Se bem que tenha decretado um blackout sesimbrense, não deixou o Carteiro de prevenir a ocorrência de circunstâncias altamente excepcionais que justificassem um qualquer desvio à regra dourada deste nosso silêncio local. O artigo ora assinado por Florindo Paliotes, no “Nova Morada” de hoje, é, decerto, uma dessas circunstâncias. Nele, vem o notável emissário dos netos de Estaline verberar a Doutora Guilhermina por esta haver marcado a inauguração de uma exposição de fotografia e escultura para a mesma hora de um debate sobre o POPNA (e puore si muove!) – tudo no Dia do Pescador. Pelo que se lê, o senhor Paliotes, plumitivo atento e sempre lesto a citar Marx, Lenine e outras preciosidades de sarcófago, anda um tanto ou quanto desmemoriado, supondo, como quero crer, que não se dê simplesmente o caso mais grave de lhe faltar a honestidade intelectual. Vai para um ano, os seus correligionários Augusto e Felícia marcaram uma insólita reconstituição da antiga lota na praia para os mesmíssimos dia e hora de um colóquio sobre a vida e a obra de Rafael Monteiro, organizado por um grupo de munícipes, em colaboração com um dos pelouros detidos pela Doutora Guilhermina, e cuja data fora assente e tornada pública meio ano antes! Nessa altura, não me lembro de ter ouvido qualquer reparo justiceiro ao cívico Paliotes – o mesmo que, na folha condense, encerra agora o seu artigo invocando os valores da coerência e da consistência. Fora isto, não posso deixar de ter alguma pena da Doutora Guilhermina. Quão injusto é o senhor Paliotes ao censurá-la! Logo a ela, que, em Setembro passado, tão diligentemente abandonou o colóquio sobre Rafael, onde era a anfitriã, para se ir mostrar ao patrão Augusto junto ao muro da lota. Apetecia dizer: Que lhe sirva de lição! Mas é tudo tão sem remédio nesta senhora sem graça! E o Dr. Cristóvão? Persistirá na vilegiatura anunciada quando o pequeno mundo a cujo governo aspira lhe desaba sobre as tropas, sob a forma de um rematado enxovalho? Dá-se alvíssaras…