanto pelo actual como pelo anterior Presidente da Câmara, mas só isso. Não me escondo atrás do anonimato para o fazer, e eles sabem que os considero homens íntegros e de grande honestidade com quem tenho mantido desde há muitos anos sólidas relações de amizade que não quero ver desbaratadas.”
Esta é a tese. Agora vem a antítese, para que o leitor faça a síntese:
1 – Tal como Raul Augusto, também não estou filiado em qualquer partido político, nem dependo de nenhum.
2 – Tal como ele, também não abdico de exercer os meus direitos. Escrever num blogue, sob pseudónimo (o que é diferente do anonimato que Raul Augusto sugere), é um deles. Lembro-me de ler, no “Jornal de Sesimbra”, algumas colaborações sob pseudónimo, quando Raul Augusto era o director da publicação. Eram colaborações notórias, porventura notáveis. Mal comparado, como diz o povo, a história da literatura está cheia de pseudónimos: de Miguel Torga a Eugénio de Andrade, de José Régio a Manuel Tiago. E a do jornalismo local também: de Dirceu Arranca a Romualdo Santanás.
3 – Calculo que Raul Augusto não leia este blogue com frequência. Caso contrário, ter-se-ia apercebido da importância que, quer este pobre Escriba, quer o ilustre Carteiro, dão à imprensa local, que regularmente comentam.
4 – Raul Augusto diz estar abertamente em desacordo com algumas das políticas seguidas pelo actual executivo. É verdade. Sucede que, tratando-se de Raul Augusto, esta é uma verdade relevante. Espero sinceramente que ele tome as minhas palavras como um elogio, sem falsas lisonjas.
5 – Isto é tanto mais assim quanto Raul Augusto, no seu anterior artigo, falou em nome de muitos sesimbrenses que, disse ele, “estão francamente desiludidos” com a actual gestão.
6 – Não percebo, pois, a acrimónia que, aparentemente, me é dispensada por Raul Augusto. Limitei-me a citar o que escreveu, mas com uma diferença: ao contrário de Raul Augusto, eu não dou o benefício da dúvida a Augusto; ao contrário de Raul Augusto, creio que a virtude teologal da esperança é mal empregada com a actual gestão camarária. Trata-se, afinal, do mesmíssimo partido – já se sabe que eles não mudam – que, durante duas décadas, sustentou no poder Esequiel Lino, cuja gestão Raul Augusto tão asperamente criticou no passado. Daí que lhe tenha sugerido, numa nota de humor (que, vá lá alguém saber porquê, lhe não terá caído bem), que continue a esperar, mas sentado. Continuo, porém, a apreciar Raul Augusto, a sua escrita e a sua frontalidade, e não me coibirei de aqui o citar. Até porque não é proibido.
